{"id":436,"date":"2021-08-30T16:56:46","date_gmt":"2021-08-30T19:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?page_id=436"},"modified":"2021-09-03T13:49:32","modified_gmt":"2021-09-03T16:49:32","slug":"jacques-lacan","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/bibliografia-2\/jacques-lacan\/","title":{"rendered":"Jacques Lacan"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"accordian fusion-accordian\" style=\"--awb-border-size:0px;--awb-icon-size:16px;--awb-content-font-size:15px;--awb-icon-alignment:left;--awb-hover-color:#f9f9f9;--awb-border-color:#cccccc;--awb-background-color:#ffffff;--awb-divider-color:rgba(224,222,222,0);--awb-divider-hover-color:rgba(224,222,222,0);--awb-icon-color:#ffffff;--awb-title-color:#0075a8;--awb-content-color:#222222;--awb-icon-box-color:#333333;--awb-toggle-hover-accent-color:#46b1fd;--awb-title-font-family:&quot;Raleway&quot;;--awb-title-font-weight:600;--awb-title-font-style:normal;--awb-title-line-height:1.5;--awb-content-font-family:&quot;Open Sans&quot;;--awb-content-font-style:normal;--awb-content-font-weight:400;\"><div class=\"panel-group fusion-toggle-icon-boxed\" id=\"accordion-436-1\"><div class=\"fusion-panel panel-default panel-83a81ebb840d2d7ad fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_83a81ebb840d2d7ad\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"83a81ebb840d2d7ad\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#83a81ebb840d2d7ad\" href=\"#83a81ebb840d2d7ad\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">ESCRITOS<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"83a81ebb840d2d7ad\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_83a81ebb840d2d7ad\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(1966)\u00a0<em>De nossos antecedentes<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 70; p. 72; p. 73; p. 74-75<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim, n\u00e3o equivale a ceder a um efeito de perspectiva ver aqui este primeiro delineamento do imagin\u00e1rio, cujas letras, associadas \u00e0s do simb\u00f3lico e do real, viriam adornar, muito mais tarde, pouco antes do discurso de Roma, os vasos para sempre vazios, por serem todos igualmente simb\u00f3licos, com que far\u00edamos nossa teriaga para resolver os embara\u00e7os da cogita\u00e7\u00e3o anal\u00edtica\u201d. p. 72<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1956)\u00a0<em>O semin\u00e1rio sobre \u201cA carta roubada\u201d<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 13; p. 21; p. 34; p. 35; p. 37-38; p. 44; p. 45; p.55; p. 56; p. 57-58; p. 60; p. 63<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDecerto sabemos da import\u00e2ncia das impregna\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias (Pr\u00e4gung) nas parcializa\u00e7\u00f5es da alternativa simb\u00f3lica que d\u00e3o \u00e0 cadeia significante seu aspecto. Mas n\u00f3s estabelecemos que \u00e9 a lei pr\u00f3pria a essa cadeia que rege os efeitos psicanal\u00edticos determinantes para o sujeito, tais como a forclus\u00e3o (Verwerfung), o recalque (Verdr\u00e4ngung) e a pr\u00f3pria denega\u00e7\u00e3o (Verneinung) -, acentuando com a \u00eanfase que conv\u00e9m que esses efeitos seguem t\u00e3o fielmente o deslocamento (Entstellung) do significante que os fatores imagin\u00e1rios, apesar de sua in\u00e9rcia, neles n\u00e3o figuram sen\u00e3o como sombras e reflexos\u201d. p. 13<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1936)\u00a0<em>Para-al\u00e9m do \u201cPrinc\u00edpio de realidade\u201d<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 81-82; p. 84-85; p. 87-88; p. 89; p. 91-93; p. 94; p. 95<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica que podemos dar do que se passa na s\u00e9rie de experi\u00eancias que comp\u00f5em uma psican\u00e1lise. Trabalho de ilusionista, poderia se dizer se n\u00e3o tivesse como fruto justamente resolver uma ilus\u00e3o. Sua a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, ao contr\u00e1rio, deve ser essencialmente definida como um duplo movimento pelo qual a\u00a0<em>imagem<\/em>, a princ\u00edpio difusa e fragmentada, \u00e9 regressivamente assimilada ao real, para ser progressivamente desassimilada do real, isto \u00e9, restaurada em sua realidade pr\u00f3pria\u201d. p. 89<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1948)\u00a0<em>A agressividade em psican\u00e1lise<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 106; p. 107; p. 108; p. 110; p. 112; p. 114-119; p. 122<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMais uma vez, repetimos essa imago s\u00f3 se revela desde que nossa atitude ofere\u00e7a ao sujeito o espelho puro de uma superf\u00edcie sem acidentes\u201d. p. 112<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1949)\u00a0<em>O est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu<\/em>.\u00a0Jorge Zahar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 96-97; p. 98; p. 99; p. 100-101; p. 102; p. 103<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBasta compreender o est\u00e1dio do espelho\u00a0<em>como uma identifica\u00e7\u00e3o<\/em>, no sentido pleno que a an\u00e1lise atribui a esse termo, ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o produzida no sujeito quando ele assume uma imagem \u2013 cuja predestina\u00e7\u00e3o para esse efeito de fase \u00e9 suficientemente indicada pelo uso, na teoria, do antigo termo\u00a0<em>imago<\/em>\u201d. p. 97<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1946)\u00a0<em>Formula\u00e7\u00f5es sobre a causalidade ps\u00edquica<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 164-165; p. 172-173; p. 174; p. 176; p. 177; p. 179-194<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFunda-a uma forma de causalidade que \u00e9 a pr\u00f3pria causalidade ps\u00edquica \u2013 a\u00a0<em>identifica\u00e7\u00e3o<\/em>, que \u00e9 um fen\u00f4meno irredut\u00edvel -, e a\u00a0<em>imago<\/em>\u00a0\u00e9 a forma defin\u00edvel, no complexo espa\u00e7o-temporal imagin\u00e1rio, que tem por fun\u00e7\u00e3o realizar a identifica\u00e7\u00e3o resolutiva de uma fase ps\u00edquica, ou, em outras palavras, uma metamorfose das rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo com seu semelhante\u201d. p. 189<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1945)\u00a0<em>O tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 199; p. 208<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDa mesma forma que, para efetivamente record\u00e1-lo, o [<em>eu<\/em>] psicol\u00f3gico destaca-se de um transitivismo especular indeterminado, pela contribui\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia despertada como ci\u00fame, o [<em>eu<\/em>] de que se trata aqui se define pela subjetiva\u00e7\u00e3o de uma\u00a0<em>concorr\u00eancia<\/em>\u00a0com o outro na fun\u00e7\u00e3o do tempo l\u00f3gico\u201d. p. 208<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1950)\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise em criminologia<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 128; p. 135; p. 138; p. 143; p. 144-145; p.148; p. 150-151<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPela confiss\u00e3o que recebemos do neur\u00f3tico ou do perverso sobre o gozo inef\u00e1vel que eles obt\u00eam ao se perderem na imagem fascinante, podemos avaliar o poder de um hedonismo que nos introduzir\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es amb\u00edguas da realidade com o prazer. Se, ao nos referirmos a esses dois grandes princ\u00edpios, descrevemos o sentido de um desenvolvimento normativo, como n\u00e3o ser captados pela import\u00e2ncia das fun\u00e7\u00f5es fantas\u00edsticas nos motivos desse progresso, e qu\u00e3o cativa permanece a vida humana da ilus\u00e3o narc\u00edsica que sabemos tecer suas coordenadas mais \u2018reais\u2019\u201d. p. 150-151<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1953)\u00a0<em>Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p.250-251; p. 261; 263; 281; 291; 302; 303; 310; 320<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] O sujeito\u00a0n\u00e3o se empenha\u00a0neste numa\u00a0despossess\u00e3o\u00a0cada\u00a0vez\u00a0maior do ser de si mesmo, o\u00a0qual\u00a0\u2013\u00a0em\u00a0virtude\u00a0de pinturas\u00a0sinceras, que\u00a0nem por isso tornam menos incoerente a ideia,\u00a0de\u00a0retifica\u00e7\u00f5es\u00a0que\u00a0n\u00e3o conseguem destacar\u00a0sua ess\u00eancia,\u00a0de apoio se defesas que n\u00e3o impedem\u00a0sua est\u00e1tua de vacilar, de abra\u00e7os narc\u00edsicos que constituem\u00a0um\u00a0sopro de anima\u00e7\u00e3o \u2013 ele acaba reconhecendo que nunca foi\u00a0sen\u00e3o um ser de sua obra no imagin\u00e1rio, e que essa obra desengana nele qualquer certeza\u201d. p. 250-251<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1955)<em>\u00a0Variantes do tratamento padr\u00e3o<\/em>.<em>\u00a0<\/em>Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 348; 351; 359; 362<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA condi\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria em que desemboca o cap\u00edtulo precedente s\u00f3 deve ser compreendida como condi\u00e7\u00e3o ideal. Mas, se fica entendido que pertencer ao imagin\u00e1rio n\u00e3o quer dizer que ela seja ilus\u00f3ria, digamos que ser tomada por ideal nem por isso a torna mais irreal. \u00c9 que um ponto ideal, ou uma solu\u00e7\u00e3o que em matem\u00e1tica se diz \u201cimaginaria\u201d, ao darem o piv\u00f4 de transforma\u00e7\u00e3o, o\u00a0 no de converg\u00eancia de figuras ou fun\u00e7\u00f5es inteiramente determinadas no real, efetivamente s\u00e3o uma parte integrante dele\u201d.\u00a0 p. 351 \u2013 352<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas, al\u00e9m de os efeitos de captura do imagin\u00e1rio serem extremamente dif\u00edceis de objetivar num discurso verdadeiro, ao qual eles op\u00f5em no cotidiano o obst\u00e1culo maior \u2013 o que amea\u00e7a constantemente a an\u00e1lise de constituir uma ci\u00eancia ruim, na incerteza em que ela fica dos limites deles no real -, essa ci\u00eancia, mesmo a se sup\u00f4-la correta, \u00e9 apenas de um recurso enganador na a\u00e7\u00e3o do analista, pois considera apenas o que foi depositado, e n\u00e3o o que lhes serve de mola\u201d. p. 359<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1954)\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite.<\/em>\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p.376<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas, fica a crit\u00e9rio de voc\u00eas faz\u00ea-lo entender isso, interpelando- o no lugar imagin\u00e1rio em que ele se situa: isso se dar\u00e1 conforme voc\u00eas possam ou n\u00e3o ligar o gracejo dele ao ponto de seu discurso em que sua fala houver topado\u201d. p.376<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1954)\u00a0<em>Reposta ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite sobre a \u2018verneinung\u2019 de Freud.\u00a0<\/em>Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p.385;393;394<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPoder\u00edamos dizer que o sentimento do\u00a0<em>deja vu\u00a0<\/em>vem ao encontro da alucina\u00e7\u00e3o err\u00e1tica, que \u00e9 o eco imagin\u00e1rio que surge como resposta a um ponto da realidade que pertence ao limite onde ele foi suprimido do simb\u00f3lico\u201d. p. 393<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1953)\u00a0<em>A coisa freudiana<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p.431; 435<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHaveremos n\u00f3s de tirar o corpo fora do jogo simb\u00f3lico por cujo meio o erro real paga o pre\u00e7o da tenta\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria? Haveremos de desviar nosso estudo do que acontece com a lei \u2013 quando, por ela ter sido intoler\u00e1vel para uma fidelidade do sujeito, foi desconhecida por ele j\u00e1 quando ainda era ignorada \u2013 e com o imperativo, se, por este ter-lhe sido apresentado na impostura, foi recusado em seu foro \u00edntimo antes de ser discernido? \u2013 ou seja, haveremos n\u00f3s de desvi\u00e1-lo das molas que, na malha rompida da cadeia simb\u00f3lica, fazem emergir do imagin\u00e1rio a figura obscena e feroz em que se ha de ver a verdadeira significa\u00e7\u00e3o do supereu?\u201d p. 435<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1956)\u00a0<em>Situa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o do psicanalista em 1956<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 464; p. 465; p.466; p. 467; p. 478; p. 479; p. 493<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] ao insistir em que a an\u00e1lise da neurose fosse sempre reconduzida ao n\u00f3 do \u00c9dipo, ele n\u00e3o almejou outra coisa sen\u00e3o garantir o imagin\u00e1rio em sua concatena\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica\u201d p. 466<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1957)\u00a0<em>A psican\u00e1lise e seu ensino<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 438; p. 439; p. 444; p. 449; p. 452; p. 453; p. 454; p.456<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] \u00e9 um erro tomar essa respostas como simplesmente ilus\u00f3rias. Elas nem sequer s\u00e3o imagin\u00e1rias, a n\u00e3o ser na medida em que a verdade faz surgir alo sua estrutura de fic\u00e7\u00e3o\u201d. p. 452<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1957)\u00a0<em>A inst\u00e2ncia da letra no inconsciente ou a raz\u00e3o desde Freud<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 517; p. 524<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi assim que Freud fez o eu entrar em sua doutrina. definindo-o pelas resist\u00eancias que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. Que elas s\u00e3o de natureza imagin\u00e1ria, no sentido dos engodos coaptativos, que a etologia nos demonstra nas condutas animais da exibi\u00e7\u00e3o e da luta, \u00e9 o que tenho me empenhado em fazer apreender, no tocante \u00e0quilo a que esses engodos se reduzem no homem, ou seja, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica introduzida por Freud e tal como elaborei no\u00a0<em>est\u00e1dio do espelho<\/em>\u201d. p. 524<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1957 \u2013 1958)\u00a0<em>De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 550; p. 552 \u2013 553; p. 554; p. 558; p. 559; p. 560; p. 561; p. 563; p. 570; p. 571; p. 572-573; p. 574; p. 575; p. 577; p. 578; p. 579; p, 580; p. 584; p. 585<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] a rela\u00e7\u00e3o polar pela qual a imagem especular (da rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica) se liga, como unificadora, ao chamado conjunto de elementos imagin\u00e1rios do corpo dito despeda\u00e7ado fornece um par, que n\u00e3o \u00e9 preparado apenas por uma conveni\u00eancia natural de desenvolvimento e de estrutura para servir de hom\u00f3logo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica M\u00e3e-Crian\u00e7a. O par imagin\u00e1rio do est\u00e1dio do espelho, pelo que manifesta de contranatureza, se conv\u00e9m relacion\u00e1-lo com uma prematura\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do nascimento no homem, mostra-se apropriado para dar ao tri\u00e2ngulo imagin\u00e1rio uma base que a rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica possa de alguma forma abarcar\u201d. p. 558<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1958)\u00a0<em>A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder.\u00a0<\/em>Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 599; p. 614; p. 620; p. 636; p. 643; p. 645<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSendo desconhecida, n\u00e3o sem motivo, a natureza da incorpora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, e n\u00e3o havendo possibilidade de que se consuma seja o que for de real na an\u00e1lise, evidencia-se, pelas balizas elementares de meu ensino, que nada mais pode ser reconhecido sen\u00e3o de imagin\u00e1rio naquilo que se produz\u201d. p. 614<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1958)\u00a0<em>A significa\u00e7\u00e3o do falo<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 693; p. 696<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026 ] Sabemos que Freud especifica com esse termo a primeira matura\u00e7\u00e3o genital \u2013 como aquilo que se caracterizaria, por um lado, pela domin\u00e2ncia imagin\u00e1ria do atributo f\u00e1lico e pelo gozo masturbat\u00f3rio [\u2026]\u201d. p. 693<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1959)\u00a0<em>\u00c0 mem\u00f3ria de Ernest Jones: Sobre sua teoria do simbolismo<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] o indiv\u00edduo humano n\u00e3o deixa de apresentar uma certa complac\u00eancia com esse despeda\u00e7amento de suas imagens \u2013 e a bipolaridade do autismo corporal favorecido pelo privil\u00e9gio da imagem especular, dado biol\u00f3gico, se prestar\u00e1 singularmente a que essa implica\u00e7\u00e3o de seu desejo no significante assuma a forma narc\u00edsica\u201d. p. 718<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1960)\u00a0<em>Observa\u00e7\u00e3o sobre o relat\u00f3rio de Daniel Lagache: \u201cPsican\u00e1lise e estrutura da personalidade\u201d<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 661; p. 662; p. 675; p. 677; p. 679 \u2013 686; p. 688<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeria um erro acreditarmos que o Outro mai\u00fasculo do discurso possa estar ausente de alguma dist\u00e2ncia tomada pelo sujeito em sua rela\u00e7\u00e3o com o outro, que se op\u00f5e a ele como o pequeno outro, por ser o da d\u00edade imagin\u00e1ria\u201d. p. 685<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1966)\u00a0<em>De um silab\u00e1rio a posteriori.\u00a0<\/em>Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 727; p. 728; p. 729; p. 731<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA resist\u00eancia de que falamos est\u00e1 no imagin\u00e1rio. E \u00e9 por ter-lhe dado no est\u00e1dio do espelho, desde nossos primeiros passos na psican\u00e1lise, seu status, que pudemos depois dar corretamente ao simbolismo seu lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 do imagin\u00e1rio, com efeito, isso \u00e9 sabido desde sempre, que prov\u00eam as confus\u00f5es no simb\u00f3lico, mas o erro, n\u00e3o menos secular, est\u00e1 em querer remediar isso atrav\u00e9s de uma cr\u00edtica da representa\u00e7\u00e3o, quando o imagin\u00e1rio continua preponderante nela. \u00c9 disso mesmo que Jones permanece tribut\u00e1rio: ao definir o s\u00edmbolo como \u201cideia\u201d do concreto, ele j\u00e1 consiste em que este seja mais que uma figura. Seu preconceito \u00e9 baconiano. Recebemos sua marca na escola, onde nos ensinam que a vertente decisiva da ci\u00eancia \u00e9 o recurso ao\u00a0<em>sensorium<\/em>, qualificado de experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata, de modo algum, de que o imagin\u00e1rio seja para n\u00f3s o ilus\u00f3rio. Muito pelo contr\u00e1rio, n\u00f3s lhe damos sua fun\u00e7\u00e3o de real ao base\u00e1-lo no biol\u00f3gico: ou seja, vimos isso anteriormente no IRM, efeito inato da\u00a0<em>imago<\/em>, manifesto em todas as formas de exibi\u00e7\u00e3o.\u201d p. 731<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1958)\u00a0<em>Juventude de Gide ou a letra e o desejo.<\/em>\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 752; p. 761; p. 762; p. 763-764; p, 765; p. 766; p. 768; p. 771; p. 774; p. 775.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNesse terreno, Jean Delay soube permanecer na constru\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Gide a pe\u00e7a essencial, aquela pela qual a fabrica\u00e7\u00e3o da m\u00e1scara, aberta a um desdobramento cuja repercuss\u00e3o ao infinito enfraquece a imagem de Andr\u00e9 Walter (primeiro dos dois volumes), encontra dimens\u00e3o da\u00a0<em>persona<\/em>\u00a0em que se converte Andr\u00e9 Gide, para que ele nos fa\u00e7a entender que n\u00e3o est\u00e1 em outro lugar sen\u00e3o nessa m\u00e1scara que se oferece a n\u00f3s o segredo do desejo e com este, o segredo de toda nobreza.\u201d p. 768<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1963)\u00a0<em>Kant com Sade.<\/em>\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 777-78; p. 780; p. 781; p. 782; p. 783; p. 784; p. 786-787; p. 789; p. 791; p. 792; p. 793; p. 796; p.797; p.798; p. 799; p. 801; p. 803<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO direito ao gozo, se fosse reconhecido, relegaria a uma era desde ent\u00e3o caduca a domina\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do prazer\u201d. Ao enunci\u00e1-lo, Sade faz com que se insinue para todos, por uma fresta impercept\u00edvel, o antigo eixo da \u00e9tica: que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o ego\u00edsmo da felicidade. \u00c0 qual n\u00e3o se pode dizer que qualquer refer\u00eancia esteja extinta em Kant, pela pr\u00f3pria familiaridade com que ela lhe faz companhia e, mais ainda, pelos rebentos que dela captamos nas exig\u00eancias com que ele argumenta igualmente a favor de uma recompensa no para-al\u00e9m e de um progresso c\u00e1 embaixo. Vislumbre-se outra felicidade, cujo nome dissemos no princ\u00edpio, e o status do desejo se altera, impondo seu reexame.\u201d p. 798<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1966)\u00a0<em>Do sujeito enfim em\u00a0quest\u00e3o.<\/em>\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto n\u00e3o se encontra a refer\u00eancia\u00a0ao imagin\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1965\/1966)<em>\u00a0De um des\u00edgnio<\/em>.\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto n\u00e3o se encontra a refer\u00eancia\u00a0ao imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1960)\u00a0<em>Posi\u00e7\u00e3o do Inconsciente<\/em>. Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998. p. 846; p. 861<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA \u00fanica fun\u00e7\u00e3o homog\u00eanea da consci\u00eancia est\u00e1 na captura imagin\u00e1ria do eu por seu reflexo especular e na fun\u00e7\u00e3o de desconhecimento que lhe permanece ligada\u201d. p. 846<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(1964)<em>\u00a0Da \u201cTrieb\u201d de Freud e do desejo do psicanalista.<\/em>\u00a0Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto n\u00e3o se encontra a refer\u00eancia\u00a0ao imagin\u00e1rio<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-c129f78370952e8f6 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_c129f78370952e8f6\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"c129f78370952e8f6\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#c129f78370952e8f6\" href=\"#c129f78370952e8f6\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 1<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"c129f78370952e8f6\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_c129f78370952e8f6\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abertura do Semin\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos agora a no\u00e7\u00e3o de sujeito. Quando se a introduz, introduz-se a si mesmo. O homem que lhes fala \u00e9 um homem como os outros \u2013 serve-se da m\u00e1 linguagem. Si mesmo est\u00e1, pois, em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, desde a origem, Freud sabe que s\u00f3 far\u00e1 progressos na an\u00e1lise das neuroses se analisar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia crescente hoje atribu\u00edda \u00e0 contratransfer\u00eancia significa o reconhecimento do fato de que na an\u00e1lise n\u00e3o h\u00e1 somente o paciente. Se \u00e9 dois \u2013 e n\u00e3o apenas dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fenomenologicamente, a situa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 uma estrutura; isto quer dizer que, s\u00f3 atrav\u00e9s dela, certos fen\u00f4menos s\u00e3o isol\u00e1veis, separ\u00e1veis. \u00c9 uma outra estrutura, a da subjetividade, que d\u00e1 aos homens a id\u00e9ia de que s\u00e3o compreens\u00edveis para si mesmos.\u201d p.10\/11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFreud introduziu o determinismo pr\u00f3prio a essa estrutura. Da\u00ed a ambig\u00fcidade que se encontra em todo lugar na sua obra. Por exemplo, o sonho \u00e9 desejo ou reconhecimento de desejo? Ou ainda, o ego \u00e9 por um lado como um ovo vazio, diferenciado na sua superf\u00edcie pelo contato com o mundo da percep\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m, cada vez que o encontramos, aquele que diz\u00a0<em>n\u00e3o\u00a0<\/em>ou\u00a0<em>eu,\u00a0<\/em>que diz\u00a0<em>a gente,\u00a0<\/em>que fala dos outros, que se exprime nos diferentes registros. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O superego \u00e9 uma lei desprovida de sentido, mas que, entretanto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">s\u00f3 se sustenta da linguagem. Se eu digo\u00a0<em>virar\u00e1s \u00e0 direita,\u00a0<\/em>\u00e9 para permitir ao outro ajustar a sua linguagem \u00e0 minha. Penso no que se passa na cabe\u00e7a dele no momento em que lhe falo. Esse esfor\u00e7o para chegar a um acordo constitui a comunica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u00e0 linguagem. Esse\u00a0<em>tu\u00a0<\/em>\u00e9 t\u00e3o fundamental que interv\u00e9m antes da consci\u00eancia. A censura, por exemplo, que \u00e9 intencional, age, contudo antes da consci\u00eancia, funciona com vigil\u00e2ncia.\u00a0<em>Tu<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">n\u00e3o \u00e9 um sinal, mas uma refer\u00eancia ao outro, \u00e9 ordem e amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, o ideal do eu \u00e9 um organismo de defesa perpetuado pelo eu para prolongar a satisfa\u00e7\u00e3o do sujeito. Mas \u00e9 tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o mais deprimente, no sentido psiqui\u00e1trico do termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O id n\u00e3o \u00e9 redut\u00edvel a um puro dado objetivo, \u00e0s puls\u00f5es do sujeito. Nunca uma an\u00e1lise chegou a determinar uma taxa de agressividade ou de erotismo. O ponto a que conduz o progresso da an\u00e1lise, o ponto extremo da dial\u00e9tica do reconhecimento existencial, \u00e9 \u2013\u00a0<em>Tu \u00e9s isto.\u00a0<\/em>Esse ideal nunca \u00e9 de fato atingido.\u201d p.11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA inter-rea\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria entre o analisado e o analista \u00e9 portanto algo que teremos de levar em conta. (\u2026) Mas ser\u00e1 suficiente dizer que se trata de uma rela\u00e7\u00e3o entre dois indiv\u00edduos? Ser\u00e1 por a\u00ed que se podem perceber os impasses para onde s\u00e3o atualmente levadas as teorias da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, n\u00e3o posso lhes dizer mais sobre isso \u2013 ainda que, para aqueles que s\u00e3o aqui frequentadores deste semin\u00e1rio, deva-se entender que n\u00e3o h\u00e1 uma\u00a0<em>two bodies\u2019 psychology<\/em>, sem que intervenha um terceiro elemento. \u201cSe a palavra \u00e9 tomada como ela deve ser, como ponto central de perspectiva, \u00e9 numa rela\u00e7\u00e3o a tr\u00eas, e n\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o a dois, que se deve formular, na sua completude, a experi\u00eancia anal\u00edtica.\u201d p.20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) o fato de que o sujeito revive, rememora, no sentido intuitivo da palavra, os eventos formadores da sua exist\u00eancia, n\u00e3o \u00e9, em si mesmo, t\u00e3o importante. O que conta \u00e9 o que ele disso reconstr\u00f3i.\u201d p. 22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSer\u00e1 que voc\u00eas percebem aonde chegamos? Chegamos \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Freud, \u00e0 ideia de que se trata da leitura, da tradu\u00e7\u00e3o qualificada, experimentada, do criptograma que representa o que o sujeito possui atualmente na sua consci\u00eancia \u2013 o que \u00e9 que vou dizer? dele mesmo? n\u00e3o, n\u00e3o somente dele mesmo \u2013 dele mesmo e de tudo, isto \u00e9, do conjunto do seu sistema.\u201d p.22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlguns tomam com efeito a an\u00e1lise por uma esp\u00e9cie de descarga homeop\u00e1tica, pelo sujeito, da sua apreens\u00e3o fantasiada do mundo. Segundo eles, essa apreens\u00e3o fantasiada deve, pouco a pouco, no interior da experi\u00eancia atual que ocorre no consult\u00f3rio, reduzir-se, transformar-se, equilibrar-se, numa certa rela\u00e7\u00e3o ao real. A\u00ed se coloca o acento, como voc\u00eas v\u00eaem, bem alhures do que em Freud, sobre a transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o fantasiada numa rela\u00e7\u00e3o que chamamos, sem procurar ir mais longe, de\u00a0<em>real<\/em>.\u201d p.23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que a pr\u00e1tica que foi institu\u00edda por Freud chegou a se transformar num manejo da rela\u00e7\u00e3o analista-analisado no sentido que acabo de lhes dizer? (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 devida \u00e0 maneira pela qual foram acolhidas, adotadas, manejadas, as no\u00e7\u00f5es que Freud introduziu no per\u00edodo imediatamente ulterior ao dos\u00a0<em>Escritos T\u00e9cnicos<\/em>, a saber, as tr\u00eas inst\u00e2ncias. Das tr\u00eas a que ganhou primeira import\u00e2ncia foi o\u00a0<em>ego<\/em>. \u201c\u00c9 em torno da concep\u00e7\u00e3o do ego que gira desde ent\u00e3o, todo o desenvolvimento da t\u00e9cnica anal\u00edtica, e \u00e9 a\u00ed que \u00e9 preciso situar a causa de todas as dificuldades que a elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica desse desenvolvimento pr\u00e1tico coloca.\u201d p.24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA t\u00e9cnica s\u00f3 vale, s\u00f3 pode valer na medida em que compreendemos onde est\u00e1 a quest\u00e3o fundamental para o analista que a adota\u201d. Bem, observemos inicialmente que ouvimos falar do ego como sendo o aliado do analista, e n\u00e3o somente o aliado, mas a \u00fanica fonte de conhecimento. S\u00f3 conhecemos o ego, escreve-se correntemente. Anna Freud, o Sr. Fenichel, quase todos os que escreveram sobre a an\u00e1lise desde 1920, repetem \u2013\u00a0<em>S\u00f3 nos endere\u00e7amos ao eu, s\u00f3 temos comunica\u00e7\u00e3o com o eu, tudo deve passar pelo eu.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, ao contr\u00e1rio, todo o progresso dessa psicologia do eu pode resumir-se nestes termos \u2013 o eu est\u00e1 estruturado exatamente como um sintoma. No interior do sujeito, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um sintoma privilegiado. \u00c9 o sintoma humano por excel\u00eancia, \u00e9 a doen\u00e7a mental do homem.\u201d p.25.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9 que \u00e9 o ego? Em que, o sujeito, estar\u00e1 ele preso, que \u00e9 afora o sentido das palavras, bem outra coisa \u2013 a linguagem, cujo papel \u00e9 formador, fundamental na sua hist\u00f3ria.\u201d p.26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO absurdo fundamental do comportamento\u201d inter-humano s\u00f3 \u00e9 compreens\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o desse\u00a0<em>sistema<\/em>\u00a0(\u2026) que se chama o eu humano, a saber, esta s\u00e9rie de defesas, de nega\u00e7\u00f5es, de barragens, de inibi\u00e7\u00f5es, de fantasias fundamentais, que orientam e dirigem o sujeito. Bem, nossa concep\u00e7\u00e3o de te\u00f3rica da nossa t\u00e9cnica, mesmo que n\u00e3o coincida exatamente com o que fazemos, nem por isso estrutura, motiva menos a menor das nossas interven\u00e7\u00f5es junto dos ditos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 mesmo isso que h\u00e1 de grave. Porque nos permitimos efetivamente \u2013 como a an\u00e1lise nos revelou que n\u00f3s nos permitimos as coisas, sem o saber \u2013 fazer intervir o nosso ego na an\u00e1lise. J\u00e1 que se sustenta que se trata de obter uma readapta\u00e7\u00e3o do paciente ao real, seria preciso pelo menos saber se \u00e9 o ego do analista que d\u00e1 a medida do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, n\u00e3o basta que tenhamos uma certa concep\u00e7\u00e3o do ego para que nosso ego entre em jogo como um rinoceronte na cristaleira de nossa rela\u00e7\u00e3o com o paciente. Mas uma certa maneira de conceber a fun\u00e7\u00e3o do ego na an\u00e1lise n\u00e3o deixa de ter rela\u00e7\u00e3o com uma certa pr\u00e1tica da an\u00e1lise que se pode qualificar de nefasta.\u201d p.27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE, desde a origem, desde as primeiras pesquisas de Freud, a resist\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 no\u00e7\u00e3o do ego\u201d. Mas, quando lemos no texto dos\u00a0<em>Studien<\/em>\u00a0certas frases surpreendentes, onde se trata n\u00e3o somente do ego como tal, mas do ego como representando a massa ideacional, apercebemo-nos de que a no\u00e7\u00e3o de ego j\u00e1 deixa pressentir, em Freud, todos os problemas que ela nos p\u00f5e agora. Diria quase que \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o de efeito retroativo. Se lermos essas coisas primeiras, \u00e0 luz do que se desenvolveu desde ent\u00e3o em torno do ego, parece mesmo que as mais recentes formula\u00e7\u00f5es mascaram mais do que colocam em evid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas n\u00e3o podem deixar de ver, nessa f\u00f3rmula, a\u00a0<em>massa ideacional<\/em>, algo que se avizinha singularmente da f\u00f3rmula que pude lhes dar, isto \u00e9, que a contratransfer\u00eancia nada mais \u00e9 do que a fun\u00e7\u00e3o do ego do analista, o que chamei a soma dos preconceitos do analista. Do mesmo modo, encontramos no paciente toda uma organiza\u00e7\u00e3o de certezas, de cren\u00e7as, de coordenadas, de refer\u00eancias que constituem, para falar propriamente, o que Freud chamava, desde a origem, um sistema ideacional, e que podemos de maneira abreviada chamar aqui o\u00a0<em>sistema<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que a resist\u00eancia vem unicamente da\u00ed? Quando, no limite desse dom\u00ednio da palavra, que \u00e9 justamente a massa ideacional do eu, representava para voc\u00eas a soma do sil\u00eancio ap\u00f3s o qual uma outra palavra reaparece, aquela que se trata de reconquistar no inconsciente, por ser a parte do sujeito separada da sua hist\u00f3ria \u2013 estar\u00e1 a\u00ed a resist\u00eancia? Ser\u00e1, sim ou n\u00e3o, pura e simplesmente, a organiza\u00e7\u00e3o do eu que, enquanto tal, constitui a resist\u00eancia? Ser\u00e1 isso que cria a dificuldade do acesso ao conte\u00fado do inconsciente no sentido radial \u2013 para empregar o termo de Freud? \u201cEis uma quest\u00e3o muito simples, simples demais, como tal insol\u00favel.\u201d p.33\/34.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos a\u00ed para ver o que significa a evoca\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de ego do come\u00e7o ao fim da obra de Freud. \u00c9 imposs\u00edvel compreender o que representa esta no\u00e7\u00e3o tal como ela come\u00e7ou a surgir com os trabalhos de 1920, com os estudos sobre a Psicologia de grupo e\u00a0<em>Das Ich und das Es<\/em>, se come\u00e7armos a enfiar tudo numa soma geral, sob pretexto de que se trata de apreender uma certa vertente do psiquismo. O ego, na obra de Freud, n\u00e3o \u00e9 isso de jeito algum. Isso tem um papel funcional, ligado a necessidades t\u00e9cnicas.\u201d p.35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo III.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca se disse que o analista n\u00e3o deve ter sentimentos em rela\u00e7\u00e3o ao seu paciente. Mas deve saber n\u00e3o apenas n\u00e3o ceder a eles, coloc\u00e1-los no seu devido lugar, mas servir-se deles adequadamente na sua t\u00e9cnica.\u201d p.43.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Lacan faz uma cr\u00edtica \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do tratamento evidenciada em um caso de Annie Reich]\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO analista se acredita aqui autorizado a fazer o que chamarei uma interpreta\u00e7\u00e3o ego para ego, ou de igual para igual \u2013 permitam-me o trocadilho \u2013 dito de outra forma, uma interpreta\u00e7\u00e3o cujo fundamento e mecanismo n\u00e3o podem ser distinguidos em nada do da proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando digo proje\u00e7\u00e3o, n\u00e3o digo proje\u00e7\u00e3o errada. Entendam bem o que estou lhes explicando. H\u00e1 uma f\u00f3rmula que, antes de ser analista, eu tinha \u2013 com os meus fracos dons psicol\u00f3gicos (\u2026) \u2013\u00a0<em>Os sentimentos s\u00e3o sempre rec\u00edprocos<\/em>. \u00c9 absolutamente verdadeiro, apesar da apar\u00eancia. Desde que se coloque em campo dois sujeitos \u2013 digo dois, n\u00e3o tr\u00eas \u2013 os sentimentos s\u00e3o sempre rec\u00edprocos.\u201d p.44.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa interpreta\u00e7\u00e3o da defesa, que eu chamo de ego a ego, conv\u00e9m, seja qual for o seu valor eventual, abster-se dela. \u00c9 preciso que haja pelo menos, um terceiro termo nas interpreta\u00e7\u00f5es da defesa.\u201d p.45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo III.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso nos permite evocar um certo n\u00famero de problemas, em particular este, que Anzieu mencionou h\u00e1 pouco \u2013 essa resist\u00eancia, de onde prov\u00e9m ela? Vimos que n\u00e3o h\u00e1 texto nos\u00a0<em>Studien \u00fcber Hysterie<\/em>\u00a0que permita considerar que, como tal, ela provenha do eu. Nada indica tampouco na\u00a0<em>Traumdeutung<\/em>\u00a0que ela venha do processo secund\u00e1rio \u2013 cuja introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma etapa t\u00e3o importante no pensamento de Freud. Quando chegamos aos anos 1915, em que Freud publica\u00a0<em>Die Verdr\u00e4ngung<\/em>, primeiro estudo a aparecer entre os que ser\u00e3o ulteriormente reagrupados nos escritos metapsicol\u00f3gicos, a resist\u00eancia \u00e9 certamente concebida como algo que se produz do lado do consciente, mas cuja identidade \u00e9 essencialmente regulada pela sua dist\u00e2ncia,\u00a0<em>Entfernung<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que foi originalmente recalcado. Portanto, a liga\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia com o conte\u00fado do pr\u00f3prio inconsciente, ainda \u00e9 a\u00ed extremamente sens\u00edvel. Isso permanece assim at\u00e9 uma \u00e9poca mais tardia do que a desse artigo, que faz parte do per\u00edodo m\u00e9dio da evolu\u00e7\u00e3o de Freud.\u201d p.46.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cap\u00edtulo IV.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Lacan cita e comenta trecho de Estudos sobre a histeria acerca da rela\u00e7\u00e3o entre resist\u00eancia e transfer\u00eancia]\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Estudemos um complexo pat\u00f3geno \u00e0<\/em><em>s vezes muito aparente e \u00e0s vezes quase impercept\u00edvel \u2026\u00a0<\/em>Traduzirei antes por \u2013\u00a0<em>ou<\/em>\u00a0<em>bem aparente como um sintoma, ou bem imposs\u00edvel de apreender, n\u00e3o-manifesto<\/em>\u00a0<em>\u2013\u00a0<\/em>porque se trata da maneira pela qual o complexo se traduz, e \u00e9 da tradu\u00e7\u00e3o do complexo que se diz que ela \u00e9 aparente ou que ela \u00e9 impercept\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 mais a mesma coisa que dizer que o pr\u00f3prio complexo o \u00e9. Existe na tradu\u00e7\u00e3o francesa um deslocamento que basta para produzir uma flutua\u00e7\u00e3o. Eu continuo \u2013 \u2026\u00a0<em>desde a sua manifesta\u00e7\u00e3o no consciente at\u00e9 as suas ra\u00edzes no inconsciente, chegamos logo a uma regi\u00e3o em que a resist\u00eancia se faz sentir t\u00e3o nitidamente que a associa\u00e7\u00e3o que surge ent\u00e3o leva a sua marca\u00a0<\/em>\u2013 dessa resist\u00eancia \u2013\u00a0<em>e nos aparece como um compromisso entre as exig\u00eancias dessa resist\u00eancia e a do trabalho de investiga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em>N\u00e3o \u00e9 propriamente a\u00a0<em>associa\u00e7\u00e3o que surge \u00e9 n\u00e4chste Einfall, a mais pr\u00f3xima, a pr\u00f3xima associa\u00e7\u00e3o<\/em>, mas enfim, o sentido \u00e9 conservado.\u00a0<em>A experi\u00eancia \u2013\u00a0<\/em>a\u00ed est\u00e1 o ponto capital \u2013\u00a0<em>mostra que \u00e9 aqui que surge a transfer\u00eancia. Quando alguma coisa, entre os elementos do complexo (no conte\u00fado deste) \u00e9 suscept\u00edvel de se reportar \u00e0 pessoa do m\u00e9dico, a transfer\u00eancia fornece a ideia seguinte e se manifesta sob a forma de uma resist\u00eancia, de uma parada das associa\u00e7\u00f5es por exemplo. Tais experi\u00eancias nos ensinam que a ideia de transfer\u00eancia chegou a deslizar de prefer\u00eancia a todas as outras associa\u00e7\u00f5es pass\u00edveis at\u00e9 o consciente, justamente porque ela satisfaz a resist\u00eancia.\u00a0<\/em>Esta \u00faltima parte de frase \u00e9 sublinhada por Freud.\u00a0<em>Um fato desse g\u00eanero se reproduz um n\u00famero incalcul\u00e1vel de vezes, ao longo de uma psican\u00e1lise. Todas as vezes que nos aproximamos de um complexo pat\u00f3geno, \u00e9 antes a parte complexa que pode se converter em transfer\u00eancia que \u00e9 empurrada em dire\u00e7\u00e3o ao consciente e que o paciente se obstina em defender com a maior tenacidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os elementos desse par\u00e1grafo que merecem destaque s\u00e3o estes. Inicialmente,\u00a0<em>logo chegamos a uma regi\u00e3o em que a resist\u00eancia se faz sentir com nitidez.\u00a0<\/em>Essa resist\u00eancia emana do processo mesmo do discurso, da sua aproxima\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que posso dizer isso. Em segundo lugar,\u00a0<em>a experi\u00eancia mostra que \u00e9 aqui que surge a transfer\u00eancia.\u00a0<\/em>Em terceiro lugar, a transfer\u00eancia se produz\u00a0<em>justamente porque satisfaz\u00a0<\/em>\u00e0\u00a0<em>resist\u00eancia.\u00a0<\/em>Em quarto lugar,\u00a0<em>um fato desse g\u00eanero se reproduz um n\u00famero incalcul\u00e1vel de vezes ao logo de uma psican\u00e1lise.\u00a0<\/em>Trata-se de um fen\u00f4meno sens\u00edvel na an\u00e1lise. E essa parte do complexo que se manifestou sob a forma transfer\u00eancia \u00e9\u00a0<em>empurrada para o consciente neste momento.\u00a0<\/em><em>O<\/em>\u00a0<em>paciente obstina-se em defend\u00ea-lo com a maior tenacidade.<\/em>\u00a0(\u2026) Essa nota recorta uma indica\u00e7\u00e3o que emana de outro texto de Freud \u2013\u00a0<em>Quando o paciente se cala, h\u00e1 todas as chances de que essa parada no seu discurso seja devida a algum pensamento que se relaciona ao analista.\u00a0<\/em>(\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento em que ele [o analisante] parece pronto para formular alguma coisa de mais aut\u00eantico, de mais quente do que jamais p\u00f4de atingir at\u00e9 ent\u00e3o, o sujeito, em certos casos, se interrompe e emite um enunciado que pode ser este:\u00a0<em>Eu<\/em>\u00a0<em>realizo de repente o fato da sua presen\u00e7a.<\/em>\u00a0(\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse fen\u00f4meno se estabelece em conex\u00e3o com a manifesta\u00e7\u00e3o concreta da resist\u00eancia que interv\u00e9m no pr\u00f3prio tecido da nossa experi\u00eancia, em fun\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia. Se ele adquire valor seletivo, \u00e9 que o pr\u00f3prio sujeito sente ent\u00e3o, como uma brusca virada, uma vira-volta s\u00fabita que o faz passar de uma vertente a outra do discurso, de um acento a outro da fun\u00e7\u00e3o da palavra\u201d. p.51\/52\/53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) a resist\u00eancia \u00e9 um fen\u00f4meno que Freud localiza na experi\u00eancia anal\u00edtica\u201d. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 no movimento atrav\u00e9s do qual o sujeito se revela, que aparece um fen\u00f4meno que \u00e9 resist\u00eancia. \u201cQuando essa resist\u00eancia se torna muito forte, surge a transfer\u00eancia.\u201d p.53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEis-nos diante de um fen\u00f4meno onde apreendemos um n\u00f3 nesse progresso, uma conex\u00e3o, uma press\u00e3o original, ou antes, para falar propriamente, uma resist\u00eancia. Vemos, num certo ponto dessa resist\u00eancia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">produzir-se o que Freud chama a transfer\u00eancia, quer dizer, aqui, a atualiza\u00e7\u00e3o da pessoa do analista. Extraindo-a da minha experi\u00eancia, eu lhes disse h\u00e1 pouco que no ponto mais sens\u00edvel, parece-me, e mais significativo do fen\u00f4meno, o sujeito a sente como a brusca percep\u00e7\u00e3o de algo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil de definir, a presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 a\u00ed um sentimento que n\u00e3o temos o tempo todo. Certamente, somos influenciados por toda esp\u00e9cie de presen\u00e7as, e o nosso mundo s\u00f3 tem sua consist\u00eancia, sua densidade, sua estabilidade vivida, porque de certa maneira levamos cm conta essas presen\u00e7as, mas n\u00e3o as realizamos como tais. Voc\u00eas sentem que \u00e9 um sentimento de que eu direi que tendemos incessantemente a apag\u00e1-lo da vida. N\u00e3o seria f\u00e1cil viver se, a todo instante, tiv\u00e9ssemos o sentimento da presen\u00e7a com tudo o que ela comporta de mist\u00e9rio. \u201c\u00c9 um mist\u00e9rio que afastamos, e ao qual, para dizer logo tudo, nos acostumamos.\u201d p.54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo\u00e7\u00f5es como o isso e o eu, que estamos habituados por certos manejos a colocar de forma maci\u00e7a, talvez n\u00e3o sejam simplesmente um par contrastado. \u00c9 preciso escalonar a\u00ed uma estereocospia um pouco mais complexa.\u201d p.55.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026)\u00a0<em>a resist\u00eancia se apresenta pelo \u00e2ngulo transferencial<\/em>.\u201d p.59.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOra \u2013 eis aonde eu queria chegar atrav\u00e9s de todos esses exemplos \u2013\u00e9 na medida em que a confiss\u00e3o do ser n\u00e3o chega ao seu termo, que a palavra se lan\u00e7a inteiramente na vertente em que ela se agarra ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 estranho \u00e0 ess\u00eancia da palavra, se \u00e9 que se pode dizer isso, o agarrar-se ao outro. A palavra \u00e9 media\u00e7\u00e3o sem d\u00favida, media\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o outro, e ela implica na realiza\u00e7\u00e3o do outro na media\u00e7\u00e3o mesma. Um elemento essencial da realiza\u00e7\u00e3o do outro \u00e9 que a palavra possa nos unir a ele. Est\u00e1 a\u00ed o que lhes ensinei sobretudo at\u00e9 o presente, porque \u00e9 nessa dimens\u00e3o que nos deslocamos incessantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 uma outra face da palavra que \u00e9 a reve1a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reve1a\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o express\u00e3o \u2013 o inconsciente s\u00f3 se expressa por deforma\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>Entstellung<\/em>, distor\u00e7\u00e3o, transposi\u00e7\u00e3o. (\u2026) toda a obra de Freud se desdobra no sentido da revela\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o da express\u00e3o. A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 o m\u00f3vel \u00faltimo daquilo que procuramos na experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia se produz no momento em que a palavra de revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se diz, em que (\u2026) o sujeito n\u00e3o tem mais sa\u00edda. Ele se agarra ao outro porque aquilo que \u00e9 impelido em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra n\u00e3o acedeu a ela. A vinda parada da palavra, na medida em que alguma coisa talvez a torne fundamentalmente imposs\u00edvel, a\u00ed est\u00e1 o ponto-piv\u00f4 em que, na an\u00e1lise, a palavra bascula inteira para a primeira face e se reduz \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o ao outro. Se a palavra funciona ent\u00e3o como media\u00e7\u00e3o, \u00e9 por n\u00e3o se ter realizado como revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 sempre saber em que n\u00edvel se produz o agarramento do outro. \u00c9 preciso estar t\u00e3o imbecilizado quanto se pode estar por certa maneira de teorizar, de dogmatizar e de se arregimentar na t\u00e9cnica anal\u00edtica, para nos ter dito um dia que uma das condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias do tratamento anal\u00edtico, era o qu\u00ea? \u2013 que o sujeito tenha uma certa realiza\u00e7\u00e3o do outro como tal. Claro, espertalh\u00e3o! Mas trata-se de saber a que n\u00edvel esse outro \u00e9 realizado, e como, em que fun\u00e7\u00e3o, em que c\u00edrculo de sua subjetividade, a que dist\u00e2ncia se encontra esse outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da experi\u00eancia anal\u00edtica, essa dist\u00e2ncia varia sem cessar. Besteira pretender consider\u00e1-la como um certo estado do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o mesmo espanto que faz o Sr. Piaget falar da no\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica do mundo da crian\u00e7a. Como se os adultos tivessem o que ensinar sobre isto \u00e0 molecada! E eu gostaria muito de saber, nas balan\u00e7as do Eterno, o que \u00e9 que pesa como a melhor apreens\u00e3o do outro, a que, a que pode ter o Sr. Piaget, na sua posi\u00e7\u00e3o de professor, e na sua idade, ou a que tem uma crian\u00e7a! Essa crian\u00e7a, n\u00f3s a vemos prodigiosamente aberta a tudo que o adulto lhe traz do sentido do mundo. Ser\u00e1 que nunca se reflete sobre o que significa, no sentimento do outro, essa prodigiosa permeabilidade a tudo que \u00e9 mito, lenda, conto de fada, hist\u00f3ria, essa facilidade em se deixar invadir pelos relatos? Acredita-se que \u00e9 compat\u00edvel com os pequenos jogos de cubos gra\u00e7as aos quais o Sr. Piaget nos mostra que a crian\u00e7a acede a um conhecimento copernicano do mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de saber como, num dado momento, aponta em dire\u00e7\u00e3o ao outro esse sentimento t\u00e3o misterioso da presen\u00e7a. Talvez esteja integrado \u00e0quilo de que Freud nos fala da\u00a0<em>Din\u00e2mica da Transfer\u00eancia<\/em>, quer dizer, a todas as estrutura\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, n\u00e3o somente da vida amorosa do sujeito, mas da sua organiza\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu tivesse de isolar a primeira inflex\u00e3o da palavra, o momento primeiro onde se inflete, na sua curva, toda realiza\u00e7\u00e3o da verdade do sujeito, o n\u00edvel primeiro em que a capta\u00e7\u00e3o do outro toma sua fun\u00e7\u00e3o, eu o isolaria numa f\u00f3rmula que me foi dada por um daqueles que est\u00e3o aqui e que eu controlo. Eu lhe perguntava: \u2013\u00a0<em>Em que p\u00e9 est\u00e1, o seu sujeito, a seu respeito esta semana?<\/em>\u00a0Ele me deu ent\u00e3o uma express\u00e3o que coincide exatamente com o que eu tinha tentado situar nessa inflex\u00e3o \u2013\u00a0<em>Tomou-me como testemunha<\/em>. E, com efeito, est\u00e1 a\u00ed uma das fun\u00e7\u00f5es mais elevadas, mas j\u00e1 desviadas da palavra \u2013 a tomada como testemunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco mais adiante ser\u00e1 a sedu\u00e7\u00e3o. Um pouco mais adiante ainda, a tentativa de captar o outro num jogo em a palavra passa mesmo \u2013 a experi\u00eancia anal\u00edtica nos mostrou bem isso \u2013 a uma fun\u00e7\u00e3o mais simb\u00f3lica, a uma satisfa\u00e7\u00e3o instintiva mais profunda. Sem contar o \u00faltimo termo \u2013 desorganiza\u00e7\u00e3o completa da fun\u00e7\u00e3o da palavra nos fen\u00f4menos de transfer\u00eancia, em que o sujeito, nota Freud, se libera inteiramente e chega a fazer exatamente o que lhe agrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal de contas, aquilo a que somos levados por essa considera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">n\u00e3o ser\u00e1 aquilo de que parti no meu relato sobre as fun\u00e7\u00f5es da palavra? a saber, a oposi\u00e7\u00e3o da palavra vazia e da palavra plena, palavra plena na medida em que realiza a verdade do sujeito, palavra vazia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que tem de fazer\u00a0<em>hic et nunc<\/em>\u00a0com seu analista, em que o sujeito se perde nas maquinarias do sistema da linguagem, no labirinto dos sistemas de refer\u00eancia que lhe d\u00e1 o estado cultural em que, mais ou menos, toma parte. Entre esses dois extremos, desdobra-se toda uma gama de realiza\u00e7\u00e3o da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perspectiva leva-nos exatamente a isto \u2013 a resist\u00eancia de que se trata projeta os seus resultados no sistema do eu, na medida em que o sistema do eu n\u00e3o \u00e9 nem mesmo conceb\u00edvel sem o sistema, se \u00e9 que se pode dizer, do outro lado. O eu \u00e9 referente ao outro. O eu se constitui em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Ele \u00e9 seu correlato. O n\u00edvel no qual o outro \u00e9 vivido situa exatamente o n\u00edvel no qual, literalmente, o eu existe para o sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resist\u00eancia, com efeito, encarna-se no sistema do eu e do outro. Ela se realiza a\u00ed a tal ou tal momento da an\u00e1lise. Mas \u00e9 de outro lugar que ela parte, a saber, da impot\u00eancia do sujeito para desembocar no dom\u00ednio da realiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>sua<\/em>\u00a0verdade. De um modo sem d\u00favida mais ou menos definido para tal sujeito pelas fixa\u00e7\u00f5es de seu car\u00e1ter e da sua estrutura, \u00e9 sempre num certo n\u00edvel, num certo estilo da rela\u00e7\u00e3o ao outro, que se projeta o ato da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse momento, vejam o paradoxo da posi\u00e7\u00e3o do analista. \u00c9 no momento em que a palavra do sujeito \u00e9 a mais plena, que eu, analista, poderia intervir. Mas eu interviria em qu\u00ea? \u2013 no seu discurso. Ora, quanto mais \u00edntimo \u00e9 o discurso para o sujeito, mais eu me centro nesse discurso. Mas o inverso \u00e9 igualmente verdadeiro. Quanto mais o seu discurso \u00e9 vazio, mais sou levado, tamb\u00e9m eu, a me agarrar ao outro, isto \u00e9, a fazer o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que se faz o tempo todo, nessa famosa an\u00e1lise das resist\u00eancias, a procurar o al\u00e9m do seu discurso \u2013 al\u00e9m, reflitam bem, que n\u00e3o est\u00e1 em parte alguma, al\u00e9m que o sujeito tem de realizar, mas que justamente n\u00e3o realizou, e que \u00e9 ent\u00e3o feito de minhas proje\u00e7\u00f5es, no n\u00edvel em que o sujeito o realiza naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu lhes mostrei, da \u00faltima vez, os perigos das interpreta\u00e7\u00f5es ou imputa\u00e7\u00f5es intencionais, que, verificadas ou n\u00e3o, suscet\u00edveis ou n\u00e3o de verifica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o na verdade mais verific\u00e1veis do que qualquer sistema de proje\u00e7\u00f5es. E \u00e9 exatamente a\u00ed que est\u00e1 a dificuldade da an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando dizemos que fazemos a interpreta\u00e7\u00e3o das resist\u00eancias, estamos em presen\u00e7a desta dificuldade \u2013 como operar a um certo n\u00edvel de menor densidade da rela\u00e7\u00e3o da palavra? Como operar nessa interpsicologia, ego e alter ego, a que nos reduz a degrada\u00e7\u00e3o mesma do processo da palavra? Em outros termos, quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre esta interven\u00e7\u00e3o da palavra que \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o, e o n\u00edvel do ego, na medida em que esse n\u00edvel implica sempre, correlativamente, o analisado e o analista? Quando a fun\u00e7\u00e3o da palavra caiu t\u00e3o bem no sentido do outro que ela n\u00e3o \u00e9 nem mais media\u00e7\u00e3o, mas somente viol\u00eancia impl\u00edcita, redu\u00e7\u00e3o do<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">outro a uma fun\u00e7\u00e3o correlativa do eu do sujeito, que podemos n\u00f3s fazer para manejar ainda de forma v\u00e1lida a palavra na experi\u00eancia anal\u00edtica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas sentem o car\u00e1ter oscilante do problema. Ele nos leva a esta quest\u00e3o \u2013 o que \u00e9 que quer dizer esse apoio no outro? Por que o outro se torna tanto menos verdadeiramcnte outro, quanto mais toma exclusivamente a fun\u00e7\u00e3o de apoio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desse c\u00edrculo vicioso que se trata de sair na an\u00e1lise. N\u00e3o estar\u00edamos n\u00f3s tanto mais presos a\u00ed, quanto mais a hist\u00f3ria da t\u00e9cnica mostra que sempre se p\u00f4s um acento mais forte sobre o aspecto eu-\u00f3ico das resist\u00eancias? \u00c9 o mesmo problema que se exprime ainda sob esta forma \u2013 por que o sujeito se aliena tanto mais, quanto mais se afirma como eu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos assim \u00e0 quest\u00e3o da sess\u00e3o precedente \u2013 quem \u00e9 ent\u00e3o aquele que, para al\u00e9m do eu, procura fazer-se reconhecer?\u201d p.61\/62\/63\/64\/65.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cap\u00edtulo V.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo este desenvolvimento consistiu em lhes mostrar que o fen\u00f4meno maior da transfer\u00eancia parte do que eu poderia chamar o fundo do movimento da resist\u00eancia. Isolei esse momento, que permanece mascarado na teoria anal\u00edtica, em que a resist\u00eancia, no seu fundo mais essencial, se manifesta por um movimento de b\u00e1scula da palavra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do auditor, da testemunha que \u00e9 o analista. O momento em que o sujeito se interrompe, \u00e9 ordinariamente o momento mais significativo da sua aproxima\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade. Apreendemos aqui a resist\u00eancia no estado puro, que culmina no sentimento, frequentemente tinto de ang\u00fastia, da presen\u00e7a do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu lhes ensinei tamb\u00e9m que a interroga\u00e7\u00e3o do analista quando o sujeito se interrompe \u2013 a qual, por lhes ter sido indicada por Freud, tornou-se para alguns quase autom\u00e1tica \u2013\u00a0<em>N\u00e3o est\u00e1 pensando em alguma coisa que me diga respeito, a mim, analista?\u00a0<\/em>\u2013 n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um ativismo que cristaliza a orienta\u00e7\u00e3o do discurso em dire\u00e7\u00e3o ao analista. Esta cristaliza\u00e7\u00e3o torna apenas manifesto que o discurso do sujeito, na medida em que n\u00e3o chega \u00e0 palavra plena em que deveria se revelar o seu fundo inconsciente, j\u00e1 se endere\u00e7a ao analista, \u00e9 feito para interess\u00e1-lo, e se sustenta dessa forma alienada do ser que se chama o ego.\u201d p.66\/67.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo V.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o do ego ao outro, a rela\u00e7\u00e3o do sujeito a esse outro, a esse semelhante em rela\u00e7\u00e3o ao qual ele inicialmente se formou, \u00e9 uma estrutura essencial da constitui\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a partir dessa fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que podemos conceber e explicar o que \u00e9 o ego na an\u00e1lise. N\u00e3o digo o ego na Psicologia, onde ele \u00e9 fun\u00e7\u00e3o de s\u00edntese, mas o ego na an\u00e1lise, fun\u00e7\u00e3o din\u00e2mica. O ego a\u00ed se manifesta como defesa, recusa. A\u00ed est\u00e1 inscrita toda a hist\u00f3ria das oposi\u00e7\u00f5es sucessivas que o sujeito manifestou \u00e0 integra\u00e7\u00e3o daquilo a que se chamar\u00e1 em seguida na teoria, em seguida somente, suas puls\u00f5es as mais profundas e as mais desconhecidas. Em outros termos, nesses momentos de resist\u00eancia, t\u00e3o bem indicados por Freud, apreendemos aquilo atrav\u00e9s de que o movimento mesmo da experi\u00eancia anal\u00edtica isola a fun\u00e7\u00e3o fundamental do ego, o desconhecimento.\u201d p.66\/67.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse momento revelador da rela\u00e7\u00e3o fundamental da resist\u00eancia e da din\u00e2mica da experi\u00eancia anal\u00edtica nos leva, pois, a uma quest\u00e3o que se pode polarizar entre estes dois termos \u2013 o ego, a palavra.\u201d p.68<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo V.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje, penso s\u00f3 poder introduzir o problema do ego e da palavra, partindo, \u00e9 claro, da maneira atrav\u00e9s da qual se revela na nossa experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse problema, s\u00f3 podemos coloc\u00e1-lo a partir do ponto em que est\u00e1 a sua formula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos fazer de conta que a teoria freudiana do ego n\u00e3o existe. Freud op\u00f4s o ego ao isso, e essa teoria impregna as nossas concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e t\u00e9cnicas. \u00c9 por isso que hoje eu gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o de voc\u00eas para um texto que se chama a\u00a0<em>Verneinung<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Verneinung<\/em>\u00a0(\u2026) \u00e9\u00a0<em>denega\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e n\u00e3o\u00a0<em>nega\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/em>como se traduziu em franc\u00eas. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto \u00e9 de 1925. \u00c9 posterior ao aparecimento dos artigos concernentes \u00e0 Psicologia do eu e \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com o isso. Em particular, \u00e9 posterior ao artigo\u00a0<em>Das Ich und das Es<\/em>. Freud retoma ali essa rela\u00e7\u00e3o, sempre viva para ele, do ego com a manifesta\u00e7\u00e3o falada do sujeito na sess\u00e3o.\u201d p.69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNossa experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 a de um esfrega-esfrega afetivo. N\u00e3o temos de provocar no sujeito retornos de experi\u00eancias mais ou menos evanescentes, confusas, em que consistiria toda a magia da Psican\u00e1lise.\u201d p.70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo V.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso nos permite, ao mesmo tempo, criticar a ambiguidade sempre cultivada em torno da famosa oposi\u00e7\u00e3o do intelectual e do afetivo \u2013 como se o afetivo fosse uma esp\u00e9cie de colora\u00e7\u00e3o, de qualidade inef\u00e1vel que devesse ser procurada em si mesma, de maneira independente da pele esvaziada que seria a realiza\u00e7\u00e3o puramente intelectual de uma rela\u00e7\u00e3o do sujeito. Essa concep\u00e7\u00e3o que impele a an\u00e1lise para vias singulares \u00e9 pueril. O menor sentimento singular, e mesmo estranho, que o sujeito acusa no texto da sess\u00e3o, \u00e9 conotado de sucesso sensacional. \u00c9 o que deriva desse mal-entendido fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O afetivo n\u00e3o \u00e9 como uma densidade especial que faltaria \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o intelectual. N\u00e3o se situa num para-al\u00e9m m\u00edtico da produ\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo que seria anterior \u00e0 formula\u00e7\u00e3o discursiva. S\u00f3 isso pode nos permitir de cara, n\u00e3o digo situar, mas apreender aquilo em que consiste a realiza\u00e7\u00e3o plena da palavra.\u201d p.72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo V.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>\u201cSe voc\u00eas aprofundarem essa polariza\u00e7\u00e3o particular, parecer-lhes-\u00e1 muito mais f\u00e1cil abordar o fen\u00f4meno amb\u00edguo que se chama o\u00a0<em>d\u00e9j\u00e0-vu<\/em>, e que se situa entre esses dois modos de rela\u00e7\u00e3o, o reconhecido e o visto. Com o\u00a0<em>d\u00e9j\u00e0-vu<\/em>, algo no mundo exterior \u00e9 levado ao limite, e surge com uma pr\u00e9-significa\u00e7\u00e3o especial. A ilus\u00e3o retrospectiva reporta esse percebido dotado de uma qualidade original ao dom\u00ednio do\u00a0<em>d\u00e9j\u00e0-vu<\/em>. Freud n\u00e3o nos fala de nada al\u00e9m disso quando nos diz que toda experi\u00eancia do mundo exterior se refere implicitamente a algo que j\u00e1 foi percebido no passado. Isso se aplica ao infinito \u2013 de certa maneira, toda esp\u00e9cie de percebido comporta necessariamente uma refer\u00eancia a um percebido anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que somos levados a\u00ed ao n\u00edvel do imagin\u00e1rio enquanto tal, ao n\u00edvel da imagem modelo da forma original. N\u00e3o se trata do reconhecido simbolizado e verbalizado. Reencontramos antes os problemas evocados pela teoria plat\u00f4nica, n\u00e3o da rememora\u00e7\u00e3o, mas da reminisc\u00eancia.\u201d p.74.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) o sujeito, na sua manifesta\u00e7\u00e3o sob essa forma especial que \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de um discurso organizado, em que est\u00e1 sempre sujeito a esse processo que se chama a denega\u00e7\u00e3o e em que se cumpre a integra\u00e7\u00e3o do seu ego, s\u00f3 pode refletir a sua rela\u00e7\u00e3o fundamental ao seu eu ideal sob uma forma invertida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros termos, a rela\u00e7\u00e3o ao outro, na medida em que nela tende a se manifestar o desejo primitivo do sujeito, cont\u00e9m sempre em si mesma esse elemento fundamental, original, da denega\u00e7\u00e3o (\u2026).\u201d p. 76.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cap\u00edtulo VI.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDei hoje ao semin\u00e1rio que vamos continuar juntos o t\u00edtulo de\u00a0<em>An\u00e1lise do Discurso e An\u00e1lise do Eu\u00a0<\/em>(\u2026). Opondo esses dois termos, pretendo substitu\u00ed-los \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre an\u00e1lise do material \/ an\u00e1lise das resist\u00eancias.\u201d p.77.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo VI.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 claro que \u00e9 com o eu do sujeito, com suas limita\u00e7\u00f5es, suas defesas, seu car\u00e1ter, que temos a ver. Temos de faz\u00ea-lo avan\u00e7ar. Mas qual a fun\u00e7\u00e3o que ele desempenha nessa opera\u00e7\u00e3o? Toda a literatura anal\u00edtica est\u00e1 como que embara\u00e7ada para defini-la com exatid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as elabora\u00e7\u00f5es recentes que tomam o eu do analisado como aliado do analista na Grande-Obra anal\u00edtica comportam contradi\u00e7\u00f5es manifestas. Com efeito, salvo se se desembocar na no\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 de bipolaridade ou de bifuncionamento do eu, mas, para falar propriamente, de\u00a0<em>splitting,\u00a0<\/em>distin\u00e7\u00e3o radical entre dois eus, \u00e9 muito dif\u00edcil definir o eu como uma fun\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, ao mesmo tempo que se continua a tom\u00e1-lo por um mestre de erros, sede das ilus\u00f5es, lugar de uma paix\u00e3o que lhe \u00e9 pr\u00f3pria e se orienta essencialmente para o desconhecimento. Fun\u00e7\u00e3o de desconhecimento, \u00e9 o que ele \u00e9 na an\u00e1lise, como ali\u00e1s, numa grande tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 par\u00e1grafos no livro de Anna Freud,\u00a0<em>O Eu e os mecanismos de Defesa<\/em>, em que se tem o sentimento, se passarmos sobre a linguagem \u00e0s vezes desconcertante pelo seu car\u00e1ter coisista, de que ela fala do eu no sentido de compreens\u00e3o que tentamos manter aqui. E tem-se ao mesmo tempo o sentimento de que ela fala do\u00a0<em>homenzinho que est\u00e1 dentro do homem<\/em>, que teria uma vida aut\u00f4noma dentro do sujeito e estaria ali a defend\u00ea-lo \u2013\u00a0<em>Pai, mantenha-se \u00e0 direita, Pai, mantenha-se \u00e0 esquerda\u00a0<\/em>\u2013 contra o que pode assalt\u00e1-lo, de fora como de dentro. Se considerarmos o seu livro como uma descri\u00e7\u00e3o moralista, ent\u00e3o ela fala incontestavelmente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do eu como da sede de certo n\u00famero de paix\u00f5es, num estilo que n\u00e3o \u00e9 indigno do que La Rochefoucauld p\u00f4de assinalar sobre as manhas incans\u00e1veis do amor-pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do eu no di\u00e1logo anal\u00edtico permanece pois, at\u00e9 o presente, profundamente contradit\u00f3ria, por n\u00e3o ter sido rigorosamente situada, e isso aparece cada vez que abordamos os princ\u00edpios da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que muitos de voc\u00eas leram esse livro de Anna Freud. \u00c9 extremamente instrutivo e, porque \u00e9 muito rigoroso, pode-se certamente assinalar nele os pontos em que aparecem as falhas da sua demonstra\u00e7\u00e3o, mais sens\u00edveis ainda nos exemplos que ela d\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam as passagens em que ela tenta definir a fun\u00e7\u00e3o do eu. Na an\u00e1lise, diz ela, o eu s\u00f3 se manifesta pelas suas defesas, quer dizer, na medida em que se op\u00f5e ao trabalho anal\u00edtico. Quer isso dizer que tudo que se op\u00f5e ao trabalho anal\u00edtico seja defesa do eu? Ela reconhece em outro lugar que isso n\u00e3o pode ser mantido e que h\u00e1 outros elementos de resist\u00eancia al\u00e9m das defesas do eu. N\u00e3o foi assim que comecei a abordar o problema com voc\u00eas? Muitos problemas abordados aqui, figuram nesse livro, e \u00e9 com muita aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso l\u00ea-lo, porque tem o valor de um legado, verdadeiramente bem transmitido, da \u00faltima elabora\u00e7\u00e3o de Freud sobre o eu.\u201d p.77\/78.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAnna Freud come\u00e7ou a interpretar a rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica segundo o prot\u00f3tipo da rela\u00e7\u00e3o dual (\u2026). Deveria ter distinguido a interpreta\u00e7\u00e3o dual, em que o analista entra numa rivalidade de eu a eu com o analisado, e a interpreta\u00e7\u00e3o que progride no sentido da estrutura\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do sujeito, a qual deve ser situada para al\u00e9m da estrutura atual do seu eu.\u201d p.80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo o desenvolvimento da an\u00e1lise, em suma, foi feito pela valoriza\u00e7\u00e3o sucessiva de cada uma das tens\u00f5es implicadas nesse sistema triangular [Lacan se refere ao complexo de \u00c9dipo]. S\u00f3 isso j\u00e1 nos for\u00e7a a ver nele coisa inteiramente diversa do bloco maci\u00e7o que se resume na f\u00f3rmula cl\u00e1ssica \u2013 atra\u00e7\u00e3o sexual pela m\u00e3e, rivalidade com o pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas sabem o car\u00e1ter profundamente dissim\u00e9trico, e isso desde a origem, de cada uma das rela\u00e7\u00f5es duais que compreende a estrutura edipiana. A rela\u00e7\u00e3o que liga o sujeito \u00e0 m\u00e3e \u00e9 distinta da que o liga ao pai, a rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica ou imagin\u00e1ria com o pai \u00e9 distinta da rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, e tamb\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o a que devemos chamar real \u2013 a qual \u00e9 residual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arquitetura que nos interessa na an\u00e1lise. Tudo isso mostra suficientemente a complexidade da estrutura, e que n\u00e3o \u00e9 inconceb\u00edvel que uma outra dire\u00e7\u00e3o de pesquisa nos permita elaborar o mito edipiano melhor do que o foi at\u00e9 aqui.\u201d p.81.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cap\u00edtulo VII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) o imagin\u00e1rio, o simb\u00f3lico e o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem esses tr\u00eas sistemas de refer\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel compreender a t\u00e9cnica e a experi\u00eancia freudianas.\u201d p.89.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuantas vezes n\u00e3o fiz observar \u00e0queles que controlo, quando me dizem \u2013\u00a0<em>Acredito ter compreendido que ele queria dizer isto, e aquilo \u2013\u00a0<\/em>uma das coisas que mais devemos evitar \u00e9 compreender muito, compreender mais do que existe no discurso do sujeito. Interpretar e imaginar que se compreende, n\u00e3o \u00e9 de modo algum a mesma coisa. \u00c9 exatamente o contr\u00e1rio. Eu diria mesmo que \u00e9 na base de uma certa recusa de compreens\u00e3o que empurramos a porta da compreens\u00e3o anal\u00edtica.\u201d p.90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTudo gira em torno do que pareceu, \u00e0 Srt\u00aa. G\u00e9linier, singular, paradoxal, contradit\u00f3rio, na fun\u00e7\u00e3o do ego \u2013 muito desenvolvido, ele bloqueia todo desenvolvimento, mas ao se desenvolver, reabre a porta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade. [Lacan est\u00e1 comentando o caso Dick de Melaine Klein]. Como \u00e9 que a porta da realidade \u00e9 reaberta por um desenvolvimento do ego? Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da interpreta\u00e7\u00e3o kleiniana, que se apresenta com um car\u00e1ter de intrus\u00e3o, de coisa posta sobre o sujeito? Eis as quest\u00f5es que hoje teremos para retocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas devem ter-se apercebido desde j\u00e1 de que no caso desse jovem sujeito, real, imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico s\u00e3o sens\u00edveis, aflorantes. O simb\u00f3lico, eu lhes ensinei a identific\u00e1-lo com a linguagem \u2013 ora, n\u00e3o ser\u00e1 na medida em que, digamos, Melanie Klein fala, que algo se passa? Por outro lado, quando Melanie Klein nos diz que os objetos s\u00e3o constitu\u00eddos por jogos de proje\u00e7\u00f5es, introje\u00e7\u00f5es, expuls\u00f5es, de reintroje\u00e7\u00f5es de maus objetos, e que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o sujeito, tendo projetado o seu sadismo, o v\u00ea voltar desses objetos, e, por esse fato, se encontra bloqueado por um temor ansioso, voc\u00eas n\u00e3o sentem que estamos no dom\u00ednio do imagin\u00e1rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o problema a partir de ent\u00e3o \u00e9 o da jun\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio na constitui\u00e7\u00e3o do real.\u201d p.90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo VII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO est\u00e1dio do espelho (\u2026) n\u00e3o \u00e9 simplesmente um momento do desenvolvimento. Tem tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o exemplar, porque revela certas rela\u00e7\u00f5es do sujeito \u00e0 sua imagem, enquanto\u00a0<em>Urbild\u00a0<\/em>do eu.\u201d p.91.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs imagens \u00f3pticas apresentam diversidades singulares \u2013 algumas s\u00e3o puramente subjetivas, s\u00e3o as que se chamam virtuais, enquanto outras s\u00e3o reais, a saber, sob certos prismas, se comportam como objetos e podem ser tomadas como tais. Muito mais singular ainda \u2013 esses objetos que as imagens reais s\u00e3o, podemos dar as suas imagem virtuais. Nesse caso, o objeto que \u00e9 a imagem real toma, e devidamente, o nome de objeto virtual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, uma coisa ainda \u00e9 mais surpreendente, \u00e9 que a \u00f3ptica repouse inteirinha sobre uma teoria matem\u00e1tica sem a qual \u00e9 absolutamente imposs\u00edvel estrutur\u00e1-la. Para que haja uma \u00f3ptica, \u00e9 preciso que, a todo ponto dado no espa\u00e7o real, corresponda um ponto e s\u00f3 um num outro espa\u00e7o, que \u00e9 o espa\u00e7o imagin\u00e1rio. \u00c9 a hip\u00f3tese estrutural fundamental. Ela parece excessivamente simples, mas sem ela n\u00e3o se pode escrever a menor equa\u00e7\u00e3o, nem simbolizar nada \u2013 a \u00f3ptica \u00e9 imposs\u00edvel. Mesmo aqueles que a ignoram n\u00e3o poderiam fazer nada em \u00f3ptica se ela n\u00e3o existisse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed tamb\u00e9m, o espa\u00e7o imagin\u00e1rio e o espa\u00e7o real se confundem. Isso n\u00e3o impede que devam ser pensados como diferentes. Em mat\u00e9ria de \u00f3ptica, temos muitas ocasi\u00f5es para nos exercer em certas distin\u00e7\u00f5es que lhes mostram o quanto a dimens\u00e3o simb\u00f3lica conta na manifesta\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um outro lado, existe em \u00f3ptica uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos de que se pode dizer que s\u00e3o inteiramente reais, porque tamb\u00e9m \u00e9 a experi\u00eancia que nos guia nessa mat\u00e9ria, mas em que, entretanto, a todo instante, a subjetividade est\u00e1 engajada. Quando voc\u00eas v\u00eaem um arco-\u00edris, v\u00eaem algo de inteiramente subjetivo. Voc\u00eas o v\u00eaem a uma certa dist\u00e2ncia que se desenha na paisagem. Ele n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. \u00c9 um fen\u00f4meno subjetivo. E, entretanto, gra\u00e7as a um aparelho fotogr\u00e1fico, voc\u00eas o registram de modo inteiramente objetivo. Ent\u00e3o, o que \u00e9 isso? N\u00e3o sabemos mais muito bem, n\u00e3o \u00e9, onde est\u00e1 o subjetivo, onde est\u00e1 o objetivo. Ou n\u00e3o seria que temos o h\u00e1bito de colocar no nosso compreendedorzinho uma distin\u00e7\u00e3o muito sum\u00e1ria entre o objetivo e o subjetivo? O aparelho fotogr\u00e1fico n\u00e3o seria um aparelho subjetivo, inteiramente constru\u00eddo com a ajuda de um\u00a0<em>x<\/em>\u00a0e de um\u00a0<em>y,\u00a0<\/em>que habitam o dom\u00ednio em que vive o sujeito, quer dizer, o da linguagem?\u201d p.93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Lacan comenta seu esquema \u00f3ptico] \u201cUm espelho esf\u00e9rico produz uma imagem real. A cada ponto de um raio luminoso que emana de um ponto qualquer de um objeto colocado a certa dist\u00e2ncia, de prefer\u00eancia no plano do centro da esfera, corresponde no mesmo plano, por converg\u00eancia dos raios refletidos sobre a superf\u00edcie da esfera, um outro ponto luminoso \u2013 o que d\u00e1 do objeto uma imagem real. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suponham que isto seja uma caixa, oca deste lado, e que ela esteja colocada sobre um p\u00e9, no centro da semi-esfera. Sobre a caixa, voc\u00eas v\u00e3o colocar um vaso, real. Embaixo, h\u00e1 um buqu\u00ea de flores. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que se passa? [ver imagem p.94]\n<p style=\"text-align: justify;\">O buqu\u00ea reflete-se sobre a superf\u00edcie esf\u00e9rica, para vir ao ponto luminoso sim\u00e9trico. Entendam que todos os raios fazem o mesmo, em virtude da propriedade da superf\u00edcie esf\u00e9rica \u2013 todos os raios emanados de um ponto dado v\u00eam ao mesmo ponto sim\u00e9trico. A partir de ent\u00e3o, forma-se uma imagem real. Notem que os raios n\u00e3o se cruzam muito bem no meu esquema, mas isso \u00e9 verdade tamb\u00e9m na realidade, e para todos os instrumentos de \u00f3ptica \u2013 n\u00e3o se tem nunca sen\u00e3o uma aproxima\u00e7\u00e3o. Para<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">al\u00e9m do olho, os raios continuam o seu caminho, e redivergem. Mas, para o olho, s\u00e3o convergentes, e d\u00e3o uma imagem real, porque a caracter\u00edstica dos raios que batem num olho sob uma forma convergente \u00e9 a de dar uma imagem real. Convergentes, vindo ao olho, eles divergem, afastando-se. Se os raios v\u00eam bater no olho em sentido contr\u00e1rio, \u00e9 uma imagem virtual que se forma. \u00c9 o que se passa quando voc\u00eas olham uma imagem no espelho \u2013<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">voc\u00eas a v\u00eaem l\u00e1 onde n\u00e3o est\u00e1. Aqui, ao contr\u00e1rio, voc\u00eas a v\u00eaem onde est\u00e1 \u2013 com a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o de que o seu olho esteja no campo dos raios que j\u00e1 vieram se cruzar no ponto correspondente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento, enquanto voc\u00eas n\u00e3o v\u00eaem o buqu\u00ea real, que est\u00e1 escondido, ver\u00e3o aparecer, se estiverem no bom campo, um buqu\u00ea imagin\u00e1rio muito curioso, que se forma bem no gargalo do vaso. Como os seus olhos devem se deslocar linearmente no mesmo plano, voc\u00eas ter\u00e3o uma impress\u00e3o de realidade, sem deixarem de sentir que alguma coisa \u00e9 estranha, borrada, porque os raios n\u00e3o se cruzam muito bem. Quanto mais longe voc\u00eas estiverem, mais a paralaxe agir\u00e1, e mais a ilus\u00e3o ser\u00e1 completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um ap\u00f3logo que vai nos servir muito. Certo, esse esquema n\u00e3o pretende tocar em nada que esteja substancialmente relacionado com o que manejamos na an\u00e1lise, as rela\u00e7\u00f5es ditas reais ou objetivas, ou as rela\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. Mas nos permite ilustrar de uma forma particularmente simples o que resulta da intrinca\u00e7\u00e3o estreita do mundo imagin\u00e1rio e do mundo real na economia ps\u00edquica (\u2026).\u201d p.94\/95.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo VII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCom efeito, o dom\u00ednio pr\u00f3prio do eu primitivo,\u00a0<em>Ur-Ich\u00a0<\/em>ou\u00a0<em>Lust-Ich,\u00a0<\/em>se constitui pela clivagem, pela distin\u00e7\u00e3o com o mundo exterior \u2013 o que est\u00e1 inclu\u00eddo dentro distingue-se do que \u00e9 rejeitado pelos processos de exclus\u00e3o,\u00a0<em>Aufstossung,\u00a0<\/em>e de proje\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, se h\u00e1 no\u00e7\u00f5es que s\u00e3o colocadas no primeiro plano de todas as concep\u00e7\u00f5es anal\u00edticas do estado primitivo da forma\u00e7\u00e3o do eu, s\u00e3o precisamente aquelas de continente e de conte\u00fado. \u00c9 por isso que a rela\u00e7\u00e3o do vaso com as flores que ele cont\u00e9m pode nos servir de met\u00e1fora, e das mais preciosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas sabem que o processo da sua matura\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica permite ao sujeito, num dado momento da sua hist\u00f3ria, integrar efetivamente suas fun\u00e7\u00f5es motoras, e aceder a um dom\u00ednio real do seu corpo. S\u00f3 que, \u00e9 antes desse momento, embora de maneira correlativa, que o sujeito toma consci\u00eancia do seu corpo como totalidade. \u00c9 sobre isso que insisto na minha teoria do est\u00e1dio do espelho \u2013 a s\u00f3 vista da forma total do corpo humano d\u00e1 ao sujeito um dom\u00ednio imagin\u00e1rio do seu corpo, prematuro em rela\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio real. Essa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 destacada do processo mesmo da matura\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se confunde com ele. O sujeito antecipa-se ao acabamento do dom\u00ednio psicol\u00f3gico, e essa antecipa\u00e7\u00e3o dar\u00e1 seu estilo a todo exerc\u00edcio posterior do dom\u00ednio motor efetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a aventura original atrav\u00e9s da qual, pela primeira vez, o homem passa pela experi\u00eancia de que se v\u00ea, se reflete e se concebe como outro que n\u00e3o ele mesmo \u2013 dimens\u00e3o essencial do humano, que estrutura toda a sua vida de fantasia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Supomos na origem todos os issos, objetos, instintos, desejos, tend\u00eancias etc. \u00c9, pois, a pura e simples realidade que n\u00e3o se delimita em nada, que n\u00e3o pode ser ainda objeto de nenhuma defini\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 nem boa, nem m\u00e1, mas ao mesmo tempo ca\u00f3tica e absoluta, original. \u00c9 o n\u00edvel ao qual Freud se refere em\u00a0<em>Die Verneinung,\u00a0<\/em>quando fala dos julgamentos de exist\u00eancia \u2013 ou bem \u00e9, ou bem n\u00e3o \u00e9. E \u00e9 a\u00ed que a imagem do corpo d\u00e1 ao sujeito a primeira forma que lhe permite situar a que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 do eu. Bem, digamos que a imagem do corpo, se a situamos no nosso esquema, \u00e9 como o vaso imagin\u00e1rio que cont\u00e9m o buqu\u00ea de flores real. A\u00ed est\u00e1 como nos podemos representar o sujeito anterior ao nascimento do eu, e o surgimento deste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esquematizo, como voc\u00eas percebem, mas o desenvolvimento de uma met\u00e1fora, de um aparelho de pensar, necessita que no in\u00edcio fa\u00e7a sentir para o que serve. Voc\u00eas ver\u00e3o que esse aparelho tem uma maneabilidade que permite jogar de todas as esp\u00e9cies de movimentos. Voc\u00eas podem inverter as condi\u00e7\u00f5es do experimento \u2013 o vaso poderia tamb\u00e9m estar embaixo; e as flores em cima. Voc\u00eas podem tornar imagin\u00e1rio o que \u00e9 real \u00e0 vontade, com a condi\u00e7\u00e3o de conservar a rela\u00e7\u00e3o dos sinais + \u2013 + ou \u2013 + \u2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que a ilus\u00e3o se produza, para que se constitua, diante do olho que olha, um mundo em que o imagin\u00e1rio pode incluir o real e, ao mesmo tempo, form\u00e1-lo, em que o real tamb\u00e9m pode incluir e, ao mesmo tempo, situar o imagin\u00e1rio, \u00e9 preciso que uma condi\u00e7\u00e3o seja realizada \u2013 eu o disse a voc\u00eas, o olho deve estar numa certa posi\u00e7\u00e3o, deve estar no interior do cone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estiver no exterior do cone, j\u00e1 n\u00e3o ver\u00e1 o que \u00e9 imagin\u00e1rio, pela simples raz\u00e3o de que nada do cone de emiss\u00e3o vir\u00e1 bater nele. Ver\u00e1 as coisas no seu estado real, inteiramente nu, quer dizer, o interior do mecanismo, e um pobre vaso vazio, ou flores isoladas, segundo os casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas me dir\u00e3o: \u2013\u00a0<em>N\u00e3o somos um olho, o que \u00e9 esse olho que passeia?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caixa, quer dizer, o pr\u00f3prio corpo de voc\u00eas. O buqu\u00ea s\u00e3o instintos e desejos, os objetos do desejo que passeiam. E o caldeir\u00e3o, o que que \u00e9? Bem que poderia ser o c\u00f3rtex. Por que n\u00e3o? Seria divertido \u2013 falaremos disso um outro dia. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olho est\u00e1 aqui, como muito frequentemente, o s\u00edmbolo do sujeito. (\u2026) o quer dizer o olho que est\u00e1 a\u00ed? (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer dizer que, na rela\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do real, e na constitui\u00e7\u00e3o do mundo tal como ela resulta disso, tudo depende da situa\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a situa\u00e7\u00e3o do sujeito (\u2026) \u00e9 essencialmente caracterizada pelo seu lugar no mundo simb\u00f3lico, ou, em outros termos, no mundo da palavra.\u201d p.95\/96\/97.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo VII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDevemos tomar o texto de Melanie Klein pelo que \u00e9, isto \u00e9, o relato de uma experi\u00eancia. (\u2026) [Lacan comenta, ent\u00e3o, o caso Dick de Melaine Klein]. Diferentes objetos do mundo exterior, mais neutralizados, ser\u00e3o colocados como os equivalentes dos primeiros, estar\u00e3o ligados a eles por uma equa\u00e7\u00e3o \u2013 eu o sublinho \u2013 imagin\u00e1ria. Assim, a equa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que redescobrimos entre esses objetos surge, de um mecanismo alternativo de expuls\u00e3o e de introje\u00e7\u00e3o, de proje\u00e7\u00e3o e de absor\u00e7\u00e3o, quer dizer, de um jogo imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse jogo, precisamente, que eu tento simbolizar para voc\u00eas, no meu esquema, pelas inclus\u00f5es imagin\u00e1rias de objetos reais, ou inversamente, pelas tomadas de objetos imagin\u00e1rios no interior de um recinto real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Dick, vemos bem que h\u00e1 esbo\u00e7o de imaginifica\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que posso dizer isso, do mundo exterior. N\u00f3s a temos a\u00ed pronta a aflorar, mas est\u00e1 apenas preparada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dick joga com o continente e o conte\u00fado. Ele j\u00e1 entificou naturalmente em certos objetos, o pequeno trem por exemplo, um certo n\u00famero de tend\u00eancias, e mesmo de pessoas \u2013 a si pr\u00f3prio enquanto trenzinho, em rela\u00e7\u00e3o a seu pai que \u00e9 trem grande. Ali\u00e1s, o n\u00famero de objetos que s\u00e3o significativos \u00e9, para ele, fato surpreendente, extremamente reduzido, reduzido aos signos m\u00ednimos que permitem exprimir o dentro e o fora, o conte\u00fado e o continente. Assim, o espa\u00e7o preto \u00e9 logo assimilado ao interior do corpo da m\u00e3e, no qual ele se refugia. O que n\u00e3o se produz, \u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o jogo livre, a conjun\u00e7\u00e3o entre as diferentes formas, imagin\u00e1ria e real, dos objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que faz com que, quando ele vai se refugiar no interior vazio e escuro do corpo materno, os objetos n\u00e3o estejam l\u00e1, para grande espanto da Srt\u00aa G\u00e9linier [que apresentou o caso Dick durante o semin\u00e1rio de Lacan]. Por uma raz\u00e3o simples \u2013 no seu caso, o buqu\u00ea e o vaso n\u00e3o podem estar l\u00e1 ao mesmo tempo. \u00c9 isso que \u00e9 a chave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os espantos da Srt\u00aa G\u00e9linier repousam sobre o fato de que, para Melaine Klein, tudo est\u00e1 num plano de igual realidade \u2013 de\u00a0<em>unreal reality,\u00a0<\/em>como ela se exprime, o que n\u00e3o permite conceber, com efeito, a dissocia\u00e7\u00e3o dos diferentes\u00a0<em>sets\u00a0<\/em>de objetos primitivos. \u00c9 que n\u00e3o h\u00e1 em Melaine Klein nem teoria do imagin\u00e1rio, nem teoria do ego. Cabe a n\u00f3s introduzir essas no\u00e7\u00f5es, e compreender que, na medida em que uma parte da realidade \u00e9 imaginada, a outra \u00e9 real, e inversamente, na medida em que uma \u00e9 realidade, \u00e9 a outra que se torna imagin\u00e1ria. Apreende-se a\u00ed por que, no in\u00edcio, a conjun\u00e7\u00e3o das diferentes partes, dos\u00a0<em>sets,\u00a0<\/em>nunca pode ser acabada.\u201d p.98\/99\/100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA introje\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre introje\u00e7\u00e3o da palavra do outro, o que introduz uma dimens\u00e3o muito diferente da de proje\u00e7\u00e3o. \u00c9 em torno dessa distin\u00e7\u00e3o que voc\u00eas podem fazer a separa\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do ego e \u00e9 da ordem do registro dual, e o que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do supereu. N\u00e3o \u00e9 por nada que se distinguem na teoria anal\u00edtica, nem que se admite que o supereu, o supereu<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">aut\u00eantico, \u00e9 uma introje\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do ego ideal.\u201d p.100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVolto ao caso [Dick] descrito por Melanie Klein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a est\u00e1 l\u00e1. Ela disp\u00f5e de certo n\u00famero de registros significativos. Melaine Klein \u2013 aqui, n\u00f3s podemos segui-la \u2013 sublinha a extrema estreiteza de um deles \u2013 o dom\u00ednio imagin\u00e1rio. Normalmente \u00e9 pelas possibilidades de jogo da transposi\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que se pode fazer a valoriza\u00e7\u00e3o progressiva dos objetos, no plano que se chama comumente afetivo, por uma multiplica\u00e7\u00e3o, um desdobramento em leque de todas as equa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias que permitem ao ser humano ser o \u00fanico entre os animais a ter um n\u00famero quase infinito de objetos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o \u2013 de objetos marcados por um valor de\u00a0<em>Gestalt\u00a0<\/em>no seu\u00a0<em>Umwelt,\u00a0<\/em>de objetos isolados nas suas formas. Melanie Klein sublinha a pobreza do mundo imagin\u00e1rio, e, no mesmo lance, a impossibilidade para essa crian\u00e7a de entrar numa rela\u00e7\u00e3o efetiva com os objetos enquanto estruturas. Correla\u00e7\u00e3o que \u00e9 importante apreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se resumirmos agora tudo o que Melanie Klein descreve da atitude dessa crian\u00e7a, o ponto significativo \u00e9 simplesmente este \u2013 ela n\u00e3o faz nenhum apelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apelo, a\u00ed est\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o que pe\u00e7o que guardem. Voc\u00eas v\u00e3o se dizer \u2013\u00a0<em>Naturalmente, com isso, ele introduz sua linguagem, o Dr. Lacan.\u00a0<\/em>Mas a crian\u00e7a j\u00e1 tem seu sistema de linguagem, muito suficientemente. A prova \u00e9 que brinca com ele. Serve-se dela para fazer um jogo de oposi\u00e7\u00e3o contra as tentativas de intrus\u00e3o dos adultos. Por exemplo, comporta-se de uma forma que \u00e9 dita no texto negativista. Quando sua m\u00e3e lhe prop\u00f5e um<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">nome, que \u00e9 capaz de reproduzir de maneira correta, o reproduz de maneira inintelig\u00edvel, deformada, que n\u00e3o pode servir para nada. Reencontramos aqui a distin\u00e7\u00e3o a fazer entre negativismo e denega\u00e7\u00e3o (\u2026). Dick serve-se<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da linguagem de uma forma propriamente negativista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, ao introduzir o apelo, n\u00e3o \u00e9 a linguagem que introduzo de fininho. Eu diria mesmo mais \u2013 n\u00e3o somente n\u00e3o \u00e9 a linguagem, mas \u00e9 um n\u00edvel superior \u00e0 linguagem. \u00c9 mesmo embaixo da linguagem, se falarmos de n\u00edveis. Basta que voc\u00eas observem um animal dom\u00e9stico para verem que um ser desprovido de linguagem \u00e9 inteiramente capaz de lhes endere\u00e7ar apelos, apelos para atrair sua aten\u00e7\u00e3o para alguma coisa que, em certo sentido, lhe falta. Ao apelo humano est\u00e1 reservado um desenvolvimento posterior, mais rico, porque se reproduz justamente num ser que j\u00e1 adquiriu o n\u00edvel da linguagem.\u201d p.100\/101.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos com Dick ao n\u00edvel do apelo. O apelo toma o seu valor interior do sistema j\u00e1 adquirido da linguagem. Ora, o de que se trata \u00e9 que essa crian\u00e7a n\u00e3o emite nenhum apelo. O sistema pelo qual o sujeito vem se situar na linguagem \u00e9 interrompido, ao n\u00edvel da palavra. N\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, a linguagem e a palavra \u2013 essa crian\u00e7a \u00e9, at\u00e9 certo n\u00edvel, mestre da<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">linguagem, mas ela n\u00e3o fala. \u00c9 um sujeito que est\u00e1 a\u00ed e que literalmente, n\u00e3o responde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra n\u00e3o chegou a ele. A linguagem n\u00e3o envolveu o seu sistema imagin\u00e1rio, cujo registro \u00e9 excessivamente curto \u2013 valoriza\u00e7\u00e3o dos trens, dos bot\u00f5es das portas, do lugar negro. Suas faculdades, n\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, mas de express\u00e3o, est\u00e3o limitadas a isso. Para ele, o real e o imagin\u00e1rio s\u00e3o equivalentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melaine Klein deve pois renunciar ent\u00e3o a toda t\u00e9cnica. Tem o m\u00ednimo de material. N\u00e3o chega nem mesmo a ter brinquedos \u2013 essa crian\u00e7a n\u00e3o brinca. Quando toma um pouco o trenzinho, n\u00e3o brinca, faz isso como atravessa a atmosfera \u2013 como se fosse um invis\u00edvel, ou antes, como se tudo lhe fosse, de certa maneira, invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melanie Klein n\u00e3o procede aqui, tem uma consci\u00eancia viva disso, a nenhuma interpreta\u00e7\u00e3o. Parte, diz ela, de ideias que tem, e que s\u00e3o conhecidas, do que se passa nesse estado. Eu vou sem mais e digo a ele:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<em>Dick pequeno trem, grande trem Papai-trem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nisso, a crian\u00e7a se p\u00f5e a brincar com o seu trenzinho, e diz a palavra\u00a0<em>station,\u00a0<\/em>isto \u00e9,\u00a0<em>esta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em>Momento crucial, em que se esbo\u00e7a a jun\u00e7\u00e3o da linguagem e do imagin\u00e1rio do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melanie Klein lhe reenvia isso \u2013\u00a0<em>A esta\u00e7\u00e3o \u00e9 Mam\u00e3e. Dick entrar na Mam\u00e3e<\/em>. A partir da\u00ed, tudo se desencadeia. Ela s\u00f3 lhe far\u00e1 destas, e n\u00e3o outras. E muito depressa a crian\u00e7a progride. \u00c9 um fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que foi ent\u00e3o que Melanie Klein fez? \u2013 nada al\u00e9m de introduzir a verbaliza\u00e7\u00e3o. Ela simbolizou uma rela\u00e7\u00e3o efetiva, a de um ser, nomeado, com um outro. Ela chapou a simboliza\u00e7\u00e3o do mito edipiano, para cham\u00e1-lo pelo seu nome. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As coisas desenvolvem-se em seguida a tal ponto que Melaine Klein faz intervir todos os outros elementos de uma situa\u00e7\u00e3o a partir de ent\u00e3o organizada e, at\u00e9 o pr\u00f3prio pai, que vem desempenhar o seu papel. Fora das sess\u00f5es, diz Melanie Klein, as rela\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a se desenvolvem no plano do \u00c9dipo. A crian\u00e7a simboliza a realidade em volta dela a partir desse n\u00facleo, dessa pequena c\u00e9lula palpitante de simbolismo que lhe deu Melanie Klein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que se chama em seguida \u2013\u00a0<em>ter aberto as portas do seu inconsciente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que \u00e9 que Melanie Klein fez o que quer que seja que manifeste uma apreens\u00e3o qualquer de n\u00e3o sei que processo que seria, no sujeito, seu inconsciente? Ela admite isto de cara, por h\u00e1bito. Releiam todos essa observa\u00e7\u00e3o e ver\u00e3o nela a manifesta\u00e7\u00e3o sensacional da f\u00f3rmula que lhes dou sempre \u2013 o\u00a0<em>inconsciente e o discurso do outro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um caso onde \u00e9 absolutamente manifesto. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma esp\u00e9cie de inconsciente no sujeito. \u00c9 o discurso de Melanie Klein que enxerta brutalmente sobre a in\u00e9rcia eu-\u00f3ica inicial da crian\u00e7a as primeiras simboliza\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o edipiana. Melanie Klein faz sempre assim com os seus sujeitos, mais ou menos implicitamente, mais ou menos arbitrariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dram\u00e1tico, nesse sujeito que n\u00e3o acedeu \u00e0 realidade humana porque n\u00e3o faz ouvir nenhum apelo, quais s\u00e3o os efeitos das simboliza\u00e7\u00f5es introduzidas pela terapeuta? Elas determinam uma posi\u00e7\u00e3o inicial a partir da qual o sujeito pode fazer agir o imagin\u00e1rio e o real e conquistar o seu desenvolvimento. Ele se precipita numa s\u00e9rie de equival\u00eancias, num sistema em que objetos se substituem uns aos outros.\u201d p.102\/103.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor que falar nesse caso [Dick] de desenvolvimento do ego? \u00c9 confundir como sempre o ego e o sujeito.\u201d p.104.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSentimo-nos [os analistas] sempre horrivelmente atravancados porque distinguimos mal imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero agora fazer voc\u00eas observarem isso. Quando Melanie Klein lhe entrega o esquema do \u00c9dipo, a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que vive o sujeito [Dick], embora extremamente pobre, j\u00e1 \u00e9 suficientemente complexa para que se possa dizer que ele tem o seu pr\u00f3prio mundo. Mas esse real primitivo \u00e9 para n\u00f3s literalmente inef\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto n\u00e3o nos diz nada, n\u00e3o temos nenhum meio de penetrar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">nele, sen\u00e3o por extrapola\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas que fazem a ambiguidade de todos os sistemas como o de Melanie Klein \u2013 ela nos diz, por exemplo, que, no interior do imp\u00e9rio do corpo materno, o sujeito ali est\u00e1 com todos os seus irm\u00e3os, sem contar o p\u00eanis do pai etc. \u00c9 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o importa, j\u00e1 que podemos apreender assim, em todo o caso, como esse mundo se p\u00f5e em movimento, como imagin\u00e1rio e real come\u00e7am a se estruturar, como se desenvolvem os investimentos sucessivos, que delimitam a variedade dos objetos humanos, quer dizer, nome\u00e1veis. Todo esse processo parte desse primeiro afresco que constitui uma palavra significativa, formulando uma estrutura fundamental que, na lei da palavra, humaniza o homem.\u201d p.104\/105.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA partir do caso de Dick e utilizando as categorias do real, do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio, mostrei-lhes que pode acontecer que um sujeito que disp\u00f5e de todos os elementos da linguagem, e que tem a possibilidade de fazer certo n\u00famero de deslocamentos imagin\u00e1rios que lhe permitem estruturar o seu mundo, n\u00e3o esteja no real. Porque n\u00e3o est\u00e1? \u2013 unicamente porque as coisas n\u00e3o vieram numa certa ordem. A figura no seu conjunto est\u00e1 perturbada. N\u00e3o h\u00e1 meio de dar a esse conjunto o menor desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se do desenvolvimento do ego? Tomem de novo o texto de Melanie Klein. Ela diz que o ego foi desenvolvido de maneira muito precoce, de sorte que a crian\u00e7a tem uma rela\u00e7\u00e3o excessivamente real \u00e0 realidade porque o imagin\u00e1rio n\u00e3o pode se introduzir \u2013 e em seguida, na segunda parte da frase, ela diz que \u00e9 o ego que p\u00e1ra o desenvolvimento. Isso quer dizer simplesmente que o ego n\u00e3o pode ser utilizado de forma v\u00e1lida como aparelho na estrutura\u00e7\u00e3o desse mundo exterior. Por uma simples raz\u00e3o \u2013 por causa da m\u00e1 posi\u00e7\u00e3o do olho, o ego n\u00e3o aparece, pura e simplesmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digamos que o vaso seja virtual. O vaso n\u00e3o aparece, e o sujeito fica numa realidade reduzida, com uma bagagem imagin\u00e1ria tamb\u00e9m reduzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O motor dessa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 o que voc\u00eas devem compreender \u2013 a virtude da palavra, na medida em que o ato da palavra \u00e9 um funcionamento coordenado a um sistema simb\u00f3lico j\u00e1 estabelecido, t\u00edpico e significativo.\u201d p.105\/106.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cap\u00edtulo VIII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOra, voc\u00eas sentem toda a dist\u00e2ncia que h\u00e1 entre \u2013 a resist\u00eancia, que separa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o sujeito da palavra plena que a an\u00e1lise espera dele, e que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o dessa inflex\u00e3o ansi\u00f3gena que constitui no seu modo mais radical, ao n\u00edvel da troca simb\u00f3lica, a transfer\u00eancia \u2013 e este fen\u00f4meno que manejamos tecnicamente na an\u00e1lise e que nos parece ser a mola energ\u00e9tica, como Freud se exprime, da transfer\u00eancia, a saber, o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas\u00a0<em>Observa\u00e7\u00f5es sobre o Amor de Transfer\u00eancia,\u00a0<\/em>Freud n\u00e3o hesita em chamar a transfer\u00eancia pelo nome de\u00a0<em>amor.\u00a0<\/em>Freud elude t\u00e3o pouco o fen\u00f4meno amoroso, passional, no seu sentido mais concreto, que chega a dizer que n\u00e3o h\u00e1, entre a transfer\u00eancia e o que chamamos na vida o amor, nenhuma distin\u00e7\u00e3o verdadeiramente essencial. A estrutura desse fen\u00f4meno artificial que \u00e9 a transfer\u00eancia e a do fen\u00f4meno espont\u00e2neo que chamamos amor, e muito precisamente o amor-paix\u00e3o, s\u00e3o, no plano ps\u00edquico, equivalentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1, da parte de Freud, nenhuma elus\u00e3o do fen\u00f4meno, nenhuma<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">tentativa de dissolver o escabroso no que seria simbolismo, no sentido em que se o entende habitualmente \u2013 o ilus\u00f3rio, o irreal. A transfer\u00eancia \u00e9 o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos encontros v\u00e3o agora se centrar em torno do amor de transfer\u00eancia, para terminar com o estudo dos\u00a0<em>Escritos T\u00e9cnicos.<\/em>\u00a0Isso nos levar\u00e1 ao \u00e2mago desta outra situa\u00e7\u00e3o, que tento introduzir aqui, e sem a qual tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma justa reparti\u00e7\u00e3o do que manejamos na nossa experi\u00eancia \u2013 a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o acreditem que essa fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio esteja ausente dos textos de Freud. N\u00e3o est\u00e1 mais ausente do que a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Muito simplesmente, Freud n\u00e3o a colocou no primeiro plano, e n\u00e3o assinalou em todo lugar onde se pode encontr\u00e1-la. Quando estudarmos a\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo,\u00a0<\/em>voc\u00eas ver\u00e3o que o pr\u00f3prio Freud, para designar a diferen\u00e7a entre o que \u00e9 dem\u00eancia precoce, esquizofrenia, psicose, e o que \u00e9 neurose, n\u00e3o encontra outra defini\u00e7\u00e3o al\u00e9m desta que parecer\u00e1 talvez surpreendente para alguns de voc\u00eas. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entramos a\u00ed na distin\u00e7\u00e3o essencial que se deve fazer entre neurose e psicose, quanto ao funcionamento do imagin\u00e1rio (\u2026).\u201d p.108\/109.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo VIII.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe a palavra\u00a0<em>alucina\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>significa alguma coisa, \u00e9 esse sentimento de realidade. H\u00e1 na alucina\u00e7\u00e3o alguma coisa que o paciente assume verdadeiramente como real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas sabem o quanto isso permanece problem\u00e1tico, mesmo numa psicose alucinat\u00f3ria. H\u00e1 na psicose alucinat\u00f3ria cr\u00f4nica do adulto uma s\u00edntese do imagin\u00e1rio e do real, que \u00e9 todo o problema da psicose.\u201d p.124\/125.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo in\u00edcio, como voc\u00ea mostrou, quando queria atingir um objeto, s\u00f3 podia apreend\u00ea-lo com um \u00fanico gesto. Se falhasse nesse gesto, devia recome\u00e7\u00e1-lo desde o in\u00edcio. Portanto, controla a adapta\u00e7\u00e3o ao visual, mas sofre perturba\u00e7\u00f5es da no\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia. [Lacan se refere ao caso Roberto, apresentado por Rosine Lefort]. Essa crian\u00e7a selvagem pode sempre como um animalzinho bem organizado, pegar o que deseja. Mas se h\u00e1 falta ou lapso do ato, s\u00f3 pode corrigir retomando o todo. Consequentemente, podemos dizer que n\u00e3o parece que haja nessa crian\u00e7a\u00a0<em>deficit\u00a0<\/em>nem retardo dizendo respeito ao sistema piramidal, mas nos encontramos diante de manifesta\u00e7\u00f5es de falha nas fun\u00e7\u00f5es de s\u00edntese do eu, no sentido em que entendemos o eu na teoria anal\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o, a agita\u00e7\u00e3o inarticulada que voc\u00ea notou no in\u00edcio, devem tamb\u00e9m ser reenviadas a falhas das fun\u00e7\u00f5es do eu. \u00c9 preciso observar ali\u00e1s que, num certo sentido, a teoria anal\u00edtica chega at\u00e9 a fazer da fun\u00e7\u00e3o do sono uma fun\u00e7\u00e3o do eu. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deixo de ligar diretamente a atipia do seu sono ao car\u00e1ter an\u00f4malo do seu desenvolvimento, cujo retardo se situa precisamente no plano do imagin\u00e1rio, no plano do eu enquanto fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. Essa observa\u00e7\u00e3o nos mostra que, do atraso de tal ponto do desenvolvimento imagin\u00e1rio,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">resultam perturba\u00e7\u00f5es em certas fun\u00e7\u00f5es aparentemente inferiores ao que podemos chamar o n\u00edvel superestrutural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a rela\u00e7\u00e3o entre a matura\u00e7\u00e3o estritamente sens\u00f3rio-motora e as fun\u00e7\u00f5es de controle imagin\u00e1rio no sujeito, que constitui o grande interesse dessa observa\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o est\u00e1 toda a\u00ed. Trata-se de saber em que medida \u00e9 essa articula\u00e7\u00e3o a\u00ed que est\u00e1 em jogo na esquizofrenia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos, segundo a nossa tend\u00eancia e a ideia que cada um de n\u00f3s tem da esquizofrenia, do seu mecanismo e do seu m\u00f3vel essencial, situar ou n\u00e3o esse caso no quadro de uma afec\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que n\u00e3o \u00e9 uma esquizofrenia no sentido de um estado, na medida em que voc\u00ea nos mostrou a significa\u00e7\u00e3o e a mov\u00eancia dela. Mas h\u00e1 a\u00ed uma estrutura esquizofr\u00eanica da rela\u00e7\u00e3o ao mundo e toda uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos que poder\u00edamos aproximar a rigor da s\u00e9rie catat\u00f4nica. Certo, n\u00e3o h\u00e1 propriamente nenhum sintoma, de maneira que n\u00e3o poderemos situar o caso num tal quadro, como o fez Lang, a n\u00e3o ser para o situar aproximadamente. Mas certas defici\u00eancias, certas faltas de adapta\u00e7\u00e3o humana, abrem para algo que, mais tarde, analogamente, se apresentar\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">como uma esquizofrenia. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que se trate de fen\u00f4menos de ordem psic\u00f3tica, mais exatamente de fen\u00f4menos que podem terminar em psicose, isso n\u00e3o me parece duvidoso. O que n\u00e3o quer dizer que toda psicose apresente come\u00e7os an\u00e1logos.\u201d p.126\/127.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo IX.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFomos levados a sublinhar essa face da resist\u00eancia que se situa ao n\u00edvel mesmo da emiss\u00e3o da palavra. A palavra pode exprimir o ser do sujeito, mas, at\u00e9 certo ponto, n\u00e3o chega nunca a isso. Ei-nos agora tendo chegado a um momento em que nos colocamos a quest\u00e3o \u2013 como se situam, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra, todos esses afetos, todas essas refer\u00eancias imagin\u00e1rias que s\u00e3o comumente evocadas quando se quer definir a a\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia na experi\u00eancia anal\u00edtica? Voc\u00eas sentiram que isso n\u00e3o era evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra plena \u00e9 a que visa, que forma a verdade tal como ela se estabelece no reconhecimento de um pelo outro. A palavra plena \u00e9 palavra que faz ato. Um dos sujeitos se encontra, depois, outro que n\u00e3o o que era antes. \u00c9 por isso que essa dimens\u00e3o n\u00e3o pode ser eludida da experi\u00eancia anal\u00edtica.\u201d p.128\/129.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPortanto, deve existir outra coisa al\u00e9m da doutrina\u00e7\u00e3o que explique a efic\u00e1cia das interven\u00e7\u00f5es do analista. \u00c9 o que a experi\u00eancia demonstrou ser eficaz na a\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a opacidade \u2013 afinal de contas, o que \u00e9 a transfer\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua ess\u00eancia a transfer\u00eancia eficaz de que se trata \u00e9 simplesmente o ato da palavra. Cada vez que um homem fala a outro de maneira aut\u00eantica e plena, h\u00e1, no sentido pr\u00f3prio, transfer\u00eancia, transfer\u00eancia simb\u00f3lica \u2013alguma coisa se passa que muda a natureza dos dois seres em presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas trata-se a\u00ed de uma transfer\u00eancia diversa da que se apresentou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">inicialmente na an\u00e1lise, n\u00e3o somente como um problema, mas como um obst\u00e1culo. Essa fun\u00e7\u00e3o, com efeito, deve ser situada no plano imagin\u00e1rio. \u00c9 para precis\u00e1-la que foram forjadas as no\u00e7\u00f5es que voc\u00eas sabem, repeti\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es antigas, repeti\u00e7\u00e3o inconsciente, acionamento de uma reintegra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria \u2013 hist\u00f3ria num sentido contr\u00e1rio ao que promovo, porque se trata de uma reintegra\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, a situa\u00e7\u00e3o passada n\u00e3o sendo vivida no presente, \u00e0 revelia do sujeito, a n\u00e3o ser na medida em que a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">dimens\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 por ele desconhecida \u2013 eu n\u00e3o disse\u00a0<em>inconsciente,\u00a0<\/em>voc\u00eas o observar\u00e3o. Todas essas no\u00e7\u00f5es s\u00e3o introduzidas, para definir o que observamos, e elas t\u00eam o valor de uma constata\u00e7\u00e3o emp\u00edrica assegurada. Nem por isso desvendam a raz\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o, a significa\u00e7\u00e3o do que observamos no real.\u201d p.130\/131.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o podemos deixar de ver que uma das quest\u00f5es mais importantes da teoria anal\u00edtica \u00e9 saber qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre os la\u00e7os de transfer\u00eancia e as caracter\u00edsticas, positiva e negativa, da rela\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(\u2026) Esse assunto est\u00e1 em suma na ordem do dia desde os anos 1920 mais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ou menos (\u2026). Desde essa \u00e9poca, nunca se fez nada a n\u00e3o ser se perguntar sobre a utilidade da fun\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia no manejo, que fazemos da subjetividade do nosso paciente. Isolamos mesmo alguma coisa que chega a se chamar n\u00e3o somente neurose de transfer\u00eancia \u2013 r\u00f3tulo nosol\u00f3gico que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">designa aquilo de que o sujeito est\u00e1 afetado \u2013, mas tamb\u00e9m neurose secund\u00e1ria, neurose artificial, atualiza\u00e7\u00e3o da neurose na transfer\u00eancia, neurose que amarra nos seus fios a pessoa imagin\u00e1ria do analista.\u201d p.131\/132.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs opini\u00f5es que se manifestam ao longo das discuss\u00f5es sobre a natureza do la\u00e7o imagin\u00e1rio estabelecido na transfer\u00eancia tem a mais estreita rela\u00e7\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o objetal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00faltima no\u00e7\u00e3o veio agora ao primeiro plano da elabora\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Mas voc\u00eas sabem como a teoria \u00e9 hesitante tamb\u00e9m sobre esse ponto.\u201d p.132.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTamb\u00e9m, desde sempre, a quest\u00e3o do amor de transfer\u00eancia esteve ligada, muito estreitamente, \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, da no\u00e7\u00e3o de amor. N\u00e3o se trata do amor enquanto Eros \u2013 presen\u00e7a universal de um poder de liga\u00e7\u00e3o entre os sujeitos, subjacente a toda a realidade em que se desloca a an\u00e1lise \u2013 mas do amor-paix\u00e3o, tal como \u00e9 concretamente vivido pelo sujeito, como uma esp\u00e9cie de cat\u00e1strofe psicol\u00f3gica. Coloca-se, como voc\u00eas o sabem, a quest\u00e3o de saber em que esse amor-paix\u00e3o \u00e9, no seu fundamento, ligado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica.\u201d p. 133.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor imagin\u00e1rio participa, no fundo, da ilus\u00e3o (\u2026). o que \u00e9 esse amor, que interv\u00e9m como mola imagin\u00e1ria da an\u00e1lise? (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, para n\u00f3s, o que temos de encontrar \u00e9 a estrutura que articula a rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, a fun\u00e7\u00e3o do amor em toda a sua generalidade e a transfer\u00eancia na sua efic\u00e1cia pr\u00e1tica.\u201d p.133\/134.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrefiro deixar \u00e0 no\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia sua totalidade emp\u00edrica, marcando, entretanto que \u00e9 plurivalente e que se exerce ao mesmo tempo em v\u00e1rios registros, o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real\u201d p.134.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo IX.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) Freud \u00e9 levado a conceber o narcisismo como um processo secund\u00e1rio. Uma unidade compar\u00e1vel ao eu n\u00e3o existe na origem,\u00a0<em>nicht von Anfang,\u00a0<\/em>n\u00e3o est\u00e1 presente desde o in\u00edcio no indiv\u00edduo, e o\u00a0<em>ich\u00a0<\/em>tem de se desenvolver,\u00a0<em>entwickeln werden.\u00a0<\/em>As puls\u00f5es autoer\u00f3ticas, ao contr\u00e1rio, est\u00e3o l\u00e1 desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que est\u00e3o um pouco habituados ao que eu trouxe ver\u00e3o que essa ideia confirma a utilidade da minha concep\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio do espelho. A\u00a0<em>Urbild,\u00a0<\/em>que \u00e9 uma unidade compat\u00edvel ao eu, constitui-se num momento determinado da hist\u00f3ria do sujeito, a partir do qual o eu come\u00e7a a assumir suas fun\u00e7\u00f5es. Isso equivale a dizer que o eu humano se constitui sobre o fundamento da rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. A fun\u00e7\u00e3o do eu, escreve Freud, deve ter\u00a0<em>eine neue psychiche \u2026 Gestalt.\u00a0<\/em>No desenvolvimento do psiquismo, aparece<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">algo de novo cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 dar forma ao narcisismo. N\u00e3o ser\u00e1 marcar a origem imagin\u00e1ria da fun\u00e7\u00e3o do eu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas duas ou tr\u00eas confer\u00eancias que se seguir\u00e3o, precisarei o uso simultaneamente limitado e plural que deve ser feito do est\u00e1dio do espelho. Eu lhes ensinarei pela primeira vez, \u00e0 luz do texto de Freud, que dois registros est\u00e3o implicados nesse est\u00e1dio. Enfim, se lhes indiquei, da \u00faltima vez, que a fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria continha a pluralidade do vivido do indiv\u00edduo, vou lhes mostrar que n\u00e3o se pode limit\u00e1-la a isso \u2013 por causa da necessidade de distinguir as psicoses e as neuroses.\u201d p.137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo IX.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO de que se trata, para Freud, \u00e9 apreender a diferen\u00e7a de estrutura que existe entre a retra\u00e7\u00e3o da realidade que constatamos nas neuroses e a que constatamos nas psicoses. Uma das distin\u00e7\u00f5es maiores se estabelece de maneira surpreendente \u2013 surpreendente em todo o caso para aqueles que n\u00e3o se debatem com tais problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No desconhecimento, a recusa, a barragem oposta \u00e0 realidade pelo neur\u00f3tico, constatamos um recurso \u00e0 fantasia. H\u00e1 a\u00ed a\u00a0<em>fun\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/em>o que no vocabul\u00e1rio de Freud s\u00f3 pode reenviar ao registro imagin\u00e1rio. Sabemos como as pessoas e as coisas do meio do neur\u00f3tico mudam inteiramente de valor, e isso em rela\u00e7\u00e3o a uma fun\u00e7\u00e3o que nada impede de designar \u2013 sem procurar para al\u00e9m do uso comum da linguagem \u2013 como imagin\u00e1ria.\u00a0<em>Imagin\u00e1ria\u00a0<\/em>reenvia aqui \u2013 primeiramente, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito com as suas identifica\u00e7\u00f5es formadoras, \u00e9 o sentido pleno do termo imagem em an\u00e1lise \u2013em segundo lugar, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito ao real, cuja caracter\u00edstica \u00e9 ser ilus\u00f3ria, \u00e9 a face da fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria mais frequentemente valorizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, certo ou errado, pouco nos importa no momento, Freud sublinha que n\u00e3o h\u00e1 nada de semelhante na psicose. O sujeito psic\u00f3tico, se ele perde a realiza\u00e7\u00e3o do real, n\u00e3o reencontra nenhuma substitui\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria? \u00c9 isso que o distingue do neur\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa concep\u00e7\u00e3o pode parecer \u00e0 primeira vista extraordin\u00e1ria. Voc\u00eas sentem que a\u00ed \u00e9 preciso dar um passo a mais na conceptualiza\u00e7\u00e3o para seguir o pensamento de Freud. Uma das concep\u00e7\u00f5es mais correntes \u00e9 que o sujeito delirante sonha, que ele est\u00e1 bem dentro do imagin\u00e1rio. \u00c9 preciso, pois, que, na concep\u00e7\u00e3o de Freud, a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio n\u00e3o seja a fun\u00e7\u00e3o do irreal. Sem o que n\u00e3o se veria por que ele recusaria ao psic\u00f3tico o acesso ao imagin\u00e1rio. E como Freud sabe em geral o que diz, devemos procurar elaborar o que ele quer dizer sobre esse ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que nos introduzir\u00e1 numa elabora\u00e7\u00e3o coerente das rela\u00e7\u00f5es do imagin\u00e1rio e do simb\u00f3lico, porque est\u00e1 a\u00ed um dos pontos nos quais Freud coloca com a maior energia essa diferen\u00e7a de estrutura. Quando o psic\u00f3tico reconstr\u00f3i o seu mundo, o que \u00e9 que \u00e9 inicialmente investido? Voc\u00eas v\u00e3o ver em que via, inesperada, para muitos de voc\u00eas, isso nos engaja \u2013 s\u00e3o as palavras. Voc\u00eas n\u00e3o podem deixar de reconhecer a\u00ed a categoria do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s deixaremos para mais adiante o que essa cr\u00edtica esbo\u00e7a. Veremos que poderia ser num irreal simb\u00f3lico, ou num simb\u00f3lico marcado de irreal, que se situa a estrutura pr\u00f3pria do psic\u00f3tico. A fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio est\u00e1 inteiramente alhures.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas come\u00e7am a ver, eu espero, a diferen\u00e7a que h\u00e1 na apreens\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da posi\u00e7\u00e3o das psicoses entre Jung e Freud. Para Jung, os dois dom\u00ednios do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio est\u00e3o a\u00ed completamente confundidos, enquanto uma das primeiras articula\u00e7\u00f5es que nos permite valorizar o artigo de Freud \u00e9 a estrita distin\u00e7\u00e3o dos dois.\u201d p.138\/139.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo X.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQual \u00e9 o m\u00f3vel concreto que determina o funcionamento da enorme mec\u00e2nica sexual? Qual \u00e9 seu desencadeador, como se exprime Tinbergen ap\u00f3s Lorenz? N\u00e3o \u00e9 a realidade do parceiro sexual, a particularidade de um indiv\u00edduo, mas algo que tem a maior rela\u00e7\u00e3o com o que acabo de chamar o tipo, a saber, uma imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os etologistas demonstram, no funcionamento dos mecanismos de emparelhamento, a preval\u00eancia de uma imagem, que aparece sob a forma de um fen\u00f3tipo transit\u00f3rio por modifica\u00e7\u00f5es do aspecto exterior, e cuja apari\u00e7\u00e3o serve de sinal, de sinal constru\u00eddo, quer dizer de\u00a0<em>Gestalt<\/em>, e agita os comportamentos da reprodu\u00e7\u00e3o. A embreagem mec\u00e2nica do instinito sexual \u00e9, pois, essencialmente cristalizada numa rela\u00e7\u00e3o de imagens, numa rela\u00e7\u00e3o (\u2026) imagin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1 o quadro no qual devemos articular as\u00a0<em>Libido-Triebe<\/em>\u00a0e as\u00a0<em>Ich-Triebe.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A puls\u00e3o libidinal est\u00e1 centrada na fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer, contudo, tal como uma transposi\u00e7\u00e3o idealista e moralizante da doutrina anal\u00edtica quis fazer crer, que o sujeito progride no imagin\u00e1rio para um estado ideal da genitalidade que seria a san\u00e7\u00e3o e a mola \u00faltima do estabelecimento do real.\u201d p.144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9 que eu viso? \u2013 juntar essa experi\u00eancia fundamental que nos traz a elabora\u00e7\u00e3o atual da teoria dos instintos a prop\u00f3sito do ciclo do comportamento sexual, e que mostra que nele o sujeito \u00e9 essencialmente logr\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, \u00e9 preciso que o esgana-gata macho, tenha adquirido belas cores, no ventre ou no dorso, para que comece a se estabelecer a dan\u00e7a da copula\u00e7\u00e3o com a f\u00eamea. Mas podemos muito bem fazer um recorte que, mesmo mal acabado, tem exatamente o mesmo efeito sobre a f\u00eamea, desde que traga certas marcas \u2013\u00a0<em>Merkzeichen.\u00a0<\/em>Os comportamentos sexuais s\u00e3o especialmente logr\u00e1veis. Est\u00e1 a\u00ed um ensino que nos interessa para elaborar a estrutura das pervers\u00f5es e das neuroses.\u201d p.145.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo X.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJ\u00e1 que estamos nesse ponto, vou introduzir um complemento ao esquema que lhes dei neste cursinho sobre a t\u00f3pica do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modelo, eu lhes indiquei que ele est\u00e1 na linha mesma dos votos de Freud. Este explica, em v\u00e1rios lugares, especialmente na\u00a0<em>Traumdeutung\u00a0<\/em>e no\u00a0<em>Abriss,\u00a0<\/em>que as inst\u00e2ncias ps\u00edquicas fundamentais devem ser concebidas na sua maioria como representando o que se passa num aparelho fotogr\u00e1fico, isto \u00e9, como as imagens, sejam virtuais, sejam reais, que seu funcionamento produz. O aparelho org\u00e2nico representa o mecanismo do aparelho, e o que n\u00f3s apreendemos s\u00e3o imagens. Suas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas, porque uma imagem real e uma imagem virtual, n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. As inst\u00e2ncias que Freud elabora n\u00e3o devem ser tomadas por substanciais, por epifenomenais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio aparelho. \u00c9, pois, por um esquema \u00f3ptico que devem ser interpeladas as inst\u00e2ncias. Concep\u00e7\u00e3o que Freud indicou muitas vezes, mas que nunca materializou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Aqui Lacan comenta seu esquema \u00f3ptico. Ver figura p. 147]\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00eas v\u00eaem, \u00e0 esquerda, o espelho c\u00f4ncavo, gra\u00e7as ao qual se produz o fen\u00f4meno do buqu\u00ea invertido, que eu transformei aqui, porque \u00e9 mais c\u00f4modo, no do vaso invertido. O vaso est\u00e1 na caixa, e o buqu\u00ea em cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vaso ser\u00e1 reproduzido, pelo jogo da reflex\u00e3o dos raios, numa imagem real, e n\u00e3o virtual, sobre a qual o olho pode se acomodar. Se o olho se acomoda ao n\u00edvel das flores que dispusemos, ver\u00e1 a imagem real do vaso vir envolver o buqu\u00ea, e lhe dar estilo e unidade \u2013 reflexo da unidade do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que a imagem tenha uma certa consist\u00eancia, \u00e9 preciso que seja verdadeiramente uma imagem. Qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o da imagem em \u00f3ptica? \u2013 a cada ponto do objeto deve corresponder um ponto da imagem, e todos os raios sa\u00eddos de um ponto devem se recortar em algum lugar num ponto \u00fanico. Um aparelho de \u00f3ptica s\u00f3 se define por uma converg\u00eancia un\u00edvoca ou biun\u00edvoca dos raios \u2013 como se diz em axiom\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o aparelho c\u00f4ncavo est\u00e1 aqui onde estou, e a pequena montagem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de prestidigitador diante da escrivaninha, a imagem n\u00e3o poder\u00e1 ser vista com uma nitidez suficiente para produzir uma ilus\u00e3o de realidade, uma ilus\u00e3o real. \u00c9 preciso que voc\u00eas se encontrem colocados num certo \u00e2ngulo. Sem d\u00favida, segundo as diferentes posi\u00e7\u00f5es do olho que olharia, poder\u00edamos distinguir certo n\u00famero de casos que nos permitiriam talvez compreender as diferentes posi\u00e7\u00f5es do sujeito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo, um sujeito n\u00e3o \u00e9 um olho, eu lhes disse. Mas esse modelo se aplica porque estamos no imagin\u00e1rio, onde o olho tem muita import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m introduziu a quest\u00e3o dos dois narcisismos. Voc\u00eas devem sentir que \u00e9 disto que se trata \u2013 da rela\u00e7\u00e3o entre a constitui\u00e7\u00e3o da realidade e o relacionamento com a forma do corpo, a que, de maneira mais ou menos apropriada, Mannoni chamou\u00a0<em>ontol\u00f3gica.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomemos inicialmente o espelho c\u00f4ncavo, sobre o qual, como lhes mostrei, poder\u00edamos provavelmente projetar toda esp\u00e9cie de coisas cujo sentido \u00e9 org\u00e2nico, e em particular o c\u00f3rtex. Mas n\u00e3o substantivemos depressa demais, porque n\u00e3o se trata aqui, voc\u00eas o ver\u00e3o melhor em seguida, de uma pura e simples elabora\u00e7\u00e3o da teoria do homenzinho-que-est\u00e1-no-homem. Se eu estivesse refazendo o homenzinho-que-est\u00e1-no-homem, n\u00e3o vejo por que o criticaria o tempo todo. E, se eu cedo a isso, \u00e9 porque h\u00e1 alguma raz\u00e3o para que ceda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olho agora, esse olho hipot\u00e9tico de que lhes falei, coloquemo-lo em algum lugar entre o espelho c\u00f4ncavo e o objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que esse olho tenha exatamente a ilus\u00e3o do vaso invertido, isto \u00e9, para que ele veja nas condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas, t\u00e3o boas como se estivesse no fundo da sala, \u00e9 necess\u00e1ria e suficiente uma \u00fanica coisa \u2013 que haja mais ou menos no meio da sala um espelho plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros termos, se colocarmos no meio da sala um espelho, encostando-me no espelho c\u00f4ncavo, verei a imagem do vaso t\u00e3o bem como se estivesse no fundo da sala, embora n\u00e3o a veja de maneira direta. O que \u00e9 que vou ver no espelho? Primeiramente, a minha pr\u00f3pria cara, l\u00e1 onde n\u00e3o est\u00e1. Em segundo lugar, num ponto sim\u00e9trico ao ponto em que est\u00e1 a imagem real, vou ver aparecer essa imagem real como imagem virtual. Entenderam? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender, voltando para casa, coloquem-se diante de um espelho, coloquem a m\u00e3o diante de voc\u00eas \u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse esqueminha n\u00e3o passa de uma elabora\u00e7\u00e3o muito simples do que tento lhes explicar h\u00e1 anos, com o est\u00e1dio do espelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco, Mannoni falava dos dois narcisismos. H\u00e1 inicialmente com efeito, um narcisismo que se relaciona \u00e0 imagem corporal. Essa imagem \u00e9 id\u00eantica para o conjunto dos mecanismos do sujeito e d\u00e1 sua forma ao seu\u00a0<em>Umwelt,\u00a0<\/em>na medida em que \u00e9 homem e n\u00e3o cavalo. Ela faz a unidade do sujeito, e n\u00f3s a vemos se projetar de mil maneiras, at\u00e9 no que se pode chamar a fonte imagin\u00e1ria do simbolismo, que \u00e9 aquilo atrav\u00e9s de que o simbolismo se liga ao sentimento, ao\u00a0<em>Selbstgef\u00fchl<\/em>, que o ser humano, o\u00a0<em>Mensch<\/em>, tem do pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse primeiro narcisismo se situa, se voc\u00eas quiserem, ao n\u00edvel da imagem real do meu esquema, na medida em que ela permite organizar o conjunto da realidade num certo n\u00famero de quadros pr\u00e9-formados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, esse funcionamento \u00e9 inteiramente diferente no homem e no animal, que \u00e9 adaptado a um\u00a0<em>Umwelt\u00a0<\/em>uniforme. H\u00e1 nele certas correspond\u00eancias preestabelecidas entre a sua estrutura imagin\u00e1ria e o que lhe interessa no seu<em>\u00a0Umwelt,\u00a0<\/em>a saber, o que importa \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, eles pr\u00f3prios fun\u00e7\u00e3o da perpetua\u00e7\u00e3o t\u00edpica da esp\u00e9cie. No homem, ao contr\u00e1rio a reflex\u00e3o no espelho manifesta uma possibilidade no\u00e9tica original, e introduz um segundo narcisismo. O seu\u00a0<em>pattern\u00a0<\/em>fundamental \u00e9 imediatamente a rela\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro tem para o homem valor cativante, pela antecipa\u00e7\u00e3o que representa a imagem unit\u00e1ria tal como \u00e9 percebida, seja no espelho, seja em toda realidade do semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro, o alter ego, confunde-se mais ou menos, segundo as etapas da vida, com o\u00a0<em>Ich-Ideal,\u00a0<\/em>esse ideal do eu invocado o tempo todo no artigo de Freud. A identifica\u00e7\u00e3o narcisista \u2013 a palavra identifica\u00e7\u00e3o, indiferenciada \u00e9 inutiliz\u00e1vel \u2013, a do segundo narcisismo \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o ao outro que, no caso normal permite ao homem situar com precis\u00e3o a sua rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria e libidinal ao mundo em geral. Est\u00e1 a\u00ed o que lhe permite ver no seu lugar, e estruturar, em fun\u00e7\u00e3o desse lugar e do seu mundo, seu<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ser. Mannoni disse\u00a0<em>ontol\u00f3gico\u00a0<\/em>h\u00e1 pouco, eu aceito. Direi exatamente \u2013 seu\u00a0<em>ser libidinal.\u00a0<\/em>O sujeito v\u00ea o seu ser numa reflex\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao outro, isto \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<em>Ich-Ideal.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas v\u00eaem a\u00ed que \u00e9 preciso distinguir entre as fun\u00e7\u00f5es do eu \u2013 por um lado, elas desempenham para o homem como para todos os outros seres vivos um papel fundamental na estrutura\u00e7\u00e3o da realidade \u2013 por outro lado, elas devem no homem passar por esta aliena\u00e7\u00e3o fundamental que constitui a imagem refletida de si mesmo, que \u00e9 o\u00a0<em>Ur-Ich,\u00a0<\/em>a forma original do\u00a0<em>Ich-Ideal\u00a0<\/em>bem como da rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 suficientemente claro para voc\u00eas? Eu j\u00e1 lhes havia dado um primeiro elemento do esquema, hoje dou-lhes outro \u2013 a rela\u00e7\u00e3o reflexiva ao outro. Voc\u00eas ver\u00e3o em seguida para que serve esse esquema. (\u2026) Ele ser\u00e1 extremamente \u00fatil, permitindo-lhes situar quase todas as quest\u00f5es cl\u00ednicas, concretas, que coloca a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio, e muito especialmente a prop\u00f3sito desses investimentos libidinais de que a gente acaba n\u00e3o compreendendo mais, quando os manejamos, o que querem dizer.\u201d p.145\/146\/147\/148\/149.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA estrita equival\u00eancia do objeto e do ideal do eu na rela\u00e7\u00e3o amorosa, \u00e9 uma das no\u00e7\u00f5es mais fundamentais na obra de Freud, e a reencontramos a cada passo. O objeto amado \u00e9, no investimento amoroso, pela capta\u00e7\u00e3o que ele opera do sujeito, estritamente equivalente ao ideal do eu. \u00c9 por esse motivo que h\u00e1 na sugest\u00e3o, na hipnose, esta fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica t\u00e3o importante que \u00e9 o estado de depend\u00eancia, verdadeira pervers\u00e3o da realidade pela fascina\u00e7\u00e3o pelo objeto amado e sua sobre-estima\u00e7\u00e3o. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, voc\u00eas n\u00e3o podem deixar de ver a contradi\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre essa no\u00e7\u00e3o do amor e certas concep\u00e7\u00f5es m\u00edticas da ascese libidinal da Psican\u00e1lise. D\u00e1-se como acabamento da matura\u00e7\u00e3o afetiva n\u00e3o sei que fus\u00e3o, comunh\u00e3o, entre a genitalidade e a constitui\u00e7\u00e3o do real. N\u00e3o digo que n\u00e3o haja a\u00ed algo de essencial \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da realidade, mas resta ainda compreender como. Porque, \u00e9 um ou outro \u2013 ou o amor \u00e9 o que Freud descreve, fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria no seu fundamento, ou bem ele \u00e9 o fundamento e a base do mundo. Assim como h\u00e1 dois narcisismos, deve haver dois amores, o Eros e o Agape.\u201d p.149.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo XI.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA observa\u00e7\u00e3o essencial de Freud \u00e9 que \u00e9 quase indiferente que uma elabora\u00e7\u00e3o da libido \u2013 voc\u00eas sabem o quanto \u00e9 dif\u00edcil traduzir\u00a0<em>Verarbeitung,\u00a0<\/em>e\u00a0<em>elabora\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>n\u00e3o \u00e9 bem isso \u2013 se produza sobre objetos reais ou objetos imagin\u00e1rios. A diferen\u00e7a s\u00f3 aparece mais tarde, quando a orienta\u00e7\u00e3o da libido se faz para objetos irreais. Isso conduz a um\u00a0<em>Stauung,\u00a0<\/em>a uma barragem da libido, o que nos introduz no car\u00e1ter imagin\u00e1rio do ego, porque se trata da sua libido.\u201d p.154.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Anlehnung\u00a0<\/em>[apoio] n\u00e3o deixa de ter rela\u00e7\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de depend\u00eancia, desenvolvida depois. Mas \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o mais vasta e mais rica. Freud faz uma lista dos diferentes tipos de fixa\u00e7\u00e3o amorosa, que exclui toda refer\u00eancia ao que se poderia chamar uma rela\u00e7\u00e3o madura \u2013 mito da Psican\u00e1lise. H\u00e1 inicialmente, no campo da fixa\u00e7\u00e3o amorosa, da\u00a0<em>Verliebtheit,\u00a0<\/em>o tipo narc\u00edsico. Ele \u00e9 fixado pelo fato de que se ama \u2013 primeiramente, o que se \u00e9 enquanto si mesmo, quer dizer, Freud precisa isso entre par\u00eanteses, si mesmo \u2013 em segundo lugar, o que se foi \u2013 em terceiro lugar, o que se quereria ser \u2013 em quarto, a pessoa que foi uma parte do seu pr\u00f3prio eu. \u00c9 o\u00a0<em>Narzissmustypus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>Anlehnungstypus\u00a0<\/em>n\u00e3o \u00e9 menos imagin\u00e1rio, porque est\u00e1 fundado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">tamb\u00e9m numa invers\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o. O sujeito encontra ent\u00e3o sua refer\u00eancia numa situa\u00e7\u00e3o primitiva. O que ele ama \u00e9 a mulher que alimenta e o homem que protege.\u201d p.155.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTrata-se a\u00ed da sedu\u00e7\u00e3o que exerce o narcisismo. Freud indica o que tem de fascinante e de satisfat\u00f3rio para todo ser humano a apreens\u00e3o de um ser que apresenta as caracter\u00edsticas desse mundo fechado, fechado sobre si mesmo, satisfeito, pleno, que representa o tipo narc\u00edsico. Ele o aproxima da sedu\u00e7\u00e3o soberana que exerce um belo animal.\u201d p.155\/156.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE Freud emprega a\u00ed\u00a0<em>Ich-Ideal,\u00a0<\/em>que \u00e9 exatamente sim\u00e9trico e oposto ao<em>\u00a0Ideal-Ich,\u00a0<\/em>\u00c9 o signo de que Freud designa aqui duas fun\u00e7\u00f5es diferentes. O que \u00e9 que isso quer dizer? (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um est\u00e1 no plano do imagin\u00e1rio [<em>Ideal-Ich<\/em>], o outro no plano do simb\u00f3lico \u2013 porque a exig\u00eancia do\u00a0<em>Ich-Ideal<\/em>\u00a0toma seu lugar no conjunto das exig\u00eancias da lei\u201d p.157.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSim, estamos na estrutura\u00e7\u00e3o. Exatamente onde se desenvolve toda a experi\u00eancia anal\u00edtica, na jun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do simb\u00f3lico. H\u00e1 pouco, Leclaire colocou a quest\u00e3o de saber qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da imagem e qual a fun\u00e7\u00e3o que eu chamei a ideia. A ideia, sabemos bem que ela nunca vive sozinha. Vive com todas as outras ideias, Plat\u00e3o j\u00e1 nos ensinou isto.\u201d p.160.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo XI.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDigamos que, no mundo animal, todo o ciclo do comportamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">sexual \u00e9 dominado pelo imagin\u00e1rio. Por outro lado, \u00e9 no comportamento sexual que vemos manifestar-se a maior possibilidade de deslocamento, e isso, mesmo no animal. J\u00e1 o usamos a t\u00edtulo experimental quando apresentamos ao animal um logro, uma falsa imagem, um parceiro masculino que \u00e9 apenas uma sombra com as caracter\u00edsticas maiores do dito cujo. Na ocasi\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es do fen\u00f3tipo que, em numerosas esp\u00e9cies, se produz no momento biol\u00f3gico que chama o comportamento sexual, basta apresentar esse logro para desencadear a conduta sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A possibilidade de deslocamento, a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria, ilus\u00f3ria, \u00e9 essencial a tudo que \u00e9 da ordem dos comportamentos sexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que no homem, sim ou n\u00e3o, \u00e9 igual? Essa imagem, poderia ser isso, esse\u00a0<em>Ideal-Ich\u00a0<\/em>de que falamos h\u00e1 pouco. Por que n\u00e3o? N\u00e3o obstante, n\u00e3o pensamos em chamar a esse engodo o\u00a0<em>Ideal-Ich<\/em>. Onde situ\u00e1-lo ent\u00e3o? Aqui se revelam os m\u00e9ritos do meu aparelhinho.\u201d [Lacan se refere ao esquema \u00f3ptico] p.161\/162.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo homem, n\u00f3s o sabemos, as manifesta\u00e7\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o sexual se caracterizam por uma desordem eminente. N\u00e3o h\u00e1 nada que se adapte. Essa imagem em volta da qual n\u00f3s, psicanalistas, nos deslocamos, apresenta, quer se trate das neuroses ou das pervers\u00f5es, uma esp\u00e9cie de fragmenta\u00e7\u00e3o, de explos\u00e3o, de despeda\u00e7amento, de inadapta\u00e7\u00e3o, de inadequa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 a\u00ed como que um jogo de esconde-esconde entre a imagem e seu objeto normal \u2013 se \u00e9 que adotamos o ideal de uma norma no funcionamento da sexualidade. Como poder\u00edamos ent\u00e3o representar o mecanismo pelo qual essa imagina\u00e7\u00e3o em desordem chega finalmente, n\u00e3o obstante, a preencher, sua fun\u00e7\u00e3o?\u201d p.162.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo que \u00e9 que se trata? \u2013 sen\u00e3o de ver qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do outro, do outro humano, na adequa\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reencontramos a\u00ed o pequeno esquema [\u00f3ptico]. Acrescentei a ele, na<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00faltima sess\u00e3o, um aperfei\u00e7oamento que constitui uma parte essencial do que procuro demonstrar. A imagem real s\u00f3 pode ser vista de maneira consistente num certo campo do espa\u00e7o real do aparelho, o campo diante do aparelho constitu\u00eddo pelo espelho esf\u00e9rico e o buqu\u00ea invertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Situamos o sujeito na borda do espelho esf\u00e9rico. Mas sabemos que a vis\u00e3o de uma imagem no espelho plano \u00e9 exatamente equivalente, para o sujeito, ao que seria a imagem do objeto real para um espectador que estivesse para al\u00e9m desse espelho, no lugar mesmo em que o sujeito v\u00ea sua imagem. Podemos, pois, substituir o sujeito por um sujeito virtual, SV, situado no interior do cone que delimita a possibilidade da ilus\u00e3o \u2013 \u00e9 o campo\u00a0<em>x\u2019y\u2019<\/em>\u00a0[ver figura p.163]. O aparelho que inventei mostra pois que, se estivermos colocados num ponto muito pr\u00f3ximo da imagem real, podemos n\u00e3o obstante v\u00ea-la, num espelho, no estado e imagem virtual. \u00c9 o que se produz no homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que resulta disso? Uma simetria muito particular. Com efeito, o sujeito virtual, reflexo do olho m\u00edtico quer dizer, o outro que somos, est\u00e1 l\u00e1 onde vimos inicialmente nosso ego \u2013 fora de n\u00f3s \u2013na forma humana. Essa forma est\u00e1 fora de n\u00f3s n\u00e3o enquanto feita para captar um comportamento sexual, mas enquanto fundamentalmente ligada \u00e0 impot\u00eancia primitiva do ser humano. O ser humano n\u00e3o v\u00ea sua forma realizada, total, a miragem de si mesmo, a n\u00e3o ser fora de si. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquilo que o sujeito, que existe v\u00ea no espelho, \u00e9 uma imagem, n\u00edtida ou bastante fragmentada, inconsistente, descompletada. Isso depende da sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem real. Muito nas bordas, v\u00ea-se mal. Tudo depende da incid\u00eancia particular do espelho. \u00c9 s\u00f3 no cone que se pode ter uma imagem n\u00edtida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da inclina\u00e7\u00e3o do espelho depende, pois, que voc\u00eas vejam menos ou mais perfeitamente a imagem. Quanto ao espectador virtual, que voc\u00eas, pela fic\u00e7\u00e3o do espelho, substituem a voc\u00eas mesmos para ver a imagem real, basta que o espelho plano esteja inclinado de um certo modo para que fique no campo em que se v\u00ea muito mal. S\u00f3 por esse fato, voc\u00eas tamb\u00e9m, voc\u00eas v\u00eaem muito mal a imagem no espelho. Digamos que isso representa a dif\u00edcil acomoda\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio no homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos supor agora que a inclina\u00e7\u00e3o do espelho plano \u00e9 comandada pela voz do outro. Isso n\u00e3o existe ao n\u00edvel do est\u00e1dio do espelho, mas \u00e9 em seguida realizado pela nossa rela\u00e7\u00e3o com outrem no seu conjunto \u2013 a rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Voc\u00eas podem apreender ent\u00e3o que a regula\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio depende de algo que est\u00e1 de modo transcendente, como diria o Sr. Hyppolite \u2013 o transcendente no caso n\u00e3o sendo aqui nada mais que a liga\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica entre os seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica? \u00c9, para colocar os pingos nos ii, que socialmente n\u00f3s nos definimos por interm\u00e9dio da lei. \u00c9 da troca dos s\u00edmbolos que n\u00f3s situamos uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros nossos diferentes eus \u2013 voc\u00ea \u00e9 voc\u00ea, Mannoni, e eu, Jacques Lacan, e estamos numa certa rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que \u00e9 complexa, segundo os diferentes planos em que nos colocamos, segundo estejamos juntos no comissariado de pol\u00edcia, juntos nesta sala, juntos em viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros termos, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que define a posi\u00e7\u00e3o do sujeito como aquele que v\u00ea. \u00c9 a palavra, a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que define o maior ou menor grau de perfei\u00e7\u00e3o, de completude, de aproxima\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 feita nessa representa\u00e7\u00e3o entre o\u00a0<em>Ideal-Ich\u00a0<\/em>e o\u00a0<em>Ich-Ideal,\u00a0<\/em>entre o eu-ideal e o ideal do eu. O ideal do eu comanda o jogo de rela\u00e7\u00f5es de que depende toda a rela\u00e7\u00e3o a outrem. E dessa rela\u00e7\u00e3o a outrem depende o car\u00e1ter mais ou menos satisfat\u00f3rio da estrutura\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tal esquema lhes mostra que o imagin\u00e1rio e o real agem no mesmo n\u00edvel. Para compreend\u00ea-lo, basta fazer um pequeno aperfei\u00e7oamento a mais nesse aparelho. Imaginem que este espelho \u00e9 um vidro. Voc\u00eas se v\u00eaem no vidro e v\u00eaem os objetos al\u00e9m. Trata-se justamente disto \u2013 de uma coincid\u00eancia entre certas imagens e o real. De que falamos n\u00f3s, sen\u00e3o disso, quando evocamos uma realidade oral, anal, genital, quer dizer, uma certa rela\u00e7\u00e3o entre nossas imagens e as imagens? N\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o das imagens do corpo humano, e a hominiza\u00e7\u00e3o do mundo, a sua percep\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de imagens ligadas \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o do corpo. Os objetos reais, que passam por interm\u00e9dio do espelho e atrav\u00e9s dele, est\u00e3o no mesmo lugar que o objeto imagin\u00e1rio. O pr\u00f3prio da imagem \u00e9 o investimento pela libido. Chama-se investimento libidinal aquilo atrav\u00e9s de que um objeto se torna desej\u00e1vel, quer dizer, aquilo atrav\u00e9s de que se confunde com essa imagem que levamos em n\u00f3s, diversamente, e mais ou menos estruturada.\u201d p.183\/164\/165.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) no homem nenhuma regula\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que seja verdadeiramente eficaz e completa pode se estabelecer sen\u00e3o pela interven\u00e7\u00e3o de outra dimens\u00e3o [Lacan se refere ao simb\u00f3lico]. O que busca, pelo menos miticamente, a an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 o meu desejo? Qual \u00e9 a minha posi\u00e7\u00e3o na estrutura\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria? Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel a n\u00e3o ser que um guia se encontre para al\u00e9m do imagin\u00e1rio, ao n\u00edvel do plano simb\u00f3lico, da troca legal que s\u00f3 pode se encarnar pela troca verbal entre os seres humanos. Esse guia que comanda o sujeito \u00e9 o ideal do eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente essencial, e nos permite conceber o que se passa na an\u00e1lise no plano imagin\u00e1rio, e que se chama transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para apreend\u00ea-lo \u2013 est\u00e1 a\u00ed o m\u00e9rito do texto de Freud \u2013 \u00e9 preciso compreender o que \u00e9 a\u00a0<em>Verliebtheit,\u00a0<\/em>o amor. O amor \u00e9 um fen\u00f4meno que se passa ao n\u00edvel do imagin\u00e1rio, e que provoca uma verdadeira subdu\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico, uma esp\u00e9cie de anula\u00e7\u00e3o, de perturba\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o do ideal do eu. O amor reabre a porta \u2013 como escreve Freud, que n\u00e3o usa meias medidas \u2013 \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>Ich-Ideal,\u00a0<\/em>o ideal do eu, \u00e9 o outro enquanto falante, o outro enquanto tem comigo, uma rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, sublimada, que no nosso manejo din\u00e2mico \u00e9, ao mesmo tempo<em>,\u00a0<\/em>semelhante e diferente da libido imagin\u00e1ria. A troca simb\u00f3lica \u00e9 o que liga os seres humanos entre si, ou seja, a palavra, e que permite identificar o sujeito. N\u00e3o se trata a\u00ed de met\u00e1fora \u2013 o s\u00edmbolo engendra seres inteligentes, como diz Hegel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>Ich-Ideal,\u00a0<\/em>enquanto falante, pode vir sitiar-se no mundo dos objetos ao n\u00edvel do\u00a0<em>Ideal-Ich,\u00a0<\/em>ou seja, ao n\u00edvel em que se pode produzir essa capta\u00e7\u00e3o narc\u00edsica com que Freud nos martela os ouvidos ao longo desse texto. Pensem que, no momento, em que essa confus\u00e3o se produz, n\u00e3o h\u00e1 mais nenhuma esp\u00e9cie de regula\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do aparelho. Ou, em outras palavras, quando se est\u00e1 apaixonado, se \u00e9 louco, como diz a linguagem popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de ilustrar aqui a psicologia do amor \u00e0 primeira vista. Lembrem-se de Werther vendo pela primeira vez Lotte, que ninava maternalmente uma crian\u00e7a. \u00c9 uma imagem perfeitamente satisfat\u00f3ria do\u00a0<em>Anlehnungstypus\u00a0<\/em>no plano anacl\u00edtico. Essa coincid\u00eancia do objeto com a imagem fundamental para o her\u00f3i de Goethe \u00e9 o que desencadeia sua liga\u00e7\u00e3o mortal \u2013 ser\u00e1 preciso elucidar, numa pr\u00f3xima vez, por que essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamentalmente mortal. \u00c9 isso, o amor. \u00c9 o seu pr\u00f3prio eu que se ama no amor, o seu pr\u00f3prio eu realizado ao n\u00edvel imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente se mata ao se colocar este problema \u2013 como ser\u00e1 que nos neur\u00f3ticos, que s\u00e3o t\u00e3o entravados no plano do amor, a transfer\u00eancia pode se produzir? A produ\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia tem um car\u00e1ter absolutamente universal, verdadeiramente autom\u00e1tico, enquanto as exig\u00eancias do amor s\u00e3o, ao contr\u00e1rio, como todos sabem, t\u00e3o especificas\u2026 N\u00e3o \u00e9 todos os dias que se encontra o que \u00e9 feito para dar a justa imagem do seu desejo. Como, ent\u00e3o, se explica que na rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, a transfer\u00eancia, que \u00e9 da mesma natureza que o amor \u2013 Freud no-lo diz (\u2026) \u2013 se produza, pode-se dizer\u00a0<em>antes mesmo\u00a0<\/em>que a an\u00e1lise tenha come\u00e7ado? Certo, n\u00e3o \u00e9 talvez inteiramente a mesma coisa antes e durante a an\u00e1lise.\u201d p.166\/167.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 12<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>168-177; p. 179-182; p. 184-186<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<\/strong>J\u00e1 que foram voc\u00eas que tiveram a gentileza de me acionar hoje, n\u00e3o vejo por que n\u00e3o come\u00e7aria a relembrar o tema hegeliano fundamental \u2013 o desejo do homem \u00e9 o desejo do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 exatamente isso que est\u00e1 expresso no modelo pelo espelho plano. \u00c9 a\u00ed tamb\u00e9m que reencontramos o est\u00e1dio do espelho cl\u00e1ssico de Jacques Lacan, esse momento de virada que aparece no desenvolvimento em que o indiv\u00edduo faz sua pr\u00f3pria imagem no espelho, de si mesmo, um exerc\u00edcio triunfante. Podemos, por certas correla\u00e7\u00f5es do seu comportamento, compreender que se trata a\u00ed, pela primeira vez, de uma apreens\u00e3o antecipada do dom\u00ednio\u201d. p. 172<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cO<\/strong>\u00a0sujeito localiza e reconhece originalmente o desejo por interm\u00e9dio n\u00e3o s\u00f3 da sua pr\u00f3pria imagem, mas tamb\u00e9m do corpo do seu semelhante. \u00c9 exatamente a\u00ed, nesse momento, que se isola, no ser humano, a consci\u00eancia enquanto consci\u00eancia de si. \u00c9, na<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">medida em que \u00e9 no corpo do outro que ele reconhece o seu desejo que a troca se faz. \u00c9 na medida em que o seu desejo passou para o outro lado, que ele assimila o corpo do outro e se reconhece como corpo\u201d. p. 172-173<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando \u00e9 certo que, se h\u00e1 para n\u00f3s um dado fundamental, antes mesmo de toda emerg\u00eancia do registro da consci\u00eancia infeliz, \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o da nossa consci\u00eancia e do nosso corpo. Esta distin\u00e7\u00e3o faz do nosso corpo algo de fict\u00edcio, de que nossa consci\u00eancia \u00e9 bem impotente para se destacar, mas de que se concebe \u2013 estes termos n\u00e3o s\u00e3o talvez os mais adequados \u2013 como distinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A distin\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e do corpo faz-se nessa brusca invers\u00e3o de pap\u00e9is que ocorre na experi\u00eancia do espelho quando se trata do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\u2026] nos reconhecemos corpo na medida em que esses outros, indispens\u00e1veis para reconhecer o nosso desejo, t\u00eam tamb\u00e9m um corpo, ou, mais exatamente que o temos como eles\u201d. p. 173<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO corpo como desejo despeda\u00e7ado se procurando, e o corpo como ideal de si, se reprojetam do lado do sujeito como corpo despeda\u00e7ado, enquanto ele v\u00ea o outro como corpo perfeito. Para o sujeito, um corpo despeda\u00e7ado \u00e9 uma imagem essencialmente desmembr\u00e1vel do seu corpo\u201d. p.174<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO homem atingiu o acabamento da sua libido antes de encontrar o objeto dela. \u00c9 por a\u00ed que se introduz essa falha especial que se perpetua nele na rela\u00e7\u00e3o a um outro infinitamente mais mortal para ele que para qualquer outro animal. Essa imagem do mestre, que \u00e9 o que ele v\u00ea sob a forma da imagem especular, confunde-se nele com a imagem da morte. O homem pode estar em presen\u00e7a do mestre absoluto. Esta a\u00ed originalmente, quer isso lhe tenha sido ensinado ou n\u00e3o, na medida em que est\u00e1 submetido a essa imagem\u201d. p. 175<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPortanto, o sujeito toma consci\u00eancia do seu desejo no outro, por interm\u00e9dio da imagem do outro que lhe d\u00e1 a fantasia do seu pr\u00f3prio dom\u00ednio. Assim como \u00e9 muito frequente nos nossos racioc\u00ednios cient\u00edficos reduzirmos o sujeito a um olho, poder\u00edamos tamb\u00e9m reduzi-lo a uma personagem instant\u00e2nea, apreendida na rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem antecipada dele mesmo, independentemente de sua evolu\u00e7\u00e3o. Mas resta o fato de que \u00e9 um ser humano, de que nasceu num estado de impot\u00eancia, e que, muito precocemente, as palavras, a linguagem, lhe serviram de apelo, e de apelo dos mais miser\u00e1veis, quando era dos seus gritos que dependia a sua comida\u201d. p. 182<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo meu modelinho para conceber a incid\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, basta supor que \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de linguagem que produz as viradas do espelho, as quais apresentar\u00e3o ao sujeito, no outro, no outro absoluto, figuras diferentes do seu desejo. H\u00e1 conex\u00e3o entre a dimens\u00e3o imagin\u00e1ria e o sistema simb\u00f3lico, na medida em que a\u00ed se inscreve a hist\u00f3ria do sujeito, n\u00e3o a\u00a0<em>Entwickelung<\/em>, o desenvolvimento, mas a\u00a0<em>Geschichte<\/em>, ou seja, aquilo em que o sujeito se reconhece correlativamente, no passado e no futuro\u201d. p. 184<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 13<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>191-192; p. 194-199; p. 201-202<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando Freud fala do ego, n\u00e3o se trata de forma alguma de n\u00e3o sei o que de incisivo, de determinante, de imperativo, por onde ele se confundiria com o que se chamam, na Psicologia acad\u00eamica,\u00a0<em>inst\u00e2ncias superiores<\/em>. Freud sublinha que isso deve ter a maior rela\u00e7\u00e3o com a superf\u00edcie do corpo. N\u00e3o se trata da superf\u00edcie sens\u00edvel, sensorial, impressionada, mas dessa superf\u00edcie enquanto est\u00e1 refletida muna forma. N\u00e3o h\u00e1 forma que n\u00e3o tenha superf\u00edcie, uma forma e definida pela superf\u00edcie \u2013 pela diferen\u00e7a no id\u00eantico, quer dizer, a superf\u00edcie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem da forma do outro \u00e9 assumida pelo sujeito. Est\u00e1 situada no seu interior, essa superf\u00edcie gra\u00e7as a qual se introduz na Psicologia humana a rela\u00e7\u00e3o com o fora do dentro atrav\u00e9s de que o sujeito se sabe, se conhece como corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, ali\u00e1s, a \u00fanica diferen\u00e7a verdadeiramente fundamental entre a Psicologia humana e a Psicologia animal. O homem se sabe como corpo, quando n\u00e3o h\u00e1 afinal de contas nenhuma raz\u00e3o para que se saiba, porque ele est\u00e1 dentro. O animal tamb\u00e9m est\u00e1 dentro, mas n\u00e3o temos nenhuma raz\u00e3o para pensar que o representa para si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 num movimento de b\u00e1scula, de troca com o outro que o homem se apreende como corpo, forma vazia do corpo. Da mesma forma, tudo o que est\u00e1 ent\u00e3o nele no estado de puro desejo, desejo origin\u00e1rio, inconstitu\u00eddo e confuso, o que se exprime no vagido da crian\u00e7a \u2013 \u00e9 invertido no outro que ele aprender\u00e1 a reconhec\u00ea-lo. Aprender\u00e1, porque n\u00e3o aprendeu ainda, enquanto n\u00e3o colocamos em jogo a comunica\u00e7\u00e3o\u201d. p. 197<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa origem, antes da linguagem, o desejo s\u00f3 existe no plano da rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do estado especular, projetado, alienado no outro. A tens\u00e3o que ele provoca \u00e9 ent\u00e3o desprovida de sa\u00edda. Quer dizer, n\u00e3o tem outra sa\u00edda \u2013 Hegel no-lo ensina \u2013 sen\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o do outro\u201d. p. 197-198<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria primordial d\u00e1 o quadro fundamental de todo erotismo poss\u00edvel. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o a qual dever\u00e1 ser submetido o objeto de Eros enquanto tal. A rela\u00e7\u00e3o objetal deve se submeter sempre ao quadro narc\u00edsico e se inscrever nele. Ela o transcende certamente, mas de maneira imposs\u00edvel de realizar no plano imagin\u00e1rio. \u00c9 o que faz para o sujeito a necessidade do que chamarei amor\u201d. p 202<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 14<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>204-211; p. 214-215<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO desejo \u00e9, no sujeito humano, realizado no outro, pelo outro \u2013\u00a0<em>no<\/em>\u00a0outro, como voc\u00eas dizem. Est\u00e1 a\u00ed o segundo tempo, o tempo especular, o momento em que o sujeito integrou a forma do eu. Mas s\u00f3 p\u00f4de integr\u00e1-la ap\u00f3s um primeiro jogo de b\u00e1scula em que trocou justamente o seu eu por esse desejo que v\u00ea no outro. Desde ent\u00e3o, o desejo do outro, que \u00e9 o desejo do homem, entra na mediatiza\u00e7\u00e3o da linguagem. \u00c9 no outro, pelo outro, que o desejo \u00e9 nomeado. Entra na rela\u00e7\u00e3o simb\u00f31ica do\u00a0<em>eu<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>tu<\/em>, numa rela\u00e7\u00e3o de reconhecimento rec\u00edproco e de transcend\u00eancia, na ordem de uma lei j\u00e1 inteiramente pronta para incluir a hist\u00f3ria de cada indiv\u00edduo\u201d. p. 206<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu me resumo. A proje\u00e7\u00e3o da imagem, sucede constantemente a do desejo. Corre1ativamente, h\u00e1 re-introje\u00e7\u00e3o da imagem e re-introje\u00e7\u00e3o do desejo. Jogo de b\u00e1scula, jogo em espelho. Evidentemente, essa articula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se produz uma \u00fanica vez. Ela se repete. E, ao longo desse ciclo, seus desejos s\u00e3o reintegrados, reassumidos pela crian\u00e7a\u201d. p. 207<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeja como for, se a libido primitiva \u00e9 relativa \u00e0 prematura\u00e7\u00e3o, a libido segunda \u00e9 de outra natureza. Vai al\u00e9m, responde a uma primeira matura\u00e7\u00e3o do desejo, sen\u00e3o do desenvolvimento vital. \u00c9 pelo menos o que devemos supor para que a teoria se sustente e a experi\u00eancia possa ser explicada. H\u00e1 a\u00ed uma mudan\u00e7a total de n\u00edvel na rela\u00e7\u00e3o do ser humano \u00e0 imagem, ao outro. \u00c9 o ponto piv\u00f4 do que se chama matura\u00e7\u00e3o, em torno do qual gira todo drama edipiano. \u00c9 o correlato instintivo do que no \u00c9dipo se passa no plano situacional\u201d. p. 209<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 a ruptura das amarras da palavra que permite ao sujeito ver, pelo menos sucessivamente, as diversas partes da sua imagem, e obter o que podemos chamar uma proje\u00e7\u00e3o narc\u00edsica m\u00e1xima. A an\u00e1lise, a esse respeito, \u00e9 bastante rudimentar ainda, porque consiste no in\u00edcio, \u00e9 preciso diz\u00ea-lo, em soltar tudo, vendo o que isso vai produzir. As coisas teriam podido, poderiam ser levadas de outra forma \u2013 n\u00e3o \u00e9 inconceb\u00edvel. Seja como for, isso s\u00f3 pode tender a produzir ao m\u00e1ximo a revela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica no plano imagin\u00e1rio\u201d. p. 211<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 15<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>218; p. 220-221; p. 224-225; p. 228; p. 230<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNaquele momento, o desejo \u00e9, pelo sujeito, sentido \u2013 n\u00e3o pode s\u00ea-lo sem a conjun\u00e7\u00e3o da palavra. E \u00e9 um momento de pura ang\u00fastia, e nada mais. O desejo emerge numa confronta\u00e7\u00e3o com a imagem. Quando essa imagem, que tinha sido descompletada, se completa, quando a face imagin\u00e1ria que estava n\u00e3o integrada, reprimida, recalcada, surge, ent\u00e3o a ang\u00fastia aparece. \u00c9 o ponto fecundo\u201d. p. 218<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma vez realizado o n\u00famero de voltas necess\u00e1rias para que os objetos do sujeito apare\u00e7am, e sua hist\u00f3ria imagin\u00e1ria seja completada, uma vez que os desejos sucessivos, tension\u00e1rios, suspensos, angustiantes do sujeito estejam nomeados e reintegrados, nem por isso tudo est\u00e1 acabado. O que esteve inicialmente l\u00e1, em O, depois aqui, em O\u2019, depois de novo em O, deve ir se reportar no sistema completado dos s\u00edmbolos. A sa\u00edda mesma da an\u00e1lise o exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde deve parar esse reenvio? Ser\u00e1 que dever\u00edamos levar a interven\u00e7\u00e3o anal\u00edtica at\u00e9 di\u00e1logos fundamentais sobre a justi\u00e7a e a coragem, na grande tradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de resolver, porque, na verdade, o homem contempor\u00e2neo se tornou singularmente in\u00e1bil para abordar esses grandes temas. Prefere resolver as coisas em termos de conduta, de adapta\u00e7\u00e3o, de moral de grupo e outras banalidades. Donde a gravidade do problema que coloca a forma\u00e7\u00e3o humana do analista\u201d. p. 230<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 16<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>236<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 17<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>244-246; p. 248-250<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<\/strong>Para a crian\u00e7a, h\u00e1 inicialmente o simb\u00f3lico e o real, contrariamente ao que se acredita. Tudo que vemos se compor, se enriquecer e se diversificar no registro do imagin\u00e1rio parte desses dois p\u00f3los. Se voc\u00eas acreditam que a crian\u00e7a \u00e9 mais cativa do imagin\u00e1rio que do resto, voc\u00eas t\u00eam raz\u00e3o num certo sentido. O imagin\u00e1rio est\u00e1 l\u00e1. Mas nos \u00e9 absolutamente inacess\u00edvel. Ele s\u00f3 nos \u00e9 acess\u00edvel a partir de suas realiza\u00e7\u00f5es no adulto\u201d. p. 250<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 18<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>251-256; p. 258-259; p. 262-265<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cB\u00e1scula incessante do espelho das ilus\u00f5es que, a cada instante, faz uma volta completa sobre si mesmo \u2013 o sujeito se esgota em perseguir o desejo do outro, que ele n\u00e3o poder\u00e1 nunca apreender como seu desejo pr\u00f3prio, porque o seu desejo pr\u00f3prio \u00e9 o desejo do outro. \u00c9 a si mesmo que ele persegue. A\u00ed reside o drama dessa paix\u00e3o ciumenta, que \u00e9 tamb\u00e9m uma forma da rela\u00e7\u00e3o intersubjetiva imagin\u00e1ria\u201d. p. 253<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAfinal de contas, toda uma parte da experi\u00eancia anal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m disto \u2013 a explora\u00e7\u00e3o dos becos sem sa\u00edda da experi\u00eancia imagin\u00e1ria, dos seus prolongamentos que n\u00e3o s\u00e3o inumer\u00e1veis, porque repousam na estrutura mesma do corpo enquanto define como tal uma topografia concreta. Na hist\u00f3ria do sujeito, ou antes no seu desenvolvimento, aparecem certos momentos fecundos, temporalizados, em que se revelam os diferentes estilos de frustra\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os ocos, as falhas, as hi\u00e2ncias aparecidas no desenvolvimento que definem esses momentos fecundos\u201d. p. 253<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<\/strong>A rela\u00e7\u00e3o do senhor e do escravo \u00e9 um exemplo-limite porque, \u00e9 claro, o registro imagin\u00e1rio em que se desdobra s\u00f3 aparece no limite da nossa experi\u00eancia. A experi\u00eancia anal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 total. \u00c9 definida num outro plano que n\u00e3o o plano imagin\u00e1rio \u2013 o plano simb\u00f3lico\u201d. p. 254<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso faz eco ao meu ouvido tamb\u00e9m. S\u00f3 que, n\u00e3o \u00e9 dessa maneira que concebo o termo anal\u00edtico. A f\u00f3rmula de Freud \u2013\u00a0<em>l\u00e1 onde o isso estava, o eu deve estar<\/em>\u00a0\u2013 \u00e9 entendida de h\u00e1bito segundo uma espacializa\u00e7\u00e3o grosseira, e a reconquista anal\u00edtica do isso se reduz, no final das contas, a um ato de miragem. O ego se v\u00ea num si que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma \u00faltima aliena\u00e7\u00e3o dele mesmo, s\u00f3 que mais aperfei\u00e7oada do que todas as que ele conheceu ate ent\u00e3o\u201d. p. 264<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo 19<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>272-274; p. 276-277<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<\/strong>\u00c9 bem agrad\u00e1vel ver ao mesmo tempo o quanto o autor vai longe e o quanto est\u00e1 embara\u00e7ado. Tudo se passa para ele no n\u00edvel do imagin\u00e1rio. O fundamento da transfer\u00eancia \u00e9, pensa ele, a proje\u00e7\u00e3o, na realidade, de algo que n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. O sujeito exige que seu parceiro seja uma forma, um modelo, do seu pai por exemplo\u201d. p. 273<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo 20<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>280<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c<\/strong>Essa precis\u00e3o \u00e9 que \u00e9 somente no plano do simb\u00f3lico que a fun\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia pode ser compreendida. Em torno desse ponto central, ordena-se todas as manifesta\u00e7\u00f5es nas quais a vemos aparecer-nos e isso at\u00e9 no dom\u00ednio do imagin\u00e1rio\u201d. p. 280<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo 21<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>297; p. 308-309<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara situar as quest\u00f5es que se relacionam a isso, \u00e9 preciso partir do ponto central a que nossa investiga\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica nos levou, a saber, que n\u00e3o se pode dar conta da transfer\u00eancia como de uma rela\u00e7\u00e3o dual, imagin\u00e1ria, e que o motor do seu progresso \u00e9 a palavra\u201d. p. 297<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>\u201cUm tal esquema presentifica a voc\u00eas isto \u2013 \u00e9 somente na dimens\u00e3o do ser, e n\u00e3o na do real, que podem se inscrever as tr\u00eas paix\u00f5es fundamentais \u2013 na jun\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio, essa fenda se voc\u00eas quiserem, essa aresta, que se chama o amor \u2013 na jun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do real, o \u00f3dio \u2013 na jun\u00e7\u00e3o do real e do simb\u00f3lico, a ignor\u00e2ncia\u201d. p. 309<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 5. Cap\u00edtulo 22<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>313-316 ; p. 320-327<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAprendam a distinguir agora o amor, como paix\u00e3o imagin\u00e1ria, do dom ativo que constitui no plano simb\u00f3lico. O amor, o amor daquele que deseja ser amado, \u00e9 essencialmente uma tentativa de capturar o outro em si mesmo, em si mesmo como objeto. A primeira vez que falei longamente do amor narc\u00edsico, era, lembrem-se disto, no prolongamento mesmo da dial\u00e9tica da pervers\u00e3o\u201d. p. 314-315<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 outra forma de abordar o problema da transfer\u00eancia, \u00e9 faz\u00ea-lo a esse n\u00edvel do imagin\u00e1rio, cuja import\u00e2ncia n\u00e3o deixamos de sublinhar aqui. O desenvolvimento relativamente recente da Etologia animal nos permite dar disso uma estrutura\u00e7\u00e3o mais clara que Freud. Mas essa dimens\u00e3o foi nomeada como tal no texto de Freud \u2013\u00a0<em>imaginare<\/em>. Como poderia ele evit\u00e1-lo? Voc\u00eas viram esse ano, na\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo<\/em>, a rela\u00e7\u00e3o do vivente aos objetos que ele deseja, est\u00e1 ligada a condi\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>Gestalt<\/em>\u00a0que situam como tal a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 de modo algum desconhecida na teoria anal\u00edtica, mas introduzi-la apenas para tratar da transfer\u00eancia \u00e9 colocar um tamp\u00e3o em cada orelha, porque ela est\u00e1 presente em todo lugar, e, em particular, quando se trata da identifica\u00e7\u00e3o. Todavia, trata-se de n\u00e3o empreg\u00e1-la a torto e a direito\u201d. p. 320<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo homem, o imagin\u00e1rio \u00e9 reduzido, especializado, centrado na imagem especular, que faz ao mesmo tempo os impasses e a fun\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do eu \u2013 pelo simples fato de que ele \u00e9 imagem, o eu \u00e9 eu ideal \u2013 resume toda a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria no homem. Por se produzir num momento em que as fun\u00e7\u00f5es est\u00e3o ainda inacabadas, ela apresenta um valor salutar, suficientemente expresso na assun\u00e7\u00e3o jubilat\u00f3ria do fen\u00f4meno do espelho, mas n\u00e3o est\u00e1 menos em rela\u00e7\u00e3o com a prematura\u00e7\u00e3o vital e portanto com um\u00a0<em>deficit<\/em>\u00a0original, com uma hi\u00e2ncia \u00e0 qual fica ligada na sua estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa imagem de si, o sujeito a reencontrar\u00e1 sem cessar como o quadro mesmo das suas categorias, da sua apreens\u00e3o do mundo \u2013 objeto, e isso, por interm\u00e9dio do outro. \u00c9 no outro que ele reencontrar\u00e1 sempre o seu eu-ideal, donde se desenvolve a dial\u00e9tica das suas rela\u00e7\u00f5es ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o outro satura, preenche essa imagem, ele se torna objeto de um investimento narc\u00edsico que \u00e9 o da\u00a0<em>Verliebtheit<\/em>, Lembrem-se de Werther encontrando Charlotte no momento em que ela segura nos bra\u00e7os uma crian\u00e7a \u2013 isso cai bem na imago narc\u00edsica do jovem her\u00f3i do romance. Se, ao contr\u00e1rio, na mesma vertente, o outro aparece como frustrando o sujeito do seu ideal e da sua pr\u00f3pria imagem, engendra a tens\u00e3o destrutiva m\u00e1xima. Por um nadinha, a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria ao outro vira num sentido ou num outro, o que d\u00e1 a chave das quest\u00f5es que Freud se coloca a prop\u00f3sito da transforma\u00e7\u00e3o s\u00fabita, na\u00a0<em>Verliebtheit<\/em>, entre o amor e o \u00f3dio\u201d. p. 321-322<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO fen\u00f4meno da transfer\u00eancia encontra a cristaliza\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. Gira em torno dela e deve juntar-se a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em O, situo a no\u00e7\u00e3o inconsciente do eu do sujeito. Esse inconsciente \u00e9 feito do que o sujeito desconhece essencialmente da sua imagem estruturante, da imagem do seu eu \u2013 sejam as cativa\u00e7\u00f5es \u00e0s fixa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias que foram inassimil\u00e1veis ao desenvolvimento simb\u00f3lico da sua hist\u00f3ria \u2013 isso quer dizer que era traum\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na an\u00e1lise, do que se trata? Que o sujeito possa totalizar os diversos acidentes cuja mem\u00f3ria \u00e9 guardada em O, sob uma forma que est\u00e1 fechada ao seu acesso. Ela n\u00e3o se abre sen\u00e3o pela verbaliza\u00e7\u00e3o, quer dizer, pela media\u00e7\u00e3o do outro, seja o analista. \u00c9 pela assun\u00e7\u00e3o falada da sua historia, que o sujeito se engaja na via da realiza\u00e7\u00e3o do seu imagin\u00e1rio truncado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa complementa\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio se realiza no outro, \u00e0 medida que o sujeito o assume no seu discurso, enquanto o faz ouvir pelo outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 do lado de O passa do lado de O\u2019. Tudo o que se profere de A, do lado do sujeito, se faz ouvir em B, do lado do analista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista o ouve, mas, em compensa\u00e7\u00e3o, o sujeito tamb\u00e9m. O eco do seu discurso \u00e9 sim\u00e9trico ao especular da imagem. Essa dial\u00e9tica girat\u00f3ria, que eu represento no esquema por uma espiral, aproxima sempre mais O\u2019 e O. O progresso do sujeito no seu ser deve finalmente lev\u00e1-lo a O, por uma s\u00e9rie de pontos que se repartem entre A e O\u201d. p. 323<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 somente ap\u00f3s ter esbo\u00e7ado, um certo n\u00famero de vezes, sa\u00eddas imagin\u00e1rias para fora da pris\u00e3o do mestre, e isso, segundo certas escans\u00f5es, segundo um certo\u00a0<em>timing<\/em>, \u00e9 somente ent\u00e3o, que o obsedado pode realizar o conceito das suas obsess\u00f5es, quer dizer, o que elas significam\u201d. p. 326<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-fd43da2bea5c3f511 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_fd43da2bea5c3f511\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"fd43da2bea5c3f511\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#fd43da2bea5c3f511\" href=\"#fd43da2bea5c3f511\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 2<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"fd43da2bea5c3f511\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_fd43da2bea5c3f511\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas fica a\u00ed a clivagem entre o plano do imagin\u00e1rio ou do intuitivo \u2013 no qual, com efeito, funciona a reminisc\u00eancia, ou seja, o tipo, a forma eterna, o que tamb\u00e9m se pode denominar intui\u00e7\u00f5es\u00a0<em>a priori<\/em>\u00a0\u2013 e a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que n\u00e3o lhe \u00e9 absolutamente homog\u00eanea, e cuja introdu\u00e7\u00e3o na realidade constitui um for\u00e7amento.\u201d p.28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio justamente que h\u00e1 dois tipos de rela\u00e7\u00e3o com o tempo. A partir do momento em que uma parte do mundo simb\u00f3lico emerge, ela cria, efetivamente, seu pr\u00f3prio passado. Mas n\u00e3o do mesmo jeito que a forma no n\u00edvel intuitivo. \u00c9 justamente na confus\u00e3o dos dois planos que reside o erro, o erro de crer que aquilo que a ci\u00eancia constitui por interm\u00e9dio da interven\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica estava a\u00ed desde sempre, de crer que est\u00e1 dado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este erro existe em todo saber, visto que \u00e9 apenas uma cristaliza\u00e7\u00e3o da atividade simb\u00f3lica, e que, uma vez constitu\u00eddo, ele a esquece. H\u00e1 em todo saber, uma vez constitu\u00eddo, uma dimens\u00e3o de erro, que consiste em esquecer a fun\u00e7\u00e3o criadora da verdade em sua forma nascente. (\u2026) Mas n\u00f3s, analistas, que trabalhamos na dimens\u00e3o desta verdade em estado nascente, n\u00e3o podemos esquec\u00ea-la.\u201d p.29\/30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo III<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara descobrir o complexo de \u00c9dipo, foi preciso examinar primeiro os neur\u00f3ticos, para passar depois a um c\u00edrculo muito mais amplo de indiv\u00edduos. Foi por isto que eu disse que o complexo de \u00c9dipo, com a intensidade fantasi\u00e1stica que nele descobrimos, a import\u00e2ncia e a presen\u00e7a que tem no plano imagin\u00e1rio para o sujeito com o qual lidamos, devia ser concebido como um fen\u00f4meno recente, terminal, e n\u00e3o original, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo de que L\u00e9vi-Strauss nos fala.\u201d p.42.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo III<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPenso poder mostrar que para conceber a fun\u00e7\u00e3o que Freud designa sob o nome de o eu, assim como para ler a metapsicologia freudiana inteira, \u00e9 indispens\u00e1vel servir-se desta distin\u00e7\u00e3o de planos e de rela\u00e7\u00f5es expressa pelos termos de simb\u00f3lico, de imagin\u00e1rio e de real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que serve isso? Isso serve para conservar seu sentido a uma experi\u00eancia simb\u00f3lica particularmente pura, a da an\u00e1lise.\u201d p.53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO eu, em seu aspecto mais essencial, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. Isto \u00e9 uma descoberta da experi\u00eancia e n\u00e3o uma categoria,\u00a0<em>a priori<\/em>, como a do simb\u00f3lico. (\u2026) Dado que somos o eu, n\u00e3o s\u00f3 temos uma experi\u00eancia dela, como ela \u00e9 tanto um guia de nossa experi\u00eancia quanto os diferentes registros que foram chamados guias de vida, isto \u00e9, as sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura fundamental, central, de nossa experi\u00eancia, \u00e9 de ordem propriamente imagin\u00e1ria. E podemos at\u00e9 apreender o quanto esta fun\u00e7\u00e3o no homem j\u00e1 \u00e9 distinta daquilo que ela \u00e9 no conjunto da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reencontramos a fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria na natureza sob mil formas \u2013 trata-se de todas as capta\u00e7\u00f5es gestaltistas ligadas ao cortejamento t\u00e3o essencial \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atra\u00e7\u00e3o sexual no interior da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, a fun\u00e7\u00e3o do eu apresenta no homem caracter\u00edsticas distintas. \u00c9 isso a grande descoberta da an\u00e1lise \u2013 no n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, ligada \u00e0 vida da esp\u00e9cie, o homem j\u00e1 funciona de modo diferente. Nele j\u00e1 h\u00e1 uma fissura, uma perturba\u00e7\u00e3o profunda da rela\u00e7\u00e3o vital. Eis a\u00ed a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o do instinto de morte que Freud introduziu\u201d p.53\/54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGostaria de falar-lhes, da pr\u00f3xima vez, do seguinte \u2013\u00a0<em>o Eu como fun\u00e7\u00e3o e como s\u00edmbolo.<\/em>\u00a0\u00c9 a\u00ed que funciona a ambiguidade. O eu, fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, s\u00f3 interv\u00e9m na vida ps\u00edquica como s\u00edmbolo\u201d p.56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo IV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>\u201cAs resist\u00eancias t\u00eam sempre sua sede, nos ensina a an\u00e1lise, no eu. O que corresponde ao eu \u00e9 a o que por vezes chamo a soma dos preconceitos que comporta todo saber, e que cada um de n\u00f3s carrega individualmente. Trata-se de algo que inclui o que sabemos ou cremos saber \u2013 pois saber \u00e9 sempre, por algum lado, crer saber.\u201d p.58.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-1bb601068a3645160 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_1bb601068a3645160\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"1bb601068a3645160\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#1bb601068a3645160\" href=\"#1bb601068a3645160\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 3<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"1bb601068a3645160\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_1bb601068a3645160\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo 1<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>15-18; p. 20; p. 23-24<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO imagin\u00e1rio, voc\u00eas o viram tamb\u00e9m transparecer pela refer\u00eancia que fiz a etologia animal, isto \u00e9, a suas formas cativantes, ou captadoras, que constituem os trilhos pelos quais o comportamento animal \u00e9 conduzido aos seus fins naturais. O Sr. Pi\u00e9ron, que n\u00e3o esta para n\u00f3s em odor de santidade, intitulou um de seus livros,\u00a0<em>A sensa\u00e7\u00e3o, guia de vida<\/em>. E um bel\u00edssimo t\u00edtulo, mas n\u00e3o sei se ele se aplica tanto \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o quanto o diz, e o conte\u00fado do livro certamente n\u00e3o o confirma. O que \u00e9 exato nessa perspectiva \u00e9 que o imagin\u00e1rio \u00e9 sem d\u00favida guia de vida para todo o campo animal. Se a imagem desempenha igualmente um papel capital no campo que \u00e9 o nosso, esse papel \u00e9 inteiramente retomado, refeito, reanimado pela ordem simb\u00f31ica. A imagem \u00e9 sempre mais ou menos integrada nessa ordem que se define no homem, lembro isso a voc\u00eas, por seu car\u00e1ter de estrutura organizada\u201d. p. 17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o ao corpo pr\u00f3prio caracteriza no homem o campo no fim de contas reduzido, mas verdadeiramente irredut\u00edvel, do imagin\u00e1rio. Se alguma coisa corresponde no homem a fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria tal como ela opera no animal, e tudo o que o relaciona de uma, maneira eletiva, mas sempre t\u00e3o pouco apreens\u00edvel quanto poss\u00edvel, a forma geral de seu corpo em que tal ponto \u00e9 dito zona er\u00f3gena. Essa rela\u00e7\u00e3o, sempre no limite do simb\u00f3lico, s\u00f3 a experi\u00eancia anal\u00edtica permitiu apreend\u00ea-la em suas \u00faltimas inst\u00e2ncias\u201d. p. 20<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAutentificar assim tudo o que no sujeito \u00e9 da ordem do imagin\u00e1rio \u00e9, propriamente falando, fazer da an\u00e1lise a antec\u00e2mara da loucura, e n\u00f3s s\u00f3 temos \u00e9 de ficar admirados que isso n\u00e3o leve a uma aliena\u00e7\u00e3o mais profunda \u2013 sem d\u00favida, esse fato indica bastante que, para ser louco, \u00e9 necess\u00e1rio alguma predisposi\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o alguma condi\u00e7\u00e3o\u201d. p. 23<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo 2<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>30; p. 37<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo falar com voc\u00eas do carro vermelho, eu procurava a esse respeito mostrar-lhes o alcance diferente que pode assumir a cor vermelha, conforme seja ela considerada em seu valor perceptivo, em seu valor imagin\u00e1rio e em seu valor simb\u00f3lico. Nos comportamentos normais tamb\u00e9m, tra\u00e7os at\u00e9 ent\u00e3o neutros, podem assumir um valor\u201d. p. 30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO del\u00edrio, cuja riqueza voc\u00eas ver\u00e3o, apresenta analogias surpreendentes, n\u00e3o apenas por seu conte\u00fado, pelo simbolismo da imagem, mas tamb\u00e9m em sua constru\u00e7\u00e3o, sua pr\u00f3pria estrutura, com certos esquemas que podemos n\u00f3s mesmos ser convocados a extrair de nossa experi\u00eancia\u201d. p. 37<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo 3<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>48; p. 50; p. 52; p. 54<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo isso ser\u00e1 poss\u00edvel? \u00c9 que o eu humano \u00e9 o outro, e que no come\u00e7o o sujeito est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da forma do outro do que do surgimento de sua pr\u00f3pria tend\u00eancia. Ele \u00e9 originariamente cole\u00e7\u00e3o incoerente de desejos \u2013 a\u00ed est\u00e1 o verdadeiro sentido da express\u00e3o\u00a0<em>corpo espeda\u00e7ado<\/em>\u00a0\u2013 e a primeira s\u00edntese do\u00a0<em>ego<\/em>\u00a0\u00e9 essencialmente\u00a0<em>alter ego<\/em>, ela \u00e9 alienada. O sujeito humano desejante se constitui em torno de um centro que \u00e9 o outro na medida em que ele lhe d\u00e1 a sua unidade, e o primeiro acesso que ele tem do objeto, \u00e9 o objeto enquanto objeto do desejo do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso define, no interior da rela\u00e7\u00e3o da fala, alguma coisa que prov\u00e9m de uma outra origem \u2013 e exatamente a distin\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio e do real. Uma alteridade primitiva esta inclusa no objeto, na medida em que ele e primitivamente objeto de rivalidade e de concorr\u00eancia. Ele s\u00f3 interessa enquanto objeto do desejo do outro\u201d. p. 50<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00eas j\u00e1 devem ver a diferen\u00e7a de n\u00edvel que h\u00e1 entre a aliena\u00e7\u00e3o como forma geral do imagin\u00e1rio e a aliena\u00e7\u00e3o na psicose. N\u00e3o se trata simplesmente de identifica\u00e7\u00e3o e do cen\u00e1rio vacilante do lado do outro com min\u00fascula. Desde que o sujeito fala, h\u00e1 o Outro com A mai\u00fasculo. Sem isso, n\u00e3o haveria problema da psicose. Os psic\u00f3ticos seriam m\u00e1quinas de fala\u201d. p. 52<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo 4<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>58; p. 63-66; p. 68<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNossa paciente n\u00e3o diz que \u00e9 um outro qualquer atr\u00e1s dela que fala, ela recebe dele sua pr\u00f3pria fala, mas n\u00e3o invertida, sua pr\u00f3pria fala est\u00e1 no outro que \u00e9 ela mesma, o outro com min\u00fascula, seu reflexo no seu espelho, seu semelhante.\u00a0<em>Porca<\/em>\u00a0\u00e9 replicado toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1 e n\u00e3o se sabe mais o que vem primeiro\u201d. p. 64<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE depois h\u00e1 a significa\u00e7\u00e3o, que remete sempre a significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro, o significante pode ser tomado a\u00ed a partir do momento em que voc\u00eas d\u00e3o a ele uma significa\u00e7\u00e3o, em que voc\u00eas criam um outro significante enquanto significante, alguma coisa nesta fun\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que se pode falar da linguagem. Mas a partilha significante-significado sempre se reproduzir\u00e1. Que a significa\u00e7\u00e3o seja da natureza do imagin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 duvidoso. Ela \u00e9, como o imagin\u00e1rio, no fim das contas sempre evanescente, pois est\u00e1 estritamente ligada ao que lhes interessa, isto \u00e9, \u00e0quilo a que voc\u00eas est\u00e3o presos\u201d. p. 66<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 v\u00e1rias alteridades poss\u00edveis, e veremos como estas se manifestam em um del\u00edrio completo como o de Schreber. H\u00e1 em primeiro lugar o dia e a noite, o sol e a lua, as coisas que voltam sempre ao mesmo lugar, e a que Schreber chama a ordem natural do mundo. H\u00e1 a alteridade do Outro que corresponde ao S, isto \u00e9, o Outro com mai\u00fascula, sujeito que n\u00e3o \u00e9 conhecido por n\u00f3s, o Outro que \u00e9 da natureza do simb\u00f3lico, o Outro ao qual nos dirigimos para al\u00e9m do que se v\u00ea. No meio, h\u00e1 os objetos. E depois, no n\u00edvel de S, h\u00e1 alguma coisa que \u00e9 da dimens\u00e3o do imagin\u00e1rio, o eu e o corpo, espeda\u00e7ado ou n\u00e3o, mas antes espeda\u00e7ado\u201d. p. 68<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 5<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>75; p. 77-78; p. 81-85<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA quest\u00e3o que se coloca \u00e9 a de saber se nos encontramos diante de um mecanismo propriamente psic\u00f3tico que seria imagin\u00e1rio e que iria da primeira entrevis\u00e3o de uma identifica\u00e7\u00e3o e de uma captura na imagem feminina, at\u00e9 o desabrochar de um sistema do mundo em que o sujeito est\u00e1 completamente absorvido em sua imagina\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o feminina\u201d. p. 77<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) a rela\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica, em seu grau \u00faltimo de desenvolvimento, comporta a introdu\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica fundamental do engano numa dimens\u00e3o, se podemos assim dizer, transversal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela da rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica. O sujeito pode falar ao Outro na medida em que com ele se trata de f\u00e9 ou de fingimento, mas \u00e9 aqui \u2013 na dimens\u00e3o de um imagin\u00e1rio submetido, caracter\u00edstica fundamental do imagin\u00e1rio \u2013 que se produz, como um fen\u00f4meno passivo, como uma experi\u00eancia vivida do sujeito, este exerc\u00edcio permanente do engano capaz de subverter qualquer que seja a ordem, m\u00edtica ou n\u00e3o, no pr\u00f3prio pensamento. O que faz com que o mundo, como voc\u00eas v\u00e3o v\u00ea-lo ser desenvolvido no discurso do sujeito, se transforme no que chamamos uma fantasmagoria, mas que \u00e9, para ele, o que h\u00e1 de mais certo de seu vivido, e esse jogo de engano que ele mant\u00e9m, n\u00e3o com um outro que seria semelhante a ele, mas com esse ser primeiro, garante mesmo do real\u201d. p. 84<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 6<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>95; p. 100; p. 104-105<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sujeito, por n\u00e3o poder restabelecer de maneira alguma a pacto do sujeito com o outro, por n\u00e3o poder fazer uma media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica qualquer entre o que \u00e9 o novo e ele pr\u00f3prio, entra em outro modo de media\u00e7\u00e3o, completamente diferente do primeiro, substituindo a media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica por um formigamento, por uma prolifera\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, nos quais se introduz, de maneira deformada, e profundamente a-simb\u00f3lica, o sinal central de uma media\u00e7\u00e3o poss\u00edvel\u201d. p. 104<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o mundo e uma rela\u00e7\u00e3o em espelho. O mundo do sujeito vai se compor essencialmente da rela\u00e7\u00e3o com esse ser que \u00e9 para ele o outro, isto e, o pr\u00f3prio Deus. Alguma coisa ali \u00e9 pretensamente produzida, da rela\u00e7\u00e3o de homem a mulher. Mas voc\u00eas ver\u00e3o, quando estudarmos pormenorizadamente esse del\u00edrio, que, muito pelo contr\u00e1rio, as duas personagens, isto \u00e9, Deus com tudo o que ele comporta, o universo, a esfera celeste, e o pr\u00f3prio Schreber de outro lado, enquanto literalmente decomposto em uma multid\u00e3o de seres imagin\u00e1rios que prosseguem os seus vaiv\u00e9ns e transfixa\u00e7\u00f5es diversas, s\u00e3o duas estruturas que se revezam rigorosamente. Elas desenvolvem de uma forma muito atraente para n\u00f3s, o que sempre e elidido, velado, domesticado, na vida do homem normal, a saber: a dial\u00e9tica do corpo espeda\u00e7ado em rela\u00e7\u00e3o ao universo imagin\u00e1rio, que \u00e9 subjacente na estrutura normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo do del\u00edrio de Schreber tem o interesse eminente de nos permitir discernir de maneira desenvolvida a dial\u00e9tica imagin\u00e1ria. Se ela se distingue manifestamente de tudo o que podemos pressupor de uma rela\u00e7\u00e3o instintiva, natural, \u00e9 em virtude de uma estrutura gen\u00e9rica que marcamos na origem, e que \u00e9 a do est\u00e1dio do espelho. Essa estrutura faz antecipadamente, do mundo imagin\u00e1rio do homem, alguma coisa de decomposto. N\u00f3s o encontramos aqui em seu estado desenvolvido, e \u00e9 um dos interesses da an\u00e1lise do del\u00edrio como tal. Os analistas sempre o sublinharam, o del\u00edrio nos mostra o jogo das fantasias em seu car\u00e1ter absolutamente desenvolvido de duplicidade. As duas personagens \u00e0s quais o mundo se reduz para o presidente Schreber s\u00e3o feitas uma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra, uma oferece \u00e0 outra sua imagem invertida\u201d. p. 104-105<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 7<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>107-108; p. 110-119<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQue no\u00e7\u00e3o podemos nos dar do narcisismo a partir do nosso trabalho? Consideramos a rela\u00e7\u00e3o do narcisismo como a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria central para a rela\u00e7\u00e3o inter-humana. O que cristalizou a experi\u00eancia do analista em torno dessa no\u00e7\u00e3o? Foi antes de mais nada sua ambiguidade. \u00c9, com efeito, uma rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica \u2013 toda identifica\u00e7\u00e3o er\u00f3tica, toda apreens\u00e3o do outro pela imagem numa rela\u00e7\u00e3o de cativa\u00e7\u00e3o er\u00f3tica, se faz pela via da rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica \u2013 e \u00e9 tamb\u00e9m a base da tens\u00e3o agressiva\u201d. p. 110<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 exatamente para isso que serve o est\u00e1dio do espelho. Ele p\u00f5e em evid\u00eancia a natureza dessa rela\u00e7\u00e3o agressiva e o que ela significa. Se a rela\u00e7\u00e3o agressiva interv\u00e9m nesta forma\u00e7\u00e3o chamada o eu, \u00e9 que ela a constitui, \u00e9 que o eu \u00e9 desde j\u00e1 por si mesmo um outro, que ele se instaura numa dualidade interna ao sujeito. O eu \u00e9 esse mestre que o sujeito encontra num outro, e que se instaura em sua fun\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio no cerne de si mesmo. Se em toda rela\u00e7\u00e3o, mesmo er\u00f3tica, com o outro, h\u00e1 algum eco dessa rela\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o,<em>\u00a0\u00e9 ele ou eu<\/em>, \u00e9 que, no plano imagin\u00e1rio, o sujeito humano \u00e9 assim constitu\u00eddo de forma que o outro est\u00e1 sempre prestes a retomar seu lugar de dom\u00ednio em rela\u00e7\u00e3o a ele, que nele h\u00e1 um eu que sempre \u00e9 em parte estranho a ele, senhor implantado nele acima do conjunto de suas tend\u00eancias, de seus comportamentos, de seus instintos, de suas puls\u00f5es. Eu n\u00e3o fa\u00e7o aqui nada mais que exprimir, de uma maneira um pouco mais rigorosa e que p\u00f5e em evid\u00eancia o paradoxo, o fato de que h\u00e1 conflitos entre as puls\u00f5es e o eu, e que \u00e9 preciso fazer uma escolha\u201d. p. 110-111<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa imagem \u00e9 funcionalmente essencial no homem, na medida em que lhe d\u00e1 o complemento ortop\u00e9dico dessa insufici\u00eancia nativa, desse desconcerto, ou desacordo constitutivo, ligado \u00e0 sua prematura\u00e7\u00e3o no nascimento. Sua unifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 jamais completa porque e feita precisamente por uma via alienante, sob a forma de uma imagem estranha, que constitui uma fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica original. A tens\u00e3o agressiva desse\u00a0<em>eu ou o outro<\/em>\u00a0est\u00e1 absolutamente integrada a toda esp\u00e9cie de funcionamento imagin\u00e1rio no homem\u201d. p. 113<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAgora que voc\u00eas t\u00eam na cabe\u00e7a a fun\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica voc\u00eas estar\u00e3o mais sens\u00edveis a esta verdadeira invas\u00e3o imagin\u00e1ria da subjetividade a que Schreber nos faz assistir. H\u00e1 uma dominante totalmente surpreendente da rela\u00e7\u00e3o em espelho, uma impressionante dissolu\u00e7\u00e3o do outro enquanto identidade. Todas as personagens de que ele fala \u2013 a partir do momento em que o faz, pois h\u00e1 um tempo longo em que ele n\u00e3o pode falar, e voltaremos sobre a significa\u00e7\u00e3o desse tempo \u2013 s\u00e3o repartidas em duas categorias que s\u00e3o apesar de tudo um mesmo lado de uma certa fronteira. H\u00e1 os que em apar\u00eancia vivem, se deslocam, seus guardas, seus enfermeiros, e que s\u00e3o\u00a0<em>sombras de homens atamancados \u00e0s tr\u00eas pancadas<\/em>, como disse Pichon, que est\u00e1 na origem dessa tradu\u00e7\u00e3o, e depois h\u00e1 as personagens mais importantes que invadem o corpo de Schreber, s\u00e3o as almas, a maior parte das almas, e quanto maior o seu n\u00famero mais s\u00e3o afinal de contas os mortos\u201d. p. 115<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 8<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>124-126; p. 131; p. 133<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu digo coisas maci\u00e7as. No caso das neuroses o recalcado reaparece\u00a0<em>in loco<\/em>, ali onde foi recalcado, isto \u00e9, no meio mesmo dos s\u00edmbolos, na medida em que o homem se integra a ele e nele participa como agente e como ator. Ele reaparece\u00a0<em>in loco<\/em>\u00a0sob uma m\u00e1scara. O recalcado na psicose, se sabemos ler Freud, reaparece num outro lugar,\u00a0<em>in altero<\/em>, no imagin\u00e1rio, e a\u00ed com efeito sem m\u00e1scara. Isso \u00e9 absolutamente claro, n\u00e3o \u00e9 nem novo, nem heterodoxo, \u00e9 preciso apenas perceber que \u00e9 o ponto principal. Isso est\u00e1 longe de resolver definitivamente a quest\u00e3o, no momento em que Freud p\u00f5e o ponto final em seu estudo sobre Schreber. \u00c9 ao contr\u00e1rio, a partir da\u00ed que os problemas come\u00e7am a ser postos\u201d. p. 124<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 9<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>140-141; p. 143-144; p. 149<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s sabemos bem que o paran\u00f3ico, \u00e0 medida que ele avan\u00e7a, repensa retroativamente seu passado e encontra at\u00e9 nos anos mais recuados a origem das persegui\u00e7\u00f5es cujo alvo \u00e9 ele. Ele tem algumas vezes a maior dificuldade em situar um acontecimento, e sente-se bem sua tend\u00eancia a projetar isso por um jogo de espelhos num passado que se torna ele pr\u00f3prio bastante indeterminado, um passado de retorno eterno, como Schreber o escreve. Mas o essencial n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed. Um escrito t\u00e3o extenso quanto o do presidente Schreber conserva um valor absoluto uma vez que supomos uma solidariedade cont\u00ednua e profunda dos elementos significantes, do in\u00edcio ao fim do del\u00edrio. Numa palavra, a ordena\u00e7\u00e3o final do del\u00edrio nos permite entender os elementos prim\u00e1rios que estavam em jogo \u2013 podemos em todos os casos legitimamente procur\u00e1-los\u201d. p. 140-141<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 10<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>157; p. 162<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo 11<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>168-172; p. 179<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1, portanto,\u00a0<em>ego<\/em>\u00a0sem esse g\u00eameo, digamos, cheio de del\u00edrio. Nosso paciente, que de vez em quando nos fornece imagens preciosas, diz-se num momento ser\u00a0<em>um cad\u00e1ver leproso que arrasta atr\u00e1s de si um outro cad\u00e1ver leproso<\/em>. Bela imagem efetivamente para o eu, pois h\u00e1 no eu algo fundamentalmente morto, e sempre duplicado por esse g\u00eameo, que \u00e9 o discurso. A quest\u00e3o que nos colocamos \u00e9 esta: esse duplo que faz com que o eu nunca seja sen\u00e3o a metade do eu, como \u00e9 poss\u00edvel que ele se torne falante? Quem fala?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o outro cuja fun\u00e7\u00e3o de reflexo eu lhes expus na dial\u00e9tica do narcisismo, o outro da parte imagin\u00e1ria da dial\u00e9tica do senhor e do escravo que fomos procurar no transitivismo infantil, no jogo de distin\u00e7\u00e3o em que se exerce a integra\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>socius<\/em>, o outro que se concebe t\u00e3o bem pela a\u00e7\u00e3o captante da imagem total no semelhante? \u00c9 justamente esse outro-reflexo, esse outro imagin\u00e1rio, esse outro que \u00e9 para n\u00f3s muito semelhante na medida em que ele nos d\u00e1 a nossa pr\u00f3pria imagem, em que nos capta pela apar\u00eancia, em que nos fornece a proje\u00e7\u00e3o de nossa totalidade, \u00e9 ele quem fala?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma quest\u00e3o que vale a pena ser colocada. N\u00f3s a resolvemos implicitamente cada vez que falamos do mecanismo da proje\u00e7\u00e3o\u201d. p. 168-169<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso n\u00e3o seria porque na ordem do imagin\u00e1rio n\u00e3o h\u00e1 meio de dar uma significa\u00e7\u00e3o precisa ao termo narcisismo? Na ordem do imagin\u00e1rio, aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 constituinte. A aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 o imagin\u00e1rio enquanto tal. N\u00e3o h\u00e1 nada a esperar do modo de abordagem da psicose no plano imagin\u00e1rio, pois que o mecanismo imagin\u00e1rio \u00e9 o que d\u00e1 a sua forma \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica, mas n\u00e3o a sua din\u00e2mica\u201d. p. 169-170<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 12<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>185-192; p. 195-197<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEntre S e A, a fala fundamental que a an\u00e1lise deve revelar, temos a deriva\u00e7\u00e3o do circuito imagin\u00e1rio, que resiste \u00e0 passagem daquela. Os p\u00f3los imagin\u00e1rios do sujeito,\u00a0<em>a\u00a0<\/em>e<em>\u00a0a<\/em>\u2018, recobrem a rela\u00e7\u00e3o dita especular, a do est\u00e1dio do espelho. O sujeito, na corporeidade e na multiplicidade de seu organismo, em seu espeda\u00e7amento natural, que est\u00e1 em\u00a0<em>a\u2019<\/em>, Se refere a essa unidade imagin\u00e1ria que \u00e9 o eu,\u00a0<em>a<\/em>, onde ele se conhece e se desconhece, e que \u00e9 aquilo de que ele fala \u2013 ele n\u00e3o sabe a quem, j\u00e1 que n\u00e3o sabe tampouco quem nele fala\u201d. p. 185-186<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA teoria cl\u00e1ssica da imagem e da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 evidentemente de uma insufici\u00eancia surpreendente. No fim de contas, esse dom\u00ednio \u00e9 insond\u00e1vel. Se fizemos progressos not\u00e1veis na sua fenomenologia, estamos longe de domin\u00e1-lo. Se a an\u00e1lise permitiu descobrir o problema da imagem em seu valor formador, que se confunde com o problema das origens, e mesmo o da ess\u00eancia da vida, \u00e9 certamente dos bi\u00f3logos e dos etiologistas que \u00e9 preciso esperar progressos. Se o invent\u00e1rio anal\u00edtico permite mostrar certos tra\u00e7os de economia essenciais da fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, a quest\u00e3o nem por isso est\u00e1 esgotada\u201d. p. 190<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 13<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>198-204<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFreud coloca o eu em rela\u00e7\u00e3o com o car\u00e1ter fantasm\u00e1tico do objeto. Quando ele escreve que o eu tem o privil\u00e9gio do exerc\u00edcio, da prova da realidade, que \u00e9 ele que atesta para o sujeito a realidade, o contexto n\u00e3o \u00e9 duvidoso \u2013 o eu a\u00ed est\u00e1 como uma miragem, o que Freud chamou o ideal do eu. Sua fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de objetividade, e sim a de ilus\u00e3o, ela \u00e9 fundamentalmente narc\u00edsica, e \u00e9 a partir dela que o sujeito d\u00e1 a nota da realidade a seja o que for\u201d. p. 199<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA quest\u00e3o de saber onde est\u00e1 o eu de Dora fica assim resolvida \u2013 o eu de Dora \u00e9 o Sr. K. A fun\u00e7\u00e3o preenchida no esquema do est\u00e1dio do espelho pela imagem especular, em que o sujeito situa seu sentido para se reconhecer, onde pela primeira vez ele situa o seu eu, esse ponto externo de identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria \u00e9 no Sr. K. que Dora o coloca. \u00c9 na medida em que ela \u00e9 o Sr. K. que todos os seus sintomas adquirem o seu sentido definido\u201d. p. 200<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1, propriamente, diremos n\u00f3s, simboliza\u00e7\u00e3o do sexo da mulher como tal. Em todo o caso, a simboliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma, n\u00e3o tem a mesma fonte, n\u00e3o tem o mesmo modo de acesso que a simboliza\u00e7\u00e3o do sexo do homem. E isso, porque o imagin\u00e1rio fornece apenas uma aus\u00eancia, ali onde alhures h\u00e1 um s\u00edmbolo muito prevalente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a preval\u00eancia da\u00a0<em>Gestalt<\/em>\u00a0f\u00e1lica que, na realiza\u00e7\u00e3o do complexo ed\u00edpico, for\u00e7a a mulher a tomar emprestado um desvio atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o com o pai, e portanto a seguir durante um tempo os mesmos caminhos que o menino. O acesso da mulher ao complexo ed\u00edpico, sua identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, se faz passando pelo pai, exatamente como no menino, em virtude da preval\u00eancia da forma imagin\u00e1ria do falo, mas na medida em que esta \u00e9 ela pr\u00f3pria tomada como o elemento simb\u00f3lico central do \u00c9dipo\u201d. p. 201<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNesse cruzamento rec\u00edproco do imagin\u00e1rio e do simb\u00f3lico, reside a fonte da fun\u00e7\u00e3o essencial desempenhada pelo eu na estrutura\u00e7\u00e3o da neurose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Dora se v\u00ea interrogar a si mesma sobre\u00a0<em>o que e uma mulher<\/em>?, ela tenta simbolizar o \u00f3rg\u00e3o feminino como tal. Sua identifica\u00e7\u00e3o com o homem, portador do p\u00eanis, \u00e9 para ela, nessa ocasi\u00e3o, um meio de aproximar-se dessa defini\u00e7\u00e3o que lhe escapa. O p\u00eanis lhe serve literalmente de instrumento imagin\u00e1rio para apreender o que ela n\u00e3o consegue simbolizar\u201d. p. 203<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 14<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>217; p. 219-222<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 15<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>224-225; p. 233<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe a imagem captadora e desmedida, se a personagem em quest\u00e3o se manifesta simplesmente na ordem da pot\u00eancia, e n\u00e3o na do pacto, e uma rela\u00e7\u00e3o de rivalidade que aparece, a agressividade, o temor etc. Na medida em que a rela\u00e7\u00e3o permanece no plano imagin\u00e1rio, dual e desmedido, ele n\u00e3o tem a significa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o rec\u00edproca que o afrontamento especular comporta, mas a outra fun\u00e7\u00e3o, que \u00e9 aquela da captura imagin\u00e1ria. A imagem adquire em si mesma e logo de sa\u00edda a fun\u00e7\u00e3o sexualizada, sem ter necessidade de nenhum intermedi\u00e1rio, de nenhuma identifica\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e nem com quem quer que seja. O sujeito adota ent\u00e3o essa posi\u00e7\u00e3o intimidada que observamos no peixe ou no lagarto. A rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria se instaura sozinha, num plano que n\u00e3o tem nada de t\u00edpico, que \u00e9 desumanizante, porque n\u00e3o deixa lugar para a rela\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o rec\u00edproca que permite fundar a imagem do eu na \u00f3rbita que d\u00e1 o modelo do outro, mais acabado\u201d. p. 233<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 16<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>238; p. 241-243<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso fica na penumbra, mas nossa experi\u00eancia das categorias anal\u00edticas nos permite nos referenciarmos a\u00ed. Trata-se de alguma coisa que tem essencialmente rela\u00e7\u00e3o com as origens do eu, com o que \u00e9 para o sujeito a elipse de seu ser, com essa imagem em que ele se reflete sob o nome de eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa problem\u00e1tica se insere entre a imagem do eu e essa imagem encarecida, cumulada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira, a do grande Outro, a imago paterna, enquanto ela instaura a dupla perspectiva, no interior do sujeito, do eu e do ideal do eu, para n\u00e3o falar, nessa circunst\u00e2ncia, do superego. Temos a impress\u00e3o de que \u00e9 na medida em que ele n\u00e3o conseguiu, ou perdeu esse Outro, que ele encontra o outro puramente imagin\u00e1rio, o outro diminu\u00eddo e deca\u00eddo com o qual n\u00e3o pode ter outras rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o as de frustra\u00e7\u00e3o \u2013 esse outro o nega, literalmente o mata. Esse outro \u00e9 o que h\u00e1 de mais radical na aliena\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria\u201d. p. 238<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNormalmente, a conquista da realiza\u00e7\u00e3o ed\u00edpica, a integra\u00e7\u00e3o e a introje\u00e7\u00e3o da imagem ed\u00edpica, se faz pela via \u2013 Freud nos disse isso sem ambiguidade \u2013 da rela\u00e7\u00e3o agressiva. Em outros termos, \u00e9 pela via de um conflito imagin\u00e1rio que se faz a integra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma via de uma outra natureza. A experi\u00eancia etnol\u00f3gica nos mostra a import\u00e2ncia, por mais residual que seja, do fen\u00f4meno da\u00a0<em>couvade<\/em>\u00a0\u2013 a realiza\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria se faz aqui pela atualiza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da conduta. N\u00e3o \u00e9 algo dessa natureza que pudemos situar na neurose? A gravidez do hist\u00e9rico descrita por Eissler, que se produz em consequ\u00eancia de uma ruptura traum\u00e1tica de seu equil\u00edbrio, n\u00e3o \u00e9 imagin\u00e1ria, mas bem simb\u00f3lica\u201d. p. 242<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 18<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>259-260<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo 19<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>273-275<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHa o outro enquanto imagin\u00e1rio. \u00c9 na rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria com o outro que se instaura a tradicional\u00a0<em>Selbst-Bewusstsein<\/em>\u00a0ou consci\u00eancia de si. N\u00e3o \u00e9 de maneira alguma nesse sentido que pode realizar-se a unidade do sujeito. O eu nem mesmo \u00e9 o lugar, a indica\u00e7\u00e3o, o ponto de reuni\u00e3o, o centro organizador do sujeito, \u00e9 profundamente dissim\u00e9trico a ele. Embora seja nesse sentido que ele vai come\u00e7ar por fazer compreender a dial\u00e9tica freudiana \u2013 n\u00e3o posso de maneira alguma esperar minha realiza\u00e7\u00e3o e minha unidade do reconhecimento de um outro que est\u00e1 preso comigo numa rela\u00e7\u00e3o de miragem\u201d. p. 274<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe ainda fosse preciso confirmar isso, ter\u00edamos somente de observar de que maneira se prepara a t\u00e9cnica da transfer\u00eancia. Tudo se faz para evitar a rela\u00e7\u00e3o de eu a eu, a miragem imagin\u00e1ria que poderia estabelecer-se com o analista. O sujeito n\u00e3o est\u00e1 face a face com o analista. Tudo \u00e9 feito para que tudo se apague de uma rela\u00e7\u00e3o dual, de semelhante a semelhante\u201d. p. 275<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 20<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>281; p. 286-290<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLogo, somos conduzidos aqui a esta distin\u00e7\u00e3o, que serve de trama a tudo o que temos at\u00e9 o momento deduzido da pr\u00f3pria estrutura\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u2013 a saber, o que chamei o outro com min\u00fascula e o Outro absoluto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro, o outro com um\u00a0<em>a<\/em>\u00a0min\u00fasculo, e o outro imagin\u00e1rio, a alteridade em espelho, que nos faz depender da forma de nosso semelhante. O segundo, o Outro absoluto, \u00e9 aquele ao qual n\u00f3s nos dirigimos para al\u00e9m desse semelhante, aquele que somos for\u00e7ados a admitir para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o da miragem, aquele que aceita ou que se recusa na nossa presen\u00e7a, aquele que na ocasi\u00e3o nos engana, do qual n\u00e3o podemos jamais saber se ele n\u00e3o nos engana, aquele ao qual sempre nos endere\u00e7amos. Sua exist\u00eancia \u00e9 tal que o fato, de se endere\u00e7ar a ele, de ter com ele como que uma linguagem, \u00e9 mais importante que tudo o que pode ser uma aposta entre ele e n\u00f3s\u201d. p. 286-287<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 21<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>295-296; p. 303<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 23<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>330<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 preciso um efeito de retorno a fim de que o fato de copular para o homem receba o sentido que ele tem realmente, mas ao qual nenhum acesso imagin\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel, o de que a crian\u00e7a seja tanto dele quanto da m\u00e3e. E para que esse efeito de a\u00e7\u00e3o em retorno se produza, \u00e9 preciso que a elabora\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>ser pai<\/em>\u00a0tenha sido, por meio de um trabalho que se produziu por todo um jogo de trocas culturais, levada ao estado de significante primeiro, e que esse significante tenha sua consist\u00eancia e seu estatuto. O sujeito pode muito bem saber que copular est\u00e1\u00a0<em>realmente<\/em>\u00a0na origem de procriar, mas a fun\u00e7\u00e3o de procriar enquanto significante \u00e9 outra coisa\u201d. p. 330<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO presidente Schreber est\u00e1 falto, segundo o que se sabe, deste significante fundamental que se chama\u00a0<em>ser pai<\/em>. Por isso \u00e9 preciso que ele cometa um erro, que ele se embrulhe, at\u00e9 pensar estar ele pr\u00f3prio prenhe como uma mulher. Foi preciso que ele pr\u00f3prio se imaginasse mulher, e realizar numa gravidez a segunda parte do caminho necess\u00e1rio para que, adicionando-se um ao outro, a fun\u00e7\u00e3o ser pai seja realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da\u00a0<em>couvade<\/em>, por mais problem\u00e1tica que nos pare\u00e7a, pode ser situada como uma assimila\u00e7\u00e3o incerta, incompleta da fun\u00e7\u00e3o\u00a0<em>ser pai<\/em>. Ela responde com efeito a uma necessidade de realizar imaginariamente \u2013 ou ritualmente, ou de outra forma \u2013 a segunda parte do caminho\u201d. p. 330<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 24<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>340-341; p. 343<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO reconhecimento do outro n\u00e3o constitui uma passagem inacess\u00edvel, pois que tamb\u00e9m vimos que a alteridade evanescente da identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do eu n\u00e3o encontra o tu sen\u00e3o num momento limite onde nenhum dos dois poder\u00e1 subsistir junto com o outro. O Outro, com A mai\u00fasculo, \u00e9 preciso realmente que ele seja reconhecido al\u00e9m dessa rela\u00e7\u00e3o, mesmo rec\u00edproca, de exclus\u00e3o, \u00e9 preciso que, nessa rela\u00e7\u00e3o evanescente, seja reconhecido como t\u00e3o impeg\u00e1vel quanto eu. Em outros termos, \u00e9 preciso que ele seja invocado como aquilo que dele pr\u00f3prio ele n\u00e3o conhece. \u00c9 justamente o sentido de\u00a0<em>tu \u00e9s aquele que me seguir\u00e1s<\/em>\u201d. p. 341<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>assassinato d\u2019almas<\/em>]\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse fen\u00f4meno, que \u00e9 para ele o sinal de entrada na psicose, pode tomar para n\u00f3s, comentadores-analistas, toda esp\u00e9cie de significa\u00e7\u00f5es, mas o \u00fanico lugar em que ele pode ser colocado \u00e9 no campo imagin\u00e1rio. Ele se relaciona com o curto-circuito da rela\u00e7\u00e3o afetiva, que faz do outro um ser de puro desejo, o qual n\u00e3o pode ser por consequ\u00eancia, no registro do imagin\u00e1rio humano, sen\u00e3o um ser de pura interdestrui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 a\u00ed uma rela\u00e7\u00e3o puramente dual, que \u00e9 a fonte mais radical do pr\u00f3prio registro da agressividade. Freud, ali\u00e1s, n\u00e3o deixou de perceber isso, mas ele o comentou no registro homossexual. Esse texto nos traz mil provas do que eu avan\u00e7o, e isso \u00e9 perfeitamente coerente com nossa defini\u00e7\u00e3o da fonte da agressividade, e seu surgimento quando se acha curto-circuitada a rela\u00e7\u00e3o triangular, edipiana, quando esta \u00e9 reduzida a sua simplifica\u00e7\u00e3o dual\u201d. p. 343<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo 25<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>349-350; p. 352-354; p. 356-358; p. 360; p. 362<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA amplia\u00e7\u00e3o do eu do sujeito \u00e1s dimens\u00f5es do mundo e um fato de economia libidinal que se acha aparentemente todo no plano imagin\u00e1rio. O sujeito que se torna o objeto do amor do ser supremo pode por\u2019 consequ\u00eancia abandonar o que lhe parecia a primeira vista o mais precioso do que ele devia salvar, a saber, a marca de sua virilidade\u201d. p. 350<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o pode tratar-se pura e simplesmente de elementos imagin\u00e1rios. O que se reconhece no imagin\u00e1rio sob a forma da m\u00e3e f\u00e1lica n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, todos voc\u00eas sabem disso, ao complexo de castra\u00e7\u00e3o, na medida em que este esta integrado a situa\u00e7\u00e3o triangular do \u00c9dipo. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 completamente elucidada por Freud, mas, s\u00f3 pelo fato de sempre ser mantida ela est\u00e1 ali para se prestar a uma elucida\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se reconhecemos que o terceiro, central para Freud, que \u00e9 o pai, tem um elemento significante, irredut\u00edvel a toda esp\u00e9cie de condicionamento imagin\u00e1rio\u201d. p. 354<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOra, se trocas afetivas, imagin\u00e1rias, se estabelecem entre a m\u00e3e e a crian\u00e7a em torno da falta imagin\u00e1ria do falo, o que \u00e9 seu elemento essencial da coapta\u00e7\u00e3o intersubjetiva, o pai, na dial\u00e9tica freudiana, tem o seu, \u00e9 tudo, ele n\u00e3o o troca nem o d\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 circula\u00e7\u00e3o alguma. O pai n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o alguma no trio, exceto a de representar o portador, o detentor do falo \u2013 um ponto, \u00e9 tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros termos, \u00e9 o que, na dial\u00e9tica imagin\u00e1ria, deve existir para que o falo seja outra coisa que um meteoro\u201d. p. 358<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-cb6eb73872b4f7f21 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_cb6eb73872b4f7f21\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"cb6eb73872b4f7f21\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#cb6eb73872b4f7f21\" href=\"#cb6eb73872b4f7f21\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 4<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"cb6eb73872b4f7f21\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_cb6eb73872b4f7f21\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p.24; p.27; p.28 ; p. 29 ; p.30 p. 33; p. 34 ; p. 35; p.36; p. 37 p. 38; p. 39<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO objeto \u00e9 imagin\u00e1rio. A castra\u00e7\u00e3o de que se trata \u00e9 sempre a de um objeto imagin\u00e1rio. \u00c9 essa comunidade que existe entre o car\u00e1ter imagin\u00e1rio da falta na frustra\u00e7\u00e3o e o car\u00e1ter imagin\u00e1rio do objeto da castra\u00e7\u00e3o, o fato da castra\u00e7\u00e3o ser uma falta imagin\u00e1ria do objeto, que nos facilitou crer que a frustra\u00e7\u00e3o nos permitiria alcan\u00e7ar bem mais facilmente ao centro dos problemas.\u201d p. 37<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 41; p. 45; p. 49; p. 53; p. 54; p. 56 p. 57- 58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA introdu\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio, tornada t\u00e3o prevalente desde ent\u00e3o, s\u00f3 se produz a partir do artigo sobre o narcisismo, s\u00f3 se articula \u00e0 iraria da sexualidade em 1915, s\u00f3 se formula a prop\u00f3sito da fase f\u00e1lica em 1920, mas se afirma ent\u00e3o de uma maneira t\u00e3o categ\u00f3rica que desde essa \u00e9poca se apresenta perturbadora, e mergulha toda a audi\u00eancia anal\u00edtica na perplexidade, de tal modo que foi com refer\u00eancia ao \u00c9dipo que se situou a dial\u00e9tica chamada, na \u00e9poca, pr\u00e9-genital, e n\u00e3o, como os fa\u00e7o observar, pr\u00e9-edipiana\u201d. p. 53<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 61; p. 70; p. 71- 72; p. 72; p. 73<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFreud nos diz que, no mundo dos objetos, existe um cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 paradoxalmente decisiva, a saber, o falo. Este objeto \u00e9 definido como imagin\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de modo algum confundi-lo com o p\u00eanis em sua realidade, que \u00e9, propriamente falando, a sua forma, a imagem erigida. Esse falo tem um papel t\u00e3o decisivo que sua nostalgia, tanto quanto sua presen\u00e7a ou sua inst\u00e2ncia, no imagin\u00e1rio, parecem ser ainda mais importantes para os membros da humanidade a quem falta o correlato real, a saber, as mulheres, do que para aqueles que podem se assegurar de possuir sua realidade, e dos quais toda a vida sexual fica, entretanto, subordinada ao fato de que, imaginariamente, eles assumem verdadeiramente seu uso, e, afinal, assumem-no como l\u00edcito,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">como permitido, ou seja, os homens.\u201d p. 70<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V. p. 79; p. 80; p. 81; p. 82 ; p. 78; p. 84; p. 84-85; p.86<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSegundo o artigo em quest\u00e3o, o sujeito tem, de fato, uma rela\u00e7\u00e3o com um objeto interior, que \u00e9 a pessoa presente, mas enquanto considerada nos mecanismos imagin\u00e1rios j\u00e1 institu\u00eddos no sujeito, e tornada objeto de uma rela\u00e7\u00e3o fantas\u00edstica. Existe uma certa discord\u00e2ncia entre este objeto imagin\u00e1rio e o objeto real, em fun\u00e7\u00e3o do que, a cada instante, o analista ser\u00e1 apreciado, medido, e dever\u00e1 moldar suas interven\u00e7\u00f5es.\u201dp. 78<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOutras solu\u00e7\u00f5es existem para o acesso \u00e0 falta de objeto. J\u00e1 no plano imagin\u00e1rio, a falta de objeto constitui propriamente a via humana, aquela da realiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do homem com sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, na medida em que esta pode ser questionada.\u201d p. 84<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 99; p. 108; p. 109; p. 110; p. 110; p. 11<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9, propriamente falando, desejado na mulher amada \u00e9 justamente aquilo que lhe falta. E o que lhe falta nessa ocasi\u00e3o \u00e9 precisamente esse objeto primordial cujo equivalente o sujeito, o substituto imagin\u00e1rio, iria encontrar na crian\u00e7a, e ao qual ele retorna.\u201d p. 111<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 113- 114; p. 116; 121; p. 123; p. 124; p. 125; 126; p. 129, 130; p. 131<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta, com efeito, um elemento fantas\u00edstico, essencialmente imagin\u00e1rio, que \u00e9 a preval\u00eancia do falo, mediante o que h\u00e1 para o sujeito dois tipos de seres no mundo: os seres que t\u00eam o falo e os que n\u00e3o o t\u00eam, isto \u00e9, que s\u00e3o castrados. P. 124<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, esta crian\u00e7a de quem ela toma conta, o que satisfaz nela? A substitui\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria f\u00e1lica, pela qual, como sujeito, ela se constitui, sem o saber, como m\u00e3e imagin\u00e1ria. Se ela se satisfaz cuidando dessa crian\u00e7a \u00e9 realmente por adquirir, assim, o p\u00eanis imagin\u00e1rio de que foi fundamentalmente frustrada, o que vou notar pondo o p\u00eanis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">imagin\u00e1rio no n\u00edvel do menos. P. 126<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p.131; p. 134, 135; p. 138; p. 141; p. 148<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, o simples fato de que ela se reproduza e que chegue \u00e0 etapa tr\u00eas como substituindo e se formulando num sonho permite dizer que esse sonho, mesmo que pare\u00e7a ser um sonho enganador por estar no n\u00edvel imagin\u00e1rio e em rela\u00e7\u00e3o direta com o terapeuta, nem por isso deixa de ser \u2014 e apenas ele \u2014 o representante da transfer\u00eancia no sentido pr\u00f3prio. P. 138<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 155; p. 156; p. 159; p. 160 ; p. 161 ; p. 163; p. 165<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTudo nos indica, e a experi\u00eancia anal\u00edtica o acentuou, que n\u00e3o existe posi\u00e7\u00e3o mais captadora, at\u00e9 mesmo mais devoradora no plano imagin\u00e1rio.\u201d P. 156<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 179<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 na medida em que o imagin\u00e1rio entra em jogo que, sobre os fundamentos das duas primeiras rela\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas entre o objeto e a m\u00e3e da crian\u00e7a, pode aparecer que, tanto \u00e0 m\u00e3e quanto \u00e0 ela, algo pode faltar imaginariamente.\u201d p. 179<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 189; p. 193; p. 194; p. 195; p. 197<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO falo imagin\u00e1rio \u00e9 o piv\u00f4 de toda uma serie de fatos que exigem seu postulado. \u00c9 preciso estudar este labirinto onde o sujeito habitualmente se perde, e pode mesmo vir a ser devorado.\u201d p. 194<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm outras palavras, e na medida em que o falo imagin\u00e1rio desempenha urn papel significante principal que a situa\u00e7\u00e3o se apresenta dessa forma.\u201d p. 194<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 203; p. 204, p. 205, p. 206; p. 207; p. 210; 211; p. 212; p. 213; p. 214; p. 214; p. 216; p. 217<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa segunda parte desta li\u00e7\u00e3o, situei para voc\u00eas o lugar onde se produz a interfer\u00eancia do imagin\u00e1rio nessa rela\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o, infinitamente mais complexa que o emprego que se faz habitualmente, que une \u00e0 crian\u00e7a \u00e0 m\u00e3e.\u201d P. 203<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPoder\u00edamos dizer que o falo, a menina o tem mais ou menos situado, ou aproximado, no imagin\u00e1rio onde ele se encontra, no mais al\u00e9m da m\u00e3e, atrav\u00e9s da descoberta progressiva feita por ela da insatisfa\u00e7\u00e3o fundamental experimentada pela m\u00e3e na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-crian\u00e7a. Trata-se ent\u00e3o, para ela, de deslizamento deste falo do imagin\u00e1rio para o real. \u00c9 isso mesmo que Freud nos explica quando nos fala da nostalgia do falo origin\u00e1rio que come\u00e7a a se produzir na menina no n\u00edvel imagin\u00e1rio, na refer\u00eancia especular ao semelhante, outra menina ou menino, e nos diz que a crian\u00e7a ser\u00e1 o substituto do falo.\u201d p. 206<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 devido a esta etapa, ou, mais exatamente, a esse vivido central essencial do \u00c9dipo no plano imagin\u00e1rio, que este complexo se expande em todas as suas consequ\u00eancias neurotizantes, que encontramos em mil aspectos da realidade anal\u00edtica. p. 211<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 221; p. 224; p. 225; p. 233; p. 235<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNenhuma castra\u00e7\u00e3o, daquelas em jogo na incid\u00eancia de uma neurose, \u00e9 jamais uma castra\u00e7\u00e3o real. Ela s\u00f3 entra em jogo na medida em que atua no sujeito sob a forma de uma a\u00e7\u00e3o incidindo sobre um objeto imagin\u00e1rio.\u201d p. 224<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO pai imagin\u00e1rio \u00e9 aquele com que lidamos o tempo todo. \u00c9 a ele que se refere, mais comumente, toda a dial\u00e9tica, a da agressividade a da identifica\u00e7\u00e3o, a da idealiza\u00e7\u00e3o pela qual o sujeito tem acesso \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o ao pai. Tudo isso se passa no n\u00edvel do pai imagin\u00e1rio. Se o chamamos de imagin\u00e1rio, \u00e9 tamb\u00e9m porque ele est\u00e1 integrado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que forma o suporte psicol\u00f3gico das rela\u00e7\u00f5es com o semelhante, que s\u00e3o, falando propriamente, rela\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies, que est\u00e3o no fundo de qualquer captura libidinal, como no fundo de qualquer ere\u00e7\u00e3o agressiva. O pai imagin\u00e1rio participa tamb\u00e9m desse registro e apresenta caracter\u00edsticas t\u00edpicas.\u201d p. 225<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ordem simb\u00f3lica interv\u00e9m precisamente no plano imagin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que castra\u00e7\u00e3o incide sobre o falo imagin\u00e1rio, mas de certo modo fora do par real. A ordem \u00e9 assim restabelecida, e no seu interior a crian\u00e7a poder\u00e1 aguardar a evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos.\u201d p. 233<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 244; 245; 246; 250<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o dual fundamentalmente animal n\u00e3o deixa de continuar prevalecendo numa certa zona, a do imagin\u00e1rio, e \u00e9 justamente na medida em que o homem, mesmo assim, sabe calcular, que se produz, em \u00faltima an\u00e1lise, aquilo que chamamos de um conflito. p. 244<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 255; p. 264; p. 266; p. 267; p. 268; p. 270; p. 271; p. 273<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDemos toda sua import\u00e2ncia \u00e0 m\u00e3e, e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica imagin\u00e1ria da crian\u00e7a com ela. Dissemos que a m\u00e3e se apresenta para a crian\u00e7a com a exig\u00eancia daquilo que lhe falta, a saber, o falo que n\u00e3o tem. Dissemos: este falo \u00e9 imagin\u00e1rio. Ele \u00e9 imagin\u00e1rio para quem? \u00c9 imagin\u00e1rio para a crian\u00e7a\u201d p. 266<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V. p. 275; p. 275 -276; p. 277; p. 278; p. 279; p. 279-280; p. 280; p. 281; p. 282; p. 283; p. 285; p. 286; p. 288; 290<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe o objeto imagin\u00e1rio desempenha aqui um papel fundamental, \u00e9 na medida em que ele j\u00e1 est\u00e1 capturado na dial\u00e9tica do velamento e do desvelamento.\u201d p. 278<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEla basta, simplesmente, para libert\u00e1-lo da interven\u00e7\u00e3o do elemento f\u00f3bico, torna desnecess\u00e1ria a conjun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio com a ang\u00fastia que se chama a fobia, e desemboca na redu\u00e7\u00e3o desta \u00faltima.\u201d p. 283<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VI. p. 296 ; P. 299<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDevido ao fato de que nada predeterminado no plano imagin\u00e1rio, um fen\u00f4meno completamente distinto, mas que, para a crian\u00e7a, a\u00ed se apega imaginariamente, vem trazer um elemento essencial de perturba\u00e7\u00e3o no momento em que o primeiro confronto com o crescimento se produz: \u00e9 o fen\u00f4meno da turgesc\u00eancia.\u201d P. 307<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VII. p. 322<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsta \u00e9 uma simples indica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 clara, s\u00f3 que \u00e9 imposs\u00edvel e que n\u00e3o se v\u00ea de forma alguma como o pequeno Hans, j\u00e1 tendo partido \u00e0 frente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 av\u00f3, pode tornar a partir com o pai. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel no imagin\u00e1rio.\u201d P. 322<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VIII<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IX. p. 350; 351<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ponto de tudo lhe ser prefer\u00edvel, at\u00e9 mesmo o forjar uma imagem angustiante em si mesma completamente fechada, a do cavalo, que, pelo menos, no centro da ang\u00fastia, marca um limite, um ponto de refer\u00eancia. O que, nesta imagem, abre a porta ao ataque, \u00e0 mordida? \u00c9 um outro falo, o falo imagin\u00e1rio da m\u00e3e. P. 348<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XX. p. 364 ; 366; 368; 375; 378; 379<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO progresso da situa\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e reside no seguinte, que crian\u00e7a tem que descobrir aquilo que, para al\u00e9m da m\u00e3e, \u00e9 amado por esta. N\u00e3o \u00e9 a crian\u00e7a que \u00e9 o elemento imagin\u00e1rio, mas o i, isto \u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">desejo do falo da m\u00e3e. p. 368<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXI. p 387; p. 395<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA distin\u00e7\u00e3o entre o imagin\u00e1rio, o simb\u00f3lico e o real talvez n\u00e3o seja bastante para expor os termos deste problema que, a partir do momento em que pode ser engajado na realidade, n\u00e3o me parece<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">pr\u00f3ximo de ser resolvido.\u201d p. 387<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXII. p. 406; p. 408; p. 418; p 419<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO discurso tamb\u00e9m tem leis, e a rela\u00e7\u00e3o entro o significante e o significado \u00e9 algo distinto da intersubjetividade, ainda que isso possa se recobrir, como as rela\u00e7\u00f5es entre o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico.\u201d p. 406<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XI. p. 427, p. 428; 429, 440, 441, 445, 448, 450<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas fica claro que, novas crian\u00e7as, n\u00e3o as haver\u00e1, e esta identifica\u00e7\u00e3o com o desejo da m\u00e3e como desejo imagin\u00e1rio constitui, apenas aparentemente, um retorno ao pequeno Hans que ele foi outrora, que brincava com meninas esse jogo de esconde-esconde primitivo cujo objeto era o seu sexo.\u201d p. 428<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-28903f01712da9d20 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_28903f01712da9d20\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"28903f01712da9d20\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#28903f01712da9d20\" href=\"#28903f01712da9d20\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 5<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"28903f01712da9d20\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_28903f01712da9d20\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I . p. 14<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio, n\u00e3o obstante, que o semin\u00e1rio sobre a psicose lhes permitiu compreender, se n\u00e3o o fundamento ultimo pelo menos o mecanismo essencial da redu\u00e7\u00e3o do Outro, do grande Outro, do Outro como sede da fala, ao outro imagin\u00e1rio.\u201d p. 14<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias ao imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 62<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDisso n\u00f3s sabemos por toda sorte de outros tra\u00e7os \u2013 pela forma de seus sonhos, em particular -, e, se Freud p\u00f4de fazer todas essas descobertas, muito provavelmente foi por ser muito mais receptivo e perme\u00e1vel ao jogo simb\u00f3lico do que ao jogo imagin\u00e1rio.\u201d p. 62<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 75<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEis, portanto, o Bezerro de Ouro, carregado de todas as intrica\u00e7\u00f5es de todos os enredamentos da fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica com o imagin\u00e1rio. Ser\u00e1 nisso que reside o\u00a0<em>Witz?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VI. p. 118<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDigamos que esse jogo dual nunca \u00e9 outra coisa sen\u00e3o uma prepara\u00e7\u00e3o, que permite que se divida em dois p\u00f3los opostos o que sempre ha de imagin\u00e1rio, de refletido, de simpatizante na comunica\u00e7\u00e3o, o emprego de uma certa tend\u00eancia na qual o sujeito e a segunda pessoa.\u201d P. 118<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VII . p. 126, p. 130; p. 133; p. 134; p. 136 ; p. 137<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso lhes permite visualizar o que eu quis dizer quando lhes falei, da ultima vez, das condi\u00e7\u00f5es subjetivas do sucesso do chiste, ou seja, do que ele exige de outro imagin\u00e1rio para que, no interior do corte representado por esse outro imagin\u00e1rio, o Outro simb\u00f3lico o entenda.\u201d p. 130<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 149; p. 164; p. 165<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo ponto n\u00e3o constitu\u00eddo em que se encontra, ele ter\u00e1 de participar dela \u2013 se n\u00e3o com seus trocados, pois talvez ainda n\u00e3o os tenha, pelo menos com sua pele, isto e, com suas imagens, sua estrutura imaginaria e tudo o que se segue. Assim e que o quarto termo, o S, vem representar-se em algo de imagin\u00e1rio que se op\u00f5e ao significante do \u00c9dipo, e que tamb\u00e9m deve ser, para que isso funcione, tern\u00e1rio.\u201d P. 164<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 169; p. 170; p. 175; p. 178; p. 181<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA hist\u00f3ria da psican\u00e1lise nos atesta que \u00e9 especial mente ao campo pr\u00e9-edipiano que a experi\u00eancia, a preocupa\u00e7\u00e3o com a coer\u00eancia e a maneira como a teoria \u00e9 fabricada e se mant\u00e9m de p\u00e9 fizeram com que fossem atribu\u00eddas as perturba\u00e7\u00f5es, profundas, em alguns casos, do campo da realidade pela invas\u00e3o do imagin\u00e1rio.\u201d p. 16<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 186; p. 188; p. 189; p. 192; p. 199; p. 200<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs termos que propus para voc\u00eas no ano passado, acerca das rela\u00e7\u00f5es entre a crian\u00e7a e a m\u00e3e, est\u00e3o resumidos no triangulo imagin\u00e1rio que lhes ensinei a manejar.\u201d p. 18<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 205; p. 213; p. 220<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHa algo de abstrato, e, contudo, de dial\u00e9tico, na rela\u00e7\u00e3o dos dois tempos de que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">acabo de lhes falar, aquele em que 0 pai intervem como proibidor e privador, e aquele em que intervem como permissivo e doador \u2013 doador no nfvel da mae. Podem acontecer outras coisas e, para examina-las, devemos agora colocar-nos no nfvel da mae e nos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">interrogarmos novamente sobre 0 paradoxo representado pelo carater<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">central do objeto f\u00e1lico como imaginario.\u201d p. 213<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V. p. 234; 235; 236; 237; 238; 240<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSem duvida, o falo, na medida em que e o objeto imagin\u00e1rio com que a crian\u00e7a tem de se identificar para satisfazer o desejo da m\u00e3e, ainda n\u00e3o pode situar-se em seu lugar.\u201d P. 235<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VI. p. 247; 249; 255; 257<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o podemos desconhecer que o rival n\u00e3o interv\u00e9m, pura e simplesmente, na rela\u00e7\u00e3o triangular, mas se apresenta, j\u00e1 no n\u00edvel imagin\u00e1rio, como um obst\u00e1culo radical.\u201d p. 257<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XIV. p. 263; p. 268; p. 269; p. 275<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa rela\u00e7\u00e3o com sua pr\u00f3pria imagem, o sujeito depara com a duplicidade do desejo materno em sua rela\u00e7\u00e3o com ele como filho desejado, que \u00e9 apenas simb\u00f3lica. Ele a comprova, experimenta-a nessa rela\u00e7\u00e3o com sua auto-imagem, na qual pode vir superpor-se uma por\u00e7\u00e3o de coisas.\u201d p. 268<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XV. p. 284; p. 285; p. 288; p. 289; p. 296<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sujeito estende-lhe sua vida concreta e real, que comporta desde logo desejos no sentido imagin\u00e1rio, no sentido da captura, no sentido de que as imagens o fascinam, no sentido de que, em rela\u00e7\u00e3o a essas imagens, ele se sente como eu, como mestre\/senhor ou como dominado.\u201d p. 284<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVI. p. 299; p. 300; p. 301; p. 304; p. 305; p. 309; p. 312<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO falo \u00e9 terceiro no que constitui a\u00ed a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do sujeito consigo mesmo<em>, m-i<\/em>, sempre mais ou menos fragilmente constitu\u00edda. \u00c9 a identifica\u00e7\u00e3o primitiva \u2013 que, na verdade, \u00e9 sempre mais ou menos ideal \u2013 do eu com uma imagem sempre mais ou menos contestada.\u201d p. 309<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVII. p. 317; p. 323; p. 328<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO\u00a0<em>a<\/em>\u00a0min\u00fasculo \u00e9 o pequeno outro, o outro como nosso semelhante, cuja imagem nos ret\u00e9m, nos cativa, nos sustenta, e na medida em que constitu\u00edmos em torno dela aquela primeira ordem de identifica\u00e7\u00f5es, que lhes defini como a identifica\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, que \u00e9 o\u00a0<em>m<\/em>\u00a0min\u00fasculo, o eu.\u201d p. 323<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVIII. p. 339<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFizemos desde ent\u00e3o progressos suficientes no conhecimento das imagens, das fantasias do inconsciente, para saber que o que o sujeito vai buscar nas prostitutas, nessa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o que a Antiguidade romana nos mostrava, claramente esculpido e representado na porta dos bord\u00e9is \u2013 ou seja, o falo, o falo como aquilo que habita a prostituta.\u201d p. 339<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XIX. p. 356; p. 360<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 4.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XX. p. 370; p. 372<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) nada mostra melhor os dois patamares em que se desenvolve um sonho, o patamar propriamente significante, que \u00e9 o da fala, e o patamar imagin\u00e1rio no qual se encarna, de certo modo, o objeto meton\u00edmico.\u201d p. 372<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXI. p. 386; p. 398<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) isso n\u00e3o deixa de se relacionar com toda uma dial\u00e9tica, uma outra que n\u00e3o esta, e imagin\u00e1ria, cuja teoria n\u00e3o apenas lhes foi proposta, mas a qual os pacientes s\u00e3o mais ou menos for\u00e7ados a engolir, numa certa t\u00e9cnica concernente \u00e0 neurose obsessiva, e na medida em que o falo como elemento imagin\u00e1rio desempenha nela um papel preponderante.\u201d p. 398<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXII. p. 401; p. 402; p. 407; p. 410; p. 411; p. 414; p. 415<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA hist\u00e9rica encontra o apoio de seu desejo na identifica\u00e7\u00e3o com o outro imagin\u00e1rio.\u201d p. 415<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXIII. p. 420; p. 421; p. 422; p. 423; p. 424; p. 426<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o com a imagem, assim, encontra-se no n\u00edvel das experi\u00eancias e do pr\u00f3prio momento em que o sujeito entra no jogo da fala, quase na passagem do estado de\u00a0<em>infans<\/em>\u00a0para o estado falante.\u201d p. 421<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXIV. p. 448<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXV. p. 451; p. 452; p. 454; p. 455; p. 456; p. 458; p. 465<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica ou especular do eu com a imagem do outro fica aqu\u00e9m, \u00e9 anterior, inteiramente implicada na primeira rela\u00e7\u00e3o da demanda. Essa rela\u00e7\u00e3o situa-se na linha\u00a0<em>m-a<\/em>.\u201d p. 454<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXVI. p. 471; p. 473; p. 474; p. 475; p. 476; p. 479; p. 482; p. 484<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe o que \u00e9 da ordem da agressividade chega a ser simbolizado e captado no mecanismo daquilo que \u00e9 recalque, inconsci\u00eancia, daquilo que \u00e9 analis\u00e1vel, e at\u00e9, de maneira geral, daquilo que \u00e9 interpret\u00e1vel, \u00e9 por interm\u00e9dio do assassinato do semelhante que est\u00e1 latente na rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.\u201d p. 471<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXVII. p. 491; p. 494; p. 497; p. 498; p. 500; p. 501; p. 502<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 nessa contradi\u00e7\u00e3o que o sujeito obsessivo se v\u00ea apanhado. Ele est\u00e1 constantemente ocupado em manter o Outro, em faz\u00ea-lo subsistir atrav\u00e9s de formula\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, com as quais se ocupa mais do que qualquer outro.\u201d p. 497<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXVIII. p. 513; p. 519<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA presen\u00e7a do falo na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a imagem de seu semelhante, do pequeno outro, da imagem do corpo, \u00e9 precisamente aquilo cuja fun\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria no equil\u00edbrio do sujeito conviria estudar, em vez de interpret\u00e1-lo e assimil\u00e1-lo, pura e simplesmente, \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o em suas outras apari\u00e7\u00f5es.\u201d p. 519<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-e71e29cba2bb81fa8 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_e71e29cba2bb81fa8\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"e71e29cba2bb81fa8\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#e71e29cba2bb81fa8\" href=\"#e71e29cba2bb81fa8\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 6<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"e71e29cba2bb81fa8\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_e71e29cba2bb81fa8\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 27; p. 28; p. 33<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sujeito se defende de seu desamparo e, com esse meio que lhe brinda a experi\u00eancia imagin\u00e1ria da rela\u00e7\u00e3o com o outro, constr\u00f3i algo que, a diferen\u00e7a da experi\u00eancia especular, \u00e9 flex\u00edvel com o outro.\u201d p. 28<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 42; p. 47; p. 49; p. 50<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSem d\u00favidas, voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o incapazes de adivinhar desde j\u00e1 o que pode ter de rico o fato de que, no campo aberto entre os dois discursos, se inscreva uma rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que reproduz de maneira hom\u00f3loga a rela\u00e7\u00e3o com o outro no jogo do refinamento.\u201d p.47<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 65; p. 69<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe uma alucina\u00e7\u00e3o nos coloca problemas que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios, se deve a que est\u00e3o em jogo significantes e n\u00e3o imagens, nem coisas, nem percep\u00e7\u00f5es, essas\u00a0<em>falsas percep\u00e7\u00f5es do real<\/em>, como dizem.\u201d p. 65<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 82<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V. p. 95; p. 102; p. 110<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor tr\u00e1s desse sofrimento se mant\u00e9m o chamariz, o \u00fanico ao qual o sujeito pode aferrar-se nesse momento crucial. E qual \u00e9? \u00c9 justamente o do rival, o do assassino do pai, o da fixa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria.\u201d p. 110<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VI. p. 113; p. 119; p. 123; p. 125; p. 126; p. 127<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA identifica\u00e7\u00e3o com a imagem do pai n\u00e3o \u00e9 mais que um caso particular do que agora devemos abordar como aquilo que constitui a solu\u00e7\u00e3o mais geral da rela\u00e7\u00e3o sujeito objeto, da confronta\u00e7\u00e3o do sujeito barrado com o\u00a0<em>a<\/em>\u00a0do objeto, a saber, a introdu\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria sob sua forma mais geral, ou seja, a dimens\u00e3o do narcisismo.\u201d p. 126<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VII. p. 129; p. 120; p. 131; p. 134; p. 135; p. 136; p. 138; p. 140; p. 142; p. 144; p. 145; p. 146; p. 147; p. 148<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDisso parte o fato de que, em toda assun\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o madura, a posi\u00e7\u00e3o que denominamos genital, se produz algo que tem sua incid\u00eancia no n\u00edvel imagin\u00e1rio: se chama castra\u00e7\u00e3o.\u201d p. 135<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 2.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VIII. p. 159<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA restitui\u00e7\u00e3o do sentido do fantasma, que \u00e9 algo imagin\u00e1rio, se inscreve no grafo entre estas duas linhas: entre o enunciado da inten\u00e7\u00e3o do sujeito, por um lado, e pelo outro, da enuncia\u00e7\u00e3o na qual o sujeito l\u00ea sua inten\u00e7\u00e3o sob uma forma profundamente descomposta, parcelada, fragmentada, refratada pela l\u00edngua.\u201d p. 159<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IX. p. 173; p. 174; p. 181; p. 184; p. 186; p. 187; p. 189; p. 190<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 ele, na medida em que aqui h\u00e1 outro, um outro imagin\u00e1rio,\u00a0<em>a<\/em>\u00a0min\u00fasculo \u2013 primeira indica\u00e7\u00e3o que lhes permite localizar nesta cena um fantasma como tal e que lhes confirma a validade dessa localiza\u00e7\u00e3o.\u201d p. 187<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo X. p. 192; p. 193; p. 194; p. 196; p. 198; p. 199; p. 200; p. 201; p. 208; p. 209<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim como o eu se constitui em certa rela\u00e7\u00e3o com o outro imagin\u00e1rio, o desejo se institui e se fixa em certa rela\u00e7\u00e3o com o fantasma.\u201d p. 193<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XI. p. 214; p. 215; p. 219; p. 221; p. 228<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGrande parte das atividades da car\u00edcia coloca em jogo o falo, na medida em que, como j\u00e1 lhes mostrei, este se perfila imaginariamente no mais al\u00e9m do parceiro natural.\u201d p. 221<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XII. p. 236; p. 241; p. 242; p. 243; p. 244; p. 245; p. 246; p. 247; p. 248; p. 250; p. 254<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe trata da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com sua pr\u00f3pria imagem, com seu semelhante, mas na medida em que o sujeito v\u00ea este semelhante em certa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e \u2013 que aqui \u00e9 a m\u00e3e como primitiva identifica\u00e7\u00e3o ideal, como primeira forma de Um.\u201d p. 243<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte 3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XIII. p. 261; p. 262<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe v\u00ea ent\u00e3o que a inconsci\u00eancia do sujeito, concernente \u00e0 \u00e2nsia ed\u00edpica de morte, est\u00e1 encarnada, na imagem do sonho, sob a forma da \u00e2nsia de que o pai n\u00e3o saiba que o filho teve contra ele a \u00e2nsia de morte aliviadora.\u201d p. 262<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XIV. p. 290<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XV. p. 302; p. 307; p. 316; p. 319<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) o significante, para dizer o voc\u00e1bulo \u2013 \u00e9 o mesmo que ensino, e passo meu tempo lhes dizendo isso -, o provemos com nosso imagin\u00e1rio, quero dizer, com nossa rela\u00e7\u00e3o com nosso pr\u00f3prio corpo, j\u00e1 que o imagin\u00e1rio \u00e9 isso.\u201d p. 307<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVI. p. 326; p. 337<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) a palavra faz algo que se distingue de todas as formas imanentes de captura de um com respeito ao outro, j\u00e1 que instaura um elemento terceiro, a saber, esse lugar do Outro no qual, ainda que seja mentirosa, ela se inscreve como verdade. Nada equivale a isso no plano imagin\u00e1rio.\u201d p. 326<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVII. p. 340; p. 342; p. 343; p. 345; p. 346; p. 347; p. 348; p. 354<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO objeto essencial em torno ao qual gira a dial\u00e9tica do desejo \u00e9\u00a0<em>a<\/em>. O sujeito ali se coloca a prova frente a um elemento que \u00e9 alteridade no n\u00edvel imagin\u00e1rio, tal como j\u00e1 o articulamos e definimos muitas vezes. \u00c9 imagem e \u00e9\u00a0<em>pathos<\/em>.\u201d p. 345<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XVIII. p. 361; p. 362; p. 364; p. 365; p. 371; p. 372; p. 373<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm s\u00edntese, a prop\u00f3sito dos m\u00e9ritos de Laerte, Hamlet se refere \u00e0 imagem do outro como algo que n\u00e3o pode sen\u00e3o absorver por completo a quem a contempla.\u201d p. 364<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XIX. p. 382; p. 383; p. 384; p. 386<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJ\u00e1 indiquei o parentesco entre o que neste momento se produz e um mecanismo psic\u00f3tico: o sujeito n\u00e3o pode responder a este luto mais do que com sua textura imagin\u00e1ria.\u201d p. 383<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XX. p. 403; p. 406; p. 407; p. 408; p. 409<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDito de outro modo, algo real, sobre o qual ele tem influ\u00eancia numa rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, \u00e9 elevado \u00e0 pura e simples fun\u00e7\u00e3o de significante. Este \u00e9 o sentido \u00faltimo, o sentido mais profundo, da castra\u00e7\u00e3o como tal.\u201d p. 406<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXI. p. 418; p. 419; p. 425; p. 427; 430<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA respira\u00e7\u00e3o \u00e9 ritmo, a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 pulsa\u00e7\u00e3o, a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 altern\u00e2ncia vital, n\u00e3o \u00e9 nada que no plano imagin\u00e1rio permita simbolizar precisamente aquilo que est\u00e1 em jogo, a saber, o intervalo, o corte.\u201d p. 427<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXII. p. 436; p. 440<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo ponto exato onde o sujeito n\u00e3o encontra nada que o possa articular em qualidade de sujeito de seu discurso inconsciente, o fantasma representa, para ele, o papel de apoio imagin\u00e1rio.\u201d p. 440<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXIII. p. 461; p. 468<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTudo derivou do fato de que esse fantasma foi interpretado em termos de realidade, como uma experi\u00eancia real da m\u00e3e f\u00e1lica. (\u2026) o sujeito faz surgir a necess\u00e1ria e faltante imagem do pai, na medida em que este \u00e9 requerido para a estabiliza\u00e7\u00e3o do desejo do sujeito.\u201d p. 461<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXIV. p. 469; p. 471; p. 479<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm todo dom\u00ednio \u00e9 leg\u00edtimo situar um ponto imagin\u00e1rio, se podemos articular sua estrutura pelo que dele parte. Aqui, o ponto imagin\u00e1rio vai nos permitir situar o que, de fato ocorre dentro das diferentes formas do sujeito.\u201d p. 471<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXV. p. 487; p. 494; p. 501; p. 502<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(\u2026) a forma dos fantasmas inconscientes recobre o que no perverso se apresenta como algo que ocupa o campo imagin\u00e1rio de seu desejo.\u201d p. 487<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXVI. p. 505; p. 513; p. 516; p. 517; p. 518<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA dimens\u00e3o imagin\u00e1ria do desejo do Outro \u2013 neste caso, o da m\u00e3e \u2013, de ordem primordial, aqui representa o papel central, decisivo, simbolizador, o qual nos permite considerar que, no n\u00edvel do desejo, o perverso est\u00e1 identificado com a forma imagin\u00e1ria do falo.\u201d p. 518<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XXVII. p. 527; p. 530<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQue forma toma aqui a fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, na medida em que est\u00e1 enganchada, em que atrai, as duas cadeias do discurso, a cadeia reprimida e a cadeia patente, manifesta?\u201d p. 527<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-0496664af2a430007 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_0496664af2a430007\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"0496664af2a430007\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#0496664af2a430007\" href=\"#0496664af2a430007\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 17<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"0496664af2a430007\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_0496664af2a430007\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixos da subvers\u00e3o anal\u00edtica. Cap\u00edtulo II<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>29; p. 33-34<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que serve bem para mostrar o qu\u00e3o pouco pesa a incid\u00eancia das escolas \u00e9 o fato de que a ideia de que o saber possa constituir uma totalidade \u00e9, por assim dizer, imanente ao pol\u00edtico como tal. Sabe-se disso h\u00e1 muito tempo. A ideia imagin\u00e1ria do todo tal como \u00e9 dada pelo corpo \u2013 como baseada na boa forma da satisfa\u00e7\u00e3o, naquilo que, indo aos extremos, faz esfera -, foi sempre utilizada na pol\u00edtica pelo partido da prega\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O que h\u00e1 de mais belo, mas tamb\u00e9m de menos aberto? E o que se parece mais com o fechamento da satisfa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A colus\u00e3o dessa imagem com a ideia da satisfa\u00e7\u00e3o, eis contra o que temos que lutar cada vez que encontramos alguma coisa que faz n\u00f3 no trabalho de que se trata, o do descobrimento pelas vias do inconsciente. \u00c9 o obst\u00e1culo, o limite, ou melhor, \u00e9 a n\u00e9voa na qual perdemos a dire\u00e7\u00e3o e onde nos vemos obstru\u00eddos\u201d. p. 29<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixos da subvers\u00e3o anal\u00edtica. Cap\u00edtulo III<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>47<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA coisa n\u00e3o \u00e9 amb\u00edgua. \u00c9 no n\u00edvel do\u00a0<em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>\u00a0que Freud marca com for\u00e7a que o que em \u00faltima inst\u00e2ncia constitui o verdadeiro sustent\u00e1culo, a consist\u00eancia da imagem especular do aparelho do eu, \u00e9 o fato de que este \u00e9 sustentado do interior por esse objeto perdido, que ele apenas veste, por onde o gozo se introduz na dimens\u00e3o do ser do sujeito\u201d. p. 47<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixos da subvers\u00e3o anal\u00edtica. Cap\u00edtulo IV<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>54; p. 62<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO\u00a0<em>Voc\u00ea me espanca<\/em>\u00a0\u00e9 aquela metade do sujeito cuja f\u00f3rmula tem sua liga\u00e7\u00e3o com o gozo. Ele recebe, claro, sua pr\u00f3pria mensagem de uma forma invertida \u2013 aqui, isto quer dizer seu pr\u00f3prio gozo sob a forma do gozo do Outro. \u00c9 mesmo disso que se trata quando ocorre de a fantasia juntar a imagem do pai com o que de in\u00edcio \u00e9 uma outra crian\u00e7a. Que o pai goze espancando-o, eis o que p\u00f5e aqui o acento do sentido, como tamb\u00e9m o dessa verdade que est\u00e1 pela metade \u2013 pois, al\u00e9m disso, aquele que se identifica com a outra metade, com o sujeito da crian\u00e7a, n\u00e3o era essa crian\u00e7a, salvo, como diz Freud, que se reconstitua o est\u00e1dio intermedi\u00e1rio \u2013 jamais, de nenhum modo, substancializado pela lembran\u00e7a -onde, com efeito, \u00e9 ele. \u00c9 ele que, por essa frase, constitui o suporte de sua fantasia, que \u00e9 a crian\u00e7a espancada\u201d. p. 62<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixos da subvers\u00e3o anal\u00edtica. Cap\u00edtulo V<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>p.68; p. 76<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do complexo de \u00c9dipo. Cap\u00edtulo VI<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>p.90<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso, a enurese, \u00e9 absolutamente caracter\u00edstico, e \u00e9 como que o estigma, digamos, da substitui\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do pai pela crian\u00e7a, do pai justamente como impotente. Invoco aqui todos os que, por sua experi\u00eancia com a crian\u00e7a, possam recolher este epis\u00f3dio, em fun\u00e7\u00e3o do qual \u00e9 bastante frequente que se fa\u00e7a intervir o analista\u201d. p. 90<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do complexo de \u00c9dipo. Cap\u00edtulo VIII<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>p.117; p. 121<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo tempo em que eu formulava o que est\u00e1 em jogo na rela\u00e7\u00e3o de objeto em suas rela\u00e7\u00f5es com a estrutura freudiana, tinha afirmado que o pai real \u00e9 o agente da castra\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o o afirmei sem ter tomado o cuidado de destacar primeiro o que h\u00e1 de diverso na ess\u00eancia da castra\u00e7\u00e3o, da frustra\u00e7\u00e3o e da priva\u00e7\u00e3o. A castra\u00e7\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o essencialmente simb\u00f3lica, ou seja, concebida exclusivamente na articula\u00e7\u00e3o significante \u2013 a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 do imagin\u00e1rio, e a priva\u00e7\u00e3o, como \u00e9 \u00f3bvio, do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que podemos definir do fruto dessas opera\u00e7\u00f5es? O enigma que nos prop\u00f5e o falo com manifestamente imagin\u00e1rio, \u00e9 o que devemos tomar como objeto da primeira dessas opera\u00e7\u00f5es, a castra\u00e7\u00e3o. Na frustra\u00e7\u00e3o, trata-se sempre de alguma coisa bem real \u2013 por que n\u00e3o? -, mesmo se a reivindica\u00e7\u00e3o que a funda n\u00e3o tem outro recurso sen\u00e3o imaginar que esse real lhes \u00e9 devido, o que n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio. A priva\u00e7\u00e3o, est\u00e1 claro que ela s\u00f3 se situa a partir do simb\u00f3lico, pois em se tratando de algo real, nada poderia faltar \u2013 o que \u00e9 real \u00e9 real, e \u00e9 preciso que provenha de outro lugar essa introdu\u00e7\u00e3o no entanto essencial, sem a qual n\u00e3o estar\u00edamos n\u00f3s mesmos no real, ou seja, ali alguma coisa falta \u2013 e \u00e9 justamente isto que de sa\u00edda caracteriza o sujeito\u201d. p. 117<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do complexo de \u00c9dipo. Cap\u00edtulo IX<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>129<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO pai real, se \u00e9 cab\u00edvel tentar restitu\u00ed-lo a partir da articula\u00e7\u00e3o de Freud, articula-se propriamente com o que s\u00f3 concerne ao pai imagin\u00e1rio, a saber, a interdi\u00e7\u00e3o do gozo. Por outro lado, o que o torna essencial est\u00e1 ressaltado, \u00e9, a saber, essa castra\u00e7\u00e3o que eu apontava h\u00e1 pouco dizendo que havia ali uma ordem de ignor\u00e2ncia feroz, quero dizer, no lugar do pai real\u201d. p. 129<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O avesso da vida contempor\u00e2nea. Cap\u00edtulo XI<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>144; p.151<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 algo que se presentifica pelo fato de que toda determina\u00e7\u00e3o de sujeito, portanto de pensamento, depende do discurso. Nesse discurso, com efeito, surge o momento em que o mestre, o senhor, se distingue. Seria bem falso pensar que \u00e9 no n\u00edvel de um risco. Tal risco, apesar de tudo, \u00e9 m\u00edtico. \u00c9 um rastro de mito que ainda permanece na fenomenologia hegeliana. Esse senhor seria apenas aquele que \u00e9 o mais forte? Com certeza n\u00e3o \u00e9 isto que Hegel inscreve. A luta de puro prest\u00edgio com o risco da morte pertence ainda ao reino do imagin\u00e1rio. O que faz o senhor? Isto \u00e9 o que indica a articula\u00e7\u00e3o de discurso que lhes dou. Ele brinca com o que chamei, em outros termos, de cristal da l\u00edngua\u201d. p. 144<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-ee3ec1db008795b85 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_ee3ec1db008795b85\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ee3ec1db008795b85\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#ee3ec1db008795b85\" href=\"#ee3ec1db008795b85\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 18<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"ee3ec1db008795b85\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_ee3ec1db008795b85\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) excesso apar\u00eancias no discurso em que voc\u00eas est\u00e3o inscritos, o discurso universit\u00e1rio. (\u2026) O que \u00e9 preciso para irmos al\u00e9m desse inc\u00f3modo das apar\u00eancias, para que se espere alguma coisa que permita sair delas? Nada o permite sen\u00e3o afirmar que uma certa modalidade de rigor no<\/p>\n<p>avan\u00e7o de um discurso cliva, numa posi\u00e7\u00e3o dominante nesse discurso, o que acontece com a triagem dos gl\u00f3bulos de mais-de-gozar em nome dos quais voc\u00eas se veem presos no discurso universit\u00e1rio.\u201d (p.11)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO efeito de verdade n\u00e3o \u00e9 semblante. Est\u00e1 a\u00ed o \u00c9dipo para nos<\/p>\n<p>ensinar, se voc\u00eas me permitem, que ele \u00e9 sangue vivo. S\u00f3 que, vejam, o<\/p>\n<p>sangue vivo n\u00e3o refuta o semblante, ele o colore, torna-o\u00a0<em>re-semblante,<\/em><\/p>\n<p>propaga-o. Um pouquinho de serragem e o circo recome\u00e7a. \u00c9 por isso mesmo que a quest\u00e3o de um discurso que n\u00e3o fosse semblante pode elevar-se ao n\u00edvel do artefato da estrutura do discurso. Entrementes, n\u00e3o existe semblante de discurso, n\u00e3o existe metalinguagem para julg\u00e1-lo, n\u00e3o existe Outro do Outro, n\u00e3o existe verdade sobre a verdade.\u201d (p.14).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo I.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 um discurso sustent\u00e1vel, ou pelo menos sustentado, nominalmente chamado de discurso da ci\u00eancia, talvez n\u00e3o seja in\u00fatil nos lembrarmos de que ele partiu, muito especialmente, da considera\u00e7\u00e3o de apar\u00eancias.<\/p>\n<p>O ponto de partida do pensamento cient\u00edfico, digo, na hist\u00f3ria, vem<\/p>\n<p>a ser o qu\u00ea? A observa\u00e7\u00e3o dos astros. (\u2026) N\u00e3o h\u00e1 Nome-do-Pai que seja sustent\u00e1vel sem o trov\u00e3o, que todos sabem muito bem que \u00e9 um sinal, mesmo n\u00e3o sabendo sinal de qu\u00ea. Essa \u00e9 a pr\u00f3pria imagem do semblante.\u201d (p.15).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u201cO inconsciente e seu funcionamento: isso quer dizer que, em meio aos numerosos significantes que percorrem o mundo, passa a haver, ainda por cima, o corpo despeda\u00e7ado.\u201d (p.16).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u201cE o que introduziu de novidade o que chamarei de hip\u00f3tese freudiana? Sob uma forma extraordinariamente prudente, mas, ainda assim, silog\u00edstica, foi isto: se chamarmos de princ\u00edpio do prazer o fato de que, por seu comportamento, o ser vivo sempre volta ao n\u00edvel da excita\u00e7\u00e3o m\u00ednima, e dissermos que esse princ\u00edpio regula sua economia, e se for constatado que a repeti\u00e7\u00e3o se exerce de tal maneira que restabelece incessantemente um gozo perigoso, que ultrapassa a excita\u00e7\u00e3o m\u00ednima, ser\u00e1 poss\u00edvel \u2014 \u00e9 dessa forma que Freud enuncia a pergunta \u2014 pensar que a vida, tomada em seu ciclo (o que \u00e9 uma novidade em rela\u00e7\u00e3o a esse mundo que n\u00e3o a comporta universalmente), comporta a possibilidade de repeti\u00e7\u00e3o que seria o retorno a esse mundo como semblante?\u201d (p.20).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO discurso do inconsciente \u00e9 uma emerg\u00eancia, \u00e9 a emerg\u00eancia de uma certa fun\u00e7\u00e3o do significante. O fato de ele haver existido at\u00e9 ent\u00e3o como ins\u00edgnia \u00e9 justamente a raz\u00e3o de eu o haver situado para voc\u00eas no princ\u00edpio do semblante.<\/p>\n<p>Mas as consequ\u00eancias de sua emerg\u00eancia, isso \u00e9 que deve ser introduzido para que alguma coisa mude \u2014 algo que n\u00e3o pode mudar, porque isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 por um discurso centrar-se como imposs\u00edvel, por seu efeito, que ele teria alguma chance de ser um discurso que n\u00e3o fosse semblante.\u201d (p.21).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPara dar uma imagem \u2013 mas a que tipo de emburrecimento n\u00e3o pode conduzir a imagem! (\u2026)\u201d (p.25).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse algo que resiste, que n\u00e3o \u00e9 perme\u00e1vel a todos os sentidos, que \u00e9 consequ\u00eancia de nosso discurso, a isso se chama fantasia\u201d (p.27).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNum discurso, aquilo que se dirige ao Outro como um Tu faz surgir a identifica\u00e7\u00e3o com algo que podemos chamar de \u00eddolo humano. Se, na \u00faltima vez, falei do sangue vivo como o sangue mais in\u00fatil de propulsionar contra o semblante, foi justamente porque \u00e9 imposs\u00edvel avan\u00e7ar para derrubar o \u00eddolo sem assumir seu lugar logo depois, como aconteceu, como sabemos, com um certo tipo de m\u00e1rtires. Em todo discurso que recorre ao Tu, alguma coisa incita a uma identifica\u00e7\u00e3o camuflada, secreta, que s\u00f3 pode ser a identifica\u00e7\u00e3o com um objeto enigm\u00e1tico que pode n\u00e3o ser absolutamente nada, o pequen\u00edssimo mais-de-gozar de Hitler, que talvez n\u00e3o passasse de seu bigode. Foi o quanto bastou para cristalizar pessoas que n\u00e3o tinham nada de m\u00edstico, que eram o que h\u00e1 de mais engajado no processo do discurso do capitalista, com o que isso comporta de questionamento do mais-de-gozar sob sua forma de mais-valia. A quest\u00e3o era saber se, num certo n\u00edvel, as pessoas ainda teriam seu pedacinho, e foi isso mesmo que bastou para provocar esse efeito de identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 divertido que isso tenha assumido a forma de uma idealiza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a, ou seja, da coisa que estava menos implicada na ocasi\u00e3o. Podemos descobrir de onde prov\u00e9m esse car\u00e1ter de fic\u00e7\u00e3o. Mas o que conv\u00e9m dizer, simplesmente, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade dessa ideologia para que se constitua um racismo: basta um mais-de-gozar que se reconhe\u00e7a como tal. Quem se interessar um pouco pelo que poder\u00e1 advir far\u00e1 bem em dizer a si mesmo que todas as formas de racismo, na medida em que um mais-de-gozar \u00e9 perfeitamente suficiente para sustent\u00e1-las, s\u00e3o o que est\u00e1 agora na ordem do dia, s\u00e3o o que nos amea\u00e7a quanto aos pr\u00f3ximos anos\u201d. (p.28\/29).<\/p>\n<p><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO importante \u00e9 isto: a identidade de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o que acabo de expressar com estes termos, \u2018homem\u2019 e \u2018mulher\u2019. \u00c9 claro que a quest\u00e3o do que surge precocemente s\u00f3 se coloca a partir de que, na idade adulta, \u00e9 pr\u00f3prio do destino dos seres falantes distribu\u00edrem-se entre homens e mulheres. Para compreender a \u00eanfase depositada nessas coisas, nesse caso, \u00e9 preciso nos darmos conta de que o que define o homem \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com a mulher, e vice-versa. Nada nos permite abstrair essas defini\u00e7\u00f5es do homem e da mulher da experi\u00eancia falante completa, inclusive nas institui\u00e7\u00f5es em que elas se expressam, a saber, no casamento.<\/p>\n<p>Para o menino, na idade adulta, trata-se de parecer-homem. \u00c9 isso que constitui a rela\u00e7\u00e3o com a outra parte. \u00c9 \u00e0 luz disso, que constitui uma rela\u00e7\u00e3o fundamental, que cabe interrogar tudo o que, no comportamento infantil, pode ser interpretado como orientando-se para esse parecer-homem. Desse parecer-homem, um dos correlatos essenciais \u00e9 dar sinal \u00e0 menina de que se o \u00e9. Em s\u00edntese, vemo-nos imediatamente colocados na dimens\u00e3o do semblante\u201d (p.30\/31).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica coisa que o diferencia dela \u00e9 que esse semblante seja veiculado num discurso, e que \u00e9 nesse n\u00edvel de discurso, somente nesse n\u00edvel de discurso, que ele \u00e9 levado, permitam-me dizer, para algum efeito que n\u00e3o fosse semblante. Isso significa que, em vez de ter a refinada cortesia animal, sucede aos homens violar uma mulher, ou vice-versa.<\/p>\n<p>Nos limites do discurso, na medida em que ele se esfor\u00e7a por fazer com que se mantenha o mesmo semblante, de vez em quando existe o real. \u00c9 a isso que chamamos passagem ao ato, e n\u00e3o vejo lugar melhor para designar o que isso quer dizer. Observem que, na maioria dos casos, a passagem ao ato \u00e9 cuidadosamente evitada. S\u00f3 acontece por acaso.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m d\u00e1 ensejo a esclarecer o que acontece com o que h\u00e1 muito tempo diferencio da passagem ao ato, isto \u00e9, o\u00a0<em>acting out<\/em>. Este consiste em fazer o semblante passar para a cena, em mostr\u00e1-lo \u00e0 altura da cena, em fazer dele um exemplo. \u00c9 a isso que, nessa ordem, chama-se\u00a0<em>acting out<\/em>. Tamb\u00e9m chamamos isso de paix\u00e3o\u201d. (p.31\/32).<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, o mais-de-gozar s\u00f3 se normaliza por uma rela\u00e7\u00e3o que se estabelece com o gozo sexual, exceto que esse gozo s\u00f3 se formula, s\u00f3 se articula a partir do falo como seu significante. (\u2026) O falo \u00e9, muito propriamente, o gozo sexual como coordenado com um semblante, como solid\u00e1rio a um semblante. (\u2026) A verdade com a qual n\u00e3o h\u00e1 um desses jovens seres falantes que n\u00e3o tenha de se confrontar \u00e9 que existe quem n\u00e3o tenha falo. \u00c9 uma dupla intrus\u00e3o na falta, porque existe quem n\u00e3o o tenha e, ainda por cima, essa verdade faltava at\u00e9 ent\u00e3o. A identifica\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o consiste em algu\u00e9m se acreditar homem ou mulher, mas em levar em conta que existem mulheres, para o menino, e existem homens, para a menina. E o importante nem \u00e9 tanto o que eles experimentam, o que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o real, permitam-me dizer. \u00c9 que, para os homens, a menina \u00e9 o falo, e \u00e9 isso que os castra. Para as mulheres, o menino \u00e9 a mesma coisa, o falo, e ele \u00e9 tamb\u00e9m o que as castra, porque elas s\u00f3 adquirem um p\u00eanis, e isso \u00e9 falho. No come\u00e7o, nem o menino nem a menina correm riscos, a n\u00e3o ser pelos dramas que desencadeiam; por um momento, eles s\u00e3o o falo.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o real, o real do gozo sexual enquanto destacado como tal: \u00e9 o falo. Em outras palavras, o Nome-do-Pai. A identifica\u00e7\u00e3o desses dois termos, em sua \u00e9poca, escandalizou certas pessoas beatas.\u201d (p.32\/33).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para o homem, nessa rela\u00e7\u00e3o, a mulher \u00e9 precisamente a hora da verdade. No tocante ao gozo sexual, a mulher est\u00e1 em condi\u00e7\u00e3o de pontuar a equival\u00eancia entre o gozo e o semblante. \u00c9 justamente nisso que jaz a dist\u00e2ncia a que o homem se encontra dela. Se falei em hora da verdade, \u00e9 por ser a ela que toda a forma\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 feita para responder, mantendo, contra tudo e contra todos, o status de seu semblante. \u00c9 certamente mais f\u00e1cil para o homem enfrentar qualquer inimigo no plano da rivalidade do que enfrentar a mulher como suporte dessa verdade, suporte do que existe de semblante na rela\u00e7\u00e3o do homem com a mulher.<\/p>\n<p>Na verdade, que o semblante seja aqui o gozo para o homem \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o suficiente de que o gozo \u00e9 semblante. \u00c9 por estar na interse\u00e7\u00e3o desses dois gozos que o homem sofre ao m\u00e1ximo o mal-estar da rela\u00e7\u00e3o que designamos como sexual. Como diria o outro, desses chamados prazeres f\u00edsicos\u201d. (p.33\/34).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 4. Cap\u00edtulo II.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 lhes indico esse escalonamento para lhes falar da distin\u00e7\u00e3o que h\u00e1, muito rigorosa, entre o que se articula, o que \u00e9 discurso, e o que \u00e9 esp\u00edrito, ou seja, o essencial. Se voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o o tiverem encontrado no n\u00edvel da fala, n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a, n\u00e3o tentem procurar noutro lugar, no n\u00edvel dos sentimentos.\u201d (p.35).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo III.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFreud percebeu que existia o sintoma. E a\u00ed que estamos. O sintoma \u00e9 aquilo em torno do qual gira tudo de que podemos \u2013 como se costuma dizer, se essa palavra ainda tivesse sentido \u2013 ter ideia. O sintoma: \u00e9 por ele que voc\u00eas se orientam, todos voc\u00eas. A \u00fanica coisa que lhes interessa e que n\u00e3o \u00e9 um completo fiasco, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente inepta como informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 aquilo que tem o semblante de sintoma, isto \u00e9, em princ\u00edpio, coisas que nos d\u00e3o sinal, mas das quais n\u00e3o compreendemos nada. E s\u00f3 isso que h\u00e1 de seguro: h\u00e1 coisas que nos d\u00e3o sinal e das quais n\u00e3o compreendemos nada.\u201d (p.49).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo IV.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) tudo que \u00e9 da al\u00e7ada do efeito de linguagem, tudo que instaura a diz-mans\u00e3o da verdade, coloca-se a partir de uma estrutura de fic\u00e7\u00e3o. Em se tratando da correla\u00e7\u00e3o de sempre entre o rito e o mito, seria uma fraqueza rid\u00edcula dizer que o mito seria simplesmente o coment\u00e1rio do rito, o que serve para sustent\u00e1-lo, para explic\u00e1-lo. Segundo uma topologia, que \u00e9 aquela \u00e0 qual j\u00e1 dei um destino h\u00e1 muito tempo, para n\u00e3o precisar relembr\u00e1-la, o rito e o mito s\u00e3o como o direito e o avesso, sob a condi\u00e7\u00e3o de que esse direito e esse avesso estevam em continuidade. O que significa manter no discurso anal\u00edtico esse mito residual chamado mito do \u00c9dipo, Deus sabe porqu\u00ea, que \u00e9, na verdade, o de\u00a0<em>Totem e tabu<\/em>, onde se escreve o mito, inteiramente inventado por Freud, do pai primevo, como aquele que goza de todas as mulheres? \u00c9 isso que devemos interrogar a partir de um pouco mais longe da l\u00f3gica, do escrito. (\u2026)<\/p>\n<p>O que \u00e9 designado pelo mito do gozo de todas as mulheres \u00e9 que o\u00a0<em>todas as mulheres n\u00e3o existe<\/em>. N\u00e3o existe universal da mulher. \u00c9 isso que \u00e9 levantado por um questionamento do falo, e n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o sexual, quanto ao que se passa com o gozo que ele constitui, visto que eu disse que era o gozo feminino\u201d (p.63\/64).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cPorventura \u00e9 preciso indicar que a rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, no que \u00e9 radicalmente falseada pela lei, a chamada lei sexual, mesmo assim deixa a desejar que para cada um haja sua cada uma, para responder a ela? Quando isso acontece, que \u00e9 que se diz? N\u00e3o, certamente, que era a coisa natural, j\u00e1 que, nesse aspecto, n\u00e3o h\u00e1 natureza, j\u00e1 que\u00a0<em>A\u00a0<\/em>mulher n\u00e3o existe. A exist\u00eancia dela \u00e9 um sonho de mulher, e \u00e9 o sonho de que saiu\u00a0<em>Don Juan<\/em>. Se houvesse um homem\u00a0<em>A<\/em>\u00a0mulher existisse, seria uma maravilha, ter\u00edamos certeza de seu desejo. Isso \u00e9 uma elucubra\u00e7\u00e3o feminina\u201d. (p.69\/70)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Parte 1. Cap\u00edtulo VI.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse famoso espa\u00e7o realmente \u00e9, para nossa l\u00f3gica, j\u00e1 se vai um bom tempo, desde Descartes, a coisa mais estorvadora do mundo. Esta, ali\u00e1s, \u00e9 uma oportunidade de falar dele, se \u00e9 que conv\u00e9m acrescent\u00e1-lo como uma esp\u00e9cie de anota\u00e7\u00e3o \u00e0 margem, como aquilo que distingo como dimens\u00e3o do Imagin\u00e1rio. Mas h\u00e1 pessoas que se inquietam n\u00e3o for\u00e7osamente com esse escrito, mas com outros, ou que at\u00e9, em alguns casos, guardam anota\u00e7\u00f5es do que eu possa ter dito em dada \u00e9poca, por exemplo, sobre a identifica\u00e7\u00e3o. (\u2026) Falei ent\u00e3o do\u00a0<em>tra\u00e7o un\u00e1rio<\/em>, e agora as pessoas se inquietam, e parece que isso \u00e9 leg\u00edtimo, em saber onde \u00e9 que se deve colocar esse tra\u00e7o un\u00e1rio, se do lado do simb\u00f3lico ou do imagin\u00e1rio. E por que n\u00e3o do real? Seja como for, tal como uma ins\u00edgnia,\u00a0<em>ein einzinger Zug<\/em>, pois \u00e9 assim que isso acontece, foi em Freud, e claro, que fui pesca-lo.\u201d (p.92\/93).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parte 3. Cap\u00edtulo VIII.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO que a hist\u00e9rica articula, certamente, \u00e9 que, em mat\u00e9ria de bancar o\u00a0<em>todohomem<\/em>, ela \u00e9 t\u00e3o capaz de faz\u00ea-lo quanto o pr\u00f3prio\u00a0<em>todohomem<\/em>, ou seja, pela imagina\u00e7\u00e3o. Por esse fato, ela n\u00e3o necessita disso. Mas, se porventura isso lhe interessar, o falo \u2013 ou seja, aquilo de que ela se concebe castrada, como Freud sublinhou muitas vezes \u2013, pelo progresso do tratamento anal\u00edtico, ela n\u00e3o ter\u00e1 o que fazer com ele, j\u00e1 que n\u00e3o se deve crer que ela n\u00e3o tenha esse gozo por seu lado. Se porventura a rela\u00e7\u00e3o sexual lhe interessar, ser\u00e1 preciso que ela se interesse por esse elemento terceiro, o falo. E, como a hist\u00e9rica s\u00f3 pode interessar-se por ele em rela\u00e7\u00e3o ao homem, posto n\u00e3o ser certo que haja mesmo um, toda a sua pol\u00edtica se voltar\u00e1 para o que chamo de ter\u00a0<em>ao menos um<\/em>.\u201d (p.134).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo IX.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de ser constitu\u00edda apenas por uma \u00fanica\u00a0<em>Bedeutung<\/em>\u00a0que a linguagem extrai sua estrutura, a qual consiste em n\u00e3o podermos, pelo fato de habit\u00e1-la, utiliz\u00e1-la sen\u00e3o para a met\u00e1fora, de onde resultam todas as insanidades m\u00edticas com que vivem seus habitantes, e para a meton\u00edmia, da qual eles extraem o pouco de realidade que lhes resta, sob a forma do mais-de-gozar.\u201d (p.139)<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cE poss\u00edvel que os representantes significantes do sujeito sempre se abstenham mais facilmente de ser tomados de empr\u00e9stimo da representa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. Temos sinais disso em nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o gozo do qual temos que nos fazer castrar s\u00f3 mant\u00e9m com a castra\u00e7\u00e3o rela\u00e7\u00f5es de aparelho.\u201d (p.147).<\/p>\n<p><strong>Parte 2. Cap\u00edtulo X.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00e9rica, n\u00f3s nos perguntamos, n\u00e3o \u00e9? \u2013 o que vem a ser isso, o que quer dizer a hist\u00e9rica em pessoa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-me haver trabalhado por tempo suficiente a partir do imagin\u00e1rio para lembrar, simplesmente, o que j\u00e1 est\u00e1 inscrito nessa express\u00e3o.\u00a0<em>Em pessoa<\/em>\u00a0quer dizer\u00a0<em>em m\u00e1scara<\/em>. Nenhuma resposta inicial pode ser dada por esse sentido. Para a pergunta\u00a0<em>Que \u00e9 a hist\u00e9rica?<\/em>, a resposta do discurso do analista \u00e9\u00a0<em>Voc\u00eas ver\u00e3o<\/em>, seguindo at\u00e9 onde ela nos conduzir\u201d. (p.158).<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-89af0a0973184298f fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_89af0a0973184298f\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"89af0a0973184298f\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#89af0a0973184298f\" href=\"#89af0a0973184298f\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 20<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"89af0a0973184298f\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_89af0a0973184298f\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 13; p. 17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que faz aguentar-se a imagem, \u00e9 um resto. A an\u00e1lise demonstra que o amor, em sua ess\u00eancia, \u00e9 narc\u00edsico, e denuncia que a subst\u00e2ncia do pretenso objetal \u2013 papo furado \u2013 \u00e9 de fato o que, no desejo, \u00e9 resto, isto \u00e9, sua causa, e esteio de sua insatisfa\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o de sua impossibilidade.\u201d p. 13<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 21; p.26<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9 importante n\u00e3o \u00e9 que isto seja imagin\u00e1rio \u2013 depois de tudo, se o significante permitisse apontar a imagem que seria preciso para ser feliz, seria \u00f3timo, mas este n\u00e3o \u00e9 o caso.\u201d p. 26<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse mundo, concebido como um todo, com tudo aquilo que este termo comporta, qualquer que seja a abertura que lhe deem, de limitado, continua sendo uma concep\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 mesmo esta a palavra -, uma vista, um modo de olhar, uma tomada, imagin\u00e1ria.\u201d p. 49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V. Cap\u00edtulo VI.Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO fim do nosso ensino, no que ele persegue o que se pode dizer e enunciar do discurso anal\u00edtico, \u00e9 dissociar o\u00a0<em>a<\/em>\u00a0e o A, reduzindo o primeiro ao que \u00e9 do imagin\u00e1rio, e o outro, ao que \u00e9 do simb\u00f3lico. Que o simb\u00f3lico seja o suporte do que foi feito Deus, est\u00e1 fora de d\u00favida. Que o imagin\u00e1rio se baseia no reflexo do semelhante, \u00e9 o que \u00e9 certo.\u201d p. 89<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VIII. p. 99; p. 101; p. 102<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse imagin\u00e1rio, eu o designei expressamente com o<em>\u00a0I\u00a0<\/em>aqui isolado do termo imagin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o da vestimenta da imagem de si, que vem envolver o objeto causa do desejo, que se sustenta mais frequentemente \u2013 \u00e9 mesmo a articula\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise \u2013 a rela\u00e7\u00e3o objetal.\u201d p. 99<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IX. p. 117; p. 118<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo X.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ilus\u00e3o de que n\u00e3o poder\u00edamos nada transmitir a seres transplanet\u00e1rios sobre a especificidade da direita e da esquerda sempre me pareceu feliz, no que ela funda a distin\u00e7\u00e3o entre o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico. p. 142;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo XI. Nenhuma refer\u00eancia ao imagin\u00e1rio foi localizada.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-02de2e5ca9e37a4f9 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_02de2e5ca9e37a4f9\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"02de2e5ca9e37a4f9\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#02de2e5ca9e37a4f9\" href=\"#02de2e5ca9e37a4f9\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">SEMINARIO 23<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"02de2e5ca9e37a4f9\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_02de2e5ca9e37a4f9\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo I. p. 19; p. 20; p.21<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO imagin\u00e1rio mostra aqui sua homogeneidade com o real, e essa homogeneidade apenas \u00e9 apreendida porque o numero \u00e9 bin\u00e1rio, 1ou 0. Isso significa que ele suporta 0 2 somente porque o 1 n\u00e3o \u00e9 o 0, porque ele 1 ex-siste ao 0, mas disso consiste para nada..\u201d p. 19<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo II. p. 28; p. 36; p. 37; p. 38<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAqueles que j\u00e1 est\u00e3o aqui h\u00e1 algum tempo, puderam ver ou, melhor, ouvir que n\u00e3o foi por acaso, mas pouco a pouco, passo a passo, que acabei por exprimir pela fun\u00e7\u00e3o do n\u00f3 o que de in\u00edcio antecipei como o tr\u00edplice do simb\u00f3lico, do imagin\u00e1rio e do real.\u201d p. 28<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo III. p. 47, p. 48, p 49, p. 51, p. 55<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNesse esquema, o imagin\u00e1rio desdobra-se segundo o modo dos dois c\u00edrculos, o que pode ser notado com um desenho. Direi que um desenho nada nota, na medida em que, ao ser planificado, fica enigm\u00e1tico. Portanto, indico aqui, na articula\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio do corpo, alguma coisa como uma inibi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que se caracterizaria especialmente pela inquietante estranheza. Eis onde me permitirei notar, pelo menos provisoriamente, o lugar da tal estranheza.\u201d p. 47<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IV. p. 62; p.70<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe pensamos que n\u00e3o ha Outro do Outro, ou pelo menos que n\u00e3o h\u00e1 gozo desse Outro do Outro, precisamos de fato fazer em alguma parte a sutura entre esse simb\u00f3lico que se estende ali, sozinho, e esse imagin\u00e1rio que esta aqui. \u00c9 uma emenda do imagin\u00e1rio e do saber inconsciente. Tudo isso para obter um sentido, o que \u00e9 objeto da resposta do analista ao exposto, pelo analisando, ao longo de seu sintoma.\u201d p.70<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo V p. 85<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLouco, por que, afinal de contas, Joyce n\u00e3o o teria sido? Ainda mais porque isso n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio, se \u00e9 verdadeiro que, em grande parte o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real s\u00e3o emaranhados a ponto de um continuar no outro, na falha de opera\u00e7\u00e3o para distingui-los como na. cadeia do no borromeano \u2013 do pretenso n\u00f3 borromeano, eu diria, pois o n\u00f3 borromeano n\u00e3o \u00e9 um n\u00f3, \u00e9 uma cadeia. Por que n\u00e3o apreender que cada uma dessas argolas continua uma na outra de um modo estritamente indistinto? Ao mesmo tempo, ser louco n\u00e3o e um privilegio.\u201d p 85<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VI p. 89<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando chamamos de imagin\u00e1rio um elemento da cadeia, um outro, de real, e o terceiro, de simb\u00f3lico, o sentido, como j\u00e1 lhes mostrei, est\u00e1 no campo entre o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico. N\u00e3o podemos esperar coloc\u00e1-lo em outro lugar, pois nos limitamos a imaginar tudo o que pensamos. Entretanto, n\u00e3o pensamos sem palavras, ao contrario do que sugeriram os psic\u00f3logos, aqueles da escola de Wurzburg.\u201d p. 89<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VII p. 103; p. 112<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFui levado a articular essa cadeia, e at\u00e9 mesmo a descrev\u00ea-la, conjugando nela o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real. O importante \u00e9 o real. Depois de haver falado longamente do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio, fui levado a me perguntar o que podia ser o real nessa conjun\u00e7\u00e3o. p. 103<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo VIII p. 117<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHa uma orienta\u00e7\u00e3o, mas essa orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sentido. O que quer dizer isso? Retorno o que disse da \u00faltima vez sugerindo que o sentido seja, talvez, a orienta\u00e7\u00e3o. Mas a orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sentido, uma vez que ela exclui o \u00fanico fato da copula\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio em que consiste o sentido. A orienta do real, no territ\u00f3rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que me concerne, foraclui o sentido.\u201d p. 117<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cap\u00edtulo IX p. 127; p. 129; p. 163; p. 164; p. 173; p. 180; p. 201; p. 202; p. 205; p. 209; p. 230<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDigamos que \u00e9 o for\u00e7amento de uma nova escrita, dotada do que \u00e9 preciso mesmo chamar, por met\u00e1fora, de um alcance simb\u00f3lico, e tamb\u00e9m e for\u00e7amento de um novo tipo de id\u00e9ia, se assim posso dizer, uma ideia que n\u00e3o floresce espontaneamente apenas devido ao que faz sentido, isto \u00e9, ao imagin\u00e1rio.\u201d p. 127<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-3822d1815f1224404 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_3822d1815f1224404\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"3822d1815f1224404\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-436-1\" data-target=\"#3822d1815f1224404\" href=\"#3822d1815f1224404\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">OUTROS ESCRITOS<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"3822d1815f1224404\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_3822d1815f1224404\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(1958)\u00a0<em>A psican\u00e1lise verdadeira, e a falsa<\/em>. Outros Escritos<em>.\u00a0<\/em>Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2003. p. 175, p. 176, p. 178, p. 179.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO engodo imagin\u00e1rio em que Freud situa o eu [<em>moi<\/em>] em sua \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo\u201d, desde 1914, em cujo destaque n\u00f3s mesmos, no come\u00e7o de nossa carreira, quisemos restaurar, sob o nome de est\u00e1dio do espelho, e o fato brutal de a an\u00e1lise do eu ter sido introduzida (s\u00f3 se conheceriam os artigos de Freud por seu t\u00edtulo, o que \u00e9 mais frequente do que se sup\u00f5e entre os analistas) com e sob o \u00e2ngulo da psicologia coletiva, tudo isso, que \u00e9 a conta de dar ao eu um status anal\u00edtico em que sua fun\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria se coordena com seu valor de objeto ideal \u2013 chamemo-lo pelo nome certo: meton\u00edmico \u2013, serviu apenas de pretexto para a introdu\u00e7\u00e3o de uma ortopedia ps\u00edquica que se aferra com uma obstina\u00e7\u00e3o gag\u00e1 a um refor\u00e7o do eu \u2013 desconsiderando que isso \u00e9 ir no sentido do sintoma, da forma\u00e7\u00e3o defensiva, do \u00e1libi neur\u00f3tico e se protegendo com uma harmonia preestabelecida da matura\u00e7\u00e3o dos instintos da moral, cujo postulado ficar\u00e1 ligado \u00e0 hist\u00f3ria de nossa \u00e9poca como testemunho de um obscurantismo sem precedentes.\u201d<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":45,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/436"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=436"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1404,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/436\/revisions\/1404"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/45"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}