{"id":459,"date":"2021-09-12T14:43:58","date_gmt":"2021-09-12T17:43:58","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/ix\/?page_id=459"},"modified":"2021-09-12T15:26:08","modified_gmt":"2021-09-12T18:26:08","slug":"sigmund-freud","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/ix\/pt\/bibliografia-2\/referencias-in-loco\/sigmund-freud\/","title":{"rendered":"Sigmund Freud"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-1 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-three\"><h3 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:30;line-height:1.3;\">\u00d3DIO\/ODIO<\/h3><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><b>FREUD, S<\/b>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo IV:\u00a0<\/i><i>O Mecanismo do prazer e a psicog\u00eanese dos chistes<\/i>.\u00a0In: VOL. VIII \u2013 Os chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente (1905). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm chiste \u00e9 agora enfocado como um fator ps\u00edquico munido de poder: seu peso, avaliado em uma ou outra escala, pode ser decisivo. Os principais prop\u00f3sitos e instintos da vida mental empregam-no para seus pr\u00f3prios fins.(\u2026) Para prop\u00f3sitos agressivos, empregar o mesmo m\u00e9todo para tornar o ouvinte, inicialmente indiferente, em correligion\u00e1rio de seu \u00f3dio ou desprezo, criando para o inimigo um pugilo de oponentes quando, de in\u00edcio, s\u00f3 existia um \u00fanico.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.\u00a0<\/strong><i>Cap\u00edtulo VIII: Moral sexual civilizada e doen\u00e7a nervosa moderna(1908)<\/i>.\u00a0In: VOL. IX \u2013 \u201cGradiva\u201d de Jensen e outros trabalhos (1906 \u2013 1908). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cUma esposa neur\u00f3tica, insatisfeita, torna-se uma m\u00e3e excessivamente terna e ansiosa, transferindo para o filho sua necessidade de amor. Dessa forma ela o desperta para a precocidade sexual. Al\u00e9m disso, o mau relacionamento dos pais excita a vida emocional da crian\u00e7a, fazendo-a sentir amor e \u00f3dio em graus muito elevados ainda em tenra idade. Sua educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida, que n\u00e3o tolera qualquer atividade dessa vida sexual precocemente despertada, vai em aux\u00edlio da for\u00e7a supressora e esse conflito, em idade t\u00e3o tenra, fornece todos os elementos necess\u00e1rios ao aparecimento de uma doen\u00e7a nervosa que durar\u00e1 toda a vida.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-3\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Cap\u00edtulo II: N<\/i><i>otas sobre um caso de neurose obsessiva<\/i>\u00a0(1909).\u00a0In: VOL. X \u2013 Duas hist\u00f3rias cl\u00ednicas: O \u201cPequeno Hans\u201d e o \u201cHomem dos ratos\u201d (1909). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cPara confirmar, o \u00f3dio precisa ter uma fonte, e descobrir essa fonte era certamente um problema; suas pr\u00f3prias afirma\u00e7\u00f5es indicavam a \u00e9poca em que ele temia que seus pais adivinhassem seus pensamentos. Por outro lado, tamb\u00e9m se poderia perguntar por que esse seu amor intenso n\u00e3o lograra extinguir seu \u00f3dio, como de praxe acontecia quando n\u00e3o havia dois impulsos antag\u00f4nicos. Apenas poder\u00edamos presumir que o \u00f3dio deve fluir de alguma fonte, que deve estar relacionado com alguma causa particular que o tornasse indestrut\u00edvel. Por um lado, ent\u00e3o, alguma conex\u00e3o dessa esp\u00e9cie deve estar mantendo vivo seu\u00a0\u00f3dio\u00a0pelo pai, ao passo que, por outro lado, o seu intenso amor o impedia de tornar-se consciente. Por conseguinte, nada restou para ele, a n\u00e3o ser existir no inconsciente, embora fosse, vez ou outra, capaz de irradiar-se, por instantes, para dentro da consci\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA d\u00favida contida em sua obsess\u00e3o por compreens\u00e3o era uma d\u00favida de seu (dela) amor. No peito do amante enfurecia-se a batalha entre amor e\u00a0\u00f3dio, e o objeto desses dois sentimentos era a \u00fanica e mesma pessoa.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cAtos compulsivos como este, em dois est\u00e1dios sucessivos, quando o segundo neutraliza o primeiro, constituem uma t\u00edpica ocorr\u00eancia nas neuroses obsessivas. Naturalmente a consci\u00eancia do paciente interpreta-os mal e formula um conjunto de motiva\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias que os explica \u2013 em suma, que os\u00a0<i>racionaliza<\/i>. (Cf. Jones, 1908.) Sua real significa\u00e7\u00e3o, contudo, reside no fato de serem eles representa\u00e7\u00e3o de um conflito entre dois impulsos opostos de for\u00e7a aproximadamente igual; e, at\u00e9 agora, tenho achado, invariavelmente, que esta se trata de uma oposi\u00e7\u00e3o entre o amor e o \u00f3dio.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cPodemos considerar a repress\u00e3o de seu \u00f3dio infantil contra o pai como o evento que colocou todo o seu modo de vida subsequente sob o dom\u00ednio da neurose.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cOs conflitos de sentimentos em nosso paciente, os quais aqui enumeramos separadamente, n\u00e3o eram independentes um do outro, mas coligados em pares. Seu \u00f3dio pela dama estava inevitavelmente ligado a seu afei\u00e7oamento ao pai, e, de modo inverso, seu \u00f3dio pelo pai com seu afei\u00e7oamento \u00e0 dama. Contudo, ambos os conflitos de sentimento resultantes dessa simplifica\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, a oposi\u00e7\u00e3o entre sua rela\u00e7\u00e3o com seu pai e com sua dama, e a contradi\u00e7\u00e3o entre seu amor e seu \u00f3dio dentro de cada uma dessas rela\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o possu\u00edam a m\u00ednima conex\u00e3o entre si, quer em seu conte\u00fado quer em sua origem.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO outro conflito, entre o amor e o \u00f3dio, atinge-nos com uma estranheza maior. Sabemos que o amor incipiente com frequ\u00eancia \u00e9 percebido como o pr\u00f3prio \u00f3dio, e que o amor, se se lhe nega satisfa\u00e7\u00e3o, pode, com facilidade, ser parcialmente convertido em \u00f3dio; os poetas nos dizem que nos mais tempestuosos est\u00e1dios do amor os dois sentimentos opostos podem subsistir lado a lado, por algum tempo, ainda que em rivalidade rec\u00edproca. Mas a coexist\u00eancia\u00a0<i>cr\u00f4nica\u00a0<\/i>de amor e \u00f3dio, ambos dirigidos para a mesma pessoa e ambos com o mesmo elevad\u00edssimo grau de intensidade, n\u00e3o pode deixar de assombrar-nos. Seria de esperar que o amor apaixonado tivesse, h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s, conquistado o \u00f3dio ou por ele sido absorvido. E, com efeito, uma tal sobreviv\u00eancia protelada dos dois opostos s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel sob condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas bastante peculiares e com a coopera\u00e7\u00e3o do estado de coisas presentes no inconsciente. O amor n\u00e3o conseguiu extinguir o \u00f3dio, mas apenas reprimi-lo no inconsciente; e no inconsciente o \u00f3dio, protegido do perigo de ser destru\u00eddo pelas opera\u00e7\u00f5es do consciente, \u00e9 capaz de persistir e, at\u00e9 mesmo, de crescer. Em tais circunst\u00e2ncias, o amor consciente alcan\u00e7a, via de regra, mediante uma rea\u00e7\u00e3o, um sobremodo elevado grau de intensidade, de maneira a ficar suficientemente forte para a eterna tarefa de manter sob repress\u00e3o o seu oponente. A condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a ocorr\u00eancia de um estado de coisas t\u00e3o estranho na vida er\u00f3tica de uma pessoa parece ser que, numa idade realmente precoce, em algum lugar no per\u00edodo pr\u00e9-hist\u00f3rico de sua inf\u00e2ncia, ambos os opostos ter-se-iam separado e um deles, habitualmente o \u00f3dio, teria sido reprimido.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO \u00f3dio, sobretudo, conservando-se suprimido no inconsciente por a\u00e7\u00e3o do amor, desempenha um grande papel na patog\u00eanese da histeria e da paranoia. Conhecemos muito pouco a natureza do amor para sermos capazes de chegar, aqui, a alguma conclus\u00e3o definitiva; ademais, particularmente, a rela\u00e7\u00e3o entre o fator\u00a0<i>negativo\u00a0<\/i>no amor e os componentes s\u00e1dicos da libido permanece inteiramente obscura. O que vem a seguir deve, por conseguinte, ser visto como nada mais al\u00e9m de uma explica\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter provis\u00f3rio. Podemos supor, ent\u00e3o, que nos casos de \u00f3dio inconsciente com os quais nos preocupamos agora os componentes s\u00e1dicos do amor t\u00eam sido, partindo das causas constitucionais, desenvolvidos de modo excepcionalmente intenso, e, em consequ\u00eancia disso, sofrido uma supress\u00e3o prematura e profundamente radical, e que os fen\u00f4menos neur\u00f3ticos que observamos se originam, de um lado, dos sentimentos conscientes de afei\u00e7\u00e3o que ficaram exacerbados como se fossem uma rea\u00e7\u00e3o, e, por outro lado, do sadismo que persiste no inconsciente sob a forma de \u00f3dio.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o obstante, sem ligar para o modo como essa not\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o entre o amor e o \u00f3dio deva ser explicada, seu aparecimento \u00e9 estabelecido, sem sombra de d\u00favida, pelas observa\u00e7\u00f5es feitas no atual caso; ademais, \u00e9 gratificante descobrir com que facilidade podemos, agora, acompanhar os enigm\u00e1ticos processos de uma neurose obsessiva fazendo-os relacionarem-se com esse fator. Se a um amor intenso se op\u00f5e um\u00a0\u00f3dio\u00a0de for\u00e7a quase equivalente e que, ao mesmo tempo, esteja inseparavelmente vinculado a ele, as consequ\u00eancias imediatas ser\u00e3o certamente uma paralisia parcial da vontade e uma incapacidade de se chegar a uma decis\u00e3o a respeito de qualquer uma das a\u00e7\u00f5es para as quais o amor deve suprir a for\u00e7a motivadora.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA\u00a0<i>d\u00favida<\/i>\u00a0corresponde \u00e0 percep\u00e7\u00e3o interna que tem o paciente de sua pr\u00f3pria indecis\u00e3o, a qual, em consequ\u00eancia da inibi\u00e7\u00e3o de seu amor atrav\u00e9s de seu \u00f3dio, dele se apossa diante de qualquer a\u00e7\u00e3o intencionada. A d\u00favida \u00e9, na realidade, uma d\u00favida de seu pr\u00f3prio amor \u2013 que devia ser a coisa mais exata em sua mente como um todo; e ela se difunde por tudo o mais, sendo formente capaz de ser deslocada para aquilo que \u00e9 mais insignificante e sem valor. Um homem que duvida de seu pr\u00f3prio amor permite-se, ou, antes, tem de duvidar de alguma coisa de menor valor.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Cap\u00edtulo IV:\u00a0<\/i><i>Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a da sua inf\u00e2ncia.<\/i>\u00a0In: VOL. XI \u2013 Cinco li\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos (1910[1909]). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cParecia, assim, for\u00e7osamente, indiferente ao bem e ao mal, ao belo e ao horr\u00edvel. Durante esse trabalho de pesquisa, o amor e o\u00a0\u00f3dio\u00a0se despiam de suas formas positivas ou negativas e ambos se transformavam apenas em objeto de interesse intelectual. Na verdade, Leonardo n\u00e3o era insens\u00edvel \u00e0 paix\u00e3o; n\u00e3o carecia da centelha sagrada que \u00e9 direta ou indiretamente a for\u00e7a motora \u2013\u00a0<i>il primo motore<\/i>\u00a0\u2013 de qualquer atividade humana.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA transforma\u00e7\u00e3o da for\u00e7a ps\u00edquica instintiva em v\u00e1rias formas de atividade, da mesma maneira que a transforma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as f\u00edsicas, n\u00e3o poderia ser realizada sem preju\u00edzo. O exemplo de Leonardo mostra-nos quantas outras coisas precisam ser consideradas com rela\u00e7\u00e3o a estes processos. O adiamento do amor at\u00e9 o seu pleno conhecimento constitui um processo artificial que se transforma em uma substitui\u00e7\u00e3o. De um homem que consegue chegar at\u00e9 o conhecimento n\u00e3o se poder\u00e1 dizer que ama ou odeia; situa-se al\u00e9m do amor e do\u00a0\u00f3dio. Ter\u00e1 pesquisado em vez de amar.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-5\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S<\/b>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo V: A<\/i><i>s perspectivas futuras da terap\u00eautica psicanal\u00edtica.<\/i>\u00a0In: VOL. XI \u2013 Cinco li\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos (1910[1909]). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sucesso que o tratamento pode ter com o indiv\u00edduo, deve ocorrer, igualmente, com a comunidade. As pessoas doentes n\u00e3o ser\u00e3o capazes de deixar que as suas diversas neuroses se tornem conhecidas \u2013 a sua ansiosa superternura que tem em mira ocultar-lhe o\u00a0\u00f3dio, a sua agorafobia que se relaciona com a ambi\u00e7\u00e3o frustrada, as suas atitudes obsessivas que representam auto-censuras por m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es e precau\u00e7\u00f5es contra as mesmas \u2013 se todos os seus parentes e cada estranho, dos quais desejam ocultar os seus processos mentais, conheceram o significado geral de tais sintomas, e se eles pr\u00f3prios souberem que, nas manifesta\u00e7\u00f5es de sua doen\u00e7a, nada est\u00e3o produzindo que outra pessoa, imediatamente, n\u00e3o possa interpretar.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-6\"><p style=\"text-align: justify;\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Cap\u00edtulo VII:\u00a0<\/i><i>Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor).<\/i>\u00a0In: VOL. XI \u2013 Cinco li\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos (1910[1909]). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEle come\u00e7a a desejar a m\u00e3e para si mesmo, no sentido com o qual, h\u00e1 pouco, acabou de se inteirar, e a odiar, de nova forma, o pai como um rival que impede esse desejo; passa, como dizemos, ao controle do complexo de \u00c9dipo. N\u00e3o perdoa a m\u00e3e por ter concedido o privil\u00e9gio da rela\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o a ele, mas a seu pai, e considera o fato como um ato de infidelidade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-7\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0Cap\u00edtulo XIX:\u00a0<i>A disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 neurose obsessiva uma contribui\u00e7\u00e3o ao problema da escolha da neurose (1913).<\/i>\u00a0In: VOL. XII \u2013 O caso Schereber, artigos sobre t\u00e9cnica e outros trabalhos (1911-1913). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cSe considerarmos que os neur\u00f3ticos obsessivos t\u00eam de desenvolver uma supermoralidade a fim de proteger seu amor objetal da hostilidade que espreita por tr\u00e1s dele, ficaremos inclinados a considerar um certo grau desta precocidade de desenvolvimento do ego como t\u00edpico da natureza humana e derivar a condi\u00e7\u00e3o para a origem da moralidade do fato de desenvolvimento, o\u00a0\u00f3dio\u00a0\u00e9 o precursor do amor.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-8\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S<\/strong><strong>.<\/strong>\u00a0Cap\u00edtulo III:\u00a0<i>Tabu e ambival\u00eancia emocional<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XIII \u2013 Totem e tabu e outros trabalhos (1913-1914). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cDessa maneira, um elemento de desconfian\u00e7a pode ser encontrado entre as raz\u00f5es para a observ\u00e2ncia dos tabus que cercam o rei. \u2018A id\u00e9ia\u2019, escreve Frazer (1911b, 7 e segs.), \u2018de que os reinos primitivos s\u00e3o despotismos em que o povo existe apenas para o soberano, \u00e9 inteiramente inaplic\u00e1vel \u00e0s monarquias que estamos considerando. Pelo contr\u00e1rio, o soberano nelas existe apenas para os seus s\u00faditos, sua vida s\u00f3 \u00e9 valiosa enquanto se desempenha dos deveres de sua posi\u00e7\u00e3o ordenando o curso da natureza em benef\u00edcio de seu povo. Assim que fracassa em consegui-lo, o cuidado, a devo\u00e7\u00e3o e as homenagens religiosas que at\u00e9 ent\u00e3o lhe haviam prodigalizado cessam e se transformam em\u00a0\u00f3dio\u00a0e desprezo; ele \u00e9 ignominiosamente posto de lado e pode considerar-se feliz se escapar com vida. Adorado como um deus num dia, \u00e9 morto como um criminoso no seguinte. Mas nesse comportamento modificado do povo n\u00e3o existe nada de caprichoso ou inconstante. Pelo contr\u00e1rio, sua conduta \u00e9 inteiramente \u00edntegra. Se o seu rei \u00e9 seu deus, ele \u00e9 ou deveria ser tamb\u00e9m o seu protetor; se n\u00e3o os protege, deve ceder lugar a outro que o fa\u00e7a.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-9\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0Cap\u00edtulo IV:\u00a0<i>O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia.<\/i>\u00a0In: VOL. XIII \u2013 Totem e tabu e outros trabalhos (1913-1914). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA an\u00e1lise tamb\u00e9m nos permite descobrir os motivos do deslocamento. O\u00a0\u00f3dio\u00a0pelo pai que surge num menino por causa da rivalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 capaz de adquirir uma soberania absoluta sobre a mente da crian\u00e7a; tem de lutar contra a afei\u00e7\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o de longa data pela mesma pessoa. A crian\u00e7a se alivia do conflito que surge dessa atitude emocional de duplo aspecto, ambivalente, para com o pai deslocando seus sentimentos hostis e temerosos para um substituto daquele. O deslocamento, no entanto, n\u00e3o pode dar cabo do conflito, n\u00e3o pode efetuar uma n\u00edtida separa\u00e7\u00e3o entre os sentimentos afetuosos e os hostis. Pelo contr\u00e1rio, o conflito \u00e9 retomado em rela\u00e7\u00e3o ao objeto para o qual foi feito o deslocamento: a ambival\u00eancia \u00e9 estendida a ele.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cMuitas vezes tive ocasi\u00e3o de assinalar que a ambival\u00eancia emocional, no sentido pr\u00f3prio da express\u00e3o \u2013 ou seja, a exist\u00eancia simult\u00e2nea de amor e\u00a0\u00f3dio\u00a0para os mesmos objetos \u2013 jaz na raiz de muitas institui\u00e7\u00f5es culturais importantes. N\u00e3o sabemos nada da origem dessa ambival\u00eancia. Uma das pressuposi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis \u00e9 que ela seja um fen\u00f4meno fundamental de nossa vida emocional. Mas parece-me bastante v\u00e1lido considerar outra possibilidade, ou seja, que originalmente ela n\u00e3o fazia parte de nossa vida emocional, mas foi adquirida pela ra\u00e7a humana em conex\u00e3o com o complexo-pai, precisamente onde o exame psicanal\u00edtico de indiv\u00edduos modernos ainda a encontra revelada em toda a sua for\u00e7a.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-10\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0<i>Cap\u00edtulo IV:<\/i>\u00a0<i>Os instintos e suas vicissitudes (1915)<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XIV \u2013 A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEncontram-se exemplos do primeiro processo nos dois pares de opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. A revers\u00e3o afeta apenas as finalidades dos instintos. A finalidade ativa (torturar, olhar), \u00e9 substitu\u00edda pela finalidade passiva (ser torturado, ser olhado). A revers\u00e3o do conte\u00fado encontra-se no exemplo isolado da transforma\u00e7\u00e3o do amor em\u00a0\u00f3dio.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA mudan\u00e7a do conte\u00fado de um instinto em seu oposto s\u00f3 \u00e9 observada num exemplo isolado \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o do amor em\u00a0\u00f3dio. Visto ser particularmente comum encontrar ambos dirigidos simultaneamente para o mesmo objeto, sua coexist\u00eancia oferece o exemplo mais importante de ambival\u00eancia de sentimento.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO caso de amor e\u00a0\u00f3dio\u00a0adquire especial interesse pela circunst\u00e2ncia de que se recusa a ajustar-se a nosso esquema dos instintos. \u00c9 imposs\u00edvel duvidar de que exista a mais \u00edntima das rela\u00e7\u00f5es entre esses dois sentimentos opostos e a vida sexual, mas naturalmente relutamos em pensar no amor como sendo uma esp\u00e9cie de instinto componente espec\u00edfico da sexualidade, da mesma forma que os outros que vimos examinando. Preferir\u00edamos considerar o amor como sendo a express\u00e3o de toda a corrente sexual de sentimento, mas essa ideia n\u00e3o elucida nossas dificuldades e n\u00e3o podemos ver que significado poderia ser atribu\u00eddo a um conte\u00fado oposto dessa corrente.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cComo j\u00e1 vimos, o objeto \u00e9 levado do mundo externo para o ego, a princ\u00edpio, pelos instintos de autopreserva\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se pode negar que tamb\u00e9m o\u00a0odiar, originalmente, caracterizou a rela\u00e7\u00e3o entre o ego e o mundo externo alheio com os est\u00edmulos que introduz. A indiferen\u00e7a se enquadra como um caso especial de\u00a0\u00f3dio\u00a0ou desagrado, ap\u00f3s ter aparecido inicialmente como sendo seu precursor. Logo no come\u00e7o, ao que parece, o mundo externo, objetos e o que \u00e9 odiado s\u00e3o id\u00eanticos. Se depois um objeto b\\vem a ser uma fonte de prazer, ele \u00e9 amado, mas \u00e9 tamb\u00e9m incorporado ao ego, de modo que para o ego do prazer purificado mais uma vez os objetos coincidem com o que \u00e9 estranho e\u00a0odiado.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cAgora, contudo, podemos notar que da mesma forma que o par de opostos amor-indiferen\u00e7a reflete a polaridade ego-mundo externo, assim tamb\u00e9m a segunda ant\u00edtese amor-\u00f3dio\u00a0reproduz a polaridade prazer-desprazer, que est\u00e1 ligada \u00e0 primeira polaridade\u2026 se o objeto for uma fonte de sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, h\u00e1 uma \u00e2nsia (urge) que se esfor\u00e7a por aumentar a dist\u00e2ncia entre o objeto e o ego, e a repetir em rela\u00e7\u00e3o ao objeto a tentativa original de fuga do mundo externo com sua emiss\u00e3o de est\u00edmulos. Sentimos a \u2018repuls\u00e3o\u2019 do objeto, e o odiamos; esse \u00f3dio pode depois intensificar-se ao ponto de uma inclina\u00e7\u00e3o agressiva contra o objeto \u2013 uma inten\u00e7\u00e3o de destru\u00ed-lo.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cPoder\u00edamos, num caso de emerg\u00eancia, dizer que um instinto \u2018ama\u2019 o objeto no sentido do qual ele luta por prop\u00f3sitos de satisfa\u00e7\u00e3o, mas dizer que um instinto \u2018odeia\u2019 um objeto, nos parece estranho. Assim, tornamo-nos c\u00f4nscios de que as atitudes de amor e\u00a0\u00f3dio\u00a0n\u00e3o podem ser utilizadas para as rela\u00e7\u00f5es entre os instintos e seus objetos, mas est\u00e3o reservadas para as rela\u00e7\u00f5es entre o ego total e os objetos. Mas, se considerarmos o uso ling\u00fc\u00edstico, que por certo n\u00e3o \u00e9 destitu\u00eddo de significa\u00e7\u00e3o, veremos que h\u00e1 outra limita\u00e7\u00e3o ao significado do amor e do\u00a0\u00f3dio.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 digno de nota que no uso da palavra\u00a0\u2018\u00f3dio\u2019\u00a0n\u00e3o aparece essa conex\u00e3o \u00edntima com o prazer sexual e a fun\u00e7\u00e3o sexual. A rela\u00e7\u00e3o de desprazer parece ser a \u00fanica decisiva. O ego odeia, abomina e persegue, com inten\u00e7\u00e3o de destruir, todos os objetos que constituem uma fonte de sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel para ele, sem levar em conta que significam uma frustra\u00e7\u00e3o quer da satisfa\u00e7\u00e3o sexual, quer da satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades autopreservativas. Realmente, pode-se asseverar que os verdadeiros prot\u00f3tipos da rela\u00e7\u00e3o de\u00a0\u00f3dio\u00a0se originam n\u00e3o da vida sexual, mas da luta do ego para preservar-se e manter-se.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cVemos, assim, que o amor e o \u00f3dio, que se nos apresentam como opostos completos em seu conte\u00fado, afinal de contas n\u00e3o mant\u00eam entre si uma rela\u00e7\u00e3o simples.\u00a0N\u00e3o surgiram da cis\u00e3o de uma entidade originalmente comum, mas brotaram de fontes diferentes, tendo cada um deles se desenvolvido antes que a influ\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o prazer-desprazer os transformasse em opostos.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO\u00a0\u00f3dio, enquanto rela\u00e7\u00e3o com objetos, \u00e9 mais antigo que o amor. Prov\u00e9m do rep\u00fadio primordial do ego narcisista ao mundo externo com seu extravasamento de est\u00edmulos. Enquanto express\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o do desprazer evocado por objetos, sempre permanece numa rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com os instintos autopreservativos, de modo que os instintos sexuais e os do ego possam prontamente desenvolver uma ant\u00edtese que repete a do amor e do\u00a0\u00f3dio. Quando os instintos do ego dominam a fun\u00e7\u00e3o sexual, como \u00e9 o caso na fase da organiza\u00e7\u00e3o anal-s\u00e1dica, eles transmitem as qualidades de\u00a0\u00f3dio\u00a0tamb\u00e9m \u00e0 finalidade instintual.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA hist\u00f3ria das origens e rela\u00e7\u00f5es do amor nos permite compreender como \u00e9 que o amor com tanta freq\u00fc\u00eancia se manifesta como \u2018ambivalente\u2019 \u2013 isto \u00e9, acompanhado de impulsos de\u00a0\u00f3dio\u00a0contra o mesmo objeto. O\u00a0\u00f3dio\u00a0que se mescla ao amor prov\u00e9m em parte das fases preliminares do amar n\u00e3o inteiramente superadas; baseia-se tamb\u00e9m em parte nas rea\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio aos instintos do ego, os quais, em vista dos freq\u00fcentes conflitos entre os interesses do ego e os do amor, podem encontrar fundamentos em motivos reais e contempor\u00e2neos. Em ambos os casos, portanto, o\u00a0\u00f3dio\u00a0mesclado tem como sua fonte os instintos auto-preservativos. Se uma rela\u00e7\u00e3o de amor com um dado objeto for rompida, freq\u00fcentemente o\u00a0\u00f3dio\u00a0surgir\u00e1 em seu lugar, de modo que temos a impress\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o do amor em\u00a0\u00f3dio. Esse relato do que acontece leva ao conceito de que o\u00a0\u00f3dio, que tem seus motivos reais, \u00e9 aqui refor\u00e7ado por uma regress\u00e3o do amor \u00e0 fase preliminar s\u00e1dica, de modo que o\u00a0\u00f3dio\u00a0adquire um car\u00e1ter er\u00f3tico, ficando assegurada a continuidade de uma rela\u00e7\u00e3o de amor.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-11\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0<i>Cap\u00edtulo VI:<\/i>\u00a0<i>O inconsciente\u00a0<\/i><i>(1915)<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XIV \u2013 A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cNa pr\u00e1tica psicanal\u00edtica, por\u00e9m, estamos habituados a falar de amor,\u00a0\u00f3dio, ira etc. inconscientes, e achamos imposs\u00edvel evitar at\u00e9 mesmo a estranha conjun\u00e7\u00e3o \u2018consci\u00eancia inconsciente de culpa\u2019, ou uma \u2018ansiedade inconsciente\u2019 paradoxal. Haver\u00e1 mais sentido em empregar esses termos do que em falar de \u2018instintos inconscientes\u2019?\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-12\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0<i>Cap\u00edtulo VIII:<\/i>\u00a0<i>Luto e melancolia (1917[1915]).<\/i>\u00a0In: VOL. XIV \u2013 A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA autotortura na melancolia, sem d\u00favida agrad\u00e1vel, significa, do mesmo modo que o fen\u00f4meno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfa\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias do sadismo e do\u00a0\u00f3dio\u00a0relacionadas a um objeto, que retornaram ao pr\u00f3prio eu do indiv\u00edduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopuni\u00e7\u00e3o, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado atrav\u00e9s de sua doen\u00e7a, \u00e0 qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cNa melancolia, em conseq\u00fc\u00eancia, travam-se in\u00fameras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o\u00a0\u00f3dio\u00a0e o amor se digladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro, defender essa posi\u00e7\u00e3o da libido contra o ass\u00e9dio. A localiza\u00e7\u00e3o dessas lutas isoladas s\u00f3 pode ser atribu\u00edda ao sistema Ics., a regi\u00e3o dos tra\u00e7os de mem\u00f3ria de coisas (em contraste com as catexias da palavra).\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-13\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0<i>Cap\u00edtulo XI:<\/i>\u00a0<i>Reflex\u00f5es para os tempos de guerra e morte.<\/i>\u00a0In: VOL. XIV \u2013 A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c\u2026as na\u00e7\u00f5es civilizadas se conhecem e se compreendem t\u00e3o pouco, que uma pode voltar-se contra a outra com\u00a0\u00f3dio\u00a0e asco.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEstes lhes servem, na melhor das hip\u00f3teses, como racionaliza\u00e7\u00f5es de suas paix\u00f5es; elas exprimem seus interesses a fim de poderem apresentar raz\u00f5es para satisfazerem suas paix\u00f5es. Sem d\u00favida, constituem mist\u00e9rio os motivos pelos quais, na coletividade de indiv\u00edduos, estes devem de fato desprezar-se, odiar-se e detestar-se mutuamente \u2013 cada na\u00e7\u00e3o contra outra na\u00e7\u00e3o -, inclusive em \u00e9pocas de paz.\u201d\u201cO exemplo mais facilmente observado e compreens\u00edvel disso reside no fato de que o amor intenso e o\u00a0\u00f3dio\u00a0intenso s\u00e3o, com tanta frequ\u00eancia, encontrados juntos na mesma pessoa. A psican\u00e1lise acrescenta que esses dois sentimentos opostos, n\u00e3o raramente, t\u00eam como objeto a mesma pessoa.\u201d\u201cRealmente, \u00e9 estranho tanto \u00e0 nossa intelig\u00eancia quanto a nossos sentimentos aliar assim o amor ao\u00a0\u00f3dio; mas a Natureza, fazendo uso desse par de opostos, consegue manter o amor sempre vigilante e renovado, a fim de proteg\u00ea-lo contra o\u00a0\u00f3dio\u00a0que jaz, \u00e0 espreita, por detr\u00e1s dele. Poder-se-ia dizer que devemos as mais belas flora\u00e7\u00f5es de nosso amor \u00e0 rea\u00e7\u00e3o contra o impulso hostil que sentimos dentro de n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-14\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S<\/strong>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo I<\/i>:\u00a0<i>Teoria geral das neuroses<\/i>\u00a0(1917 [1916-17])<i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XVI \u2013 Confer\u00eancias introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise (Parte III) (1916-1917). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEste, com novo apoio obtido a partir do sentimento ego\u00edstico de haver sido prejudicado, d\u00e1 fundamento a que os novos irm\u00e3os e irm\u00e3s sejam recebidos com avers\u00e3o, e faz com que, sem hesita\u00e7\u00f5es, sejam, em desejos, eliminados. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, via de regra, as crian\u00e7as s\u00e3o muito mais capazes de expressar verbalmente esses sentimentos de\u00a0\u00f3dio, do que aqueles decorrentes do complexo parental. Se um desejo desse tipo se realiza, e se o irm\u00e3o que se acrescentou \u00e0 fam\u00edlia desaparece novamente, logo depois, devido \u00e0 sua morte, podemos descobrir, numa an\u00e1lise subsequente, qu\u00e3o importante foi para a crian\u00e7a essa experi\u00eancia referente \u00e0 morte, embora ela n\u00e3o tenha necessariamente permanecido fixada em sua mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cNo caso de um neur\u00f3tico, at\u00e9 mesmo surge a quest\u00e3o de saber se esse recuar para o passado \u00e9 totalmente n\u00e3o-intencional; de ora em diante, teremos de descobrir as raz\u00f5es disso, e teremos de, no geral, considerar atentamente o fato do \u2018fantasiar retrospectivo\u2019. Facilmente podemos verificar tamb\u00e9m que o\u00a0\u00f3dio\u00a0ao pai \u00e9 refor\u00e7ado por diversos fatores que surgem de \u00e9pocas e circunst\u00e2ncias posteriores, e que os desejos sexuais dirigidos \u00e0 m\u00e3e assumem formas tais, que devem ter sido estranhos at\u00e9 mesmo para uma crian\u00e7a.\u201d\u201c\u2026 a paranoia persecut\u00f3ria \u00e9 a forma da doen\u00e7a na qual uma pessoa se defende contra um impulso homossexual que se tornou por demais intenso. A mudan\u00e7a de afei\u00e7\u00e3o em\u00a0\u00f3dio, a qual, conforme j\u00e1 se sabe, pode tornar-se s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 vida do objeto amado e\u00a0odiado, corresponde, nesses casos, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o dos impulsos libidinais em ansiedade, que \u00e9 o resultado constante do processo de repress\u00e3o.\u201d\u201cDa\u00ed podemos concluir que o melanc\u00f3lico, na realidade, retirou do objeto sua libido, mas que, por um processo que devemos chamar de \u2018identifica\u00e7\u00e3o narc\u00edsica\u2019, o objeto se estabeleceu no ego, digamos, projetou-se sobre o ego. (Aqui posso apenas fazer-lhes uma descri\u00e7\u00e3o figurada e n\u00e3o uma exposi\u00e7\u00e3o ordenada em linhas topogr\u00e1ficas e din\u00e2micas.) o ego da pessoa ent\u00e3o \u00e9 tratado \u00e0 semelhan\u00e7a do objeto que foi abandonado e \u00e9 submetido a todos os atos de agress\u00e3o e express\u00f5es de\u00a0\u00f3dio\u00a0vingativo, anteriormente dirigidos ao objeto. A tend\u00eancia do melanc\u00f3lico para o suic\u00eddio torna-se mais compreens\u00edvel se considerarmos que o ressentimento do paciente atinge de um s\u00f3 golpe seu pr\u00f3prio ego e o objeto amado e odiado. Na melancolia, bem como em outros dist\u00farbios narc\u00edsicos, emerge, com acento especial, um tra\u00e7o particular na vida emocional do paciente \u2013 aquilo que, de acordo com Bleuler, nos acostumamos a descrever como \u2018ambival\u00eancia\u2019. Com isso queremos significar que est\u00e3o sendo dirigidos \u00e0 mesma pessoa sentimentos contr\u00e1rios \u2013 amorosos e hostis.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-15\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S<\/strong>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo II:<\/i>\u00a0<i>Psicologia de grupo e a an\u00e1lise do ego (1921).<\/i>\u00a0In: VOL. XVIII \u2013 Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos (1925-1926). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO l\u00edder ou a ideia dominante poderiam tamb\u00e9m, por assim dizer, ser negativos; o\u00a0\u00f3dio\u00a0contra uma determinada pessoa ou institui\u00e7\u00e3o poderia funcionar exatamente da mesma maneira unificadora e evocar o mesmo tipo de la\u00e7os emocionais que a liga\u00e7\u00e3o positiva. Surgiria ent\u00e3o a quest\u00e3o de saber se o l\u00edder \u00e9 realmente indispens\u00e1vel \u00e0 ess\u00eancia de um grupo, e outras ainda, al\u00e9m dessa.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-16\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S<\/strong>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo II:<\/i>\u00a0<i>Alguns mecanismos neur\u00f3ticos no ci\u00fame, na paran\u00f3ia e no homossexualismo (1922)<\/i>.\u00a0In: VOL. XVIII \u2013 Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer, psicologia de grupo e outros trabalhos (1925-1926). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cAl\u00e9m do mais, \u00e9 digno de nota que, em certas pessoas, ele \u00e9 experimentado bissexualmente, isto \u00e9, um homem n\u00e3o apenas sofrer\u00e1 pela mulher que ama e\u00a0odiar\u00e1\u00a0o homem seu rival, mas tamb\u00e9m sentir\u00e1 pesar pelo homem, a quem ama inconscientemente, e\u00a0\u00f3dio\u00a0pela mulher, como sua rival; esse \u00faltimo conjunto de sentimentos adicionar-se-\u00e1 \u00e0 intensidade de seu ci\u00fame.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA n\u00e3o ser quando nos sentimos inteiramente indiferentes ao passante, quando se pode trat\u00e1-lo como se fosse ar e, considerando tamb\u00e9m o parentesco fundamental dos conceitos de \u2018estranho\u2019 e \u2018inimigo\u2019, o paran\u00f3ico n\u00e3o se acha t\u00e3o errado em considerar essa indiferen\u00e7a como\u00a0\u00f3dio, em contraste com sua reivindica\u00e7\u00e3o de amor.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-17\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S<\/strong>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo II: Uma neurose demon\u00edaca do s\u00e9culo XVII (1923 [1922])<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XIX \u2013 O ego e o ID e outros trabalhos (1923-1925). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cSe pud\u00e9ssemos conhecer tanto sobre Christoph Haizmann quanto conhecemos sobre um paciente que faz an\u00e1lise conosco, seria assunto f\u00e1cil trazer \u00e0 tona essa ambival\u00eancia, faz\u00ea-lo recordar quando e em face de quais provoca\u00e7\u00f5es ele encontrou motivos para temer e odiar o pai, e acima de tudo, descobrir quais foram os fatores acidentais que se acrescentaram aos motivos t\u00edpicos para o\u00a0<b>\u00f3dio<\/b>\u00a0ao pai, inerentes ao relacionamento natural de filho e pai. Talvez pud\u00e9ssemos ent\u00e3o encontrar uma explica\u00e7\u00e3o especial para a inibi\u00e7\u00e3o do pintor no trabalho. \u00c9 poss\u00edvel que seu pai se tivesse oposto ao seu desejo de se tornar pintor. Se assim foi, sua incapacidade de exercer sua arte ap\u00f3s a morte do pai seria, por um lado, express\u00e3o do conhecido fen\u00f4meno de \u2018obedi\u00eancia adiada\u2019 e, por outro, tornando-o incapaz de ganhar a vida, seria compelida a aumentar seu anseio pelo pai como protetor contra os cuidadosda vida. Em seu aspecto de obedi\u00eancia adiada, seria tamb\u00e9m express\u00e3o de remorso e uma autopuni\u00e7\u00e3o bem-sucedida.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-18\"><p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Cap\u00edtulo II: Inibi\u00e7\u00f5es, sintomas e ansiedade (1926 [1925])<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XX \u2013 Um estudo autobiogr\u00e1fico, Inibi\u00e7\u00f5es, sintomas e ansiedade, A quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga e outros trabalhos (1925-1926). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEle se encontrava, \u00e0 \u00e9poca, na atitude edipiana ciumenta e hostil em rela\u00e7\u00e3o ao pai, a quem, n\u00e3o obstante \u2013 salvo at\u00e9 onde a m\u00e3e dele era a causa de desaven\u00e7a -, amava ternamente. Aqui, ent\u00e3o, temos um conflito devido \u00e0 ambival\u00eancia: um amor bem fundamentado e um\u00a0\u00f3dio\u00a0n\u00e3o menos justific\u00e1vel dirigidos para a mesm\u00edssima pessoa. A fobia de \u2018Little Hans\u2019 deve ter sido uma tentativa de solucionar esse conflito. Conflitos dessa natureza devidos \u00e0 ambival\u00eancia s\u00e3o muito freq\u00fcentes epodem ter outro resultado t\u00edpico, no qual um dos dois sentimentos conflitantes (em geral o da afei\u00e7\u00e3o) se torna imensamente intensificado e o outro desaparece.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-19\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0<i>Cap\u00edtulo II: O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o (1930 [1929])\u00a0<\/i><i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XXI \u2013 O Futuro de uma Ilus\u00e3o, O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o e outros trabalhos (1927-1931). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o meramente esse estranho \u00e9, em geral, indigno de meu amor; honestamente, tenho de confessar que ele possui mais direito a minha hostilidade e, at\u00e9 mesmo, meu \u00f3dio. N\u00e3o parece apresentar o mais leve tra\u00e7o de amor por mim e n\u00e3o demonstra a m\u00ednima considera\u00e7\u00e3o para comigo.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que esse caso nos explicaria o segredo do sentimento de culpa e poria fim \u00e0s nossas dificuldades. E acredito que o faz. Esse remorso constituiu o resultado da ambival\u00eancia primordial de sentimentos para com o pai. Seus filhos o odiavam, mas tamb\u00e9m o amavam. Depois que o \u00f3dio foi satisfeito pelo ato de agress\u00e3o, o amor veio para o primeiro plano, no remorso dos filhos pelo ato. Criou o superego pela identifica\u00e7\u00e3o com o pai; deu a esse agente o poder paterno, como uma puni\u00e7\u00e3o pelo ato de agress\u00e3o que haviam cometido contra aquele, e criou as restri\u00e7\u00f5es destinadas a impedir uma repeti\u00e7\u00e3o do ato.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-20\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.\u00a0<\/strong><i>Cap\u00edtulo VI<\/i>:\u00a0<i>Dostoievski e o parric\u00eddio (1928 [1927])<\/i>\u00a0<i>.<\/i>\u00a0In: VOL. XXI \u2013 O Futuro de uma Ilus\u00e3o, O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o e outros trabalhos (1927-1931). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO relacionamento de um menino com o pai \u00e9, como dizemos, \u2018ambivalente\u2019. Al\u00e9m do \u00f3dio que procura livrar-se do pai como rival, certa medida de ternura por ele tamb\u00e9m est\u00e1 habitualmente presente.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO menino entende que tamb\u00e9m deve submeter-se \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, se deseja ser amado pelo pai como se fosse uma mulher. Dessa maneira, ambos dos impulsos, o \u00f3dio pelo pai e o amor pelo pai, experimentam repress\u00e3o. H\u00e1 certa distin\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do fato de o \u00f3dio pelo pai ser abandonado por causa do temor a um perigo externo (castra\u00e7\u00e3o), ao passo que o amor pelo pai \u00e9 tratado como um perigo interno, embora, fundamentalmente, remonte ao mesmo perigo externo.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO que torna inaceit\u00e1vel o \u00f3dio pelo pai \u00e9 o temor a este; a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel, seja como puni\u00e7\u00e3o ou como pre\u00e7o do amor. Dos dois fatores que reprimem o \u00f3dio pelo pai, o primeiro, ou seja, o medo direto da puni\u00e7\u00e3o e da castra\u00e7\u00e3o pode ser chamado de anormal; sua intensifica\u00e7\u00e3o patog\u00eanica s\u00f3 parece surgir com o acr\u00e9scimo do segundo fator, o temor \u00e0 atitude feminina. Dessa maneira, uma forte disposi\u00e7\u00e3o bissexual inata se torna uma das precondi\u00e7\u00f5es ou refor\u00e7os da neurose.\u201d<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cMas o que foi dito at\u00e9 agora n\u00e3o esgota as consequ\u00eancias da repress\u00e3o do \u00f3dio pelo pai no complexo de \u00c9dipo. H\u00e1 algo de novo a ser acrescentado, a saber: que, apesar de tudo, a identifica\u00e7\u00e3o com o pai finalmente constr\u00f3i um lugar permanente para si mesma no ego. \u00c9 recebida dentro deste, mas l\u00e1 se estabelece como um agente separado, em contraste com o restante do conte\u00fado do ego. Damos-lhe ent\u00e3o o nome de superego e atribu\u00edmos-lhe, como herdeiro da influ\u00eancia parental, as fun\u00e7\u00f5es mais importantes.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-21\"><p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S<\/b>.\u00a0<i>Cap\u00edtulo X<\/i><i><b>:\u00a0<\/b><\/i><a href=\"http:\/\/www.freudonline.com.br\/livros\/volume-21\/vol-xxi-10-sexualidade-feminina-1931\/\"><i>S<\/i><i>exualidade feminina (1931)<\/i><\/a><b>\u00a0<\/b><i><b>.<\/b><\/i>\u00a0In: VOL. X<b>XI<\/b>\u00a0<b>\u2013\u00a0<\/b>O Futuro de uma Ilus\u00e3o, O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o e outros trabalhos (1927-1931)<b>.\u00a0<\/b>Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 apenas na crian\u00e7a do sexo masculino que encontramos a fat\u00eddica combina\u00e7\u00e3o de amor por um dos pais e, simultaneamente, \u00f3dio pelo outro, como rival. No caso dela, \u00e9 a descoberta da possibilidade de castra\u00e7\u00e3o, tal como provada pela vis\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os genitais femininos, que imp\u00f5e ao menino a transforma\u00e7\u00e3o de seu complexo de \u00c9dipo e conduz \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de seu superego, iniciando assim todos os processos que se destinam a fazer o indiv\u00edduo encontrar lugar na comunidade cultural.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 caracter\u00edstico dos neur\u00f3ticos obsessivos que, em seus relacionamentos objetais, o amor e o \u00f3dio se contrabalancem mutuamente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o podemos chegar ao ponto de afirmar que a ambival\u00eancia de catexias emocionais seja uma lei universalmente v\u00e1lida, e que seja absolutamente imposs\u00edvel sentir grande amor por uma pessoa sem que esse amor seja acompanhado por um \u00f3dio talvez igualmente grande, ou vice-versa. Sem d\u00favida, os adultos normais conseguem separar essas duas atitudes uma da outra, e n\u00e3o est\u00e3o obrigados a odiar seus objetos amorosos ou a amar seus inimigos tanto quanto a odi\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-22\"><p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.\u00a0<\/b><i>Cap\u00edtulo III<\/i><i><b>:<\/b><\/i><i>\u00a0Por que a guerra? (Einstein e Freud)<\/i>\u00a0(1933 [1932])<i><b>.<\/b><\/i>\u00a0In: VOL. XXII\u00a0<b>\u2013\u00a0<\/b>Novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise e outros trabalhos (1932-1936)<b>.\u00a0<\/b>Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cDe acordo com nossa hip\u00f3tese, os instintos humanos s\u00e3o de apenas dois tipos: aqueles que tendem a preservar e a unir \u2013 que denominamos \u2018er\u00f3ticos\u2019, exatamente no mesmo sentido em que Plat\u00e3o usa a palavra \u2018Eros\u2019 em seu Symposium, ou \u2018sexuais\u2019, com uma deliberada amplia\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o popular de \u2018sexualidade\u2019 -; e aqueles que tendem a destruir e matar, os quais agrupamos como instinto agressivo ou destrutivo. Como o senhor v\u00ea, isto n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da universalmente conhecida oposi\u00e7\u00e3o entre amor e\u00a0\u00f3dio, que talvez possa ter alguma rela\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com a polaridade entre atra\u00e7\u00e3o e repuls\u00e3o, que desempenha um papel na sua \u00e1rea de conhecimentos. Entretanto, n\u00e3o devemos ser demasiado apressados em introduzir ju\u00edzos \u00e9ticos de bem e de mal. Nenhum desses dois instintos \u00e9 menos essencial do que o outro; os fen\u00f4menos da vida surgem da a\u00e7\u00e3o confluente ou mutuamente contr\u00e1ria de ambos.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-2 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-three\"><h3 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:30;line-height:1.3;\">INDIGNA\u00c7\u00c3O\/INDIGNACI\u00d3N<\/h3><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-23\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Cap\u00edtulo XI: Atos falhos combinados.<\/i>\u00a0In:\u00a0VOL. VI \u2013 Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (1901).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c(\u2026) o esquecimento dizia mais ou menos o seguinte: \u2018Sacrificar dinheiro eternamente por esse in\u00fatil vai acabar me arruinando, a ponto de eu ter que abrir m\u00e3o de tudo. \u2019 Embora, no dizer dele, sua\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0diante da not\u00edcia tivesse sido apenas moment\u00e2nea, a repeti\u00e7\u00e3o do mesmo ato sintom\u00e1tico mostra que ela continuou a atuar intensamente no inconsciente (\u2026)\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-24\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>B. Parte sint\u00e9tica,\u00a0<\/i><i>V- Os motivos dos chistes: os chistes como processo social<\/i>. In: Vol. VIII \u2013 Os chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente (1905).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c(\u2026) uma audi\u00eancia composta de devotados amigos de um meu advers\u00e1rio receberiam meus felizes excertos de invectiva chistosa contra ele, n\u00e3o como chistes, mas como invectivas e eu me defrontaria com sua\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0antes que com seu prazer. Algum grau de benevol\u00eancia ou uma esp\u00e9cie de neutralidade, uma aus\u00eancia de qualquer fator que pudesse provocar sentimentos opostos ao prop\u00f3sito do chiste, constitue a condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que uma terceira pessoa colabore na completa\u00e7\u00e3o do processo de realiza\u00e7\u00e3o do chiste\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-25\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>C. Parte te\u00f3rica,\u00a0<\/i><i>VII \u2013 Os chistes e as esp\u00e9cies do c\u00f4mico<\/i><i>.\u00a0<\/i>In: Vol. VIII \u2013 Os chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente (1905).<b>\u00a0<\/b>Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c(\u2026) se tomamos o exemplo de um chiste ing\u00eanuo como modelo para a outra alternativa (de algo ing\u00eanuo que seja objet\u00e1vel) veremos que a\u00ed tamb\u00e9m a economia na inibi\u00e7\u00e3o pode proceder diretamente da compara\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de que admitamos uma\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0que se inicia e \u00e9 ent\u00e3o reprimida e que a\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0de fato apenas corresponde \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da despesa liberada de outra forma \u2013 contra esse fato, no caso dos chistes, h\u00e1 a necessidade de complicadas medidas protetivas\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-26\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S<\/b><b>.<\/b>\u00a0<i>Del\u00edrios e sonhos na Gradiva de Jensen (1907 [1906]).<\/i>\u00a0In: Vol. IX \u2013 \u201cGradiva\u201d de Jensen e outros trabalhos (1906-1908).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA jovem descansava sua m\u00e3o esquerda, de delicados dedos, sobre os joelhos e uma das moscas, cuja inutilidade e impertin\u00eancia tanta\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0haviam provocado nele, pousou sobre ela. Num movimento s\u00fabito, a m\u00e3o de Hanold elevou-se no ar para se abater com vigor sobre o inseto e sobre a m\u00e3o de Gradiva. Essa experi\u00eancia atrevida teve dois resultados: primeiro, a euf\u00f3rica convic\u00e7\u00e3o de ter, sem d\u00favida alguma, tocado uma m\u00e3o humana, real, viva e quente, mas logo em seguida uma reprimenda que o fez levantar-se \u2026 \u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-27\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Notas psicanal\u00edticas sobre um relato autobiogr\u00e1fico de um caso de paran\u00f3ia (dementia paranoides) (1911).<\/i>\u00a0In:<b>\u00a0<\/b>Vol. XII \u2013 O caso Schereber, artigos sobre t\u00e9cnica e outros trabalhos (1911-1913).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c[\u2026] certa vez, nas primeiras horas de manh\u00e3, enquanto se achava entre o sono e a vig\u00edlia, ocorreu-lhe a ideia de que, \u2018afinal de contas, deve ser realmente muito bom ser mulher e submeter-se ao ato da c\u00f3pula\u2019. Tratava-se de ideia que teria rejeitado com a maior indigna\u00e7\u00e3o, se estivesse plenamente consciente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO comportamento de Deus na quest\u00e3o da prem\u00eancia de evacuar (ou \u2018c\u2026r\u2019) leva-o a um grau especialmente alto de indigna\u00e7\u00e3o. A passagem \u00e9 t\u00e3o caracter\u00edstica que a citarei na \u00edntegra; mas, para esclarec\u00ea-la, devo primeiro explicar que tanto os milagres quanto as vozes procedem de Deus, isto \u00e9, dos raios divinos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cSe recordamos agora o sonho que o paciente teve durante o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o de sua enfermidade, antes de mudar-se para Dresden, tornar-se-\u00e1 claro, acima de qualquer d\u00favida, que seu del\u00edrio de ser transformado em mulher nada mais era que a realiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado desse sonho. Naquela \u00e9poca, rebelou-se contra o sonho com m\u00e1scula indigna\u00e7\u00e3o, e, da mesma maneira, come\u00e7ou a lutar contra a sua realiza\u00e7\u00e3o na enfermidade e encarou sua transforma\u00e7\u00e3o em mulher como uma cat\u00e1strofe porque era amea\u00e7ado com inten\u00e7\u00f5es hostis\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-28\"><p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0Contribui\u00e7\u00f5es a um debate sobre a masturba\u00e7\u00e3o (1912). In: Vol. XII O caso Schereber, artigos sobre t\u00e9cnica e outros trabalhos (1911-1913). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c(\u2026) penso que podemos distinguir com vantagem o que podemos descrever como preju\u00edzos diretos causados pela masturba\u00e7\u00e3o daqueles que resultam indiretamente da resist\u00eancia e indigna\u00e7\u00e3o do ego contra essa atividade sexual. N\u00e3o me interessei por estas \u00faltimas consequ\u00eancias. E agora sou obrigado a acrescentar algumas palavras sobre a segunda das duas penosas quest\u00f5es que foram formuladas. Supondo que a masturba\u00e7\u00e3o possa ser prejudicial, sob que condi\u00e7\u00f5es e em que pessoas ela prova s\u00ea-lo?\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-29\"><p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><strong>FREUD, S.<\/strong>\u00a0SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODU\u00c7\u00c3O (1914). In: Vol. XIV \u2013 A HIST\u00d3RIA DO MOVIMENTO PSICAN\u00c1LITICO, ARTIGOS SOBRE A METAPSICOLOGIA E OUTROS TRABALHOS (1914-1916). Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA repress\u00e3o, como dissemos, prov\u00e9m do ego; poder\u00edamos dizer com maior exatid\u00e3o que prov\u00e9m do amor-pr\u00f3prio do ego. As mesmas impress\u00f5es, experi\u00eancias, impulsos e desejos aos quais um homem se entrega, ou que pelo menos elabora conscientemente, ser\u00e3o rejeitados com a maior\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0por outro, ou mesmo abafados antes que entrem na consci\u00eancia. A diferen\u00e7a entre os dois, que encerra o fator condicionante da repress\u00e3o, pode ser facilmente expressa em termos que permitem seja ela explicada pela teoria da libido\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-30\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Um estudo autobiogr\u00e1fico (1925 [1924]).<\/i>\u00a0In:\u00a0Vol. XX \u2013 Um estudo autobiogr\u00e1fico, inibi\u00e7\u00f5es, sintomas e ansiedade, a quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga e outros trabalhos (1925-1926).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c(\u2026) verifica-se que o pensamento isolado \u00e9 um impulso de desejo, muitas vezes de natureza repelente, que \u00e9 estranho \u00e0 vida de vig\u00edlia daquele que sonha, sendo, em consequ\u00eancia, repudiado por ele com surpresa ou\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>.\u00a0Esse impulso \u00e9 o construtor real do sonho: proporciona a energia para sua produ\u00e7\u00e3o e faz uso dos res\u00edduos diurnos como material\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-31\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>A quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga: conversa\u00e7\u00f5es com uma pessoa imparcial (1926).<\/i>\u00a0In: Vol. XX \u2013 Um estudo autobiogr\u00e1fico, inibi\u00e7\u00f5es, sintomas e ansiedade, a quest\u00e3o da an\u00e1lise leiga e outros trabalhos (1925-1926).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO senhor estar\u00e1 cometendo grave erro se, num esfor\u00e7o talvez de encurtar a an\u00e1lise, lan\u00e7ar suas interpreta\u00e7\u00f5es na cabe\u00e7a do paciente logo que as houver encontrado. Dessa maneira o senhor obter\u00e1 dele express\u00f5es de resist\u00eancia, rejei\u00e7\u00e3o e\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>, mas n\u00e3o permitir\u00e1 que seu ego domine seu material reprimido\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-32\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>FREUD, S.<\/b>\u00a0<i>Uma experi\u00eancia religiosa<\/i>\u00a0(1928 [1927]). In:\u00a0Vol. XXI \u2013 O futuro de uma ilus\u00e3o, o mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o e outros trabalhos (1927-1931).\u00a0Edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. S\u00e3o Paulo: Novo Disc Brasil, 1997, sob licen\u00e7a de Imago, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA vis\u00e3o de um cad\u00e1ver de mulher, nu ou a ponto de ser despido, recordou ao jovem sua m\u00e3e. Despertou nele um anseio pela m\u00e3e que se originava de seu complexo de \u00c9dipo, e isso foi imediatamente completado por um sentimento de\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0contra o pai. Suas id\u00e9ias de \u2018pai\u2019 e \u2018Deus\u2019 ainda n\u00e3o se tinham separado inteiramente, de modo que seu desejo de destruir o pai podia tornar-se consciente como d\u00favida a respeito da exist\u00eancia de Deus e procurar justificar-se aos olhos da raz\u00e3o como\u00a0<b>indigna\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0com o mau trato dado a um objeto materno. Naturalmente, \u00e9 t\u00edpico do filho considerar como mau trato o que o pai faz \u00e0 m\u00e3e nas rela\u00e7\u00f5es sexuais\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":423,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/459"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=459"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":478,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/459\/revisions\/478"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}