{"id":1247,"date":"2021-08-19T00:02:07","date_gmt":"2021-08-19T03:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vi\/?p=1247"},"modified":"2021-08-19T00:02:07","modified_gmt":"2021-08-19T03:02:07","slug":"simone-souto-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vi\/pt\/simone-souto-2\/","title":{"rendered":"Simone Souto"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"Parrafo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que a histeria hoje nos ensina sobre o sintoma<br \/>\n<\/b>Cristiana Pittella de Mattos, Ernesto Anzalone, Fernando Casula, Graciela Bessa, Helenice de Castro, Juliana Meirelles Motta, Simone Souto (relatora)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A histeria hoje: Uma estrutura \u00f3rf\u00e3 do nome do pai?<\/span><br \/>\nAo tomarmos como refer\u00eancia os eixos tem\u00e1ticos do ENAPOL, pareceu-nos curioso a histeria, que, no tempo de Freud, demonstrou a import\u00e2ncia da presen\u00e7a do pai na forma\u00e7\u00e3o dos sintomas, aparecer, na atualidade, definida como uma \u00abestrutura \u00f3rf\u00e3 do nome do pai\u00bb[1]. Assim, primeiramente, consideramos importante definirmos essa orfandade. A express\u00e3o \u00ab\u00f3rf\u00e3o do pai\u00bb ajuda-nos a situar melhor a histeria nesse contexto: \u00f3rf\u00e3o do pai n\u00e3o \u00e9 aquele que nunca teve pai, mas aquele que teve um pai e o perdeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos prim\u00f3rdios da psican\u00e1lise, em um mundo ainda ordenado pelos ideais, o sintoma hist\u00e9rico se apresentava como um sentido a ser decifrado. Esse sentido tinha como modelo o \u00c9dipo estruturado a partir da refer\u00eancia ao pai. Assim, a hist\u00e9rica, no tempo de Freud, tinha um pai que lhe assegurava um sentido pelo qual era poss\u00edvel abordar a satisfa\u00e7\u00e3o e o inc\u00f4modo que lhe afetava o corpo. Em outras palavras, o gozo do sintoma era apreendido pela via do sentido. Constatamos essa preval\u00eancia do pai nos sintomas hist\u00e9ricos em todos os casos conduzidos por Freud. Podemos referi-la, \u00e0 \u00e9poca, mas podemos tamb\u00e9m nos indagar, como o fez Lacan no Semin\u00e1rio 17[2], pelo desejo de Freud, pelo que o fez substituir o saber que recolheu da boca das hist\u00e9ricas (a prop\u00f3sito do poder das palavras e da determina\u00e7\u00e3o significante sobre o corpo) pelo mito do complexo de \u00c9dipo. Segundo Lacan, \u00abo que Freud tentou preservar com o complexo de \u00c9dipo foi a ideia de um pai todo amor\u00bb e que \u00ab&#8230; a experi\u00eancia da hist\u00e9rica &#8230; deveria t\u00ea-lo guiado melhor que o complexo de \u00c9dipo\u00bb.[3] Ent\u00e3o, seguindo Lacan, podemos supor que, desde Freud, a histeria nos ensina algo sobre o sintoma que n\u00e3o passa pelo pai, algo que teria sido encoberto pela import\u00e2ncia dada por Freud ao complexo de \u00c9dipo: o significante como causa de gozo[4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Laurent[5], o que est\u00e1 em quest\u00e3o em nossa \u00e9poca \u00e9 o amor ao pai como eixo em torno do qual gira a constitui\u00e7\u00e3o do sintoma hist\u00e9rico. As hist\u00e9ricas j\u00e1 n\u00e3o acreditam mais no pai como detentor de um sentido capaz de resolver o enigma do gozo. A impot\u00eancia do pai tornou-se evidente e a hist\u00e9rica j\u00e1 n\u00e3o se presta mais a fazer existir o pai ideal sustentando-o atrav\u00e9s de seu amor[6]. Pensar a histeria como \u00f3rf\u00e3 do Nome-do-Pai nos levaria, ent\u00e3o, a considerar uma estrutura neur\u00f3tica cujo sintoma n\u00e3o se sustentaria no amor ao pai, nem seria tecido na trama ed\u00edpica. A histeria se apresentaria, hoje, desvestida de sentido: se a hist\u00e9rica freudiana ensinou-nos que o sintoma comportava um sentido sexual, a hist\u00e9rica de hoje nos convoca \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que o sintoma, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o tem sentido algum e se reduz \u00e0 pura repeti\u00e7\u00e3o de um gozo. Entretanto, veremos mais adiante, \u00e9 preciso distinguir essa forma de apresenta\u00e7\u00e3o do sintoma hist\u00e9rico tanto das psicoses, quanto da posi\u00e7\u00e3o feminina e do sinthoma como produto do final de uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a formula\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica do eixo 2, \u00ab\u00e9 cada vez mais constante encontrarmos casos cl\u00ednicos de neurose nos quais o amor ao pai ou a busca de identifica\u00e7\u00e3o do lado da met\u00e1fora paterna n\u00e3o conseguem sustentar\u2013se claramente, mas que de fato n\u00e3o s\u00e3o casos de psicose\u00bb.[7] Assim, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre a histeria hoje e a psicose podemos considerar que, mesmo tendo perdido o pai, o recurso para resolver o gozo pelo sentido, a hist\u00e9rica atualmente n\u00e3o deixaria de portar, em seu corpo, a marca da castra\u00e7\u00e3o, ou seja, o falo, mas n\u00e3o mais em sua vertente de significa\u00e7\u00e3o, como resultado da met\u00e1fora paterna, e, sim, como significante do gozo. Nesse contexto, como nos demonstra Miller[8], a fun\u00e7\u00e3o do significante passaria a ser a de aparelhar o gozo, dar-lhe subst\u00e2ncia, materialidade. O sintoma hist\u00e9rico hoje se sustentaria muito mais na materialidade do significante que em sua produ\u00e7\u00e3o de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa forma de aparelhamento do gozo que n\u00e3o passa pelo sentido parece constituir-se em uma marca do nosso tempo, observ\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 na cl\u00ednica da histeria. Se a hist\u00e9rica n\u00e3o se dedica mais a sustentar o pai, o psic\u00f3tico, tamb\u00e9m, diferente do que fez Schreber, j\u00e1 n\u00e3o tem tanta necessidade de inventar o pai que ele nunca teve. A psicose, hoje, em certos casos, inventa outras coisas no lugar do pai. Assim, n\u00e3o \u00e9 que o modelo edipiano deixe de ser uma refer\u00eancia: ele \u00e9 abalado, deixa de ser a \u00fanico, a refer\u00eancia universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">Dora: uma hist\u00e9rica freudiana e seu avesso<\/span><br \/>\nDe acordo com Laurent, \u00abap\u00f3s o Semin\u00e1rio sobre Joyce, Lacan prop\u00f5e uma s\u00e9rie de releitura dos\u00a0<i>Estudos sobre a histeria<\/i>, mas pelo avesso\u00bb[9]. Como vimos, quanto ao sintoma hist\u00e9rico, Freud teria feito um percurso passando do significante ao pai. Para precisarmos o que o sintoma hist\u00e9rico presentifica em seu cerne, retomaremos o caso Dora guiados por essa proposta de Lacan, isto \u00e9, lendo-o pelo avesso, fazendo o percurso inverso: do pai ao significante como causa de gozo. Se, por um lado, \u00e9 evidente, na condu\u00e7\u00e3o de Freud, certo recobrimento do sintoma pela primazia dada ao pai, por outro lado, ele nos deixa todas as pistas para fazermos o caminho de volta. Nesse sentido, o caso Dora \u00e9 privilegiado uma vez que, conforme sublinha Lacan, por se tratar de uma hist\u00e9rica, \u00abem parte alguma&#8230; \u00e9 mais baixo o limiar&#8230; entre o discurso anal\u00edtico e a palavra do sintoma.\u00bb[10]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os sintomas apresentados por Dora &#8211; dispneia, enxaqueca, depress\u00e3o&#8230; &#8211; Freud dar\u00e1 particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0 afonia e \u00e0 tosse nervosa. Esses sintomas encontram sua significa\u00e7\u00e3o a partir da complexa trama que envolve Dora, o pai, o Sr. K. e a Sra. K. O pai e a Sra. K s\u00e3o amantes e Dora se coloca como c\u00famplice, protetora dessa rela\u00e7\u00e3o, ficando, concomitantemente, exposta \u00e0s propostas amorosas do Sr. K.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud p\u00f4de fazer surgir, no percurso dessa an\u00e1lise, uma liga\u00e7\u00e3o entre a tosse nervosa de Dora e o caso de amor do pai com a Sra. K, do qual ela tanto se ocupava. A oportunidade para essa liga\u00e7\u00e3o aparece com o significante \u00ab<i>ein vermongender Mann\u00bb<\/i>\u00a0(um homem de posses) com o qual Dora se refere ao pai e que Freud interpreta em seu sentido inverso \u00ab<i>ein unvermongender Mann\u00bb<\/i>\u00a0(homem sem recursos, impotente). Como Dora poderia continuar sustentando que existia um caso de amor entre a Sra. K e seu pai ao mesmo tempo que admitia a impot\u00eancia deste \u00faltimo? A resposta de Dora coloca em cena o sexo oral como um recurso pelo qual um homem impotente poderia sustentar a rela\u00e7\u00e3o com uma mulher. Freud ir\u00e1 deduzir, ent\u00e3o, que Dora havia criado uma fantasia sexual inconsciente (sugar o p\u00eanis), expressada atrav\u00e9s da afonia e da tosse. Como nos esclarece Laurent, com esse sintoma, Dora se identifica com o gozo do pai: \u00abela coloca sua pr\u00f3pria boca nessa participa\u00e7\u00e3o do gozo do pai\u00bb[11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Freud nos d\u00e1 elementos para supor que a preval\u00eancia do gozo oral nos sintomas de Dora remonta a origens ainda mais remotas que n\u00e3o passariam necessariamente pelo pai. Trata-se de uma cena que teria proporcionado \u00aba condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via\u00bb, \u00absom\u00e1tica\u00bb, para a fantasia de Dora: \u00abela chupava o polegar esquerdo sentada em um canto do assoalho ao mesmo tempo que puxava com a m\u00e3o direita o l\u00f3bulo da orelha do irm\u00e3o que estava sentado quieto ao seu lado\u00bb[12]. Lacan situa, nessa cena, \u00aba matriz imagin\u00e1ria na qual vieram confluir todas as situa\u00e7\u00f5es que Dora desenvolveu em sua vida \u2013 verdadeira ilustra\u00e7\u00e3o da teoria, ainda por surgir em Freud, da compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o\u00bb[13]. Portanto, essa cena presentifica a via pela qual o gozo vem marcar o corpo de Dora, ou seja, o acontecimento atrav\u00e9s do qual, para ela, o gozo toma consist\u00eancia e se fixa, um S1, sozinho, um tra\u00e7o que se repete e n\u00e3o se sustenta em sentido algum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Freud faz men\u00e7\u00e3o, no contexto no qual aborda essa lembran\u00e7a de Dora, ao \u00abtra\u00e7o conservador\u00bb[14] que asseguraria que um sintoma, uma vez formado, possa ser retido mesmo que o pensamento inconsciente ao qual ele deu express\u00e3o tenha perdido seu significado, uma \u00abunidade constitu\u00edda pela mat\u00e9ria que deu margem \u00e0s v\u00e1rias fantasias\u00bb[15]. Com a fantasia de sugar o p\u00eanis, Dora constr\u00f3i uma vers\u00e3o paterna para o gozo oral experimentado na inf\u00e2ncia, ou seja, cria uma significa\u00e7\u00e3o do gozo baseada em seu amor pelo pai impotente, um sentido que vem recobrir o tra\u00e7o sem sentido do gozo, esse avesso do sintoma, esse osso, essa mat\u00e9ria na qual, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o sintoma se sustentaria em sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A histeria lacaniana: uma forma real de apresenta\u00e7\u00e3o do sintoma<\/span><br \/>\nNo Semin\u00e1rio 23, Lacan faz men\u00e7\u00e3o a uma forma de apresenta\u00e7\u00e3o da histeria na pe\u00e7a\u00a0<i>O retrato de Dora<\/i>[16], longamente comentada por Laurent[17]. Nessa pe\u00e7a, observa Lacan, a histeria aparece incompleta e, por isso, reduzida a um estado que ele chamou de material. O que a faz incompleta \u00e9 a falta do elemento que a tornaria pass\u00edvel de ser compreendida, ou seja, falta o elemento que introduziria a significa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Freud, o sintoma de Dora \u00e9 acompanhado de uma significa\u00e7\u00e3o sexual, baseada em uma vers\u00e3o do pai como impotente. \u00c9 esse elemento que torna o sintoma interpret\u00e1vel, conferindo-lhe um sentido. Assim, desde Freud, ou mesmo antes dele, o sintoma hist\u00e9rico est\u00e1 sempre acompanhado de um int\u00e9rprete, de um elemento que lhe confere uma significa\u00e7\u00e3o. No entanto, em sua pe\u00e7a, Cixous apresenta Dora sem esse elemento interpretante[18], faz surgir uma histeria sem parceiro, sem sentido. Podemos dizer ent\u00e3o que, na falta desse elemento, o sintoma hist\u00e9rico apareceria em sua preval\u00eancia libidinal, desvestido de sentido, reduzido \u00e0 sua materialidade, ou seja, ao tra\u00e7o que fixa o gozo no corpo. Podemos aproximar esse tra\u00e7o do que foi destacado por Freud com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cena de Dora com o irm\u00e3o, um tra\u00e7o que asseguraria a conserva\u00e7\u00e3o de um sintoma mesmo que ele tenha perdido seu significado. Quanto a isso, vale lembrar as elabora\u00e7\u00f5es de Lacan sobre a identifica\u00e7\u00e3o no Semin\u00e1rio 24, comentadas por Laurent e a partir das quais nos parece poss\u00edvel concluir que a identifica\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica &#8211; tanto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua vertente de participa\u00e7\u00e3o no gozo do outro, que Freud exemplifica como fundamento da epidemia hist\u00e9rica, como em sua vertente de amor ao pai \u2013 se sustentaria na identifica\u00e7\u00e3o que Lacan chamou de neutra, a identifica\u00e7\u00e3o a um tra\u00e7o particular, a um tra\u00e7o qualquer que seria apenas o mesmo.[19] Logo, \u00aba histeria em seu estado material\u00bb parece ter a ver com o que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, para al\u00e9m ou aqu\u00e9m do sentido ed\u00edpico, toda histeria poderia ser reduzida. Conforme esclarece Laurent, \u00abo material, no fundo, \u00e9 o sintoma como tal, separado do sentido\u00bb[20]. O sintoma hist\u00e9rico, assim apresentado, sustentar-se-ia apenas do Um-sozinho[21], do significante em sua materialidade como subst\u00e2ncia gozante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa forma de sustenta\u00e7\u00e3o da histeria a partir do Um, Lacan qualificou de r\u00edgida, uma histeria que se sustentaria sem o apoio do pai como instrumento atrav\u00e9s do qual o gozo poderia ser resolvido pelo sentido[22]. Lacan \u00e9 levado, ent\u00e3o, a articular uma cadeia borromeana \u00abr\u00edgida\u00bb[23], na qual o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real se conjugam, mantendo-se unidos sem a necessidade do Nome-do-Pai como uma rodinha suplementar[24]. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, nessa maneira de apresentar a cadeia, \u00abo importante \u00e9 o real\u00bb[25], \u00e9 o fato de que o real n\u00e3o se restringe unicamente a uma das rodinhas de barbante, pois a cadeia inteira constitui o real do n\u00f3. Partindo dessa observa\u00e7\u00e3o de Lacan, parece-nos poss\u00edvel afirmar: a histeria r\u00edgida evidencia a vertente real do sintoma, o sintoma apresentado, realizado, assim como a pe\u00e7a de Cixous, de um modo real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modo real nos remete ao sintoma hist\u00e9rico n\u00e3o mais em sua plasticidade, fruto de sua inser\u00e7\u00e3o nas significa\u00e7\u00f5es, mas como itera\u00e7\u00e3o do mesmo, do Um-sozinho que n\u00e3o se liga a nada. Portanto, a nosso ver, o que Lacan apresenta como histeria r\u00edgida n\u00e3o seria uma histeria sem sintoma, mas uma histeria na qual o sintoma n\u00e3o se sustentaria na significa\u00e7\u00e3o produzida pelo Nome-do-Pai. Lacan nota que aquela que faz o papel de Dora na pe\u00e7a n\u00e3o deixa de mostrar suas manias de hist\u00e9rica[26]. Isso quer dizer que o sintoma est\u00e1 l\u00e1, por\u00e9m sem sentido, em sua vertente real. Tratar-se-ia da histeria como um elemento estrutural, da histeria apresentada a partir do que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, constitui o substrato, o osso, o cerne de toda histeria e mesmo de todo sintoma neur\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, nos ocorreu pensar se, com a cadeia r\u00edgida, n\u00e3o poder\u00edamos situar outra maneira de apresentar o que Lacan chamou, em \u00abInterven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia\u00bb<i>,<\/i>\u00a0de \u00abmatriz imagin\u00e1ria\u00bb, referindo-se \u00e0 j\u00e1 citada cena de Dora com o irm\u00e3o. Se, nessa ocasi\u00e3o, ele faz prevalecer o imagin\u00e1rio como matriz, como imagem condensadora do gozo a partir da qual o sintoma \u00e9 gerado, no Semin\u00e1rio 23, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cadeia r\u00edgida, ele dar\u00e1 destaque \u00e0 apar\u00eancia, por\u00e9m suportada pelo n\u00f3 entre o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real. Nas palavras de Lacan: \u00abessa apar\u00eancia nodal, essa forma de n\u00f3, se posso dizer assim, \u00e9 o que d\u00e1 seguran\u00e7a ao real. Direi, portanto, nesse caso, que o que testemunha o real \u00e9 uma fal\u00e1cia, posto que falei de apar\u00eancia\u00bb[27].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">O falo como testemunha do real<\/span><br \/>\nConstata-se, dessa forma, uma mudan\u00e7a de perspectiva com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 histeria nos tempos de Freud e que observamos cada vez mais em nossa pr\u00e1tica: a hist\u00e9rica de hoje n\u00e3o precisa mais, para gozar, de sustentar o pai atrav\u00e9s de seu sintoma, criando um sentido porque, para gozar, ela se sustenta no significante. Essa constata\u00e7\u00e3o nos leva a uma quest\u00e3o que Laurent situa como crucial e que, segundo ele, permite a Lacan, no Semin\u00e1rio 23, reformular a histeria tomando-a, como vimos, por seu avesso: diz respeito ao novo lugar que Lacan d\u00e1 ao falo, n\u00e3o mais como resultado da met\u00e1fora paterna, testemunho dos efeitos de significa\u00e7\u00e3o, mas como um semblante que d\u00e1 testemunho do real[28]. Segundo Laurent, o falo, nessa nova posi\u00e7\u00e3o, estaria \u00abfora da met\u00e1fora paterna\u00bb[29], ou seja, separado de toda significa\u00e7\u00e3o ed\u00edpica. Aqui, n\u00e3o estamos mais no contexto no qual \u00abali onde isso fala, isso goza\u00bb, o que se situa em primeiro plano \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que \u00abisso goza, ali onde isso n\u00e3o fala\u00bb, \u00bb isso goza, ali onde isso n\u00e3o faz sentido\u00bb[30].Trata-se do falo, como j\u00e1 o designava Lacan no Semin\u00e1rio 8, em sua \u00abpresen\u00e7a real\u00bb,\u00bbum s\u00edmbolo inomin\u00e1vel\u00bb,\u00bbcuja emerg\u00eancia faria estancar todo reenvio que se tem lugar na cadeia dos signos\u00bb[31]. Como tal, o falo \u00e9 o significante do gozo do Um que, conforme nos indica Miller, \u00e9 imposs\u00edvel de negativizar[32], \u00e9 o significante como suporte material do gozo, ao qual Lacan confere uma \u00ab<i>phun\u00e7\u00e3o\u00a0<\/i>de fona\u00e7\u00e3o que \u00abacaba sendo substitutiva do macho, dito homem\u00bb[33]. Podemos nos referir, aqui, \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de Freud de que a libido \u00e9 sempre masculina e tamb\u00e9m \u00e0 tese de Miller, segundo a qual, para o falasser, o gozo n\u00e3o \u00e9 sem o significante[34]. Assim, o falo \u00e9 o que permanece, no corpo, como res\u00edduo condensador de um gozo incur\u00e1vel, sustenta\u00e7\u00e3o do gozo do Um, desse pouco de gozo que resta ao falasser face a seu encontro traum\u00e1tico com a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual e de um gozo absoluto que lhe conviria. Sendo assim, o falo, fora da met\u00e1fora paterna, \u00e9 presen\u00e7a real de um gozo e, ao mesmo tempo, marca da castra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 referida \u00e0 falta paterna e, sim, ao furo da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Trata-se do \u00abreal marcado pela fal\u00e1cia\u00bb[35]. \u00c9 desde esse lugar que o falo pode aparecer como pass\u00edvel de verificar que o furo da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Titulo4\">A recusa do n\u00e3o-todo<\/span><br \/>\nA partir da\u00ed, parece-nos poss\u00edvel afirmar que a hist\u00e9rica de hoje nos mostra a via do significante sem o pai, isto \u00e9, sem que o poder do significante, como causa de gozo, fique recoberto, como vimos no caso Dora, pela impot\u00eancia paterna. Dessa forma, o sintoma sustenta-se, em sua exist\u00eancia, no falo, conforme explicitado acima, como significante do gozo, separado do sentido, fora da met\u00e1fora paterna. Trata-se, literalmente, do falo em sua materialidade, como um significante que d\u00e1 corpo ao gozo, que faz do sintoma um acontecimento de corpo a partir do qual podemos constatar o efeito maior do significante: o furo. Segundo Miller, \u00abesse furo vem precisamente no lugar da fun\u00e7\u00e3o edipiana do interdito e de todas as significa\u00e7\u00f5es aferentes\u00bb[36]. \u00c9, portanto, uma ancoragem real, um tra\u00e7o que se repete e n\u00e3o diz nada a ningu\u00e9m, mas presentifica uma forma de satisfa\u00e7\u00e3o, um gozo enigm\u00e1tico que pode precipitar o sujeito at\u00e9 a an\u00e1lise. Assim, encontramos na histeria hoje uma fala analisante que se apoia mais na vertente do significante como produ\u00e7\u00e3o de gozo que em seu efeito de significa\u00e7\u00e3o, e sintomas que se apresentam prevalentemente em sua vertente real e libidinal como, por exemplo, os acontecimentos de corpo, as compuls\u00f5es, algumas formas de apresenta\u00e7\u00e3o da homossexualidade feminina, as devasta\u00e7\u00f5es amorosas, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, por mais que a hist\u00e9rica hoje apresente o sintoma sustentado no falo como significante do gozo imposs\u00edvel de negativizar, ela n\u00e3o deixa de demonstrar que o que lhe \u00e9 dado como gozo \u00e9 sempre aquele que n\u00e3o deveria ser, \u00e9 sempre um gozo que n\u00e3o conv\u00e9m se comparado ao \u00fanico gozo que conviria: aquele relativo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual que ela visa a atingir. Sendo assim, ela se recusa a ser o sintoma de outro corpo, do corpo de um homem, ou seja, aquilo de que ele goza. Portanto, em seu sintoma, ela goza do significante como Um-sozinho, como um corpo que se goza, mas se recusa a fazer passar esse gozo por um outro, coloc\u00e1-lo \u00e0 prova na rela\u00e7\u00e3o com o parceiro. Sua recusa, em outras palavras, \u00e9 a de servir-se do falo, ou seja, de seu pr\u00f3prio corpo, para verificar o real da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Ela se aprisiona na l\u00f3gica do gozo do Um para continuar mantendo, em seu horizonte, o Outro absoluto, A Mulher como deposit\u00e1ria de uma feminilidade que se situaria toda fora do falo e da qual ela se sente privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-nos, ent\u00e3o, que o sintoma hist\u00e9rico, em nossos dias, mesmo n\u00e3o estando mais encoberto pelo amor ao pai, permanece como uma forma de defesa com rela\u00e7\u00e3o ao real de um gozo n\u00e3o-todo e, por isso, diferentemente da posi\u00e7\u00e3o feminina, em perfeita conson\u00e2ncia com os tempos atuais marcado por um individualismo de massa[37]. \u00c9 justamente na medida em que, em seu sintoma, a hist\u00e9rica recusa a servir-se do falo para verificar o real, que podemos distinguir o que Lacan chamou de histeria r\u00edgida, ou seja, a forma real de apresenta\u00e7\u00e3o do sintoma hist\u00e9rico, do sinthoma tal qual ele se apresenta no final de uma an\u00e1lise, referido ao n\u00e3o-todo. Portanto, \u00e9 a recusa do feminino que hoje, a nosso ver, nos permite dizer que se trata de uma histeria, mesmo quando n\u00e3o dispomos mais de um sentido para compreend\u00ea-la.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"CITAS\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Notas<\/b><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver Eixos tem\u00e1ticos do VI Enapol em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Ejes-tematicos.html\">www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Ejes-tematicos.html<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. O semin\u00e1rio. Livro17: o avesso da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p.94(1969-1970)<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ibidem, p.94<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. O semin\u00e1rio. Livro 20: mais, ainda. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1985, p.36<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E. Falar com seu sintoma, falar com seu corpo (2012):\u00a0<a href=\"http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Hablar-con-el-propio-sintoma_Eric-Laurent.html\">http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Hablar-con-el-propio-sintoma_Eric-Laurent.html<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Brousse, M.H. Entrevistas NODUS [Arquivo de Video]:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tShqXU61MmM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.youtube.com\/watch?v=tShqXU61MmM<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 1<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver Miller, J.A.\u00a0<i>Sutilezas anal\u00edticas<\/i>\u00a0(2008-2009). Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p. 269 -303<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. Interven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia (1951). In:\u00a0<i>Escritos.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 225<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria (1905). In:\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas,<\/i>\u00a0v. VII, p. 49.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. Interven\u00e7\u00e3o &#8230;, p. 220.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. Fragmento&#8230;, p.50.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ibidem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma<\/i>\u00a0(1975-1976). Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2007. Cixous, H.\u00a0<i>Portrait de Dora\u00a0<\/i>(1976) Paris: des femmmes, 1986.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. L&#8217;insu qui sait de l&#8217;une-b\u00e9vue s&#8217;aile \u00e0 mourre<i>.. Ornicar?,<\/i>\u00a0n. 12?13, p.5-16.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 8.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver Miller, J.-A. Nota passo a passo. In: Lacan, J.\u00a0<i>O semin\u00e1rio. Livro 23&#8230;,<\/i>\u00a0p. 238<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O Semin\u00e1rio. Livro 23&#8230;,<\/i>\u00a0p.103<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 22.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J. O semin\u00e1rio. Livro 23&#8230;, p.102<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ibidem, p.107.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver nota 5.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ibidem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Mille, J.-A.\u00a0<i>Sutilezas anal\u00edticas&#8230;,<\/i>\u00a0p. 97-122.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O semin\u00e1rio. Livro 8: a transfer\u00eancia<\/i>\u00a0(1960- 1961) Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992, p. 234<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A Psychanalyse pure, psychanalyse appliqu\u00e9 et psychoth\u00e9rapie.\u00a0<i>La Cause Freudienne<\/i>, n. 48, 2001, p. 23<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O semin\u00e1rio. Livro 23&#8230;,<\/i>\u00a0p. 119<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.- A<i>. Sutilezas anal\u00edticas<\/i>&#8230;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<i>O semin\u00e1rio. Livro 23<\/i>&#8230;, p. 112<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ver Aula XIII do Curso O ser e o UM (Miller)<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E. Le sujet de La science et La distinction feminine. La Cause du D\u00e9sir, n. 84, 2013, p. 36<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[216],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1247"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1247"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1248,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1247\/revisions\/1248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}