{"id":1071,"date":"2021-08-18T19:32:02","date_gmt":"2021-08-18T22:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1071"},"modified":"2021-08-18T19:32:02","modified_gmt":"2021-08-18T22:32:02","slug":"andres-molina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/andres-molina-2\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9s Molina"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>(urg\u00eancias do ser, urg\u00eancias de exist\u00eancia, urg\u00eancia do sinthoma, urg\u00eancia de insatisfa\u00e7\u00e3o)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhamos o tema das urg\u00eancias do\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>\u00a0a partir dos dois \u00faltimos cursos de J. A. Miller:\u00a0<i>Coisas de fineza em psican\u00e1lise<\/i>\u00a0e\u00a0<i>O ser e o Um<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, sugerimos as urg\u00eancias de exist\u00eancia e, depois, a urg\u00eancia de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As urg\u00eancias de ser se apresentam naqueles\u00a0<i>parl\u00eatre\u00a0<\/i>que est\u00e3o dentro da estrutura do discurso, aqueles nos quais o Nome-do-Pai opera e se desenvolvem as problem\u00e1ticas da falta, da falta-a-ser, do falo, da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, do sentido, do gozo f\u00e1lico, do desejo em rela\u00e7\u00e3o ao desejo do Outro, a dial\u00e9tica do desejo e do fantasma, do desejo e do objeto<i>\u00a0a.<\/i>\u00a0Muitas vezes, apresentam-se como ang\u00fastias, medos, obsess\u00f5es, depress\u00f5es, etc&#8230; A problem\u00e1tica do Ser, as quest\u00f5es do N\u00c3O Ser&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As urg\u00eancias de exist\u00eancia surgem nos que est\u00e3o fora do discurso, sem os mesmos recursos daqueles que est\u00e3o dentro dele. Aqui, a urg\u00eancia \u00e9 de exist\u00eancia, de existir, de sustentar a pr\u00f3pria exist\u00eancia e n\u00e3o da quest\u00e3o de ser para o Outro. Essas urg\u00eancias est\u00e3o relacionadas ao gozo do Um, ao gozo auto-er\u00f3tico, ao gozo que se inscreve e se fixa no corpo, de modo contingente e atrav\u00e9s de um significante qualquer, n\u00e3o predeterminado, n\u00e3o programado. Tais indiv\u00edduos, desprovidos da estrutura simb\u00f3lica do discurso, n\u00e3o puderam realizar a dimens\u00e3o do Ser como resposta a essa marca inicial de gozo, n\u00e3o puderam elaborar a fic\u00e7\u00e3o do fantasma para administrar os efeitos desse gozo Uno, \u00e9 dizer, uma Lei que permitiria, de algum modo, cernir esse gozo Uno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata do ser, referimo-nos ao mundo do sentido, do dialetiz\u00e1vel, daquilo que se pode elaborar, nomear, enfim, das fic\u00e7\u00f5es que cada sujeito cria a partir de seus significantes. A ang\u00fastia do corpo pode se revestir de semblantes e tais indiv\u00edduos se encontram assujeitados pelos significantes estruturados em uma ordem simb\u00f3lica singular, sempre em rela\u00e7\u00e3o ao constante gozo Uno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia, esse gozo Uno \u00e9 constante, n\u00e3o dial\u00e9tico, anterior ao Ser. Uma vez fixado no corpo por um significante &#8211; a letra &#8211; tal gozo oferece ao sujeito uma exist\u00eancia singular, n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Outro, mas auto-eroticamente consigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na urg\u00eancia da exist\u00eancia, ocorre uma problem\u00e1tica do corpo que n\u00e3o est\u00e1 gerenciada e protegida pela problem\u00e1tica do ser e seus semblantes, como nas neuroses. Em\u00a0<i>Coisas de fineza em psican\u00e1lise<\/i>, J.A. Miller afirma: \u00abO pr\u00f3prio inconsciente \u00e9 uma defesa contra o gozo, em seu estatuto mais profundo, que \u00e9 o estatuto fora-de-sentido\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns indiv\u00edduos, uma solu\u00e7\u00e3o para gerenciar o gozo \u00e9 separar-se, desligar-se do corpo. Apresentamos uma vinheta cl\u00ednica. C. \u00e9 uma mulher cuja exist\u00eancia, em suas pr\u00f3prias palavras, est\u00e1 ligada ao olhar. Ser \u00abmirada\u00bb, em ambos os sentidos (n.t.: a um s\u00f3 tempo \u00abser vista\u00bb e \u00abestar como alvo do outro\u00bb), marcar\u00e1 sua rela\u00e7\u00e3o com o outro e com seu corpo. O que se passa quando n\u00e3o h\u00e1 o olhar? Uma cena responde \u00e0 pergunta. Tarde da noite, C. tentava conciliar o sono, enquanto seu marido assistia um filme ao seu lado. Na vizinhan\u00e7a, todos comemoravam o Natal com fogos de artif\u00edcio. C. diz a ele que desligue a TV e que saia em sua defesa, para pedir aos vizinhos que parem com o barulho dos fogos. Entretanto, ele ignora seus pedidos e C. interpreta isto como se \u00abnunca tivesse existido\u00bb; no momento dessa sutileza, sente uma ang\u00fastia imensa, sente desligar-se do seu corpo e se ausentar completamente dele, relatando que, assim, fica em um \u00ablimbo\u00bb. Para ela, a perda do corpo \u00e9 vivida como a perda da pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra vinheta cl\u00ednica. Maria \u00e9 uma mulher de 52 anos que foi diagnosticada com Parkinson, h\u00e1 4 meses. Sua m\u00e3e, ao se separar de seu pai, emigrou para a Venezuela e cortou qualquer possibilidade de contato de Maria com seu pai biol\u00f3gico. A m\u00e3e casou-se de novo, desta vez com um alco\u00f3latra que, quando embriagado, violentava Maria, ainda no in\u00edcio de sua puberdade. A m\u00e3e n\u00e3o intervinha, j\u00e1 que tamb\u00e9m estava submetida a humilha\u00e7\u00f5es, por parte do marido. Na adolesc\u00eancia, foi novamente estuprada, desta vez por um amigo da fam\u00edlia, sem que a m\u00e3e a defendesse. Disse que, desde ent\u00e3o, sente-se um \u00abestorvo\u00bb para a m\u00e3e. No in\u00edcio da idade adulta, entrou em um partido pol\u00edtico de esquerda e a milit\u00e2ncia pol\u00edtica lhe conferiu uma identifica\u00e7\u00e3o que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tinha constru\u00edda; esse fato pacificou sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e e Maria conseguiu um emprego em consequ\u00eancia de seus contatos dentro do partido. Apaixonou-se por um ativista pol\u00edtico de l\u00e1, com quem se casou e teve filhos. Ela chegou, inclusive, a se tornar guerrilheira. Essa identifica\u00e7\u00e3o lhe deu um lugar no mundo que n\u00e3o tinha at\u00e9 ent\u00e3o; sem ela, Maria ficava fora do mundo do Outro, era um \u00abestorvo\u00bb. Manteve essa identifica\u00e7\u00e3o por mais de 30 anos. O diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a degenerativa como o Parkinson a obrigou abandonar a vida ativa na pol\u00edtica e, ent\u00e3o, entrou em uma depress\u00e3o severa: era prefer\u00edvel a eutan\u00e1sia a viver como um \u00abestorvo\u00bb. Sem a incorpora\u00e7\u00e3o da vida, oferecida quando era militante pol\u00edtica, ela ficava sem possibilidade de existir, sem exist\u00eancia e, assim, Maria desencadeou uma forte idea\u00e7\u00e3o suicida. Nessa urg\u00eancia, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a pr\u00f3pria exist\u00eancia na sua falta-a-ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, quando se trata de um A.E., constata-se, por outro lado, que o auto-gozo do corpo pelo sinthoma determina uma tens\u00e3o, que nas neuroses \u00e9 gerenciada pelo Nome-do-Pai e nas psicoses pelas supl\u00eancias imagin\u00e1rias. Por, exemplo, no caso de Salamone, a Sede. Ele goza da Sede, aqui n\u00e3o temos um apelo ao Outro para se encontrar um objeto que diminua a sede: \u00e9 da pr\u00f3pria sede que se goza, da sede que vivifica o corpo e que, por outro lado, o levaria \u00e0 morte&#8230;ao lhe desidratar por completo&#8230;o supereu de Freud, puro cultivo da puls\u00e3o de morte, segundo Lacan, seria um empuxo a gozar, a obter um gozo no limite, na tens\u00e3o constante entre a vida e a morte. Isto implica em ang\u00fastia e urg\u00eancia constantes do<i>\u00a0parl\u00eatre<\/i>, algo que se mant\u00e9m de modo reiterativo e permanente e que seria causa do desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quarto lugar, esse modo de gozo produz no\u00a0<i>parl\u00eatre\u00a0<\/i>muita insatisfa\u00e7\u00e3o, a mesma insatisfa\u00e7\u00e3o que determina a urg\u00eancia em buscar a experi\u00eancia anal\u00edtica. \u00c9 o que nos diz Lacan, no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o inglesa do semin\u00e1rio 11 e J.A. Miller, em\u00a0<i>Coisas de fineza em psican\u00e1lise<\/i>. A an\u00e1lise chegaria ao seu final quando se obt\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, a urg\u00eancia de se analisar se cessaria.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: F\u00e1bio Paes Barreto.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[164],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1071"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1071"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1072,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1071\/revisions\/1072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}