{"id":1167,"date":"2021-08-18T22:11:34","date_gmt":"2021-08-19T01:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1167"},"modified":"2021-08-18T22:22:44","modified_gmt":"2021-08-19T01:22:44","slug":"ariel-bogochvol-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/ariel-bogochvol-2\/","title":{"rendered":"Ariel Bogochvol"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">I<\/span><br \/>\nBipolaridade tornou-se palavra de uso comum, corriqueiro, falada nas ruas, m\u00eddia, consult\u00f3rios. &#8216;Ser bipolar&#8217; n\u00e3o produz espanto. Pelo contr\u00e1rio, em meio \u00e0s varia\u00e7\u00f5es ciclot\u00edmicas da economia global proliferam, na net, comunidades de bipolares e, na psiquiatria, diagn\u00f3sticos de bipolares. H\u00e1 uma epidemia bipolar. Todos bipolares? [2] A bipolaridade parece ter se transformado num modo privilegiado de nomear o\u00a0<i>dasein\u00a0<\/i>e o<i>\u00a0sosein<\/i>\u00a0p\u00f3s-modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u00e9 utilizado em \u00e1reas diversas: bot\u00e2nica, f\u00edsica, pol\u00edtica, economia, medicina.[3] O sucesso atual se deve \u00e0 difus\u00e3o do discurso da ci\u00eancia.\u00a0<i>Toc, p\u00e2nico, depress\u00e3o, tdah, autista, bipolar<\/i>\u00a0se difundiram da psiquiatria para o dom\u00ednio p\u00fablico. Significantes da moda, sofrem da vulgariza\u00e7\u00e3o dos termos usados fora de seu campo e modulam a percep\u00e7\u00e3o do homem contempor\u00e2neo sobre si mesmo. H\u00e1 uma invas\u00e3o da psicopatologia na vida cotidiana e, correlativamente, uma tend\u00eancia \u00e0 psiquiatriza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psiquiatria, n\u00e3o se utiliza o substantivo\u00a0<i>bipolaridade<\/i>, mas o adjetivo\u00a0<i>bipolar<\/i>. O\u00a0<i>Transtorno Afetivo Bipolar (TAB),\u00a0<\/i>criado por Leonhard em 1957, adotado em 1980 no DSM III e em 1992 no CID 10 substituiu a\u00a0<i>Psicose Man\u00edaco-Depressiva (PMD)<\/i>, termo outrora consagrado, mas que definhou. Por um lado, em fun\u00e7\u00e3o dos postulados das novas classifica\u00e7\u00f5es de serem descritivas, &#8216;ate\u00f3ricas&#8217;, evitando a utiliza\u00e7\u00e3o de termos &#8216;problem\u00e1ticos&#8217; como psicose, neurose, histeria, doen\u00e7a, e optando por termos mais neutros como dist\u00farbios ou transtornos. Por outro, pela constata\u00e7\u00e3o de que, entre pacientes diagnosticados como PMD, n\u00e3o ocorriam, necessariamente, manifesta\u00e7\u00f5es psic\u00f3ticas como del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O TAB (F 31) \u00e9 classificado, no CID 10, entre os transtornos de humor (afetivos) ( F30 \u2013 F 39), \u00abnos quais a perturba\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o do humor ou do afeto, no sentido de uma depress\u00e3o com ou sem ansiedade associada ou de uma ela\u00e7\u00e3o que se acompanha, em geral, de uma modifica\u00e7\u00e3o do n\u00edvel global de atividade. A maioria dos outros sintomas \u00e9 secund\u00e1rio \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do humor e da atividade ou facilmente compreens\u00edvel no contexto destas altera\u00e7\u00f5es. Tendem a ser recorrentes. [4]<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"Back1\" colspan=\"5\" align=\"center\">TRANTORNOS DE HUMOR (AFETIVOS)<br \/>\nCID 10<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td valign=\"top\" width=\"20%\">EPIS\u00d3DIO MAN\u00cdACO<br \/>\nF 30<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"20%\">TRANSTORNO BIPOLAR<br \/>\nF 31<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"20%\">EPIS\u00d3DIO DEPRESSIVO<br \/>\nF 32<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"20%\">TRANSTORNO DEPRESSIVO RECORRENTE<br \/>\nF33<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"20%\">TRANSTORNO DE HUMOR PERSISTENTE<br \/>\nF 34<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crit\u00e9rio utilizado \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o: epis\u00f3dica (epis\u00f3dio depressivo ou man\u00edaco isolado), recorrente (uni ou bipolar) ou persistente. Como os demais transtornos do grupo, o TAB tem tipos, classificados de acordo com sua apresenta\u00e7\u00e3o atual, gravidade e presen\u00e7a ou aus\u00eancia de manifesta\u00e7\u00f5es psic\u00f3ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vi\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2021\/08\/Ariel-Bogochvol_01-1.jpg\" width=\"508\" height=\"340\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o DSM II e o CID 9, a classifica\u00e7\u00e3o era baseada nas distin\u00e7\u00f5es estabelecidas pela cl\u00ednica psicodin\u00e2mica para a qual existiam tr\u00eas categorias bem diferenciadas onde estas s\u00edndromes se inclu\u00edam. No caso das depress\u00f5es: reativas, neur\u00f3ticas e psic\u00f3ticas. A partir dos anos 80 a psiquiatria passou a abordar os transtornos de humor n\u00e3o a partir do funcionamento subjetivo e da estrutura (como a psican\u00e1lise) ou das modalidades de exist\u00eancia (como o existencialismo), mas na intensidade do humor. [5] Seriam varia\u00e7\u00f5es quantitativas de uma fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica (afeto, humor), provocadas por varia\u00e7\u00f5es quantitativas de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina, de causas m\u00faltiplas, especialmente gen\u00e9ticas. \u00c9 uma cl\u00ednica calcada nos psicof\u00e1rmacos, capazes de modificar a neurotransmiss\u00e3o e interferir na fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica transtornada de forma independente da estrutura, da exist\u00eancia ou do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regularmente s\u00e3o lan\u00e7ados novos estabilizadores de humor, antidepressivos e antiman\u00edacos. Reconhece-se a efic\u00e1cia dos estabilizadores, mas pouco se sabe acerca de seus mecanismos de a\u00e7\u00e3o. Curiosamente, a maior parte s\u00e3o medica\u00e7\u00f5es antiepil\u00e9pticas apesar de n\u00e3o haver rela\u00e7\u00f5es causais demonstradas entre epilepsia e bipolaridade. [6] As demandas e ofertas terap\u00eauticas, bem como as prescri\u00e7\u00f5es e a polifarmacoterapia aumentaram significativamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">II<\/span><br \/>\nO TAB e suas variantes \u2013 mania e depress\u00e3o\/melancolia &#8211; tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o necess\u00e1rios cuidados para manejar termos t\u00e3o antigos. \u00c9 uma ilus\u00e3o supor que o mesmo termo nomeie uma mesma &#8216;coisa&#8217; em contextos t\u00e3o diversos, como se estivesse ali desde sempre, imut\u00e1vel. De origem grega,\u00a0<i>mania<\/i>\u00a0significa<i>\u00a0loucura<\/i>\u00a0e\u00a0<i>melancolia, bile negra,<\/i>\u00a0uma refer\u00eancia a teoria hipocr\u00e1tica que acreditava que estados patol\u00f3gicos eram causados pelo desequil\u00edbrio de humores do corpo. Atribui-se tamb\u00e9m a Hip\u00f3crates (460 aC &#8211; 370 aC) a primeira discrimina\u00e7\u00e3o entre mania, melancolia e paran\u00f3ia. Arist\u00f3teles (384 aC \u2013 322 aC) associou a melancolia ao homem de g\u00eanio &#8211; a tristeza melanc\u00f3lica seria uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o da capacidade criativa e a cria\u00e7\u00e3o uma resposta \u00e0 dor de existir \u2013 inaugurando uma tradi\u00e7\u00e3o que s\u00e9culos mais tarde desembocaria em um culto da melancolia, como na literatura rom\u00e2ntica do s\u00e9culo XVIII.[7][8] Desde a antiguidade foram observadas as rela\u00e7\u00f5es entre a melancolia e a mania, mas estas &#8216;doen\u00e7as&#8217; ficaram separadas at\u00e9 meados do s\u00e9c. XIX. Em 1854, J. P. Falret e Baillarger descreveram, quase ao mesmo tempo, a mesma doen\u00e7a, chamada de\u00a0<i>loucura circular<\/i>\u00a0pelo primeiro e de\u00a0<i>loucura de dupla forma<\/i>\u00a0pelo segundo<i>.\u00a0<\/i>Na Alemanha, muitos autores estudaram a entidade sob o nome de\u00a0<i>psicose peri\u00f3dica<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi Kraepelin, em 1899, pela descri\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise minuciosa dos estados de transi\u00e7\u00e3o e das imbrica\u00e7\u00f5es das crises man\u00edacas e melanc\u00f3licas, quem chegou \u00e0 no\u00e7\u00e3o dos estados mistos e demonstrou a identidade destas duas formas. Agrupou todas as\u00a0<i>loucuras<\/i>\u00a0descritas como intermitentes, circulares, peri\u00f3dicas, de dupla forma ou alternadas em uma doen\u00e7a fundamental, e prop\u00f4s classific\u00e1-las no quadro da\u00a0<i>loucura man\u00edaco-depressiva<\/i>, considerada um quadro essencialmente end\u00f3geno ou constitucional.[9] Nomeou a entidade como &#8216;loucura&#8217; e n\u00e3o &#8216;psicose&#8217; [10] e utilizou &#8216;melancolia&#8217; e &#8216;depress\u00e3o&#8217; como sin\u00f4nimos.[11]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<i>loucura man\u00edaco-depressiva<\/i>\u00a0\u00abcompreende, de um lado, o dom\u00ednio completo da loucura peri\u00f3dica e da loucura circular e, de outro, a mania simples, a maior parte dos estados patol\u00f3gicos designados pelo nome de melancolia e tamb\u00e9m um n\u00famero consider\u00e1vel de casos de am\u00eancia. Classificamos a\u00ed, igualmente, algumas disposi\u00e7\u00f5es de humor mais ou menos acentuadas ora passageiros ora dur\u00e1veis que podem ser pensados como o primeiro grau de problemas mais graves e que, de outro lado, se baseiam sem limites n\u00edtidos com o conjunto das disposi\u00e7\u00f5es naturais do indiv\u00edduo.\u00bb [12] Descreveu v\u00e1rias formas cl\u00ednicas que, apesar da diversidade fenom\u00eanica, eram manifesta\u00e7\u00f5es de um mesmo processo patol\u00f3gico. [13]<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"2\">\n<tbody>\n<tr class=\"Back1\">\n<td width=\"33%\"><b>Mania<\/b><\/td>\n<td width=\"33%\"><b>Estado misto<\/b><\/td>\n<td width=\"33%\"><b>Melancolia<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\">Hipomania<\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Melancolia simples<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\">Mania aguda<\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Estupor<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\">Mania delirante<\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Melancolia grave<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\">Mania confusa<\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Melancolia paranoide<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Melancolia fant\u00e1stica<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"Back2\">\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\"><\/td>\n<td width=\"33%\">Melancolia confusa<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o ampla da loucura man\u00edaco-depressiva, abarcando praticamente todos &#8216;transtornos afetivos&#8217; n\u00e3o se estabeleceu sem controv\u00e9rsias. At\u00e9 1900, Kraepelin diferenciava a depress\u00e3o da loucura man\u00edaco-depressiva, caracterizada por intensa inibi\u00e7\u00e3o, de outras formas de depress\u00e3o, marcadas pela agita\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia. [14] \u00c9 um debate de seu tempo, que prossegue ainda hoje e que se traduz no cont\u00ednuo remanejamento dos quadros e dos termos nas v\u00e1rias classifica\u00e7\u00f5es e propostas de classifica\u00e7\u00e3o como, mais recentemente, a de Akiskal e seu\u00a0<i>espectro bipolar<\/i>\u00a0que amplia ainda mais o campo bipolar. Freud participou deste debate ressaltando, em\u00a0<i>Luto e Melancolia (1915),\u00a0<\/i>o estatuto problem\u00e1tico da melancolia: \u00absua defini\u00e7\u00e3o \u00e9 vari\u00e1vel, assume muitas formas cl\u00ednicas, e seu agrupamento numa \u00fanica unidade n\u00e3o parece ter sido estabelecido com certeza, algumas formas sugerindo afec\u00e7\u00f5es antes som\u00e1ticas do que psicog\u00eanicas.\u00bb [15] \u00abSua caracter\u00edstica mais not\u00e1vel e aquela que mais precisa de explica\u00e7\u00e3o \u00e9 sua tend\u00eancia de se transformar em mania, seu oposto, o que n\u00e3o acontece com toda a melancolia. Alguns casos seguem seu curso em reca\u00eddas peri\u00f3dicas, entre cujos intervalos sinais de mania est\u00e3o ausentes. Outros revelam a altera\u00e7\u00e3o regular de fases melanc\u00f3licas e man\u00edacas que leva \u00e0 hip\u00f3tese de uma insanidade circular.\u00bb [16] Nas nosografias que formulou, o lugar da melancolia\/ loucura man\u00edaco-depressiva variou de acordo com o momento de sua teoria: neurose atual (diferenciada das psiconeuroses); psicose ou neurose narc\u00edsica, junto com a paran\u00f3ia e a esquizofrenia (diferenciada das neuroses de transfer\u00eancia); neurose narc\u00edsica (diferenciada da psicose e da neurose).[17]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III<br \/>\nA quest\u00e3o psicanal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 nosogr\u00e1fica, mas nosol\u00f3gica, psicopatol\u00f3gica e referida ao sujeito. A psican\u00e1lise procura esclarecer a l\u00f3gica pr\u00f3pria destes transtornos mais do que encontrar seu justo lugar entre entidades m\u00f3rbidas. N\u00e3o prop\u00f5e uma abordagem descritiva ou classificat\u00f3ria, mas psicol\u00f3gica e metapsicol\u00f3gica. N\u00e3o concebe as altera\u00e7\u00f5es do humor e estados afetivos como altera\u00e7\u00f5es da regula\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do corpo, mas como efeitos da posi\u00e7\u00e3o do sujeito. N\u00e3o participa da forclus\u00e3o do sujeito operada pela psiquiatria contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud tratou da melancolia muito mais do que a mania e a bipolaridade. Desde os\u00a0<i>Rascunhos\u00a0<\/i>e a\u00a0<i>Correspond\u00eancia<\/i>\u00a0com Fliess referia-se \u00e0 melancolia. Os textos dedicados \u00e0 mania s\u00e3o pouco numerosos: algumas p\u00e1ginas de\u00a0<i>Luto e Melancolia,<\/i>\u00a0de<i>\u00a0Psicologia das Massas\u00a0<\/i>e do<i>\u00a0Ego e o Id.<\/i>\u00a0Lacan \u00e9 ainda mais econ\u00f4mico: nenhum semin\u00e1rio ou escrito dedicados especificamente a estes temas; apenas algumas linhas nos\u00a0<i>Complexos Familiares, Sobre a Causalidade Ps\u00edquica, Semin\u00e1rio 10, Televis\u00e3o, RSI.\u00a0<\/i>[18]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<i>Luto e Melancolia<\/i>, Freud procura lan\u00e7ar alguma luz sobre a melancolia comparando-a ao afeto normal do luto.[19] J\u00e1 o fizera 20 anos antes, no rascunho G: \u00abo afeto correspondente \u00e0 melancolia \u00e9 o do luto \u2013 ou seja, o desejo de recuperar algo que foi perdido. Deve tratar-se de uma perda, uma perda na \u00e1rea da vida instintual. Consiste em luto por perda da libido.\u00bb [20] A analogia permitia ressaltar as identidades e as diferen\u00e7as e, apesar do seu pequeno valor comprobat\u00f3rio, parecia fecunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Advertia para o alcance limitado das suas conclus\u00f5es, baseadas na observa\u00e7\u00e3o de um pequeno n\u00famero de casos de \u00abmelancolias indiscutivelmente psicog\u00eanicas\u00bb [21], termo que n\u00e3o definiu, mas que se referia aos quadros desencadeados por uma perda reconhec\u00edvel. Diferindo do seu estilo habitual, n\u00e3o partia de um caso, mas de uma casu\u00edstica, nem aplicava a psican\u00e1lise a um sujeito, mas a um quadro cl\u00ednico. N\u00e3o h\u00e1 na obra freudiana nenhum caso paradigm\u00e1tico de melancolia ou mania [22] Os tra\u00e7os que definem a melancolia freudiana s\u00e3o:\u00a0<i>\u00ab<\/i>um des\u00e2nimo profundamente penoso, a cessa\u00e7\u00e3o do interesse pelo mundo externo, a inibi\u00e7\u00e3o de toda e qualquer atividade, e uma diminui\u00e7\u00e3o do sentimento de auto-estima a ponto de encontrar express\u00e3o em auto-recrimina\u00e7\u00e3o e auto-envilecimento, culminando em uma expectativa delirante de puni\u00e7\u00e3o\u00bb.[23] O luto, por sua vez, \u00e9 definido como uma \u00abrea\u00e7\u00e3o \u00e0 perda de um ente querido, \u00e0 perda de alguma abstra\u00e7\u00e3o que ocupou o lugar de um ente querido como o pa\u00eds, a liberdade ou o ideal de algu\u00e9m\u00bb<i>.<\/i>[24] Exibia os mesmos tra\u00e7os da melancolia com exce\u00e7\u00e3o da perturba\u00e7\u00e3o da auto-estima. A melancolia freudiana \u00e9 uma forma cl\u00ednica bem definida. Na classifica\u00e7\u00e3o kraepeliniana, corresponde \u00e0\u00a0<i>melancolia grave<\/i>; no CID 10, ao\u00a0<i>epis\u00f3dio depressivo grave com sintomas psic\u00f3ticos.<\/i>[25]\u00c9 uma das formas da melancolia, n\u00e3o toda a melancolia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num conjunto de casos, a melancolia constitu\u00eda uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 perda do objeto amado ou \u00e0 perda de natureza mais ideal. Em outros, entretanto, acreditava-se que uma perda desta esp\u00e9cie ocorrera, mas n\u00e3o se vislumbrava o que foi perdido, permanecendo uma inc\u00f3gnita. Mesmo quando c\u00f4nscio da perda, o sujeito \u00absabia quem ele perdeu, mas n\u00e3o o qu\u00ea perdeu\u00bb. [26] Diferente do luto, o desencadeante da melancolia podia ser obscuro, &#8216;end\u00f3geno&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud analisa a melancolia sem referir-se a um caso concreto nem ao terreno onde a crise eclode. No artigo, sua perspectiva n\u00e3o \u00e9 diacr\u00f4nica, mas sincr\u00f4nica. Tenta responder aos mist\u00e9rios da melancolia, percorrendo-a em sua intimidade, microscopicamente. A melancolia \u00e9 descrita n\u00e3o como um sintoma, forma\u00e7\u00e3o do Ics que obedece \u00e0s leis do recalque\/retorno do recalcado como na neurose, mas como um efeito de perda no\u00a0<i>eu<\/i>. [27] A varia\u00e7\u00e3o de humor, por sua vez, \u00e9 concebida como secund\u00e1ria \u00e0 perda do objeto e aos efeitos desta perda, diferente da psiquiatria contempor\u00e2nea que a concebe como prim\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos lacanianos, o objeto de amor ocupa o lugar de onde o sujeito se v\u00ea como am\u00e1vel, como ideal de eu,\u00a0<i>I(a)<\/i>. \u00c9 o tra\u00e7o do Outro que situa o eu ideal para o sujeito,\u00a0<i>i(a)<\/i>, o objeto imagin\u00e1rio amado pelo Outro e com o qual o sujeito se identifica. I(a) e i(a) s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es fundamentais que concernem \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da subjetividade e do campo de realidade. S\u00e3o v\u00e9rtices do quadril\u00e1tero\u00a0<i>MimI<\/i>\u00a0que delimita o campo da realidade R conforme o\u00a0<i>Esquema R\u00a0<\/i>de J. Lacan<i>.<\/i>[28]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vi\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2021\/08\/Ariel-Bogochvol_02.jpg\" width=\"268\" height=\"259\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O buraco produzido no Outro pela perda do objeto provoca um abalo de I(a) e i(a), do circuito a-a&#8217; em que se localiza o eu e seus objetos [29]e, portanto, um abalo profundo do funcionamento ps\u00edquico, da homeostasia, das rela\u00e7\u00f5es consigo e com o mundo. O destino\u00a0<i>luto ou melancolia<\/i>\u00a0vai depender das formas de responder a este abalo. O luto relaciona-se essencialmente com\u00a0<i>i(a),\u00a0<\/i>com a imagem, com o objeto de amor em sua estrutura narc\u00edsica e corresponde \u00e0 perda do objeto atrav\u00e9s de um carnaval imagin\u00e1rio e narc\u00edsico. [30] O\u00a0<i>\u2013phi,<\/i>\u00a0velado at\u00e9 ent\u00e3o pelo objeto, \u00e9 desvelado e todo o processo vai mobilizar o enfrentamento da castra\u00e7\u00e3o. Na melancolia, n\u00e3o existe um\u00a0<i>i(a)<\/i>\u00a0sustentado pela fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica da castra\u00e7\u00e3o e a perda do objeto faz o sujeito se deparar com a forclus\u00e3o.[31] S\u00e3o duas formas de responder \u00e0 perda o que permitiria dividir as depress\u00f5es em dois grandes grupos segundo o mecanismo em jogo (o que Freud n\u00e3o fez por n\u00e3o ter formulado o mecanismo espec\u00edfico das psicoses).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vi\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2021\/08\/Ariel-Bogochvol_03-1.jpg\" width=\"629\" height=\"102\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNo ponto em que \u00e9 chamado o NP pode, pois, responder no Outro um puro e simples furo [Po] , o qual, pela car\u00eancia de efeito metaf\u00f3rico provocar\u00e1 um furo correspondente no lugar da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica [\u03a6o] \u00ab.[32] \u00ab\u00c9 a falta do NP neste lugar que, pelo furo que abre no significado d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 cascata de remanejamento do significante de onde prov\u00e9m o desastre crescente do imagin\u00e1rio\u00bb. [33] [34] \u00abEst\u00e1 claro que se trata a\u00ed de uma desordem provocada na jun\u00e7\u00e3o mais \u00edntima do sentimento de vida no sujeito\u00bb. [35] O modelo utilizado por Lacan para explicar o desencadeamento de uma\u00a0<i>dementia paranoides\u00a0<\/i>pode ser aplicado, com nuances, no desencadeamento da melancolia. N\u00e3o h\u00e1, no caso, o &#8216;encontro com um pai&#8217;, [36] mas a perda de um objeto cuja subjetiva\u00e7\u00e3o, metaboliza\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o dependem da fun\u00e7\u00e3o NP e de sua opera\u00e7\u00e3o sobre a castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No lugar onde deveria estar o NP, a perda de objeto faz aparecer um &#8216;furo&#8217; que abala a rede significante, as significa\u00e7\u00f5es e o regime de gozo. Pelo furo aberto no psiquismo, a libido se esvai, como uma hemorragia libidinal. \u00abO complexo melanc\u00f3lico se comporta como uma ferida aberta, atraindo para si as energias catexiais provenientes de todas as dire\u00e7\u00f5es, e esvaziando o ego at\u00e9 este ficar totalmente empobrecido\u00bb.[37] H\u00e1 um empobrecimento da excita\u00e7\u00e3o que percorre os neur\u00f4nios e as reservas livres de libido [38] do que decorre uma mortifica\u00e7\u00e3o do sujeito e do Outro. [39] Surge toda uma fenomenologia da dor, tristeza, vazio, inibi\u00e7\u00e3o, da dor de existir. Uma cl\u00ednica do vazio e n\u00e3o da falta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 forclu\u00eddo retorna no real na forma de &#8216;fen\u00f4menos elementares&#8217;, agrupados por S\u00e9glas na tr\u00edade\u00a0<i>dor moral &#8211; dist\u00farbios cenest\u00e9sicos &#8211; dist\u00farbios intelectivos<\/i>[40], que afetam todas as esferas se expressando como anomalias das sensa\u00e7\u00f5es, sentimentos, representa\u00e7\u00f5es, impulsos, vontade, idea\u00e7\u00e3o, sono, alimenta\u00e7\u00e3o&#8230; O &#8216;trabalho melanc\u00f3lico&#8217; que absorve e esvazia o ego permanece enigm\u00e1tico. A inibi\u00e7\u00e3o pode ser generalizada, chegando at\u00e9 o estupor, e se expressa nas v\u00e1rias formas de negativismo do Del\u00edrio das Nega\u00e7\u00f5es.[41]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melancolia exibe uma diminui\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria da auto-estima, um empobrecimento do ego, considerado desprovido de valor, incapaz de qualquer realiza\u00e7\u00e3o, moralmente desprez\u00edvel. O sujeito se repreende, se envilece, quer ser expulso, punido, degrada-se perante todos. Uma parte do ego se coloca contra a outra, toma-a como objeto, julga-a criticamente e encontra satisfa\u00e7\u00e3o no desmascaramento de si mesmo. [42] Os del\u00edrios de desvalia, indignidade e culpa n\u00e3o s\u00e3o abordados, por Freud, a partir do &#8216;erro de ju\u00edzo'[43], mas da verdade e da certeza. Se o paciente diz que seu ego \u00e9 assim, \u00e9 porque deve ser assim. Em sua autocr\u00edtica delirante, acusa-se por suas fraquezas, as fraquezas humanas. Por que um homem precisa adoecer para ter acesso a esta verdade?[44] \u00c9 a lucidez melanc\u00f3lica diante de um real sem media\u00e7\u00e3o. O del\u00edrio \u00e9 uma tentativa de interpretar o estado do sujeito, de dar uma forma ao que se opera na estrutura. [45] \u00c9 um del\u00edrio moral e \u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por detr\u00e1s da cr\u00edtica a si, Freud descobre a cr\u00edtica ao outro: o sujeito, na verdade, ataca o objeto com o qual est\u00e1 identificado. A libido livre desligada do objeto n\u00e3o \u00e9 usada para investir um novo objeto, mas retirada para o ego e empregada para estabelecer uma identifica\u00e7\u00e3o do ego com o objeto abandonado. \u00abA sombra do objeto cai sobre o eu\u00bb.[46] O sujeito se torna um objeto, reduzido \u00e0s suas sombras; \u00e9 este objeto. Como pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es para tal processo de identifica\u00e7\u00e3o, Freud sup\u00f5e uma forte fixa\u00e7\u00e3o ao objeto amado, a ambival\u00eancia, a escolha objetal de base narcisista e a regress\u00e3o da libido \u00e0 fase oral. A catexia objetal, ao se defrontar com obst\u00e1culos, retrocederia ao narcisismo; a identifica\u00e7\u00e3o narcisista seria um substituto da catexia er\u00f3tica.[47] Isto coloca em quest\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o do &#8216;eu melanc\u00f3lico&#8217; (bem como do &#8216;eu man\u00edaco&#8217;) os avatares de suas identifica\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e secund\u00e1rias bem como a constitui\u00e7\u00e3o de sua imagem especular. [48]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o ideal do eu que vinha suprir a forclus\u00e3o \u00e9 abalado, o eu perde o revestimento narc\u00edsico e se evidencia seu estatuto de objeto fora de qualquer pontua\u00e7\u00e3o f\u00e1lica,<i>\u00a0objeto a<\/i>\u00a0como furo, como vazio, como rebotalho, como real, equivalente \u00e0 forclus\u00e3o.[49] Perdendo as vestes narc\u00edsicas, a imagem cai e o sujeito se v\u00ea identificado com o objeto\/dejeto, se torna este oco sem consist\u00eancia, este nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vi\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2021\/08\/Ariel-Bogochvol_04-1.jpg\" width=\"418\" height=\"66\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente do regime de luto, em que o sujeito pode perder o que perdeu, na melancolia o sujeito fica colado ao objeto, identificado, n\u00e3o pode perd\u00ea-lo. \u00c9 um efeito da forclus\u00e3o, na medida em que ela implica a n\u00e3o-opera\u00e7\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 a castra\u00e7\u00e3o que reordena, retroativamente, os est\u00e1gios libidinais em uma opera\u00e7\u00e3o que possibilita a separa\u00e7\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o dos objetos do corpo. \u00abOs\u00a0<i>objetos a<\/i>\u00a0se inscrevem no lugar da castra\u00e7\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>objeto a<\/i>\u00a0existe o\u00a0<i>menos phi<\/i>\u00bb [50] A vig\u00eancia da forclus\u00e3o, na melancolia, vai resultar em uma modifica\u00e7\u00e3o profunda do regime dos\u00a0<i>objetos a\u00a0<\/i>o que produz certos fen\u00f4menos cl\u00ednicos. Nos sintomas hipocondr\u00edacos, o objeto fica colado a um \u00f3rg\u00e3o\/regi\u00e3o do corpo ou em uma err\u00e2ncia, sem limites ou localiza\u00e7\u00e3o como na cenestopatia. Na auto-mutila\u00e7\u00e3o, o melanc\u00f3lico tenta retirar \u00e0 for\u00e7a aquilo que n\u00e3o foi extra\u00eddo pela via simb\u00f3lica. Tamb\u00e9m decorrem da n\u00e3o-extra\u00e7\u00e3o os fen\u00f4menos alucinat\u00f3rios, pseudo-alucinat\u00f3rios e interpretativos associados, predominantemente, a esfera visual e auditiva, mas que podem afetar todos os sentidos. Os objetos pulsionais, naturais \u2013 oral, anal, f\u00e1lico, voz, olhar \u2013 sofrem uma mudan\u00e7a de estatuto durante o epis\u00f3dio melanc\u00f3lico. Da mesma forma, modifica-se o acesso e usufruto dos objetos da cultura. [51]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 a causa do desejo e, em raz\u00e3o de uma equival\u00eancia substitutiva, o\u00a0<i>objeto a<\/i>\u00a0\u00e9 causa do desejo, a n\u00e3o extra\u00e7\u00e3o do objeto, na melancolia, vai perturbar profundamente sua fun\u00e7\u00e3o de objeto-causa.[52] H\u00e1 uma aboli\u00e7\u00e3o do desejo, uma experi\u00eancia do n\u00e3o-desejo ou desejo de nada, um recha\u00e7o do Ics que se reflete na posi\u00e7\u00e3o de imobilidade petrificada do melanc\u00f3lico. O sujeito recua do dever \u00e9tico de bem dizer seu desejo[53] simplesmente porque n\u00e3o h\u00e1 mais desejo a sustent\u00e1-lo. No suic\u00eddio melanc\u00f3lico, o sujeito se identifica com o buraco que falta no Outro. Ele \u00e9 sem apela\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o visa complet\u00e1-lo, \u00e9 um suic\u00eddio de separa\u00e7\u00e3o: o sujeito toma licen\u00e7a da cadeia significante, n\u00e3o se faz mais representar, defenestra-se, caindo juntamente com seu objeto.[54] A passagem ao ato n\u00e3o engana, \u00e9 uma sa\u00edda da cena que n\u00e3o deixa mais lugar \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, ao jogo significante. [55]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">IV<\/span><br \/>\nDiferente de outras psicoses, a melancolia freudiana tem um curso f\u00e1sico, c\u00edclico e bipolar: pode evoluir para a cura, recorrer ou polarizar-se para a mania. O que determina um curso ou outro? Como ela se cura depois de certo tempo? O que ocorre nos intervalos livres? Como se inverte em mania? Para Freud, \u00e9 imperioso estender uma explana\u00e7\u00e3o anal\u00edtica tamb\u00e9m para estas quest\u00f5es, mas afirma que n\u00e3o conseguir\u00e1 faz\u00ea-lo. [56]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mania \u00e9 o oposto da melancolia em seus sintomas.[57] O conte\u00fado de ambas n\u00e3o difere; apesar das apar\u00eancias, lutam com o mesmo &#8216;complexo&#8217;. Na melancolia, o ego sucumbe ao processo, na mania domina-o ou o p\u00f5e de lado. N\u00e3o definida diretamente, a mania pode ser inferida: \u00ab\u00e2nimo exaltado, um grande interesse pelo mundo externo, o aumento da capacidade de procurar objetos, a hiperatividade, aumento dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar express\u00e3o em auto-engrandecimento, culminando em del\u00edrios de grandeza.\u00bb Freud compara a mania com a festa. Os estados como alegria, exulta\u00e7\u00e3o e triunfo dependem das mesmas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas: um disp\u00eandio de energia se tornou desnecess\u00e1rio e agora est\u00e1 dispon\u00edvel para ser aplicada e descarregada de v\u00e1rias formas. A perspectiva econ\u00f4mica tenta esclarecer a radical mudan\u00e7a de regime libidinal do circuito bipolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O humor man\u00edaco \u00e9 tomado, no plano do afeto, como uma alegria e um alvoro\u00e7o aparentemente imotivados. No plano da conduta, como levantamento da inibi\u00e7\u00e3o. A alegria da transgress\u00e3o passa a ser a chave da mania como era a dor da perda na melancolia. A festa \u00e9 uma coloca\u00e7\u00e3o em suspenso peri\u00f3dica e socialmente organizada das proibi\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es que regulam as puls\u00f5es. \u00c9 um momento de libera\u00e7\u00e3o. A festividade man\u00edaca se deixa conceber como a derrota da inst\u00e2ncia que censura em proveito da afirma\u00e7\u00e3o narcisista, triunfal e orgi\u00e1stica das exig\u00eancias pulsionais.[58] Se, na melancolia, a imagem \u00e9 de um buraco por onde a libido se esvai, na mania, a imagem \u00e9 de uma erup\u00e7\u00e3o que esparrama libido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud n\u00e3o considera o afeto man\u00edaco como um fen\u00f4meno prim\u00e1rio, mas efeito de uma causa anterior. O j\u00fabilo man\u00edaco seria efeito da cessa\u00e7\u00e3o do gasto ps\u00edquico com o &#8216;trabalho melanc\u00f3lico&#8217;. \u00abO ego deve ter superado a perda do objeto ou talvez o pr\u00f3prio objeto e, consequentemente, toda a quota de anticatexia que o penoso sofrimento da melancolia tinha atra\u00eddo para si, vinda do ego ter\u00e1 se tornado dispon\u00edvel, convertendo-se em energia liberada em afeto na transgress\u00e3o.\u00bb [59] A mania derruba as inst\u00e2ncias de controle, suas exig\u00eancias s\u00e3o momentaneamente suprimidas. Mas aquilo que o ego dominou e aquilo sobre o qual triunfou permanecem ocultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mania freudiana, de acordo com a defini\u00e7\u00e3o dada, pode ser classificada como\u00a0<i>mania aguda\u00a0<\/i>ou<i>\u00a0mania delirante<\/i>\u00a0na classifica\u00e7\u00e3o kraepeliniana e como\u00a0<i>mania com sintomas psic\u00f3ticos<\/i>\u00a0no CID 10. [60] Sua fenomenologia \u00e9 exuberante: exalta\u00e7\u00e3o, inquieta\u00e7\u00e3o, acelera\u00e7\u00e3o, loquacidade, hipersensibilidade, instabilidade, alegria, furor, agressividade, del\u00edrios de grandeza, filia\u00e7\u00e3o, inven\u00e7\u00e3o, m\u00edsticos, associa\u00e7\u00e3o por asson\u00e2ncia, ins\u00f4nia, inapet\u00eancia, aumento da disposi\u00e7\u00e3o, etc. Lacan reduz toda a profus\u00e3o desta fenomenologia a uma express\u00e3o: a excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca, \u00abretorno no real daquilo que foi recha\u00e7ado da linguagem (do inconsciente) e que se faz mortal.\u00bb [61] Menos do que a entidade\u00a0<i>mania<\/i>, Lacan aponta para certo tipo de fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mania freudiana se inscreve na estrutura psic\u00f3tica. O que foi recha\u00e7ado da linguagem e do inconsciente, isto \u00e9, forclu\u00eddo, retorna no real. Os fen\u00f4menos de &#8216;retorno no real&#8217; afetam profundamente a experi\u00eancia ps\u00edquica, a viv\u00eancia de si, do corpo, espa\u00e7o, tempo, desejo, fala. A fuga de id\u00e9ias evidencia a ruptura do encadeamento significante, a falha da fun\u00e7\u00e3o do ponto de capiton\u00ea. O man\u00edaco pode dizer qualquer coisa o que \u00e9 diferente da associa\u00e7\u00e3o livre. \u00abOs significantes man\u00edacos, longe de encontrar seu sentido entre a retroa\u00e7\u00e3o e a antecipa\u00e7\u00e3o, se justap\u00f5em de forma n\u00e3o orientada, desobrigada da sem\u00e2ntica. [62] O sujeito fica disperso no infinito da linguagem que o atravessa, no automaton de signos do qual ele \u00e9 marionete. N\u00e3o se localizando, n\u00e3o pode parar nem reconhecer-se, fica \u00e0 deriva. \u00c9 a n\u00e3o-fun\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>a\u00a0<\/i>que est\u00e1 em causa, e n\u00e3o simplesmente seu desconhecimento. O sujeito n\u00e3o se lastreia em nenhum\u00a0<i>a<\/i>, o que o deixa entregue, \u00e0s vezes, sem nenhuma possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o, \u00e0 meton\u00edmia pura, infinita e l\u00fadica da cadeia significante.\u00bb [63] [64]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dano no n\u00edvel do discurso \u00e9 sempre um dano na regula\u00e7\u00e3o do gozo. Na excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca n\u00e3o existe apenas desenganche da palavra e desordem da historicidade, como tamb\u00e9m a como\u00e7\u00e3o da homeostasia do vivente, que reduz as necessidades vitais do corpo, que o faz infatig\u00e1vel, insone, animado por uma vida paradoxal capaz de lev\u00e1-lo a morte. A excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca \u00e9 um gozo que a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica n\u00e3o regula e na qual o corpo \u00e9 assediado pelos m\u00faltiplos da linguagem no real.[65] O sujeito n\u00e3o cessa de obturar o buraco do simb\u00f3lico, sem integr\u00e1-lo. [66]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abordar &#8216;as paix\u00f5es da alma&#8217; [67] [68], especificamente, a tristeza, Lacan afirma que \u00aba tristeza, qualificada de depress\u00e3o (&#8230;) n\u00e3o \u00e9 um estado de alma, \u00e9 simplesmente uma falha moral, como se exprimiam Dante e at\u00e9 Espinosa: um pecado, o que significa uma covardia moral, que s\u00f3 \u00e9 situado, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a partir do pensamento, isto \u00e9, do dever de bem dizer, ou de se referenciar no inconsciente, na estrutura. E o que se segue \u2013 bastando que essa covardia, por ser recha\u00e7o do inconsciente, chegue \u00e0 psicose \u2013 \u00e9 o retorno no real daquilo que foi recha\u00e7ado de linguagem; \u00e9 a excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca pelo qual esse retorno se faz mortal.\u00bb [69]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma concep\u00e7\u00e3o surpreendente, que inscreve as manifesta\u00e7\u00f5es man\u00edacas e depressivas no campo da \u00e9tica, ratificando o enunciado do del\u00edrio de culpa, e que parece inaugurar uma perspectiva continu\u00edsta entre psicoses e neuroses, ao coloc\u00e1-las em uma escala de gradua\u00e7\u00e3o e sob uma mesma causa. De uma a outra o mesmo pecado, a mesma causa subjetiva: a covardia. \u00c9 o fio secreto que enla\u00e7a as manifesta\u00e7\u00f5es man\u00edacas com as depressivas num &#8216;mesmo complexo&#8217;. A tese de Lacan unifica a tristeza com a excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca, o circuito bipolar, no n\u00edvel de uma mesma causa subjetiva. \u00c9 uma causa que assume a forma de culpa e que n\u00e3o deixa de evocar a \u00abinsond\u00e1vel decis\u00e3o do ser.\u00bb [70]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assimilar a tristeza a uma culpa moral restabelece uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa. A refer\u00eancia a Dante e Spinoza laiciza a quest\u00e3o. Para Spinoza, a tristeza n\u00e3o \u00e9 tanto uma culpa contra a f\u00e9, mas contra a raz\u00e3o. Posto que &#8216;a id\u00e9ia adequada procura uma alegria sem resto&#8217;, quem se at\u00e9m a ela n\u00e3o pode estar triste. [71] Para Lacan, o pecado consiste em ceder sobre o desejo de saber, de saber do inconsciente, de situar-se na estrutura. [72]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deveremos prosseguir a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Trabalho realizado pelo Grupo de Trabalho da Conversacion que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Carmen S. Cervellatti, Maria Bernardete S. Pitteri, Perpetua Medrado Gon\u00e7alves, Luciana Gramacho, Denise Levy, Elsa G Monteiro, Marcia Assump\u00e7\u00e3o, Paula Christina Verlangieri Caio , Eliane Chermann Kogut, Claudia Aldigueri Rodriguez, Maria Ros\u00e1lia Pinfildi Gomes, Maria Aparecida Barbeito<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Yellati, N \u2013 Todos bipolares- El \u00abespectro\u00bb bipolar ( o las razones de uma epidemia) \u2013 Efecto Mariposa, ano 1, n\u00ba 1, septiembro de 2010<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Houiass \u2013 Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Portuguesa \u2013Objetiva. RJ 2009<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">CID 10 \u2013 Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados \u00e0 Sa\u00fade &#8211; Edusp<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Maleval, J. C. &#8211; ? Por qu\u00e9 estala la burbuja de la depression? \u2013 Aperi\u00f3dico Psicoanal\u00edtico , n 16<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Com exce\u00e7\u00e3o dos quadros bipolares associados \u00e0 epilepsia que representam uma minoria tanto entre os epil\u00e9pticos como entre os bipolares e que representam um caso particular da associa\u00e7\u00e3o entre transtorno bipolar e transtornos org\u00e2nicos e sintom\u00e1ticos<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Levy, D \u2013 Sinopse e resumo do trabalho at\u00e9 esse momento \u2013 Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Gois, E \u2013 Hist\u00f3ria &#8211; Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Alkmim, W. D. O que \u00e9 transtorno bipolar? www.institutopsicanalise-mg.com.br\/..http:\/\/www.enapol.com\/pt\/3.%20O%20que%20\u00e9%20o%20<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, o termo psicose designava simplesmente quadros com manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas \u2013 vide Freud em Neuropsicoses de Defesa<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca os autores as usavam como sin\u00f4nimos.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Kraepelin, E \u2013 A loucura man\u00edaco depressiva \u2013 RJ, Forense, 2012 \u2013 p 3<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Kraepelin \u2013 idem \u2013 p 67<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como a melancolia involutiva, por ex<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 Luto e Melancolia \u2013 Vol. XIV das Obras Completas \u2013 Imago Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, p.. 275<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem pg 286<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Kogut, E \u2013 Melancolia em Freud \u2013 Apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Levantamento realizado pelo N\u00facleo de Pesquisas de Psican\u00e1lise da CLIPP<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013Luto e Melancolia \u2013 citado &#8211; p. 275<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. &#8211; Publica\u00e7\u00f5es Pr\u00e9-Psicanal\u00edticas &#8211; Vol. I Obras Completas \u2013 Imago Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o &#8211; p. 276<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 Luto e Melancolia p. 275<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O Homem dos Lobos foi tratado por Kraepelin com o diagn\u00f3stico de loucura man\u00edaco-depressiva<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 Luto e Melancolia &#8211; Idem, pg. 276<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, pg. 275<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">F31.5, F32.2 ou F33.3 dependendo de sua altern\u00e2ncia com os epis\u00f3dios man\u00edacos e de sua recorr\u00eancia.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, pg. 277<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cottet, S. \u2013 Nota sobre a depress\u00e3o em psican\u00e1lise \u2013 Estudos Cl\u00ednicos \u2013 Fator \u2013 Salvador, 1988<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013 Uma Quest\u00e3o Preliminar a todo o tratamento da psicose &#8211; Esquema R \u2013 Escritos Jorge Zahar Editor, RJ, 1998, pg. 559(onde M \u00e9 o significante do objeto primordial, I o ideal do eu, i e m os dois termos imagin\u00e1rios da rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, o eu e a imagem especular)<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cervelatti, C.S. \u2013 O objeto na melancolia &#8211; Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio X \u2013 Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 43<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quinet, A. \u2013 A Cl\u00ednica do sujeito na depress\u00e3o \u2013 A Dor de existir \u2013 Kalimeros \u2013 Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Contra-Capa Livraria \u2013 RJ, 1997, p 138<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013 Uma Quest\u00e3o preliminar a todo o tratamento poss\u00edvel da psicose, j\u00e1 citado, p 564<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem, pg. 584<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cervelatti, C. S \u2013 O objeto na melancolia &#8211; Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J \u2013 Uma Quest\u00e3o \u2013 citado p. 565<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Que, para Lacan, estaria associada ao desencadeamento da psicose schreberiana<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 Luto e Melancolia, pg. 286, j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. Rascunho G \u2013 Melancolia \u2013 Publica\u00e7\u00f5es pr\u00e9 &#8211; psicanal\u00edticas \u2013 Vol. I Obras Completas \u2013 j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Soller, C. Perdida y culpa em La melancolia p 35<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quinet, A. \u2013 Fen\u00f4menos elementares e del\u00edrio na melancolia para J. S\u00e9glas \u2013 Extravios do desejo \u2013 Marcos d&#8217;\u00e1gua Editora, RJ, 1999, pg. 77<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cotard, J. &#8211; Do del\u00edrio das nega\u00e7\u00f5es \u2013 Extravios do desejo \u2013 j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 Luto e Melancolia \u2013 j\u00e1 citado, pg. 278<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Modo cl\u00e1ssico de abordar o del\u00edrio na psicopatologia<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quinet, A \u2013 Fen\u00f4menos elementares e del\u00edrio na melancolia por J. Seglas \u2013 j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A. &#8211; Silet \u2013 Os paradoxos da puls\u00e3o de Freud a Lacan \u2013 Jorge Zahar Editor, RJ, 2005 \u2013 Campo Freudiano no Brasil, pg. 268<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S &#8211; Luto e melancolia j\u00e1 citado p 282<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Gomes, MRP &#8211; A identifica\u00e7\u00e3o na melancolia &#8211; Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quinet, A \u2013 A cl\u00ednica do sujeito na depress\u00e3o \u2013 j\u00e1 citado, pg.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A \u2013 Silet \u2013 j\u00e1 citado, pg. 260<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A. \u2013 Os objetos a na experi\u00eancia psicanal\u00edtica \u2013 Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 43<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A \u2013 Silet \u2013 j\u00e1 citado, pg. 261<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013 Televis\u00e3o \u2013 Outros Escritos \u2013 Jorge Zahar Editor, RJ, pg. 524<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cottet, S \u2013 Nota sobre a depress\u00e3o em psican\u00e1lise, j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A, Uma Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio X \u2013 j\u00e1 citado<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. Luto e Melancolia \u2013 j\u00e1 citado &#8211; p<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, Luto e Melancolia<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Soller, C \u2013 Estudios p 55<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, Luto e Melancolia<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">F 31.2 ou F 30. 2 dependendo da altern\u00e2ncia ou n\u00e3o com a fase depressiva .<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Televis\u00e3o, 324, 325<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Soler, C \u2013 Estudios sobre las psicosis &#8211; p 62<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. Semin\u00e1rio 10 p 365<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cervelatti, C. S \u2013 Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Soler, C.- Mania, pecado mortal in Estudios p 61<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">RSI<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J &#8211; Televis\u00e3o \u2013 Outros Escritos p 526<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pitteri, MB \u2013 Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J \u2013 Televis\u00e3o , 324, 325<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J \u2013 sobre a Causalidade ps\u00edquica<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pitteri, MB \u2013 Trabalho apresentado no cartel<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Soler, C \u2013 A mania, pecado mortalp 60-61<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[192],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1167"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1167"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1177,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1167\/revisions\/1177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}