{"id":1135,"date":"2021-08-18T21:20:47","date_gmt":"2021-08-19T00:20:47","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1135"},"modified":"2021-08-18T21:20:47","modified_gmt":"2021-08-19T00:20:47","slug":"adela-fryd-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/adela-fryd-2\/","title":{"rendered":"Adela Fryd"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Participam do grupo:<\/b>\u00a0Andrea Brunstein, Catalina Guerberoff, Patricia Moraga, Marcela Negro, Esteban Stringa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que chamamos \u00abcrian\u00e7as amo\u00bb \u2013 categoria que inclui crian\u00e7as com diferentes comprometimentos ou n\u00edveis de gravidade \u2013 apresentam-se em diversas modalidades. Crian\u00e7as com uma tirania dominante (me aceite como sou porque eu sou assim). Crian\u00e7as dominadoras que at\u00e9 parecem encarnar o significante amo. Crian\u00e7as que ao impor suas normas exacerbam a tirania do gozo (eu sou eu) apresentam um culto ao eu de tal forma pode-se confundir com uma loucura eg\u00f3ica. Desde aqueles que pretendem a plenitude de um rob\u00f4, at\u00e9 aqueles com passagens ao ato perversas que chegam \u00e0 criminalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que n\u00f3s os agrupamos? Porque em nossa pesquisa, apesar das estruturas serem diferentes, estabelecemos uma s\u00e9rie na qual encontramos alguns elementos em comum. Isto nos permite pensar na resposta cl\u00ednica. Como associ\u00e1-los dentro do dispositivo anal\u00edtico contemplando o caso a caso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Eu sou eu<\/span><br \/>\nSe partimos da frase de Rimbaud \u00abeu \u00e9 o outro\u00bb [1], de que forma isto se apresenta nas \u00abcrian\u00e7as amo\u00bb? Elas apostam no mito de Narciso onde um \u00abSer Uno\u00bb jamais se une ao Outro, ficando como o pr\u00f3prio Narciso \u2013 prisioneiro de seu corpo. O sujeito narcisista n\u00e3o \u00e9 &#8211; sem o Outro, mas com outro, n\u00e3o dividido, de onde n\u00e3o se pode extrair um significante que falta. Essas crian\u00e7as se colocam como sendo seu Outro: \u00abele \u00e9 ele e o Outro\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante como se trabalha o tema do car\u00e1ter depois de Freud, como instrumento conceitual para estender a neurose mais al\u00e9m do sintoma. Quando a patologia se apresentava afetando o comportamento do sujeito e o conjunto da sua vida se fez necess\u00e1rio introduzir o car\u00e1ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J. A. Miller destaca que \u00e9 no recha\u00e7o \u00e0s exig\u00eancias do Outro o ponto onde o sujeito se instala. Freud por sua vez chama de car\u00e1ter aquilo a que o sujeito n\u00e3o satisfaz com o sintoma. Prop\u00f5e que o car\u00e1ter \u00e9 um modo de satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o que n\u00e3o mobiliza o sintoma como mensagem dirigida ao Outro. Poder\u00edamos ent\u00e3o entender que o recha\u00e7o \u00e0s regras do Outro que percebemos nessas crian\u00e7as \u2013 leva em conta o tema do car\u00e1ter \u2013 e o \u00faltimo ensino de Lacan. Utilizamos o quadro proposto por Miller: Real &#8211; car\u00e1ter, defesa, gozo, puls\u00e3o \u2013 para pensar a dire\u00e7\u00e3o da cura nestes casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de Freud o car\u00e1ter n\u00e3o \u00e9 considerado como a anula\u00e7\u00e3o do mundo exterior como na psicose e sim como a introdu\u00e7\u00e3o da desordem. Podemos associar ao car\u00e1ter o tratar mal, se fazer maltratar, fazer algo de maneira repetitiva como modos distintos de satisfa\u00e7\u00e3o que acontecem n\u00e3o atrav\u00e9s de uma modifica\u00e7\u00e3o do sujeito, mas ao mobilizar o entorno incidindo no la\u00e7o-social. Em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter, assim como nas crian\u00e7as amo, o lugar do Outro causa estragos em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Outro. Lacan toma da\u00a0<i>ego-psicology<\/i>\u00a0algo interessante, isto \u00e9 abordar as atitudes do ego em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias pulsionais. Chama a aten\u00e7\u00e3o que Miller fale do tema e se refira ao nosso levantamento sobre as crian\u00e7as amo. A gl\u00f3ria se refere \u00e0 resist\u00eancia solit\u00e1ria \u00e0s exig\u00eancias do Outro\u00a0<b>sozinho contra todos<\/b>. Este s\u00edmbolo de gl\u00f3ria for\u00e7a o sujeito a se igualar \u00e0 miragem de sua onipot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes casos \u00e9 claro que &#8211; segundo esta dial\u00e9tica \u2013 h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o especular que suporta as identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. As crian\u00e7as amo n\u00e3o se encontram com o objeto olhar, n\u00e3o se relacionam com o enigma do desejo do Outro e tentam se apossar do olhar do outro como pr\u00f3tese: serem olhados. Investidos do significante \u00e0s vezes imaginarizado que os representam, giram em cenas repetitivas que por vezes se transformam em seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais ficam na posi\u00e7\u00e3o de testemunhar esses excessos, dessa luta infinita por se separar do Outro. S\u00e3o crian\u00e7as que d\u00e3o provas de serem prepotentes e onipotentes a todo o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cadeia significante quando se apresenta, espera a voz do Outro: O que me dir\u00e1? O que me espera? O que ser\u00e1 de mim? O que em mim \u00e9 indiz\u00edvel? A voz no campo do Outro \u00e9 aquilo que os une ao Outro e estas crian\u00e7as parecem n\u00e3o ceder \u00e0 expectativa do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A puls\u00e3o em seu trajeto na rela\u00e7\u00e3o com o Outro \u00e9 o que de alguma forma entrou em curto-circuito. Podemos dizer ent\u00e3o que essas crian\u00e7as se identificam com o objeto, se apoderaram de um significante e com ele tentam se separar, sendo que o eu fica ligado ao gozo pulsional. Por que tem este curto-circuito isto n\u00e3o permite que elas passem pelo Outro nem terminem de circunscrever o objeto que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o ao gozo pulsional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num caso apresentado por Marcela Negro de uma crian\u00e7a que n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o a nada, bate, trata os adultos como seus pares, n\u00e3o tem registro do perigo, de angustia ou de arrependimento. R. brinca com uns dinossauros e rouba a comida \u00abpara saber que gosto tem a comida do outro\u00bb. Diante da interven\u00e7\u00e3o de Marcela- \u00abassim n\u00e3o pode respirar\u00bb, quando no jogo o que importa \u00e9 devorar, cada vez mais e enchendo a cara, R. responde: \u00abtem que escovar os dentes para tirar a comida. Preciso de ajuda.\u00bb O jogo se transforma em fazer receitas. Introduz algo novo: \u00abDino come, ataca porque \u00e9 mal, fa\u00e7o dele um monstro para que as crian\u00e7as tenham medo\u00bb. A: \u00abVoc\u00ea assusta no col\u00e9gio porque tem medo\u00bb. R: \u00abtodas as crian\u00e7as tinham um plano malvado, menos eu. Se o monstro te beija, voc\u00ea se transforma em monstro\u00bb. A: \u00abEssas coisas de medo que voc\u00ea diz s\u00e3o pensamentos\u00bb. \u00abR: Quero comer, me d\u00ea comida\u00bb. A: \u00abA boca aqui \u00e9 pra falar\u00bb. Desenha um beb\u00ea com um sorriso e logo o transforma, diz: \u00abos zumbis comem. Para que n\u00e3o me comam me fa\u00e7o de zumbi\u00bb. A: \u00abPara n\u00e3o ser zumbi tem que falar\u00bb. R: \u00abComo se apaga algo da cabe\u00e7a?\u00bb A: \u00abContando o pensamento\u00bb. R: \u00abTenho pesadelos. O Ben 10 mexia no lixo, comia e se transformava em zumbi. Transformava os outros em zumbis e depois eles vinham atr\u00e1s de mim. Eu dizia n\u00e3o, n\u00e3o, mas eles mesmo assim me transformavam\u00bb. Num outro momento se aproxima cabisbaixo e diz: \u00abPeguei o J, o impulso humano&#8230;\u00bb. A: \u00abtem haver com os pensamentos, mas podem estar equivocados\u00bb. R: \u00abOs pensamentos s\u00e3o uma bobagem, n\u00e3o significam nada\u00bb. A: \u00abMas me deixam sozinho quando transformo o pensamento em impulso\u00bb. \u00abR: Coloque meu nome, vou assinar\u00bb. Quando as palavras disparam enlouquecendo-o (\u00ablouca vou te destruir, caca, Marcela de merda\u00bb) a analista prop\u00f4s guardar as palavras em uma caixa que R. chamou de \u00abas palavras do mal\u00bb. Isso acalmou a agita\u00e7\u00e3o, iniciando novos jogos: desmontar lapiseiras \u00abmortas\u00bb reconstruindo-as de maneira inventada para que funcionem, fazendo um colar com clips, colocando marcas nos objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro per\u00edodo a puls\u00e3o est\u00e1 desnudada. Em seguida se observa como R. conclui um trabalho com a puls\u00e3o partindo daquilo que lhe satisfaz at\u00e9 conseguir o esvaziamento. Coloca um v\u00e9u: as receitas do cozinheiro. Isto faz com que a puls\u00e3o se associe aos significantes o que permite construir algo da ordem do ser: fazer-se zumbi. Depois o zumbi ficou delimitado \u00e0 apari\u00e7\u00e3o de determinadas palavras que disparavam seu enlouquecimento. Guard\u00e1-las permitiu tir\u00e1-las do pensamento e assim n\u00e3o ser for\u00e7ado a se fazer de zumbi permanentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">M\u00e3e- crian\u00e7a amo<\/span><br \/>\nA cl\u00ednica com estas crian\u00e7as n\u00e3o batizadas pelo significante amo nos fez centrar nossa pesquisa na rela\u00e7\u00e3o com m\u00e3e. Aqui poder\u00edamos seguir o trajeto que se abre na dial\u00e9tica imagin\u00e1ria \u2013 pelo desejo de fus\u00e3o da m\u00e3e como apresentado nos anos 60 \u2013 para destacar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crian\u00e7as caprichosas, resistentes \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o, que mostram que o\u00a0<b>eu quero<\/b>\u00a0\u00e9 anterior ao\u00a0<b>eu penso<\/b>. Como disse J. A. Miller, a beleza do capricho est\u00e1 no fato de que ele assume como pr\u00f3pria a vontade que o move. \u00abQuero aquilo que me impulsiona, sou eu quem quer\u00bb. As crian\u00e7as amo cr\u00eaem serem artes\u00e3s de seu pr\u00f3prio destino, mas n\u00e3o sabem o quanto est\u00e3o comandadas por n\u00e3o reconhecer as marcas do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capricho que cr\u00eaem ser seu \u00e9 o capricho materno; isto permitiu trabalhar as patologias da demanda. Como diz Lacan, a onipot\u00eancia da crian\u00e7a \u00e9 a onipot\u00eancia da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acolhimento de toda crian\u00e7a pelo Outro primordial tem v\u00e1rias ordens;<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Parte da linguagem;<\/li>\n<li>Os objetos s\u00e3o colocados como objetos de troca;<\/li>\n<li>Os corpos em jogo;<\/li>\n<li>Tudo isso constitui uma pequena hist\u00f3ria infantil que permite tratar a l\u00edngua da qual ela padece;<\/li>\n<li>A solid\u00e3o do pulsional<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modo da crian\u00e7a se apresentar \u00e9 sempre enigm\u00e1tico e essa dimens\u00e3o de enigma pode gerar um efeito de ang\u00fastia. Quando a crian\u00e7a ainda \u00e9 um beb\u00ea ela n\u00e3o fala e se presta a encarnar uma vontade imperativa. Cabe \u00e0 m\u00e3e detectar e transformar um grito em um chamado e poder\u00e1 ou n\u00e3o fazer algo com o grito. A inven\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia \u00e9 que ela lhe fala em uma l\u00edngua que chamamos materna e a experi\u00eancia anal\u00edtica mostra sua import\u00e2ncia no deciframento dos modos de gozo de um sujeito. A l\u00edngua materna nomeia a seu modo o intercambio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas crian\u00e7as falha o modo em que foram alojadas na rela\u00e7\u00e3o com al\u00edngua, o que aparece no encontro e nomeia a rela\u00e7\u00e3o com os objetos em seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas m\u00e3es t\u00e3o narcisistas encontramos um mutismo em rela\u00e7\u00e3o ao lugar libidinal destas crian\u00e7as (geralmente muito circunscritas a sua pr\u00f3pria libido) e a dificuldade em transmitir essa l\u00edngua. Quando a m\u00e3e ou a crian\u00e7a tem que dar algo que creem que \u00e9 de sua propriedade, ningu\u00e9m cede e irrompe o pulsional: a parte da solid\u00e3o da puls\u00e3o desmedida atrai em dire\u00e7\u00e3o a ela a maioria dos objetos de interc\u00e2mbio. Estamos tamb\u00e9m diante da presen\u00e7a de leis tir\u00e2nicas na crian\u00e7a. Ela entra como devorada, recha\u00e7ada, submetida a ru\u00eddos ensurdecedores, ou sente seu corpo cortado em peda\u00e7os que n\u00e3o existem a n\u00e3o ser em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando h\u00e1 um interc\u00e2mbio entre os objetos e a l\u00edngua, h\u00e1 tamb\u00e9m a marca da presen\u00e7a do objeto t\u00e3o singular ao qual chamamos as prefer\u00eancias, os gostos, isto \u00e9 a defesa contra o objeto sexual freudiano. Nestas crian\u00e7as a defesa \u00e9 a indiferen\u00e7a ou o desgosto e se produzem mal-entendidos quando se introduz o pedido com o objeto da puls\u00e3o mais al\u00e9m da necessidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Constata-se que a aten\u00e7\u00e3o destas crian\u00e7as se encontra fixada na libido da m\u00e3e, o que falha \u00e9 a libidiniza\u00e7\u00e3o. Atualizar o par sintom\u00e1tico da crian\u00e7a e sua m\u00e3e \u00e9 poss\u00edvel quando articulamos a agita\u00e7\u00e3o pulsional com a est\u00e1tica do fantasma materno<\/b>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vinheta cl\u00ednica faz figurar o par sintom\u00e1tico formado a partir da crian\u00e7a dinamite e a m\u00e3e exacerbada. Facundo desmonta um stand em um supermercado com um movimento preciso, enquanto sua m\u00e3e obcecada escolhe cada verdura por sua qualidade. Mat\u00edas, tr\u00eas anos, a partir de seu carrinho e com sua chupeta que tira da boca para dar ordens, obriga as mulheres que o rodeiam a jogar futebol sem parar. (O trabalho do pai: selecionador de jogadores de futebol). A m\u00e3e de Matias vive assustada, pois teme que ele seja esquizofr\u00eanico como o seu irm\u00e3o (dela) mais velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Do semelhante ao semblante<\/span><br \/>\nPara o parl\u00eatre o corpo e o espa\u00e7o se constituem correlativamente; de um lado a identifica\u00e7\u00e3o e a completude; e de outro a puls\u00e3o. Retomando a Caillois, enquanto para Lacan a armadilha atrai completamente o animal, em rela\u00e7\u00e3o a estas crian\u00e7as a quest\u00e3o que se coloca \u00e9 a seguinte: O que \u00e9 que os captura? N\u00e3o se trata da atra\u00e7\u00e3o que o espa\u00e7o exerce, mas a confus\u00e3o do meio com a perda do sentimento de vida que chega at\u00e9 a despersonaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a amo se ajusta quando n\u00e3o h\u00e1 resson\u00e2ncia corporal da palavra, quando o corpo (I) n\u00e3o est\u00e1 colocado em fun\u00e7\u00e3o com a linguagem (S). O real, n\u00e3o se encontra como terceiro para fazer o n\u00f3, suporta o esquema de resson\u00e2ncia para que (I) e (S) se mantenham juntos, intersec\u00e7\u00e3o que fabrica o sentido dos semblantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller retoma o estatuto imagin\u00e1rio do gozo: imagem e corpo. Enquanto o mimetismo coloca em continuidade imagin\u00e1rio e real, o semblante articula imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan introduz o\u00a0<b>parl\u00eatre<\/b>\u00a0lhe atribui um ser de semblante e lhe atribui o parecer. O semblante \u00e9 o signo da \u00e9poca moderna, \u00e9 aquilo que aparece, que dissimula e como disse Miller, n\u00e3o deixa transparecer nada. No texto \u00abNomes-do-pai\u00bb, Miller utiliza-se do termo \u00abos desenganados do semblante\u00bb, aqueles que creem poder prescindir deles; por\u00e9m n\u00e3o utilizar os semblantes \u00e9 estar enganado de outra maneira. Podemos pens\u00e1-lo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as amo? Acreditamos que sim porque, pois ao passar de semelhante a semblante isto vai ser muito \u00fatil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cura. Quando uma crian\u00e7a estrutura seu eu em fun\u00e7\u00e3o de semelhante, isto recobre o real. Quando ela se encontra com outro semelhante que tenha a imagem de algo completo (irm\u00e3os, amigos e outros) aparece tanto o ressentimento quanto a agressividade ambivalente que se transfere para a inveja e ao ci\u00fames do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 o semblante na crian\u00e7a? O semblante suporta o simb\u00f3lico para apoiar-se no fantasma, \u00e9 o que se produz na cura destas crian\u00e7as. O semblante sai da coapta\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria; a crian\u00e7a amo nega a divis\u00e3o da puls\u00e3o e simultaneamente restaura o semelhante, que \u00e9 suposto como completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No recorte que faz Adela Fryd, Mat\u00edas de quatro anos tem encontros com sua m\u00e3e atrav\u00e9s dos contos de terror que ela contava com muita gra\u00e7a. Um dia Mat\u00edas esconde uma j\u00f3ia muito valiosa de sua m\u00e3e e os pais se d\u00e3o conta. Um tempo depois se pendura no corrim\u00e3o da escada e quando sua m\u00e3e passa por ele, ele lhe diz: \u00abolha m\u00e3e!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas sess\u00f5es dizia que escrevia uma hist\u00f3ria (ele n\u00e3o sabe escrever). A analista pede que lhe conte e s\u00f3 repete \u00abSangue frio\u00bb. A: \u00abComo \u00e9 isso que voc\u00ea est\u00e1 escrevendo? Conte-me.\u00bb M: \u00abAlgu\u00e9m aparece e lhe cortavam com uma faca e saia sangue\u00bb. O analista \u00e9 semelhante que se coloca como anteparo de um ideal e que escuta o relato considerando o ideal materno. O real n\u00e3o pode ser apreendido. Depois de ter feito o\u00a0<i>acting\u00a0<\/i>em frente \u00e0 sua m\u00e3e (cujo la\u00e7o com o outro se d\u00e1 a partir de seu estilo- assustar &#8211; e uma maneira muito perigosa de conseguir o olhar extasiado de sua m\u00e3e), a analista lhe diz efetivamente que ele era um objeto precioso. E pela primeira vez come\u00e7a um jogo, aquele que se suporta e rebate num fantasma. M diz: \u00abeu n\u00e3o existo, voc\u00ea me procura, mas n\u00e3o me v\u00ea, n\u00e3o me encontra\u00bb. A analista faz semblante de n\u00e3o v\u00ea-lo. Desta vez o sujeito imaginariza o semblante a partir da identifica\u00e7\u00e3o de ser como aquele que n\u00e3o \u00e9 visto, um falso semblante. Segue evitando a castra\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um passo mais na cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Corpos em movimento<\/span><br \/>\nCrian\u00e7a amo \u00e9 aquela que se movimenta que se agita, que corre para todos os lados. A cl\u00ednica \u2013 que coloca o corpo como puro objeto pulsional \u2013 sublinha o car\u00e1ter ac\u00e9falo da puls\u00e3o, a aus\u00eancia de intencionalidade e de identidade subjetiva. Poder\u00edamos falar de uma cl\u00ednica do corpo em movimento. Essa cl\u00ednica do corpo \u00e9 certamente oposta \u00e0 est\u00e1tica do fantasma porque o que se decifra se decifra como gozo. As necessidades n\u00e3o se satisfazem a n\u00e3o ser por movimentos sem ritmo, sem trajeto. A excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca recha\u00e7o do objeto a faz do sujeito a proa da linguagem em um deslizamento intermin\u00e1vel e meton\u00edmico, vertente mortal da excita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como respondemos com nossa pr\u00e1tica? Como passar do objeto a ao vivo da l\u00edngua? Como faz\u00ea-los respirar ali onde o gozo sufoca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas crian\u00e7as h\u00e1 respostas que constituem comportamentos; n\u00e3o s\u00e3o sintomas que sempre implicam em substitui\u00e7\u00e3o. Encontramos problemas de gozo que n\u00e3o est\u00e3o dissociados do que a crian\u00e7a \u00e9 como objeto para o Outro. Podemos ver como nas crian\u00e7as com sintomas o dizer da l\u00edngua ressoou e como elas escolhem esse tra\u00e7o que mostra sua elei\u00e7\u00e3o de gozo. Mas estes comportamentos \u2013 quebrar, brigar ou um \u00abn\u00e3o\u00bb absoluto \u2013 s\u00e3o elabora\u00e7\u00f5es de uma resposta. Parece que n\u00e3o, mas um analista pode ajudar ao acompanhar estas crian\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o de uma resposta na qual elas se mostram ao Outro de uma maneira diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para algumas destas crian\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 marcas, em outras haver\u00e1 um S1 e ainda em outras crian\u00e7as h\u00e1 uma nebulosidade. Trata-se de esclarecer ou de inventar algo sobre a l\u00edngua que n\u00e3o foi transmitida. Que algo tenha se dado ou n\u00e3o, isto pode se apresentar no dispositivo. Trata-se ent\u00e3o de colocar ordem nessa nebulosidade de signos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaremos agora ao caso apresentado por Patr\u00edcia Moraga. Ela descreve o tratamento de Franco que \u00e9 irm\u00e3o g\u00eameo de Bruno, ele n\u00e3o aceita que coloquem limites que lhe digam n\u00e3o. J\u00e1 que seu pai n\u00e3o tem autoridade com ele mesmo lhe dando alguns castigos ele n\u00e3o os cumpre. Corre sem parar e atravessa as ruas sem olhar. Colocou fogo nos colch\u00f5es e quebrou vidros. Tem dificuldades em se separar do pai e do irm\u00e3o, s\u00f3 brinca com ele e com um boneco do Batman que o acompanha em todos os lugares. A m\u00e3e tamb\u00e9m tem uma irm\u00e3 g\u00eamea. Diz que escolheu Franco por ele ser o maior e supor que ningu\u00e9m iria quer\u00ea-lo, entende que ocorreu a mesma coisa entre ela e a irm\u00e3. Sempre teve predile\u00e7\u00e3o por Franco at\u00e9 que aos dois anos de idade ela descobriu o outro g\u00eameo. Teve um pesadelo no qual ele cai com sua m\u00e3e no bueiro. Quando passeiam sozinhos Franco adverte sua m\u00e3e: \u00abCuidado com os bueiros\u00bb. Nas sess\u00f5es pergunta \u00abquem \u00e9 o mais forte, quem \u00e9 o mais alto?\u00bb. Ele mesmo responde: \u00abBatman \u00e9 o mais alto e o mais forte de todos!\u00bb. Diz que tem tr\u00eas pais: o av\u00f4 M., o av\u00f4 C e seu pai. A: \u00abUm s\u00f3 n\u00e3o basta?\u00bb. F: \u00abN\u00e3o, n\u00e3o sei se um s\u00f3 basta\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na terceira entrevista ele pergunta sobre as partes que faltam dos trilhos de um trem e repreende a analista por t\u00ea-los perdido. Brinca de ser o maior. Batman luta contra todos e sempre vence &#8216;ele \u00e9 o maior!\u00bb\u00bb. O maior est\u00e1 sozinho. Coloca-se em um lugar alto e diz \u00abme olhe\u00bb. A analista pega os brinquedos, mas evita o olhar. Ent\u00e3o F. diz \u00abtenho um segredo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida ele pergunta: \u00abVoc\u00ea n\u00e3o gosta de mim? Sou o maior.\u00bb Concentrada no jogo a analista diz \u00abE o que \u00e9 que tem ser o maior?\u00bb. Ap\u00f3s um momento de vacila\u00e7\u00e3o pega uma caixinha de joias e diz \u00abDe quem \u00e9 essa princesa?\u00bb. Tanto Batman (Franco) e como o homem aranha (a analista) quer a j\u00f3ia. O homem aranha pega a princesa e a leva. Franco grita, a analista diz \u00abn\u00e3o vou te dar\u00bb e a guarda. Na outra sess\u00e3o, frente a uma cena em que amea\u00e7a matar o homem aranha se a princesa n\u00e3o sair com ele, a analista faz falar a princesa dizendo \u00abn\u00e3o sei, por mais que voc\u00ea o mate eu o quero\u00bb. Franco ri. Aparecem o Outro e o saber. Franco quer saber. Pergunta pelos livros de Freud. Faz um rabisco. Vai buscar a princesa guardada em uma caixa de joias e diz: \u00abvamos jogar o objeto perdido\u00bb. O objeto perdido \u00e9 um papelzinho com um rabisco. Faz uma cova e diz \u00abVoc\u00ea n\u00e3o pode entrar porque \u00e9 grande, essa cova \u00e9 para os pequenos\u00bb. \u00abOs pequenos n\u00e3o podem tudo, os grandes tamb\u00e9m n\u00e3o\u00bb. Podemos ver com Franco que se trata de acompanh\u00e1-lo nesse bombardeio de atitudes e palavras, pois este o levou a localizar seu lugar no Outro e ao mesmo tempo lhe deu outro lugar. Ele tinha que ser o maior, o melhor para reafirmar a fantasm\u00e1tica materna. Seu pai apesar de intervir o fazia desde o lugar de par.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes casos, como disse Lacan, \u00e9 necess\u00e1rio que estejam presentes o corpo e a no\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o como perturba\u00e7\u00e3o que mobiliza algo do corpo, o que n\u00e3o ocorre quando a interpreta\u00e7\u00e3o se traduz em texto. Ali interv\u00e9m o t\u00f4nus, a voz e o sotaque at\u00e9 o gesto e o olhar. Ainda que seja excessiva \u00e9 preciso levar a s\u00e9rio sua resposta; n\u00e3o compreend\u00ea-la e nem fech\u00e1-la em um sentido que n\u00e3o seja o dele, para que apare\u00e7a algo que quem sabe ainda n\u00e3o estava presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratar-se-\u00e1 de captar a l\u00edngua pr\u00f3pria da crian\u00e7a e inseri-la em uma sequencia da qual ela (crian\u00e7a) pode dar conta. Como nos encontramos com sujeitos nos quais os significantes aparecem sem intervalos, corremos o risco de despejar algo da l\u00edngua materna, que por uma falha de transmiss\u00e3o, n\u00e3o foi produzido a partir deste la\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a cl\u00ednica mostra \u00e9 que quando se cede um pouco deste gozo narcisista, o vazio gerado a\u00ed poder\u00e1 se enganchar ao significante que ressoa com a puls\u00e3o. Isso se v\u00ea muito bem no caso de Franco onde se situa um S1 amo, a extra\u00e7\u00e3o de um objeto &#8211; olhar- o vazio, a joia e a aposta na inven\u00e7\u00e3o do objeto a partir de um saber ficcional.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Mariana B. Martins<br \/>\nRevis\u00e3o: Sandra A. Grostein<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Miller, J.-A., (2003)\u00a0<i>La experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica<\/i>, cap. VIII. Bs. As.: Paid\u00f3s, p. 134.<\/li>\n<li>Miller, J.-A., (2004)\u00a0<i>Los usos del lapso<\/i>, Bs.As.: Paid\u00f3s, p.165<\/li>\n<li>Cottet, S., (2012)\u00a0<i>L&#8217;inconscient de papa et le n\u00f4tre<\/i>. Paris, ed. Contribution \u00e0 la clinique lacanienne.<\/li>\n<li>Miller, J.-A., (2002)\u00a0<i>De la naturaleza de los semblantes<\/i>. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li>Refer\u00eancia da tradu\u00e7\u00e3o-Artur Rimbaud, Carta do vidente<br \/>\n<i>Car Je est un autre. Si le cuivre s&#8217;\u00e9veille clairon, il n&#8217;y a rien de sa faute. Cela m&#8217;est \u00e9vident: j&#8217;assiste \u00e0 l&#8217;\u00e9closion de ma pens\u00e9e: je la regarde, je l&#8217;\u00e9coute: je lance un coup d&#8217;archet: la symphonie fait son remuement dans les profondeurs, ou vient d&#8217;un bond sur la sc\u00e8ne.<\/i><br \/>\nCom efeito, EU \u00e9 outro. Se o cobre acorda clarim, a culpa n\u00e3o \u00e9 dele. Para mim, \u00e9 evidente: assisto \u00e0 eclos\u00e3o do meu pensamento: fito-o, escuto-o: dou com o golpe de arco no violino: a sinfonia tem um estremecimento nas profundidades ou salta de s\u00fabito para a cena.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bibliograf\u00eda<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Caillois, R., (1991) \u00abMimetismo y psicastenia legendaria\u00bb, en\u00a0<i>Referencias en la obra de Lacan<\/i>, n\u00ba 2, Bs.As.: Casa del Campo freudiano.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cottet, S., (2012)\u00a0<i>L&#8217;inconscient de papa et le n\u00f4tre<\/i>. Paris: ed. Contribution \u00e0 la clinique lacanienne.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Garc\u00eda, G., (2000) \u00abLas resonancias en Freud de nuestras preguntas\u00bb,\u00a0<i>D&#8217;Escolar<\/i>. Bs.As.: Atuel-An\u00e1fora Bs.As.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.,(1994)\u00a0<i>El Seminario Libro 4, La relaci\u00f3n de objeto<\/i>\u00a0(1956-57). Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (1987) \u00abLa pulsi\u00f3n parcial y su circuito\u00bb en\u00a0<i>El Seminario Libro 11, Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis\u00a0<\/i>(1964), cap. XIV. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (1985) \u00abAcerca de la causalidad ps\u00edquica\u00bb (1946), en\u00a0<i>Escritos<\/i>\u00a01. Bs. As.: Siglo XXI.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (1985) \u00abEl estadio del espejo como formador de la funci\u00f3n del yo (<i>je<\/i>) tal como se nos revela en la experiencia psicoanal\u00edtica\u00bb (1949). Ob. cit.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (1987) \u00abObservaci\u00f3n sobre el informe de Daniel Lagache: &#8216;Psicoan\u00e1lisis y estructura de la personalidad'\u00bb,\u00a0<i>Escritos 2<\/i>, Bs.As.: Siglo XXI, p\u00e1g. 657-659.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (2012) \u00abNota sobre el ni\u00f1o\u00bb en\u00a0<i>Otros Escritos<\/i>. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (2012)\u00a0<i>El Seminario libro 19, \u2026 o peor<\/i>\u00a0(1971-72). Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E., Presentaci\u00f3n de VI Enapol. Recuperado de www.enapol.com<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A-., (1998)\u00a0<i>Los signos de goce.<\/i>\u00a0Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A., \u00abAcerca del Gide de Lacan\u00bb,\u00a0<i>Malentendido n\u00b0 7<\/i>, Bs.As., 1990, Cap.IV.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J. \u2013A., Presentaci\u00f3n de VI Enapol. Recuperado de www.enapol.com<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A., (2011)\u00a0<i>Donc<\/i>. Bs. As., Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A., (2002)\u00a0<i>De la naturaleza de los semblantes<\/i>. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A., (2004) \u00abCapricho y voluntad\u00bb en\u00a0<i>Los usos del lapso<\/i>, cap. VIII. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller., J.-A., (2003) \u00abPatolog\u00eda de la conducta\u00bb en\u00a0<i>La experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica<\/i>, cap. VII. Bs. As.: Paid\u00f3s.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A.,\u00a0<i>La muy \u00faltima ense\u00f1anza de Lacan<\/i>, cl. 28-03-2007. In\u00e9dito.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[178],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1136,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1135\/revisions\/1136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}