{"id":1196,"date":"2021-08-18T22:54:01","date_gmt":"2021-08-19T01:54:01","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1196"},"modified":"2021-08-18T22:54:01","modified_gmt":"2021-08-19T01:54:01","slug":"jesus-santiago-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/jesus-santiago-2\/","title":{"rendered":"J\u00e9sus Santiago"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p class=\"Titulo4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Usos f\u00e1licos e o res\u00edduo que verifica o real da puls\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Relatores:<\/b>\u00a0J\u00e9sus Santiago, Ana Lydia Santiago e Fernanda Otoni Brisset<br \/>\n<b>Participantes:<\/b>\u00a0Fernanda Costa, Maria de F\u00e1tima Ferreira, Musso Greco, S\u00e9rgio de Castro e Virg\u00ednia Carvalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o evidentes as transforma\u00e7\u00f5es significativas ocorridas no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es entre os sexos. O psicanalista n\u00e3o permanece imune \u00e0s consequentes desordens que, na contemporaneidade, afetam as posi\u00e7\u00f5es sexuais e repercutem nas diversas formas do corpo de homem. A ideia do decl\u00ednio do viril e, mesmo, do seu prov\u00e1vel desaparecimento atrai todo o interesse por articular-se, no ensino de Lacan, a outro decl\u00ednio \u2013 o do pai \u2013, ressaltado desde\u00a0<i>Os complexos familiares,<\/i>\u00a0de 1938. Cabe, ent\u00e3o, a pergunta: Que se tornou o corpo de homem com o desaparecimento do viril?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o a \u00eanfase conferida por Lacan, em 1956, \u00e0 tese de Alexandre Koj\u00e8ve, segundo a qual o viril n\u00e3o existe mais:\u00a0<i>H\u00e1 uma mascarada viril encarnada pelo barbudo americano com seu fuzil, pelo matador de touros, pelo pescador de peixes, sedutor de mulheres e grande beberr\u00e3o diante do eterno<\/i>\u00a0(<i>apud<\/i>\u00a0MILLER, 1995, p. 180). Considera-se que h\u00e1 apenas semblantes de viril, um resto de homem do lado do\u00a0<i>\u00abpara todo x\u00bb<\/i>, f\u00f3rmula da igualdade do direito para todos, que tamb\u00e9m absorve a feminilidade no momento atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desordem crescente na sexua\u00e7\u00e3o alcan\u00e7am o que se desenha, hoje, sob a forma do corpo de homem, que busca se garantir em ofertas da ci\u00eancia, em sua apropria\u00e7\u00e3o pelo discurso capitalista. Por desordem da sexua\u00e7\u00e3o designa-se o que Miller aponta como insufici\u00eancia em se referir ao bin\u00e1rio homem\/mulher, como se os seres vivos pudessem, t\u00e3o nitidamente, ser repartidos em duas classes distintas (2013, p. 17). Com efeito, o que gera a diferen\u00e7a entre os sexos \u00e9 o real do gozo e n\u00e3o, os semblantes da civiliza\u00e7\u00e3o. Segundo a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, admite-se que, com rela\u00e7\u00e3o a essas transforma\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar no mundo atual, \u00e9 poss\u00edvel propugnar pela diferen\u00e7a entre os sexos, sem cair, contudo, num\u00a0<i>\u00abbinarismo\u00bb<\/i>\u00a0retr\u00f3grado. Ou seja, no enfoque anal\u00edtico do corpo de homem, dispensa-se o binarismo das normas heterossexuais sem, no entanto, recusar a refer\u00eancia ao gozo f\u00e1lico e a seu para al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A atualidade do corpo de homem<\/span><br \/>\nUm levantamento recente aponta, por exemplo, um aumento significativo no n\u00famero de homens que buscam, na medicina est\u00e9tica, cirurgias para moldar o corpo a formas da moda. Por preenchimento mediante pr\u00f3teses de silicone nas panturrilhas ou por montagem dos m\u00fasculos do peitoral e da regi\u00e3o abdominal visam a atingir, compulsivamente, o topo desse imagin\u00e1rio e inflacionam o atual mercado das cirurgias est\u00e9ticas masculinas. O uso de anabolizantes e o detalhamento obsessivo dos exerc\u00edcios nas fichas de muscula\u00e7\u00e3o em academias tamb\u00e9m demonstram a preocupa\u00e7\u00e3o em modelar o corpo de homem segundo o ideal desse\u00a0<i>imagin\u00e1rio falicizado,<\/i>\u00a0bastante distante de rotinas, tradi\u00e7\u00f5es e discursos anteriormente concernentes ao corpo viril. Enfim, a desordem instalada no campo da sexua\u00e7\u00e3o constitui um est\u00edmulo \u00e0s formas \u00fanicas e fractais, com que cada um busca se configurar como lhe conv\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao afirmar que\u00a0<i>\u00abo sujeito tem um corpo\u00bb<\/i>, Lacan valoriza a dimens\u00e3o do\u00a0<i>\u00abum\u00bb<\/i>, sem desconhecer, por\u00e9m, o aspecto do\u00a0<i>\u00abter\u00bb<\/i>, que remete aos usos, um por um<i>,<\/i>\u00a0da forma f\u00e1lica. Esse um por um dos usos do \u00ab<i>ter f\u00e1lico\u00bb<\/i>\u00a0torna poss\u00edvel dizer que, embora o sujeito tenha um corpo, ele pr\u00f3prio se situa numa rela\u00e7\u00e3o de disjun\u00e7\u00e3o e de desacordo com esse corpo, como atestam, de maneira extremada, os transtornos dismorfof\u00f3bicos. S\u00e3o os vigor\u00e9xicos que testemunham como o imagin\u00e1rio falicizado do corpo encerra um gozo de natureza autoer\u00f3tica:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A maioria dos caras que eu conhe\u00e7o e malham querem ser musculosos, fortes e ter uma apar\u00eancia grande para aparecer para os outros e para as mulheres. Eu penso muito diferente disso. Quero me satisfazer com meu corpo, me olhar no espelho e notar volume. N\u00e3o me importo se as mulheres gostam ou n\u00e3o. Prova disso \u00e9 que v\u00e1rias amigas me disseram que n\u00e3o gostam de caras musculosos, acham feio, rid\u00edculos e n\u00e3o t\u00eam nada na cabe\u00e7a. N\u00e3o me importo e al\u00e9m do mais, disse para todas elas que iria correr atr\u00e1s dos meus m\u00fasculos at\u00e9 onde eu achasse que estivesse satisfeito.<\/i>(VIGOR\u00c9XICO 5, In: GRECO, 2010, p.235)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As teorias de Judith Butler, fil\u00f3sofa americana e principal representante da cr\u00edtica \u00e0 teoria dos g\u00eaneros e do feminismo, constituem uma evid\u00eancia direta de que h\u00e1 desordem no real do sexo. Para ela, \u00e9 o g\u00eanero que produz a diferen\u00e7a entre os sexos, j\u00e1 que, de modo geral, se definem a masculinidade e a feminilidade em termos de\u00a0<i>performances,<\/i>\u00a0processos regulados de repeti\u00e7\u00e3o, normas internalizadas sob a forma de estilo corporal, representa\u00e7\u00e3o e teatraliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Essas performatividades normativas t\u00eam sido inscritas nos corpos como verdades biol\u00f3gicas. Mas, para Butler, as diferen\u00e7as entre os sexos s\u00e3o, nada mais, nada menos, que uma imposi\u00e7\u00e3o dos\u00a0<i>\u00absemblantes e artefatos\u00bb\u00a0<\/i>que se depreendem do sistema dominante sexo\/g\u00eanero e, por conseguinte, desconsidera inteiramente o real do gozo, que, no \u00e2mbito da psican\u00e1lise, \u00e9 o que alimenta a diferen\u00e7a entre\u00a0<i>\u00abser homem\u00bb<\/i>\u00a0e\u00a0<i>\u00abser mulher\u00bb.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a vida sexual \u00e9 mero produto de semblantes fabricados pela vida civilizada, todas as formas de lidar com o gozo s\u00e3o, para Butler, simples suplementos. O p\u00eanis \u00e9, do mesmo modo, um suplemento, tendo-se em vista que outro objeto tamb\u00e9m produz aquilo que supostamente deve completar. Ainda que at\u00e9 possa ter alguma raz\u00e3o ao dizer que o p\u00eanis \u00e9, igualmente, suplemento, a fil\u00f3sofa desconhece, no entanto, como prop\u00f5e Freud, que se trata de um suplemento distinto dos outros. Querer estabelecer uma equival\u00eancia estrita entre o p\u00eanis e uma pr\u00f3tese de pl\u00e1stico \u00e9, realmente, negligenciar a interfer\u00eancia do valor f\u00e1lico do suplemento peniano na fun\u00e7\u00e3o do desejo e do gozo. Diante dessa tentativa de dissolver qualquer pressuposto estruturante, para a subjetividade, do chamado imagin\u00e1rio morfol\u00f3gico e anat\u00f4mico do p\u00eanis, Butler (2002, p. 95) recorre \u00e0 no\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>\u00abfalo l\u00e9sbico\u00bb<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beatriz Preciado, uma de suas disc\u00edpulas, por exemplo, relata as suas experi\u00eancias de intoxica\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria com testosterona sint\u00e9tica, e consequentes efeitos sobre o corpo e os afetos. Trata-se da produ\u00e7\u00e3o de um corpo experimental, cujo impacto n\u00e3o se pode calcular de antem\u00e3o. Preciado inicia a escrita do livro\u00a0<i>Testo Junkie. Sexe, drogue et biopolitique\u00a0<\/i>ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o da primeira dose de testogel no seu corpo (PRECIADO, 2008) e relata, durante 236 dias e noites, a evolu\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia, entrecruzando-a de considera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-filos\u00f3ficas e registros detalhados de pr\u00e1ticas sexuais. Por essa via, a autora exemplifica a desconstru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria subjetividade e afirma que toma testosterona n\u00e3o para se transformar em homem, mas para trair o que a sociedade quis fazer dela e, portanto, para transar, para ressentir o que ela chama de prazer p\u00f3s-pornogr\u00e1fico, para agregar uma pr\u00f3tese molecular \u00e0 sua identidade transg\u00eanero, confeccionada por consolos e vibradores, textos e imagens em movimento. Enfim, para vingar a morte (PRECIADO, 2008, p. 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O psicanalista e as desordens na sexua\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nContrariamente ao binarismo, a sexua\u00e7\u00e3o proposta pela psican\u00e1lise considera, tamb\u00e9m, a plasticidade do\u00a0<i>\u00abn\u00e3o todo\u00bb\u00a0<\/i>para al\u00e9m da diferen\u00e7a anat\u00f4mica, ainda que conserve o princ\u00edpio da diferen\u00e7a entre os sexos concernente \u00e0s distintas distribui\u00e7\u00f5es do gozo \u0336 seja ele o gozo f\u00e1lico ou o gozo\u00a0<i>\u00abn\u00e3o todo\u00bb<\/i>\u00a0f\u00e1lico. Se h\u00e1 apenas uma posi\u00e7\u00e3o sexuada relativa \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, essa n\u00e3o implica nenhuma biparti\u00e7\u00e3o estandardizada entre o homem e a mulher; por outro lado, tampouco se pode afirmar que a diferen\u00e7a entre os sexos divide, de modo aprior\u00edstico e dual, o espa\u00e7o de sexua\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Lacan, no Semin\u00e1rio 19, alerta para\u00a0<i>\u00abesta biparti\u00e7\u00e3o, sempre fugidia, do homem e da mulher\u00a0<\/i>[&#8230;].\u00a0<i>Ser\u00e1 que tudo que n\u00e3o \u00e9 homem, \u00e9 mulher? Tender\u00edamos a admitir que sim. Mas, j\u00e1 que a mulher \u00e9 n\u00e3o todo, por que tudo que n\u00e3o \u00e9 mulher seria homem?\u00bb<\/i>\u00a0(2012, p. 171). Insiste-se, portanto, em que homem e mulher n\u00e3o t\u00eam apenas valor de semblante. E, nesse sentido, o falo \u00e9 um semblante que \u0336 tanto no homem quanto na mulher \u0336 n\u00e3o est\u00e1 apenas referido ao imagin\u00e1rio do corpo viril. \u00c9 por isto que no tocante ao corpo de homem, deve-se dar todo o destaque a afirmativa, surpreendente, de Lacan, em\u00a0<i>O Sinthoma,<\/i>\u00a0de que\u00a0<i>\u00abo \u00fanico real que verifica o que quer que seja \u00e9 o falo, na medida em que ele \u00e9 o suporte da fun\u00e7\u00e3o do significante\u00bb<\/i>\u00a0(2007, p. 114). Isto quer dizer que o falo \u00e9 um semblante que, em certas circunst\u00e2ncias, toca o real. Ou seja, n\u00e3o apenas desempenha a fun\u00e7\u00e3o de limitador da infinitiza\u00e7\u00e3o do gozo, mas tamb\u00e9m se coloca em dire\u00e7\u00e3o ao real, isto \u00e9, se mostra orientado pelo furo da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Efeitos da faliciza\u00e7\u00e3o do feminino sobre o corpo de homem<\/span><br \/>\nAtento \u00e0s mudan\u00e7as que as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos sofrem no decurso dos tempos, Lacan acentua, de maneira esclarecedora, os aspectos essenciais do processo de sexua\u00e7\u00e3o no pequeno Hans. Esse caso \u00e9, segundo ele, um paradigma do tipo de rela\u00e7\u00e3o sexual presente em meados da d\u00e9cada de 1940 \u0336 ou seja, o sujeito, do ponto de vista sexual, assume certa posi\u00e7\u00e3o apassivada. Hans mostra-se em conformidade com a ordem sexual, pois \u00e9 um menino que se interessa por meninas, mas n\u00e3o parece ocupar tal posi\u00e7\u00e3o de modo viril. Sup\u00f5e-se que o interesse dele pelo objeto feminino pode se preservar durante toda a sua vida, por\u00e9m, sempre numa atitude passiva. Com efeito, apesar da legalidade heterossexual do objeto a que ele se apega, a legitimidade dessa escolha \u00e9 duvidosa. \u00c9, ent\u00e3o, que Lacan, quinquagen\u00e1rio, confronta os jovens, para explicar-lhes que as rela\u00e7\u00f5es sexuais contempor\u00e2neas lhe parecem ser mais do tipo pequeno Hans. Conclui-se, assim, que\u00a0<i>\u00abesses jovens charmosos esperam que as a\u00e7\u00f5es venham do outro lado \u2013 deixam a iniciativa \u00e0s damas \u2013 esperam afinal que estas lhes tirem as cal\u00e7as\u00bb<\/i>\u00a0(<i>apud<\/i>\u00a0MILLER, 1995, p. 176).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa faliciza\u00e7\u00e3o do feminino que implica consequ\u00eancias sobre o corpo de homem exprime-se, 10 anos depois, em\u00a0<i>Bonjour Tristesse<\/i>, romance de Fran\u00e7oise Sagan, quando, em cena t\u00edpica da\u00a0<i>\u00abnouvelle vague\u00bb,<\/i>\u00a0a protagonista toma a iniciativa de despir o amante:\u00a0<i>\u00abAtirei-me sobre ele, derrubando-nos, misturei meus cabelos aos seus. Senti-o ardente e vigoroso contra o meu rosto; cheirava a mar, a sal\u00bb\u00a0<\/i>(SAGAN, p. 52). Essa gera\u00e7\u00e3o, ainda que n\u00e3o seja contempor\u00e2nea \u00e0 do pequeno Hans, descortina o tempo do\u00a0<i>\u00abtodos juntos, todos iguais, da democracia\u00bb<\/i>\u00a0(MILLER, 1995, p. 179), em que a forma viril do corpo de homem apresenta sinais do pr\u00f3prio decl\u00ednio. Essa tend\u00eancia \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria dos semblantes contribui fortemente para o surgimento de diversas express\u00f5es imagin\u00e1rias e f\u00e1licas dos corpos. No \u00e2mbito da sexua\u00e7\u00e3o masculina, essa mesma tend\u00eancia do \u00ab<i>todos iguais\u00bb\u00a0<\/i>faz-se presente mediante consequ\u00eancias inestim\u00e1veis na incid\u00eancia do imagin\u00e1rio f\u00e1lico no corpo de homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a cl\u00ednica da psicose que lan\u00e7a luz sobre a interfer\u00eancia desse imagin\u00e1rio f\u00e1lico no tratamento da infinitiza\u00e7\u00e3o do gozo, acarretando, muitas vezes, formas de supl\u00eancia estabilizadoras. A respeito, por exemplo, da fantasia estabilizadora de Schreber \u2013\u00a0<i>\u00abSeria belo ser uma mulher sendo copulada.\u00bb\u00a0<\/i>(LACAN, 1985, p. 77) \u2013, Lacan assinala, ainda nos anos 1950, que\u00a0<i>\u00abo Presidente Schreber jamais integrou\u00a0<\/i>[&#8230;]<i>\u00a0qualquer esp\u00e9cie de forma feminina\u00bb\u00a0<\/i>(1985, p.102). Essa \u00e9 uma compreens\u00e3o err\u00f4nea do que, mais tarde, se formula como o\u00a0<i>\u00abempuxo-\u00e0-mulher\u00bb.\u00a0<\/i>Assim, o que repugnava ao narcisismo do dito Presidente era a ado\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o feminina diante de seu pai, o que lhe implicava a castra\u00e7\u00e3o. Por isso, Schreber \u00e9 algu\u00e9m que prefere se satisfazer numa rela\u00e7\u00e3o fundada no del\u00edrio de grandeza a saber que, a partir do momento que seu parceiro \u00e9 Deus, a castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe significa mais nada. Adotar essa forma grandiosa de ser a mulher de Deus consiste, portanto, como observa Lacan, em um mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do \u00c9dipo ausente, um\u00a0<i>\u00abcomo se\u00bb\u00a0<\/i>lhe tivesse dado a virilidade sobre a forma, n\u00e3o da imagem paterna, mas do significante do Nome-do-Pai (1985, p. 220). V\u00ea-se que, nessa acep\u00e7\u00e3o das psicoses, o imagin\u00e1rio f\u00e1lico pode, artificialmente, assumir o valor do Nome-do-Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Lacan recorre ao caso cl\u00ednico de Mauritis Katan, psiquiatra que descreve a pr\u00e9-psicose de um rapaz na puberdade e como o caso sofre uma virada com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sexual do jovem. Nesse caso, evidencia-se que n\u00e3o h\u00e1 nada da ordem do acesso a algo que possa realizar um tipo viril. A esse jovem falta tudo, afirma Lacan. E, se ele tenta conquistar a tipifica\u00e7\u00e3o de uma atitude viril, isso se faz por imita\u00e7\u00e3o, por atrelamento, na esteira de um de seus companheiros (1985, p. 220). Essa compensa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria sob a forma da imita\u00e7\u00e3o do uso dos atributos f\u00e1licos inicia-se, ent\u00e3o, pela ren\u00fancia \u00e0s primeiras manobras sexuais masturbat\u00f3rias da puberdade, por injun\u00e7\u00e3o de um companheiro. Em seguida, o sujeito interessa-se por uma menina \u2013 a mesma que atrai seu companheiro \u2013 e, na extens\u00e3o dessa identifica\u00e7\u00e3o viril, chega, at\u00e9 mesmo, a conquist\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ambos os casos, a evira\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de responder \u00e0 n\u00e3o castra\u00e7\u00e3o: trata-se de uma supl\u00eancia viril, como a tipifica\u00e7\u00e3o de uma forma elevada para o corpo de homem, a saber,\u00a0<i>\u00abum homem que era a mulher de Deus\u00bb<\/i>. Lacan destaca que, para Schreber, vale mais ser uma mulher de esp\u00edrito que um homem cretinizado (1985, p. 290).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que o caso Schreber ensina \u00e9 que, na psicose, em que deveria emergir a significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, adv\u00e9m uma supl\u00eancia, que permite certa estabiliza\u00e7\u00e3o em face do gozo invasivo do Outro. Ser a mulher de Deus, essa forma elevada inventada por Schreber, tem o valor de supl\u00eancia\u00a0<i>\u00abcomo se\u00bb\u00a0<\/i>fosse uma forma f\u00e1lica, tendo-se em vista a fun\u00e7\u00e3o que o falo pode assumir de limita\u00e7\u00e3o do gozo do Outro. Captam-se, nessas supl\u00eancias, formas pl\u00e1sticas que visam a conferir alguma borda \u00e0 infinitiza\u00e7\u00e3o do gozo do Outro. Trata-se de artefatos, ou pr\u00f3teses, do falo, cuja plasticidade, em cada caso, conforma o corpo de homem, na paranoia, como marcado pela defesa do real do gozo do Outro. Pode-se dizer que esse\u00a0<i>\u00abcomo se\u00bb\u00a0<\/i>do falo \u00e9 o que permite verificar o real do gozo na psicose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O res\u00edduo f\u00e1lico e o parceiro sexual<\/span><br \/>\nAinda que, sob a l\u00f3gica da sexua\u00e7\u00e3o, haja duas f\u00f3rmulas proposicionais concernentes ao lado masculino e duas outras referentes ao lado feminino, apreendem-se esses dois lados como tend\u00eancias, que, apesar de dissim\u00e9tricas, n\u00e3o se sujeitam a uma fixa\u00e7\u00e3o est\u00e1tica. \u00c9 o pr\u00f3prio Lacan que esclarece esse ponto de vista:\u00a0<i>\u00abQuem quer que seja ser falante se inscreve de um lado ou de outro\u00bb<\/i>\u00a0(2008, p. 85). Ou ainda: \u00ab[&#8230;] A\u00a0<i>todo ser falante, como se formula expressamente na teoria freudiana, \u00e9 permitido, qualquer que ele seja, quer ele seja ou n\u00e3o provido dos atributos da masculinidade\u00a0<\/i>[&#8230;]\u00a0<i>inscrever-se nesta parte\u00bb<\/i>\u00a0(2008, p. 86), mais precisamente, na parte mulher da sexua\u00e7\u00e3o. Isso quer dizer que pode haver tr\u00e2nsito de um sujeito tanto para o lado feminino quanto para o lado masculino da sexua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cl\u00ednica psicanal\u00edtica evidencia essa mobilidade de v\u00e1rias maneiras. Na confer\u00eancia\u00a0<i>Feminilidade,\u00a0<\/i>Freud afirma que, no primeiro momento do \u00c9dipo, em que prevalece a excita\u00e7\u00e3o do clit\u00f3ris, atividade relacionada com seus desejos sexuais frequentemente ativos e dirigidos \u00e0 m\u00e3e, a menininha experimenta satisfa\u00e7\u00e3o de um modo masculino \u0336 ou seja, sua sexualidade assume conota\u00e7\u00f5es f\u00e1licas. O mesmo se pode dizer, a prop\u00f3sito desse modo de satisfa\u00e7\u00e3o masculino, quando uma mulher exerce cuidados maternais voltados a um filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nosso ver, esse teor pl\u00e1stico da sexua\u00e7\u00e3o deduz-se da formula\u00e7\u00e3o lacaniana do gozo feminino. \u00c9 ela que permite a Lacan localizar o corpo do m\u00edstico S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz do lado do\u00a0<i>\u00abn\u00e3o todo\u00bb<\/i>.O corpo do m\u00edstico, nesse caso, aproxima-se do corpo do transexualista bem-sucedido, \u00e0 medida que aquele faz a experi\u00eancia de um gozo que extrapola o registro f\u00e1lico. A experi\u00eancia m\u00edstica revela, assim, como\u00a0<i>\u00abn\u00e3o se \u00e9 for\u00e7ado, quando se \u00e9 macho, de se colocar do lado &#8216;Vx.Fx'\u00bb<\/i>\u00a0(LACAN, 2008, p. 81). Conclui-se, ent\u00e3o, que um homem pode se situar do lado do\u00a0<i>\u00abn\u00e3o todo<\/i>\u00ab, ainda que o falo seja o que o atrapalha quanto a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa plasticidade do\u00a0<i>\u00abn\u00e3o todo<\/i>\u00bb tamb\u00e9m interessa ao psicanalista,embora este n\u00e3o seja um m\u00edstico. Tampouco se pode, em raz\u00e3o disso, conferir ao analista um lugar feminino. Como esclarece Eric Laurent n\u00e3o se trata da feminiza\u00e7\u00e3o do analista no sentido de convert\u00ea-lo em Tir\u00e9sias, mas de sua condi\u00e7\u00e3o de contrapor-se \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o do mundo ao fazer vacilar os semblantes que apontam para a consist\u00eancia do Outro (1999, p. 109).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan considera a m\u00edstica uma pol\u00edtica do gozo que subverte as posi\u00e7\u00f5es sexuais institu\u00eddas pelos semblantes da civiliza\u00e7\u00e3o. Se o corpo do m\u00edstico, assim como o feminino, exprime uma pol\u00edtica, isso decorre da demarca\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter cont\u00e1vel e localiz\u00e1vel do gozo f\u00e1lico. Ao psicanalista requer-se ir al\u00e9m do falicismo, por mais que a virilidade, sobretudo no caso dos homens, possa ser uma marca constitutiva da exist\u00eancia deles. \u00c9 atributo da pr\u00e1tica anal\u00edtica desvelar a verdade do regime f\u00e1lico do gozo como impotente para cernir o modo de o sujeito viver a puls\u00e3o para al\u00e9m do horizonte fetichista da fantasia masculina (MILLER, 2012, p. 77). Em se tratando do corpo de homem, o final de an\u00e1lise favorece viver a puls\u00e3o para al\u00e9m do fetichismo, inscrito nos usos da fantasia ? E quais as consequ\u00eancias para o recurso do falo e do gozo f\u00e1lico ?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que o desvelamento dessa verdade suscita a presen\u00e7a da vertente opaca do gozo feminino, que concerne, igualmente, ao sujeito masculino, com a condi\u00e7\u00e3o de que ele seja um \u00ab<i>n\u00e3o todo<\/i>\u00abf\u00e1lico. Fala-se em opacidade na medida em que \u00e0 medida que o final da an\u00e1lise implica, logicamente, um indiz\u00edvel, um inomin\u00e1vel do gozo. Esse gozo que resiste \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o, Lacan, em\u00a0<i>Mais, ainda,\u00a0<\/i>toma-o como algo da mulher ou do m\u00edstico, uma vez que desse gozo muito pouco se diz, pois \u00e9 apenas experimentado. O homem, no entanto, se mostra tamb\u00e9m vulner\u00e1vel a esse inomin\u00e1vel, j\u00e1 que sua exist\u00eancia libidinal n\u00e3o se apresenta inteiramente submetida ao seu apego do gozo f\u00e1lico. Se a trajet\u00f3ria da experi\u00eancia da an\u00e1lise desgasta e dissolve o cen\u00e1rio fetichista da fantasia, colocando em xeque a certeza ilus\u00f3ria de seu ideal viril, abre-se espa\u00e7o para um uso inventivo de sua parte de gozo singular e \u00ab<i>n\u00e3o todo<\/i>\u00ab. No fundo, acreditar no ideal viril \u00e9 a forma que certos homens encontram para suprir a falta paterna. E \u00e9 justamente essa cren\u00e7a no viril que alimenta a suposi\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>A mulher \u0336\u00a0<\/i>ou seja, daquilo que contesta o \u00ab<i>n\u00e3o todo<\/i>\u00abfeminino, ao buscar fazer existir a chamada esp\u00e9cie mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se fez refer\u00eancia antes, seja sob a forma de supl\u00eancia imagin\u00e1ria, tal como na psicose, seja na posi\u00e7\u00e3o apassivada dos homens modernos, n\u00e3o cessa a necessidade de se constituir um corpo de homem, cujo suporte \u00e9 a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria do falo. Por\u00e9m, no corpo de homem que p\u00f5e termo \u00e0 experi\u00eancia de an\u00e1lise, a perda que incide sobre o regime f\u00e1lico n\u00e3o quer dizer recha\u00e7o do uso do falo, o que significa que sua condi\u00e7\u00e3o viril pode funcionar de outro modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 se disse, se o final de an\u00e1lise pode apontar a dissolu\u00e7\u00e3o do ideal viril, isso decorre do fato desta dissolu\u00e7\u00e3o deixar entrever uma subtra\u00e7\u00e3o de gozo no uso imagin\u00e1rio do falo, cuja resultante \u00e9 um res\u00edduo, tomado por Lacan como o \u00fanico capaz de verificar o que quer que seja no tocante ao real envolvido nas rela\u00e7\u00f5es entre os sexos (LACAN, 2007, p. 114). Esse real n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o modo como o ser falante lida com o parceiro sexual no \u00e2mbito da puls\u00e3o que se mostra menos\u00a0<i>tapeada<\/i>\u00a0pelo circuito da fantasia. Em outros termos, \u00e9 esse parceiro que p\u00f5e \u00e0 prova o corpo de homem no momento em que este busca viver a puls\u00e3o para al\u00e9m do uso fetichista da fantasia. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que o que mais caracteriza o sintoma do homem, na sua vertente de resto sintom\u00e1tico, o que mais h\u00e1 de \u00absi\u00bb nesta vertente do sintoma, \u00e9 o parceiro sexual (LACAN, 1976, p.5). \u00c9 o parceiro sexual no sentido de que \u00e9 uma mulher que se constitui como\u00a0<i>sinthoma<\/i>\u00a0para todo homem. Nesse caso, \u00e9 o uso do falo que aponta para o furo no real, porque se torna ele pr\u00f3prio res\u00edduo desse real e permite ao ser falante lidar com seu parceiro sexual, no sentido de um\u00a0<i>savoir faire<\/i>\u00a0concernente a esse parceiro, de um saber \u00abse virar\u00bb com ele, de manipul\u00e1-lo (LAURENT, 2013).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">BUTLER, J.\u00a0<i>Cuerpos que importan.<\/i>\u00a0Sobre los l\u00edmites materiales y discursivos del sexo. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">BUTLER, J.\u00a0<i>D\u00e9faire le genre.\u00a0<\/i>Paris: \u00c9ditions Amsterdam. 2006.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">GRECO, M.\u00a0<i>Declina\u00e7\u00f5es da dismorfofobia: estudo psicanal\u00edtico da distor\u00e7\u00e3o da imagem corporal\u00a0<\/i>[Tese de Doutorado UFMG]. &lt;http:\/\/www.bilbliotecadigital.ufmg.br&gt;. Acesso em: 6 set. 2013.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio, Livro 3: As psicoses\u00a0<\/i>[1955-1956]. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio, Livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante\u00a0<\/i>[1971]. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LACAN, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio, Livro 19: &#8230;ou pire\u00a0<\/i>[1971-1972]. 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In:<i>\u00a0Op\u00e7\u00e3o lacaniana,\u00a0<\/i>n. 56\/57, p. 125-128, jul. 2010.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[200],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1197,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions\/1197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}