{"id":463,"date":"2021-09-12T14:44:39","date_gmt":"2021-09-12T17:44:39","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/ix\/?page_id=463"},"modified":"2021-09-12T15:33:42","modified_gmt":"2021-09-12T18:33:42","slug":"jacques-lacan","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/ix\/bibliografia\/citas-bibliograficas\/jacques-lacan\/","title":{"rendered":"Jacques Lacan"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-1 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-three\"><h3 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:30;line-height:1.3;\">\u00d3DIO\/ODIO<\/h3><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0<i>As flutua\u00e7\u00f5es da libido.<\/i>\u00a0<i>In<\/i>: O Semin\u00e1rio, livro 1: Os Escritos T\u00e9cnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986, p. 209.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cExplicar as coisas assim, quer dizer que \u00e9 de uma matura\u00e7\u00e3o interna ligada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o vital do sujeito que depende o preenchimento, e mesmo o transbordamento, da hi\u00e2ncia primitiva da libido do sujeito imaturo. A libido pr\u00e9-genital \u00e9 o ponto sens\u00edvel, \u00e9 o ponto de miragem entre Eros e Th\u00e1natos, entre o amor e o \u00f3dio. \u00c9 a maneira mais simples de fazer compreender o papel crucial que desempenha a libido dita de-sexualizada do eu na possibilidade de revers\u00e3o, de viragem instant\u00e2nea do \u00f3dio em amor, do amor em \u00f3dio. \u00c9 o problema que pareceu colocar a Freud o maior n\u00famero de dificuldades a resolver \u2013 reportem-se ao seu escrito Le Moi et le Soi\u2026.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0<i>Primeiras interven\u00e7\u00f5es sobre Balint<\/i>. In: O Semin\u00e1rio, livro 1: Os Escritos T\u00e9cnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986, p. 235.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO car\u00e1ter controla as rela\u00e7\u00f5es do homem aos seus objetos. O car\u00e1ter significa sempre uma limita\u00e7\u00e3o mais ou menos extensiva das possibilidades de amor e de \u00f3dio. Portanto, o car\u00e1ter significa limita\u00e7\u00e3o da capacidade for love and enjoyment, para o amor e para a alegria\u2026\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-3\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0<i>A verdade surge da equivoca\u00e7\u00e3o.<\/i>\u00a0<i>In<\/i>: O Semin\u00e1rio, livro 1: Os Escritos T\u00e9cnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986, p. 309.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cSabemos que a dimens\u00e3o da transfer\u00eancia existe de cara, implicitamente, antes de qualquer come\u00e7o de an\u00e1lise, antes que a concubinagem que \u00e9 a an\u00e1lise a desencadeie. Ora, essas duas possibilidades do amor e do \u00f3dio n\u00e3o v\u00e3o sem essa terceira, que se negligencia, e que n\u00e3o se nomeia entre os componentes prim\u00e1rios da transfer\u00eancia \u2013 a ignor\u00e2ncia enquanto paix\u00e3o. O sujeito que vem para a an\u00e1lise se coloca entretanto, como tal, na posi\u00e7\u00e3o daquele que ignora. Nenhuma entrada poss\u00edvel na an\u00e1lise sem essa refer\u00eancia \u2013 n\u00e3o se diz isso nunca, n\u00e3o se pensa nisso nunca, quando ela \u00e9 fundamental.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-4\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0<i>O conceito da an\u00e1lise.<\/i>\u00a0<i>In<\/i>: O Semin\u00e1rio, livro 1: Os Escritos T\u00e9cnicos de Freud (1953-1954). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986, p. 315-316.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cBem, o \u00f3dio, \u00e9 a mesma coisa. H\u00e1 uma dimens\u00e3o imagin\u00e1ria do \u00f3dio, na medida em que a destrui\u00e7\u00e3o do outro \u00e9 um p\u00f3lo da estrutura mesma da rela\u00e7\u00e3o intersubjetiva. \u00c9, eu lhes indiquei, o que Hegel reconhece como o impasse da coexist\u00eancia de duas consci\u00eancias, donde ele deduz o seu mito de luta de puro prest\u00edgio. A\u00ed mesmo, a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria \u00e9 enquadrada pela rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, e \u00e9 por isso que o \u00f3dio n\u00e3o se satisfaz com o desparecimento do advers\u00e1rio. Se o amor aspira ao desenvolvimento do ser do outro, o \u00f3dio quer o contr\u00e1rio, seja o seu rebaixamento, seja a sua desorienta\u00e7\u00e3o, o seu desvio, o seu del\u00edrio, a sua nega\u00e7\u00e3o detalhada, a sua subvers\u00e3o. \u00c9 nisso que o \u00f3dio, como o amor, \u00e9 uma carreira sem limite\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c\u2026 N\u00e3o obstante, os sujeitos n\u00e3o t\u00eam, nos nossos dias, de assumir o vivido do \u00f3dio no que pode ter de mais abrasador. E por qu\u00ea? Porque j\u00e1 somos muito suficientemente uma civiliza\u00e7\u00e3o do \u00f3dio. O caminho da corrida para a destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 verdadeiramente bem tra\u00e7ado entre n\u00f3s? O \u00f3dio se reveste no nosso discurso comum de muitos pretextos, encontra racionaliza\u00e7\u00f5es extraordinariamente f\u00e1ceis. Talvez seja esse estado de flocula\u00e7\u00e3o difusa do \u00f3dio que satura em n\u00f3s o apelo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do ser. Como se a objetiva\u00e7\u00e3o do ser humano na nossa civiliza\u00e7\u00e3o correspondesse exatamente ao que, na estrutura do ego, \u00e9 o p\u00f3lo do \u00f3dio\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201cEntendam bem que, falando-lhes de amor e de \u00f3dio, eu lhes designo as vias da realiza\u00e7\u00e3o do ser, n\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o do ser, mas somente suas vias\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-5\"><p class=\"western\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0<i>A significa\u00e7\u00e3o do falo no tratamento<\/i>. In.: O Semin\u00e1rio, livro 5: As Forma\u00e7\u00f5es do inconsciente (1957-1958). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, p. 452.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No par\u00e1grafo anterior, Lacan comenta a linha superior do grafo do desejo.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 para fixar alguma coisa que falo aqui de amor. O \u00f3dio, nesse caso, tem o mesmo lugar. \u00c9 unicamente nesse horizonte que a ambival\u00eancia do \u00f3dio e do amor pode ser concebida. \u00c9 tamb\u00e9m nesse horizonte que podemos ver chegar ao mesmo ponto um terceiro termo, hom\u00f3logo do amor e do \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito, que \u00e9 a ignor\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-6\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0A media\u00e7\u00e3o f\u00e1lica do desejo. In.: O Semin\u00e1rio, livro 6: O desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o (1958-1959). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2016, p. 139-140.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">No par\u00e1grafo anterior Lacan est\u00e1 comentando sobre a fantasia de espancamento, \u201cbate-se numa crian\u00e7a\u201d, precisamente a primeira fase: \u201co pai bate na crian\u00e7a que eu odeio\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cEis-nos, portanto, conduzidos por Freud do ponto inicial at\u00e9 o \u00e2mago mesmo do ser, ali onde se situa a qualidade mais intensa do amor e do \u00f3dio. Com efeito, a outra crian\u00e7a est\u00e1 representada aqui como submetida, pela viol\u00eancia, pelo capricho do pai, ao m\u00e1ximo da degrada\u00e7\u00e3o, da desvaloriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, como absolutamente frustrada, privada de amor. O \u00f3dio a visa no seu ser, visa nela o que \u00e9 demandado para al\u00e9m de toda demanda, a saber, o amor. A chamada narc\u00edsica cometida aqui contra o sujeito odiado \u00e9 total\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-7\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0De uma fun\u00e7\u00e3o para n\u00e3o escrever. In.: O Semin\u00e1rio, livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante (1971). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, p. 98.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Essa passagem se encontra na discuss\u00e3o que Lacan faz da Carta Roubada.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO ministro, por ter sido apanhado, foi apanhado, mas isso lhe indiferente [\u2026], ou ent\u00e3o, se realmente nutrir por ela um desses sentimentos que s\u00e3o da ordem do que chamo, por minha vez, de o \u00fanico sentimento l\u00facido, a saber, o \u00f3dio, como lhes expliquei muito bem, se ele a odiar, ela s\u00f3 far\u00e1 am\u00e1-lo ainda mais, e isso lhe permitir\u00e1 ir t\u00e3o longe que, de todo modo, ele acabar\u00e1 desconfiando que a carta j\u00e1 n\u00e3o existe h\u00e1 muito tempo\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-2 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-three\"><h3 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:30;line-height:1.3;\">C\u00d3LERA\/COLERA<\/h3><\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-8\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0A ang\u00fastia na rede dos significantes. In.: O Semin\u00e1rio, livro 10: A ang\u00fastia (1962-1963). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005, p. 23.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cA c\u00f3lera, eu lhes disse, \u00e9 o que acontece nos sujeitos quando os pininhos n\u00e3o entram nos buraquinhos. O que quer dizer isso? \u00c9 quando, no n\u00edvel do Outro, do significante \u2013 ou seja, sempre, mais ou menos, no n\u00edvel da f\u00e9, da boa f\u00e9 \u2013, n\u00e3o se joga o jogo. Pois bem, \u00e9 isso que provoca a c\u00f3lera\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-9\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0De uma fun\u00e7\u00e3o para n\u00e3o escrever. In.: O Semin\u00e1rio, livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante (1971). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, p. 97.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cOu seja, de que, pelo simples fato de ter passado pelas m\u00e3os de Dupin, a carta o feminizou, por sua vez, o bastante para que seja exatamente nesse momento que ele n\u00e3o consegue se conter e manifesta uma certa raiva do ministro, o qual acredita j\u00e1 ter posto algu\u00e9m \u00e0 sua merc\u00ea o bastante para n\u00e3o deixar mais vest\u00edgios, mas que \u00e9 tal que ele, Dupin, sabe t\u00ea-lo privado daquilo que poderia permitir-lhe continuar a desempenhar seu papel, se algum dia lhe fosse preciso mostrar suas cartas\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-10\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>Lacan, J.<\/b>\u00a0O semin\u00e1rio, livro 7: a \u00e9tica da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997. P.129,130.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A psicologia dos afetos, teremos, talvez, um dia, de estud\u00e1-la juntos. Gostaria simplesmente, para for\u00e7ar o car\u00e1ter inadequado do que foi efetuado nessa ordem at\u00e9 hoje, e especialmente na an\u00e1lise, de propor-lhes incidentemente alguns temas de medita\u00e7\u00e3o, por exemplo, sobre um afeto como a\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>. S\u00e3o pequenos exerc\u00edcios pr\u00e1ticos, laterais, que lhes forne\u00e7o. O emprego das categorias precisas \u00e0s quais os incito a se referirem poderia, talvez, explicar porque na hist\u00f3ria da psicologia e da \u00e9tica, se interessaram tanto pela\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>\u00a0e porque nos interessamos t\u00e3o pouco na an\u00e1lise.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O que Descartes, por exemplo, articula sobre a\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>\u00a0satisfaz plenamente a voc\u00eas? A hip\u00f3tese de trabalho que lhes sugiro, a qual seria preciso ver se cola ou se n\u00e3o cola, \u00e9 a de que a\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>\u00a0\u00e9 certamente uma paix\u00e3o que se manifesta por meio de tal correlato org\u00e2nico ou fisiol\u00f3gico, por meio de tal sentimento mais ou menos hipert\u00f4nico, e at\u00e9 mesmo relativo, mas que necessita, talvez, como que de uma rea\u00e7\u00e3o do sujeito a uma decep\u00e7\u00e3o, ao fracasso de uma correla\u00e7\u00e3o esperada entre uma ordem simb\u00f3lica e a resposta do real. Em outros termos, a\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>\u00a0est\u00e1 essencialmente ligada ao que expressa essa f\u00f3rmula de P\u00e9guy, que o disse numa circunst\u00e2ncia humor\u00edstica \u2013 \u00e9 quando as cavilhazinhas n\u00e3o entram nos furinhos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Reflitam sobre isso e vejam se pode servir-lhes. Isso tem todo tipo de aplica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, at\u00e9 mesmo e inclusive de se ver a\u00ed o \u00edndice de um esbo\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do mundo nas raras esp\u00e9cies animais em que se pode efetivamente contestar algo que se assemelhe com a\u00a0<b>c\u00f3lera<\/b>. Pois \u00e9 bastante surpreendente que a c\u00f3lera esteja notavelmente ausente do reino animal no conjunto de sua extens\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-11\"><p class=\"western\" align=\"left\">Lacan, J. (1985 [1963-64]).\u00a0<i>O Semin\u00e1rio<\/i>, livro11:\u00a0<i>os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" align=\"left\">\u201cA transfer\u00eancia negativa, \u00e9-se mais prudente, mais temperado, na maneira que se tem de evoc\u00e1-la, e n\u00e3o se a identifica jamais com o\u00a0<b>\u00f3dio<\/b>. Emprega-se antes o termo ambival\u00eancia, termo que, mais ainda que o primeiro, mascara muitas coisas, coisas confusas cuja manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sempre adequada\u201d (p. 120, 1o par\u00e1grafo).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">\u201cAs puls\u00f5es nos necessitam na ordem sexual \u2013 isso, isso vem do cora\u00e7\u00e3o. Para nossa maior surpresa, ele (Freud) nos ensina que o amor, do outro lado, ele vem do ventre, \u00e9 o que \u00e9 rom-rom.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">Isto pode surpreender, mas nos esclarece sobre algo fundamental \u00e0 experi\u00eancia anal\u00edtica, \u00e9 que a puls\u00e3o genital, se ela existe, n\u00e3o \u00e9 de modo algum articulada com outras puls\u00f5es. E isto, malgrado a ambival\u00eancia amor-<b>\u00f3dio<\/b>. Em suas premissas, e em seu pr\u00f3prio texto, Freud se contradiz propriamente quando ele nos diz que a ambival\u00eancia pode passar por uma das caracter\u00edsticas da revers\u00e3o da\u00a0<i>Verkehrung<\/i>\u00a0da puls\u00e3o. Mas quando ele examina, ele nos diz mesmo que n\u00e3o s\u00e3o de modo algum a mesma coisa, a ambival\u00eancia e a revers\u00e3o\u201d (p. 179, 2o e 3o par\u00e1grafos).\u00a0<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">\u201cA revers\u00e3o da puls\u00e3o \u00e9 coisa completamente diferente da varia\u00e7\u00e3o de ambival\u00eancia que faz passar o objeto do campo do\u00a0<b>\u00f3dio<\/b>\u00a0ao do campo do amor e inversamente, conforme ele seja ou n\u00e3o aproveit\u00e1vel para o bem-estar do sujeito\u201d (p. 196, 1o par\u00e1grafo).\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-12\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0Semin\u00e1rio\u00a0<i>livro 17 O avesso da psican\u00e1lise.\u00a0<\/i>Rio de janeiro, Jorge Zahar, 1992, p.128.<i><\/i><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201c\u2026 O analista \u2013 chegarei a dizer que pude xperiment\u00e1-lo em mim mesmo? -, o analista n\u00e3o tem essa paix\u00e3o feroz que tanto nos surpreende quando se trata de Yahv\u00e9. Yahv\u00e9 se situa no ponto mais paradoxal em rela\u00e7\u00e3o a uma outra perspectiva que seria, por exemplo, a do budismo, em que se recomenda purificar-se das tr\u00eas paix\u00f5es fundamentais, o amor, o\u00a0<b>\u00f3dio<\/b>\u00a0e a ignor\u00e2ncia\u2026\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><div class=\"fusion-text fusion-text-13\"><p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><b>LACAN, J.<\/b>\u00a0Semin\u00e1rio\u00a0<i>livro 17 O avesso da psican\u00e1lise.\u00a0<\/i>Rio de janeiro, Jorge Zahar, 1992, p. 131.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\u201cO ponto importante \u00e9 o uso do \u2018ich de que fal\u00e1vamos outro dia. A novidade de\u00a0<i>Os\u00e9ias<\/i>, se entendi bem, \u00e9, em suma, esse chamado de um tipo bem particular. Espero que todo mundo v\u00e1 procurar uma pequena B\u00edblia para ter uma ideia do tom de\u00a0<i>Os\u00e9ias<\/i>. \u00c9 uma esp\u00e9cie de\u00a0<b>f\u00faria\u00a0<\/b>invectiva, realmente tripudiante, a da palavra de Yahv\u00e9 falando a seu povo em um longo discurso. Quando falei de\u00a0<i>Os\u00e9ias\u00a0<\/i>antes de ter o livro de Sellin, disse \u2013 Eu, em\u00a0<i>Os\u00e9ias,\u00a0<\/i>nunca li nada que se pare\u00e7a nem de longe com o que Sellin achou, mas em compensa\u00e7\u00e3o assinalei de passagem a import\u00e2ncia da invectiva, da imputa\u00e7\u00e3o de ritos de prostitui\u00e7\u00e3o sagrada que vai de uma ponta a outra, e em contraposi\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de exorta\u00e7\u00e3o pela qual Yav\u00e9 se declara o esposo. Pode-se dizer que \u00e9 a\u00ed que come\u00e7a essa longa tradi\u00e7\u00e3o, bastante misteriosa em si mesma, cujo sentido n\u00e3o me pareceu com evid\u00eancia que pud\u00e9ssemos realmente situar, que fez de Cristo o esposo da Igreja, e da Igreja, a esposa de Cristo. Isso come\u00e7a aqui, n\u00e3o h\u00e1 rastro disso antes de\u00a0<i>Os\u00e9ias<\/i>\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":421,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/463"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":481,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/463\/revisions\/481"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}