{"id":1097,"date":"2021-09-02T15:03:38","date_gmt":"2021-09-02T18:03:38","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1097"},"modified":"2021-09-02T15:03:57","modified_gmt":"2021-09-02T18:03:57","slug":"monica-torres-noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/monica-torres-noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras\/","title":{"rendered":"M\u00f3nica Torres &#8211; Noite do Conselho Imagens deslumbrantes, eclipse das palavras"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00f3nica Torres<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1095 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/pic-297x300-1.jpg\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/pic-297x300-1-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/pic-297x300-1-200x202.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/pic-297x300-1.jpg 297w\" sizes=\"(max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 tua rela\u00e7\u00e3o visual hoje? Hoje e agora! Now!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscava, desde que recebi o convite, como encontrar algo novo a dizer sobre este tema. Falando, h\u00e1 dez dias, com meu querido amigo Fabi\u00e1n Fajnwaks por telefone, os dois, como costuma nos acontecer, est\u00e1vamos com a mesma dificuldade. O que mais se pode dizer do imagin\u00e1rio? N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa o imagin\u00e1rio e a imagem.<br \/>\nEm\u00a0<strong><em>intens\u00e3o<\/em>\u00a0<\/strong>podemos dizer que no ensino de Lacan a constru\u00e7\u00e3o borromeana substitui o est\u00e1dio do espelho, trata-se do corpo gozante. Disso falaremos em nosso pr\u00f3ximo Congresso. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre as imagens e o gozo do corpo falante.<br \/>\nEm\u00a0<strong><em>extens\u00e3o<\/em><\/strong>, tenho lido e lido. Gerard Wajcman, que sempre leio, publica em Enlaces com assiduidade, admiro o que escreve. \u00c9 imprescind\u00edvel ler \u201cO olho absoluto\u201d. Falarei algo sobre ele.<br \/>\nMas, busquei outros autores: Boris Groys, Hito Steyerl, Roland Barthes, temo que poderia passar meus quinze minutos dizendo nomes da extensa bibliografia. Palavras, palavras que falam das imagens.<br \/>\nNo final de semana passado lia a Revista do Jornal\u00a0<em>La Naci\u00f3n<\/em>: tudo era sobre as imagens: Rubius no festival de youtubers. Uma recente estreia em Buenos Aires: International Fashion Festival, uma competi\u00e7\u00e3o de curtas publicit\u00e1rios.<br \/>\nUma nota sobre Marina Abramovic e suas performances: uma guerreira da arte, era o t\u00edtulo da nota. Ela, suponho que voc\u00eas a conhe\u00e7am, trabalha com seu corpo\u2026<br \/>\nEnfim toda a Revista do fim de semana do dia 11 e 12 de abril dedicada \u00e0s imagens\u2026 Deslumbrantes? Nem sempre\u2026<br \/>\nTerei pois, que fazer um recorte que n\u00e3o exceda meu tempo\u2026 veremos o que se produz na conversa\u00e7\u00e3o. Vou me concentrar em Hito Steyerl que segue as linhas do seu principal mentor Harun Farocki.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O museu e a f\u00e1brica<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta artista nascida na Alemanha, de origem japonesa, cita em um dos seus ensaios do livro \u201cOs condenados da tela\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, o qual recomendo, o filme \u201cA hora dos fornos\u201d de Pino Solanas e Octavio Getino do grupo\u00a0<em>Cinema Liberaci\u00f3n<\/em>. Filmado em 1968, a autora nos recorda que em toda a proje\u00e7\u00e3o era preciso colocar o cartaz \u201cCada espectador \u00e9 um covarde ou um traidor\u201d,\u00a0<em>Tercer Cine<\/em><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Onde esse filme era exibido? Nas f\u00e1bricas.<br \/>\n\u00c9 verdade, dou f\u00e9.<br \/>\nAtualmente, os filmes pol\u00edticos n\u00e3o se exibem em f\u00e1bricas. Exibem-se no Museu ou em galerias: em espa\u00e7os de arte. Em qualquer tipo de \u201cCubo branco\u201d, assim chamados.<br \/>\nEm primeiro lugar, a f\u00e1brica quase desapareceu no ocidente, s\u00e3o usadas frequentemente como museus, e filmes pol\u00edticos se exibem nestas f\u00e1bricas, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram. Ainda que sejam as mesmas, j\u00e1 n\u00e3o o s\u00e3o.<br \/>\nAntes essas f\u00e1bricas eram um lugar de trabalho industrial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora as pessoas passam nesses espa\u00e7os os seus momentos de \u00f3cio, de frente para uma tela.<br \/>\nAntes, gente trabalhando em uma f\u00e1brica, agora gente trabalhando em casa no computador, ou em seus momentos de \u00f3cio, vendo com avidez esses filmes antigos frente \u00e0 tela da televis\u00e3o, em um museu.<br \/>\nA Factory (f\u00e1brica) de Andy Warhol fez-se realidade.<br \/>\nEst\u00e1 nos quartos, nos dormit\u00f3rios, nos sonhos, nos afetos e efeitos. No museu como f\u00e1brica algo continua se produzindo: instala\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, etc. Um supermercado da imagem.<br \/>\nH\u00e1 uma instala\u00e7\u00e3o Harun Farocki \u201cTrabalhadores saindo da f\u00e1brica\u201d (1995-2006). Instala\u00e7\u00e3o esta que toca o real, exibida em v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive na Argentina. Nela podem ser vistas as filmagens de trabalhadores saindo da f\u00e1brica, em numerosos filmes de diferentes \u00e9pocas. Mas agora os oper\u00e1rios que saem da f\u00e1brica v\u00e3o ao museu. Retornam talvez \u00e0 mesma f\u00e1brica. A f\u00e1brica Lumi\u00e8re, que antes produzia filmes fotogr\u00e1ficos foi declarada monumento hist\u00f3rico. Tem uma sala de cinema que pode ser contratada por empresas. A publicidade diz \u201cUm local carregado de hist\u00f3ria e emo\u00e7\u00e3o para seus almo\u00e7os, coquet\u00e9is e jantares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os oper\u00e1rios que saiam da f\u00e1brica em 1895 voltaram a emergir dentro do mesmo espa\u00e7o, agora s\u00e3o um espet\u00e1culo. Pelo menos nos EUA e Europa.<br \/>\nAs pol\u00edticas cinematogr\u00e1ficas s\u00e3o p\u00f3s-representacionais, n\u00e3o pretendem \u201ceducar\u201d a multid\u00e3o: produzem a multid\u00e3o. O que falta no museu como f\u00e1brica? Uma sa\u00edda. Se a f\u00e1brica incessante de produ\u00e7\u00e3o de imagens n\u00e3o se det\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 como escapar.<br \/>\nO resultado? N\u00e3o se trata de imagens deslumbrantes, e sim de imagens pobres. De baixa resolu\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o desfocadas como o personagem de Woody Allen em \u201cDirigindo no escuro\u201d (Hollywood ending)<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, ou em \u201cDesconstruindo Harry\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0cujo protagonista cr\u00ea ter alguma enfermidade por ver tudo fora de foco, sendo um diretor de cinema! Em um \u00e9 cego, no outro v\u00ea tudo borrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos \u00e0s imagens pobres. Por que pobres? Porque as formas de consumo tem ido contra as imagens deslumbrantes ou ricas. O cinema se fez quase invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A privatiza\u00e7\u00e3o e a pirataria nos provisionam de c\u00f3pias pobres que circulam amontoadas no Youtube, muitas obras de cinema vanguardista t\u00eam sido ressuscitadas como imagens pobres. Contudo, a apari\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>streaming<\/em>\u00a0de v\u00eddeo \u2013 on line (por exemplo Netflix) pode nos prover ainda de imagens ricas ou deslumbrantes, mais ou menos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas s\u00e3o as imagens pobres, tamb\u00e9m imagens populares, as que circulam por exemplo, no Youtube e expressam as emo\u00e7\u00f5es das massas contempor\u00e2neas: oportunismo, narcisismo e ao mesmo tempo, absoluta novidade e submiss\u00e3o. Do mesmo modo: intensidade, decis\u00e3o, distra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m paranoia e medo. (Ver Black Mirror)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A foto ou a imagem \u00e9 \u201canterior\u201d ao fato como no conto \u201cAs babas do diabo\u201d, de Julio Cort\u00e1zar que Antonioni levou ao cinema como \u201cBlow up\u201d.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ver-ser visto: O direito \u00e0 imagem.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser vis\u00edvel \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wacjman tamb\u00e9m se refere a Andy Warhol \u201cCada um teria no futuro seus quinze minutos de fama\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mais do que isso: o narcisismo se eleva \u00e0 dimens\u00e3o de arte, o exibicionismo \u00e9 um esporte de massas ou multid\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para viver, para existir, temos de ser vistos. Direito de olhar e direito ao olhar. Estamos em uma civiliza\u00e7\u00e3o do olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan esclareceu a esquize do olho e do olhar. Mas, entre ver e ser visto havia uma solidariedade e ao mesmo tempo uma oposi\u00e7\u00e3o irreconcili\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo de Wajcman \u00e9 claro: na Inglaterra, a v\u00eddeo vigil\u00e2ncia permite que, al\u00e9m de exercer seu voyeurismo habitual, uma pessoa sentada em frente \u00e0 sua televis\u00e3o possa se ver filmada por uma c\u00e2mara de vigil\u00e2ncia instalada em frente \u00e0 sua casa, isso porque existem redes de televis\u00e3o que difundem tais imagens. O espectador da televis\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo voyeur e exibicionista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo \u00e9 daquilo que se v\u00ea e se faz ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel olhar conservando a dist\u00e2ncia\u2026 e isso vale para o adolescente fechado em seu quarto, como para os drones com que o ex\u00e9rcito de Estados Unidos pode atacar os talib\u00e3s do Afeganist\u00e3o, e o piloto estar a 11.000 quil\u00f4metros de Kabul. E, ainda, tudo isso pode ser visto de suas casas se conseguirmos a s\u00e9rie \u201cHomeland\u201d ou a mais popular, \u201cHouse of cards\u201d. \u00c9 interessante ler \u201cTr\u00eas notas para introduzir a forma \u201cs\u00e9rie\u201d. Enlaces n\u00ba 15, artigo de Wajcman.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wajcman nos d\u00e1 outro exemplo: ele chama o GPS de \u201cO grande pensador supremo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e1quina nos ensina onde ir com sua voz imperativa, nos diz que poderia chamar-se GSM (global sadomasoquismo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o GPS nos diz onde estamos, mas al\u00e9m de n\u00f3s sabermos, o sistema sabe. O sistema procura guardar a mem\u00f3ria de todos os movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Inglaterra n\u00e3o se usam documentos de identifica\u00e7\u00e3o, a foto da identidade hoje \u00e9 obsoleta em muitos pa\u00edses. Discutiu-se isso no parlamento e consideram que \u00e9 um ataque \u00e0 privacidade do indiv\u00edduo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as c\u00e2meras tem controle dos cidad\u00e3os o tempo todo. Todos os cidad\u00e3os, a todo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo sob controle. Mas, realmente tudo pode estar sob controle?<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Onde est\u00e1 o piloto? A trag\u00e9dia da Germanwings.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ultimamente existem avi\u00f5es que desaparecem, come\u00e7ou-se a perder avi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorreu com um avi\u00e3o da Air France em 2009, morreram 228 pessoas. H\u00e1 pouco desapareceram um ou dois avi\u00f5es da linha a\u00e9rea da Mal\u00e1sia. Produziu-se aquilo que Wacjman chamou de um efeito \u201cTitanic\u201d. Os avi\u00f5es desapareceram das telas do radar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o se suportou foi \u201cn\u00e3o ver\u201d. Recordemos Miguel Strogoff de Julio Verne ou o filme \u201cDe olhos bem fechados\u201d de Kubrick.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XX ningu\u00e9m viu nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wajman reproduz o roteiro de \u201cHiroshima, mon amour\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELE: N\u00e3o viste nada em Hiroshima. Nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELA: Vi tudo. Tudo\u2026Vi o hospital. Estou certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O hospital existe em Hiroshima. Como poderia n\u00e3o t\u00ea-lo visto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELE: N\u00e3o viste nenhum hospital em Hiroshima. N\u00e3o viste nada em Hiroshima\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo XX n\u00e3o viu nada. E aquilo que viu, n\u00e3o o viu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo XXI quer ter os olhos bem abertos.\u00a0<em>Isso,\u00a0<\/em>nunca mais! E Wajcman acrescenta, a cada dia o mundo d\u00e1 provas que\u00a0<em>isso<\/em>\u00a0segue ainda e sempre. A cegueira continua de outro modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de 11 de setembro, que tamb\u00e9m n\u00e3o foi visto se aproximando. Eu mesma quando vi o ataque \u00e0s Torres pela televis\u00e3o, acreditei que era uma reedi\u00e7\u00e3o da primeira performance, aquela que Orson Welles fez pelo r\u00e1dio em 1938: A guerra dos mundos. Pretendi que se tratasse de uma fic\u00e7\u00e3o, pelo menos por instantes acreditei nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que aconteceu h\u00e1 um m\u00eas?! O avi\u00e3o de Germanwings, subsidiaria da Lufthansa, a melhor das companhias a\u00e9reas, um orgulho alem\u00e3o, conste, desconsiderou o fator humano. N\u00e3o viu que havia um suicida perigoso na cabine transportando 150 passageiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A porta fechada para evitar o terrorista que se infiltrou entre os passageiros do 11-S e a frase de Zizek \u201cBem-vindos ao deserto do real\u201d, tamb\u00e9m se enfiaram na cabine desta vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechou-se a porta ent\u00e3o, o co-piloto se trancou na cabine e n\u00e3o foi visto, n\u00e3o se p\u00f4de ver que este homem, um louco, um megaloman\u00edaco suicida, era o terror dentro da cabine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estupor do mundo, alem\u00e3es, franceses, espanh\u00f3is, no fim, o mundo inteiro decidiu que o controle dos pilotos e dos co-pilotos devem ser mais certeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li um artigo no \u201cLa Naci\u00f3n\u201d que dizia que se estava pensando em um avi\u00e3o dirigido por rob\u00f4s, e que j\u00e1 se pensara em substituir o co-piloto por uma m\u00e1quina, e talvez poder-se-ia tamb\u00e9m substituir o piloto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os avi\u00f5es como drones. Para evitar o fator humano. Mas quem comanda os drones?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um mundo de m\u00e1quinas onde tudo possa ser visto e controlado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode controlar o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 absolutamente necess\u00e1rio para um sujeito que o Outro n\u00e3o possa ver tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 necess\u00e1rio proteger o \u00edntimo \u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um encontrar\u00e1 sua solu\u00e7\u00e3o singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa possibilidade seria de estremecer, sabemos disso. Assim creio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psicanalista deve guiar-se pelo real. Real que as imagens em geral velam. Ainda que, \u00e0s vezes, as imagens toquem o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Paola Salinas<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Alus\u00e3o a \u201cLos condenados de la tierra\u201d de Fanon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Movimento latino-americano nos 1960s- 70s, que denuncia o neocolonialismo, o sistema capitalista e o modelo de Hollywood do cinema como mero entretenimento para ganhar dinheiro. O termo foi cunhado no manifesto\u00a0<em>Hacia un Tercer Cine<\/em>\u00a0(Rumo a um Terceiro Cinema), escrito na d\u00e9cada de 1960 por cineastas argentinos Fernando Solanas e Octavio Getino, membros do Grupo Cine Liberaci\u00f3n e publicado em 1969 na revista Tricontinental cinema pela OSPAAAL (Organiza\u00e7\u00e3o de Solidariedade com o Povo da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Em espanhol: \u201cLa mirada de los otros\u201d, o olhar dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/noite-do-conselho-imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-monica-torres\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Em espanhol: \u201cLos secretos de Harry\u201d, os segredos de Harry.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1097"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1099,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions\/1099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}