{"id":1106,"date":"2021-09-02T15:15:48","date_gmt":"2021-09-02T18:15:48","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1106"},"modified":"2021-09-02T15:15:48","modified_gmt":"2021-09-02T18:15:48","slug":"maria-elena-lora-enxame-digital-e-o-auge-da-transparencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/maria-elena-lora-enxame-digital-e-o-auge-da-transparencia\/","title":{"rendered":"Mar\u00eda Elena Lora &#8211; Enxame digital e o auge da transpar\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mar\u00eda Elena Lora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, nossa \u00e9poca est\u00e1 marcada por uma extraordin\u00e1ria prolifera\u00e7\u00e3o da literatura sobre o poder das imagens. Por\u00e9m, a presen\u00e7a de um enxame digital e a multiplica\u00e7\u00e3o de uma realidade virtual que se interp\u00f5e entre o sujeito e o real \u00e9, para a psican\u00e1lise, um tema especialmente atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, para abordar os efeitos do poder da imagem, uma vertente \u00e9 seguir a reflex\u00e3o a respeito da atual modernidade tecnol\u00f3gica em que a sociedade est\u00e1 imersa com tanto \u00edmpeto. E, para isto, proponho comentar algumas ideias sobre o texto \u201c<em>A sociedade da transpar\u00eancia<\/em>\u201d, do fil\u00f3sofo coreano Byung-Chul Han. A perspectiva deste autor \u00e9 orientadora, a partir de pequenos e concentrados cap\u00edtulos nos quais vai desenhando uma revis\u00e3o cr\u00edtica e radical \u00e0 contemporaneidade, concentrando seu olhar agudo sobre as mudan\u00e7as que se propagam nos sujeitos e nas rela\u00e7\u00f5es detonadas pela gal\u00e1xia digital, o\u00a0<em>multimasking\u00a0<\/em>e a anula\u00e7\u00e3o da singularidade na opacidade do \u201cinferno do igual e da transpar\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fil\u00f3sofo indaga com sarcasmo e capina um caminho atrav\u00e9s do matagal constitu\u00eddo por aquilo que veio colocando sobre as transforma\u00e7\u00f5es consequentes de uma subjetividade que navega debilitada e \u00e0 deriva, sob a for\u00e7a incans\u00e1vel da mar\u00e9 do consumo. Assim, permite vislumbrar que \u201co ideal de transpar\u00eancia vai hoje muito mais al\u00e9m da den\u00fancia da corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da defesa da liberdade de informa\u00e7\u00e3o, chega ao \u00e2mbito do ser que fala para transformar seu universo, sem alteridade poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que quer dizer transparente neste tempo? Significa a possibilidade de saber tudo sobre o Outro, mas n\u00e3o apenas como possibilidade, mas como um imperativo constante. \u00c9 uma exig\u00eancia que aqueles que est\u00e3o frente a frente ou de maneira virtual se desnudem, fazendo da sociedade de transpar\u00eancia, algo como uma \u201cexposi\u00e7\u00e3o sem segredos diante do olhar do Outro, exposi\u00e7\u00e3o que aniquila a dist\u00e2ncia do \u00edntimo em um ideal de integra\u00e7\u00e3o de qualquer alteridade\u201d, quando se trata mais de redirigir o olhar e refletir que \u00e9, precisamente, essa falta de transpar\u00eancia, o que mant\u00e9m viva, a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7o como um fator pr\u00f3prio de ineg\u00e1vel presen\u00e7a na condi\u00e7\u00e3o humana. Uma rela\u00e7\u00e3o transparente \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o morta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, pensar que tendo torres de informa\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o permitiria exercer uma melhor decis\u00e3o sobre qualquer tema. Desta maneira, se postula como poss\u00edvel que algu\u00e9m possa dominar tudo o que est\u00e1 nas redes, na Internet. Coloca-se a equa\u00e7\u00e3o de que quanto maior a quantidade de informa\u00e7\u00e3o que um sujeito administre, melhores decis\u00f5es tomar\u00e1. Esta equa\u00e7\u00e3o sup\u00f5e crer em um todo desde uma perspectiva positiva, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para o sofrimento e a dor. Por exemplo, na Internet, no Facebook, todos podem \u201cestar apaixonados sem ficar apaixonados\u201d, dado que se tem a suficiente informa\u00e7\u00e3o e um n\u00edvel de racionalidade superior e, com isto, se pretende ter a capacidade de domesticar o amor, o gozo ou o que \u00e9 o mesmo, se pode emitir um veredicto final que alimenta o narcisismo no ele \u201ccurte\u201d do Facebook. Assim, a partir desta modalidade, se gera a \u201cimagem comunica\u00e7\u00e3o\u201d entre quem se segue nas redes e tamb\u00e9m se gera rapidamente, recha\u00e7o contra aqueles que n\u00e3o \u201ccurtem\u201d nenhuma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a prop\u00f3sito desta transpar\u00eancia, tende-se a atuar mais como uma sociedade da pornografia, na qual se exige um m\u00fatuo desnudamento sem limites, distanciando-se cada vez mais da singularidade opaca do gozo. Esta forma de relacionar-se n\u00e3o permite jogar sobre terrenos n\u00e3o definidos, n\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 conting\u00eancia. Tudo se deseja sentir mais r\u00e1pido e mais, n\u00e3o se desfruta de sentir as experi\u00eancias uma a uma, demanda-se muitas ao mesmo tempo, gerando-se os problemas de dispers\u00e3o t\u00edpicos da \u00e9poca. Deste modo, se renuncia \u00e0 dist\u00e2ncia e as intimidades se exp\u00f5em, vendem-se em um mercado de imagens enquanto lugar de exposi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob esta perspectiva, o que d\u00e1 valor ao ser humano \u00e9 o aparecer, o colocar-se em um mostru\u00e1rio, quer dizer, a sociedade capitalista terminou por impor como valor m\u00e1ximo o ter, e na sociedade medi\u00e1tica, o que \u00e9 realmente importante \u00e9 exibir-se. Um exemplo s\u00e3o os \u201cselfies\u201d que constituem uma forma de exibicionismo, enquanto implica mostrar uma imagem como uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o oficial de um sujeito, que \u201crefor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de fugacidade e sup\u00f5e um desnudamento na vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, este s\u00e9culo XXI d\u00e1 inicio a um novo tipo de pan\u00f3ptico que n\u00e3o \u00e9 o tipo que propunha Bentham, pois no de agora, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 a diferen\u00e7a entre o centro e a periferia; quer dizer, j\u00e1 n\u00e3o existem c\u00e9lulas que se encontram em disposi\u00e7\u00e3o circular onde o centro governa e controla. No novo pan\u00f3ptico digital, se gera um tipo de ilus\u00e3o de ser livre, se cr\u00ea e se busca controlar tudo, ocupar o posto do que controla a torre sem que o resto possa vigiar. Um modo de se iludir com este poder se d\u00e1 quando, ao estar sentado frente \u00e0 tela da televis\u00e3o, do computador, do\u00a0<em>smartphone<\/em>\u00a0e conectado, al\u00e9m do mais, atrav\u00e9s das redes sociais, \u00e9 que se exerce este papel; que, mais al\u00e9m de cumprir a fun\u00e7\u00e3o de hedonismo de controle, se materializa simples e cruamente em um papel de bisbilhoteiro que goza da transpar\u00eancia mesma, desconhecendo a opacidade que a habita e, por outro lado, \u00e9 o acionar de uma negatividade a participar na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mundo da transpar\u00eancia n\u00e3o permite que nada escape \u00e0 visibilidade nem \u00e0 oportunidade por espa\u00e7os vazios. Desta maneira, cada sujeito se entrega ao olhar pan\u00f3ptico digital, onde \u00e9 servo e ator, ao mesmo tempo. Portanto, a proposta de uma sociedade transparente possibilita a forma\u00e7\u00e3o de grupos casuais, cuja m\u00e1xima fun\u00e7\u00e3o \u00e9 alimentar um eu, um narcisismo individual em que cada um busca construir uma marca de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, nesta reflex\u00e3o \u00e9 fundamental assinalar, diante do imp\u00e9rio da imagem e do c\u00e1lculo do olhar, como a experi\u00eancia anal\u00edtica trata mais de abrir, ali onde a transpar\u00eancia digital esconde a exig\u00eancia do sem-sentido, fecha-se \u00e0 conting\u00eancia e ao buraco mesmo da exist\u00eancia, para construir, tal como indica Lacan, uma cl\u00ednica canalizada pelo que n\u00e3o anda, por aquilo que \u00e9 ineg\u00e1vel, como a intimidade do gozo que habita o corpo no ser que fala.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia Geral<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>&#8211; Byung-Chul Han. \u201cLa sociedad de la transparencia\u201d Ed. Herder, Espa\u00f1a (2013)<\/li>\n<li>&#8211; Bassols, M. \u201c<em>Sociedad de la transparencia, opacidad de la intimidad\u00a0<\/em>\u201d miquelbassols.blogspot.com<\/li>\n<li>&#8211; Bassols, M.\u00a0<em>\u201cEl imperio de las im\u00e1genes y el goce del cuerpo hablante\u201d<\/em>\u00a0Texto VII Enapol<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1106"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1107,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions\/1107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}