{"id":1017,"date":"2021-09-02T11:32:10","date_gmt":"2021-09-02T14:32:10","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1017"},"modified":"2021-09-02T11:32:10","modified_gmt":"2021-09-02T14:32:10","slug":"silvia-ons-as-imagens-e-o-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/silvia-ons-as-imagens-e-o-corpo\/","title":{"rendered":"Silvia Ons &#8211; As imagens e o corpo"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ons<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1015 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/02_img_silvia-300x225-1.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/02_img_silvia-300x225-1-200x150.png 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/02_img_silvia-300x225-1.png 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente, considerou-se que o sujeito dirige sua intencionalidade ao campo dos objetos, em um tipo de dire\u00e7\u00e3o que vai do interior at\u00e9 o exterior. O mundo permanece em seu lugar como um fora, e \u00e9 a consci\u00eancia que se orienta ao que habita no mundo. Assim Sartre recorda as palavras de Husserl: \u201ca consci\u00eancia \u00e9 consci\u00eancia de algo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Lacan<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0combate a concep\u00e7\u00e3o de que um sujeito tenha diante de si, um objeto ao qual, aponta, j\u00e1 que tal ideia oculta que \u00e9 o objeto mesmo que pode causar tal orienta\u00e7\u00e3o a\u00ed onde o sujeito se cr\u00ea dono da percep\u00e7\u00e3o. Assim, as imagens televisivas, o celular, o computador captam nosso olhar e se em alguns casos produzem adi\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque a\u00ed \u00e9 o sujeito que fica tomado ao modo do que Baudelaire dizia do \u00f3pio: \u201csou fumado pelo cachimbo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e2maras e aparatos que povoam nosso mundo virtual e que est\u00e3o t\u00e3o incorporados ao cotidiano, careciam na \u00e9poca da leviandade, com a qual hoje s\u00e3o tomados. Basta considerar todo o tempo que levou, incorporar a lente em sua utilidade para corrigir os defeitos oculares<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Seguramente inventadas por algum vidraceiro que as construiu por acaso, foram recha\u00e7adas pelos \u00e2mbitos cultos, o nome \u201clentes\u201d significa legume, lentilha, \u00e9 vulgar, e se bastava para colocar fora dos c\u00edrculos elevados, a origem do objeto indicado. Elas nasceram em ambientes diferentes e foram recha\u00e7adas, julgadas indignas, n\u00e3o se falou mais delas por mais de tr\u00eas s\u00e9culos e ainda no come\u00e7o do s\u00e9culo XVII, a ignor\u00e2ncia dos cientistas era quase completa, bem como sua desconfian\u00e7a a respeito dos primeiros \u00f3culos constru\u00eddos por simples artes\u00e3os. Foi necess\u00e1rio o g\u00eanio de Galileu<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0para sacudir este preju\u00edzo, mas cabe encontrar nele mesmo, a estranheza a respeito de um cristal que \u00e9 considerado enganoso a respeito da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes preju\u00edzos pr\u00e9-cient\u00edficos captavam, a sua maneira, o car\u00e1ter estranho do aparato criado pelo homem. Pensemos no poder concedido inicialmente \u00e0 c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, como podendo arrebatar a alma. Um psicanalista chamado V\u00edctor Tausk<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, disc\u00edpulo de Freud, falou da import\u00e2ncia da \u201cm\u00e1quina de influ\u00eancia\u201d nas psicoses. \u00c9 que nestes quadros, os aparatos tecnol\u00f3gicos podem ser vividos como sendo capazes de alterar o corpo dos sujeitos. Assim, uma paciente paranoica sentia que a televis\u00e3o emitia imagens e vozes sarc\u00e1sticas dirigidas a ela. Outro paciente dizia que do r\u00e1dio, emanavam mensagens destinadas a sua pessoa e a internet irradiava luzes que o penetravam. Pode-se dizer que se trata de uma loucura e isto \u00e9 certo, mas cabe descobrir que essa loucura fala da influ\u00eancia, que sem chegar a este plano delirante, tem o mundo virtual sobre n\u00f3s e que \u00e9 despercebida. Freud utiliza a met\u00e1fora do cristal para explicar a diferen\u00e7a entre neurose e psicose, j\u00e1 que quando o cristal se rompe \u2013 a psicose \u2013 o faz seguindo suas articula\u00e7\u00f5es normais. Sua ideia \u00e9 que desde as desfigura\u00e7\u00f5es e exageros do patol\u00f3gico, pode-se coligir a simplicidade aparente do normal. Tausk adverte que na psicose, os aparatos que exercem influ\u00eancia est\u00e3o intimamente relacionados com o corpo do paciente e que a dimens\u00e3o exterior-interior se dissipa. Sem ir a estes extremos, cabe refletir sobre a maneira na qual nomeamos os corpos: quando se quer dar conta de um grande estado de excita\u00e7\u00e3o, se diz que algu\u00e9m est\u00e1 \u201cel\u00e9trico\u201d, aludindo, assim, a um corpo que j\u00e1 n\u00e3o se assemelha ao humano; tamb\u00e9m quando se alude a um m\u00e1ximo rendimento, se diz de algu\u00e9m que \u00e9 \u201cuma m\u00e1quina\u201d, um \u201cavi\u00e3o\u201d ou \u201cum motor\u201d. Ter pique \u00e9 ter \u201cpilhas\u201d e mexer-se \u00e9 a demanda dirigida \u00e0quele que \u201cfica parado\u201d, como se diz do computador. \u201cDiminuir a marcha\u201d \u00e9 um dito corrente de algu\u00e9m que est\u00e1 muito acelerado como um motor, \u201cdesacelera\u201d vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. \u201cRecarregue as baterias\u201d \u00e9 uma frase empregada como conselho de descanso e \u201cest\u00e1 na hora de ligar o motor\u201d, quando se descansa demais. Os alimentos de consumo e as vitaminas n\u00e3o acentuam tanto o bem estar, mas a pot\u00eancia em termos de energia. Detenhamo-nos nas mensagens publicit\u00e1rias, nas ofertas de consumo, no marketing de nossos dias para observar de que maneira tudo est\u00e1 orientado n\u00e3o tanto a viver melhor, mas a faz\u00ea-lo mais intensamente. Paul Virilio<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0nos mostra que isso equivale a tratar o vivente como motor, m\u00e1quina de acelerar constantemente. O poder tecnol\u00f3gico afeta a maneira de viver o corpo e a psicose, sob a forma delirante, assim como os preju\u00edzos pr\u00e9-cient\u00edficos falam dessa afeta\u00e7\u00e3o. Mas, sem ir a eles, situemos algumas das formas que incidem em nossas vidas, vidas sem segredos e sem sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia anula os espa\u00e7os que estavam confinados ao sil\u00eancio, longe ficou a multid\u00e3o silenciosa que hoje transcorre acompanhada pelos indefect\u00edveis celulares, falando ou enviando mensagens de textos sem subst\u00e2ncia. Heidegger destacou que o homem afundado na temporalidade moderna n\u00e3o pode se deter, est\u00e1 \u00e1vido por novidades, propenso \u00e0s tagarelices e a compreender tudo sem pr\u00e9via apropria\u00e7\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema vinculado ao \u201chackeamento\u201d de v\u00eddeos nos leva a uma pergunta que transcende este ato delituoso: por acaso, existem v\u00eddeos privados? O pr\u00f3prio olho da c\u00e2mera quebra a ilus\u00e3o de espa\u00e7os \u00edntimos, h\u00e1 algo que se d\u00e1 a ver, a reserva desaparece. Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook disse: \u201c\u00e9 preciso romper o la\u00e7o entre o secreto e o \u00edntimo porque esse la\u00e7o \u00e9 uma heran\u00e7a obsoleta do passado\u201d. De sua parte, Eric Schmidt, gerente geral do Google, arrematou: \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o em preservar sua vida privada j\u00e1 n\u00e3o era, de todo modo, uma realidade mais que para os criminosos\u201d. Julian Assange, criador do Wiklileaks, disse que tamb\u00e9m havia acabado o tempo dos segredos de Estado. Os Mestres da Net n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos na hora de profetizar o futuro de nossos tempos como o da era da transpar\u00eancia. Analisaremos alguns dos efeitos sobre os sujeitos e os la\u00e7os amorosos e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez, parece mais dif\u00edcil a conviv\u00eancia dos casais, cada vez eles duram menos, cada vez se desfaz mais r\u00e1pido a rela\u00e7\u00e3o amorosa. Sempre se soube que a excessiva aproxima\u00e7\u00e3o era inimiga do amor, mas talvez o novo seja a fugacidade com a que tal vizinhan\u00e7a afeta o v\u00ednculo, chegando ao extremo de romp\u00ea-lo prematuramente. Por acaso, n\u00e3o \u00e9 este valor outorgado ao \u201cnovo\u201d, o que leva a que os sujeitos n\u00e3o suportem a inevit\u00e1vel queda do enamoramento dado pela conviv\u00eancia? Miller nos diz que o culto pelo novo \u00e9 a nova forma do mal estar na cultura; claro que cada dia, algo novo se mant\u00e9m menos novo e menos tempo: os objetos s\u00e3o substitu\u00eddos pelos do \u00faltimo modelo. Tal devo\u00e7\u00e3o incide notavelmente nos la\u00e7os amorosos. Diante da menor decep\u00e7\u00e3o, o \u201cnovo\u201d ser\u00e1 visto como melhor, \u00e9 assim que esta \u00e9poca predisp\u00f5e, como nenhuma outra, \u00e0 infidelidade. Vamos nos deter nas mensagens publicit\u00e1rias, nas ofertas de consumo, no marketing de nossos dias, para observar de que maneira tudo est\u00e1 orientado n\u00e3o tanto a viver melhor, mas a faz\u00ea-lo mais intensamente. \u00c9 interessante observar como nos armam ciladas, as exig\u00eancias de felicidade, as imposi\u00e7\u00f5es desta. S\u00e3o esses imperativos que propiciam a busca de \u201cnovas aventuras\u201d, com a ilus\u00e3o de encontrar o gozo que falta. Ao mesmo tempo, podemos dizer que se esta \u00e9poca predisp\u00f5e, como nenhuma, \u00e0 infidelidade, \u00e9 talvez a \u00e9poca em que menos se tolera e a que mais se controla. O Facebook \u00e9 o celular quebram os espa\u00e7os antes secretos, provocando infinidade de separa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O voyeurismo est\u00e1 sempre presente em nossa \u00e9poca, Debord<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0j\u00e1 nos dizia que na sociedade do espet\u00e1culo, um novo valor aparece que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o do ser nem do ter, mas do aparecer. A import\u00e2ncia da imagem j\u00e1 havia sido pensada por Heidegger, quando na d\u00e9cada de 30, escreveu seu conhecido ensaio \u201cA \u00e9poca da imagem do mundo\u201d, onde afirma, depois de explicar como cada \u00e9poca se baseia em uma interpreta\u00e7\u00e3o diferente do ente, que o que caracteriza a modernidade \u00e9 o mundo como imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heidegger<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0dir\u00e1 que toda a metaf\u00edsica moderna se mant\u00e9m na interpreta\u00e7\u00e3o do ente iniciada por Descartes. Trata-se de uma metaf\u00edsica onde o homem se converte no centro de refer\u00eancia do ente como tal e isto \u00e9 poss\u00edvel porque o mundo tornou-se imagem. Imagem do mundo n\u00e3o significa c\u00f3pia, mas \u201cestar a par de algo\u201d, situar o ente diante de si para ver o que ocorre com ele e mant\u00ea-lo sempre diante de si nesta posi\u00e7\u00e3o. Imagem do mundo significa conceber o mundo como imagem. Considero que atualmente, a isto se agrega o mundo como \u201colho\u201d e que Lacan se antecipou sabiamente quando diferenciou a vis\u00e3o do olhar. Um olhar est\u00e1 presente mais al\u00e9m do que podemos ver, um olhar a quem se entregam os v\u00eddeos, as fotos, o que antes era privado, um olhar que exerce um controle sobre as exist\u00eancias e que chama os impulsos, convocando-os. Neste sentido, nesta \u00e9poca de suposta libertinagem, h\u00e1 muito pouco espa\u00e7o para a liberdade, pese a que se acredite no contr\u00e1rio, j\u00e1 que a liberdade do segredo desapareceu. H\u00e1 um momento na vida da crian\u00e7a que tem suma import\u00e2ncia e \u00e9 aquele em que ele pode mentir, j\u00e1 que nessa mentira, comprova que seus pais n\u00e3o o conhecem integralmente, que \u00e9 diferente, outro. No s\u00e9culo da transpar\u00eancia, perde-se esta dimens\u00e3o de opacidade necess\u00e1ria, margem para nossa liberdade. Assim, quando o mesmo casal filma um v\u00eddeo er\u00f3tico, as portas que preservavam sua intimidade se abriram, o olho da c\u00e2mera entrou no recinto privado para captar o segredo do gozo. Por acaso, n\u00e3o s\u00e3o as c\u00e2meras que povoam o mundo de novos dispositivos de controle? Esses dispositivos que Foucault<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0pensou como o pan\u00f3ptico nos c\u00e1rceres e a vigil\u00e2ncia a servi\u00e7o do poder, est\u00e3o agora presentes em torno da sexualidade que perdeu seu car\u00e1ter velado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma magn\u00edfica s\u00e9rie chamada\u00a0<em>Black Mirror<\/em>\u00a0mostra, em seu terceiro epis\u00f3dio, a influ\u00eancia de uma inven\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que muda a forma de vida dos cidad\u00e3os: um minicomputador implantado sob a pele por tr\u00e1s da orelha que grava absolutamente tudo o que acontece durante o dia, basta ativar um bot\u00e3o para aceder \u00e0s imagens. Podem-se projetar em qualquer tela, todos podem v\u00ea-lo ou seu portador pode revis\u00e1-lo sem a presen\u00e7a de outros. \u00c9 t\u00e3o comum quanto \u00e9 hoje, um celular, e se implanta atr\u00e1s da orelha desde o nascimento. Este aparato \u00e9 o centro da crise entre o casal Liam e Ffion. A partir de uma reuni\u00e3o de amigos, ele come\u00e7ar\u00e1 a analisar cada cena gravada entre sua mulher e um ex-namorado, cada gesto, cada inten\u00e7\u00e3o, cada insinua\u00e7\u00e3o oculta, mil vezes, at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o final. As imagens confirmam v\u00e1rias vezes que ela o engana com Jonas; s\u00e3o gestos que nada provariam com certeza, mas Liam n\u00e3o apagou as antigas filmagens er\u00f3ticas da rela\u00e7\u00e3o. Ffion chega a pensar que o filho \u00e9, na realidade, do ex-amante, caindo num tipo de loucura onde as palavras dela n\u00e3o o alcan\u00e7am, pois o que conta s\u00e3o as grava\u00e7\u00f5es. O aparato comanda a vida dos sujeitos; quando se aperta o bot\u00e3o, os olhos dos protagonistas se tornam brancos e vidrados, sem pestanejar, como se perdessem a dimens\u00e3o humana e adquirissem os de uma c\u00e2mara. Finalmente, Ffion, de maneira sangrenta frente ao espelho, se extrai o aparelho, cortando o rosto. A s\u00e9rie convida a varias reflex\u00f5es, o minicomputador \u00e9 chamado \u201cgr\u00e3o\u201d e n\u00e3o tem exterioridade a respeito do corpo para ser, ent\u00e3o, o mesmo corpo, t\u00e3o virtual quanto as imagens. E n\u00e3o \u00e9, por acaso, mediante o corte que se tenta uma consist\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<br \/><\/em><em>Revis\u00e3o: Pablo Sauce<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Sartre, J. P.,( 1947) \u00ab\u00a0<em>Une id<\/em><em>\u00e9<\/em><em>e fondamentale de la ph<\/em><em>\u00e9<\/em><em>nom<\/em><em>\u00e9<\/em><em>nologie<\/em>\u00a0de Husserl : l\u2019intentionnalit\u00e9\u00a0\u00bb, en\u00a0<em>Situatios<\/em><strong>\u00a0I<\/strong>, Par\u00eds ,Gallimard.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0Lacan, J., (2006) \u201cLa angustia\u201d,\u00a0<em>El Seminario<\/em>, Libro 10, trad. Enric Berenger Bs. As., Paid\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0RONCHI, VASCO,( 1983)\u00a0<em>Storia della luce. Da Euclide a Einstein<\/em>, Laterza, Bari.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0Galileu foi o primeiro do mundo da cultura e da filosofia que chegou \u00e0 conclus\u00e3o que se devia crer no que via os \u00f3culos. Com esta premissa, dirige-os aos c\u00e9us, fazendo descobrimentos assombrosos, com a ci\u00eancia e inaugura o tempo de um olho exterior ao sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0TAUSK, V. (1977): \u201cDe la g\u00e9nesis del aparato de influencia durante la esquizofrenia\u201d, en \u201cObras Psicoanal\u00edticas\u201d, Bs. Asa., Ed. Morel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0Virilio, P., (1996)\u00a0<em>El arte del motor,<\/em>\u00a0trad. Horacio Pons, Bs. As., Manantial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0Debord, G.,\u00a0<em>La sociedad del espect<\/em><em>\u00e1<\/em><em>culo<\/em>, Bs. As., La marca. Biblioteca de la mirada, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0Heidegger, M., \u201cLa \u00e9poca de la imagen del mundo\u201d, Caminos de bosque, Bs. As. Alianza, 2005, pp.63-78.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0Foucault, M., (2012)\u00a0<em>Vigilar y castigar,\u00a0<\/em>Bs.As<em>.,\u00a0<\/em>Siglo XXI y B. Nueva.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1017"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1017"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1018,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1017\/revisions\/1018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}