{"id":1118,"date":"2021-09-02T15:27:37","date_gmt":"2021-09-02T18:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=1118"},"modified":"2021-09-02T15:27:37","modified_gmt":"2021-09-02T18:27:37","slug":"maria-cecilia-galletti-ferretti-o-imaginario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/maria-cecilia-galletti-ferretti-o-imaginario\/","title":{"rendered":"Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti &#8211; O imagin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria Cec\u00edlia Galletti Ferretti<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro ensino de Lacan h\u00e1 um bin\u00e1rio de dois opostos: imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico. O imagin\u00e1rio era, neste momento, um registro a ser ultrapassado para que se chegasse ao simb\u00f3lico, \u00e0 palavra plena, \u00e0 confiss\u00e3o da verdade. Em contrapartida, no \u00faltimo ensino n\u00e3o se trata mais da constru\u00e7\u00e3o de binarismos, mas da cl\u00ednica do enodamento dos tr\u00eas registros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Lacan nos diz \u201co que prevalece \u00e9 o fato de que as tr\u00eas rodinhas participam do imagin\u00e1rio como consist\u00eancia, do simb\u00f3lico como furo, e do real como lhes sendo ex-sistente\u201d (1), e acrescenta o quarto elemento como sendo o sinthoma, opera-se uma mudan\u00e7a fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consist\u00eancia refere-se ao \u201ccar\u00e1ter de um pensamento que n\u00e3o \u00e9 fugidio e impercept\u00edvel, nem contradit\u00f3rio\u201d, implica em considerar que haja uma \u201cfirmeza l\u00f3gica de uma doutrina ou de um argumento\u201d(2). Assim, ao falarmos em imagin\u00e1rio no \u00faltimo ensino de Lacan e em sua consist\u00eancia estamos atribuindo a este registro um peso e uma import\u00e2ncia explicativa e l\u00f3gica. Passa-se, ent\u00e3o, a atribuir a este conceito grande poder explicativo a gerar consequ\u00eancias te\u00f3ricas e cl\u00ednicas. Chama tamb\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o que \u201cconsist\u00eancia\u201d em sua etimologia alude \u00e0quilo que tem resist\u00eancia, que se mant\u00e9m e, neste sentido, faz um contraponto com o \u201cfuro\u201d que Lacan, no texto acima referido, liga ao simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alcance deste registro, o imagin\u00e1rio, no \u00faltimo ensino de Lacan \u00e9 enorme! H\u00e1 muitas possibilidades de articul\u00e1-lo \u00e0s quest\u00f5es que se nos apresentam neste momento do ensino lacaniano, uma vez que, sim, a psican\u00e1lise se altera \u2013 para retomarmos a pergunta que faz Lacan no\u00a0<em>Semin\u00e1rio 11<\/em>, quando indaga sobre a perman\u00eancia dos quatro conceitos fundamentais. Desta forma, \u00e9 por isso, pelo alcance que o conceito de imagin\u00e1rio adquire que Lacan nos diz Em\u00a0<em>A Terceira<\/em>: \u201cTalvez a an\u00e1lise nos introduza a considerar o mundo como o que ele \u00e9 \u2013 imagin\u00e1rio. Isto s\u00f3 pode ser feito ao reduzir a fun\u00e7\u00e3o dita de representa\u00e7\u00e3o, a situ\u00e1-la onde est\u00e1, ou seja, no corpo\u201d(3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, ao fazer esta afirma\u00e7\u00e3o mostra a pregn\u00e2ncia da imagem, naquilo que se refere ao falasser, em rela\u00e7\u00e3o ao corpo. No in\u00edcio de seu ensino j\u00e1 havia insistido no valor de constitui\u00e7\u00e3o da imagem do corpo e depois, ao longo de seus desenvolvimentos te\u00f3ricos e cl\u00ednicos, acentua a import\u00e2ncia do gozo. \u201c O falasser tem de se haver com seu corpo como imagin\u00e1rio, assim como tem de se haver com o simb\u00f3lico. O terceiro termo, o real, \u00e9 o implexo dos dois outros. Trata-se do corpo falante com seus dois gozos, gozo da fala e gozo do corpo\u2026.\u201d(4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos nos referir \u00e0s consequ\u00eancias retiradas destas mudan\u00e7as para a cl\u00ednica que sem d\u00favida, enriqueceu-se. Por isso, Jacques-Alain Miller nos diz: \u201cna \u00e9poca do falasser, digamos a verdade, analisa-se qualquer um\u201d(5). Afirma\u00e7\u00e3o contundente a mostrar que n\u00e3o se trata mais de aguardar propriamente a abertura do inconsciente -que teria escapado das armadilhas do imagin\u00e1rio- para empreender a an\u00e1lise. O que antes era desvalorizado agora n\u00e3o o \u00e9 mais. Pensemos, apenas para citar um exemplo, no matema da transfer\u00eancia que implicava em passar da vertente imagin\u00e1ria para a simb\u00f3lica para construir o saber inconsciente. Interessante tamb\u00e9m considerar que o\u00a0<em>SQ<\/em>\u00a0referido ao analista, se dissesse respeito ao seu corpo, seria simplesmente considerado da ordem imagin\u00e1ria, mas agora h\u00e1 outra dimens\u00e3o no entendimento da presen\u00e7a do corpo do analista. Ao operar com a palavra, com o sil\u00eancio, com a interpreta\u00e7\u00e3o, l\u00e1 est\u00e1 o seu corpo part\u00edcipe da busca de tocar o gozo singular do falasser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema do VII ENAPOL, ao trazer em seu bojo o imp\u00e9rio das imagens no mundo contempor\u00e2neo e, em certo sentido, apontar para um predom\u00ednio a ser revisto, privilegia ainda, o novo estatuto do imagin\u00e1rio na cl\u00ednica lacaniana em suas liga\u00e7\u00f5es com o final da an\u00e1lise, o corpo, o gozo e a imagem. O novo imagin\u00e1rio em Lacan nos faz pensar em poss\u00edveis e diferentes estatutos a serem atribu\u00eddos ao imagin\u00e1rio, levando-se em conta os contextos diversos que inserem tal conceito. Ao falarmos no imagin\u00e1rio que povoa o mundo atual podemos articul\u00e1-lo ao imagin\u00e1rio da cl\u00ednica anal\u00edtica, isto \u00e9, ao imagin\u00e1rio que, sendo agora um conceito fundamental, permeia toda a an\u00e1lise tendo especial import\u00e2ncia em seu final?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cita\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, Livro 23: O sinthoma.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007, p. 55.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lalande, A.\u00a0<em>Vocabulaire technique et critique da la philosophie.<\/em>\u00a0Paris, PUF, 1972, 177.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.\u00a0<em>A terceira.\u00a0<\/em>In:\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana.<\/em>\u00a0Revista Internacional da Psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es E\u00f3lia, n. 62, p. 16.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.A.\u00a0<em>O inconsciente e o corpo falante.<\/em>\u00a0Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do X Congresso da AMP, 2016.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Idem.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1118"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1118"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1119,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1118\/revisions\/1119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}