{"id":1049,"date":"2021-09-02T12:35:19","date_gmt":"2021-09-02T15:35:19","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1049"},"modified":"2021-09-02T12:35:19","modified_gmt":"2021-09-02T15:35:19","slug":"clara-m-holguin-o-segredo-da-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/clara-m-holguin-o-segredo-da-imagem\/","title":{"rendered":"Clara M. Holguin &#8211; O segredo da imagem"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clara M. Holguin<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desvelar um segredo, neste caso o da imagem, sup\u00f5e que esta mantenha algo em reserva, algo que n\u00e3o se disse, que est\u00e1 oculto. Sup\u00f5e tamb\u00e9m que, al\u00e9m da multiplicidade e variedade das imagens, seu imp\u00e9rio, quer dizer, seu poder, baseia-se no segredo, em poder mant\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, ao lado da pergunta sobre o que esconde uma imagem, interrogamos seu funcionamento e estrutura, para dar ao imagin\u00e1rio lacaniano todo seu valor, quando destaca a verdade da percep\u00e7\u00e3o, ou talvez, teria de se dizer, o real do campo visual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso o que assinala Lacan a partir do estudo da Etologia. Se no campo animal evidencia-se que uma imagem de \u201coutro exemplar da esp\u00e9cie\u201d tem influ\u00eancia em um organismo, na esp\u00e9cie humana podemos dizer que o campo visual produz efeitos de vida. Basta recordar o exemplo dado por Miller na observa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a de Granada, que, sob o dom\u00ednio da imagem do outro manifesta um gozo no corpo. A crian\u00e7a est\u00e1 entregue ao gozo em sua totalidade, como evidenciam seus movimentos. \u00c9 um corpo que goza de si mesmo. Podemos equiparar isso ao autoerotismo freudiano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da imagem entendida desde a perspectiva de um imagin\u00e1rio pr\u00e9-simb\u00f3lico, quer dizer, de seus efeitos antes da captura desse gozo pela imagem do corpo pr\u00f3prio, destacada por Lacan na experi\u00eancia do espelho, onde se produz uma transforma\u00e7\u00e3o assimil\u00e1vel ao \u201cnovo ato ps\u00edquico\u201d, tal como diz Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo, considerado ent\u00e3o uma forma (Imago-gestalt) e posteriormente pensado a partir da fantasia em sua vers\u00e3o imagin\u00e1ria, d\u00e1 conta de uma imagem que al\u00e9m de velar o que n\u00e3o h\u00e1 (castra\u00e7\u00e3o), faz existir o que n\u00e3o se pode ver (objeto\u00a0<em>a<\/em>) e, no momento em que introduz um gozo imagin\u00e1rio e f\u00e1lico respectivamente, faz limite a esse outro gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o da imagem \u00e9 preencher, tampar esse buraco essencial. Como diz Lacan \u00e9 a forma o que mant\u00e9m o corpo junto, fazendo com que se \u201cveja mal\u201d porque n\u00e3o vemos o organismo, seu material real, s\u00f3 vemos a bolsa de pele, como imagem que protege da fragmenta\u00e7\u00e3o e d\u00e1 consist\u00eancia ao corpo, permitindo ador\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O privil\u00e9gio da imagem \u00e9 supor que pode tampar a falta essencial, unificar as pe\u00e7as soltas. Seu segredo \u00e9 o buraco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o do segredo mostra a imagem em sua dupla dimens\u00e3o: como imagem-fantasia funciona como v\u00e9u e tela do buraco, nos distancia da pr\u00e9-matura\u00e7\u00e3o e imaturidade do sujeito, isto \u00e9, de sua fragmenta\u00e7\u00e3o. A falta que chamamos castra\u00e7\u00e3o fica velada dando ao corpo um enquadre. Como imagem \u201creal\u201d, se \u00e9 permitido enunci\u00e1-la assim, presentifica aquilo que se satisfaz em seu pr\u00f3prio movimento, um corpo que goza de si mesmo e evidencia o buraco, n\u00e3o enfatizando mais o que est\u00e1 escondido, mas \u201co que se v\u00ea no campo visual\u201d. Deixemos a pergunta: trata-se, ent\u00e3o, de uma imagem que faz acontecimento de corpo ou o acontecimento de corpo, contingente, d\u00e1 acesso a essa dimens\u00e3o da imagem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Supor o buraco, que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o da \u201cn\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, como o pr\u00f3prio segredo da imagem, permite pensar o corpo do ser falante mais al\u00e9m de sua falta e mortifica\u00e7\u00e3o, para aludir a um corpo vivo, um corpo que goza. \u201cH\u00e1 Um\u2026 completa o \u201cN\u00e3o h\u00e1\u201d da rela\u00e7\u00e3o sexual. Como diz Lacan no Semin\u00e1rio \u2026ou pior,\u00a0<em>\u00e9 o Um-sozinho em seu gozo<\/em>. A n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual corresponde ao primado do autoerotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob este quadro, poder\u00edamos afirmar que hoje as imagens do corpo colocam em evid\u00eancia que se transp\u00f4s a barreira da imagem amada para mostrar seu segredo. J\u00e1 n\u00e3o se trata do corpo adorado, sen\u00e3o do corpo aberto. N\u00e3o h\u00e1 barreira entre interior-exterior, mas continuidade. Encontramos o resultado fragmentado do corpo e o adeus \u00e0 unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se na experi\u00eancia cotidiana nossos olhos revelam essa verdade, a experi\u00eancia anal\u00edtica oferece a possibilidade de que cada parl\u00eatre encontre seu segredo e invente, a partir da\u00ed, como se fazer um corpo. Um corpo que tenha uma consist\u00eancia singular, n\u00e3o mais da imagem ou da fantasia, mas sinthom\u00e1tica, isto \u00e9, saber fazer da maneira como se faz com o corpo, quer dizer, ter uma id\u00e9ia de \u201csi mesmo\u201d, o que talvez possamos aproximar do que Lacan chamou \u201cfazer-se um ego\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Lacan, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 19<\/em>\u00a0<em>\u2026ou pior<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Miller, J-A.\u00a0<em>La imagen del cuerpo en el psicoan\u00e1lisis\u00a0<\/em>(1995). En Introducci\u00f3n a la Cl\u00ednica Lacaniana. Conferencias en Espa\u00f1a. ELP. 2006<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Brousse, M. H.\u00a0<em>Corps sacralis\u00e9, corps ouverts: de l\u2019existence, mise en question, de la peau<\/em>. In\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Holguin, C. M.\u00a0<em>Una cosm\u00e9tica sin barrera, m\u00e1s all\u00e1 de la piel \u2013\u00a0<\/em>Trabajo presentado en ENAPOL, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1050,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049\/revisions\/1050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}