{"id":1103,"date":"2021-08-18T20:28:47","date_gmt":"2021-08-18T23:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1103"},"modified":"2021-08-18T20:28:47","modified_gmt":"2021-08-18T23:28:47","slug":"clara-holguin-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/clara-holguin-2\/","title":{"rendered":"Clara Holgu\u00edn"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Integrantes:<\/b>\u00a0Mar\u00eda Cristina Giraldo, Isolda \u00c1lvarez, Raquel Cors e Mar\u00eda Victoria Clavijo.<\/p>\n<p class=\"Titulo3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma cosm\u00e9tica sem barreira, mais-al\u00e9m da pele<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"Titulo4\">\u00c0 guisa de introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem, ao longo da civiliza\u00e7\u00e3o, vem intervindo em seu corpo: pinta, maquia, tatua, insere objetos, esburaca. Estas s\u00e3o algumas maneiras que encontrou para arrumar-se com ele. Os tempos mudam, e, com eles, os artif\u00edcios usados. Ao mesmo tempo em que o anormal hoje \u00e9 banalizado e est\u00e1 na moda, o discurso da ci\u00eancia, acompanhado do discurso capitalista, imp\u00f5e um novo paradigma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a cosm\u00e9tica tradicional, com todas as suas varia\u00e7\u00f5es, destaca o poder fascinante do corpo em sua bela forma e harmonia (kosmos), o movimento que promove a ci\u00eancia e o capitalismo nos revela o contrario do kosmos, pois p\u00f5e em jogo a decad\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o borromeana do pai e acentua a inexist\u00eancia do Outro. Esta, com sua tend\u00eancia ao ilimitado, faz emergir o \u00abi-mundo\u00bb, que n\u00e3o \u00e9 o sujo, mas antes o que \u00e9 \u00absem mundo\u00bb[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sendo suficiente arrumar, melhorar, tampar e ordenar os buracos do corpo para dar uma ordem e embelezar, quer dizer, para dar forma, se promove a transforma\u00e7\u00e3o do corpo. Enxertam-se peda\u00e7os e extens\u00f5es, at\u00e9 a de-forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L&#8217;Oreal[2] toma a forma de nip-tuck[3], corta e costura para permitir \u00abtransforma\u00e7\u00f5es\u00a0<i>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/i>\u00a0e selecionar os melhores corpos e \u00f3rg\u00e3os\u00bb[4], modificando o que n\u00e3o serve, o desejo. Busca a fabrica\u00e7\u00e3o de um eu ideal sem os referentes cl\u00e1ssicos de Ideal e Nome do Pai. Um corpo pronto para usar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Corporifica\u00e7\u00e3o do significante<\/span><br \/>\nArrumar-se com a vida \u00e9 o que o falasser tem feito desde sempre, sendo a sede seu corpo. Como faz um sujeito para ter um corpo ou tamb\u00e9m para prescindir dele? Esta pergunta, que orienta nossa investiga\u00e7\u00e3o, nos permite abordar, no ensino de Lacan, como o corpo \u00e9 afetado pelo discurso moderno da ci\u00eancia e do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre o significante e o corpo nos coloca frente \u00e0 id\u00e9ia de que seu estatuto n\u00e3o compete ao ser, mas ao ter: \u00ab<i>uno tiene su cuerpo, no lo es en grado alguno<\/i>\u00ab[5]. O corpo n\u00e3o nos \u00e9 dado desde o in\u00edcio porque o ser vivente, o organismo, n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico ao corpo. Isto se sustenta em uma dupla articula\u00e7\u00e3o: o significante afeta o corpo e o corpo \u00e9 afetado pelo significante. No primeiro caso, Miller assinala em\u00a0<i>Biologia Lacaniana<\/i>[6], o significante (enquanto Um) passa pelo corpo e o afeta, produzindo o efeito corporal do gozo que altera as fun\u00e7\u00f5es do corpo, vivificando-o. Trata-se do excesso de gozo \u2013 que Freud prematuramente localizou como traum\u00e1tico \u2013 que perturba o corpo, deixando marcas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda articula\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 forma como o corpo se v\u00ea afetado pelo significante enquanto discurso: \u00ab<i>este cuerpo por mas corporizado que sea, se hace sujeto a trav\u00e9s del significante, es decir, est\u00e1 hecho de falta-en-ser. Falta-en-ser como efecto del significante que divide su ser, reduci\u00e9ndolo al estatuto del tener<\/i>\u00ab[7].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O corpo operado pelo significante, um corpo para adorar<\/span><br \/>\nIncorpora\u00e7\u00e3o e mortifica\u00e7\u00e3o do significante fazem perder a qualidade de ser um corpo. A experi\u00eancia do vivente como um corpo fragmentado, com sua impossibilidade radical de identificar ser e corpo, que implica por sua vez a subst\u00e2ncia gozante, necessita de diferentes opera\u00e7\u00f5es para fazer Um, ou, dito de outra maneira, para fazer com o real, com a marca e com a hi\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste efeito de identifica\u00e7\u00e3o subjetiva, que p\u00f5e em jogo o real propriamente dito, procede o efeito pela imagem, \u00ab<i>engreimiento narcisista caracter\u00edstico de la especie<\/i>\u00ab[8], do que Lacan d\u00e1 conta em seu ensino no Est\u00e1dio do espelho, retomado nos anos 70 com a reelabora\u00e7\u00e3o das no\u00e7\u00f5es de forma e imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como para Lacan em\u00a0<i>A Terceira<\/i>[9], o homem conhece o mundo como conhece sua imagem, o que faz com que adore seu corpo. Se o adora \u00e9 porque cr\u00ea que o tem: \u00ab<i>la \u00fanica relaci\u00f3n que el parl\u00eatre tiene con su cuerpo es una relaci\u00f3n de adoraci\u00f3n<\/i>\u00ab[10]. Adora\u00e7\u00e3o que implica uma concep\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se reduz \u00e0 forma, nem ao narcisismo, mas inclui a subst\u00e2ncia gozante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O est\u00e1dio do espelho nos apresenta um corpo ligado ao sistema identificat\u00f3rio, entusiasmado por sua imagem. Para ter um corpo deve voltar-se ao outro, que o identifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fala M. H. Brousse em\u00a0<i>Cuerpos lacanianos: novedades contempor\u00e1neas sobre el estadio del espejo<\/i>[11], a unidade do corpo n\u00e3o vem das sensa\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, vem do espelho, quer dizer, da imagem como outro. A imagem como unidade cobre o corpo fragmentado, lhe d\u00e1 uma m\u00e1scara, embora n\u00e3o totalmente. Este esquema, que Lacan torna complexo a partir dos anos 50 e 60 com o modelo \u00f3tico, permite dar conta dos pontos de encontro entre a experi\u00eancia org\u00e2nica e a imagem. Lacan retoma de Freud a no\u00e7\u00e3o de zonas er\u00f3genas, localizadas nos pontos de abertura do organismo, por onde se produz um interc\u00e2mbio com o mundo exterior. Assim, podemos dizer que o que faz poss\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o do organismo com a imagem s\u00e3o as experi\u00eancias de gozo que fazem grampo entre a imagem do corpo e o corpo fragmentado em objetos separados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundamental, \u00ab<i>\u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre o v\u00e9u um e o m\u00faltiplo dos objetos, os elementos do corpo fragmentado localizado no Outro. Estes objetos do corpo, que vem do organismo, s\u00e3o separados dele pela linguagem e localizados no Outro. Assim, os chamados objetos a, funcionam no campo dos objetos comuns, com valor f\u00e1lico, em termos significantes e de imagem. No campo do Outro e no marco especular, os objetos a se tornam agalm\u00e1ticos, sendo o belo a barreira que constr\u00f3i a imagem do corpo para dar sentido a estes objetos<\/i>\u00ab[12].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a pot\u00eancia da imagem que nos proporciona a ideia de unidade do corpo, e que faz que os seres humanos adorem o ideal da boa forma, tem efeito enquanto esta imagem \u00e9 significantizada, o que em outras palavras quer dizer que o significante recortou o corpo, este que, previamente, foi afetado pela inje\u00e7\u00e3o de gozo do significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito dividido, a falta-em-ser, encontra seu ser no gozo do corpo, dando lugar ao falasser. \u00ab<i>El cuerpo, viene a ser la consistencia mental del parl\u00eatre<\/i>\u00ab[13]. \u00c9 a forma que d\u00e1 consist\u00eancia e o que o mant\u00e9m junto. \u00ab<i>Bolsa de piel [\u2026\u2026], burbuja que se infla<\/i>\u00ab[14]. Nesse sentido, \u00e9 um corpo que se \u00abv\u00ea mal\u00bb, porque n\u00e3o vemos o organismo, seu material real; s\u00f3 vemos a bolsa de pele como imagem que protege a fragmenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um buraco na percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta consist\u00eancia do corpo \u00e9 o que permite ador\u00e1-lo. Unidade da forma que encanta o homem e que o cativa na medida em que \u00e9 capturado e atra\u00eddo pela imagem de si. \u00abCaptaci\u00f3n propia de la imagen que destaca, su relaci\u00f3n con lo visible y la mirada y que tiene como fundamento el amor\u00bb[15].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do exposto anteriormente, podemos dizer que a cosm\u00e9tica pode ser concebida como um desenrolar-se do corpo com a imagem de si. O saco de pele, que \u00e9 o corpo, representado por sua superf\u00edcie, permite que se escreva nele, pinte, decore e fa\u00e7a uso de seus buracos. O corpo funciona como uma cobertura e como uma barreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pele, como assinala Mertinez Rossi[16], d\u00e1 ao sujeito a capacidade de representar e possibilita sua manipula\u00e7\u00e3o mediante a pintura e a tatuagem, permitindo construir uma identidade; ao mesmo tempo, funciona como v\u00e9u, ao recobrir o insuport\u00e1vel dos \u00f3rg\u00e3os e dar lugar aos orif\u00edcios do corpo que, usados pela cosm\u00e9tica, p\u00f5em em conex\u00e3o a forma exterior do corpo com seu obscuro interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Corporifica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea: Quando o Outro n\u00e3o existe<\/span><br \/>\nComo \u00e9 corporificado o corpo a partir do discurso da ci\u00eancia e do capitalismo? \u00c9 poss\u00edvel sustentar a concep\u00e7\u00e3o de se \u00abter um corpo\u00bb depois do corte produzido pela letra cient\u00edfica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-Alain Miller, em seu texto\u00a0<i>Um Real para o s\u00e9culo XXI<\/i>[17], enquadra o problema. Frente \u00e0 preval\u00eancia dos discursos da ci\u00eancia e do capitalismo na modernidade, come\u00e7ou-se a destruir a estrutura tradicional da experi\u00eancia humana. A ordem simb\u00f3lica d\u00e1 lugar ao que chamamos \u00abo real\u00bb. N\u00e3o se trata mais, assinala Miller, do real da natureza, que d\u00e1 conta da manifesta\u00e7\u00e3o da ordem e que corresponde ao que se nomeou como \u00ablei natural\u00bb, onde tudo volta ao mesmo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A natureza se converteu em real; escrita em leis matem\u00e1ticas, contraria a proibi\u00e7\u00e3o de ser tocada, impulsiona a faz\u00ea-lo, ultrapassa todo limite e tenta fazer poss\u00edvel o imposs\u00edvel. Se torna cada vez mais evidente a destrui\u00e7\u00e3o do Cosmos e o desaparecimento de todas as considera\u00e7\u00f5es fundadas nesta no\u00e7\u00e3o: passa-se da ideia de um mundo de estrutura finita, ordenado e diferenciado, \u00e0 de um universo aberto, indefinido e infinito, e nos encontramos com a geometriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. O Cosmos n\u00e3o \u00e9 mais um mundo, nem mesmo uma ordem, mas sim um peda\u00e7o, um fragmento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz Miller, nem a pris\u00e3o de Galileu, nem a avidez por se aproveitar dos lucros impediram ou detiveram a irresist\u00edvel din\u00e2mica cient\u00edfica e capitalista. N\u00e3o h\u00e1 L\u00b4Or\u00e9al que tampone o real ou o fa\u00e7a desaparecer, assim como, tampouco, segundo destaca Coccoz[18], \u00ab<i>servem as den\u00fancias dos artistas pela via do sacrif\u00edcio, nem as performances-opera\u00e7\u00f5es de est\u00e9tica \u2013 como o caso de ORLAN \u2013, que mostram que faz falta despeda\u00e7ar o corpo para fazer desistir os esfor\u00e7os da\u00a0<\/i><i>tecno-ci\u00eancia<\/i>\u00ab. Nada parece impedir o desejo da ci\u00eancia e do capitalismo de tocar o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marie-Hel\u00e8ne Brousse, em seu texto\u00a0<i>Corps sacralis\u00e9, corps ouverts: de l&#8217;existence, mise en quiestion, de la peau<\/i>[19]<i>,\u00a0<\/i>que servir\u00e1 de refer\u00eancia para o desenvolvimento final deste trabalho, nos coloca os efeitos do real da letra sobre o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta que a ci\u00eancia produz aparece desde suas origens sob a forma da anatomia. O corpo, ao ser recortado, mostra suas partes, tornando-as vis\u00edveis e \u00fateis. Alguns dos avan\u00e7os cient\u00edficos, tais como o desenvolvimento da imagem no campo m\u00e9dico, as doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os e o desenvolvimento dos transplantes, o reinado das pr\u00f3teses e implantes, assim como a possibilidade de criar o crescimento de tecidos e c\u00e9lulas fora da m\u00e1quina do corpo (a pele), s\u00e3o exemplos que nos mostram as mudan\u00e7as produzidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 limite. A superf\u00edcie do corpo, a pele, n\u00e3o \u00e9 mais uma barreira. Pode-se ver os \u00f3rg\u00e3os e dispor deles. O corpo agora \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o. Sua valora\u00e7\u00e3o \u00e9 aproveitada pela oferta desmedida do mercado capitalista, que possibilita ter acesso a tudo, para comercializ\u00e1-lo e convert\u00ea-lo em mercadoria. Um corpo-\u00f3rg\u00e3o, um corpo-mercadoria. O corpo aparece como mais um objeto,\u00a0<i>gadget<\/i>, posto na ordem do dia e controlado pela economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O corpo operado pela letra, um corpo dejeto<\/span><br \/>\nA letra, a linguagem cient\u00edfica, invade o corpo \u00ab<i>cruzando la barrera de la imagem amada<\/i>\u00ab[20]. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o corpo adorado, mas aberto. N\u00e3o h\u00e1 barreira interior-exterior, mas continuidade. Mais-al\u00e9m da pele, encontramos o acontecimento fragmentado do corpo e o adeus \u00e0 unidade: \u00ab<i>no se trata solamente que el ser del viviente no sea el Uno del individuo, sino tambi\u00e9n que el ser viviente, cuando se trata del cuerpo del ser hablante, es la fragmentaci\u00f3n de ese cuerpo<\/i>.\u00bb [21]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fragmenta\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3os, pe\u00e7as soltas. O corpo-\u00f3rg\u00e3o fica separado do Outro. Algo escapa do corpo, deixa de estar no Outro, mostrando o que \u00e9: um res\u00edduo, um dejeto. Este puro resto d\u00e1 conta do que mostrou Lacan a partir da opera\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o, da qual a circuncis\u00e3o \u00e9 um modelo[22].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, enfatizemos que o retorno do fragment\u00e1rio n\u00e3o faz com que a imagem perca seu poder de captura. Funciona a partir de outra l\u00f3gica. N\u00e3o se sustenta pelo Outro, nem pelos ideais tradicionais do kosmos, trata-se da imagem do eu, o objeto como\u00a0<i>fascinum<\/i>. \u00c9 o \u00f3rg\u00e3o como res\u00edduo, destru\u00eddo, o que fascina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomarei tr\u00eas exemplos que servir\u00e3o para esclarecer o que digo; os dois primeiros referem-se ao campo da arte e o terceiro toma a cl\u00ednica psicanal\u00edtica como referente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira refer\u00eancia, destacada no texto<i>\u00a0Corps sacralis\u00e9\u2026<\/i>, \u00e9 a do trabalho do artista Damien Hirst[23], que mostra, atrav\u00e9s da imagem de uma escultura, o corpo de uma mulher dividido: de um lado sua bela forma, uma imagem para adorar, e, de outro, o corte do corpo, tal como a anatomia nos permite ver; um corpo-\u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo exemplo se refere ao que conhecemos como \u00abcorpos plastinados\u00bb[24]. Wajcman nos mostra como se pretende, com eles, fazer com que os mortos sejam vis\u00edveis e acess\u00edveis. Esta \u00abcosm\u00e9tica da morte\u00bb mostra muito bem o que faz o capitalismo cient\u00edfico com o corpo-dejeto. No amor \u00e0 bela forma se confunde um corpo vivo com um corpo morto: \u00ab<i>los muertos vivos, muestran el cad\u00e1ver que est\u00e1 en nosotros<\/i>\u00ab[25]. A pretendida \u00abarte anat\u00f4mica\u00bb funda seu sucesso no que o capitalismo produziu em sua domestica\u00e7\u00e3o do sujeito contempor\u00e2neo: \u00ab<i>no solo buscan evitar la muerte, m\u00e1s secretamente, quieren evitar otra herida, viva, que el lenguaje le inflige al cuerpo: la castraci\u00f3n<\/i>\u00ab[26]..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, uma vinheta cl\u00ednica. Trata-se de uma mulher de cerca de 60 anos que faz uso de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas est\u00e9ticas para transformar seu corpo: as cartilagens das orelhas s\u00e3o usadas para reconstruir o nariz, a endoscopia, que possibilita intervir em seu rosto sem danificar a superf\u00edcie da pele, e o implante de novas pr\u00f3teses para seus seios realizaram seu sonho de evitar a passagem do tempo. \u00abEra muito feliz\u00bb. No entanto, o encontro com o espelho, sua irm\u00e3 g\u00eamea, a confronta com o que a ci\u00eancia e o capitalismo n\u00e3o evidenciaram. O espelho n\u00e3o devolve uma imagem completa, mas o real, a fragmenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era a mesma imagem: as rugas e os seios ca\u00eddos revelavam seu pr\u00f3prio desconhecimento; parecia jovem e n\u00e3o era. Surge ang\u00fastia. N\u00e3o desiste. At\u00e9 o momento da consulta, tentar\u00e1 que a ci\u00eancia e o capital supram o imprevisto. Pagar\u00e1 a cirurgia de sua irm\u00e3 g\u00eamea e tudo voltaria a ser como antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">\u00c0 guisa de conclus\u00e3o: de\u00a0<i>ter<\/i>\u00a0um corpo a\u00a0<i>ser<\/i>\u00a0um corpo<\/span><br \/>\nDe que ordem \u00e9 este corpo, n\u00e3o mais adorado, \u00fanica rela\u00e7\u00e3o que hav\u00edamos dito que o falasserpode ter com ele?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia mudou a rela\u00e7\u00e3o que temos com nosso corpo como imagem global e nosso corpo como organismo desconhecido: \u00ab<i>ha cambiado el cuerpo fragmentado, en el sentido de fragmentado de verdad y ha cambiado la imagem, puesto que ha separado la imagem de la posibilidad de la percepci\u00f3n visual humana<\/i>\u00bb [27]. Resta-nos o objeto\u00a0<i>a<\/i>\u00a0diferenciado dos objetos comuns e da imagem como totalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo operado, recortado, mostra o seu interior, sua face de resto, ao estar separado do Outro. Mais que ter, o falasserfica reduzido a este resto, ao puro desperd\u00edcio. Ele \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo \u2013 via cosm\u00e9tica, mas n\u00e3o somente por a\u00ed \u2013 se presta tanto a ser suporte dos mais diversos semblantes como a encarnar o imposs\u00edvel, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o proibido: \u00ab<i>lo verdaderamente imposible, lo que no deja de no escribirse, no aparece, al quedar velado por una falsa letra que hace que lo escribe<\/i>\u00ab.[28]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cosm\u00e9tica, orientada a partir dos avan\u00e7os da ci\u00eancia e do capitalismo, j\u00e1 n\u00e3o se guia pela imagem do corpo, a forma amada, mas tenta arranjar-se com o que escapa desse corpo, o dejeto. Desperd\u00edcio que o discurso moderno torna atrativo com a imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos nos aventurar a dizer que se trata de uma cosm\u00e9tica que encarna o resto. Por um lado, o real que se tentava velar retorna sob a forma de um gozo que invade os corpos, invas\u00e3o de objetos, um entupimento de tatuagens e de\u00a0<i>piercings<\/i>; por outro, o corpo-dejeto, resto que substituiu a imagem adorada, \u00e9 arranjado, substitu\u00eddo, oferecendo ao sujeito uma identidade: \u00ab<i>im\u00e1genes que funcionan como normas, como significantes amos sin tener estructura de significantes<\/i>\u00bb [29].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como afirmou Lacan, \u00ab<i>la ciencia no tiene la menor idea de lo que hace, salvo cuando surge este ligero acceso de angustia\u2026 Pero si de todos modos se lo puede apenas sospechar es por el an\u00e1lisis<\/i>\u00ab.[30] \u00c9 nossa possibilidade oferecer uma maneira de arranjar-se com o que n\u00e3o vai bem, com o real. \u00ab<i>Lo que anda es el mundo\u2026. y lo que no anda es lo real, lo que no es mundo, lo inmundo<\/i>\u00ab.[31] Disso se ocupam os analistas, mais ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><i>Virgin Mother by Damien Hirst (2005)<\/i><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.damienhirst.com\/the-virgin-mother\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.damienhirst.com\/the-virgin-mother<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Stela Sande e Marcelo Magnelli<br \/>\nRevis\u00e3o: Marcelo Magnelli<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Boletim \u00ab\u00bfQu\u00e9 medida ofrece hoy el supery\u00f3? A prop\u00f3sito del cuerpo cosm\u00e9tico\u00bb. Em:\u00a0<i>Texto a cuerpo<\/i>:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/es\/template.php?file=Textos\/Que-medida-ofrece-hoy-el-superyo_Clara-Maria-Holguin.html\">http:\/\/www.enapol.com\/es\/template.php?file=Textos\/Que-medida-ofrece-hoy-el-superyo_Clara-Maria-Holguin.html<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Firma francesa de cosm\u00e9ticos.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">S\u00e9rie americana sobre cirurgia est\u00e9tica.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">G\u00f3mez, M Nip-Tuck: Cuerpos pr\u00eat-\u00e1-porter, Em:<i>\u00a0Colof\u00f3n.\u00a0<\/i>Buenos Aires, FIBOL, No 33, p. 55.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>El Seminario, Libro 23: El sinthome.<\/i>\u00a0Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2006, p. 147.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A.\u00a0<i>Biologia Lacaniana<\/i>. Buenos Aires, Colecci\u00f3n Diva, 2002, p. 75.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller,\u00a0<i>Ibid<\/i>, p. 75.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller<i>, Ibid.,\u00a0<\/i>p. 17.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u00abLa Tercera\u00bb, Em:\u00a0<i>Intervenciones y textos 2<\/i>, Buenos Aires, Manantial, p. 91.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>El Seminario, Livro 23: El Sinthome,\u00a0<\/i>p. 64.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.-H.\u00a0<i>Cuerpos lacanianos: novedades contempor\u00e1neas sobre el estadio del espejo.<\/i>\u00a0En:<i>\u00a0Colof\u00f3n.\u00a0<\/i>Buenos Aires, FIBOL, No 29, p. 20 y 21.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.- H.\u00a0<i>Ibid.,\u00a0<\/i>No 29, p. 21. No original: \u00ab<i>es la articulaci\u00f3n entre el velo uno y lo m\u00faltiple de los objetos, los elementos del cuerpo fragmentado ubicados en el Otro. Estos objetos del cuerpo que provienen del organismo, son separados de \u00e9l por el lenguaje y ubicados en el Otro. As\u00ed, los llamados objetos a, funcionan en el campo de los objetos comunes, con valor f\u00e1lico, en t\u00e9rminos significantes y de imagen. En el campo del Otro y el marco especular, los objetos a se vuelven agalm\u00e1ticos, siendo lo bello la barrera que construye la imagen del cuerpo para dar sentido a estos objetos<\/i>\u00ab<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>El Seminario, Livro 23<\/i>:\u00a0<i>El sinthome<\/i>, p. 64.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>Conferencia de Yale.<\/i>\u00a01975\u00a0<a href=\"http:\/\/www.edipica.com.ar\/archivos\/jorge\/psicoanalisis\/lacan2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.edipica.com.ar\/archivos\/jorge\/psicoanalisis\/lacan2.pdf<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.- H.\u00a0<i>Corps sacralis\u00e9, corps ouverts: de l&#8217;existence, mise en question, de la peau<\/i>. In\u00e9dito.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Mart\u00ednez Rossi, S.\u00a0<i>La<\/i><i>\u00a0piel como superficie simb\u00f3lica: procesos de transculturaci\u00f3n en el arte contempor\u00e1neo.\u00a0<\/i>Em:<i>\u00a0Colof\u00f3n.\u00a0<\/i>Buenos Aires, FIBOL, No 29, p.<i>\u00a0109.<\/i><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A.\u00a0<i>Un real para el siglo XXI<\/i>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.congresamp2014.com\/es\/template.php?file=Textos\/Presentation-du-theme_Jacques-Alain-Miller.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.congresamp2014.com\/es\/template.php?file=Textos\/Presentation-du-theme_Jacques-Alain-Miller.html<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Coccoz. V.\u00a0<i>El cuerpo, sede del goce.<\/i>\u00a0Em:<i>\u00a0Colof\u00f3n<\/i>, Buenos Aires, FIBOL , No 29, p.p. 49 \u2013 51. No original: \u00ab<i>sirven las denuncias de los artistas por la v\u00eda del sacrificio, ni los performances-operaciones de est\u00e9tica -como el caso de ORLAN-, que muestran que hace falta destrozar el cuerpo, para hacer desistir los esfuerzos de la tecno-ciencia<\/i>\u00ab.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M. H.\u00a0<i>Corps sacralis\u00e9<\/i>\u2026<i>.<\/i><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M. H.\u00a0<i>Ibid.<\/i><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M. H.\u00a0<i>Cuerpos lacanianos<\/i>, p. 21-22.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, L:\u00a0<i>El Seminario, Libro 10 La angustia.<\/i>\u00a0Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2006, cap XV.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Hirst Damien\u00a0<a href=\"http:\/\/thecitylovesyou.com\/urban\/damien-hirst-verity\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/thecitylovesyou.com\/urban\/damien-hirst-verity\/<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">El Doctor G\u00fcnter von Hagens \u00e9 o criador da plastinac\u00e3o, ou \u00abarte anat\u00f4mica\u00bb.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Wajcman, G. \u00abEl arte anat\u00f3mico\u00bb. Em:\u00a0<i>Elucidaci\u00f3n<\/i>, Buenos Aires, Atuel\/An\u00e1fora 2003 No. 1 p. 102.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Aflalo, Agn\u00e8s, \u00abSubjetividades modernas y lucha de cuerpos\u00bb. Em:\u00a0<i>El orden simb\u00f3lico en el Siglo XXI<\/i>. No es m\u00e1s lo que era \u00bfQu\u00e9 consecuencias para la cura? Vol. do VIII Congreso de la AMP. AMP\/Grama, Buenos Aires, 2012, p. 272.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.-H.\u00a0<i>Corps sacralis\u00e9\u2026..\u00a0<\/i>In\u00e9dito.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Berenguer. E.\u00a0<i>Cuerpos escritos, cuerpos hablados<\/i>. Jornadas ELP<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.-H.\u00a0<i>Cuerpo lacanianos<\/i>\u2026.p., 23<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>El triunfo de la religi\u00f3n<\/i>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, p. 75.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>Ibid<\/i>, p. 76.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1103"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1104,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1103\/revisions\/1104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}