{"id":1200,"date":"2021-08-18T22:56:49","date_gmt":"2021-08-19T01:56:49","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1200"},"modified":"2021-08-18T22:56:49","modified_gmt":"2021-08-19T01:56:49","slug":"raquel-vargas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/raquel-vargas-2\/","title":{"rendered":"Raquel Vargas"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Integrantes<\/b>: Laura Darder, Anal\u00eda Cross, Roberto Cueva, Gabriela Scheinkestel, Estefan\u00eda Elizalde, Lorena Hojman, Denise Engelman, Jesica Lagares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Corpo de homem<\/b><br \/>\n<i>\u00abFormas mutatas in nova corpora\u00bb (formas mudadas para novos corpos) \u00abDesejo dizer de formas j\u00e1 mudadas em novos corpos \u00bb (Ovidio, libro I, Las metamorfosis)<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nOs corpos podiam ser classificados com um g\u00eanero, at\u00e9 faz pouco tempo, dois, e, recentemente na Alemanha habilitou-se um terceiro. Por sua vez, as palavras tamb\u00e9m t\u00eam g\u00eanero. \u00bfComo combinamos o g\u00eanero de um e outro, o das palavras e os corpos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entrar no assunto podemos tomar uma palavra, a de Freud, que localiza uma experi\u00eancia das palavras e dos corpos com o conceito de Inconsciente no que se descompleta o abrochamiento entre corpo e g\u00eanero: macho\/masculino no caso do tema que nos ocupa. Primeira quest\u00e3o, os corpos alojam um Inconsciente. O Inconsciente \u00e9 uma palavra, um conceito, n\u00e3o qualquer, sen\u00e3o um dos conceitos fundamentais que funda a exist\u00eancia e a experi\u00eancia mesma do psican\u00e1lise. A l\u00edngua na que foi inventada a pr\u00e1tica que toma seu ponto de apoio no Inconsciente \u00e9 o alem\u00e3o e nessa l\u00edngua o g\u00eanero das palavras tem sua particularidade. O neutro est\u00e1 dentro da l\u00edngua alem\u00e3. De modo similar encontramo-lo no ingl\u00eas com o \u00abit\u00bb, artigo que quase com exclusividade se usa para os animais e os objetos. N\u00e3o \u00e9 assim para o alem\u00e3o em onde h\u00e1 tr\u00eas artigos: der, que se refere ao masculino, die, ao feminino e das, ao neutro. Inconsciente tem como artigo a este \u00faltimo: das Unbewusst. De maneira que n\u00e3o dizemos O ou A sen\u00e3o O Inconsciente e j\u00e1 com a formula\u00e7\u00e3o do conceito se verifica que sexo e g\u00eanero para Freud n\u00e3o est\u00e3o abrochados. De maneira que no cora\u00e7\u00e3o mesmo da evid\u00eancia Freud encontra um vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda Quest\u00e3o \u00e9 que o Inconsciente n\u00e3o \u00e9 nem feminino nem masculino em sua an\u00e1lise sint\u00e1tica e Freud extrai da experi\u00eancia da an\u00e1lise que no Icc n\u00e3o pode ser localizada a diferen\u00e7a sexual e todo sujeito, seja homem ou mulher, mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o com um operador \u00fanico que \u00e9 o Falo. Este ponto \u00e9 paradoxal porque conquanto Freud desabrocha a quest\u00e3o, o conceito que localiza como referente sexual foi considerado como masculino pelos estudiosos do g\u00eanero e t\u00eam posto nele um assunto de poder que serviu como ponto de partida para a discuss\u00e3o p\u00fablica do assunto sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o: O corpo, feminino ou masculino ou, inclusive, o terceiro habilitado recentemente -ter\u00e1 que ser verificado-, aloja um Inconsciente neutro relacionado \u00e0 diferen\u00e7a sexual e um referente \u00fanico para ambos sexos: O falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corpo de homem, tal o tema de investiga\u00e7\u00e3o, convocou-nos a uma leitura que foi ampliando a quest\u00e3o que em um princ\u00edpio nos parecia dif\u00edcil de abordar por meio da psican\u00e1lise. Come\u00e7amo-lo a ler e a percorrer baixo diferentes perspectivas e se o prov\u00e9rbio chin\u00eas \u00e9 verdadeiro, que o mais escuro est\u00e1 sempre abaixo do lustre, por mais acendida e por mais luz que tenha do dia na pergunta que desparrama Di\u00f3genes em Atenas, ent\u00e3o \u00e9 um proposi\u00e7\u00e3o que sacode o pretendidamente natural e \u00e9 ent\u00e3o um objeto de estudo para fazer dizer, fazer escutar uma d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Homem, pensamento e Corpo<\/span><br \/>\n\u00abA nuca \u00e9 um mist\u00e9rio para o olho.\u00bb (Paul Valery)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomamos ambas palavras, corpo e homem, por separado. A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 a partir de uma media\u00e7\u00e3o que conhecemos na f\u00f3rmula do fantasma com o signo,\u00a0<i>losange.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma separa\u00e7\u00e3o especial, j\u00e1 que ambas palavras podem andar soltas, sem o \u00abde e\u00bb ao mesmo tempo, \u00e9 esta uma uni\u00e3o que mais que reunir, articula. Deste modo pusemos-nos a trabalhar alguns textos de outras disciplinas para abordar o tema. Algo bem como varia\u00e7\u00f5es sobre o corpo de modo tal que, homem \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o dentro de outras, ou podemos usar o neologismo de Lacan,\u00a0<i>varit\u00e9\u00a0<\/i>para fazer pesar a dimens\u00e3o de verdade nelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bfQuais s\u00e3o as vias onde se aprende o corpo como homem, como pensamento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Varia\u00e7\u00f5es sobre o corpo, \u00e9 o t\u00edtulo que prop\u00f5e Michel Serres em um ensaio. Para Serres, o corpo pode tantas coisas nas f\u00e1bulas que o esp\u00edrito se espanta com isso. A aprendizagem mergulha os gestos na escurid\u00e3o do corpo. A dedicatoria de seu livro est\u00e1 feita a seus professores de gin\u00e1sio, treinadores, aos guias de alta montanha que, assegura, lhe ensinaram a pensar. O agradece o pensamento a outros homens. Detivemos-nos nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensamento \u00e9 oposto \u00e0 adora\u00e7\u00e3o que se traduz a partir de Lacan como um amor prim\u00e1rio, amor ao si mesmo, enquanto pensamento introduz ao Outro, uma adora\u00e7\u00e3o que sai do si mesmo e vai ao corpo do Outro. Verifica-se, assim, a puls\u00e3o que guia o pensar. Inferimos ent\u00e3o que a categoria homem se introduz deste modo como pensamento como pot\u00eancia segunda da adora\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. O homem \u00e9 um pensamento suposto ao corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Costuma-se dizer que \u00e9 poss\u00edvel pensar com diferentes partes do corpo e em geral se imputa ao homem que ao pensar em uma mulher, em ocasi\u00f5es o faz com o \u00f3rg\u00e3o que encarna o falo. Lacan na sua vez p\u00f4de dizer que pensa com os p\u00e9s. Veremos aonde leva isto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos assim ao conceito central na hora do tema proposto: o Falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 temos salientado o valor significante do Falo tanto para homens como para mulheres. Embora o Falo n\u00e3o seja o \u00f3rg\u00e3o masculino \u00e9 um s\u00edmbolo gerado a partir dele, isto \u00e9 que a anatomia tem sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do Falo como significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como entra em jogo a anatomia para Lacan?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos com Freud que h\u00e1 consequ\u00eancias ps\u00edquicas da diferen\u00e7a sexual anat\u00f4mica e o que retoma Lacan disto e distingue \u00e9 um momento preciso da anatomia, o momento da detumesc\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o que constr\u00f3i o s\u00edmbolo f\u00e1lico. Momento anat\u00f4mico, se assim podemos enunci\u00e1-lo, que ilustra o Falo como instrumento de gozo<b>\u00a0<\/b>por um lado e operador da castra\u00e7\u00e3o pelo outro. De maneira que em sua fun\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o, o Falo aponta para o que fica por fora dele. H\u00e1 um gozo fora do Falo. Em sua fun\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o delimita-se um campo e algo fica fora do mesmo. Destacam-se assim tr\u00eas estatutos do Falo, como Significante, como Significa\u00e7\u00e3o e como Fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegado neste ponto entendemos de modo que n\u00e3o todo o sexual, destacamos n\u00e3o-tudo, pode ser significado ou significante. Do mesmo modo que no Inconsciente n\u00e3o tudo \u00e9 reprimido, no sexual n\u00e3o tudo pode ser traduzido apartir do Falo. Verifica-se nesse imposs\u00edvel a falha central da linguagem para atingir a nomear a anatomia sexual e mortal e o axioma lacaniano que afirma que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o\/propor\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sintoma \u00e9 o \u00edndice, a resposta a esta falha. H\u00e1 sintoma em plural e singular que recolhe os restos da falta de propor\u00e7\u00e3o. H\u00e1, no entanto, rela\u00e7\u00e3o corporal uma rela\u00e7\u00e3o que o homem estabelece com seu corpo e nessa rela\u00e7\u00e3o, o Falo verifica o real do corpo enquanto h\u00e1 o que n\u00e3o se prende a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o homem e o pensamento podem fazer um casal, fazem-no apartir do sintoma que traduz o pensamento como corpo estranho e que traz not\u00edcias do ex\u00edlio sexual de sua anatomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Sexo, G\u00eanero e Sexual<\/span><br \/>\n<i>Surge portanto o quincuag\u00e9simo nono ind\u00edcio,<\/i><br \/>\n<i>o supernumer\u00e1rio, o excedente \u2013o sexual: os<br \/>\ncorpos s\u00e3o sexuados. A cada um dos sexos<br \/>\npode ocupar o lugar do finito e o infinito.\u00bb<br \/>\n(Jean-Luc Nancy, 58 ind\u00edcios sobre o corpo)<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacamos o que um sujeito atormentado por sua elei\u00e7\u00e3o de gozo p\u00f4de dizer: \u00abganhou-me o corpo\u00bb. Poderia se acrescentar: como a todos, se entendemos por ganhar o ponto que toca as quest\u00f5es, j\u00e1 n\u00e3o do desejo ou do amor sen\u00e3o as do gozo. As f\u00f3rmulas do sexual s\u00e3o esclarecedoras na hora de analisar as rela\u00e7\u00f5es do sujeito com o prazer, a rela\u00e7\u00e3o fundamental que o sujeito tem com seu corpo e o modo em que organiza os la\u00e7os com outros corpos. Deste jeito Lacan contribui com um tratamento na diferen\u00e7a dos sexos e prop\u00f5e um lado masculino e feminino que se definem como lugares, posi\u00e7\u00f5es que assume o sujeito seja homem ou mulher. Como Freud, mas superando o encerro do binarismo f\u00e1lico-castrado, ser e ter, Lacan prop\u00f5e um desabrochamento entre a anatomia e a sexualidade apartir do conceito de sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, pode-se situar, apartir das f\u00f3rmulas, em um sujeito que diz habitar un corpo de homem e se sentir uma mulher ou em um homem que veste roupas femininas ou em uma mulher identificada, como no caso da Dora, com o homem, a rela\u00e7ao corporal \u00e0 que parece estar programado e ao \u00abfora de programa\u00bb, que muitas vezes percebe. \u00c9 o prazer, o modo de gozar, aquilo que permete se sexualizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise orienta-se al\u00e9m da falocracia da que se queixam ou lamentam os te\u00f3ricos do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que medida concierne \u00e0 psican\u00e1lise a quest\u00e3o do g\u00eanero? Embora seja certo que estamos no terreio das constru\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 tamb\u00e9m algo que forma ou modela o que se corresponde com a teoria das identifica\u00e7\u00f5es tal e como Freud o exp\u00f5e na sua \u00abPsicologia das Massas e An\u00e1lise do eu\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do amplo percurso das pesquisas neste terreio, tomamos alguns textos. Citaremos um deles, \u00abVar\u00f5es\u00bb (g\u00eanero e subjetividade masculina) de Mabel Burin e Irene Meler. No seu texto h\u00e1 um cap\u00edtulo destinado ao estudo psicoanal\u00edtico sobre g\u00eanero, tal o t\u00edtulo que prop\u00f5em, onde fazem um percurso, para a abordagem da sexualidade masculina, apartir do conceito de falo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falam entre outras coisas do \u00abmal-estar dos var\u00f5es\u00bb e p\u00f5em entre aspas o assunto do enigma do feminino freudiano. Tomam a Lacan, brevemente, s\u00f3 a partir de seu texto, \u00aba significa\u00e7\u00e3o do falo\u00bb. A partir destas considera\u00e7\u00f5es, dizem \u00ab\u00e9 poss\u00edvel tomar como objeto da an\u00e1lise o exerc\u00edcio da sexualidade masculina, j\u00e1 que o magma pulsional parcial e infantil se organiza de modos preestablecidos pelas representa\u00e7\u00f5es coletivas a respeito de masculinidade e da feminilidade, que, na atualidade se encontram em um processo de muta\u00e7\u00e3o . Apontam que Freud se debateu inutilmente, assim o dizem, tratando de definir a feminilidade. Faltou neste caso, asseguram, a dist\u00e2ncia necess\u00e1ria como para construir um novo objeto de indaga\u00e7\u00e3o. Afirmam que o masculino e o feminino mutaram mas essa muta\u00e7\u00e3o se cr\u00ea mais verdadeira pela mudan\u00e7a dos semblantes e descuidam o real dessas metamorfoses. Tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J.-A. Miller na \u00faltima classe de seu curso, \u00abPe\u00e7as Soltas\u00bb, refere que estas teorias prop\u00f5em substituir o conceito de identidade pelo de identifica\u00e7\u00e3o e tratam o corpo sexuado a partir de uma meton\u00edmia.<b>\u00a0<\/b>A rejei\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora f\u00e1lica e o de suas consequentes identifica\u00e7\u00f5es arrojam um sujeito n\u00e3o identificado, preparado para tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curso \u00e9 do ano 2005, a oito anos do mesmo, a Alemanha introduz um \u00abterceiro g\u00eanero\u00bb legal para rec\u00e9m-nascidos a partir de novembro deste ano. Oferecer-se-\u00e1 aos pais tr\u00eas op\u00e7\u00f5es para preencher o certificado de nascimento de seus beb\u00eas: masculino, feminino e em alvo. S\u00e3o casos espec\u00edficos para verdadeiros beb\u00eas que nascem com um sexo indeterminado mas a lei tem alcances e consequ\u00eancias que transcende este assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Var\u00f5es, virilidades, renova\u00e7\u00f5es ou permuta\u00e7\u00f5es em suas apar\u00eancias seguem conservando um imut\u00e1vel \u00abn\u00e3o h\u00e1\u00bb que \u00e9 muito diferente do alvo que prop\u00f5e a lacuna que situa no real sexual um problema que deve ser solucionado com a assun\u00e7\u00e3o de um sujeito que nunca possa ser considerado identificado, um sujeito puro processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordamos com Lacan, que se se reduzem a sua presen\u00e7a, os psicanalistas merecem que se perceba que eles n\u00e3o julgam as coisas da vida sexual nem melhor nem pior que a \u00e9poca que lhes faz lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Algumas conclus\u00f5es<\/span><br \/>\n<i>\u00bfQual \u00e9 o homem que n\u00e3o tem a falha da<br \/>\nlinguagem por destino e o sil\u00eancio como<br \/>\nutimo rosto? (Pascal Quignard, O nome na ponta da lingua)<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mito da cria\u00e7\u00e3o p\u00f5e em primeiro lugar o cosmos, a natureza. O mito diz-nos que Deus criou nesse sem limite, ao homem. Uma por\u00e7\u00e3o m\u00ednima da natureza e o sopro divino fabricou o corpo do homem e dele, de uma parte de seu corpo, surge o de sua colega. O corpo do homem ent\u00e3o foi uma esp\u00e9cie de f\u00e1brica do corpo de mulher. Foi tamb\u00e9m a fabrica\u00e7\u00e3o de um desejo, de uma tenta\u00e7\u00e3o e do corpo sexual. O homem primeiro, logo a mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No territ\u00f3rio masculino quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre as insignas f\u00e1licas que armam o corpo do homem daquelas que fabricam o fetiche do neur\u00f3tico como corpo de mulher?.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na antiguidade, a poesia explicava os grandes enigmas do mundo, t\u00e3o pr\u00f3prio e alheio. A poesia, as f\u00e1bulas, os mitos foram apagando-se como fonte de respostas para criar outras e o surgimento da ci\u00eancia n\u00e3o o podemos pensar sem essa magia das palavras, tamb\u00e9m mudadas. \u00c9 dif\u00edcil fazer da palavra g\u00eanero, por exemplo, poesia. H\u00e1 muitas palavras mais, metrosexual, viagra, pr\u00f3tesis&#8230; h\u00e1 uma lista, enlistadas em um discurso que aspiram ao corpo te\u00f3rico que consiga uma ci\u00eancia do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordamos uma pergunta de Lacan, \u00ab\u00bfEstamos no entanto \u00e0 altura daquilo que parece que somos, pela subvers\u00e3o freudiana, chamados a sustentar, a saber, o ser-para-o-sexo? N\u00e3o parecemos suficientemente valentes para sustentar essa posi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o suficientemente alegre. O qual, penso, prova que ainda n\u00e3o estamos totalmente a ponto e n\u00e3o o estamos em raz\u00e3o de que os psicanalistas dizem demasiado bem como para suportar sab\u00ea-lo, gra\u00e7as a Freud designam como castra\u00e7\u00e3o: o-ser-para-o-sexo.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma advert\u00eancia ent\u00e3o n\u00e3o fazer ci\u00eancia da castra\u00e7\u00e3o e da\u00ed valorizar ou hierarquizar as roupagens desse rosto que \u00e9 vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Inconsciente em sua primeira flor, como o chama Lacan pode chamar \u00e0 nostalgia e uma pr\u00e1tica que se apoie nela \u00e9 puro idealismo. Sem nostalgia e sem idealismo, como definimos as coisas, qualquer delas. Lacan diz, atrav\u00e9s do Cratilo de Platon, o que passa com as palavras em ocasi\u00e3o de poesia, s\u00e3o pequenas bestas que fazem o que lhes d\u00e1 a vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas integrantes trouxeram respostas subjetivas na periferia da cidade, o que chamamos o sub\u00farbios (povos no entorno da cidade de Buenos Aires). Estas residentes faz pouco quiseram uma foto com Eric Laurent, que posou alegre e cordial junto \u00e0 juventude lacaniana como a chamou. Esta juventude e tantas outras trabalham nessas frentes onde os conceitos se p\u00f5em a tremer. \u00bfOs semblantes masculinos destes homens s\u00e3o talvez o mesmo que para outros var\u00f5es da cidade? O falo que deriva do pai n\u00e3o est\u00e1 sempre pronto para usar. A contribui\u00e7\u00e3o dos casos que apresentaram situaram o risco de ficar atrapados pelo peso da situa\u00e7\u00e3o social que padecem os corpos nestes setores da cidade e trabalham na via proposta por Judith Miller quem afirma que: \u00ab&#8230; \u00e9 preciso develar a estrutura na qual se est\u00e1 inserto, as determina\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, os efeitos da mis\u00e9ria, para restituir um espa\u00e7o no que possa ser afirmado o desejo do sujeito, para fazer lugar a sua maneira particular de arranjar com esse real, com o Outro e seu goze e intervir em consequ\u00eancia.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empalidece o Inconsciente, diz Lacan, n\u00e3o o lamenta sen\u00e3o que \u00e9 ali mesmo, inclusive em seu palidez, onde se assume o registro do vivo da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim o testemunham seus casos com os que seguem trabalhando, com esses homens cujos corpos assumem os camuflagens, os disfarces que fazem as festas do falo mas que t\u00eam o \u00f4nus extra de disfar\u00e7ar a pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, sem fazer ci\u00eancia do real atrav\u00e9s da sociologia, a filosofia, sem \u00e0 nostalgia de outras \u00e9pocas do Inconsciente em flor, sem ao assistencialismo dos que recebem duros golpes dos tremores das normas, que nos fica? Recolhemos algumas ideias no lugar de nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a puls\u00e3o traz alguma mensagem em seu circuito \u00e9 para dizer que n\u00e3o tem nenhuma possibilidade de se converter em ci\u00eancia. Fazer uma ci\u00eancia da puls\u00e3o, que traz os ecos do corpo \u00e0 toa, \u00e9 uma tentativa de fazer coerente e compreens\u00edvel sua montagem surrealista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer da puls\u00e3o poesia parece-nos mais apropriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corpo de homem, apresenta-se tal quest\u00e3o para o sujeito, apresenta-se para ser decifrado.. O sintoma voltado shintome articula n\u00e3o s\u00f3 sintoma e fantasma sen\u00e3o sintoma, fantasma e traumatismo da l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corpo de homem, encontramos muitos moldes ao longo da hist\u00f3ria. Para fazer-se homem h\u00e1 que fazer tanta odiss\u00e9ia, ou ser Odiseo que \u00e9 o mesmo. H\u00e1 que afastar das mulheres, mas n\u00e3o tanto, da m\u00e3e, mas seguir vener\u00e1ndo-a, dos homossexuais, e dos meninos todo o que se pode dissimular. \u00c9 um trabalho que se apresenta como respostas nos diferentes mapas e territ\u00f3rios e que parece \u00e0s vezes t\u00e3o esfor\u00e7ado que Paolo Giordano dizia em uma entrevista recente a respeito de seu \u00faltimo livro, O corpo humano, \u00abprecisa estar atrincheirado\u00bb e nos diz, assim, ou queremos que isso nos diga, que homem \u00e9 uma trinchera do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, diz Guy Briole, gostava dos homens fortes e de p\u00e9. Em seu depoimento, p\u00f4de elevar essa fortaleza \u00e0 do\u00e7ura de quem corta e pacifica ao mesmo tempo. O t\u00edtulo de seu depoimento, \u00abEssa ferida, essa\u00bb orienta-nos sobre o real em jogo. Essa nos evocou o campo pulsional e seu percurso mais amplo que o de uma ferida, mas n\u00e3o sem ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra das participantes que gosta do estudo da embriolog\u00eda p\u00f4de dizer com muito entusiasmo que X \u00e9 dez vezes maior que E. \u00c9 uma reflex\u00e3o que tem resson\u00e2ncias com a resposta de Tiresias, que pagou com um duplo castigo, perdeu seu corpo de homem e quando o recuperou o teve, mas com um ponto cego se fez olhada oracular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aceitamos que X e que E, qualquer seja seu tamanho, se apresentem \u00e0 mesa de discuss\u00e3o. Aceitamo-la porque preservamos o pequeno x que sustenta um enigma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando iniciamos nosso percurso recordamos que P. Sollers afirmou que o encontro com Lacan lhe fez notar que o corpo sai da voz. Arist\u00f3teles ocupa-se de p\u00f5e-na em um c\u00e9lebre bilhete da Po\u00e9tica onde ele chama \u00absom\u00bb (p\u00f5e) indivis\u00edvel \u00e0 cada um dos elementos discretos \u2013isto \u00e9 as letras- com os que se articula a voz humana precisando que eles diferem entre outros \u00abpela forma da boca\u00bb. Se a psican\u00e1lise \u00e9 uma pr\u00e1tica para quem fala e ouve, permitamos \u00e0 voz essa guia para corpo que sai da boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do homem, na pr\u00e1tica, recolhemos sua palavra Encore ou em corpo.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Bibliograf\u00eda<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. \u00abPsicolog\u00eda de las masas y an\u00e1lisis del yo\u00bb (1921)<br \/>\n\u00abSobre un tipo particular de elecci\u00f3n de objeto en el hombre\u00bb, 1910)<br \/>\n\u00abAlgunas consecuencias ps\u00edquicas de la diferencia anat\u00f3mica entre los sexos\u00bb (1925)<br \/>\n\u00abTipos libidinales\u00bb, (1931)<br \/>\n\u00abSobre la sexualidad femenina\u00bb (1931)<br \/>\n\u00abNuevas Conferencias\u2026 nro.33, La Feminidad\u00bb (1932)<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan J. El Seminario, libro 11, \u00abLos cuatro conceptos\u2026 \u00bb<br \/>\nEl Seminario, libro 3, \u00abLas psicosis\u00bb<br \/>\nEl Seminario, libro 20, \u00abA\u00fan\u00bb<br \/>\nEl Seminario, libro 10, \u00abLa Angustia\u00bb<br \/>\n\u00abDe una cuesti\u00f3n preliminar\u2026\u00bb Escritos II<br \/>\n\u00abLa significaci\u00f3n del Falo\u00bb Escritos II<br \/>\n\u00abIdeas directivas para un congreso\u2026\u00bb Escritos I<br \/>\n\u00abAlocuci\u00f3n sobre las psicosis del ni\u00f1o\u00bb<br \/>\n\u00abLa equivocaci\u00f3n del sujeto supuesto al saber\u00bb<br \/>\n\u00abRadiofon\u00eda\u00bb<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J- Alain, \u00abPiezas Sueltas\u00bb, Paid\u00f3s, 2013<br \/>\n\u00abDonc\u00bb, Paid\u00f3s, 2004<br \/>\n\u00abSutilizas\u00bb, Paid\u00f3s, 2012<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ovidio, \u00abLas Metamorfosis\u00bb, Ed. Losada, Bs.As. 2012<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Halper\u00edn, Davida, \u00abSan Foucalut\u00bb Ed. El cuenco de Plata, 2007<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Jean Luc Nancy, \u00ab58 indicios sobre el cuerpo\u00bb, La Cebra Bs.As. 2006<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Levinas, Emmanuel, \u00abTotalidad e Infinito\u00bb, Ed. Salamanca, 2012<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Arist\u00f3teles, \u00abDe Anima\u00bb, ed. Leviat\u00e1n, Bs.As. 1983<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">David Le Breton, \u00abAntropolog\u00eda del cuerpo y modernidad\u00bb, Nueva Visi\u00f3n, Bs.As. 2004<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Nicole Lorax, \u00abLas experiencias de Tiresias\u00bb, Ed, Biblos, 2003<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">M.Burin, I, Meler, \u00abVarones\u00bb, Ed, Mujeres Editoras, Bs.As. 2009<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Silvia Citro, \u00abCuerpos Plurales\u00bb, Ed. Biblos 2010<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Leticia Sabsay, \u00abFronteras Sexuales\u00bb, Paid\u00f3s, 2011<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Serres, M, \u00abVariaciones sobre el cuerpo\u00bb, Ed. Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 2011<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[200],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1201,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200\/revisions\/1201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}