{"id":1053,"date":"2021-09-02T12:39:12","date_gmt":"2021-09-02T15:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1053"},"modified":"2021-09-02T12:39:22","modified_gmt":"2021-09-02T15:39:22","slug":"claudia-velasquez-uma-nota-sobre-a-identificacao-narcisista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/claudia-velasquez-uma-nota-sobre-a-identificacao-narcisista\/","title":{"rendered":"Claudia Vel\u00e1squez &#8211; Uma nota sobre a identifica\u00e7\u00e3o narcisista"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Claudia Vel\u00e1squez<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condessa de Castiglione, nobre italiana que viveu na Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XIX, ilustra o que \u00e9 uma identifica\u00e7\u00e3o narcisista. Assim como prop\u00f5e Miller: \u201cA condessa de Castiglione n\u00e3o necessita de ningu\u00e9m. Como indica o lema \u2018o solteiro faz seu chocolate ele mesmo\u2019, a condessa de Castiglione faz seu olhar ela mesma, n\u00e3o necessita de ningu\u00e9m para fazer seu olhar\u201d.[1] Al\u00e9m disso, a condessa pode se permitir dizer que goza de si mesma fotografando-se.[2] A partir dessas cita\u00e7\u00f5es, se poderia ent\u00e3o afirmar que a identifica\u00e7\u00e3o narcisista funda-se no olhar sobre si mesmo \u2013 sem o olhar do Outro \u2013 e que disso obt\u00e9m-se um gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condessa, bela mulher, amante de Napole\u00e3o III, posou centenas de vezes para um c\u00e9lebre fot\u00f3grafo da \u00e9poca. Ia com frequ\u00eancia ao seu est\u00fadio para se encontrar com sua pr\u00f3pria imagem. Suas fotografias caracterizam-se por, em todas elas, representar personagens diversos, no enquadre de uma cena. Assim que morreu um poeta franc\u00eas comprou mais de 400 de suas fotografias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para definir o olhar Lacan recorre, em um dado momento de seu ensino, \u00e0 fotografia. E coloca o olhar como \u201co instrumento atrav\u00e9s do qual sou foto-grafado\u201d.[3] O olhar, em primeiro lugar, seria como o aparelho fotogr\u00e1fico que olha e, ao faz\u00ea-lo, convida a ser olhado. Em segundo lugar, o olhar, como o aparelho fotogr\u00e1fico, seria o instrumento por meio do qual \u201cse encarna a luz\u201d.[4] Ent\u00e3o, ao ser olhado, o sujeito \u00e9 foto-grafado, nele se imprime o efeito luminoso desse objeto olhar. Assim, de um lado est\u00e1 aquilo que olha e do outro aquilo em que se converte o que \u00e9 olhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estabelecer o olhar como aquilo que foto-grafa o sujeito, mostra que, para Lacan, ele est\u00e1 primeiro fora, isto \u00e9, pertence ao campo do Outro. Portanto, antes de olhar, \u201csou olhado\u201d. Esse olhar, que vem de fora, \u00e9 pensado como uma ranhura, (tal como o aparelho fotogr\u00e1fico), como uma janela, atrav\u00e9s da qual se v\u00ea.[5] Assim, \u201cO olhar n\u00e3o \u00e9 ver, n\u00e3o \u00e9 olhar, mover os olhos, o olhar est\u00e1 em primeiro lugar no Outro\u201d.[6]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ranhura que \u00e9 o olhar no campo do Outro, em sua forma mais elementar, \u00e9, segundo Lacan, uma mancha.[7] Da\u00ed que o olhar se refira a isso que fascina e n\u00e3o ao fascinado.[8]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se referir ao est\u00e1dio do espelho, deciframento do narcisismo freudiano, Lacan coloca que \u00e9 esse instante de parada no movimento da crian\u00e7a diante do espelho, de atitude bloqueada, de suspens\u00e3o do gesto, que produz o efeito fascinador, fascinum[9] da imagem. E est\u00e1 em estreita rela\u00e7\u00e3o com a morte. \u201cO fascinum \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o antivida, antimovimento, desse ponto terminal e \u00e9 precisamente uma das dimens\u00f5es em que se exerce diretamente o poder do olhar\u201d.[10]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narcisismo \u00e9 o nome que a experi\u00eancia anal\u00edtica deu a uma ordem particularmente satisfat\u00f3ria para o sujeito, cuja estrutura essencial \u00e9 dada pela imagem especular. O sujeito se apoia na satisfa\u00e7\u00e3o que dela emana, para produzir um desconhecimento de algo que lhe \u00e9 intr\u00ednseco: a fun\u00e7\u00e3o do olhar. O elidido, o evitado no narcisismo \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do olhar.[11] A satisfa\u00e7\u00e3o que se alcan\u00e7a em ver-se a si mesmo n\u00e3o inclui o olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse olhar evitado no narcisismo \u00e9 aquele que est\u00e1 fora e que nos faz ser, primeiro, sujeitos olhados. Portanto, o elidido no narcisismo \u00e9 que \u201cisso olha\u201d. Assim, a condessa de Castiglione exemplifica a identifica\u00e7\u00e3o narcisista ao olhar-se a si mesma, elidindo inclusive, o olhar do aparelho fotogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] J.-A. Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, p.420[2] J.-A. Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, p.431[3] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113[4] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113[5] Miller, \u201cLas c\u00e1rceles del goce\u201d en Im\u00e1genes y miradas, EOL, Buenos Aires, 1994, p. 27[6] Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2004, p.424[7] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113[8] Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2004, p 424[9] fascinum, personifica\u00e7\u00e3o do falo divino. Na etimologia aparece tanto a fascina\u00e7\u00e3o, encantamento, como\u00a0 o rem\u00e9dio contra este \u00faltimo.\u00a0 http:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Fascinus[10] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 124[11] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 82<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1053"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1053"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1055,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1053\/revisions\/1055"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}