{"id":1159,"date":"2021-08-18T21:31:22","date_gmt":"2021-08-19T00:31:22","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1159"},"modified":"2021-08-18T21:31:22","modified_gmt":"2021-08-19T00:31:22","slug":"ernesto-sinatra-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/ernesto-sinatra-2\/","title":{"rendered":"Ernesto Sinatra"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>As crises das normas e a agita\u00e7\u00e3o do real<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Integrantes:<\/b>\u00a0Nicol\u00e1s Bouso\u00f1o, miembro EOL, Dar\u00edo Galante, miembro EOL, Mabel Levato, miembro EOL, Claudio Spivak, miembro EOL, Jazm\u00edn Torregiani, miembro EOL.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Introdu\u00e7\u00e3o: @s nov@s adit@s<\/span><br \/>\nInterrogamos a agita\u00e7\u00e3o do real e as crises das normas no estado atual da civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 a\u00a0<i>globaliza\u00e7\u00e3o hipermoderna<\/i>\u00a0considerada na perspectiva do N\u00e3o-Todo \u2013 para desprender algumas particularidades sobre os usos que os\u00a0<i>parl\u00eatres<\/i>\u00a0fazem dos corpos no consumo atual de t\u00f3xicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-A. Miller demonstrou que a\u00a0<i>globaliza\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0obedece \u00e0 l\u00f3gica do N\u00e3o-Todo[1] pela subtra\u00e7\u00e3o produzida da exce\u00e7\u00e3o \u2013 do lado macho das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o \u2013 que se encarnava at\u00e9 ontem na autoridade do pai. Designou como\u00a0<i>feminiza\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>\u00a0esse momento da civiliza\u00e7\u00e3o em que o Todo j\u00e1 n\u00e3o pode constituir-se de modo tradicional por aquela extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir disso, a crise das normas tamb\u00e9m se manifesta na epidemia atual das classifica\u00e7\u00f5es. As\u00a0<i>teorias de g\u00eanero<\/i>\u00a0implodiram em in\u00fameras micrototalidades numa tentativa \u2013 sempre falha \u2013 de definir (e\/ou questionar) uma identidade sexual ap\u00f3s assegurar uma diferen\u00e7a irredut\u00edvel com as outras classifica\u00e7\u00f5es: homossexuais, bissexuais, transexuais, intersexuais, varia\u00e7\u00f5es\u00a0<i>queer<\/i>&#8230; at\u00e9 os autodenominados assexuais[2] se agregam \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia que enquadra nossa investiga\u00e7\u00e3o:<br \/>\n1\u00ba Queda do pai<br \/>\n2\u00ba Decl\u00ednio do viril<br \/>\n3\u00ba Feminiza\u00e7\u00e3o do mundo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que destino para os corpos toxic\u00f4manos quando os\u00a0<i>parl\u00eatres<\/i>\u00a0deixaram de responder \u00e0 autoridade do pai \u2013 que assegurava um conjunto fechado de leis que regulavam o gozo a partir da interdi\u00e7\u00e3o[3]? Eles chegam ao analista afetados por todo tipo de mal-estares \u2013 que costumam mostrar em seus corpos[4] &#8211; frequentemente ligados a a\u00e7\u00f5es realizadas, criminais e\/ou com presen\u00e7a de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, por\u00e9m sem interroga\u00e7\u00e3o alguma a respeito da conex\u00e3o entre o padecido e o realizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se aqui da vers\u00e3o \u00abs\u00e9culo XXI\u00bb de \u00abos delinquentes por sentimento de culpa\u00bb nos quais a fun\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o do pai j\u00e1 n\u00e3o regula na civiliza\u00e7\u00e3o como antes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir destas coordenadas tentamos decifrar os c\u00f3digos e interesses d@s nov@s adtit@s[5] em sua polifonia (os quais denotamos com o signo @ para cifrar dois tra\u00e7os da \u00e9poca: a\u00a0<i>web-globaliza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/i>e a marca na linguagem das batalhas de g\u00eanero): aditos \u00e0s drogas \u2013 com subst\u00e2ncias cada vez mais sofisticadas \u2013, mas n\u00e3o menos \u00e0 uma variedade de consumos t\u00e3o extensa quanto as a\u00e7\u00f5es que denotam os mais diversos modos de gozar:\u00a0<i>work-alcoholics, cyber<\/i>-aditos, tele-aditos, ludo-aditos, sexo-aditos, pessoas t\u00f3xicas&#8230; Aqui tamb\u00e9m a lista pareceria intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De nossa parte, inclu\u00edmos na lista os\u00a0<i>corpos agitados<\/i>\u00a0\u2013 usos man\u00edacos do corpo como efeito da falta de regulador f\u00e1lico; os\u00a0<i>novos usos dos buracos do corpo<\/i>\u00a0\u2013\u00a0<i>vodca eyeballing, Chilly Willy, Tampax on the Rocks<\/i>, at\u00e9 os \u00abpropriet\u00e1rios\u00bb de corpos-m\u00e1quina. Abordamos seu tratamento com o princ\u00edpio de que toda a\u00e7\u00e3o humana propicia sempre uma forma espec\u00edfica de gozo singularizada segundo a modalidade de satisfa\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica de cada\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">As tribos urbanas: micro-totalidades de gozo<\/span><br \/>\n<i>Sempre se pode explicar que a estrutura do n\u00e3o-todo \u00e9 abstrata e que, de fato, na realidade, as coisas n\u00e3o funcionam assim. \u00c9 que esta m\u00e1quina implica a constitui\u00e7\u00e3o insistente de micrototalidades que, ao oferecer nichos, abrigos, certo grau de sistematiza\u00e7\u00e3o, estabilidade, codifica\u00e7\u00e3o, permitem restituir certo dom\u00ednio. Entretanto, isto \u00e9 \u00e0 custa de uma especializa\u00e7\u00e3o extrema dos sujeitos ali presos, que traduz a presen\u00e7a de tal m\u00e1quina. Assim, para restituir um dom\u00ednio, \u00e9 preciso escolher um campo muito restrito de significantes, um campo muito restrito de saber.<br \/>\n<\/i>Jacques A.-Miller[6]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos as modifica\u00e7\u00f5es no la\u00e7o social: m\u00faltiplos agrupamentos que respondem ao colapso do universal \u2013 as denominadas tribos urbanas \u2013 que se refugiam em micro-totalidades: sistemas abertos que agrupam integrantes por identifica\u00e7\u00f5es a um tra\u00e7o a partida da coalesc\u00eancia de saber e gozo:\u00a0<i>Skaters, Grunges, G\u00f3ticos, Heavies, Hard Cores,Sskin Heads, Emos, Rappers, Floggers<\/i>&#8230; a lista n\u00e3o fecha, mostrando sua inconsist\u00eancia estrutural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O elemento aglutinante das tribos \u00e9 um gozo \u00eaxtimo: exclu\u00eddos do universo social com inclus\u00e3o solid\u00e1ria no bando; marginaliza\u00e7\u00e3o das leis do Outro com inser\u00e7\u00e3o fortemente normativa em sua micrototalidade. As subst\u00e2ncias t\u00f3xicas costumam ser coadjuvantes do la\u00e7o social, e em certas ocasi\u00f5es adv\u00eam como marcas determinantes do agir compartilhado, como acontece no \u00abrito do\u00a0<i>botell\u00f3n<\/i>\u00bb [garraf\u00e3o], uma modalidade de certas tribos urbanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">As tribos do\u00a0<i>botell\u00f3n<\/i>\u00a0\u2013 um rito urbano<\/span><b><br \/>\n<\/b>O decl\u00ednio do pai arrastou em sua queda os grandes ritos a ele dirigidos. J\u00e1 n\u00e3o existem os sintomas tradicionais do s\u00e9culo freudiano decifrados seguindo os tra\u00e7os n\u00edtidos do inconsciente; eles eclodiram e surgem, em seu lugar, novas forma\u00e7\u00f5es \u2013 as que frequentemente n\u00e3o chegam a cristalizarem-se em sintomas. \u00c9 uma consequ\u00eancia maior da passagem do \u00abN\u00e3o gozar\u00e1!\u00bb ao \u00abDeves gozar\u00bb!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais forma\u00e7\u00f5es se re\u00fanem hoje no corpo do\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>\u00a0\u2013 mas n\u00e3o menos no corpo social \u2013 mostrando que o impacto com o imposs\u00edvel segue determinando as mais variadas formas de gozo. Embora no s\u00e9culo freudiano fossem as amn\u00e9sias hist\u00e9ricas e os rituais obsessivos os sintomas cl\u00e1s\u00adsicos que monstravam a predomin\u00e2ncia da defesa, hoje os sintomas revelam mais decisivamente as formas de gozo. Defesa e gozo dividem suas \u00e1guas entre os dois s\u00e9culos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe organiza\u00e7\u00e3o social do toxic\u00f4mano, por mais s\u00edtios ou comunidades que lhe ofere\u00e7a, ele n\u00e3o \u00absocializa\u00bb facilmente \u2013 salvo para participar do circuito das drogas. O \u00abadito\u00bb s\u00f3 responde \u00e0 dimens\u00e3o autista do sintoma, ele \u00e9 o representante maior de uma pr\u00e1tica que produz um curto-circuito de gozo no corpo. Ent\u00e3o, como falar de\u00a0<i>ritos toxic\u00f4manos<\/i>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00abrito do\u00a0<i>botell\u00f3n<\/i>\u00bb nasceu nos espa\u00e7os mais exclusivos de Madri e chegou ao nosso continente. \u00c9 uma pr\u00e1tica coletiva realizada por jovens, circunscrita a territ\u00f3rios confinados por ruas estreitas \u2013 denominadas zonas do<i>\u00a0botell\u00f3n<\/i>\u00a0\u2013, que aterroriza os vizinhos e que se propaga muito rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos seus passos \u00e0 luz da\u00a0<i>comida tot\u00eamica<\/i>\u00a0freudiana em Totem e Tabu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, a reuni\u00e3o de\u00a0<i>todos<\/i>\u00a0os integrantes \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a festa; logo se prepara o consumo regrado com a montagem do\u00a0<i>botell\u00f3n<\/i>\u00a0incorporando ingredientes da por\u00e7\u00e3o \u2013 costuma-se adicionar diversas drogas, ainda que n\u00e3o necessariamente; depois: a ingest\u00e3o; mais tarde, os interc\u00e2mbios entre os integrantes (j\u00e1 nem t\u00e3o regrados); finalmente, o\u00a0<i>resto<\/i>\u00a0do rito: os desmaiados e os dejetos org\u00e2nicos espalhados por toda parte. Os desmaios costumam ser de tal propor\u00e7\u00e3o que se teve de aplicar uma \u00ablegisla\u00e7\u00e3o anti<i>botell\u00f3n<\/i>\u00ab.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisemos o fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata nem do habitual gozo autista do toxic\u00f4mano nem de uma\u00a0<i>festinha<\/i>\u00a0privada ou semi-p\u00fablica, mas sim de uma organiza\u00e7\u00e3o social parox\u00edstica e repetitiva: um encontro[7] regrado de uma tribo urbana em torno do uso comum de uma subst\u00e2ncia t\u00f3xica \u2013\u00a0<i>subst\u00e2ncia t\u00f3xica<\/i>\u00a0e n\u00e3o\u00a0<i>\u00e1lcool<\/i>\u00a0para enfatizar a\u00a0<i>fun\u00e7\u00e3o do t\u00f3xico[8]<\/i>\u00a0e aplica-la a um conglomerado social: a tribo do\u00a0<i>botell\u00f3n<\/i>. Ademais, aceitamos que se trata de um rito, j\u00e1 que a repeti\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o toxic\u00f4mana \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de sua efetua\u00e7\u00e3o \u2013 sempre em presen\u00e7a da comunidade, nunca como a\u00e7\u00e3o isolada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos falar aqui do \u00abretorno hipermoderno do alcoolismo\u00bb, j\u00e1 que os alco\u00f3licos puros que haviam se extinguido \u2013 vingadores nost\u00e1lgicos no nome do pai, geralmente por amores contrariados \u2013 se reciclam em tribos urbanas. Por\u00e9m tamb\u00e9m podemos denominar este dispositivo ritual como\u00a0<i>m\u00e1quina de guerra[9]<\/i>, o que se instala no centro do princ\u00edpio do prazer do mercado para\u00a0<i>devolver-lhe<\/i>\u00a0seus restos: os indiv\u00edduos ca\u00eddos do sistema, objeto real do consumo[10].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra consequ\u00eancia \u00e9 que, diferentemente das antigas sociedades tribais organizadas em torno do pai-totem[11], neste ritual hipermoderno, no lugar do pai, h\u00e1 um vazio e nele resta a pegada de gozo de uma pisada hedionda, resto t\u00e3o inclassific\u00e1vel como o do gozo toxic\u00f4mano, pegada esvaziada da obedi\u00eancia retroativa ao pai morto freudiano. Por\u00e9m, ent\u00e3o, um rito sem pai do nome que o sustente, \u00e9 um rito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reencontramos aqui nossa hip\u00f3tese inicial. Este rito urbano \u00e9 paradigm\u00e1tico do estado atual da civiliza\u00e7\u00e3o, nomeado\u00a0<i>feminiza\u00e7\u00e3o do mundo<\/i>: depois que o pai-Uno se retirou deixando um vazio central, estruturas inconsistentes \u2013 em s\u00e9rie e abertas \u2013 regem a organiza\u00e7\u00e3o social desde o N\u00e3o-Todo espalhando seus gozos.<\/p>\n<p class=\"Titulo4\" style=\"text-align: justify;\">Corpos toxic\u00f4manos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1. Corpos m\u00e1quina<\/b><br \/>\n<i>\u00abn\u00e3o sabemos o que \u00e9 o ser vivente, exceto que \u00e9 um corpo, isso se goza\u00bb<\/i>[12]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-A. Miller afirmava que Lacan sabia que ir\u00edamos, cada vez mais, no sentido de Descartes, de operar sobre o corpo, \u00abde decomp\u00f4-lo como uma m\u00e1quina\u00bb.[13] A ideia \u00abde unidade do corpo ficou para tr\u00e1s, o que est\u00e1 em marcha \u00e9 um devir corpo fragmentado, uma opera\u00e7\u00e3o sobre o real do corpo\u00bb.[14]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um entrevistado, consumidor de m\u00faltiplos t\u00f3xicos dentre os quais o \u00e1lcool tem um lugar privilegiado, relata o que chama \u00absurra\u00bb: s\u00e9rie de consumos organizados racionalmente dos quais extrai efeitos diversos segundo cada t\u00f3xico. Localiza o desencadeante em uma tens\u00e3o que se incrementa quando o Outro \u2013 chefe, pai, namorada \u2013 apresenta-se como demasiado exigente. Goza da surra enquanto pretende liberar uma tens\u00e3o. Seu problema: quando isso escapa do controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca de al\u00edvio, consome \u00e1lcool, repetidamente. Depois utiliza coca\u00edna para inibir os efeitos do \u00e1lcool. Entretanto, o c\u00e1lculo nem sempre \u00e9 adequado e um excesso de coca\u00edna precisa ser inibido por outra ingest\u00e3o de \u00e1lcool. Esta atividade traz um efeito n\u00e3o procurado: a impot\u00eancia; ent\u00e3o, consome sildenafil para recuperar a pot\u00eancia, mas logo se encontrar\u00e1 com o recha\u00e7o da namorada por abord\u00e1-la \u00abquimicamente\u00bb e\/ou com dificuldades para ejacular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00eddo o circuito, sente-se vazio e dolorido em cada segmento do seu corpo. De seu consumo dir\u00e1: \u00aba m\u00e1quina necessita de combust\u00edvel para funcionar\u00bb. A m\u00e1quina em quest\u00e3o \u00e9 seu corpo; por\u00e9m logo precisar\u00e1 que \u00e9 seu p\u00eanis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu consumo excede o al\u00edvio que disse buscar: \u00aba menor excita\u00e7\u00e3o, o que faz desaparecer a tens\u00e3o\u00bb[15], a itera\u00e7\u00e3o mostra o circuito da\u00a0<i>surra<\/i>\u00a0com seu lado obscuro: um corpo gozando na dor. Retorno dos golpes do pai, figura do gozo?\u00a0<i>P\u00e8re<\/i>-version do castigo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter\u00e1 que esperar a ocasi\u00e3o em que a interven\u00e7\u00e3o anal\u00edtica se aproprie do mal-entendido para verificar se \u00e9 poss\u00edvel fazer existir neste indiv\u00edduo um inconsciente transferencial. Enquanto isso ele seguir\u00e1 com seu circuito de gozo tentando disciplinar o seu corpo como uma m\u00e1quina sem poder alcan\u00e7\u00e1-lo jamais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como assinala \u00c9ric Laurent[16], a sociedade t\u00e9cnica diz que nos consideremos m\u00e1quinas, que imaginemos o corpo como se fosse um autom\u00f3vel, que quando algo ande mal apenas busquemos as pe\u00e7as para reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quando a aspira\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de coca\u00edna corroesse o septo nasal, s\u00f3 seria preciso recorrer \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o cir\u00fargica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este empuxo \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o do corpo como m\u00e1quina n\u00e3o \u00e9 menos que a pretens\u00e3o dos (auto)denominados &#8216;consumidores racionais&#8217;, ca\u00e7adores de efeitos controlados que simulam, o mesmo que fazem os economistas, o incremento de ganhos calcul\u00e1veis. Por\u00e9m, para al\u00e9m do pensado de qualquer empreendimento, descobrimos na experi\u00eancia anal\u00edtica a falha desse c\u00e1lculo, a impossibilidade do indiv\u00edduo de encontrar um ponto onde deter-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O empuxo que leva para al\u00e9m dos limites, converte toda atividade humana em adi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que toda a\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre comandada por uma satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem esquecer que tratar o corpo como m\u00e1quina \u00e9 o ideal das tecno-ci\u00eancias: uma substitui\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica das pe\u00e7as para que respondam aos seus eu-propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>2. Corpos agitados<\/b><br \/>\nUm corpo agitado mostra uma altera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o que o sujeito tem com o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">objeto\u00a0<i>a<\/i>. Desde o franco desencadeamento man\u00edaco no qual \u00ab\u00e9 a n\u00e3o fun\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>a<\/i>\u00a0o que est\u00e1 em jogo\u00bb[17] passando por uma gama de situa\u00e7\u00f5es que confluem na medicaliza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, at\u00e9 chegar aos cl\u00e1ssicos casos de toxicomania nos quais a a\u00e7\u00e3o do t\u00f3xico obtura a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que limita a agita\u00e7\u00e3o de um corpo? Paradoxalmente devemos escrever:\u00a0<i>nada<\/i>, e devemos ler nesse \u00abnada\u00bb uma forma do objeto\u00a0<i>a<\/i>. \u00c9 o\u00a0<i>nada<\/i>\u00a0que silencia o murm\u00fario pulsional que empuxa \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Corpos agitados<\/i>\u00a0indicam um\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>\u00a0que \u00e9 levado pelo \u00abseu\u00bb corpo sem poder possu\u00ed-lo, t\u00ea-lo, enquanto desconhece o que causa sua agita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descrevamos alguns exemplos da agita\u00e7\u00e3o corporal quando falha o lastro do objeto causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Lipoaspira\u00e7\u00e3o twittada<\/b><br \/>\nUma jovem midi\u00e1tica, que se tornou\u00a0<i>vedete<\/i>, percorre in\u00fameras salas de cirurgias e toma notas para narrar cada uma de suas transforma\u00e7\u00f5es corporais. Insatisfeita com as repercuss\u00f5es midi\u00e1ticas obtidas decide\u00a0<i>twittar<\/i>\u00a0suas imagens para que vissem as mudan\u00e7as quase em tempo real. L\u00e1 oferece seu corpo traumatizado por uma lipoaspira\u00e7\u00e3o (para tirar \u00abessas dobrinhas a mais\u00bb) com imagens sem v\u00e9u \u2013 tudo \u00e9 exposto ao olhar do Outro. E nome do amor ao ideal, trafica-se o gozo esc\u00f3pico do traumatismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>M\u00fasica eletr\u00f4nica agora corpos an\u00f4nimos<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas festas\u00a0<i>rave<\/i>\u00a0reina o primado do ritmo, a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 nomes, nem palavras, nem express\u00f5es; s\u00f3 o ritmo importa. \u00c9 um frenesi que s\u00f3 busca o gozo da agita\u00e7\u00e3o no corpo, o real desamarrado do simb\u00f3lico. N\u00e3o h\u00e1 Outro, h\u00e1 um e um e um; s\u00f3 importa a vibra\u00e7\u00e3o do corpo em um cont\u00ednuo que se estende durante toda uma noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, para que esse corpo suporte requer-se a ingest\u00e3o de comprimidos sint\u00e9ticos [de design] fabricados para tal fim. A cada tanto temos not\u00edcias dos corpos que n\u00e3o resistiram \u00e0 falta do ponto de basta, desse ritmo sem fim e morreram na tentativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Furor pela vida s\u00e3<\/b><br \/>\nA agita\u00e7\u00e3o dos corpos se estende \u2013 tamb\u00e9m \u2013 \u00e0 vida s\u00e3. Calcula-se que a metade dos nascidos em 2001 poder\u00e3o viver at\u00e9 os 100 anos. Not\u00e1vel avan\u00e7o da ci\u00eancia sustentado em um atraso do envelhecimento do corpo \u2013 do vivente, dir\u00edamos n\u00f3s. Acontece que a este avan\u00e7o cient\u00edfico segue um empuxo ao cuidado que, em alguns casos, adv\u00e9m como um objeto a mais de consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSomos o que comemos\u00bb dizem os nutricionistas, mas tamb\u00e9m \u00absomo o que corremos&#8230;\u00bb dizem os maratonistas e todos a correr. Por que n\u00e3o extrair o melhor do vinho tinto com um extrato de resveratrol? Excelente ideia! Nada de perder tempo compartilhando uma ta\u00e7a com amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, a medicina ortomolecular e a promessa de viver 120 anos e \u2013 claro \u2013 passa-los bem: s\u00f3 \u00e9 preciso comprar uma dieta balanceada e uma s\u00e9rie de comprimidos para a vida. Existe um gozo mort\u00edfero tamb\u00e9m na sa\u00fade que agita os corpos: a medicaliza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia inclui um plano de vida plena sem dores nem signos de envelhecimento, adeus ao mal-estar e \u2013 claro \u2013 \u00e0 ang\u00fastia. Qualquer signo de estranheza \u00e9 resolvido pelo corpo ortomolecular atrav\u00e9s de uma terap\u00eautica \u00e0 base de um comprimido. E um, e um&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidencia-se at\u00e9 que ponto um fim nobre, aparentemente apontado por Eros, pode impulsionar um desencadeamento man\u00edaco tan\u00e1tico, quando n\u00e3o medeia a fun\u00e7\u00e3o reguladora do objeto\u00a0<i>a<\/i>\u00a0sobre o gozo do corpo: ali o indiv\u00edduo, seu ser vivo, \u00e9 o objeto real do consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>3. Corpos com buracos infiltrados de gozo<\/b><br \/>\nCertas pr\u00e1ticas de intoxica\u00e7\u00e3o d\u00e3o ao \u00e1lcool uma fun\u00e7\u00e3o diferente do circuito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">tradicional, nost\u00e1lgico, freudiano: aquele que, no nome do pai efetuava o matrim\u00f4nio com a garrafa. Hoje os amores contrariados deixam seu lugar ao cinismo do gozo, para voltar a evitar o encontro com o parceiro sexuado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de pr\u00e1ticas que fazem do \u00e1lcool um instrumento que instila gozo diretamente nos orif\u00edcios do corpo, sem media\u00e7\u00e3o de nenhum percurso significante que regule o que ali se p\u00f5e em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontra-se no YouTube v\u00eddeos de \u2013 o que denominam \u2013 \u00abvodca\u00a0<i>eyballing<\/i>\u00ab: entornar um\u00a0<i>shot<\/i>\u00a0de vodca diretamente no olho. A pr\u00e1tica se realiza habitualmente em grupos de amigos que, num clima festivo, filmam-se enquanto realizam a pr\u00e1tica todos ao mesmo tempo. Eles compartilham a curiosidade, a vontade de provar, a dor e a falta de preocupa\u00e7\u00e3o com as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um novo procedimento entre os consumidores de coca\u00edna, \u00ab<i>sniffeo<\/i>\u00a0de vodca\u00bb,permite liberar as vias nasais usualmente obstru\u00eddas pela mucosidade que se desprende pelo efeito analg\u00e9sico daquela. Ao aspirar, o \u00e1lcool opera seu efeito vasodilatador, destapando-as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aspirar vodca n\u00e3o \u00e9 apenas uma pr\u00e1tica para continuar consumindo coca\u00edna, o \u00abChilly Willy\u00bb ou o \u00abOxy shot\u00bb \u2013 na moda nas discotecas \u2013 acelera o processo de embebedamento. Se produz em grupos que gozam do olhar, segregando a dor do Outro: \u00abn\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica nem motivo para faz\u00ea-lo; a \u00fanica coisa que gera divers\u00e3o \u00e9 ver sofrer o idiota que faz, rimos da sua cara de dor\u00bb[18].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m nariz, olhos e boca n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas vias de ingest\u00e3o, h\u00e1 os que empapam absorventes internos com vodca para inseri-los na vagina \u2013 ou no reto: Tampax\u00a0<i>on the rocks<\/i>, pr\u00e1tica ligada, em certas ocasi\u00f5es, \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra forma de tomar tequila equivoca os cinco sentidos. Espreme-se lim\u00e3o nos olhos, aspira-se o sal e se toma o \u00e1lcool; segue uma bofetada e ao final o grito. Novamente o gozo de dor se extrai do uso de \u00e1lcool. A\u00e7\u00e3o performativa que faz o que diz:\u00a0<i>Tequilazo<\/i>\u00a0deixa de ser um nome para transformar-se em gozo (<i>shot<\/i>) mesmo. Cai o uso da medida f\u00e1lica que introduziria ali o mal-entendido de lal\u00edngua, resta o puro gozo do corpo fragmentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da variedade, a lista se torna mon\u00f3tona, evocando os \u00ab120 dias de Sodoma\u00bb de Sade. Comprova-se a afirma\u00e7\u00e3o de \u00c9ric Laurent no argumento do Encontro: \u00abas palavras e os corpos se separam na disposi\u00e7\u00e3o atual do Outro da civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da diferen\u00e7a entre essas pr\u00e1ticas, trata-se, em cada um delas, da infiltra\u00e7\u00e3o do gozo nos buracos do corpo. \u00c9 not\u00e1vel at\u00e9 que ponto se tenta subverter assim o funcionamento dos sentidos do vivente para mostrar que o corpo goza; para tentar esquecer as marcas singulares do significante no corpo que marcaram cada\u00a0<i>parl\u00eatre<\/i>\u00a0de um modo \u00fanico e irrepet\u00edvel ao confront\u00e1-lo com o\u00a0<i>troumatismo<\/i>\u00a0de lal\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/span><br \/>\nExiste uma condi\u00e7\u00e3o que adv\u00e9m como princ\u00edpio: estar advertidos de que o estado atual da civiliza\u00e7\u00e3o requer de cada psicanalista um questionamento de seus pr\u00f3prios preconceitos, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para sustentar uma pr\u00e1tica que continue sendo eficaz em tratar a ang\u00fastia da \u00e9poca: uma experi\u00eancia orientada aqu\u00e9m (mas n\u00e3o menos: para al\u00e9m) da cont\u00ednua transforma\u00e7\u00e3o dos semblantes e dos renovados procedimentos das tecno-ci\u00eancias, os que tentam redesenhar \u2013 sempre de um modo que resulta\u00a0<i>sinthom\u00e1tico<\/i>\u00a0\u2013 o real da sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partimos da diferen\u00e7a entre o\u00a0<i>vivente<\/i>\u00a0do indiv\u00edduo e seu corpo, para precisar que as modifica\u00e7\u00f5es produzidas no real de um organismo para buscar certos efeitos (seja com subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, seja com procedimentos cir\u00fargicos de transforma\u00e7\u00f5es na identidade sexual), n\u00e3o s\u00e3o necessariamente acompanhadas pelo corpo libidinal. Conjecturamos que \u00e9 esta a brecha pela qual a psican\u00e1lise pode introduzir sua oferta \u00e0 comunidade no estado atual da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revis\u00e3o: Fl\u00e1via Cera<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A: El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica (con E. Laurent). Paid\u00f3s Editorial. pp.76\/79<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Produzindo em sua demanda um verdadeiro paradoxo na nomina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que exigem ser reconhecidos como o quarto sexo quando, por sua vez, recha\u00e7am que seja o sexo o que determina sua posi\u00e7\u00e3o no mundo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><i>Ib\u00eddem,\u00a0<\/i>p.14<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Corpos que frequentemente apresentam-se como superf\u00edcies de inscri\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o pode se escrever (tatuagens,<i>\u00a0piercings<\/i>, cortes, etc.)<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">SINATRA, Ernesto. @s nov@s adit@s: a implos\u00e3o do g\u00eanero na feminiza\u00e7\u00e3o do mundo. Fpolis: Cultura e Barb\u00e1rie, 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, J.-A. :\u00a0<i>El inconsciente es pol\u00edtico<\/i>. LACANIANA N\u00b01; Ediciones EOL, p. 16<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um encontro, um encontro e um&#8230;: devemos registrar a itera\u00e7\u00e3o do Um que inicia a s\u00e9rie.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">SINATRA, E.: \u00bfTodo sobre las drogas? GRAMA Ediciones; Bs.As. 2010. p. 70: Fun\u00e7\u00e3o do t\u00f3xico na economia de gozo de um sujeito, com ela se convida a precisar o valor da subst\u00e2ncia em jogo \u2013 chame-se esta \u00e1lcool ou droga. A varia\u00e7\u00e3o \u2013 que pode parecer insignificante \u2013 inclui uma generaliza\u00e7\u00e3o que borra a diferencia\u00e7\u00e3o entre o denominado alc\u00f3olico e o toxic\u00f4mano.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Tomo o termo \u00abm\u00e1quina de guerra\u00bb de Gilles Deleuze.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem (8) pp. 34\/52.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<i>p\u00e8re-version<\/i>\u00a0do rito sacrificava o pai pelo filho, para logo com\u00ea-lo em uma transgress\u00e3o regrada com\u00a0<i>todos<\/i>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, Jacques. (1972-73).\u00a0<i>O seminario, livro 20, Mais, ainda<\/i>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2008, p.35.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain. Biologia lacaniana e acontecimento de corpo. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. n. 41. S\u00e3o Paulo: Eolia, dez. 2004.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><i>Ib\u00eddem<\/i><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, Jacques. \u00abPsicoan\u00e1lisis y Medicina\u00bb.\u00a0<i>Intervenciones y Textos 1<\/i>. Editorial Manantial. Buenos Aires, 2002.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, Eric. \u00ab\u00a1Es dif\u00edcil no estar deprimido!\u00bb.\u00a0<i>Diario Perfil<\/i>. Edici\u00f3n del 9-12-07<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>El Seminario. Libro 10. La Angustia<\/i>. Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2011.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Oyhanarte, R. \u00abBeber con el cuerpo\u00bb. Diario Perfil.com. Buenos Aires. 27\/3\/2011.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[186],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1159"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1160,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions\/1160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}