{"id":71,"date":"2021-08-12T00:01:27","date_gmt":"2021-08-12T03:01:27","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=71"},"modified":"2021-08-15T19:37:52","modified_gmt":"2021-08-15T22:37:52","slug":"falar-com-seu-sintoma-falar-com-seu-corpo","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/portfolio-items\/falar-com-seu-sintoma-falar-com-seu-corpo\/","title":{"rendered":"Falar com seu sintoma, falar com seu corpo"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha do t\u00edtulo do VI ENAPOL[1]: \u00abFalar com seu corpo\u00bb indica uma inquieta\u00e7\u00e3o e corresponde a um fato. As palavras e os corpos se separam na disposi\u00e7\u00e3o atual do Outro da civiliza\u00e7\u00e3o. O subt\u00edtulo \u00aba crise das normas e a agita\u00e7\u00e3o do real\u00bb remete-nos a uma dupla s\u00e9rie causal. Por um lado, as normas nem sempre conseguem fazer com que os corpos, por sua inscri\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, se insiram em usos padronizados, nessa m\u00e1quina infernal na qual o significante-mestre instala suas disciplinas de fazer marcas identificat\u00f3rias (<i>marquage<\/i>)e de educa\u00e7\u00e3o. Os corpos s\u00e3o muito mais deixados por sua pr\u00f3pria conta, marcando-se febrilmente com signos que n\u00e3o chegam a lhes dar consist\u00eancia. Por outro lado, a agita\u00e7\u00e3o do real pode ser lida como uma das consequ\u00eancias da \u00abascens\u00e3o ao z\u00eanite\u00bb do objeto\u00a0<i>a<\/i>. A apresenta\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de gozo em primeiro plano submete os corpos a uma \u00ablei de ferro\u00bb[2] cujas consequ\u00eancias \u00e9 preciso acompanhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os corpos parecem ocupar-se deles mesmos. Se alguma coisa parece se apoderar deles, \u00e9 a linguagem da biologia. Ela opera sobre o corpo, recortando-o em suas pr\u00f3prias mensagens, suas mensagens sem equ\u00edvoco, diversas daquelas da l\u00edngua. Produz corpos operados, terapeutizados, geneticamente terapeutizados ou geneticamente modificados (em pouco tempo, todos seremos organismos geneticamente modificados), alvos de uma opera\u00e7\u00e3o cosm\u00e9tica que segue a mesma via desses recortes \u2013 real cuja efetividade foi sublinhada por Jacques-Alain Miller em seu pequeno tratado sobre a \u00abbiologia lacaniana\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise apreendeu a jun\u00e7\u00e3o das palavras com os corpos por um vi\u00e9s preciso, o do sintoma. Freud, baseado no espet\u00e1culo cl\u00ednico de Charcot, extrai o r\u00e9bus da forma\u00e7\u00e3o do sintoma hist\u00e9rico. Lacan pode dizer: \u00abFreud chegou em uma \u00e9poca na qual apreendeu que n\u00e3o havia nada mais que o sintoma pelo qual cada um se interessava\u00bb, que tudo aquilo que havia sido sabedoria, modo de fazer, e mesmo, justamente, representa\u00e7\u00e3o sob um olhar divino, tudo isso se distanciava; restava o sintoma na medida em que ele interroga cada um sobre o que vem incomodar-lhe o corpo. Esse sintoma, por ser presen\u00e7a do significante do Outro em si, \u00e9 marca identificat\u00f3ria (<i>marquage<\/i>), corte. Nesse lugar, o surgimento traum\u00e1tico do gozo se d\u00e1. Baseado no sintoma hist\u00e9rico, Freud reconhece a via na qual se imp\u00f5e o inc\u00f4modo do corpo que vem, pelas palavras, recortar mais uma vez, marcar as vias pelas quais o gozo adv\u00e9m. O que constitui o eixo em torno do qual gira a constitui\u00e7\u00e3o do sintoma hist\u00e9rico \u00e9 o amor ao pai. Trata-se do que faz com que o corpo hist\u00e9rico esteja sempre prestes a se desfazer, o que faz dele\u00a0<i>a ferramenta[3]<\/i>, segundo a express\u00e3o de Lacan. \u00c9 precisamente isso que est\u00e1 em quest\u00e3o em nossa \u00e9poca. Por isso, precisamos conceber o sintoma n\u00e3o com base na cren\u00e7a no Nome-do-Pai, mas baseado na efetividade da pr\u00e1tica psicanal\u00edtica. Essa pr\u00e1tica obt\u00e9m, atrav\u00e9s do seu manejo da verdade, alguma coisa que toca o real&#8230; A partir do simb\u00f3lico, alguma coisa ressoa no corpo, e faz com que o sintoma responda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se colocar\u00e1 para n\u00f3s como quest\u00e3o \u00e9 como \u00abfalam os corpos\u00bb para al\u00e9m do sintoma hist\u00e9rico, que sup\u00f5e no horizonte o amor ao pai.<\/p>\n<p class=\"Titulo2\" style=\"text-align: justify;\">O inconsciente e o sintoma hist\u00e9rico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No inconsciente, trata-se de algo diverso de inconsci\u00eancia. O inconsciente freudiano n\u00e3o \u00e9 o inconsciente autom\u00e1tico, n\u00e3o \u00e9 o inconsciente da inconsci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 proveniente dos automatismos inscritos sem que se tenha deles uma consci\u00eancia no sentido cognitivo. De que se trata no inconsciente? Deste, temos uma ideia mais clara pelo que Lacan chama de \u00abo grande quadro cl\u00ednico da amn\u00e9sia da identidade\u00bb \u2013 no qual o sujeito n\u00e3o sabe quem \u00e9, n\u00e3o pode absolutamente responder sobre nada concernente \u00e0 sua identidade, suas lembran\u00e7as, sua fam\u00edlia, de onde ele vem&#8230; mas, em compensa\u00e7\u00e3o, pode muito bem aceder aos saberes que adquiriu: l\u00ednguas estrangeiras, o manejo de m\u00e1quinas complicadas\u2026 E esse contraste entre o sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o e tudo o que \u00e9 da ordem do enunciado \u2013 os enunciados poss\u00edveis \u2013 coloca um problema maior. Lacan prop\u00f5e, nesse contexto, que o inconsciente freudiano \u00e9 uma certa rela\u00e7\u00e3o entre falas e escrita, da qual se d\u00e1 conta a partir da nova escrita que prop\u00f5e ent\u00e3o, aquela dos n\u00f3s. Ele o diz explicitamente na primeira aula do Semin\u00e1rio posterior ao 23, o Semin\u00e1rio 24: \u00abTento introduzir alguma coisa que vai mais longe que o inconsciente\u00bb[4]. N\u00e3o se trata do Lacan do retorno a Freud, mas do Lacan do adeus a Freud. J\u00e1 era tempo, Lacan havia esperado muito tempo, ele pr\u00f3prio estava muito pressionado pelo tempo: disse isso em 1977, quando tinha mais quatro anos de vida. Prop\u00f5e alguma coisa que vai \u00abmais longe que o inconsciente\u00bb. \u00c9, de in\u00edcio, uma met\u00e1fora espacial, e ela imediatamente se completa com uma quest\u00e3o sobre o tempo: \u00abPor que obrigar-se, na an\u00e1lise dos sonhos, a se restringir ao que ocorreu na v\u00e9spera?\u00bb. Para explicar o sonho, \u00e9 necess\u00e1rio sem d\u00favida apelar para as coisas que remontam ao \u00abpr\u00f3prio tecido do inconsciente\u00bb. Situar o inconsciente como tecido \u00e9 tamb\u00e9m introduzir o que faz furo, ou seja, precisamente, a quest\u00e3o do trauma. Naqueles anos, Lacan enuncia uma s\u00e9rie de proposi\u00e7\u00f5es novas em psican\u00e1lise, dentre as quais a reformula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da histeria \u00e9 crucial. Ap\u00f3s o Semin\u00e1rio sobre Joyce, Lacan prop\u00f5e uma s\u00e9rie de releitura dos\u00a0<i>Estudos sobre a histeria,<\/i>\u00a0mas pelo avesso. Pode-se seguir esse percurso por um ano, um ano de pontua\u00e7\u00f5es entre o dia 9 de mar\u00e7o de 1976 e o dia 26 de fevereiro de 1977 (data, justamente, de uma confer\u00eancia, em Bruxelas, sobre a histeria). Vamos come\u00e7ar este ano, com Lacan, pela decifra\u00e7\u00e3o do que ele nos prop\u00f5e sobre a histeria no Semin\u00e1rio 23. Pelo que sei, no Semin\u00e1rio 23, h\u00e1 apenas uma refer\u00eancia direta \u00e0 histeria, e \u00e9 a prop\u00f3sito de uma evoca\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel, de uma m\u00e3ozinha dada a uma de suas amigas, H\u00e9l\u00e8ne Cixous. Voc\u00eas a encontram na terceira parte do\u00a0<i>Semin\u00e1rio 23<\/i>, cujo t\u00edtulo \u00e9 surpreendente: \u00abA Inven\u00e7\u00e3o do Real\u00bb[5], e no cap\u00edtulo 7 que tem tamb\u00e9m um t\u00edtulo provocante: \u00abDe uma fal\u00e1cia que testemunha do real[6]\u00bb. \u00abFal\u00e1cia\u00bb \u00e9 uma palavra antiga como \u00absinthoma\u00bb, pouca utilizada na l\u00edngua moderna. O que permaneceu na l\u00edngua contempor\u00e2nea \u00e9 o adjetivo \u00abfalacioso\u00bb. Este termo feminino antigo,\u00a0<i>fal\u00e1cia<\/i>, corresponde ao novo lugar que Lacan d\u00e1 ao falo: o falo \u00e9 um semblante e o que d\u00e1 testemunho do real. \u00c9 muito diferente da maneira como o falo \u00e9 representado nos\u00a0<i>Escritos<\/i>. No texto que exp\u00f5e a posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica,\u00a0<i>Die Bedeutung des Phallus\u00a0<\/i>(\u00abA significa\u00e7\u00e3o do falo\u00bb), o falo estava ali para testemunhar da significa\u00e7\u00e3o, e mesmo para demonstrar todos os efeitos de significa\u00e7\u00e3o. Agora, ele \u00e9 reencontrado como uma fal\u00e1cia que d\u00e1 testemunho do real. Essa nova posi\u00e7\u00e3o do falo, fora da met\u00e1fora paterna, permite a Lacan retomar a quest\u00e3o da histeria. A pe\u00e7a \u00abRetrato de Dora\u00bb[7], escrita por H\u00e9l\u00e8ne Cixous, que estava sendo encenada num pequeno teatro, permite a Lacan dizer: \u00abalgumas pessoas podem se interessar em ver como a pe\u00e7a \u00e9 realizada\u00bb, \u00ab\u00e9 realizada de um modo real\u00bb. A quest\u00e3o de ser \u00abrealizada de um modo real\u00bb \u00e9 estranha e Lacan a explica: \u00abquero dizer que a realidade, por exemplo a dos ensaios, no final das contas, foi o que dominou os atores\u00bb. Portanto, foi realizada de tal maneira que n\u00e3o \u00e9 o texto que dominou os atores, mas a pragm\u00e1tica mesma do dizer. Isso ajuda a se desfazer da ideia de que o significante organiza um texto organizando os atores. Agora, s\u00e3o antes os atores que realizam o texto. Nesse espet\u00e1culo, \u00abtrata-se da histeria\u00bb, sublinha Lacan. Ele nota que, entre os atores, a que interpreta Dora est\u00e1 bem embara\u00e7ada. Ela \u00abn\u00e3o mostra suas manias de hist\u00e9rica\u00bb. O termo \u00abmanias\u00bb deve ser destacado. O ator que representa Freud est\u00e1 ainda mais embara\u00e7ado, \u00abele d\u00e1 a impress\u00e3o de estar chateado, e isso se v\u00ea por sua entona\u00e7\u00e3o\u00bb. Lacan diz: \u00abTemos ali a histeria&#8230; que eu poderia dizer\u00a0<i>incompleta<\/i>. Quero dizer que, com a histeria, \u00e9 sempre dois, pelo menos desde Freud. Ela aparece ali reduzida a um estado que eu poderia chamar de material\u00bb. Essa estranha qualifica\u00e7\u00e3o \u00abestado material da histeria\u00bb \u00e9 explicitada assim: \u00abE \u00e9 por isso que acaba combinando com o que vou lhes explicar. Falta ali esse elemento que foi acrescentado h\u00e1 algum tempo \u2013 no final das contas, desde antes de Freud \u2013, a saber, como \u00e9 que ela deve ser compreendida\u00bb. Com a compreens\u00e3o, reencontramos nossas balizas cl\u00e1ssicas sobre a histeria. O sintoma hist\u00e9rico \u00e9 por excel\u00eancia um sintoma que fala, que \u00e9 endere\u00e7ado. Ele \u00e9 portador de um sentido. O material, no fundo, \u00e9 o sintoma como tal, separado do sentido. E Lacan acha que o interessante na Dora de Cixous \u00e9 que ela apresenta a histeria sem o sentido. O que faz com que n\u00e3o se a compreenda mais. \u00c9 isso que ele considera importante. Lacan o diz de um modo muito surpreendente: \u00abIsso constitui alguma coisa muito impressionante e muito instrutiva: \u00e9 uma esp\u00e9cie de histeria r\u00edgida\u00bb. A histeria de Cixous apresenta Dora sem nenhuma aparelhagem de sentido, uma histeria sem seu parceiro. Quando Lacan diz \u00abA histeria, desde antes de Freud, \u00e9 sempre dois\u00bb, ele designa desse modo que a hist\u00e9rica \u00e9 acompanhada de seu interpretante, e isso come\u00e7a com Josef Breuer, e mesmo antes, com as terapias de hipnose. Em\u00a0<i>A Hist\u00f3ria do inconsciente<\/i>, de Ellenberger[8], pode-se ver o cat\u00e1logo de tudo o que, no final dos anos 1870, havia come\u00e7ado a animar o interpretante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender o que Lacan quer dizer quando ele diz \u00abhisteria r\u00edgida\u00bb, \u00e9 preciso nos reportarmos ao Semin\u00e1rio. Ele apresenta ali uma cadeia borromeana \u00abr\u00edgida\u00bb[9]. Com exce\u00e7\u00e3o do fato de que \u00e9 representada por elos retangulares no lugar de redondos, por que ela \u00e9 chamada de r\u00edgida? Nada \u00e9 \u00abr\u00edgido\u00bb, a n\u00e3o ser pelo fato de se manter sozinho, unido, ou seja, de ser um modo do sujeito em que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de uma rodinha suplementar, o Nome-do-Pai, e esta \u00e9 toda a quest\u00e3o. A histeria apresentada por Cixous \u00e9 uma histeria sem este interpretante que \u00e9 o Nome-do-Pai, \u00e9 uma histeria que se mant\u00e9m inteiramente sozinha. Lacan n\u00e3o representa esse estatuto \u00abr\u00edgido\u00bb da cadeia apenas sob a forma retangular, mas tamb\u00e9m na forma da chamada esfera armilar. Como reescrita dos\u00a0<i>Estudos sobre a histeria<\/i>\u00a0baseada em Joyce, \u00e9 o m\u00ednimo, mas essencial. Passa-se do sistema falante ao sintoma como escrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim do Semin\u00e1rio, na \u00abNota passo a passo\u00bb redigida por Jacques-Alain Miller, encontramos o seguinte: \u00abSe o n\u00f3 como suporte do sujeito segura, n\u00e3o h\u00e1 necessidade alguma do Nome-do-Pai: ele \u00e9 redundante. Se o n\u00f3 n\u00e3o segura, o Nome exerce a fun\u00e7\u00e3o de sinthoma. Na psican\u00e1lise, ele \u00e9 o instrumento para resolver o gozo pelo sentido[10]\u00bb. Era o que Lacan havia de in\u00edcio escrito com a met\u00e1fora paterna. O Nome-do-Pai permitia dar valor f\u00e1lico ao Desejo da M\u00e3e. O instrumento, o Nome, permitia dar a tudo o que se diz um valor f\u00e1lico. Essa met\u00e1fora ser\u00e1 generalizada por Lacan, com o gozo (J), que \u00e9 o que vem se inscrever sob a barra, na linguagem, no lugar do Outro (A), para ser metaforizado \u2013 A\/J. O Nome \u00e9 o instrumento para resolver o gozo pelo sentido, da mesma maneira que, na met\u00e1fora paterna, o Nome resolve o significado do desejo materno dando-lhe a significa\u00e7\u00e3o do falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso que \u00e9 reformulado nas escritas da chamada cadeia r\u00edgida, aquela que se mant\u00e9m inteiramente sozinha. Trata-se de uma cadeia tal que nela h\u00e1 uma apreens\u00e3o do gozo e do sentido sem necessidade de passar pelo Nome-do-Pai, pelo amor ao pai, pela identifica\u00e7\u00e3o ao pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira li\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre<\/i>, o Semin\u00e1rio posterior ao 23, Lacan prossegue sua busca por um \u00abpara al\u00e9m do inconsciente\u00bb[11]. Ele ousa traduzir\u00a0<i>l\u2019Unbewusste<\/i>\u00a0freudiano, o inconsciente, por\u00a0<i>l\u2019Une-b\u00e9vue<\/i>\u00a0(\u00abUm-deslize\u00bb) que, em franc\u00eas, \u00e9 uma homofonia do termo alem\u00e3o, e n\u00e3o uma tradu\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 extremamente fundamentado, pois o t\u00edtulo,\u00a0<i>L\u2019insu que sait<\/i>, \u00e9 um jogo de palavras formid\u00e1vel sobre o inconsciente como insabido (<i>insu<\/i>), um insabido que se sabe, que se sabe em alguma parte. Dentre as novas express\u00f5es da l\u00edngua francesa, tornou-se famosa esta express\u00e3o usada por um ciclista surpreendido na pr\u00e1tica de\u00a0<i>doping<\/i>: \u00abao insabido da minha plena vontade\u00bb (<i>\u00e0 l\u2019insu de mon plein gr\u00e9<\/i>). Ela \u00e9 muito instrutiva quanto \u00e0 quest\u00e3o do saber. Que saber \u00e9 esse que se sabe?\u00a0<i>L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre\u00a0<\/i>se inquieta com isso.<\/p>\n<p class=\"Titulo2\" style=\"text-align: justify;\">Sintoma e identifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira li\u00e7\u00e3o desse Semin\u00e1rio, Lacan levanta quest\u00f5es que se encadeiam diretamente ao cap\u00edtulo 7 do Semin\u00e1rio 23. Ele diz o seguinte na transcri\u00e7\u00e3o publicada em\u00a0<i>Ornicar?<\/i>: \u00abA identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o que se cristaliza em uma identidade\u00bb\u2026 \u00abembora tenha me dado conta de ter esquecido meu semin\u00e1rio sobre a\u00a0<i>Identifizierung\u00a0<\/i>de Freud, lembro-me muito bem de que, para Freud, h\u00e1 tr\u00eas modos de identifica\u00e7\u00e3o, ou seja, uma identifica\u00e7\u00e3o para a qual ele reserva, n\u00e3o se sabe bem por que, a qualifica\u00e7\u00e3o de amor, \u00e9 identifica\u00e7\u00e3o ao pai\u00bb. Ap\u00f3s ter-lhe dado sua vers\u00e3o l\u00f3gica com a met\u00e1fora paterna, Lacan diz agora que n\u00e3o se sabe bem por que essa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 assim. Quanto ao que Freud chama o pai, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fantasias,\u00a0<i>Totem e tabu<\/i>, as hist\u00f3rias darwinianas, a pr\u00e9-hist\u00f3ria de tudo o se queira, e a cren\u00e7a fundamental de Freud no pai. Lacan apresenta o seguinte: \u00abuma identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 qual ele [Freud] reserva, n\u00e3o se sabe bem por que, a qualifica\u00e7\u00e3o de amor, \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o ao pai; uma identifica\u00e7\u00e3o constitu\u00edda de participa\u00e7\u00e3o que ele pin\u00e7a como a identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica; e depois aquela que ele fabrica a partir de um tra\u00e7o que traduzi outrora como tra\u00e7o un\u00e1rio\u00bb. A identifica\u00e7\u00e3o participativa implica um parceiro, tem a ver com o dois. Ele o diz: a histeria tem a ver com o dois. Este dois n\u00e3o \u00e9 apenas a liga\u00e7\u00e3o da hist\u00e9rica com seu interpretante, mas designa tamb\u00e9m o fato de que a hist\u00e9rica extrai um sintoma do outro do qual est\u00e1 enamorada. O exemplo dado por Freud no cap\u00edtulo 7 de\u00a0<i>Massenpsychologie<\/i>\u00a0\u00e9 aquele de Dora que est\u00e1 af\u00f4nica por identificar-se ao que ela pensa ser o gozo do pai consagrado ao\u00a0<i>cunnilingus<\/i>\u00a0na Sra. K. A afonia coloca em jogo sua pr\u00f3pria boca nessa participa\u00e7\u00e3o no gozo do pai. O pai \u00e9 objeto de amor, mas esse amor implica uma participa\u00e7\u00e3o no gozo. Finalmente, a \u00faltima identifica\u00e7\u00e3o, a que era, antes de Lacan, totalmente negligenciada pela psican\u00e1lise e considerada como a mais banal. Seu exemplo \u00e9: em um pensionato de mo\u00e7as, uma delas recebe uma carta de seu namorado que a entristece. Todo o mundo chora no dormit\u00f3rio \u00e0 noite, as jovens entram em rebuli\u00e7o, \u00e9 a epidemia hist\u00e9rica. Elas n\u00e3o conhecem o namorado, ali\u00e1s n\u00e3o sabem mesmo quem ele \u00e9, mas o sofrimento da amiga produz um rebuli\u00e7o em todo o dormit\u00f3rio. Dessa \u00faltima identifica\u00e7\u00e3o, fundamento da epidemia hist\u00e9rica, Lacan faz uma chave. Quanto \u00e0 segunda identifica\u00e7\u00e3o, Freud diz que ela \u00e9 constru\u00edda \u00absobre um \u00fanico tra\u00e7o desse pai\u00bb, e Lacan faz disso a intui\u00e7\u00e3o freudiana fundamental da redu\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o ao tra\u00e7o, ao qual ele d\u00e1 o valor fundamental de tra\u00e7o de escrita. O tra\u00e7o que aparece em seu Semin\u00e1rio 9 \u00e9 revestido de um peso totalmente especial. Ele retoma, a partir da segunda identifica\u00e7\u00e3o, a primeira e, depois, a terceira. Al\u00e9m disso, \u00e9 a partir da terceira identifica\u00e7\u00e3o que ele se p\u00f5e a interrogar a segunda, dizendo que a participa\u00e7\u00e3o no gozo ao qual Dora se identifica \u00e9 um tra\u00e7o. Questionar\u00e1 ent\u00e3o a primeira identifica\u00e7\u00e3o ao pai para remet\u00ea-la a um tra\u00e7o do pai, e n\u00e3o mais ao pai da horda e a toda a barafunda darwin-lamarckiana que, em certo momento, fascinava Freud. A quest\u00e3o que Lacan quer retomar para esclarecer a quest\u00e3o da histeria \u00e9 a da identifica\u00e7\u00e3o. Ele a retoma n\u00e3o a partir de um mito, mas a partir da experi\u00eancia da psican\u00e1lise. Ele levanta a quest\u00e3o: \u00abA que identificar-se no final da an\u00e1lise? Ser\u00e1 identificar-se a seu inconsciente? N\u00e3o acredito nisso\u00bb[12]. Diz que o inconsciente permanece o Outro. E diz: \u00abN\u00e3o creio que se possa dar um sentido ao inconsciente\u00bb. Percebe-se que \u00abidentifica\u00e7\u00e3o\u00bb e \u00abdar sentido a\u00bb se aproximam. O fim da an\u00e1lise produz uma impossibilidade de se identificar a seu inconsciente. Nesse sentido, a identifica\u00e7\u00e3o ao sintoma \u00e9 o avesso da identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica. A identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica \u00e9 identificar-se ao sintoma do outro, por participa\u00e7\u00e3o. A essa identifica\u00e7\u00e3o, Lacan op\u00f5e a identifica\u00e7\u00e3o concebida a partir dos fen\u00f4menos do passe e do final da an\u00e1lise.<\/p>\n<p class=\"Titulo2\" style=\"text-align: justify;\">O real do sintoma anal\u00edtico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a partir do \u00abidentificar-se a seu sintoma\u00bb que Lacan vai interrogar a tens\u00e3o entre o sintoma hist\u00e9rico e o sintoma anal\u00edtico. Ele complica a oposi\u00e7\u00e3o entre identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica e identifica\u00e7\u00e3o a \u00abseu sintoma\u00bb, pois diz: \u00abpropus que o sintoma pode ser o parceiro sexual\u00bb. Trata-se do segundo tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica. N\u00e3o se trata de uma participa\u00e7\u00e3o no sintoma do outro, \u00e9 o seu, mas o seu pode ser o outro. Seu sintoma, o que h\u00e1 mais de \u00absi\u00bb, \u00e9 efetivamente o parceiro sexual. Levanta ent\u00e3o esta quest\u00e3o: o que \u00e9 conhecer seu sintoma? E qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre conhecer e saber. Dizer \u00abO parceiro sexual \u00e9 um sintoma\u00bb quer dizer tamb\u00e9m que o parceiro sexual \u00e9 aquele que n\u00e3o se conhece, que n\u00e3o h\u00e1 nenhum conhecimento poss\u00edvel do parceiro sexual. \u00c9 preciso certamente se lembrar bem da oposi\u00e7\u00e3o conhecer\/saber, e n\u00e3o se esquecer de que o sintoma est\u00e1 do lado do saber, o que implica justamente n\u00e3o conhecer. \u00abPropus que o sintoma pode ser o parceiro sexual&#8230; o sintoma tomado nesse sentido \u00e9 o que&#8230; se conhece melhor. Esse conhecimento n\u00e3o vai muito longe, deve ser tomado no sentido que foi proposto de que bastaria um homem dormir com uma mulher para que ele a conhe\u00e7a[13]\u00bb. Trata-se da imagem b\u00edblica: na b\u00edblia, conhecer uma mulher significa ter uma rela\u00e7\u00e3o sexual com ela. \u00abComo, apesar de eu me esfor\u00e7ar para isso, \u00e9 fato que n\u00e3o sou mulher, n\u00e3o sei o que uma mulher conhece de um homem, \u00e9 mesmo bem poss\u00edvel que isso v\u00e1 muito longe, mas n\u00e3o pode, contudo, chegar sequer \u00e0 perspectiva de que a mulher criou o homem\u00bb. Temos, a\u00ed, desenvolvimentos complexos de um avesso da met\u00e1fora da cria\u00e7\u00e3o divina. \u00abE mesmo quando se trata de seus filhos, os filhos para uma mulher permanecem como parasitas. Trata-se ali de um parasita, de um parasitismo. No \u00fatero da mulher, a crian\u00e7a \u00e9 parasita, e tudo o indica, inclusive o fato de que as coisas podem ir muito mal entre o parasita e o ventre\u00bb. Essa nota\u00e7\u00e3o \u00e9 muito \u00fatil para os psiquiatras de crian\u00e7as e para os psiquiatras em geral quanto ao fato de que toda gravidez tem um pequeno lado de denega\u00e7\u00e3o da gravidez. N\u00e3o h\u00e1 conhecimento da gravidez. H\u00e1 sempre um ponto em que uma mulher n\u00e3o sabe que est\u00e1 gr\u00e1vida. N\u00e3o h\u00e1 apenas os casos graves que provocaram alarde na cr\u00f4nica judici\u00e1ria quanto a uma denega\u00e7\u00e3o radical da gravidez. Existem detalhes muito precisos, muito delicados, que apenas aparecem em uma an\u00e1lise, mas, se os levarmos em conta, poder-se-ia dizer que em todos os casos h\u00e1 alguma coisa que n\u00e3o se pode saber, no sentido de uma transpar\u00eancia do conhecimento a ele pr\u00f3prio. O saber pode ser insabido, n\u00e3o o conhecimento. \u00c9 o que Lacan diz nesse texto. Desde ent\u00e3o, o que quer dizer conhecer? \u00abConhecer seu sintoma quer dizer\u00a0<i>savoir faire<\/i>\u00a0com ele, saber se virar com ele, manej\u00e1-lo\u00bb[14]. \u00c9 o que se faz com o parceiro sexual; consegue-se, pouco a pouco, se virar com ele, manipul\u00e1-lo. \u00abO que o homem sabe fazer com sua imagem corresponde de alguma forma a isso, e permite imaginar a maneira de como se virar com o sintoma\u00bb[15].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan enuncia portanto que n\u00e3o se trata, assim, de saber como isso se d\u00e1 em uma escrita simb\u00f3lica. A gente se vira com o parceiro sexual como se vira com a pr\u00f3pria imagem. H\u00e1 sempre um narcisismo na escolha do parceiro sexual, n\u00e3o no n\u00edvel da imagem, mas no n\u00edvel da manipula\u00e7\u00e3o que se pode fazer dele. O papel do imagin\u00e1rio como tal toma um valor efetivamente importante. N\u00e3o estamos mais na \u00e9poca do imagin\u00e1rio depreciado em rela\u00e7\u00e3o ao simb\u00f3lico, \u00e9 o imagin\u00e1rio na medida em que ele nos d\u00e1 as coordenadas fundamentais para viver nesse mundo. A gente se virar com a imagem \u00e9 o que permite pouco a pouco se virar com o parceiro sexual. Imagin\u00e1rio e real s\u00e3o, aqui, colocados em continuidade. \u00c9 como na ci\u00eancia que, tamb\u00e9m, tem necessidade da dimens\u00e3o do imagin\u00e1rio. A prova disso, nos diz Lacan, \u00e9 seu desvio pela teoria dos modelos: \u00abLord Kelvin por exemplo considerava que a ci\u00eancia era alguma coisa na qual funcionava um modelo que permitia prever quais seriam os resultados do funcionamento do real\u2019\u2019. Na ci\u00eancia, recorre-se ent\u00e3o ao imagin\u00e1rio para se ter uma ideia do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan avan\u00e7a em seu racioc\u00ednio dando ao imagin\u00e1rio uma consist\u00eancia equivalente ao simb\u00f3lico. Ele se coloca ent\u00e3o a quest\u00e3o sobre o que seria a consist\u00eancia do real. \u00abEu me dei conta de que consistir queria dizer que era necess\u00e1rio falar de corpo: h\u00e1 um corpo imagin\u00e1rio, um corpo simb\u00f3lico \u2013 \u00e9 a linguagem \u2013 e um corpo real, do qual n\u00e3o se sabe como ele aparece[16]\u00bb. O corpo simb\u00f3lico \u00e9 a linguagem, o conjunto dos equ\u00edvocos da l\u00edngua. O imagin\u00e1rio \u00e9 o que permite nos virarmos, o modelo. Mas o que pode ser o corpo real? Para Lord Kelvin \u00e9 isso que a ci\u00eancia se recusa a admitir; tem-se um modelo, mas n\u00e3o se sabe o que \u00e9 o corpo real. A esse respeito, n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3teses.<\/p>\n<p class=\"Titulo2\" style=\"text-align: justify;\">O mesmo e o corpo real<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado na psican\u00e1lise, Lacan quer definir o corpo real. Introduz seu desenvolvimento a partir do mesmo: \u00abcomo designar de modo an\u00e1logo as tr\u00eas identifica\u00e7\u00f5es distinguidas por Freud, a identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica, a identifica\u00e7\u00e3o amorosa chamada de identifica\u00e7\u00e3o ao pai e a identifica\u00e7\u00e3o que nomearei neutra, aquela que n\u00e3o \u00e9 nem uma nem outra, a identifica\u00e7\u00e3o um tra\u00e7o que chamei de qualquer um, a um tra\u00e7o que seja apenas o mesmo\u00bb[17]. No que concerne ao real, o importante \u00e9 que o mesmo seja o mesmo materialmente, \u2018\u2018a no\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria \u00e9 fundamental, j\u00e1 que ela funda o mesmo\u00bb[18]. Entende-se porque ele estava muito contente de dizer que H\u00e9l\u00e8ne Cixous apresentava uma histeria \u2018\u2018material\u2019\u2019. Ela apresentava alguma coisa na vertente de um mesmo que se refere ao fora-do-sentido, que n\u00e3o tem necessidade do sentido, lhe \u00e9 disjunto. Em compensa\u00e7\u00e3o, diz ele, o significante faz s\u00e9rie, est\u00e1 sempre na oposi\u00e7\u00e3o entre o mesmo e um outro, o S1 e o S2. Do lado do assinalamento (<i>signalement<\/i>), h\u00e1 uma s\u00e9rie de outros, unidades dentre as quais sempre \u00e9 poss\u00edvel um deslize (<i>b\u00e9vue<\/i>). O real, em compensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o material do mesmo na medida em que \u00e9 o gozo que se repete. No n\u00edvel do simb\u00f3lico, h\u00e1 os \u00abum\u00bb que fazem s\u00e9rie, e na qual \u00e9 poss\u00edvel se enganar. Dizer que h\u00e1 \u00abdeslizes\u00bb \u00e9 igualmente dizer que h\u00e1 equ\u00edvocos. O inconsciente de Lacan \u00e9 feito de \u00abum-deslize\u00bb (<i>une-b\u00e9vue<\/i>) que s\u00e3o significantes-um que sempre geram equ\u00edvocos. Em\u00a0<i>Die Bedeutung des Phallus,<\/i>\u00a0Lacan situava o equ\u00edvoco a partir da diferen\u00e7a entre sentido e refer\u00eancia segundo Frege. Voc\u00eas podem dizer que V\u00eanus \u00e9 a \u00abestrela da manh\u00e3\u00bb ou a \u00abestrela v\u00e9sper\u00bb, trata-se da mesma V\u00eanus. Essas duas descri\u00e7\u00f5es, essas duas significa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o ambas signo de V\u00eanus. V\u00eanus \u00e9 o planeta que est\u00e1 ali quando, na l\u00edngua, pode-se dizer \u00aba estrela da manh\u00e3\u00bb ou \u00aba estrela v\u00e9sper\u00bb. No Semin\u00e1rio 23, \u00aba fal\u00e1cia testemunha do real\u00bb est\u00e1 bem mais do lado do signo. O falo n\u00e3o se situa mais nos efeitos de deslizamento (<i>glissement<\/i>)da significa\u00e7\u00e3o. Tal deslizamento (<i>glissement<\/i>)vem marcar um modo de gozo que permanece sempre o mesmo e que pode ser nomeado na l\u00edngua atrav\u00e9s dos \u00abum\u00bb significantes pelos quais a gente sempre pode se enganar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consequ\u00eancia disso \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o do corpo do falasser, do vivo, sem passar pela identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica que mistura sintoma e sentido. O corpo do sujeito hist\u00e9rico \u00e9 retalhado pelo significante, j\u00e1 que os sintomas hist\u00e9ricos se apresentam sob o modo da perda. O corpo retalhado \u00e9 aquele que perde seu bra\u00e7o pela paralisia hist\u00e9rica, o corpo que perde sua perna, que perde sua voz. A esse corpo retalhado se op\u00f5e o corpo t\u00f3rico furado. O corpo como agenciamento do real, do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio se apresenta em torno de um ou dois furos, e se mant\u00e9m sozinho. O corpo t\u00f3rico \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o do corpo do vivo para al\u00e9m do corpo hist\u00e9rico. Nessa perspectiva, pode-se distinguir o sintoma como acontecimento de corpo e o sintoma hist\u00e9rico. Lacan o diz da seguinte maneira: \u00abA diferen\u00e7a entre a hist\u00e9rica e eu \u00e9 que a hist\u00e9rica \u00e9 sustentada em sua forma de bast\u00e3o (<i>trique<\/i>) por uma armadura distinta de seu consciente, que \u00e9 seu amor por seu pai[19]\u00bb. Para se manter unido o sujeito hist\u00e9rico, \u00e9 preciso acrescentar um Nome-do-Pai. Isso n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio na vers\u00e3o da hist\u00e9rica chamada r\u00edgida,\u00a0<i>\u00e0 la<\/i>\u00a0Cixous. \u00abFreud tinha apenas algumas poucas ideias do que era o inconsciente, mas parece que se pode deduzir que pensava que se tratava de efeitos de significante. N\u00e3o lhe era f\u00e1cil isso, ele n\u00e3o sabia lidar (<i>il ne sait pas faire<\/i>) com o saber. \u00c9 sua debilidade mental, da qual n\u00e3o sou uma exce\u00e7\u00e3o, porque tenho a ver com o mesmo material que todo o mundo, com esse material que nos habita\u00bb[20]. Nesse contexto, \u00abmaterial\u00bb \u00e9 ainda apreendido do real do gozo. Lacan prop\u00f5e assim um inconsciente que n\u00e3o \u00e9 mais constitu\u00eddo de efeitos dos significantes. Prop\u00f5e outra vers\u00e3o de um inconsciente que n\u00e3o \u00e9 constitu\u00eddo pelos efeitos do significante em um corpo imagin\u00e1rio, mas, sim, um inconsciente constitu\u00eddo desse n\u00f3 entre o imagin\u00e1rio, o simb\u00f3lico e o real. Inclui a inst\u00e2ncia do real que \u00e9 a pura repeti\u00e7\u00e3o do mesmo, o que Jacques-Alain Miller, em seu \u00faltimo curso, isolou na dimens\u00e3o do Um-sozinho que se repete.<\/p>\n<p class=\"Titulo2\" style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas consist\u00eancias e o acontecimento de corpo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Lacan pode dizer, em \u00abJoyce, o Sintoma\u00bb: \u00abDeixemos o sintoma ao que ele \u00e9, um acontecimento de corpo ligado a que se o tem, se tem ares de [\u2026] Assim, indiv\u00edduos que Arist\u00f3teles toma como corpos podem n\u00e3o ser nada al\u00e9m de sintomas, eles pr\u00f3prios, em rela\u00e7\u00e3o a outros corpos. Uma mulher, por exemplo, \u00e9 um sintoma de um outro corpo\u00bb[21]. Essa frase define a posi\u00e7\u00e3o feminina como o anti-\u2018sintoma hist\u00e9rico\u2019. Tal defini\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o feminina permite diferenci\u00e1-la da histeria. Quando isso n\u00e3o acontece, \u00abela permanece sintoma como o chamado sintoma hist\u00e9rico, ou seja, paradoxalmente, s\u00f3 lhe interessa um outro sintoma\u00bb[22]. Este era de fato o caso de Dora que s\u00f3 se interessava por um outro sintoma, o do seu pai. Ela se identificava a seu pai, identificava-se \u00e0 impot\u00eancia de seu pai sendo af\u00f4nica. Lacan continua a precisar a oposi\u00e7\u00e3o: \u00abO sintoma hist\u00e9rico est\u00e1 antes da quest\u00e3o do sintoma como tal\u00bb, o sintoma vem se inscrever no corpo ainda que seja, nessa ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m exterior ao corpo. O sintoma est\u00e1 no corpo. Ele n\u00e3o \u00e9 endops\u00edquico, est\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Bruxelas, Lacan come\u00e7a assim: \u00abO que aconteceu com as hist\u00e9ricas de outrora, essas mulheres maravilhosas, as Anna O., as Emmy von N.? Elas desempenhavam n\u00e3o apenas determinado papel, mas um papel social determinado. O que substitui hoje esses sintomas hist\u00e9ricos de antigamente? A hist\u00e9rica n\u00e3o foi deslocada no campo social?\u00bb[23]: \u00abA maluquicepsicanal\u00edtica a n\u00e3o teria substitu\u00eddo?\u00bb. Ao colocar em primeiro plano o simb\u00f3lico, a psican\u00e1lise n\u00e3o s\u00f3 desmontou os artif\u00edcios do sintoma hist\u00e9rico, como tamb\u00e9m ocupa seu la\u00e7o. E ele nota o seguinte: \u00abO inconsciente se origina do fato de que a hist\u00e9rica n\u00e3o sabe o que diz ao dizer verdadeiramente alguma coisa pelas palavras que lhe faltam. O inconsciente \u00e9 um sedimento de linguagem\u00bb. Lacan prop\u00f5e ent\u00e3o um horizonte da psican\u00e1lise que n\u00e3o \u00e9 hist\u00e9rico \u2013 \u00e9 o real como \u00abideia limite\u00bb, a ideia do que n\u00e3o tem sentido. \u00c9 isso que fez com que Jacques-Alain Miller pudesse qualificar o real como um sonho de Lacan, alguma coisa como uma ideia limite, mas uma ideia limite necess\u00e1ria para contrabalan\u00e7ar uma tend\u00eancia da psican\u00e1lise que \u00e9 sua tend\u00eancia delirante \u2013 \u00aba tend\u00eancia de uma prefer\u00eancia dada acima de tudo ao inconsciente\u00bb[24]. Por isso, nessa \u00e9poca, Lacan toca em alguma coisa de um real que, para ele, n\u00e3o \u00e9 o real cient\u00edfico, mas o real da subst\u00e2ncia gozante e considera ainda mais urgente proteger a psican\u00e1lise de sua tend\u00eancia delirante que ele chama de \u00abpreferir o inconsciente acima de tudo\u00bb. Nesse Semin\u00e1rio, ele d\u00e1 um exemplo disso:\u00a0<i>Le Verbier de l\u2019Homme aux loups<\/i>, texto publicado por Nicolas Abraham e Maria Torok, psicanalistas franceses ou, se quiserem, neo-ferenczianos, que se propuseram a delirar com o homem dos lobos indo atr\u00e1s de todos os ecos dos significantes que o atravessam, pelas homofonias e pelos equ\u00edvocos em todas as l\u00ednguas por ele conhecidas: o russo, o alem\u00e3o, o dialeto vienense, etc\u2026. S\u00e3o todas essas resson\u00e2ncias que eles chamam de\u00a0<i>Verbier<\/i>\u00a0(\u00abVerb\u00e1rio\u00bb), termo que mescla\u00a0<i>verbiage<\/i>\u00a0(\u00abverborreia\u00bb) e\u00a0<i>herbier\u00a0<\/i>(\u00abherb\u00e1rio\u00bb). \u00c9 esse objeto que Lacan considera propriamente delirante. Ele diz: \u00abN\u00e3o considero, apesar de ter engajado as coisas nessa via, que este livro, nem seu pref\u00e1cio, sejam de muito bom-tom. No g\u00eanero del\u00edrio \u00e9 um extremo, e me assustei ao sentir-me mais ou menos respons\u00e1vel por ter aberto as comportas\u00bb[25]. Diante da abertura das comportas do significante, Lacan considera que a \u00fanica coisa que poderia impedir a psican\u00e1lise de delirar era ter, sen\u00e3o uma ci\u00eancia nela, ao menos a ideia de um real. Ele constata que ela pode tocar um tipo de real. Ele delimita um fora-do-sentido que garante uma deten\u00e7\u00e3o da cadeia, que permite n\u00e3o se deixar aspirar pelo inconsciente. O \u2018\u2018material\u2019\u2019 n\u00e3o \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o, nem uma representa\u00e7\u00f5es de palavras, mas palavras em sua materialidade. S\u00e3o palavras em seus equ\u00edvocos fundamentais, o equ\u00edvoco dos Um-deslize (<i>Une-b\u00e9vue<\/i>) e que s\u00e3o somente uma aproxima\u00e7\u00e3o do real. Acompanhando Lacan, ter\u00edamos uma chance de impedir a psican\u00e1lise de delirar, com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o preferir uma das tr\u00eas consist\u00eancias em detrimento das outras. Trata-se de manter as tr\u00eas juntas, de n\u00e3o preferir uma em detrimento das outras, de n\u00e3o fazer de uma um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O VI ENAPOL ser\u00e1 a ocasi\u00e3o para desenvolver as consequ\u00eancias do novo status do sintoma e da identifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de todo o campo\u00a0<i>psi<\/i>. Uma lista desses aspectos j\u00e1 foi dada por Leonardo Gorostiza: \u00abal\u00e9m da dimens\u00e3o da psican\u00e1lise pura, os temas mais presentes na Am\u00e9rica \u2013 a viol\u00eancia ou agressividade, o consumo generalizado de drogas, os chamados transtornos da alimenta\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as de sexo nos corpos e da procria\u00e7\u00e3o, e seus efeitos nas normas, a crise das normas familiares e dos c\u00f3digos civis para dar conta disso, a pol\u00eamica sobre a pertin\u00eancia de psican\u00e1lise no campo do autismo\u00bb. A comiss\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o, com Ricardo Seldes, j\u00e1 est\u00e1 trabalhando para destacar as respostas que damos a essas diferentes quest\u00f5es atrav\u00e9s dos trabalhos dos participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">27 de setembro de 2012<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Elisa Monteiro<br \/>\nRevis\u00e3o: S\u00e9rgio Laia<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">N.R.T.: ENAPOL \u00e9 a sigla para<i>\u00a0Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/i>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">N.R.T.: No original,\u00a0<i>loi d\u2019airain<\/i>\u00a0\u00e9 uma express\u00e3o utilizada por Lassale, contempor\u00e2neo de Marx, para se referir \u00e0 lei que, no capitalismo, reduz o sal\u00e1rio do oper\u00e1rio ao m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">N.R.T.: no original,\u00a0<i>le manche<\/i>, termo que, de modo mais frequente, designa o \u00abcabo\u00bb, ou seja, a parte onde se pega em um instrumento. Entretanto, Rabelais, que \u00e9 uma refer\u00eancia importante para o Lacan do Semin\u00e1rio 23, utiliza tal termo para se referir ao \u00abmembro viril\u00bb. Por isso, nossa op\u00e7\u00e3o de traduzi-lo por \u00abferramenta\u00bb.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.,\u00a0<i>Le seminaire: L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre\u00a0<\/i>(1976-77), aula de 16 de novembro de 1976, publicada em\u00a0<i>Ornicar?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma\u00a0<\/i>(1975-1976)<i>.\u00a0<\/i>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007, p. 101.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma\u00a0<\/i>(1975-1976)<i>, op.cit<\/i>., p. 102.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">No dia 26 de fevereiro de 1976, no Teatro d\u2019Orsay (Companhia Renaud-Barrault), aconteceu a primeira apresenta\u00e7\u00e3o mundial de Portrait de Dora, pe\u00e7a escrita por H\u00e9l\u00e8ne Cixous.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">ELLENBERGER, H.<i>\u00a0A la d\u00e9couverte de l&#8217;inconscient<\/i>, SIMEP, 1974 (reeditado com o t\u00edtulo\u00a0<i>Histoire de l&#8217;inconscient<\/i>, Fayard, 2001).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma\u00a0<\/i>(1975-1976), p. 103-105.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma\u00a0<\/i>(1975-1976), p. 238.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 6.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 6.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 6.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 6.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p.7.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 16 de novembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b012, p. 9.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 14 de dezembro de1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b013 , p. 10.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 14 de dezembro de 1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b013 , p. 13.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 11 de janeiro de 1977,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b014, p. 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.,\u00a0<i>Autres \u00c9crits<\/i>, Paris, Seuil, 2001, p. 569. N.R.T.: Na tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, foram feitas algumas altera\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela publicada em:\u00a0<i>Outros escritos<\/i>. Rio de Janeiro, Zahar Editor, 2003, p. 565.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.<i>\u00a0Outros escritos<\/i>&#8230;, p. 565.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J., \u00abPropos sur l\u2019hyst\u00e9rie\u00bb,\u00a0<i>Quarto<\/i>\u00a0n\u00b02, setembro de 1981, p. 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 14 de dezembro de1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b013 , p. 15.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>Le s\u00e9minaire 1976-77<\/i>&#8230;, aula do dia 14 de dezembro de1976,\u00a0<i>Ornicar ?<\/i>\u00a0n\u00b013 , p. 8.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>\u00c9ric Laurent<\/strong><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":67,"menu_order":14,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[15],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/71"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/71\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":385,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/71\/revisions\/385"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=71"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=71"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=71"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}