{"id":1239,"date":"2021-08-18T23:59:28","date_gmt":"2021-08-19T02:59:28","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1239"},"modified":"2021-08-18T23:59:28","modified_gmt":"2021-08-19T02:59:28","slug":"ana-simonetti-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/ana-simonetti-2\/","title":{"rendered":"Ana Simonetti"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Palestrantes:<\/b>\u00a0Adriana Meza (NEL), Luiz Carrijo (EBP), Ann Simonetti (EOL)<br \/>\n<b>Grupo de Pesquisa EOL:<\/b>\u00a0Jorge Ag\u00fcero, Estela Carrera, Javier Cabrera, Josefina Cherry*, Roxana Chiatti, Graciela Mart\u00ednez, B\u00e1rbara Navarro*, Bibiana Ortolani, \u00c1lvaro Stella, Noem\u00ed V\u00e9lez, Dalila Yurevich*, Ana Simonetti* (coordenadora)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nAo receber o convite para trabalhar e confirmado o grupo de pesquisa, com entusiasmo seguimos os tempos de ensino de Lacan para localizar como foi variando sua concep\u00e7\u00e3o de \u00abdesejo\u00bb e abordar as quest\u00f5es relacionadas ao gozo, se envolvido nesta medicaliza\u00e7\u00e3o. Seguimos com leituras e debates sobre a \u00e9poca, a sa\u00fade, as tens\u00f5es entre a psican\u00e1lise e a ci\u00eancia, e a psican\u00e1lise em sua perspectiva da pol\u00edtica do sintoma. Parte do resultado desse trabalho \u00e9 o qual refletimos aqui, outros ir\u00e3o certamente surgir durante a conversa.<\/p>\n<p class=\"Titulo4\" style=\"text-align: justify;\">Certas caracter\u00edsticas da civiliza\u00e7\u00e3o atual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1- Pontos<\/b><br \/>\nA era atual, com a proposta de melhorar o padr\u00e3o de vida dos cidad\u00e3os, empurra ao consumo, instalando um gozo que n\u00e3o se dirige ao Outro. Em \u00abO Outro que n\u00e3o existe e seus comit\u00eas de \u00e9tica\u00bb, Miller (2005) afirma, referindo-se a ela que\u00a0<i>\u00abo gozo n\u00e3o se situa a partir do significante amo, na vertente da sua negativiza\u00e7\u00e3o, mas no lado (do plus-do-gozo) como tamp\u00e3o da castra\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb (p.79). Como Lacan situa, uma promo\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<i>a<\/i>\u00a0como excedente do gozo \u00e9 na raiz do consumismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, em Radiofonia, afirma que a ascens\u00e3o ao pico social do objeto<i>\u00a0a\u00a0<\/i>\u00e9 um efeito do discurso. Efeito esse que podemos julgar como devastador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antecipando nossa \u00e9poca, produz neste momento seus quatro discursos, onde o anal\u00edtico situa o sujeito como outro, no lugar do otro, operando sua divis\u00e3o. Em contrapartida, a ci\u00eancia, ao tornar o amo do consumos o sujeito, retira-o dessa divis\u00e3o, impedindo-o de assumir o seu desejo. O anal\u00edtico falha nesta produ\u00e7\u00e3o de objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00abBastaria a ascen\u00e7\u00e3o ao z\u00e9nite social do objeto chamado por mim de \u00ab<\/i>a\u00bb\u00a0<i>min\u00fascula, pelo efeito de ang\u00fastia que provoca o esvaziamento a partir do qual o nosso discurso o produz, ao falhar em sua produ\u00e7\u00e3o.<\/i>\u00a0\u00ab(Lacan, 2012, Outros Escritos, p<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00ab&#8230; torna-se evidente para n\u00f3s porque, quando j\u00e1 n\u00e3o sabemos que caminho tomar&#8230; se compra qualquer coisa, inclusive um carro, com o demonstrar intelgi\u00eancia, se assim se pode dizer, do seu t\u00e9dio, ou seja, do afeto do desejo de Outra-coisa borrar coisa duplicado (com O mai\u00fasculo).<\/i>\u00a0\u00ab(Lacan, 2012, Outros Escritos, p. 436)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso desvia a aten\u00e7\u00e3o do esvaziamento, do n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, e o t\u00e9dio que vem neste lugar sinaliza desejo de Outra-coisa. O sujeito n\u00e3o pode habitar o seu desejo em em tanto amo do consumo. O que faz o sujeito no curso da experi\u00eancia anal\u00edtica, sen\u00e3o separarse do objeto?.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00abA Terceira\u00bb, de 1974, Lacan ao questionar o que a ci\u00eancia procura para distrair o\u00a0<i>n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/i>, responde que os gadgets e que o futuro da psican\u00e1lise vir\u00e1 desse real, at\u00e9 chegarmos a ser inspirado por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 em 1994 que Miller em\u00a0<i>Uma Fantasia<\/i>\u00a0parte desse sintagma de Lacan:\u00a0<i>a ascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto a&#8230;<\/i>\u00a0e prop\u00f5e interrogar se estamos no momento em que a b\u00fassola da civiliza\u00e7\u00e3o moderna \u00e9 o objeto\u00a0<i>a.\u00a0<\/i>O que encontramos: falta o S1 s\u00f3lido que produz o discurso anal\u00edtico, e o sujeito toma o S1 da \u00e9poca, \u00e9 identificado com eles, ainda que n\u00e3o sejam transit\u00f3rios: lembremos os\u00a0<i>floguers<\/i>\u00a0e\u00a0<i>emos<\/i>\u00a0adolescentes que surgiram h\u00e1 poucos anos e perderam sua predomin\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller argumenta que a ascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto<i>\u00a0a<\/i>\u00a0implica em uma transforma\u00e7\u00e3o no discurso, de modo que o hipermoderno torna-o dominante, no lugar de outrora em que ocupava o ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m dizia:\u00a0<i>O plus de gozar subiu ao lugar dominante,&#8230; mas ao ser assexuado em tanto\u00a0<\/i>n\u00e3o est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao Outro<i>, \u00e9 um estado do corpo pr\u00f3prio, comanda, mas o que comanda?\u00a0<\/i>Um \u00abeste\u00bb falha. Isso significa que, onde h\u00e1 uma divis\u00e3o, o mercado oferece um objeto que sutura essa divis\u00e3o, que apaga o problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o estamos lidando com as conseq\u00fc\u00eancias dessa domina\u00e7\u00e3o, que existe como um \u00abderrame\u00bb. Predomina ent\u00e3o o pathos dos la\u00e7os: a devasta\u00e7\u00e3o, o estrago, o desmanches de casais, dispers\u00e3o e dissolu\u00e7\u00e3o com reconfigura\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, altera\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, a pr\u00e1tica anal\u00edtica tem de lidar com a os novos reais dos discursos hiper onde o Um-totalmente-s\u00f3 ser\u00e1 o padr\u00e3o p\u00f3s-humano, nos adianta Miller. Podemos entender esse\u00a0<i>Um-totalmente-s\u00f3\u00a0<\/i>que vem da altera\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os, da sua ruptura, que \u00e9 a incapacidade, a recusa de consentimento para o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro elemento que se liga diretamente para a transforma\u00e7\u00e3o da ordem simb\u00f3lica: ao d\u00e9ficit sacar realidade simb\u00f3lica mais prevale\u00e7e o real: o imperativo Goza, hoje, Consome! Vemos como a cultura n\u00e3o muda porque o avan\u00e7a o saber da ci\u00eancia, mas porque se produz um novo tipo de gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desorienta\u00e7\u00e3o dos sujeitos em quanto o que fazer com o seu gozo, com seus corpos, com seus la\u00e7os, nos leva a receber queixas novas e \u00e9 a pol\u00edtica do sintoma que nos aproxima desta cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>2 As Comunidades do Gozo<br \/>\n<\/b>\u00c0 falta do orientador da distribui\u00e7\u00e3o dos modos de gozar, esses se misturam e ao mesmo tempo se segregam. Uma maneira comum de ordenamento s\u00e3o os agrupamentos que permitem ao isolamento uma sa\u00edda alternativa. Deste modo se conseguem conquistas \u00abcomuns\u00bb, s\u00e3o construidos nomes que amparam, s\u00e3o identifica\u00e7oes ve\u00edculo do la\u00e7o social. S\u00e3o do tipo horizontal, diferentes daquelas descritos por Freud. S\u00e3o l\u00e1bil, fracas em geral, que enquanto que incluem, produzem m\u00faltiplas segrega\u00e7\u00f5es ao dissolver as particularidades em favor de um \u00abtodos\u00bb universal. Lacan sobre a segrega\u00e7\u00e3o e a ascen\u00e7\u00e3o do racismo, disse:\u00a0<i>\u00abNo extravio do nosso gozo, &#8230; se agrega a precariedade do nosso modo &#8211; que desde agora s\u00f3 se situa no plus de gozar &#8230; &#8211; como esperar que prossiga aquela humanitarieria de elogios com que se revestiam nossas exa<\/i>\u00e7oes<i>\u00a0Deus, recuperando assim a for\u00e7a, acabaria por existir&#8230;. \u00ab[1]<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais comunidades que vem nessa \u00e9poca no lugar do Outro que n\u00e3o existe, se orientam pelo plus do gozo, proporcionando um espa\u00e7o de inclus\u00e3o para os sujeitos desorientados onde aquele aparece como um direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O plus de gozar \u00e9 da ordem da produ\u00e7\u00e3o industrial, o que se pode opor o objeto\u00a0<i>a\u00a0<\/i>que \u00e9 o produto singular de uma an\u00e1lise.\u00a0<i>\u00abo que o plus de gozar materializa \u00e9 o fracasso do \u00abgozo que faria falta\u00bb, ou seja, o adequado, que nos tiraria do gozo pela satisfa\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa busca do outro gozo que, paradoxalmente, solda o sujeito com o plus de gozar\u00bb[2]<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas comunidades se caracterizam por serem solu\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis, prec\u00e1rias. H\u00e1 uma fraqueza nas classifica\u00e7\u00f5es que demonstra a debilidade do discurso de hoje. Esta debilidade n\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a algo \u00ablight\u00bb ou l\u00edquido, pelo contr\u00e1rio, a psican\u00e1lise a revela, com a solidez da concentra\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia gozante. Assim, podemos entender que a crise das normas resulta na crise das classifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comentamos o seguinte caso que ilustra esse ponto. Trata-se de uma mulher que, al\u00e9m de sua pr\u00e1tica religiosa em diferentes grupos e fun\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, levando a imagem de uma virgem para as casas que colocam sua f\u00e9 nela, tamb\u00e9m tem interesse em participar de grupos sociais de aten\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de gozo, chamados por ela de \u00abgrupos de identidade\u00bb. Assim, atendia grupos familiares de alco\u00f3latras, como seu pai era, as mulheres que amam demais, de pais com filhos com problemas de drogas, oficinas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ensinavam a ela a estar atenta a poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es da vida de rela\u00e7\u00e3o afetiva que poderiam afetar sua vida familiar e assim tamb\u00e9m poderia muito bem ensinar e proteger seus filhos dos perigos potenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>3 &#8211; A Sociedade Medicalizada<br \/>\n<\/b>Os la\u00e7os estreitos entre o discurso da ci\u00eancia e o discurso capitalista chegaram ao ponto de fazer existir um mercado da ci\u00eancia convertido em f\u00e1brica de doen\u00e7as para justificar a necessidade das mais variadas pr\u00e1ticas terap\u00eauticas e preventivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo movimento a neurologia foi avan\u00e7ando sobre a psiquiatria, as neuroci\u00eancias e psicopatologia geral. O desaparecimento da cl\u00ednica em prol da Sa\u00fade Mental, aparelho burocr\u00e1tico, persegue fins terap\u00eauticos com o corte utilitarista do mercado.[3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o seu sucesso se prop\u00f5e um ideal de normalidade que pode ser mensur\u00e1vel, observ\u00e1vel com as t\u00e9cnicas de avalia\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tipos, mas com a mesma base: estat\u00edstica e\/ou biol\u00f3gica. Por isso a cria\u00e7\u00e3o de normas comuns para todos. A classifica\u00e7\u00e3o que pode ser aplicada ao universal funciona como um mecanismo de controle social<i>\u00a0\u00abcom o ideal de medicaliza\u00e7\u00e3o geral da exist\u00eancia\u00bb[4]<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado e seu aparato de sa\u00fade monitora a exist\u00eancia dos sujeitos: de que doen\u00e7as padecem, o que comem, quais s\u00e3o seus costumes, para controlar os corpos de tal modo que agora\u00a0<i>\u00aba biopol\u00edtica \u00e9 a pol\u00edtica.<\/i>\u00ab[5] Pretende-se que os corpos sejam disciplinados, controlados, monitorados o que vai junto ao acesso ilimitado do gozo proposto pelo mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eric Laurent diz\u00a0<i>\u00abHoje, o que temos em comum, n\u00e3o \u00e9 o la\u00e7o social, nem pol\u00edtico nem religioso, mas o nosso corpo, a nossa biologia, (&#8230;) o corpo \u00e9 o fundamento de uma ci\u00eancia da felicidade.<\/i>\u00ab[6] Os ideais dessa perfei\u00e7\u00e3o geram um impulso \u00e0 sa\u00fade, um imperativo de bem-estar impar\u00e1vel, que \u00e9 encontrado nas distintas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas, est\u00e9ticas, esportiva e at\u00e9 mesmo \u00abespirituais\u00bb que desencadeiam consumos incontrol\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a psican\u00e1lise, embora argumenta-se que o discurso do amo delineia o campo da sa\u00fade, existe por outro lado a no\u00e7\u00e3o de da sa\u00fade antin\u00f3mica onde o sintoma \u00e9 a verdade sobre o homem. Singularidade essa que \u00e9 um obst\u00e1culo ao \u00abpara todos.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um momento de biologiza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 humano, ainda mais, tecno-biologiza\u00e7\u00e3o do humano, aquele que domonstra mal-estar, se n\u00e3o \u00e9 localiz\u00e1vel, mapeado, medido, comprovado, \u00e9 marginalizado. Assim, a sa\u00fade como direito, a sa\u00fade democratizada, encontram sua impossibilidade em sua pr\u00f3pria busca..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impacta encontrar no jornal\u00a0<i>La Naci\u00f3n de\u00a0<\/i>12\/7\/13 umjogo:\u00a0<i>O S\u00e1bio por Maldon\u00a0<\/i>(empresa que produz jogos em v\u00e1rios formatos). Nele, o leitor deve associar 10 medicamentos, a sua a\u00e7\u00e3o e o laborat\u00f3rio. Exemplo: Prozac, antidepressivo, Eli Lilly. Uma tabela avalia as respostas com n\u00famero e conceito. O m\u00e1ximo, 20, \u00e9\u00a0<i>s\u00e1bio!<\/i>\u00a0Os s\u00e1bio da sociedade medicalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Desejo Medicalizado<\/span><br \/>\nEnquanto interpret\u00e1vamos as condi\u00e7\u00f5es atuais da sociedade e do mercado, em nossas discuss\u00f5es encontramos a possibilidade de pensar o \u00abdesejo medicalizado\u00bb de maneiras diferentes, seja porque em qualquer caso seria a medicaliza\u00e7\u00e3o frente \u00e0 invas\u00e3o do gozo, ou porque responderia \u00e0 ilus\u00e3o de uma f\u00e1brica de afetos ou humores, ignorando as ra\u00edzes fantasmag\u00f3ricas de cada caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medicalizar, segundo Maria Moliner (Dicion\u00e1rio da L\u00edngua) \u00e9 \u00abque venha a prevalecer a import\u00e2ncia do m\u00e9dico em alguma coisa, por exemplo: a sociedade se medicaliza\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apelamos a Lacan que fala sobre o lugar da psican\u00e1lise na medicina: \u00abAtualmente, este lugar \u00e9 marginal e, como tenho escrito mais uma vez, extraterritorial. {&#8230;}\u00bb\u00a0<b>Psican\u00e1lise e Medicina.<\/b>\u00a0Lacan, J. p.86 Interven\u00e7\u00e3o e textos 1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que neste momento a psican\u00e1lise deixou aquele lugar para entrar com plenos direitos para o social, marcando sua diferen\u00e7a radical de outros campos. Lacan diz que o m\u00e9dico tornou-se para o mundo cient\u00edfico, o seu instrumento distribuidor de todos os novos agentes terap\u00eauticos, qu\u00edmicos ou biol\u00f3gicos. Se voc\u00ea responder com rapidez a essa demanda, o m\u00e9dico p\u00f5e a perder sua fun\u00e7\u00e3o mais importante, ser ele pr\u00f3prio a medicina do doente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos hoje a presen\u00e7a do m\u00e9dico preso \u00e0 recusa de reconhecer o desejo que a demanda do paciente veicula. A este respeito diz Lacan aos m\u00e9dicos: \u00abDeixe-me delimitar melhor como falha epistemo-som\u00e1tica, o efeito que ter\u00e1 o progresso da ci\u00eancia sobre a rela\u00e7\u00e3o da medicina com o corpo. {&#8230;} Um corpo \u00e9 feito para gozar de si mesmo. A dimens\u00e3o do gozo est\u00e1 exclu\u00edda totalmente do que eu chamei de rela\u00e7\u00e3o epistemo-som\u00e1tica.. Bem, a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 incapaz de saber o que pode; mas ela, como o sujeito que gera, n\u00e3o pode saber o que ele quer.\u00bb P\u00e1gina 92\u00a0<b>(Psican\u00e1lise e Medicina).\u00a0<\/b>A teoria psicanal\u00edtica chega a tempo com Freud e certamente n\u00e3o por acaso, no momento da entrada no jogo da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan se pergunta: o que poder\u00e1 opor o m\u00e9dico aos imperativos que o converter\u00e3o no empregado dessa empresa universal da produtividade? Vemos como absolutamente mudou a sua fun\u00e7\u00e3o de considerar as demandas do paciente, onde ele ocupa um lugar de suposi\u00e7\u00e3o de saber o que poder\u00e1 usar para capturar o que \u00e9 essa demanda exatamente uma vez que se trate do gozo do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, e fazendo uma leitura do que encontramos em nossa pr\u00e1tica, \u00e9 que consideramos o seguinte para localizar do que se trata o\u00a0<i>desejo medicalizado<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Medicaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a tend\u00eancia do mercado, que se oferece como uma promessa de felicidade. J\u00e1 existia em uma \u00e9poca anterior, acontece que a acelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos \u00abobjetos da ci\u00eancia\u00bb que servem para o corpo, ainda mais com o instrumento de publicidade, vende a promessa com diferentes nomes no mercado e instala a demanda nos sujeitos &#8211; n\u00e3o necessariamente doentes &#8211; ainda para saber como previnir o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O corpo que goza, t\u00e3o medicalizado \u00e9 o corpo que n\u00e3o fala e ao qual lhe amorda\u00e7aram a palavra com qu\u00edmicos, pr\u00f3teses, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O desejo-medicalizado, entendemos tamb\u00e9m que \u00e9 uma resposta \u00e0 exist\u00eancia de alguns sujeitos, que obstru\u00eddos com as propostas da ci\u00eancia poden encontrar al\u00ed uma resposta \u00e0 sua quest\u00e3o da exist\u00eancia e mais, a dor da exist\u00eancia. Isso nos apresenta a uma dissocia\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o objeto, fazendo do sujeito, objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Hip\u00f3tese:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A medicaliza\u00e7\u00e3o do desejo visa normalizar o sujeito. Esta \u00e9poca em que constatamos a falha da norma ed\u00edpica \u00e9 um caminho para o acesso do sujeito ao vivo do gozo. Paradoxalmente alcan\u00e7ar o vivo pode se transformar em um incentivo impar\u00e1vel ao consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Haveria um empurre positivo do gozo, onde o desejo \u00e9 a defesa. Para o sujeito separado do Outro se faz poss\u00edvel um la\u00e7o, assim como pode ser uma condi\u00e7\u00e3o de ingresso ao social para alguns. Estamos no campo do sentimento delirante da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Faz funcionar um \u00abdesejo\u00bb, onde n\u00e3o existe nenhum. Um artif\u00edcio produzido por um objeto (medicamentos, cirurgias, pr\u00f3teses, aparatos para o mapeamento do mais impensado do corpo, receitas de vida). Aqui n\u00f3s temos o outro lado do consumo em que constatamos, como muito sujeitos, para gozar dos objetos, precisam de subst\u00e2ncias viciantes que o mercado fornece ilegalmente e cuja distribui\u00e7\u00e3o o Estado combate. Uma espiral infernal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Usado desta forma \u00e9 um v\u00e9u ao desejo do sujeito, ao contr\u00e1rio da promessa, n\u00e3o fabrica o pr\u00f3prio, mas o esconde com um v\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Desejo medicalizado \u00e9 um nome que designa a parte do real ou do gozo em nosso tempo. O articulador em vez de ser o falo, \u00e9 o corpo. Isto \u00e9 o que nos coloca na \u00e9poca \u00abordinaria\u00bb. O falo como significado universal do gozo, marca a separa\u00e7\u00e3o entre linguagem e o real. Ao n\u00e3o governar o S1 f\u00e1lico na \u00e9poca do dom\u00ednio do objeto, aquele que representa a rela\u00e7\u00e3o da linguagem com o real, deve haver outra coisa que fa\u00e7a para introduzir os sujeitos no discursivo, e hoje, \u00e9 o corpo. O Outro do gozo \u00e9 o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Tens\u00f5es Que Levanta a Psican\u00e1lise<\/span><br \/>\nA psican\u00e1lise nasceu como uma resposta ao mal estar da \u00e9poca, e Lacan veio para implementar no seu ensino que\u00a0<i>o psicanalista \u00e9 o guardi\u00e3o da realidade coletiva, embora esta sequer esteja dentro de sua compet\u00eancia.\u00a0<\/i>Enquanto estabelece o fantasma particular como a realidade ps\u00edquica, existe uma fun\u00e7\u00e3o que define a incid\u00eancia da introdu\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico na rela\u00e7\u00e3o dual. Assim entendemos a fun\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o, anunciado em 1966.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu ensino nos permitiu localizar o desejo como o desejo do Outro, enquanto o fantasma como resposta \u00e0 pergunta sobre o desejo do Outro. A libido foi para o simb\u00f3lico com o nome de desejo e o falo como seu significante. No seu \u00faltima ensinamento, o desejo permanece no campo simb\u00f3lico, n\u00e3o sem rela\u00e7\u00e3o ao gozo, que n\u00e3o entra em rela\u00e7\u00e3o ao outro, e que est\u00e1 fixada a libido, oposta \u00e0 mobilidade do desejo. A puls\u00e3o diz respeito ao corpo gozante, o desejo ao corpo mortificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O princ\u00edpio \u00e9tico e pol\u00edtico da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana exclui a no\u00e7\u00e3o do \u00eaxito, n\u00e3o repousa sobre aquele que\u00a0<i>marcha<\/i>, como ocorre nas pr\u00e1ticas sugestivas, mas sobre o isso falha. Nossa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser a rejei\u00e7\u00e3o ao saber real da ci\u00eancia, o que levaria a manobras intermin\u00e1veis de psi.\u00a0<i>Admitir que h\u00e1 saber no real, mas, ao mesmo tempo, propone proponer que neste conhecimento h\u00e1 um buraco, que a sexualidade esburaca este conhecimento.<\/i>[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo em que tudo gira em torno do significante \u00abutilidade\u00bb, a psican\u00e1lise se oferece como uma ferramenta \u00fatil com a pol\u00edtica da psican\u00e1lise que segue a b\u00fassola da singularidade do sintoma. No campo dos \u00abdireito \u00e0 sa\u00fade\u00bb, o desconforto persiste, assim como o inconsciente. Por isso, ainda existem os psicanalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se prop\u00f5e para esta fratura que p\u00f5e a nu a fragilidade, da fraqueza do mundo, da<i>\u00a0ordem simb\u00f3lica e n\u00e3o assegurado?<\/i><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Capta o buraco, um peda\u00e7o do real e constr\u00f3i sua borda. Ent\u00e3o, devemos interpretar a civiliza\u00e7\u00e3o, a sociedade, a \u00e9poca.<\/li>\n<li>Se interpretada, deve\u00a0<i>encontrar a forma que o seu dizer incida:\u00a0<\/i>esclarecer, advertir e adiantar perspectivas.<\/li>\n<li><i>Prop\u00f5e uma maneira de entender e fazer com a fragilidade<\/i>, com a desorienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para cada sujeito, tamb\u00e9m para as comunidades.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dada a nova alian\u00e7a entre o mercado e a ci\u00eancia, a psican\u00e1lise levanta algumas tens\u00f5es:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A singularidade do sintoma \u00e9 o que faz o la\u00e7o com o discurso, em contraposi\u00e7\u00e3o ao desejo medicalizado. Esse s\u00f3 pretende fazer entrar na norma universal.<\/li>\n<li>Faz uso da pol\u00edtica do sintoma para conversar com outros discursos.<\/li>\n<li>Transfere o objeto do fantasma para a causa da psican\u00e1lise, tendo como produto o analista e o desejo do analista.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Compiladoras e redatoras de pesquisa<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, Jacques. \u00abTelevis\u00e3o\u00bb em \u00abOutros Escritos\u00bb, p.560<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">LasagnaPhilippe \u00abPlus de Gozar\u00bb in scilicet \u00abA ordem simb\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 mais o que era\u00bb<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Eric Laurent \u00abO Del\u00edrio da Normalidade\u00bb<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">JAM \u00abUma Fantasia\u00bb<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Eric Laurent \u00abEu n\u00e3o quero ser aquele louco\u00bb Page 12<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Eric Laurent \u00abN\u00f3s transformamos o corpo humano em um novo deus\u00bb<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, JA. \u00abUma Fantasia\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[210],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1240,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions\/1240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}