{"id":566,"date":"2021-09-12T18:59:48","date_gmt":"2021-09-12T21:59:48","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/ix\/?p=566"},"modified":"2021-09-12T18:59:48","modified_gmt":"2021-09-12T21:59:48","slug":"o-odio-estruturante-romulo-ferreira-da-silva-ebp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/ix\/pt\/o-odio-estruturante-romulo-ferreira-da-silva-ebp\/","title":{"rendered":"O \u00d3DIO ESTRUTURANTE &#8211; R\u00f4mulo Ferreira da Silva (EBP)"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p class=\"bold\" style=\"text-align: justify;\"><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong> (EBP)<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">No texto \u201cA negativa\u201d, de Freud, podemos localizar o mecanismo da Austossung, da expuls\u00e3o, como o ponto de partida da configura\u00e7\u00e3o do ser.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">A partir do princ\u00edpio do prazer, o que \u00e9 expulso por ser desagrad\u00e1vel estabelece-se de forma radical no dito do sujeito \u201cisso n\u00e3o sou eu\u201d. Por outro lado, o que se apresenta como experi\u00eancia prazerosa \u00e9 introjetado como sendo ele.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ocorre que o elemento expulso foi experimentado pelo ser vivente e o marcou como modo de satisfa\u00e7\u00e3o sem compromisso com o prazer. \u00c9, portanto, o gozo que se apresenta como paradoxal, que diz respeito ao sujeito e foi por ele radicalmente rejeitado. Ou seja, \u201caquilo que \u00e9 mau, que \u00e9 estranho ao ego, e aquilo que \u00e9 externo s\u00e3o, para come\u00e7ar, id\u00eanticos\u201d\u00b2.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Essa opera\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o do sujeito se d\u00e1 miticamente sem a interfer\u00eancia do simb\u00f3lico. Trata-se da participa\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do real na constitui\u00e7\u00e3o de um corpo que goza, subtra\u00eddo do alcance do simb\u00f3lico. Como tal, permanece no real porque o imagin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 capaz de estabiliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Lacan, em sua conversa com Jean Hyppolite sobre a Verneinung de Freud, em 1954, nos esclarece \u201cque \u00e9 assim que se deve compreender a Einbeziehung ins Ich, a introdu\u00e7\u00e3o no sujeito, e a Austossung aus dem Ich, a expuls\u00e3o para fora do sujeito. \u00c9 essa \u00faltima que constitui o real, na medida em que ele \u00e9 o dom\u00ednio do que subsiste fora da simboliza\u00e7\u00e3o\u201d\u00b3.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Podemos concluir que o \u00f3dio adv\u00e9m do resultado da Austossung, na fenda entre real e imagin\u00e1rio, e \u00e9 estruturante para o sujeito.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Lacan dar\u00e1 v\u00e1rias orienta\u00e7\u00f5es para entendermos o \u00f3dio a esse gozo que n\u00e3o est\u00e1 conforme, que n\u00e3o segue o modelo do Ideal do Eu, que, por sua vez, oferece ao sujeito sua melhor vers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Esse gozo que se instaura fora da abordagem f\u00e1lica n\u00e3o pode ser negativizado e se apresentar\u00e1 ao sujeito para sempre, seja como o gozo suplementar, seja como o gozo do Outro, seja como o gozo feminino, que, n\u00e3o-todo, escapa a qualquer tentativa de conformidade.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o gozo externo ao sujeito que retorna como o mais \u00edntimo de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o freudiana sobre a constitui\u00e7\u00e3o desse estranho mais \u00edntimo orientar\u00e1 os desenvolvimentos dos \u00faltimos Semin\u00e1rios de Lacan, quando indica que a \u00fanica maneira de abordarmos o real \u00e9 pela via do imagin\u00e1rio, o imagin\u00e1rio puro desvinculado do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 20, Lacan apresenta a ang\u00fastia como o que surge entre o imagin\u00e1rio e o real sem a intermedia\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico. \u00c9 por isso que podemos apreender a ang\u00fastia como o afeto que n\u00e3o engana. Ela \u00e9 vivenciada sem os emaranhados dos significantes.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Constatamos na cl\u00ednica que, para desangustiar um sujeito, \u00e9 preciso introduzir algo do simb\u00f3lico. O simples fato de dar lugar \u00e0 fala pode gerar efeitos apaziguadores importantes.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ang\u00fastia e \u00f3dio se articulam por ambos estarem localizados na fenda entre o real e o imagin\u00e1rio. Podemos dizer que o afeto que n\u00e3o engana e a paix\u00e3o do \u00f3dio s\u00e3o \u00edndices do real.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, se \u00e9 poss\u00edvel abordar a ang\u00fastia oferecendo significantes que possam enred\u00e1-la em uma verdade mentirosa, diante do \u00f3dio n\u00e3o h\u00e1 o que dizer.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ele exige a destrui\u00e7\u00e3o do Outro em uma tentativa de fazer com que ele jamais tivesse existido.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o sonho de uma solu\u00e7\u00e3o final para o que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever. Quanto mais se elaboram estrat\u00e9gias para que esse real desapare\u00e7a, mais ele ex-siste ao sujeito, apresentando-se como causa do \u00f3dio.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O \u00fanico tratamento poss\u00edvel \u00e9 poder imaginar, no sentido de dar uma imagem desvinculada do simb\u00f3lico, que, para cada um, poderia bordear o \u00f3dio de si mesmo, inaugurado na sua exist\u00eancia.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Notas<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b9 N. A.: Texto extra\u00eddo da discuss\u00e3o ocorrida na EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o SP, em 26 de novembro de 2018, que contou com a apresenta\u00e7\u00e3o do tema do IX ENAPOL, por Romildo do R\u00eago Barros.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b2 FREUD, S. \u201cA Negativa\u201d. In: Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XIX. Imago. Rio de Janeiro, 1976, p. 297.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b3 LACAN, J. \u201cResposta ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite\u201d. In: Escritos. Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 1998, p. 390.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[105,83],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/566"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=566"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":567,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/566\/revisions\/567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}