{"id":562,"date":"2021-09-12T18:57:32","date_gmt":"2021-09-12T21:57:32","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/ix\/?p=562"},"modified":"2021-09-12T18:57:32","modified_gmt":"2021-09-12T21:57:32","slug":"a-dignidade-do-sinthoma-como-laco-patricia-moraga-eol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/ix\/pt\/a-dignidade-do-sinthoma-como-laco-patricia-moraga-eol\/","title":{"rendered":"A DIGNIDADE DO SINTHOMA COMO LA\u00c7O &#8211; Patricia Moraga (EOL)"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Patricia Moraga<\/strong> (EOL)<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Lacan lamentava que seu ensino n\u00e3o tivesse as consequ\u00eancias na sociedade que ele queria\u00b9. No in\u00edcio dos anos 70, ele prop\u00f4s ler o social servindo-se do sinthoma como sendo o que enla\u00e7a as tr\u00eas rodinhas de barbante (RSI) e sustenta a rela\u00e7\u00e3o com o Outro sexo\u00b2. Como utilizar essas ferramentas para ler as diferen\u00e7as entre o movimento \u201cIndignados\u201d (2011) e \u201cMar\u00e9 de len\u00e7os brancos\u201d (2017)\u00b3, a fim de abordar a indigna\u00e7\u00e3o como paix\u00e3o de um corpo pol\u00edtico e o lugar da dignidade na psican\u00e1lise?<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O \u00e2mbito p\u00fablico determina o que n\u00e3o pode ser dito e o que n\u00e3o pode ser mostrado. O sil\u00eancio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o maci\u00e7a diante da iminente libera\u00e7\u00e3o de genocidas mobilizou a popula\u00e7\u00e3o argentina a rejeitar a falha da Suprema Corte da Justi\u00e7a, que beneficiava os condenados por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar (1976-1983). O grito \u201dNunca mais!\u201d foi um acontecimento de corpo pol\u00edtico que afirmou a vida contra o sil\u00eancio da puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Essa mobiliza\u00e7\u00e3o se distingue daquela dos \u201cIndignados\u201d, nascida entre os jovens que t\u00eam estudos, por\u00e9m n\u00e3o t\u00eam trabalho, exclu\u00eddos do sistema, que se tornou transgeracional, sem l\u00edderes e sem demandas espec\u00edficas e que \u00e9 contra a pol\u00edtica que prejudicava as pessoas em benef\u00edcio da elite financeira. Ela foi um grito do sujeito contra o Outro infernal que o deixava sem lugar no mundo\u2074.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ambos os casos evidenciam como o corpo afetado pela linguagem est\u00e1 tomado pelos discursos. As paix\u00f5es t\u00eam a ver com o corpo e com o gozo (o do pr\u00f3prio corpo ou o da fantasia) e os conecta com a linguagem. A indigna\u00e7\u00e3o toca a distin\u00e7\u00e3o entre dignidade e indignidade. Em Lacan, a dignidade sempre se refere ao singular, mas essa conex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 evidente se colocamos o problema do gozo autista do sintoma. Para ele, a sublima\u00e7\u00e3o eleva um objeto \u00e0 dignidade da Coisa. Aqui a dignidade se equipara com a anula\u00e7\u00e3o do gozo, que \u00e9 idealizado e negativado pelo significante. Quando o gozo \u00e9 elevado \u00e0 dignidade da Coisa e n\u00e3o \u00e9 rebaixado \u00e0 indignidade do dejeto, ele \u00e9 sublimado, socializado\u2075.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O desejo destaca um objeto entre todos, n\u00e3o equipar\u00e1vel aos demais, singular. Esse objeto supervalorizado tem a fun\u00e7\u00e3o de \u201csalvar nossa dignidade de sujeito\u201d, nos tornando \u201calgo diferente de um sujeito submetido ao deslizamento infinito do significante\u201d, algo \u201c\u00fanico, insubstitu\u00edvel\u201d\u2076. E Lacan localiza a dignidade do sujeito no objeto a, causa do desejo: o singular de uma causa insubstitu\u00edvel. Assim, s\u00f3 fazemos luto por aquele cujo desejo causamos.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O gozo autista do Um torna problem\u00e1tico afirmar a dignidade do sintoma. Se ele se basta a si mesmo, esse gozo \u00e9 indigno. Como fazer la\u00e7o com ele? Miller acrescenta o escabelo ao sinthoma, \u00e9 sobre ele que o falasser se al\u00e7a para \u201celevar-se \u00e0 dignidade da Coisa\u201d e o situa ao lado do gozo da palavra, do gozo f\u00e1lico e do sentido\u2077. O sinthoma \u00e9 gozo real do corpo e exclui o sentido. Sua dignidade nasce ao fazer do sinthoma um escabelo no la\u00e7o com o Outro.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Os movimentos \u201cIndignados\u201d e \u201cMar\u00e9 dos len\u00e7os brancos\u201d nos ensinam como se servir do acontecimento de corpo para ler os sintomas sociais. No primeiro caso, a indigna\u00e7\u00e3o surge quando a dignidade do sinthoma \u00e9 recha\u00e7ada e o singular \u00e9 esmagado pelo universal. No segundo, a dignidade do sinthoma faz la\u00e7o sem fazer massa.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 existe pol\u00edtica de corpos falantes. Quando existe sil\u00eancio na cidade, \u00e9 a dignidade do sinthoma como la\u00e7o que est\u00e1 afetada, e, assim, a segrega\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia proliferam.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Glacy Gorski<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Revis\u00e3o: Paola Salinas<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Notas<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b9 MILLER, J.-A. \u201cLa utilidad directa\u201d. Dispon\u00edvel em:<br \/>\nwww.eol.org.ar.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b2 LACAN, J. O semin\u00e1rio, livro 23: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge<br \/>\nZahar, 2007, pp. 21-98.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b3 N. A.: No dia 11 de maio de 2017, milhares de pessoas se mobilizaram com len\u00e7os brancos (s\u00edmbolo de M\u00e3es e Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio) contra a libera\u00e7\u00e3o de genocidas argentinos. N. T.: Len\u00e7os brancos faz refer\u00eancia aos panos brancos (remetendo \u00e0s fraldas), que as m\u00e3es e av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio usavam na cabe\u00e7a e que tinham a inscri\u00e7\u00e3o do nome de seus filhos e netos desaparecidos. Lembro que, na Argentina, as m\u00e3es seguem uma tradi\u00e7\u00e3o de guardar fraldas como lembran\u00e7as de seus filhos. O grupo de m\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio deu in\u00edcio a um movimento de rep\u00fadio \u00e0 ditadura e de luta pelos direitos humanos, focando nos filhos e netos desaparecidos. Esse movimento teve uma grande ades\u00e3o e foi reconhecido internacionalmente como uma das principais institui\u00e7\u00f5es civis de luta contra os crimes cometidos pelas ditaduras, recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios e teve indica\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2074 LAURENT, \u00c9. O avesso da biopol\u00edtica. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016, pp. 211 e seguintes.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2075 MILLER, J.-A. \u201cA salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos\u201d In: Correio. Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, n. 67, dez. 2010, pp .19-26.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2076 LACAN, J. O semin\u00e1rio, livro 8: A transfer\u00eancia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1992, p. 173.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2077 MILLER, J.-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. Scilicet. O corpo falante. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2015,<br \/>\npp. 28.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[105,83],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/562"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=562"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":563,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/562\/revisions\/563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}