{"id":1180,"date":"2021-08-18T22:26:26","date_gmt":"2021-08-19T01:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1180"},"modified":"2021-08-18T22:26:26","modified_gmt":"2021-08-19T01:26:26","slug":"guillermo-belaga-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/guillermo-belaga-2\/","title":{"rendered":"Guillermo Belaga"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><i>\u00abNo mundo da psiquiatria as classifica\u00e7\u00f5es nos dizem mais sobre o mundo social e est\u00e9tico no qual foram constru\u00eddas que sobre (sua) natureza\u00bb.<br \/>\n<\/i>G. E. Berrios[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nO modo em que est\u00e1 colocado o t\u00edtulo do presente trabalho tenta aludir \u00e0 tens\u00e3o que existe entre estes termos no debate atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exist\u00eancia cl\u00ednica desses termos \u2013 mania e melancolia &#8211; n\u00e3o se pode deixar de lado ou se ignorar, simplesmente deve ser considerada \u00e0 luz dos ditos de Berrios de que as classifica\u00e7\u00f5es falam do mundo social, est\u00e9tico e pol\u00edtico de cada \u00e9poca. De tal modo que o Transtorno Bipolar, por um lado, e a Mania e a Melancolia, por outro, t\u00eam diferentes origens temporais e se inscrevem em diferentes paradigmas dentro da psiquiatria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Mania, a Melancolia e a Loucura Circular da Escola Francesa, a psicose man\u00edaco-depressiva da Escola Alem\u00e3, respondem aos grandes relatos que se conhece como a \u00abpsiquiatria cl\u00e1ssica\u00bb. Por sua vez, G. Lant\u00e9ri Laura [2] descreveu uma s\u00e9rie de paradigmas da psiquiatria moderna consignando que estas descri\u00e7\u00f5es se ajustam ao paradigma das enfermidades mentais de maneira mais precisa que o paradigma alienista de Pinel e Esquirol e que justamente se inaugura no s\u00e9culo XIX com J. Falret com sua descri\u00e7\u00e3o da loucura circular e se extende at\u00e9 a morte de H. Ey na d\u00e9cada de setenta do s\u00e9culo XX. S\u00e3o a essas \u00abenvolturas formais\u00bb do sintoma que Lacan far\u00e1 refer\u00eancia em suas interven\u00e7\u00f5es sobre a psicose, sejam as ideativas (de forma extensa e muito precisa desde sua tese de doutoramento at\u00e9 o final de seu ensino) ou afetivas (de forma breve e espor\u00e1dica, mas com fineza de apontamentos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A raz\u00e3o da \u00abBipolaridade\u00bb e a \u00e9poca atual<\/span><br \/>\nA \u00abBipolaridade\u00bb toma sua forma atual inscrevendo-se no paradigma Tecnol\u00f3gico, que, sobretudo, a partir dos anos 80-90 considera a psiquiatria como \u00abuma neuroci\u00eancia cl\u00ednica\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1957, Karl Leonhard prop\u00f5e uma classifica\u00e7\u00e3o das psicoses end\u00f3genas baseada na polaridade. Assim surge essa entidade, cujo antecedente inilud\u00edvel \u00e9 a Psicose-Man\u00edaco-Depressiva descrita por E. Kraepelin, que agrupa os quadros afetivos nessa \u00fanica categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do DSM III (1980) se \u00abexpressa\u00bb claramente o paradigma tecnol\u00f3gico na psiquiatria. Repassemos seus pontos mais representativos: reafirmar um modelo biom\u00e9dico para a psiquiatria; considerar o indiv\u00edduo em termos neurobiol\u00f3gicos em que o contexto n\u00e3o \u00e9 determinante na causalidade sintom\u00e1tica e, propor interven\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas (psicof\u00e1rmacos e Terapias cognitivo-comportamentais). Nessa edi\u00e7\u00e3o do manual de diagn\u00f3stico se incorporam decididamente o transtorno bipolar de Leonhard e se exclui precisamente a histeria, que fala de um corpo er\u00f3geno que n\u00e3o se prende ao corpo biol\u00f3gico, e se desarticula a rela\u00e7\u00e3o ang\u00fastia-sintoma, ang\u00fastia-ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O \u00abEspectro Bipolar\u00bb<\/span><br \/>\nA partir do paradigma tecnol\u00f3gico o modelo de estudo que as neuroci\u00eancias impuseram \u00e9 o \u00abespectro epil\u00e9tico\u00bb. Desse mesmo paradigma tem surgiram outros tantos no campo da psiquiatria e os mais conhecidos s\u00e3o: o espectro autista e o que estamos estudando, o espectro bipolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas classifica\u00e7\u00f5es surgem de uma pr\u00e1tica nova que foi se impondo no s\u00e9culo XXI determinada por dois fatores hist\u00f3ricos; dois discursos: o discurso da ci\u00eancia e o discurso do capitalismo[3]. No dizer de Miller, a domina\u00e7\u00e3o combinada desses dois discursos conseguiu destruir a estrutura tradicional da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa racionalidade T\u00e9cnica e Neoliberal[4], pr\u00f3pria da \u00e9poca do capitalismo tardio que Marx antecipou ao afirmar que tudo que \u00e9 s\u00f3lido desmancha no ar \u00e9 descrita por Jorge Alem\u00e1n de variadas formas, sem esgotar a lista: o sujeito l\u00edquido, prec\u00e1rio, atado a suas pr\u00e1ticas de gozo sem uma b\u00fassola \u00e9tica, sem la\u00e7os sociais nem relatos que lhe possibilitem cunhar uma experi\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o. Agregando algo que interessa particularmente para nosso tema, esse sujeito que \u00e9 constru\u00eddo pelo Discurso do Capitalismo est\u00e1 organizado para conceber a si mesmo como empreendedor, como um empres\u00e1rio de si, entregue \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o de seu rendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito que se inscreve no \u00abespectro bipolar\u00bb \u00e9 o que n\u00e3o alcan\u00e7a esse \u00ab<i>management<\/i>\u00a0da alma\u00bb. Estamos diante de uma \u00abpsicopatologia da cotidianidade capitalista\u00bb como a denomina Ignacio Castro Rey[5], em que o sujeito est\u00e1 imerso em uma ordem social consumidora, efeito da produ\u00e7\u00e3o constante, ilimitada, de novos objetos t\u00e9cnicos de autossatisfa\u00e7\u00e3o que permitem sustentar um circuito pulsional que n\u00e3o reconhece o corte, que faz pular a experi\u00eancia do vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o deve surpreender que os principais sintomas que regem esse \u00abespectro\u00bb s\u00e3o a hipomania e a ciclotimia e alguns de seus signos chamativos: \u00abo shopping desmedido\u00bb (compuls\u00e3o a consumir) e \u00abpromiscuidade sexual\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se esclarecer que esse debate ultrapassa, inclusive, a edi\u00e7\u00e3o vigente do DSM. A difus\u00e3o do espectro bipolar tem como um de seus principais respons\u00e1veis o professor da Universidade da Calif\u00f3rnia, Hagop Akiskal[6]. Esse psiquiatra, desde 1977, vem impulsionando exitosamente essa \u00abnova\u00bb entidade nosogr\u00e1fica que n\u00e3o \u00e9 outra coisa que uma \u00abconverg\u00eancia\u00bb que consiste em reunir um nome, um conceito, ao qual recicla, enraizado na hist\u00f3ria da psiquiatria e os enla\u00e7a \u00e0 \u00e9poca atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entender o alcance que pode tomar a consolida\u00e7\u00e3o dessa classifica\u00e7\u00e3o, basta pensar que o Espectro bipolar abarcaria 5% da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ainda uma proposta expl\u00edcita de Akiskal \u00e9 a reabsor\u00e7\u00e3o dos Transtornos de personalidade Borderline e narcisista nos transtornos afetivos. Com isso os \u00faltimos vest\u00edgios da psican\u00e1lise ficariam sepultados. O rastro da negocia\u00e7\u00e3o de Kernberg com a Associa\u00e7\u00e3o de psiquiatras americanos durante a elabora\u00e7\u00e3o do DSM III, desapareceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, ele critica a dicotomia bipolar \u2013 depress\u00e3o unipolar, argumentando que a maioria das depress\u00f5es se desenvolvem depois em bipolaridade. Com isso ele est\u00e1 a favor de uma unidade dos quadros afetivos, vinculados a um n\u00facleo comum: os fatores temperamentais e gen\u00e9ticos. De modo definitivo exclui o Bipolar I, cuja sintomatologia se remete \u00e0 cl\u00e1ssica psicose man\u00edaco-depressiva, o resto do espectro se inscreve no que denomina bipolar \u00absoft\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entender a diferen\u00e7a, os DSM reconhecem os tipos I ao III e um transtorno bipolar \u00abn\u00e3o especificado\u00bb, n\u00e3o enquadrado pelas outras descri\u00e7\u00f5es. Diferentemente, o \u00abespectro bipolar\u00bb seria um quadro cont\u00ednuo que vai do temperamento extremo ao desencadeamento pleno da enfermidade afetiva, incluindo os subtipos I; II; II \u00bd; III; III \u00bd; IV; V e VI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tal forma que n\u00e3o s\u00f3 abarcaria a depress\u00e3o unipolar; tamb\u00e9m o narcisista e o\u00a0<i>bordeline<\/i>, os quadros \u00abinduzidos por subst\u00e2ncias\u00bb e o \u00abpsicop\u00e1tico\u00bb. Tamb\u00e9m prop\u00f5e estudar a conex\u00e3o entre TDAH da inf\u00e2ncia com o Transtorno Bipolar da adolesc\u00eancia, cujo sintoma comum seria a \u00abhiperatividade\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem esquecer que poderiam incluir-se os estados bul\u00edmicos, os epis\u00f3dios obsessivos compulsivos, as adic\u00e7\u00f5es sexuais e v\u00edcio do jogo. Agrupamento diverso, a menos que observemos esses sintomas desde a perspectiva do mais-de-gozar, do objeto\u00a0<i>a<\/i>, como \u00abpatologias do consumo\u00bb. Assim essa classifica\u00e7\u00e3o fala muito da aliena\u00e7\u00e3o atual de seu reverso, os imperativos do supereu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto \u00e9 o darwinismo de Akiskal, centrado nos temperamentos ciclot\u00edmico e hipert\u00edmico como tra\u00e7os adaptativos, formas \u00abdilu\u00eddas\u00bb da enfermidade. O hipert\u00edmico se destacaria por seu dom de orat\u00f3ria, grandes ideias, o enfrentamento de novos projetos, mesmo que sejam arriscados. E pelo tra\u00e7o mais relevante: a territorialidade e a lideran\u00e7a: \u00abaprecia ser o chefe\u00bb. Por outro lado, o tra\u00e7o \u00abchamativo\u00bb do ciclot\u00edmico \u00e9 a dificuldade quanto ao amor: seus r\u00e1pidos enamoramentos e desnamoramento. Mas esse tra\u00e7o, mais que ser um obst\u00e1culo, seria um mecanismo de sele\u00e7\u00e3o. Assim, explica, sua incessante busca de oportunidades rom\u00e2nticas asseguraria a escolha de um parceiro s\u00f3lido, obtendo uma melhor descend\u00eancia. Nesse sentido, seu outro tra\u00e7o principal, a criatividade, o destacar-se na poesia, m\u00fasica, pintura, desenho, asseguraria essa fun\u00e7\u00e3o sexual primordial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podem-se deduzir as consequ\u00eancias para esses sujeitos, no caso de falharem, confrontam-se com uma encruzilhada: a sublima\u00e7\u00e3o ou a medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, o \u00abespectro bipolar\u00bb reafirma um modelo biom\u00e9dico, sublinhando um corpo vivente atrav\u00e9s do conceito de temperamento e dos fatores gen\u00e9ticos. Por sua vez, esses \u00faltimos, junto \u00e0 converg\u00eancia com o objeto de consumo, representam um \u00abbioengineering\u00bb, uma tecnologia do eu sustentada em um darwinismo social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A parti\u00e7\u00e3o \u00abhipermoderna\u00bb do sintoma<\/span><br \/>\nA \u00abBipolaridade\u00bb colocada desse modo, expressa o que J.-A. Miller descreve como a pulveriza\u00e7\u00e3o do sintoma nos sucessivos DSM, uma \u00abcis\u00e3o do ser do sintoma\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o sintoma reduzido ao transtorno, ao \u00abdisorder\u00bb, que tomaria a ci\u00eancia como refer\u00eancia, sustentando uma ordem do real. Ao mesmo tempo em que cresce a desconfian\u00e7a no real sem lei da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tal forma, o sintoma est\u00e1 desdobrado, por um lado o real, tratado pelos psicof\u00e1rmacos, por outro, o sentido levado em conta somente como tratamento de apoio, como palavra protocolar e autorit\u00e1ria e\/ou como controle da opera\u00e7\u00e3o de medicaliza\u00e7\u00e3o.[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Os aportes freudianos<\/span><br \/>\nEm Freud, diferentemente dessas no\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas do sintoma, seu grande descobrimento se edifica a partir da afirma\u00e7\u00e3o de que no sintoma h\u00e1 um sentido no real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da melancolia e da mania, sua conceitua\u00e7\u00e3o ir\u00e1 girar em torno das seguintes quest\u00f5es: primeiro o interesse em definir o registro da perda do Objeto. Em conex\u00e3o a isso, a natureza mesma do Objeto, que o leva a distinguir tr\u00eas tipos que denomina, segundo os registros imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real:\u00a0<i>Objekt, Sache, Ding<\/i>\u00a0(respectivamente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, chama a aten\u00e7\u00e3o como, para explicar o problema da melancolia, faz refer\u00eancia a um caso de catatonia.[8] Em 1914 \u00e9 publicado o artigo\u00a0<i>\u00abCura espont\u00e2nea de uma catatonia\u00bb<\/i>\u00a0de Karl Landauer, sobre um tratamento que corresponde \u00e0 regress\u00e3o de um tipo de escolha de objeto at\u00e9 o narcisismo origin\u00e1rio.[9] Trata-se de uma jovem que presencia o suic\u00eddio de seu pai e que, com a mesma arma, passa ao ato, disparando contra si sem se lesionar gravemente, mas ingressando em um estupor catat\u00f4nico que dura oito semanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da interna\u00e7\u00e3o hospitalar, Landauer descreve o tratamento e as vicissitudes posteriores do caso do qual ressaltaremos somente suas coordenadas: o \u00f3dio pelo pai, o retorno identificat\u00f3rio \u00e0 m\u00e3e (regress\u00e3o narcisista), e a incid\u00eancia do especular (regress\u00e3o t\u00f3pica ao est\u00e1dio do espelho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das refer\u00eancias e coloca\u00e7\u00f5es freudianas se depreenderia algo fundamental dessas \u00abneuroses narcisistas\u00bb: a n\u00e3o perda de\u00a0<i>das Ding<\/i>, a Coisa. No entanto, mais que a identifica\u00e7\u00e3o ao objeto como sustenta Freud, se trataria de um \u00abtriunfo do Objeto\u00bb, [10] e \u00e9 esse excesso o que explicaria a automutila\u00e7\u00e3o do sujeito. Por sua vez, o caso que cita em seu texto, permite localizar o par esquizofrenia\/melancolia no que diz respeito aos fen\u00f4menos do corpo (a linguagem de \u00f3rg\u00e3os\/a hipocondria melanc\u00f3lica, at\u00e9 a S\u00edndrome de Cottard). Por \u00faltimo, se estabelece uma conex\u00e3o evidente entre o \u00f3dio, o supereu e das Ding. E a rela\u00e7\u00e3o de cada um desses com a passagem ao ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente encontramos para a psicose a tese de um tipo de escolha de objeto relacionada ao Narcisismo prim\u00e1rio. Nesse sentido, segundo Miller, o que Freud considerou como narcisismo prim\u00e1rio, Lacan o situa no n\u00edvel do Gozo puro e isolado do objeto\u00a0<i>a<\/i>. [11]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas considera\u00e7\u00f5es permitem abordar o problema do discurso, do corpo e do organismo. Assim \u00e9 a linguagem o que outorga seu corpo para todo sujeito. Em outras palavras, para o sujeito \u00e9 o corpo do simb\u00f3lico que faz de um organismo um corpo, um corpo de sujeito que se incorpora ao organismo.[12] Como demonstrou Lacan em\u00a0<i>Radiofonia<\/i>, s\u00f3 depois do simb\u00f3lico aparece como um incorporal. Termo cuja refer\u00eancia prov\u00e9m dos estoicos, tal como o de \u00abacontecimento de corpo\u00bb, intimamente aparentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em consequ\u00eancia, na melancolia e na mania, o que se encontraria \u00e9 a falha dessa opera\u00e7\u00e3o, pela qual o corpo como organismo se torna um problema para o sujeito sem o aux\u00edlio de um discurso estabelecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Ato melanc\u00f3lico e A\u00e7\u00e3o man\u00edaca<\/span><br \/>\nDuas vinhetas cl\u00ednicas permitem ilustrar as defini\u00e7\u00f5es de Lacan, principalmente do Semin\u00e1rio\u00a0<i>A Ang\u00fastia\u00a0<\/i>e\u00a0<i>Televis\u00e3o[13],<\/i>\u00a0e a import\u00e2ncia que deu ao conceito cl\u00e1ssico de\u00a0<i>kakon\u00a0<\/i>(o mal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melancolia definida a partir do ato. O caso mostra o \u00f3dio como \u00ab\u00fanico sentimento l\u00facido\u00bb e como o sujeito deve atacar, para se liberar, o gozo autoer\u00f3tico demasiado, mediante o ato suicida\/homicida.[14]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma mulher de meia idade que se apresenta sendo a \u00abn\u00famero um\u00bb, ocultando sua pr\u00f3pria \u00abindignidade\u00bb, o \u00absaco de ossos\u00bb que era para o Outro materno. O que ela ressalta no motivo da consulta, e que insiste, com inquietante certeza: \u00e9 que seu filho a odeia. Em contrapartida n\u00e3o existe a dimens\u00e3o do amor: o filho n\u00e3o a quer; o marido, os noivos&#8230; se compram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEle me odeia\u00bb \u00e9 a frase. Frase que toma formas dram\u00e1ticas que n\u00e3o escapam ao terapeuta: por exemplo, quando a paciente come\u00e7a a falar de desfazer-se de sua casa, de seus pais, de uns campos, de seu marido, de seu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui as interven\u00e7\u00f5es do analista tentam ser uma aposta para adiar o ato, construir uma temporalidade frente \u00e0s \u00abdecis\u00f5es apressadas\u00bb. Estabelecer um tempo de espera, um tempo de \u00abcompreender\u00bb, introduzir escans\u00f5es, dar um lugar ao imagin\u00e1rio mais consistente que a disrup\u00e7\u00e3o ou o descolar-se do Outro. Por\u00e9m, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel, antes isso que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever surge irremediavelmente como passagem ao ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma cena violenta, em um fim de semana no qual a paciente teme \u00ablan\u00e7ar\u00bb seu filho \u00abpela janela\u00bb, o analista sugere uma entrevista com ele, como estrat\u00e9gia para aliviar a paciente. Entretanto quem chega \u00e0 sess\u00e3o \u00e9 a paciente portando um colar cervical. Relata ter ido buscar o filho no col\u00e9gio, \u00abest\u00e1vamos falando bem de frente a uma barreira, esperando que o trem passasse, quando&#8230; n\u00e3o sei como foi, terminamos debaixo dele. Fomos salvos pela camionete que ficou destru\u00edda&#8230; O vag\u00e3o destro\u00e7ado\u00bb. Chorando acrescenta: \u00abQuase mato meu filho\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, no percurso do caso se verificar\u00e1 que, mais al\u00e9m do \u00f3dio que l\u00ea no outro, aparece seu pr\u00f3prio \u00f3dio, que a conecta a sua impossibilidade de se constituir separada de seu pr\u00f3prio ser de objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mania definida a partir da a\u00e7\u00e3o at\u00e9 seu esgotamento. A excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca, o recha\u00e7o do inconsciente, a \u00abn\u00e3o fun\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<i>a\u00bb<\/i>\u00a0se veem ilustrados por esse caso. O sujeito testemunha um quiasmo radical: o significante est\u00e1 em pura meton\u00edmia, por um lado e por outro, o ser do vivente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma mulher jovem, que em plena \u00abexcita\u00e7\u00e3o man\u00edaca\u00bb vai de lugar em lugar, no epis\u00f3dio anterior pelo norte, no atual pelas montanhas do sul. Seu andar desenfreado, a a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua finalmente se esgota. Seus pais conseguem traz\u00ea-la para a consulta: desalinhada, depois de dias deambulando quase sem roupa, apresenta feridas importantes no corpo, mas, apesar das mesmas, mostra aquilo que assinalara Chaslin[15] em sua descri\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do quadro: uma \u00abinsensibilidade geral aparente\u00bb, pr\u00f3pria da desordem no corpo vivente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra oportunidade, antes de uma fren\u00e9tica corrida sem rumo, havia incendiado sua resid\u00eancia. Assim, havia muito tempo que ia de fuga em fuga, de interna\u00e7\u00e3o em interna\u00e7\u00e3o. Sua verborragia, um palavr\u00f3rio, mostra o empuxo de lal\u00edngua que assedia e dissolve a linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dificuldades v\u00e3o se alinhavando as entrevistas, a princ\u00edpio no momento em que se encontra com ela por uns minutos, no instante temporal poss\u00edvel, com seu estilo veloz: menciona de forma confusa peda\u00e7os de sua vida, um desencadeamento poss\u00edvel no momento da morte do av\u00f4 paterno, que tenta precisar, e em troca conclui que j\u00e1 falou demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paciente expressava que n\u00e3o podia matar o tempo no hospital, enquanto n\u00e3o cessava de se mover. Apressada sa\u00eda da institui\u00e7\u00e3o, no momento seguinte se encontrava deitada em silencio e \u00e0s escuras em seu quarto&#8230; Para voltar a sair mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as maneiras isso foi sendo cada vez mais demarcado, o ciclo de \u00aba\u00e7\u00e3o\u00bb passou a restringir-se a sua vizinhan\u00e7a de origem. Foi lhe \u00abpermitido\u00bb usar a institui\u00e7\u00e3o para alojar essa temporalidade. Assim foi alternando dias em que aparecia com dias em que n\u00e3o se sabia dela. Depois isso acontecia v\u00e1rias vezes em um dia, e, aos poucos se pautaram hor\u00e1rios \u00abagendados\u00bb para entrevistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmava que \u00abprecisam\u00bb dela por isso sai, deixa entrever um del\u00edrio fant\u00e1stico e megal\u00f4mano. Proclama que faz \u00abmonotratamento\u00bb, falando com qualquer um na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, analista e psiquiatra conseguem fazer-se lugar de refer\u00eancia. Ela vai e vem, entretanto, cumpre os hor\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma oportunidade se irrita ante o que considera uma impontualidade do terapeuta. Vai-se. Ap\u00f3s um instante, volta e exige a entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a-se a advertir como o sujeito tenta impor alguma lei, fazer-se dono da linguagem, fazer-se mestre do significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, meses depois do in\u00edcio da excita\u00e7\u00e3o man\u00edaca, a \u00ablo quacidade\u00bb cessa, passando a uma \u00abpressa\u00bb que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mort\u00edfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consegue instalar-se em uma casa de mulheres que a alojam, mediada pelo hospital, as classifica em \u00ablentas\u00bb e \u00abr\u00e1pidas\u00bb. Seu primeiro movimento \u00e9 ir-se apressadamente, depois consente com as regras dessa casa. Pergunta quem as colocou, aceita a norma comum a que chegou essa comunidade de linguagem que constituem as mulheres que ali habitam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O certo \u00e9 que o Outro mal que a inquieta n\u00e3o por\u00e1 ali nenhuma regra, nem poder\u00e1 irromper nessa casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, apesar de estar apaziguada, o sujeito como tal, carece de uma pol\u00edtica, se considerarmos a defini\u00e7\u00e3o de Lacan de que o \u00abinconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que tornou poss\u00edvel essa solu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desabonada do inconsciente, o del\u00edrio nunca adquiriu uma consist\u00eancia que pudesse orient\u00e1-la frente ao Outro. Antes a presen\u00e7a do analista sempre disposto ao encontro, como \u00absecret\u00e1rio\u00bb de sua a\u00e7\u00e3o, parece permitir a reconstru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio, ao modo como Lacan o especifica \u00abque o corpo se introduz na economia do gozo pela imagem do corpo\u00bb.[16] Alcan\u00e7ando assim uma solu\u00e7\u00e3o \u00abnarcisista\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assentada tamb\u00e9m no \u00abuso\u00bb que faz do analista e da institui\u00e7\u00e3o, que a faz \u00abmestre\u00bb do significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podem se descartar os efeitos da medica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que n\u00e3o, na deriva man\u00edaca do in\u00edcio, tomar a medica\u00e7\u00e3o foi a primeira rotina que o sujeito conseguiu se dar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desses casos tamb\u00e9m destacaremos o fato de poder precisar o que orienta no tratamento. Em um caso o analista tenta postergar o ato que \u00e9 sua refer\u00eancia. No outro caso o analista se faz part\u00edcipe da a\u00e7\u00e3o, \u00absecret\u00e1rio\u00bb da mesma para que, sem aplac\u00e1-la totalmente, obtenha um funcionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Conclus\u00e3o<\/span><br \/>\nEm seu coment\u00e1rio sobre o Curso \u00abSutilezas anal\u00edticas\u00bb, \u00c9. Laurent disse que \u00abh\u00e1 muitos elementos da cl\u00ednica de nossa \u00e9poca que v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de uma cl\u00ednica separada de\u00a0<i>lal\u00edngua<\/i>\u00ab.[17]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o resulta estranho, ent\u00e3o, que \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do sintoma dos DSM, Lacan oponha o Sinthome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, foi interessante comprovar em nossa investiga\u00e7\u00e3o a \u00eanfase colocada sobre um mesmo termo psiqui\u00e1trico, com dois usos contrapostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos, pois, como se sobressai especialmente o \u00abhipoman\u00edaco\u00bb no espectro bipolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Lacan, tamb\u00e9m, por\u00e1 em seu \u00faltimo ensino um maior acento sobre \u00abo ser vivo que fala\u00bb, sobre a \u00abela\u00e7\u00e3o man\u00edaca\u00bb. [18]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, enquanto os DSM, como diz Laurent, seriam o sonho de um sintoma sem inconsciente, Lacan, com o sinthome, permitir\u00e1 reordenar a cl\u00ednica em uma perspectiva desabonada do inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desembocamos, assim, em uma interse\u00e7\u00e3o, o desabonado de lal\u00edngua de um lado, reencontra o desabonado do inconsciente do outro, para voltar a introduzir uma \u00e9tica do sujeito pr\u00f3pria da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, um breve coment\u00e1rio dedicado \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, especificamente sobre o \u00abefeito real\u00bb do psicof\u00e1rmaco e uma pergunta sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos quadros cl\u00e1ssicos das \u00abenfermidades mentais\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em princ\u00edpio, pode-se deduzir dos casos apresentados o modo como a psican\u00e1lise e a ci\u00eancia modificaram as descri\u00e7\u00f5es da psiquiatria cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao uso do psicof\u00e1rmacos n\u00e3o podemos desconhecer que \u00e9 um instrumento que conduz o sujeito a poder gozar de novas partes de seu corpo.[19] \u00c9 uma pr\u00e1tica da norma autoer\u00f3tica. Mas, tamb\u00e9m, reconhecemos que o uso do psicof\u00e1rmaco permite ao sujeito decidir de outro modo, consentir a uma psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medicamento realiena o sujeito ao lugar do Outro, lhe d\u00e1 uma possibilidade de elucubra\u00e7\u00e3o de lal\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setembro de 20l3.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Esse texto foi possibilitado pelo trabalho intenso e entusiasta que fizemos ao longo de 2013, com o Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o formado para o ENAPOL constitu\u00eddo por: Alejandra Glaze, Leticia Acevedo, Lisa Erbin, Virginia Walker, Adriana Rogora, Delfina Lima Quintana, Valeria Cavalieri, In\u00e9s Iammateo, Luciana Nieto, Daniel Melamedoff, Ramiro Gomez Quarelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Pimenta<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Berrios, G. E. \u2013<i>\u00a0Hacia una nueva epistemolog\u00eda en psiquiatr\u00eda \u2013\u00a0<\/i>Buenos Aires, Polemos, 1\u00aa. ed. 2011.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lant\u00e9ri-Laura, G. \u2013\u00a0<i>Ensayo sobre los paradigmas de la psiquiatr\u00eda moderna,\u00a0<\/i>Madrid, Editorial Triacastela, 1\u00aa. Ed., 2000.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A. \u2013\u00a0<i>\u00abLo real en el siglo XXI\u00bb \u2013 El orden simb\u00f3lico en siglo XXI: no es m\u00e1s lo que era. Que consecuencias para la cura? \u2013\u00a0<\/i>Buenos Aires: Grama Ediciones, 1\u00aa ed., 2012: 425-436.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Alem\u00e1n, J. \u2013\u00a0<i>Jacques Lacan y el debate posmoderno. \u2013\u00a0<\/i>Buenos Aires: Del Seminario, 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Castro Rey, I. \u2013\u00a0<i>La depresi\u00f3n informativa del sujeto: esencialismo e diferencia.\u00a0<\/i>Buenos Aires: Grama Ediciones, 2011.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Akiskal, H. \u2013\u00a0<i>\u00abLa nueva era bipolar\u00bb.\u00a0<\/i>In: Transtornos bipolares. Conceptos cl\u00ednicos, neurobiol\u00f3gicos e terap\u00eauticos, Buenos Aires: M\u00e9dica Panamericana, 1\u00aa. ed., 2006.<br \/>\n_______\u00a0<i>\u00abThe Evolving Bipolar Spectrum\u00bb.\u00a0<\/i>In: The Psychiatric Clinics of North America, Vol. 22, Number 3, September 1999: 517-534.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A. \u2013 \u00ab<i>Una fantasia\u00bb,\u00a0<\/i>In: Revista Lacaniana, A\u00f1o 3, N. 3, agosto de 2005:9-19.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u2013 \u00ab<i>Duelo y Melancolia\u00bb,\u00a0<\/i>Obras Completas, Tomo XIV, Buenos Aires, Amorrortu Ed., 1980.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Leguil, F. \u2013 Depresi\u00f3n y esquizofrenia na obra de M. Klein, In: Psicosis y Psicoan\u00e1lisis, Buenos Aires, Ediciones Manantial, 1985: 57-67.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013\u00a0<i>\u00abEl semin\u00e1rio: libro 10, a angustia\u00a0<\/i>, l\u00aa ed.<i>\u2013<\/i>\u00a0Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2006.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A. \u2013\u00a0<i>Esquizofrenia y Paranoia,\u00a0<\/i>In: Psicosis y Psicoan\u00e1lisis, Buenos Aires, Ediciones Manantial, 1985: 8-30<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A.. Op. cit.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013 \u00ab<i>Otros Escrito\u00bb,<\/i>\u00a01\u00aa ed., Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Glaze, A. \u2013\u00a0<i>\u00abDe la n\u00famero uno a lo peor,\u00a0<\/i>In: No locas-de-todo, 1\u00aa ed., Buenos Aires: Grama ediciones, 2012.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Chaslin, P. \u2013\u00a0<i>\u00abElementos de semiologia y cl\u00ednica mentales\u00bb,\u00a0<\/i>1\u00aa ed., Buenos Aires: Polemos, 2010.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u00ab<i>La Tercera\u00bb,\u00a0<\/i>In: Intervenciones y Textos 2, Buenos Aires, Ediciones Manantial, 1985: 8-30.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E. \u2013\u00a0<i>\u00abIII Coloquio de la Orientaci\u00f3 Lacaniana: em referencia a Sutilezas Anal\u00edticas de Jacques-Alain Miller\u00bb,<\/i>\u00a01\u00aa ed.,Buenos Aires, Grama ediciones, 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. \u2013\u00a0<i>\u00abEl semin\u00e1rio: libro 23 : el sinthome,\u00a0<\/i>1\u00aa ed., Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2006.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E.\u00a0<i>\u00abC\u00f3mo tragarse la p\u00edldora?\u00bb,\u00a0<\/i>In: Ciudades anal\u00edticas, Buenos Aires, Tres Haches, 2004.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[192],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1180"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1180"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1180\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1181,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1180\/revisions\/1181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}