{"id":1139,"date":"2021-08-18T21:24:11","date_gmt":"2021-08-19T00:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1139"},"modified":"2021-08-18T21:24:11","modified_gmt":"2021-08-19T00:24:11","slug":"lorena-grenas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/lorena-grenas-2\/","title":{"rendered":"Lorena Gre\u00f1as"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A viol\u00eancia conjugal como um n\u00f3 g\u00f3rdio<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA viol\u00eancia\u00bb e \u00aba nova ordem simb\u00f3lica\u00bb, significantes que aparecem e nos levam a conversar na tentativa de dar conta de alguns dos modos pelos quais se vive a puls\u00e3o de morte na atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia cabe destacar que, como assinala Mar\u00eda Clemencia Castro[1], este n\u00e3o \u00e9 um conceito psicanal\u00edtico e, em consequ\u00eancia, \u00e9 um termo carente de estatuto pr\u00f3prio dentro de sua teoria pela qual normalmente se liga a conceitos como agressividade, puls\u00e3o de morte ou gozo. Por\u00e9m, no Semin\u00e1rio 5, Lacan faz uma precis\u00e3o conceitual a respeito e afirma que, diferentemente da agressividade, a viol\u00eancia n\u00e3o cede \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o, antecipando tamb\u00e9m que remete \u00e0 ordem do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, em rela\u00e7\u00e3o a nova ordem simb\u00f3lica, cabe recordar o coment\u00e1rio feito por Graciela Brodsky[2], por ocasi\u00e3o das atividades preparat\u00f3rias ao \u00faltimo congresso da AMP, sobre o texto de \u00c9ric Laurent \u00abA ordem simb\u00f3lica no s\u00e9culo XXI, consequ\u00eancias para o tratamento\u00bb. Nele faz refer\u00eancia ao que Laurent chamou \u00abnossa posi\u00e7\u00e3o\u00bb [a respeito do simb\u00f3lico] para observar que podemos nos orientar por pelas duas vertentes por ele apresentadas: a primeira implica constatar a fragilidade das fic\u00e7\u00f5es que constituem nosso mundo, enquanto que a segunda constitue um elogio ao d\u00e9ficit do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A fragilidade das fic\u00e7\u00f5es e a viol\u00eancia conjugal:<\/span><br \/>\nSabemos bem que esta \u00e9poca se caracteriza por uma vacila\u00e7\u00e3o dos semblantes, uma fragilidade das fic\u00e7\u00f5es que incide em todos os \u00e2mbitos da vida e que a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, afetada por uma hi\u00e2ncia estrutural, \u00e9 um marco id\u00f4neo para a emerg\u00eancia da viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<i>viol\u00eancia contra a mulher[3]<\/i>implica todas as a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es que se realizem contra ela pelo fato de ser mulher e que produzam dano ou sofrimento (f\u00edsico, sexual, econ\u00f4mico ou psicol\u00f3gico) tanto no \u00e2mbito p\u00fablico como no privado; a viol\u00eancia conjugal \u00e9 pr\u00f3pria a este \u00faltimo \u00e2mbito. Segundo um estudo organizado pela OMS, a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 \u00abum problema de sa\u00fade global de propor\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas\u00bb.[4] O estudo tamb\u00e9m revela que, dentro da viol\u00eancia contra a mulher, a viol\u00eancia conjugal \u00e9 o tipo mais comum, afetando 1 em cada 3 mulheres em todo o mundo. Em rela\u00e7\u00e3o ao impacto que tem sobre a sa\u00fade, o informe indica que esta \u00e9 a causa de \u00abmorte e les\u00f5es, depress\u00e3o, problemas do uso do \u00e1lcool, infec\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o sexual, gravidez n\u00e3o desejada e aborto\u00bb.[5]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe recordar que, tal como mostra Carlos Dante Garcia[6], a partir de 2002 a OMS incluiu a viol\u00eancia entre os problemas de sa\u00fade, deixando de constituir um componente inevit\u00e1vel da condi\u00e7\u00e3o humana para converter-se em um problema sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<i>feminic\u00eddio<\/i>\u00a0\u00e9 um significante que pertence a nova ordem simb\u00f3lica e \u00e9 definido como a morte violenta de uma mulher no exerc\u00edcio de um poder de g\u00eanero contra ela.[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Cristina Siekavizza: um caso paradigm\u00e1tico<\/span><br \/>\nQuem era Cristina Siekavizza? Os meios de comunica\u00e7\u00e3o[8] a descrevem como uma mulher de 33 anos, casada h\u00e1 8 anos, m\u00e3e de 2 filhos, que estudou em um col\u00e9gio cat\u00f3lico para mulheres e que, em seguida, obteve um t\u00edtulo universit\u00e1rio. Seus familiares e amigas a descrevem como uma mulher de fam\u00edlia dedicada ao cuidado de seus filhos, inteligente e capaz. Em 7 de julho de 2011, seu marido, Roberto, relatou seu desaparecimento. Mesmo que, inicialmente, tenha sido considerado como um sequestro, investiga\u00e7\u00f5es posteriores encontraram evid\u00eancias que o incriminavam pelo poss\u00edvel assassinato e demonstravam que Cristina sofria de viol\u00eancia conjugal. O marido contou com o apoio de seus pais, um ex-juiz aposentado e uma ex-presidente da Corte Suprema de Justi\u00e7a, para fugir sem deixar rastros levando seus filhos. O corpo de Cristina nunca apareceu. Sobre isso, um meio de comunica\u00e7\u00e3o relata que, nos dois anos transcorridos, muitas dilig\u00eancias foram feitas para \u00abmontar o quebra-cabe\u00e7as\u00bb: an\u00e1lise de chamadas telef\u00f4nicas, revis\u00e3o de correios, escava\u00e7\u00f5es em cemit\u00e9rios e terrenos baldios, testes de DNA, buscas em rios e lagos, aplica\u00e7\u00f5es de luminol, an\u00e1lise de arcadas dent\u00e1rias e testes psicol\u00f3gicos, dentre muitas outras. \u00abTodas tem produzido pistas, por\u00e9m nenhuma levou \u00e0s pe\u00e7as que faltavam para resolver o caso\u00bb.[9] Se indica tamb\u00e9m que as autoridades encarregadas asseguram que o processo est\u00e1 em perigo porque sem corpo n\u00e3o h\u00e1 delito, por conseguinte, n\u00e3o existe caso. Trata-se, portanto, de encontrar os restos para indiciar o \u00abculpado\u00bb, ou \u00abagressor\u00bb, enquanto Cristina fica reduzida a categoria de \u00abv\u00edtima\u00bb. Busca-se provar que realmente foi assassinada. N\u00e3o se trata nem do real nem do corpo que interessa a psican\u00e1lise. No dizer de Lacan: \u00abO real, eu diria, \u00e9 o mist\u00e9rio do corpo falante, \u00e9 o mist\u00e9rio do inconsciente\u00bb.[10] Somente assim, atrav\u00e9s de um corpo que fala, seria poss\u00edvel ter acesso \u00e0s dimens\u00f5es do desejo e do gozo \u2013 tanto em Cristina como em Roberto -, que os levaram a este desfecho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de mulheres que inclui familiares, companheiras e amigas, criou o movimento \u00abVozes por Cristina\u00bb. Seu objetivo: lutar pela justi\u00e7a e pela verdade na Guatemala, unidas para romper a cultura do sil\u00eancio, o medo e a indiferen\u00e7a. Sua exig\u00eancia: justi\u00e7a, transpar\u00eancia e verdade no caso Siekavizza, que se cumpra a lei sem press\u00f5es, subornos nem tr\u00e1fico de influ\u00eancias\u00bb[11]. Seu lema: \u00abCristina, n\u00e3o nos calar\u00e3o, agora somos tua voz\u00bb.[12] Torna-se dif\u00edcil ignorar a formula\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica do que diz a voz:\u00a0<i>Goza!<\/i>, manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<i>feminic\u00eddio<\/i>, Jorge Castillo mostra que \u00abna perspectiva da hist\u00f3ria, as mulheres t\u00eam encontrado a morte pelas m\u00e3os dos homens em casos excepcionais, j\u00e1 que os homens tendem mais a matar-se entre eles\u00bb.[13] Esclarece que, tradicionalmente, seu assassinato teria a estrutura do bode expiat\u00f3rio onde o conjunto da sociedade p\u00f5e fim ao mal purificando-se no mesmo ato e que tal forma de execu\u00e7\u00e3o de mulheres obedece \u00e0 l\u00f3gica do todo que \u00e9 tribut\u00e1ria do pai como exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, a mulher representava um problema cuja solu\u00e7\u00e3o consistia na exclus\u00e3o. Por\u00e9m, com as transforma\u00e7\u00f5es sociais, \u00abo mesmo ponto em que nascem os direitos da mulher marca, contra contrapartida sinistra, o passo do rito cat\u00e1rtico ao ato delituoso irracional\u00bb.[14] Castillo afirma que \u00e9 poss\u00edvel incluir esta forma de viol\u00eancia contra a mulher dentro dos efeitos da queda do pai, j\u00e1 que a lei ed\u00edpica \u2013 que ordena a sexualidade humana a partir da proibi\u00e7\u00e3o -, deixa sempre um resto inassimil\u00e1vel: o supereu. Assim, \u00abquanto mais fr\u00e1gil \u00e9 o pai, mais poderoso \u00e9 esse resto e mais insuport\u00e1vel se torna para o sujeito, pois lhe ordena um imposs\u00edvel: gozar plenamente\u00bb.[15] Conclui afirmando que frente a inoper\u00e2ncia do falo \u2013 que historicamente servia de mediador para a rela\u00e7\u00e3o entre os sexos \u2013 a viol\u00eancia da passagem ao ato, em qualquer de suas formas, mostra-se, em geral, como \u00fanica sa\u00edda. Finaliza destacando que o supereu opera tanto em homens como em mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pertin\u00eancia das afirma\u00e7\u00f5es anteriores confirmam as investiga\u00e7\u00f5es compiladas na publica\u00e7\u00e3o\u00a0<i>Femicidio: Un fen\u00f3meno global<\/i>[16]. Um coment\u00e1rio sobre seus resultados afirma que se chegou a constatar que, na maior parte dos pa\u00edses onde existem leis e outras medidas para combater tais assassinatos, n\u00e3o se constata uma redu\u00e7\u00e3o significativa deles. Pelo contr\u00e1rio, nos \u00faltimos anos, em muitos destes pa\u00edses, os\u00a0<i>feminic\u00eddios<\/i>\u00a0tiveram um aumento alarmante\u00bb[17]. A experi\u00eancia da Guatemala o confirma. Mesmo a\u00a0<i>Lei contra o feminic\u00eddio e outras formas de viol\u00eancia contra a mulher<\/i>[18], decretada no pa\u00eds em 2008, na Guatemala se registra o maior n\u00famero de feminic\u00eddios da Am\u00e9rica Central, com um n\u00famero esmagador sem resolu\u00e7\u00e3o e em absoluta impunidade[19]. O editorial conclui: \u00ab[\u2026] reiteramos \u00e0s autoridades nossa en\u00e9rgica demanda para que os recentes assassinatos de mulheres, assim como os que permanecem impunes, sejam devidamente esclarecidos e que sobre os respons\u00e1veis recaia todo o peso da lei penal.\u00a0<i>Dura lex, sed lex!<\/i>\u00a0(Lei dura por\u00e9m lei)\u00bb[20].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Do Outro que n\u00e3o existe&#8230; ao Outro que se faz existir de maneira in\u00e9dita<\/span><br \/>\nNo coment\u00e1rio citado no in\u00edcio, Brodsky diz que ao tomar a primeira vertente, n\u00e3o gostaria de \u00abrepetir o mesmo explorando as variantes do Outro que n\u00e3o existe\u00bb[21] e que preferiria \u00abexplorar os pontos suspensivos que v\u00e3o dessa inexist\u00eancia at\u00e9 o que se passa quando o Outro se faz existir de maneira in\u00e9dita\u00bb[22]. Prop\u00f5e, ent\u00e3o, como exemplo, tomar a figura da m\u00e3e e diz: \u00ab[&#8230;] a declina\u00e7\u00e3o do Nome do Pai n\u00e3o s\u00f3 tem acoplada a prolifera\u00e7\u00e3o de um n\u00e3o-todo, um n\u00e3o-todo feminino, com o que isso tem de capricho, como tamb\u00e9m que h\u00e1 uma nova consequ\u00eancia da declina\u00e7\u00e3o do Nome do Pai que \u00e9 o retorno das figuras maternas\u00bb.[23] Tal reflex\u00e3o a leva a propor que em Lacan, no mesmo contexto em que se realiza a interroga\u00e7\u00e3o sobre o pai, aparece a referencia \u00e0 ordem materna que tem seu ponto culminante em uma passagem do Semin\u00e1rio 21: \u00ab[&#8230;] a esse Nome do Pai, se substitui uma fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a de &#8216;nomear para&#8217; (<i>nommer \u00e0<\/i>) [&#8230;] Ser nomeado para algo, \u00e9 aqui o que desponta em uma ordem que se parece, efetivamente, substituir o Nome do Pai. Salvo que aqui, a m\u00e3e geralmente basta por si s\u00f3 para designar seu projeto e para indicar seu caminho\u00bb[24].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a contribui\u00e7\u00e3o, para esclarecer o tema da viol\u00eancia conjugal, se produz a partir desta proposta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O Supereu<\/span><br \/>\nNo semin\u00e1rio\u00a0<i>O Supereu: do Ideal ao objeto [25]<\/i>, Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse faz refer\u00eancia a mesma passagem citada por Brodsky e observa que se trata de um par\u00e1grafo muito pol\u00edtico no qual Lacan fala da muta\u00e7\u00e3o, da mudan\u00e7a do \u00c9dipo em rela\u00e7\u00e3o com a modernidade. Ressalta que a cita\u00e7\u00e3o \u00ab\u00e9 uma promessa de um poder da m\u00e3e sozinha com o filho, al suplantar o Nome do Pai com a fun\u00e7\u00e3o &#8216;nomear para&#8217; \u00ab. Esclarece tamb\u00e9m que a fun\u00e7\u00e3o de &#8216;nomear para&#8217; implica o uso e n\u00e3o o nome e que isto implica o poder do real mais que o poder do significante. Assim, onde estava o nome, hoje est\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o \u2013 um empuxo \u00e0 voz. \u00abA voz materna que vai &#8216;nomear para, quer dizer um supereu mais e mais materno[&#8230;]\u00bb.[26]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia conjugal, cabe ponderar a incid\u00eancia do supereu nas diversas formas de passagem ao ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A dimens\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nPor outro lado, no ensino de Lacan, a figura da m\u00e3e como um Outro primordial ficou vinculada \u00e0 dimens\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o. J.-A. Miller assinala que na medida em que o ensino de Lacan oscilou em priorizar o significante e a significa\u00e7\u00e3o para o gozo, ganha relev\u00e2ncia o ser e aparece a no\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>\u00a0que chega a incluir o gozo do corpo. Disse ainda que, na medida em que o Outro se transforma tamb\u00e9m em Outro sexuado, o acesso a este se torna problem\u00e1tico. Ent\u00e3o, recorre a no\u00e7\u00e3o da demanda de amor e destaca que nela, mais al\u00e9m do ter, se busca o ser do Outro. Sustenta que do lado da mulher, o acesso ao Outro se realiza, habitualmente, pelo lado do amor. A rela\u00e7\u00e3o da mulher com o S(A\/) a conecta com o infinito e isto faz surgir a dimens\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o que \u00ab\u00e9 exatamente a outra cara do amor [&#8230;] a face de gozo do amor\u00bb. [27]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<i>Posiciones femininas del ser<\/i>[28], Laurent se refere tamb\u00e9m \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o. Menciona o caso de mulheres que consentiram com o fantasia do homem em posi\u00e7\u00f5es subjetivas nas quais a dor e a humilha\u00e7\u00e3o est\u00e3o unidas, j\u00e1 que nelas n\u00e3o opera o limite da amea\u00e7a de castra\u00e7\u00e3o; isto lhes permite ir mais longe que os homens nos caminhos da devo\u00e7\u00e3o ao amor. Assim, uma mulher pode estar muito mais decidida a privar-se de tudo ter na busca de ser tudo para o homem com o qual formaria uma\u00a0<i>parceria-devasta\u00e7\u00e3o<\/i>. Sobre isso, em um texto preparat\u00f3rio para o ENAPOL, Marisa Morao[29] indica que o fen\u00f4meno da viol\u00eancia sobre o corpo do ser falante feminino mostra um uso devastador que tem lugar na\u00a0<i>parceria-devasta\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0e que no\u00a0<i>feminic\u00eddio<\/i>\u00a0os homens batem, matam, molestam o Outro corpo. Cabe finalmente recordar Lacan, no Semin\u00e1rio 23, quando afirma: \u00abPode dizer-se que o homem \u00e9 para uma mulher tudo o que quiserem, a saber, uma afli\u00e7\u00e3o pior que um sinthoma. Voc\u00eas podem inclusive articular isso como lhes for conveniente. Trata-se mesmo de uma devasta\u00e7\u00e3o.\u00bb [30]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Elogio ao d\u00e9ficit no simb\u00f3lico: o imposs\u00edvel de representar<\/span><br \/>\nSeguindo as indica\u00e7\u00f5es de Graciela Brodsky no coment\u00e1rio acima citado, me valerei de uma vinheta cl\u00ednica para abordar a problem\u00e1tica da viol\u00eancia entre c\u00f4njuges pela via do elogio ao d\u00e9ficit no simb\u00f3lico. Nessa dimens\u00e3o, Laurent aborda tr\u00eas imposs\u00edveis: o da representa\u00e7\u00e3o, o da identifica\u00e7\u00e3o e da nomea\u00e7\u00e3o. Assim, ele recorre ao\u00a0<i>sonho<\/i>, refer\u00eancia freudiana fundamental que foi retomada por Lacan, para mostrar que n\u00e3o h\u00e1 significante que represente o sujeito. \u00abA impossibilidade de marcar seu lugar como consci\u00eancia do sonho, faz do sonhador um sujeito que n\u00e3o est\u00e1 no lugar de ningu\u00e9m; o gozo p\u00f5e um limite na representa\u00e7\u00e3o do sujeito pelo significante.\u00bb[31] B. consulta pelas dificuldades que tem em sua rela\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o conjugal. Tem convivido com seu namorado durante v\u00e1rios anos, por\u00e9m, esta conviv\u00eancia foi interrompida por um par de separa\u00e7\u00f5es. A \u00faltima aconteceu devido a uma discuss\u00e3o na qual ele a insultou e ela partiu para cima dele descontrolada, atirou-lhe um prato e fincou-lhe as unhas. Filha de um pai vendedor de sucesso e alco\u00f3lico e uma m\u00e3e profissional no ramo da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, B. garante que com \u00abele atirou a toalha\u00bb, por\u00e9m, que faz \u00abtudo\u00bb por sua m\u00e3e. Durante as entrevistas preliminares leva um sonho: \u00abestou na cama abra\u00e7ando minha m\u00e3e. Meu pai chega embriagado e come\u00e7o a bater nele com um porrete [&#8230;] a festa foi arruinada\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sonho abre a possibilidade de um trabalho em que B. se responsabiliza por \u00absua\u00bb viol\u00eancia e seu gozo que a despertam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Ao modo de conclus\u00e3o:<\/span><br \/>\nA inclus\u00e3o da viol\u00eancia de casal nas categorias jur\u00eddicas e da sa\u00fade \u00e9 uma tentativa \u2013 a partir do discurso do mestre \u2013 de trata-la de maneira universal com o que desaparece a possibilidade de fazer uma subjetiva\u00e7\u00e3o, sempre singular, sobre esta. Tal abordagem se sustenta por ideais \u2013 de cura, de controle total, etc. \u2013 nos quais n\u00e3o cabe o resto. Deste modo, tal resposta est\u00e1 necessariamente condenada ao fracasso ao encontrar-se sempre com esse ponto de impossibilidade que se sustenta na f\u00f3rmula de Lacan: \u00abtodo mundo \u00e9 louco, quer dizer, delirante\u00bb. [32]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise , em troca, abre outra via: a da pol\u00edtica do sintoma que implica conduzir o sujeito at\u00e9 sua \u00abdivis\u00e3o mais pr\u00f3xima\u00bb onde se enla\u00e7am \u00aba divis\u00e3o do sujeito do inconsciente, a divis\u00e3o de mensagem de seu sintoma, com esta outra divis\u00e3o produzida pela puls\u00e3o\u00bb[33]. Trata-se, portanto, de recorrer aos sintomas para falar com o corpo sede \u00abdas puls\u00f5es que s\u00e3o o eco no corpo do fato de que h\u00e1 um dizer\u00bb[34] sem esquecer que o \u00abinconsciente implica que algu\u00e9m o escute\u00bb como afirma Lacan em Televis\u00e3o[35] e, por isso, requer um analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar com o corpo para tomar para si \u00absua \u00abviol\u00eancia e responsabilizar-se por seu gozo, delimitando dessa maneira o poder do supereu e da demanda de devasta\u00e7\u00e3o que poderia estar em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proponho vincular a viol\u00eancia de casal ao n\u00f3 cego ou n\u00f3 g\u00f3rdio que se caracteriza pela dificuldade para desata-lo. Cabe recordar que este n\u00f3 recebeu seu nome do lavrador G\u00f3rdio, cuja riqueza era possuir uma carro\u00e7a e seus bois. Depois de ser eleito rei, por ser o primeiro a entrar no templo, ele ofereceu seu carro em sinal de agradecimento amarrando nele a r\u00e9dea e o arreio com um n\u00f3 cujos cabos estavam escondidos no interior do n\u00f3. O n\u00f3 era t\u00e3o complicado que ningu\u00e9m podia desat\u00e1-lo, quem o conseguisse conquistaria o mundo. Alexandre, O Grande, enfrentou o desafio solucionou o problema cortando-o com sua espada. Zeus concordou com a solu\u00e7\u00e3o e disse: \u00abd\u00e1 no mesmo cortar e desatar\u00bb [36].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corte se articula \u00e0 dimens\u00e3o do ato e est\u00e1 do lado da inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Ondina Machado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Castro, M. C..\u00a0<i>Transgresi\u00f3n, Goce y Profanaci\u00f3n<\/i>, Contribuciones desde el Psicoan\u00e1lisis al estudio de la violencia y la guerra. Serie de Psicolog\u00eda Social. Universidad Nacional de Colombia. Facultad de Ciencias Humanas. Departamento de Psicolog\u00eda: Colombia, 2005, p. 35 &#8211; 49<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brodsky, G. Hacia el VIII Congreso de la AMP 2012. Actividades Preparatorias. Noche del Comit\u00e9 de Acci\u00f3n de la Escuela Una. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.congresoamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.congresoamp.com<\/a>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lei contra o\u00a0<i>feminic\u00eddio<\/i>\u00a0e outras formas de viol\u00eancia contra a mulher do Congresso da Rep\u00fablica da Guatemala, Decreto 22-2008.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade \u2013 OMS \u2013\u00a0<i>Informe da OMS destaca que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 \u00abum problema de sa\u00fade global de propor\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas\u00bb.\u00a0<\/i>Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.who.int\/mediacentre\/news\/releases\/2013\/violence_against_women_20130620\/es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.who.int\/mediacentre\/news\/releases\/2013\/violence_against_women_20130620\/es\/<\/a>. Consultado em 28 de setembro de 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Garc\u00eda, C.D. \u00abLa violencia: \u00a1Qu\u00e9 locura! In:\u00a0<i>A viol\u00eancia: sintoma social da \u00e9poca.\u00a0<\/i>Machado, O.M.; Derezensky, E. (Orgs). Belo Horizonte: Scriptum\/EBP, 2013, p. 121-128.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lei contra o\u00a0<i>feminic\u00eddio<\/i>\u00a0e outras formas de viol\u00eancia contra a mulher do Congresso da Rep\u00fablica da Guatemala, Decreto 22-2008.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elperiodico.com.gt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.elperiodico.com.gt<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.s21.com.gt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.s21.com.gt<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/i>: mais, ainda. RJ: JZE, 1985, p. 178.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00abVoces por Cristina\u00bb. Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Castillo, J. \u00ab<i>Sobre la figura del femicidio\u00bb.\u00a0<\/i>En Contingencia: Nuevos hombres, nuevas mujeres, nuevas pasiones. Publicaci\u00f3n del Departamento de Psicoan\u00e1lisis y Pol\u00edtica. C\u00f3rdoba: agosto 2012<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, p. 50<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, p. 50<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.contralosfemicidios.hn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.contralosfemicidios.hn<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sedem.org.gt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.sedem.org.gt<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><i>Feminicidio.\u00a0<\/i>Editorial del 18 de enero del 2013 de El Peri\u00f3dico. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elperiodico.com.gt\/es\/20130118\/opinion\/223527\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.elperiodico.com.gt\/es\/20130118\/opinion\/223527<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brodsky, G. Hacia el VIII Congreso de la AMP 2012. Actividades Preparatorias. Noche del Comit\u00e9 de Acci\u00f3n de la Escuela Una. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.congresoamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.congresoamp.com<\/a>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>Le S\u00e9minaire, livre XXI<\/i>: les non-dupes errent \/ Les noms du p\u00e9re. Le\u00e7on 19\/03\/74<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M. H. (2011). El Supery\u00f3: Del ideal al objeto. Perspectivas pol\u00edticas, cl\u00ednicas y \u00e9ticas. CIEC 1\u00aa. Ed. C\u00f3rdoba: Babel Editorial<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, p. 74-75<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">J.-A. Miller,\u00a0<i>El partenaire-s\u00edntoma<\/i>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008, p. 273-276<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><i>Laurent, E. Posiciones Femeninas del ser.\u00a0<\/i>Buenos Aires: Editorial Tres Haches, 1999, p. 70. Em portugu\u00eas: Laurent, E.\u00a0<i>A psican\u00e1lise e a escolha das mulheres<\/i>. Belo Horizonte: Scriptum\/ EBP, 2012, p. 82.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Morao, M. \u00abFeminicidio\u00bb. Dispon\u00edvel em Textos:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/\">http:\/\/www.enapol.com<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.<i>\u00a0O Semin\u00e1rio, livro 23:\u00a0<\/i>o sinthoma<i>.\u00a0<\/i>RJ: JZE. 2007, p. 98.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E. \u00abA ordem simb\u00f3lica no s\u00e9culo XXI: consequ\u00eancias para o tratamento. Papers n.1. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.congresoamp.com\/Papers\/Papers-001.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.congresoamp.com\/Papers\/Papers-001.pdf<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A. Iron\u00eda. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/es.scribd.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/es.scribd.com<\/a>\u00a0. Em portugu\u00eas: Miller, J.-A. \u00abCl\u00ednica ir\u00f4nica\u00bb.\u00a0<i>Matemas I<\/i>. RJ: JZE, 1996, p. 192.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Bassols, Miquel. \u00abUna pol\u00edtica del s\u00edntoma, llevar al sujeto hasta su divisi\u00f3n m\u00e1s pr\u00f3xima\u00bb. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nel-mexico.org\/articulos\/seccion\/textosonline\/subseccion\/La-experiencia-analitica\/715\/Una-politica-del-sintoma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.nel-mexico.org\/articulos\/seccion\/textosonline\/subseccion\/La-experiencia-analitica\/715\/Una-politica-del-sintoma<\/a>\u00a0. Consultado em 11 de agosto de 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.<i>\u00a0O Semin\u00e1rio, livro 23:\u00a0<\/i>o sinthoma. RJ: JZE, 2007, p. 18.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan. J. \u00abTelevis\u00e3o\u00bb.\u00a0<i>Outros Escritos<\/i>. RJ: JZE, 2003, p. 517<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Nudo_gordiano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Nudo_gordiano<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[184],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1139"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1139"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1140,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1139\/revisions\/1140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}