{"id":1036,"date":"2021-09-02T11:55:46","date_gmt":"2021-09-02T14:55:46","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1036"},"modified":"2021-09-02T11:55:46","modified_gmt":"2021-09-02T14:55:46","slug":"beatriz-udenio-quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/beatriz-udenio-quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina\/","title":{"rendered":"Beatriz Udenio &#8211; Quando a palavra n\u00e3o \u00e9 performativa, a imagem reina"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Beatriz Udenio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cEle: n\u00e3o vai acontecer nada.<br \/>Ela: j\u00e1 est\u00e1 acontecendo em suas cabe\u00e7as. Nas suas cabe\u00e7as, isso \u00e9 o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, o que meu marido est\u00e1 fazendo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Black Mirror, 1\u00aa temporada, epis\u00f3dio 1: O hino nacional).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1034 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Beatriz-image-www.flickr.comviniciusb-300x226-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Beatriz-image-www.flickr.comviniciusb-300x226-1-200x151.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Beatriz-image-www.flickr.comviniciusb-300x226-1.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Admito que o uso da palavra \u201cimp\u00e9rio\u201d me incomoda. Talvez por sua aproxima\u00e7\u00e3o com \u201cimperialismo\u201d, quer dizer, pelo \u201cuso\u201d abusivo que faz o mercado das imagens daquilo que se produz \u2013 sendo este um ponto essencial diante do qual a psican\u00e1lise se subverte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, me perguntei, em mais de uma oportunidade, sobre como abordaria o tema proposto para a noite de hoje. Ocorreram-me algumas ideias que logo descartava. At\u00e9 que sobreveio uma lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia que estava adormecida, proporcionando-me o empurr\u00e3o buscado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Remonto aos meus sete anos, quando irrompeu na vida familiar a presen\u00e7a de um irm\u00e3o v\u00e1rios anos mais velho do que eu, causando uma brusca queda de minha vers\u00e3o do \u201cimp\u00e9rio da dita\u201d \u2013 como relatei no meu testemunho durante as \u00faltimas Jornadas anuais da EOL. Uma coincid\u00eancia fez com que entrasse em casa a primeira televis\u00e3o: \u201cLA TE VE\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu passava horas diante dessa tela em branco e preto, absorta, silenciosa. Lembro-me desses momentos amargos, densos, onde eu permanecia \u201cadormecida\u201d em um sonho continuado. N\u00e3o havia lido ainda, claro, o que Lacan indicava: \u201cJamais me olhas l\u00e1 de onde te vejo\u201d e \u201co que eu olho n\u00e3o \u00e9 jamais o que quero ver\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos dizer que, para a psican\u00e1lise, a autoconserva\u00e7\u00e3o da vida depende da inscri\u00e7\u00e3o no desejo do Outro. Para Freud, \u201c(\u2026) os olhos percebem n\u00e3o s\u00f3 altera\u00e7\u00f5es no mundo eterno, que s\u00e3o importantes para a preserva\u00e7\u00e3o da vida (prazer egoico), como tamb\u00e9m as caracter\u00edsticas dos objetos que os fazem ser escolhidos como objetos de amor (prazer sexual): seus\u00a0<em>encantos<\/em>\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. No que me concerne, rompeu-se, ali, a fun\u00e7\u00e3o de v\u00e9u, de engodo que sustentava a cren\u00e7a de ser olhada por meus encantos e, deste modo, de me assegurar um lugar no desejo do Outro. Diante do olhar que retornava no horror, o olho foi em busca de outro est\u00edmulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente \u00e0 LA TE VE, comecei a imaginar que era a encantadora hero\u00edna que conquistaria o Cavaleiro Solit\u00e1rio ou ganharia o cora\u00e7\u00e3o de Maverick. Ou uma amorosa dona da Lassie e, por que n\u00e3o, uma valente cuidadora de Rin Tin Tin. Embeveciam-me as anacr\u00f4nicas \u2013 sim, que o s\u00e3o! \u2013 \u201cPapai sabe tudo\u201d\u2026 \u201cMas, \u00e9 mam\u00e3e quem manda\u201d. E as de super-her\u00f3is \u2013 que paix\u00e3o! \u2013 Super Homem, Batman, Mulher Maravilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao revelar-se a palavra proferida pelo Outro em seu estatuto de verdade mentirosa \u2013como n\u00e3o podia ser de outra maneira \u2013 resultou para o sujeito um momento de encontro com o engano, com a queda de seu poder (o do Outro e o do sujeito).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se fez o que se disse. A palavra do Outro perdeu seu valor ao quebrar a promessa de amor pela menina e fui inventar outra fic\u00e7\u00e3o com palavras que eu imaginara. Porque, caramba, como eu tinha conversa\u00e7\u00f5es em meu pensamento, com esses personagens que LA TE VE me provinha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto \u00e9 que, naquela \u00e9poca, deixei de escrever, recurso ao qual havia lan\u00e7ado m\u00e3o desde muito pequena e que tanta satisfa\u00e7\u00e3o me produzia. Tocada minha imagem am\u00e1vel para o Outro, buscava em meus devaneios com LA TE VE, restituir o perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1\u00a0<em>estruturalmente<\/em>\u00a0muito longe do que se busca-encontra hoje no mundo voraz da imagem? Prefiro dizer deste modo: o contexto muda, mas desemboca no que o estrutural repete, cunhando um imposs\u00edvel (real) de ser capturado com alguma garantia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece tratar-se da ilus\u00e3o de um \u201cfazer\u201d que lograria recuperar o valor da palavra dada, sua autoridade, sua veracidade. Que o que a vis\u00e3o pode apreender, o que se v\u00ea<em>,<\/em>\u00a0funcionasse como verificador do compromisso da palavra: \u201cgarantia fantasm\u00e1tica\u201d.<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0Mas, esta \u00e9 uma busca imposs\u00edvel: o que a imagem verifica n\u00e3o consegue trazer de volta o valor da palavra e se perde no gancho do apetite esc\u00f3pico que se distrai do importante e redobra a indignidade da palavra dada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio de\u00a0<em>Black M<\/em><em>i<\/em><em>rror<\/em>\u00a0citado mostra como todos os brit\u00e2nicos est\u00e3o \u201ccegos\u201d ao essencial: por querer olhar o \u201cato\u201d que ir\u00e1 garantir que se cumpra a palavra do primeiro ministro e a promessa de libera\u00e7\u00e3o da princesa por parte do sequestrador, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m nas ruas vazias, ningu\u00e9m para descobrir que a dama j\u00e1 foi liberada meia hora antes do \u201cato\u201d e, assim, n\u00e3o haveria nada para verificar, vendo. E isto nos remete \u00e0 defla\u00e7\u00e3o da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um\u00a0<em>tweet<\/em>\u00a0permite \u201cver\u201d o que se \u201cdiz-escrito\u201d, como se, mediante a fixa\u00e7\u00e3o da imagem, se pudesse confiar em algo, um pouco mais\u2026 As imagens de hoje vociferam sem saber o que dizem. Olhem a \u201cTE VE\u201d destes tempos, atormentada por um bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 banal, redundante, insultuoso, pusil\u00e2nime, imoral tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha LA TE VE era diferente, n\u00e3o apenas porque se situa 50 anos atr\u00e1s, mas porque \u00e9 a que eu criei, fic\u00e7\u00e3o alimentada em meus pensamentos, fantasia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Black Mirror,\u00a0<\/em>o roteirista Charlie Brooker nos leva \u00e0 dianteira: \u00e9 um artista, mas est\u00e1 no quadro que filma at\u00e9 deter-se no umbral da tela que se rasga em cada cap\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu vivia submersa no curioso paradoxo da imagem, que pode nos seduzir de mil maneiras at\u00e9 inventar, sonhar, especular que o que se v\u00ea, se imagina, \u00e9 o que se \u00e9 e o que se diz do que se \u00e9. \u00c9 o que este recurso da inf\u00e2ncia me permitiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos que correm, parece se fazer o esfor\u00e7o de enganchar a palavra em uma imagem que se possa guardar, reproduzir e, melhor ainda, enviar para todo lado para que n\u00e3o se perca! Aos gritoooooooooooos! Isso n\u00e3o vai lhe dar mais legitimidade, mais autoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pelos anos de 1960, John Langshaw Austin, t\u00e3o brit\u00e2nico quanto o roteirista de\u00a0<em>Black Mirror<\/em>, fil\u00f3sofo da linguagem, dedicou-se aos enunciados chamados \u201cperformativos\u201d, estes atos da fala que lhe d\u00e3o autenticidade.<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos dizer que uma psican\u00e1lise se sustenta de enunciados performativos? Eis um tema controverso que merece aprofundamento. Em todo caso, o que, nesse primeiro epis\u00f3dio de\u00a0<em>Black Mirror<\/em>, se mostra em seu lugar \u00e9 esse \u201cato\u201d ao qual me referi anteriormente: o ato bizarro de copular com um porco diante dos olhos famintos dos brit\u00e2nicos. Um ato que s\u00f3 pode fracassar, como todo ato. N\u00e3o h\u00e1 ato (sexual). N\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O performativo pode nos levar mais perto desse real, desse imposs\u00edvel, do que a ilus\u00e3o da tela negra? Se pensarmos que n\u00f3s, falantes, n\u00e3o chegamos mais longe que do ato de fantasiar, de imaginar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu diria que a chamada \u201ccaixa boba\u201d me forneceu, naqueles tempos, uma via de escape ao que me atormentava, fazendo de mim uma sonhadora acordada que n\u00e3o queria despertar desses sonhos de inf\u00e2ncia, onde era a imperatriz de meu imp\u00e9rio imaginado e de tudo o que eu quisesse ser. Dessa forma, quem poderia ser mais confi\u00e1vel do que minha pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1, desde esse tempo, minha desconfian\u00e7a pelo que vinha do Outro \u2013 cujos fatos, considerava puro bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 \u2013 e tamb\u00e9m minha interroga\u00e7\u00e3o cr\u00edtica encontravam fundamento e suporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ficava um resto inassimil\u00e1vel que n\u00e3o se dobrava ao v\u00e9u e que se fazia notar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sil\u00eancio era acompanhado de um sintoma: presa de uma sinusite cr\u00f4nica, eu me faria objeto dos grandes avan\u00e7os cient\u00edficos do momento: nebuliza\u00e7\u00f5es, opera\u00e7\u00e3o de adenoide, pun\u00e7\u00e3o do osso maxilar, antibi\u00f3ticos injet\u00e1veis. E, como era de se esperar, na histeria, o corpo contesta a ci\u00eancia e \u201cfala\u201d com a verdade do sintoma: o muco que a menina dirige ao campo do Outro \u00e9 um ressabio, fluido que se instala no sil\u00eancio da presen\u00e7a muda diante de LA TE VE. Complac\u00eancia som\u00e1tica para Freud, recha\u00e7o do corpo para Lacan. Rompe com a autoconserva\u00e7\u00e3o e \u00e9 tamb\u00e9m obje\u00e7\u00e3o muda ao saber do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sil\u00eancio, com a caixa boba, eu me entendia melhor. Aqui, o olhar se p\u00f5e em tens\u00e3o e se destina a produzir uma \u201ccegueira\u201d de outra ordem para fazer-se, novamente, objeto de aten\u00e7\u00e3o do Outro. Mas, sobretudo, se distancia de sua aten\u00e7\u00e3o no mundo e goza em sua absor\u00e7\u00e3o na TE VE. Refaz-se um gozo enquadrado na TE VE, satisfa\u00e7\u00e3o substitutiva, transit\u00f3ria, mas um sintoma: o muco que, ao alterar a respira\u00e7\u00e3o, transtornava o falar e o canto \u2013 zona \u201cam\u00e1vel\u201d para a menina \u2013 com o gozo sintom\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo me tirou dali porque, al\u00e9m do mais, eu quis sair dali: um encontro de desejos. Mais precisamente, o desejo de um pediatra e de uma professora. Ele enviou minha m\u00e3e a outro consult\u00f3rio (quer dizer, mostrou-se Outro barrado em rela\u00e7\u00e3o ao saber cient\u00edfico e, portanto, desejante). Ent\u00e3o, eu topei com um m\u00e9dico homeopata que soube sugestionar o suficiente a menininha para que, com seus gl\u00f3bulos, a sinusite fosse de vez. E tamb\u00e9m a professora do fundamental. Como eu n\u00e3o podia ir ao col\u00e9gio, ela se ofereceu para ir \u00e0 minha casa me ensinar a regra de tr\u00eas. S\u00f3 assim fui abandonando minha quadrada amiga daqueles tempos dif\u00edceis \u2013 LA TE VE \u2013 para entrar em cheio no mundo escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d. Consegui reingressar nas vias do saber, da escritura e da ci\u00eancia. Uma suposi\u00e7\u00e3o que me levou a estudar medicina. Mais tarde, reca\u00ed em outra suposi\u00e7\u00e3o: aquela que a psican\u00e1lise oferece para me animar a chegar at\u00e9 esse umbral indiz\u00edvel, esse espelho negro de cada um, com sua esquize estrutural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 nisso que acredito ainda hoje e o que vou constatando, entre v\u00e1rios, em um dos grupos de pesquisa que trabalha para as Conversa\u00e7\u00f5es do ENAPOL. Coletamos as respostas \u00fanicas de cada sujeito desta \u00e9poca, de como ele se liga e se desliga, e como ele se serve desses\u00a0<em>Black Mirrors\u00a0<\/em>a seu alcance.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/em><\/p>\n<p><em>Texto revisado pela autora<\/em><\/p>\n<p><em>Revis\u00e3o final em portugu\u00eas: Adriano Messias<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Por causa da homofonia no espanhol de TE VE com \u201cte ver\u201d, foi mantida a vers\u00e3o original [NT].<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0LACAN, Jacques.\u00a0<em>Li\u00e7\u00e3o VIII, A linha e a luz<\/em>. In:\u00a0<strong>O Semin\u00e1rio. Livro 11.<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1979, p. 100.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0FREUD, Sigmund.\u00a0<em>A concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica da perturba\u00e7\u00e3o psicog\u00eanica da vis\u00e3o<\/em>. In: Tomo XI da Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1982, p. 201.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0MUSACHI, Graciela.\u00a0<strong>Boletim Flash n. 1<\/strong>. Dispon\u00edvel em: http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/boletim\/<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/quando-a-palavra-nao-e-performativa-a-imagem-reina-beatriz-udenio\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0AUSTIN, John L.\u00a0<strong>Como hacer cosas con palabras: palabras y acciones<\/strong>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 1982.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1037,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions\/1037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}