{"id":593,"date":"2021-09-14T17:42:03","date_gmt":"2021-09-14T20:42:03","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/ix\/?p=593"},"modified":"2021-09-14T17:42:03","modified_gmt":"2021-09-14T20:42:03","slug":"rumo-a-uma-clinica-do-odio-alejandra-glaze-eol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/ix\/pt\/rumo-a-uma-clinica-do-odio-alejandra-glaze-eol\/","title":{"rendered":"RUMO A UMA CL\u00cdNICA DO \u00d3DIO &#8211; Alejandra Glaze (EOL)"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p class=\"bold\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Alejandra Glaze<\/strong> (EOL)<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O \u00f3dio assegura, recha\u00e7ando-o, o ser do outro, o que conduz, finalmente \u2013 no social -, \u00e0s estrat\u00e9gias de guerra, \u00e0s vingan\u00e7as e aos crimes. Trata-se do \u00f3dio \u201ccomo aquilo que se dirige da maneira mais s\u00f3lida ao ser que fala\u201d\u00b9.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">A cultura \u00e9 um tipo de la\u00e7o que se afirma\u00b2 sobre certas representa\u00e7\u00f5es que respondem \u00e0 unidade do corpo, constituindo imperativos de gozo que incluem o \u00f3dio ao Outro, manifesto nos racismos. Fazer do Outro um estranho, odiando-o em seu ser, \u00e9 produto do pr\u00f3prio \u00f3dio que surge de n\u00e3o obter a satisfa\u00e7\u00e3o esperada; \u00f3dio que acaba retornando do Outro que goza daquilo que falta a quem odeia, \u201croubando\u201d o gozo que lhe corresponderia. Uma orienta\u00e7\u00e3o precisa na cl\u00ednica do \u00f3dio.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ana. Na entrada da adolesc\u00eancia, sofreu a rejei\u00e7\u00e3o de seu pai, \u201cporque j\u00e1 era uma mulher\u201d. \u201cEu era uma menina alegre e feliz at\u00e9 que cheguei \u00e0 adolesc\u00eancia. E me tornei isso, uma in\u00fatil para tudo, uma incapacitada que n\u00e3o serve nem como mulher, nem como m\u00e3e, nem como nada\u201d. Mas o que nos interessa est\u00e1 nesta frase: \u201cSou Katrina quando algo me enfurece, quando tentam fazer comigo o que querem\u201d. Nunca est\u00e1 \u00e0 altura dos ideais, chora pelo irremediavelmente perdido, o que n\u00e3o lhe foi dado e do qual sup\u00f5e que os demais desfrutam, inclusive suas pr\u00f3prias filhas, \u00e0s quais lhes torna a vida imposs\u00edvel. Diante da imin\u00eancia do objeto, como sensa\u00e7\u00e3o do desejo do outro que a objetifica, aparece a ang\u00fastia que a confronta com a finitude do mundo constru\u00eddo como ordem simb\u00f3lica sobre o vazio do objeto.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Como disse P. Moraga:Quando o outro n\u00e3o nos devolve a imagem ideal, torna-se amea\u00e7ador, mau. Mas a dial\u00e9tica imagin\u00e1ria, com suas paix\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 suficiente para dar conta disso uma vez que o outro pode ser para o sujeito o imposs\u00edvel de suportar\u00b3.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Eva. Ap\u00f3s o nascimento de sua filha, diz: \u201cSou uma bela m\u2026\u201d. \u201cA \u00fanica coisa real s\u00e3o meus maus pensamentos\u201d. \u201cFiquei desiludida quando vi que esta \u00e9 a realidade e me transformei nisso\u201d. Apresenta, rindo, o que implica a demanda infernal do outro, que desperta seu \u00f3dio mais absoluto: \u201cUma crian\u00e7a chora, grita, e voc\u00ea, provavelmente queira mat\u00e1-la\u201d. \u201cH\u00e1 algo insuport\u00e1vel nessa situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, essa demanda constante de onde parece que a vida me sepulta\u201d. \u201cRepresento-me com os cabelos em p\u00e9, vomitada, enlouquecida, transformada em um ser degradado a objeto\u201d.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">\u201cInundada de \u00f3dio\u201d, acrescenta: \u201cEu era uma menina e isso era um problema. Cresci, meu papai nunca conseguiu me deter e nos mat\u00e1vamos\u201d. \u201cHoje continuo esperando algo do Outro, e n\u00e3o tenho que esperar nada\u201d. \u201cTenho uma f\u00faria que devo controlar porque sou capaz de qualquer coisa\u201d. A desestabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre iminente frente \u00e0 impostura do mundo que a rodeia.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Os dois casos evidenciam de que modo se situam como \u201cum presente envenenado para o outro\u201d. Um \u00f3dio que oferece certa consist\u00eancia a um parl\u00eatre que sempre est\u00e1 em fuga. A um corpo que, se odiando, tamb\u00e9m odeia, e que localiza um Outro ao qual dar corpo e forma, mas que est\u00e1 sempre em retirada. Desse modo, a figura do melanc\u00f3lico hipermoderno d\u00e1 conta daquele que salta para o vazio guiado pelo \u00f3dio, \u201c\u00fanico sentimento l\u00facido\u201d\u2074 que d\u00e1 alguma consist\u00eancia ao Outro tamb\u00e9m em ru\u00ednas, deixando-o em sua dimens\u00e3o de puro objeto dejeto \u2013 possuidor de um corpo que se \u00e9 como \u00fanica certeza. Um corpo sem v\u00e9us como \u00fanica consist\u00eancia\u2075.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Vemos assim que o desencanto frente ao amor do pai produz essa certeza sobre o gozo do Outro, onde o amor vira \u00f3dio, irremediavelmente \u2013 \u201cum \u00f3dio que sempre \u00e9 mais certeiro que o amor\u201d\u2076.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Rita Guimar\u00e3es<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">Revis\u00e3o: Fl\u00e1via Machado Seidinger Leibovitz<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b9 BASSOLS, M., Una pol\u00edtica para erizos y otras herej\u00edas psicoanal\u00edticas, Grama ed., Bs. As., 2018, p. 6.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b2 N T: Em espanhol o verbo afirmar significa tanto afirmar como em portugu\u00eas, quanto sustentar-se, apoiar-se em algo.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u00b3 MORAGA, P., \u201cDo \u00f3dio como la\u00e7o social\u201d. Dispon\u00edvel em: http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2018\/12\/normal-0-false-false-false-es-ar-ja-x.html<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2074 LACAN, J.: O Semin\u00e1rio, Livro 18, De um discurso que n\u00e3o fosse semblante, Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2009, p. 98.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2075 Ver GLAZE, A., \u201cLa certeza corporal del melanc\u00f3lico\u201d, Deseo y sinthome (G. Arenas \u2013comp.\u2013), Grama ed.: Buenos Aires, 2016,<br \/>\np. 69.<\/p>\n<p class=\"r notes\" style=\"text-align: justify;\">\u2076 BASSOLS, M., Una pol\u00edtica para erizos\u2026, op. cit., p. 62.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[107,83],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/593"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=593"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":594,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/593\/revisions\/594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/ix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}