{"id":832,"date":"2021-09-01T11:03:48","date_gmt":"2021-09-01T14:03:48","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=832"},"modified":"2021-09-01T11:03:48","modified_gmt":"2021-09-01T14:03:48","slug":"flash-no-07-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/flash-no-07-2\/","title":{"rendered":"FLASH n\u00ba 07"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-padding-top:10px;--awb-padding-bottom:10px;--awb-bg-color:#003f5a;--awb-bg-color-hover:#003f5a;--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"font-family: Raleway; letter-spacing: 4px; font-size: 20px; font-weight: 500; margin-bottom: 0px; text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">EDITORIAL<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p style=\"text-align: right;\"><strong>Carlos Augusto Nic\u00e9as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-830 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_niceas.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_niceas-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_niceas-150x150.jpg 150w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_niceas.jpg 201w\" sizes=\"(max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de \u201crainha\u201d, a imagem se faz soberana em seu Imp\u00e9rio, se nos lembrarmos de como fal\u00e1vamos, antes, dela, em 1995, supondo-a poder ser um equivalente no imagin\u00e1rio do significante-mestre no simb\u00f3lico. Agora quando pretendemos interrog\u00e1-la, outra vez, em 2015, \u201cn\u00e3o nos cabe contemplar a realidade mas recolher o que cai do imp\u00e9rio como peda\u00e7os do real que, desde sempre, modulam o sintoma\u201d, como j\u00e1 se disse aqui num dos editoriais deste Boletim (1). Assim, no ENAPOL VII, partilharemos o que nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica nos tem ensinado sobre os novos sintomas da civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 escuta que estamos de sujeitos contempor\u00e2neos deste in\u00edcio de s\u00e9culo, afetados pelo poder das imagens. Analistas de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, n\u00e3o estaremos reunidos, portanto, para fazer uma \u201csociologia psicanal\u00edtica\u201d, da atualidade do Imp\u00e9rio, mas para insistir no inquietante que se esconde atr\u00e1s de seu fasc\u00ednio (2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d e \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d, temas do ENAPOL de 2015 e do Congresso da AMP de 2016, parece apoiar a maioria dos textos deste Flash 07. Um autor, Fernando Vitale, precisa-nos, assim, o eixo sobre o qual se desenrola seu texto: numa civiliza\u00e7\u00e3o \u201cque desdobra triunfalmente todas essas incr\u00edveis possibilidades no campo das imagens, a cl\u00ednica parece nos mostrar que os corpos informam algo que faz obst\u00e1culo\u201d (3), orientado que est\u00e1 pelo que j\u00e1 dissera Miller: \u201cA vontade em jogo, que opera por tr\u00e1s desse imp\u00e9rio, veicula, por defini\u00e7\u00e3o, uma l\u00f3gica que \u00e9 sempre de incita\u00e7\u00e3o, intrus\u00e3o, provoca\u00e7\u00e3o e for\u00e7amento ante a qualquer limite que se lhe oponha\u201d (4). A leitura de dois testemunhos de AE, o de Ram Mandil e o de M. A.Vieira, privilegiando o encontro de cada um com uma imagem particular ao final da an\u00e1lise, permite-lhe ir ao Lacan do \u00faltimo ensino para concluir seu texto: ao lan\u00e7ar um novo olhar sobre o Imagin\u00e1rio, Lacan teria localizado, entre o Imagin\u00e1rio e o Real \u201cuma enigm\u00e1tica refer\u00eancia a um Outro gozo que ele chama Gozo da vida\u201d. O autor nos deixa, ent\u00e3o, com essa refer\u00eancia da qual dever\u00edamos nos servir para pensar nossa cl\u00ednica de hoje (5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus Andr\u00e9 Vieira nos d\u00e1 um texto que p\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o as imagens que na atualidade de nossa civiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201ctomadas como real e n\u00e3o como significantes\u201d e a psican\u00e1lise, que n\u00e3o para de reafirmar Lacan desde sua confer\u00eancia de 1953, \u201cSIR\u201d, nos introduzindo, lembra Marcus, a um necess\u00e1rio espa\u00e7o para o enigma na experi\u00eancia: \u201cS\u00f3 \u00e9 material para a an\u00e1lise aquele elemento que possa significar outra coisa que n\u00e3o ele mesmo\u201d, cita Marcus (6). Ora, se hoje se considera que \u201cn\u00e3o h\u00e1 mais imposs\u00edveis para ci\u00eancia, fica dif\u00edcil levar algu\u00e9m a abrir-se \u00e0 dimens\u00e3o do enigma\u201d. Repensar o\u00a0\u00a0 \u201cinconsciente e o corpo falante\u201d, permite ent\u00e3o a Marcus come\u00e7ar a responder a esta pergunta: \u201cA fal\u00eancia das narrativas, por ocaso da falta, do desejo e do furo, seriam a fal\u00eancia da psican\u00e1lise?\u201d (7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irene Greiser, respondendo ao convite de Miller na apresenta\u00e7\u00e3o do VI Congresso da AMP, pensa a posi\u00e7\u00e3o do analista diante da pornografia como sintoma atual da civiliza\u00e7\u00e3o. Ela quer nos fazer refletir sobre como a escuta do analista pode propiciar ao sujeito uma experi\u00eancia singular com a fantasia inconsciente, confrontado que ele vem \u00e0 oferta massificadora de imagens pornogr\u00e1ficas via Internet (8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mirta Berkoff vai nos interessar pelas mudan\u00e7as das coordenadas do gozo do sujeito contempor\u00e2neo em face da \u201cpresen\u00e7a do feminino e da mulher\u201d: o imp\u00e9rio das imagens lhe \u201cparece facilitar hoje que uma identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem da mulher responda \u00e0 falha na constru\u00e7\u00e3o do corpo\u201d. Assim, ela nos convida mais particularmente a interrogar, na cl\u00ednica com crian\u00e7as, de que maneira essa \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d, na atualidade de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, pode afetar os meninos no exerc\u00edcio de sua sexualidade (9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro do analista, em sua pr\u00e1tica, com \u201cacontecimentos de corpo que revelam um malogro, uma ruptura do ser falante com a imagem narcisista do mesmo\u201d nos \u00e9 de grande interesse cl\u00ednico na elabora\u00e7\u00e3o que nos oferece Susana Dicker (10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando este Flash 07, Maria Helena Barbosa nos prop\u00f5e \u00e0 leitura um exerc\u00edcio rigoroso e fecundo para encontrar os termos de uma homologia de estrutura entre dois textos-refer\u00eancias da psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana (11).<\/p>\n<p>Uma alegre leitura.<\/p>\n<p>______________________________________________<\/p>\n<p>(1) Luis Fernando Carrijo, Flash 3<\/p>\n<p>(2) Fernando Vitale, \u201c<em>Impossible is nothing<\/em>\u00a0ou o enigm\u00e1tico sorriso do gato de Chesire\u201d<\/p>\n<p>(3) idem, ibidem<\/p>\n<p>(4) Miller, na apresenta\u00e7\u00e3o do tema do pr\u00f3ximo Congresso da AMP (<a href=\"http:\/\/www.wapol.org\/\">www.wapol.org<\/a>)<\/p>\n<p>(5) Fernando Vitale, \u201c<em>Impossible is nothing<\/em>\u2026\u201d<\/p>\n<p>(6) Marcus Andr\u00e9 Vieira, \u201cSujeito, objeto e corpo: quem fala?\u201d<\/p>\n<p>(7) idem, ibidem<\/p>\n<p>(8) Irene Greiser, \u201cPornografia\u201d<\/p>\n<p>(9) Mirta Berkoff, \u201cA identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem feminina como resposta \u00e0 falha na constru\u00e7\u00e3o do corpo\u201d.<\/p>\n<p>(10) Susana Dicker, \u201cO drama do espelho\u201d<\/p>\n<p>(11) Maria Helena Barbosa, \u201c(imagem rainha, I), (Significante mestre, S) (objeto\u00a0<em>a,\u00a0<\/em>R<em>)\u201d<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-3 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-1 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-four\"><h4 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:24;line-height:1.5;\">V\u00eddeoflash 4 &#8211; Miquel Bassols Confer\u00eancia de Encerramento do XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano Parte 2<\/h4><\/div><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 1\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M1G8RMRWX4U?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"accordian fusion-accordian\" style=\"--awb-border-size:0px;--awb-icon-size:16px;--awb-content-font-size:15px;--awb-icon-alignment:left;--awb-hover-color:#f9f9f9;--awb-border-color:#cccccc;--awb-background-color:#ffffff;--awb-divider-color:rgba(224,222,222,0);--awb-divider-hover-color:rgba(224,222,222,0);--awb-icon-color:#ffffff;--awb-title-color:#0075a8;--awb-content-color:#222222;--awb-icon-box-color:#333333;--awb-toggle-hover-accent-color:#46b1fd;--awb-title-font-family:&quot;Raleway&quot;;--awb-title-font-weight:600;--awb-title-font-style:normal;--awb-title-line-height:1.5;--awb-content-font-family:&quot;Open Sans&quot;;--awb-content-font-style:normal;--awb-content-font-weight:400;\"><div class=\"panel-group fusion-toggle-icon-boxed\" id=\"accordion-832-1\"><div class=\"fusion-panel panel-default panel-ad534d3e389e4b092 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_ad534d3e389e4b092\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ad534d3e389e4b092\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#ad534d3e389e4b092\" href=\"#ad534d3e389e4b092\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">Impossible is nothing ou o enigm\u00e1tico sorriso do gato de Chesire \u2013 Fernando Vitale<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"ad534d3e389e4b092\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_ad534d3e389e4b092\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que os tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos, depreendidos do argumento que convocou ao trabalho o conjunto dos colegas sediados ao redor das tr\u00eas Escolas da Am\u00e9rica, indicam muito bem que o VII ENAPOL nos convida a explorar o modo como se enovelam, para n\u00f3s, hoje, as tr\u00eas perspectivas que devem ser interrogadas em sua \u00edntima articula\u00e7\u00e3o, com a finalidade de manter viva a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explorar os impasses atuais de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, dar conta de sua incid\u00eancia na transforma\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica com a qual cada praticante se confronta, seja no consult\u00f3rio ou nos mais diversos dispositivos institucionais, revisitar nossos conceitos para tentar cernir com mais precis\u00e3o o que efetivamente fazemos, e compartilhar os resultados que da\u00ed se deduzem, \u00e9 a oportunidade que se apresenta ao nos encontrarmos em S\u00e3o Paulo, nos dias 4, 5 e 6 de setembro pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exploremos, ent\u00e3o, um pouco, algumas das quest\u00f5es para as quais o Encontro nos convoca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 incontest\u00e1vel que o t\u00edtulo \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d \u00e9 uma maneira precisa de caracterizar um dos aspectos mais not\u00f3rios da realidade efetiva em que se desenvolve nossa pr\u00e1tica hoje. N\u00e3o dizemos nada de novo ao afirmar que as incr\u00edveis possibilidades realizadas no mercado das imagens pelos novos dispositivos das tecnoci\u00eancias transformaram radicalmente, em poucos anos, o mundo em que vivemos. O que se trata de questionar como psicanalistas s\u00e3o os novos sintomas que acompanham tal processo. A respeito disso podemos constatar que, ao mesmo tempo em que o sujeito contempor\u00e2neo parecer ter ao alcance da m\u00e3o a toda hora e para os mais diferentes fins todas as imagens que lhe ocorram, o que observamos em nossa cl\u00ednica \u00e9 uma dificuldade crescente de enovelamento do Imagin\u00e1rio corporal. Teremos de explorar o por qu\u00ea, nessa mesma civiliza\u00e7\u00e3o que desenvolve triunfalmente todas essas incr\u00edveis possibilidades no campo das imagens, a cl\u00ednica parece mostrar que os corpos informam algo que faz obst\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, uma quest\u00e3o me parece importante que nos detenhamos: se com a express\u00e3o \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d nos referimos a uma transforma\u00e7\u00e3o somente defin\u00edvel em seu aspecto quantitativo ou se nela h\u00e1 em jogo algo mais inquietante. Miller assinalou que a vontade em jogo que opera atr\u00e1s desse imp\u00e9rio veicula uma l\u00f3gica que \u00e9 sempre de incita\u00e7\u00e3o, intrus\u00e3o, provoca\u00e7\u00e3o e for\u00e7amento em rela\u00e7\u00e3o a qualquer limite que se queira opor(1). Quando repetimos que a incid\u00eancia nos agrupamentos sociais do efeito conjunto do discurso da ci\u00eancia e do discurso capitalista implica, por estrutura, o questionamento de tudo aquilo que antes ocupava a fun\u00e7\u00e3o do que Lacan chamou de Nomes do Pai, n\u00e3o estamos fazendo sociologia psicanal\u00edtica e sim nos referindo a quest\u00f5es palp\u00e1veis diariamente em nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para sustentar esta afirma\u00e7\u00e3o tem-se antes que fazer uma precis\u00e3o. Devemos distinguir o modo absolutamente singular no qual habita em cada um essa inst\u00e2ncia de gozo repetitivo, que levou Freud a postular a exist\u00eancia da Puls\u00e3o de Morte, dos modos de gozo coletivos que se elaboraram, constru\u00edram e sustentaram nos agrupamentos humanos durante s\u00e9culos e se decantaram em tradu\u00e7\u00f5es, sabedorias sedimentadas, etc.(2). \u00c9 a isso que aprendemos com Lacan a chamar de os Nomes do Pai, que encarnam, em cada uma da diferentes culturas, a dimens\u00e3o do grande Outro ao qual cada uma se refere. Esses modos de gozo j\u00e1 sup\u00f5em um modo de fazer algo com essa inst\u00e2ncia de gozo repetitivo, por defini\u00e7\u00e3o opaco e extraviado, dado \u00e0 aus\u00eancia da f\u00f3rmula da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de cada nova inven\u00e7\u00e3o que surge do discurso da ci\u00eancia, sua inser\u00e7\u00e3o nos mercados somente pode fazer t\u00e1bua rasa com as organiza\u00e7\u00f5es culturais pr\u00e9vias que, assim, demonstram seu estatuto de semblantes. Tomando um s\u00f3 exemplo: podemos acaso supor que os modos que prescreviam o encontro entre os sexos poderiam ficar isentos das incid\u00eancias do efeito\u00a0<em>Tinder<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos ent\u00e3o afirmar que o tipo de imagem que se faz imp\u00e9rio sob a promessa do\u00a0<em>impossible is nothing<\/em>\u00a0\u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o perfeita do que Mauricio Tarrab colocava como a matriz operante por detr\u00e1s desse imp\u00e9rio(3). Diante dele o sujeito contempor\u00e2neo fica cada vez mais s\u00f3 e sem recursos frente aos embates com o real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como assinalou em reiteradas oportunidades \u00c9ric Laurent, Lacan captou com precis\u00e3o que Freud chegou numa \u00e9poca na qual j\u00e1 n\u00e3o sobrava mais do que o sintoma como o que verdadeiramente interessava a cada um, pois interroga sobre aquilo que vem perturbar o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, devemos, em primeiro lugar, nos reconhecer nesse mesmo movimento que tantas vezes cansamos de descrever com tanta exatid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa pr\u00e1tica, esteja ou n\u00e3o definida nesse movimento, aponta a confrontar o sujeito colocando em quest\u00e3o os Ideais com que cada um sonha em poder, finalmente, normalizar-se, com essa mesma inst\u00e2ncia repetitiva que resiste \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de deciframento e que demonstra que cada um \u00e9 habitado por marcas singulares que s\u00e3o produto do puro encontro entre\u00a0<em>lal\u00edngua\u00a0<\/em>e corpo, e induzem a um gozo parasit\u00e1rio, que n\u00e3o faria falta, e que, por estrutura, desordena o sonho do gozo suposto em sua natureza corporal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como diz Lacan: \u201cO sintoma \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o da anomalia que consiste o gozo f\u00e1lico, na medida em que nele se desdobra amplamente aquela falta fundamental que qualifico de n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, e acrescenta: \u201cQue o gozo f\u00e1lico se torne an\u00f4malo ao gozo do corpo \u00e9 algo que se percebeu muit\u00edssimas vezes\u201d(4). Recordemos brevemente o itiner\u00e1rio de nossa forma\u00e7\u00e3o: das especularidades do imagin\u00e1rio aos poderes do simb\u00f3lico articulado ao universo das regras. Dos poderes do simb\u00f3lico \u00e0 sua debilidade frente ao real do gozo que resiste e que o sentido n\u00e3o faz mais do que aumentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coloquemo-nos a respeito algumas perguntas b\u00e1sicas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 somente esse real que nos orienta? Ent\u00e3o, o desejo do analista \u00e9 um desejo puro? Lembro a prop\u00f3sito deste ponto uma indica\u00e7\u00e3o precisa de J.-A. Miller:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso se contentasse em fazer par com as exig\u00eancias libidinais do sintoma, o pensamento do psicanalista, quando chega nessa zona na qual desfalece a interpreta\u00e7\u00e3o, nessa zona da an\u00e1lise onde experimentamos a paralisia, correria o risco de ficar aspirado, fascinado, cativado, imobilizado pelo que do sintoma gira em falso(5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dele assume import\u00e2ncia n\u00e3o esquecer que, no final de seu ensino, Lacan interroga de maneira renovada o registro do Imagin\u00e1rio, assinalando que diante do sem limites do empuxo ao gozo que habita cada um, o \u00fanico limite real n\u00e3o \u00e9 dado pelo Nome do Pai, mas pela maneira na qual cada corpo encontra a forma de manter enoveladas suas tr\u00eas consist\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Honrando a terra que nos hospedar\u00e1 em setembro, tomo duas breves refer\u00eancias de dois testemunhos de AE: um de Ram Mandil e outro de Marcus Andr\u00e9 Vieira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ram Mandil est\u00e1 no final de sua an\u00e1lise com uma imagem muito particular extra\u00edda das tr\u00eas fotografias que existem de seu pai em um campo de concentra\u00e7\u00e3o. Em todas ele aparece sem camisa, com o corpo esquel\u00e9tico, por\u00e9m sempre sorrindo. Assinala ent\u00e3o o que isso lhe evoca: \u201csob a sombra da morte, o sorriso da vida\u201d. Diz ent\u00e3o a seu analista: \u201cAmar a vida, fazer de minha vida minha parceira, eis aqui para mim um novo nome do pai, um novo\u00a0<em>sinthoma<\/em>. \u00c9 isso!\u201d(6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcus Andr\u00e9 Vieira tamb\u00e9m refere o surgimento inesperado de uma imagem que s\u00f3 aparece no final de sua an\u00e1lise. \u201cEm um dos \u00faltimos encontros vejo como o analista ri mostrando os dentes. Nunca havia reparado isso. S\u00f3 me recordava de seu sorriso, mas n\u00e3o de seu riso. Ao comentar esta observa\u00e7\u00e3o ele me oferece o que tomei como um \u00faltimo presente, me faz lembrar do sorriso do gato de Alice para indicar o que resta do analista no final. Aquele sorriso que agora levo comigo, que agora est\u00e1 escrito em mim, sempre ser\u00e1 para mim riso, cheio de dentes, mordida\u2026\u201d(7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos dizer que cada uma dessas imagens vale mais do que mil palavras. E isso sempre ser\u00e1 uma verdade mentirosa. Por\u00e9m, teremos de obedecer a Wittgenstein e dizer que o que n\u00e3o pode ser dito deve ser calado? Ou trata-se para cada um deles de mostrar algo que, por defini\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode transcorrer em um campo fora do simb\u00f3lico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o colocou Lacan ali, entre o Imagin\u00e1rio e o Real, uma enigm\u00e1tica refer\u00eancia a um Outro gozo que se chama Gozo da vida? O que nos ensinam estas refer\u00eancias a respeito da efetividade da pr\u00e1tica anal\u00edtica hoje?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Miller, J.-A. \u201cEl inconsciente y el cuerpo hablante\u201d, en\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wapol.org\/\">wapol.org<\/a><\/li>\n<li>Miller, J.-A. \u201cExtimidad\u201d, Editorial Paid\u00f3s, Buenos aires, 2010, p\u00e1g 52.<\/li>\n<li>Tarrab, M. \u201cEl ojo bul\u00edmico y el lobo\u201d, en Flash 04,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oimperiodasimagens.com\/\">oimperiodasimagens.com<\/a><\/li>\n<li>Lacan, J. \u201cLa tercera\u201d, en Intervenciones y textos 2, Ediciones Manantial, Buenos Aires, 1991.<\/li>\n<li>Miller, J.-A. \u201cEl lugar y el lazo\u201d, Editorial Paid\u00f3s, Buenos aires, 2013, p\u00e1g 305.<\/li>\n<li>Mandil, R., \u201cConjunto vac\u00edo\u201d, en Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n\u00famero 15, Grama ediciones, Buenos Aires, 2013, p\u00e1g 92.<\/li>\n<li>Vieira, M. A. \u201cPrimer Testimonio\u201d, en Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n\u00famero 14, Grama Ediciones, Buenos Aires, 2013, p\u00e1g 92.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-4066c31189b1d6a80 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_4066c31189b1d6a80\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"4066c31189b1d6a80\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#4066c31189b1d6a80\" href=\"#4066c31189b1d6a80\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">Sujeito, objeto e corpo: quem fala? \u2013 Marcus Andr\u00e9 Vieira<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"4066c31189b1d6a80\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_4066c31189b1d6a80\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Impacto das imagens e o corpo falante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicio a partir do tema do pr\u00f3ximo Encontro Americano: \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d. Podemos contrapor o \u201cimp\u00e9rio das imagens\u201d ao \u201ccorpo falante\u201d. A primeira express\u00e3o dirige-se ao que convencionamos chamar \u201ca cidade\u201d, propondo-lhe uma leitura: vivemos o imp\u00e9rio das imagens. A segunda, mais enigm\u00e1tica, dirige-se \u00e0 nossa comunidade, ela nos convida a avan\u00e7ar em nosso entendimento sobre o modo como o analista deve situar sua pr\u00e1tica no momento atual da civiliza\u00e7\u00e3o, centrando-a no inconsciente como corpo falante mais do que como mensagem cifrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de J.-A. Miller, que \u00e9 vetor para nossa comunidade, \u00e9 essa: o inconsciente, hoje, muitas vezes se apresenta mais como corpo falante do que como Outra cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos dias, como andam? O tema do ENAPOL nos ajuda. Ele indica, para come\u00e7ar, que nossa civiliza\u00e7\u00e3o fez sua escolha, colocando os poderes da fala submetidos ao imagin\u00e1rio. Assim entendo a ideia de um \u201cimp\u00e9rio\u201d hoje, radicalmente diferente do imp\u00e9rio do pai, muito mais uma presen\u00e7a maci\u00e7a das imagens com sua exig\u00eancia superegoica de subordina\u00e7\u00e3o. A refer\u00eancia aqui \u00e9 Imp\u00e9rio de Negri, e a Biopol\u00edtica de Deleuze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de Lacan, diria que nossos dias vivem no imagin\u00e1rio \u201ccomo se\u201d o simb\u00f3lico n\u00e3o existisse. \u00c9 o mundo das imagens tomadas como real e n\u00e3o como significantes. Este mundo, com suas certezas imediatas, impera sobre o tempo linear das narrativas com suas certezas conquistadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo, o modo como lidamos com os exames de imagem cerebral. Elas s\u00e3o tomadas por si, como se real fossem. Antes havia toda uma discuss\u00e3o diagn\u00f3stica entre pares para decidir o que significavam aquelas manchas. Era no contexto dessa narrativa cl\u00ednica que as imagens ganhavam a fun\u00e7\u00e3o de representar um real. As imagens podiam ser um \u00edcone do real, mas sempre em uma narrativa que vinha traduzi-las como \u00edndices de uma doen\u00e7a. Hoje, as imagens s\u00e3o tidas como o real em si, sem discuss\u00e3o, pois o diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 mais uma produ\u00e7\u00e3o discursiva, seus elementos de composi\u00e7\u00e3o tendem a ser processados pelos computadores. S\u00e3o eles que a princ\u00edpio realizam o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No extremo oposto, a psican\u00e1lise n\u00e3o para de demonstrar como uma imagem (em um sonho, por exemplo) pode ser tomada em um jogo de dizer, na estrutura do significante. Neste caso ela poder\u00e1 vir a dizer mais muito do que indica, por isto abre a dimens\u00e3o do enigma. A refer\u00eancia aqui \u00e9 a confer\u00eancia \u201cSIR\u201d de Lacan que em 1953 j\u00e1 definia \u201cs\u00f3 \u00e9 material para a an\u00e1lise aquele elemento que possa significar outra coisa que n\u00e3o ele mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para isto \u00e9 preciso que haja um espa\u00e7o para o enigma, \u00e9 preciso que haja um vazio no saber, um ponto cego na estrutura. Hoje, quando todos consideram que n\u00e3o h\u00e1 mais imposs\u00edveis para a ci\u00eancia, fica dif\u00edcil levar algu\u00e9m a abrir-se \u00e0 dimens\u00e3o do enigma e, sem enigma, como contar uma hist\u00f3ria? O Outro do discurso e da narrativa exige este ponto de furo. A fal\u00eancia das narrativas, por ocaso da falta, do desejo e do furo, seriam a fal\u00eancia da psican\u00e1lise?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O corpo falante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, o inconsciente nunca foi somente um discurso do sexual recalcado. Se mergulhamos em nossa hist\u00f3ria, como fazemos em uma an\u00e1lise, sempre topamos com algo que fala sem ser, por\u00e9m, narrativa, discurso articulado. Cenas, fragmentos de cenas de cheiros e imagens: o inconsciente nem sempre \u00e9 Outra cena (com estrutura encadeada an\u00e1loga \u00e0 da consci\u00eancia), \u00e9 mais uma alteridade disparatada n\u00e3o encadeada, mas assim mesmo linguageira, que Lacan chamou de lal\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que busca destacar a express\u00e3o \u201cO corpo falante\u201d, com um ganho, de peso: dar lugar a essa experi\u00eancia da l\u00edngua antes da l\u00edngua. Ela n\u00e3o \u00e9 coisa de um c\u00e9u das ideias, mas uma experi\u00eancia de corpo, ou melhor, de um corpo \u201cpr\u00e9-corpo\u201d, j\u00e1 que o corpo \u00e9 habitualmente o espa\u00e7o de uma unidade e estamos falando de algo essencialmente m\u00faltiplo. Assim, n\u00e3o se experimenta exatamente o corpo falante, j\u00e1 que uma experi\u00eancia sup\u00f5e uma subjetiva\u00e7\u00e3o, por um eu bem arrumado. Por isto, dizemos, com Lacan e Miller, que o corpo falante, como lugar de lal\u00edngua, n\u00e3o se experimenta, ele apenas se apresenta, ele \u00e9 vivido como um evento, um \u201cacontecimento de corpo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito de outro modo: uma an\u00e1lise envolve toda uma s\u00e9rie de experi\u00eancias corporais (da Madeleine de Proust ao mal-estar causado por uma lembran\u00e7a desagrad\u00e1vel) vividas por um eu, em seu corpo, como rea\u00e7\u00e3o ao material inconsciente. Mas ela envolve tamb\u00e9m eventos corporais que n\u00e3o s\u00e3o do ego e de seu corpo, mas de algo que o perturba por n\u00e3o ser bem a experi\u00eancia de um Outro discurso afetando o corpo e sim o falante do corpo que vibra e produz um acontecimento. \u00c9 o falante de lal\u00edngua que faz vibrar algo corporal que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 nenhum \u00f3rg\u00e3o do corpo, muito mais \u201centre os \u00f3rg\u00e3os\u201d para usar a express\u00e3o c\u00e9lebre de Freud para localizar seu inconsciente.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-afa7f90dc9dcbd034 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_afa7f90dc9dcbd034\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"afa7f90dc9dcbd034\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#afa7f90dc9dcbd034\" href=\"#afa7f90dc9dcbd034\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">O drama do espelho \u2013 Susana Dicker<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"afa7f90dc9dcbd034\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_afa7f90dc9dcbd034\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema que nos convoca para o VII ENAPOL atualiza o paradoxo do espelho: sua condi\u00e7\u00e3o de suporte da identifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m objeto que causa ang\u00fastia. Isso se enra\u00edza nas duas faces do drama do espelho, que Lacan desenvolve em seu texto de 1949<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, e do qual nos oferecem testemunhos a cl\u00ednica da neurose, a das anorexias-bulimias, a das psicoses e, por que n\u00e3o, as experi\u00eancias com adolecentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento crucial na medida em que torna poss\u00edvel o enovelamento das dimens\u00f5es Real, Simb\u00f3lica e Imagin\u00e1ria. Momento estruturante, onde o triunfo do\u00a0<em>infans<\/em>\u00a0\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma identifica\u00e7\u00e3o, reconhecer-se em uma imagem de si mesmo. Por\u00e9m, tamb\u00e9m paradoxal pois a imagem desse corpo que se reconhece no espelho n\u00e3o \u00e9 a mais pr\u00f3pria, vem do Outro, da imagem do outro que se reconhece antes da sua. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o libidinal, circula\u00e7\u00e3o de libido que \u00e9 perda de gozo \u2013 que at\u00e9 al\u00ed era gozo realizado, autoer\u00f3tico \u2013 mas tamb\u00e9m condi\u00e7\u00e3o para que a imagem se sustente e fa\u00e7a de um corpo fragmentado \u2013 real do corpo em fragmentos \u2013 uma unidade formal e imagin\u00e1ria. Este \u00e9 o paradoxo: \u201cA imagem em sua exterioridade \u00e9 constituinte em rela\u00e7\u00e3o ao ser do sujeito\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida em nossa pr\u00e1tica nos deparamos com acontecimentos de corpo que revelam um malogro, uma ruptura da rela\u00e7\u00e3o do ser falante com a imagem narcisista de si mesmo. S\u00e3o experi\u00eancias de extravio do pr\u00f3prio corpo certas anorexias, quando j\u00e1 n\u00e3o se reconhece como pr\u00f3prio. Trata-se de um defeito fundamental na constitui\u00e7\u00e3o narc\u00edsica dessa imagem, que se mostra insuficiente para manter unidos os registros Simb\u00f3lico e Real, e, portanto, insuficiente como suporte identificat\u00f3rio. \u201cUma devasta\u00e7\u00e3o da imagem [ravage dell\u2019imagine] que permite que o corpo se fa\u00e7a presente em seu puro estatuto de objeto\u00a0<em>a<\/em>\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Por isso, o pulsional retorna do exterior como imperfei\u00e7\u00e3o da imagem, revelando a dificuldade em simbolizar a dimens\u00e3o real corporal. A imagem do corpo magro permite que nos aproximemos de uma diferen\u00e7a entre a cl\u00ednica das neuroses e o que mostram os diversos quadros de anorexia. No primeiro caso, essa imagem pode jogar como significante do desejo do Outro, fazer do semblante o que vem no lugar da aus\u00eancia de falo para entrar na dial\u00e9tica desejo-gozo. E conhecemos o empenho em cultivar a figura magra em nossa \u00e9poca, atrav\u00e9s de tratamentos variados que incluem dietas, exerc\u00edcios, cirurgias. Por\u00e9m, esse corpo magro pode encarnar uma paix\u00e3o \u2013 algo que n\u00e3o nos \u00e9 estranho na anor\u00e9xica contempor\u00e2nea \u2013 e como tal ser testemunha do apego narcisista, da fascina\u00e7\u00e3o mort\u00edfera com a pr\u00f3pria imagem especular que, em sua magreza, encrna um ideal de beleza que se separa do corpo sexual e coloca no centro o objeto olhar, n\u00e3o para causar o desejo do Outro \u2013 t\u00e3o familiar \u00e0 hist\u00e9rica \u2013 mas para provocar a ang\u00fastia do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais radicais ainda s\u00e3o os casos de anorexia psic\u00f3tica, onde \u201cn\u00e3o \u00e9 somente gozo do vazio, mas tamb\u00e9m uma forma de tratamento do vazio, do risco psic\u00f3tico de uma dissolu\u00e7\u00e3o da imagem do corpo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Al\u00ed onde se experimenta ruptura do v\u00ednculo imagin\u00e1rio entre corpo e sujeito, h\u00e1 uma particularidade na anorexia psic\u00f3tica na qual os ossos adquirem relevo na imagem narc\u00edsica, por\u00e9m insuficiente para formar o corpo, dar-lhe identidade. Em seu lugar, a vis\u00e3o do osso na magreza extrema apazigua o psic\u00f3tico pois o resgata da ang\u00fastia diante da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo. O corpo-osso, o corpo-esqueleto, transforma-se em objeto, d\u00e1 consit\u00eancia ao corpo, \u201cunariza o sujeito, pois o corpo anor\u00e9xico n\u00e3o se deixa fecundar pelo s\u00edmbolo. Essa \u00e9 sua esterelidade fundamental\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomeando-as como\u00a0<em>imagens rainha<\/em>, J.-A. Miller designou o corpo pr\u00f3prio, o corpo do Outro e o falo, como imagens que \u201csobrevivem no mundo das imagens em psican\u00e1lise\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Todas s\u00e3o o corpo e, portanto, \u201cs\u00e3o o lugar onde o imagin\u00e1rio se liga ao gozo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>\u2026 sempre que fa\u00e7amos delas um significante. E a\u00ed est\u00e1 o trope\u00e7o, inclusive o fracasso, em alguns dos exemplos mencionados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Lacan, J \u201cO est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do Eu\u201d. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Recalcati, M. (2003):\u00a0<em>Cl\u00ednica del vac\u00edo. Anorexias, dependencias, psicosis,\u00a0<\/em>p. 80, S\u00edntesis, Espa\u00f1a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Recalcati, M- Op. Cit., p 54<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Recalcati, M: Op. Cit., p. 72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Recalcati, M: Op. Cit., p. 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0Miller, J.-A., \u201cA imagem rainha\u201d em\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1997, p. 581.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[6] Miller, J. A., Op. Cit., p .585.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-20b455d6e7bb9da95 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_20b455d6e7bb9da95\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"20b455d6e7bb9da95\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#20b455d6e7bb9da95\" href=\"#20b455d6e7bb9da95\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">A identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem feminina como resposta diante da falha na constru\u00e7\u00e3o do corpo \u2013 Mirta Berkoff<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"20b455d6e7bb9da95\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_20b455d6e7bb9da95\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em um momento onde a presen\u00e7a do feminino e da mulher mudam as coordenadas de gozo do sujeito contempor\u00e2neo. Mas, n\u00e3o \u00e9 apenas a aspira\u00e7\u00e3o feminina atual, \u00e9 tamb\u00e9m o imp\u00e9rio da imagem que parece facilitar hoje que uma identifica\u00e7\u00e3o com a imagem da mulher d\u00ea resposta \u00e0 falha na constru\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta Identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria d\u00e1 unidade ao corpo diante da falha do Espelho e pode suprir a falta de significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica nos casos em que essa l\u00f3gica n\u00e3o esteja presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ter em conta que o que est\u00e1 em jogo a\u00ed pode n\u00e3o ser uma escolha sexual, mas uma resposta \u00e0 falha na corporiza\u00e7\u00e3o, resposta que interpreta o gozo. Quando esta feminiza\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no caso de crian\u00e7as, vemos que, embora n\u00e3o seja tempo ainda de inventar-se uma sexua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos dizer que esta precoce interpreta\u00e7\u00e3o do gozo n\u00e3o ter\u00e1 efeitos sobre sua escolha posterior. No entanto, isso n\u00e3o faz com que nos impliquemos nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, em um caso de uma crian\u00e7a que vem ao consult\u00f3rio e est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de realizar a fantasia materna, fazendo Um com a imagem da irm\u00e3, realizamos constru\u00e7\u00f5es na sess\u00e3o para que n\u00e3o diminu\u00edsse a dieta, para dar volume ao corpo e vivific\u00e1-lo, para que n\u00e3o ficasse reduzido a seu envolt\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-e1077d3386b33523c fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_e1077d3386b33523c\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"e1077d3386b33523c\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#e1077d3386b33523c\" href=\"#e1077d3386b33523c\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">PORNOGRAFIA \u2013 Irene Greiser<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"e1077d3386b33523c\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_e1077d3386b33523c\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A pornografia, onde exibem-se corpos em gozo, enuncia a verdade de que a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe. A pornografia pela Internet faz uso da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Vende-se sexo e comercializam-se fantasias para todos. Voyeurs, exibicionistas, sadomasoquistas, a dois ou a tr\u00eas; como n\u00e3o h\u00e1 card\u00e1pio fixo para a rela\u00e7\u00e3o sexual, a Internet oferece card\u00e1pios\u00a0<em>a la carte.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Miller, em sua apresenta\u00e7\u00e3o do X Congresso, convida os analistas a se interessarem por esse fen\u00f4meno, obviamente n\u00e3o \u00e9 pela vertente de dar uma resposta a partir da moral. A pornografia como sintoma da civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o formato apresentado hoje pelo discurso capitalista, forcluindo o singular da fantasia de cada sujeito, para promover uma ind\u00fastria que vende sexo para todos: os sujeitos n\u00e3o t\u00eam mais de recorrer \u00e0s suas fantasias porque estas aparecem na Internet. Responder a essa massifica\u00e7\u00e3o a partir da psican\u00e1lise, implica oferecer em nossos consult\u00f3rios uma escuta que propicie\u00a0<em>os mouses<\/em>\u00a0de cada um, que n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 venda na Internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-f32c77ed64e71df51 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_f32c77ed64e71df51\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"f32c77ed64e71df51\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-832-1\" data-target=\"#f32c77ed64e71df51\" href=\"#f32c77ed64e71df51\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">(imagem rainha, I), (significante-mestre, S), (objeto a, R) \u2013 Maria Helena Barbosa<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"f32c77ed64e71df51\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_f32c77ed64e71df51\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A hip\u00f3tese que pretendo desenvolver aqui \u00e9 a de que o texto\u00a0<em>A Imagem Rainha\u00a0<\/em>\u00e9 hom\u00f3logo ao texto\u00a0<em>A Terceira<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Imagem Rainha<\/em>, de J-A. Miller, foi apresentado no V Encontro Brasileiro do Campo Freudiano por ocasi\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, no Rio de Janeiro, em abril de 1995. Encontra-se no livro\u00a0<em>Lacan Elucidado*<\/em>, que re\u00fane as palestras de Miller feitas no Brasil desde 1981 at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o da EBP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Terceira**,<\/em>\u00a0de J. Lacan, est\u00e1 na revista\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>. \u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o de Lacan no VII Congresso da Escola Freudiana de Paris, que aconteceu em Roma, em novembro de 1974, mesmo ano em que proferiu o Semin\u00e1rio XXII,\u00a0<em>R.S.I.<\/em>. Pertence a uma s\u00e9rie de tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es de Lacan, em Roma, sendo que a primeira \u00e9\u00a0<em>Fun\u00e7\u00e3o e Campo da Fala e da Linguagem em Psican\u00e1lise<\/em>, de 1953, por ocasi\u00e3o do Semin\u00e1rio I,\u00a0<em>Os Escritos T\u00e9cnicos de Freud\u00a0<\/em>e, a segunda \u00e9\u00a0<em>A psican\u00e1lise. Raz\u00e3o de um fracasso<\/em>, de dezembro de 1967, por ocasi\u00e3o do Semin\u00e1rio\u00a0<em>O Ato Anal\u00edtico<\/em>. \u00c9 como se ele, Lacan, fizesse um movimento de\u00a0<em>apr\u00e8s-coup<\/em>\u00a0sobre estes textos, acrescentando, a cada vez, os tantos anos que se interp\u00f5em entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um, a seu modo, trabalha a partir da no\u00e7\u00e3o de gozo e da topologia do n\u00f3 borromeano, avan\u00e7ando al\u00e9m do \u00c9dipo e da l\u00f3gica cartesiana. Miller est\u00e1 \u00e0s voltas com o imagin\u00e1rio e Lacan sustenta\u00a0<em>A Terceira<\/em>\u00a0pelo real que ela comporta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller, logo na primeira p\u00e1gina, prop\u00f5e introduzir a express\u00e3o\u00a0<em>imagem rainha<\/em>\u00a0como hom\u00f3loga ao\u00a0<em>significante-mestre<\/em>, uma no imagin\u00e1rio e o outro no simb\u00f3lico. Lacan, ao desenvolver a no\u00e7\u00e3o\u00a0<em>real,\u00a0<\/em>colocar\u00e1 o objeto\u00a0<em>a\u00a0<\/em>como hom\u00f3logo ao\u00a0<em>S1<\/em>, um no real, outro no simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na matem\u00e1tica, consideram-se hom\u00f3logos os elementos equivalentes, correspondentes, embora mais ou menos diversos. Proponho, ent\u00e3o, alinhar estes termos da seguinte forma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(imagem rainha, I), (significante-mestre, S), (objeto\u00a0<em>a<\/em>, R)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois, desde o in\u00edcio, privilegiam o objeto olhar como encarna\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<em>a<\/em>, como suporte do gozo. Apresentam o trajeto desde inscrever inicialmente o gozo, como imagin\u00e1rio, na ordem especular, no est\u00e1dio do espelho, at\u00e9 chegar na puls\u00e3o esc\u00f3pica como paradigma do objeto\u00a0<em>a<\/em>, n\u00e3o mais reduzindo o imagin\u00e1rio ao especular e, avan\u00e7ando, esvaziando-o de qualquer subst\u00e2ncia ou semblante poss\u00edvel (seio, fezes, olhar, voz e falo- os objetos parciais), para chegar ao objeto\u00a0<em>a\u00a0<\/em>de pura f\u00f3rmula, no real, onde n\u00e3o h\u00e1 nenhuma esperan\u00e7a de alcan\u00e7\u00e1-lo por meio da representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller, para desenvolver isto, se vale do relato de Freud e sua como\u00e7\u00e3o ao visitar a Acr\u00f3pole para mostrar como todos os enunciados por ele proferidos seriam defesas frente ao gozo, a um mais-de-gozar visual contido na imagem perceptiva e seu j\u00fabilo excessivo. O olhar do pai surge para funcionar como censura, para interditar o gozo. A vis\u00e3o o preenche e \u00e9 a\u00ed que surge o olhar do pai, que recai sobre ele, em seu gozo. Miller aponta que este olhar surge antes de tudo do mais-de-gozar que provoca a censura. A realeza da imagem, que realiza a captura significante do gozo, acontece sob o imp\u00e9rio do olhar que seria um \u201ca mais\u201d, n\u00e3o uma imagem e, sim, \u201co sem imagem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>A Terceira<\/em>, Lacan, por sua vez, esvazia o objeto olhar a partir da opera\u00e7\u00e3o significante tal qual desenvolveu ao longo de sua obra, privilegiando na estrutura do simb\u00f3lico o efeito meton\u00edmico, de suporte de gozo e n\u00e3o seu aspecto metaf\u00f3rico, de sentido, de significa\u00e7\u00e3o ou sexual. O objeto olhar s\u00f3 pode ser compreendido como objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0enquanto um estilha\u00e7o do corpo, destacado do corpo e somente pela psican\u00e1lise. O objeto<em>\u00a0a<\/em>\u00a0s\u00f3 se mant\u00e9m pela exist\u00eancia do n\u00f3 que o constitui e s\u00f3 pode ser apreendido no bloqueio do simb\u00f3lico, do imagin\u00e1rio e do real. Isto o torna operante no real como o objeto do qual justamente n\u00e3o h\u00e1 ideia, relacionado \u00e0 l\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao significante-mestre, Miller aponta que, mesmo que ele seja o significante distinto pelo qual o sujeito busca ser representado no simb\u00f3lico e veiculado na cadeia significante, efetivamente, n\u00e3o existe um significante privilegiado \u2013 a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de significante \u00e9 um elemento\u00a0<em>x\u00a0<\/em>suscet\u00edvel de met\u00e1fora e meton\u00edmia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan coloca o significante-mestre como um representante comercial que insere o sujeito no discurso sem, no entanto, dar conta do saber que \u00e9 sempre imposs\u00edvel de ser reintegrado pelo sujeito. \u00c9 o significante-mestre que s\u00f3 se escreve ao faz\u00ea-lo sem nenhum efeito de sentido. A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o de sentido mas joga com a equivocidade, onde o saber em que consiste o inconsciente somente est\u00e1 enla\u00e7ado ao corpo falante pelo real do qual se goza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o imagin\u00e1rio, tanto para um, como para outro, ser\u00e1 abordado pelo fantasma e localizado no corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9 amplamente desenvolvido no texto de Miller, mesmo porque este \u00e9 seu tema. Apresenta tr\u00eas imagens rainhas da psican\u00e1lise \u2013 o pr\u00f3prio corpo, o corpo do Outro e o falo, todas do corpo, quest\u00f5es do corpo. A estas imagens correspondem tr\u00eas operadores, sendo o espelho para o pr\u00f3prio corpo, o v\u00e9u para o corpo do Outro e, para o falo, toda uma s\u00e9rie de palavras \u2013 o apoio, o pedestal, o enquadre, a fenda, a janela. Estes operadores s\u00e3o operadores visuais que delimitam e isolam o que fica exposto como uma imagem una e que, como tal, passa a ser significantizada e investida na fantasia, termo que a tradu\u00e7\u00e3o utiliza para se referir ao fantasma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller articula que a fantasia, por um vi\u00e9s, \u00e9 considerada uma frase que tem a fun\u00e7\u00e3o de um axioma, e que s\u00f3 podemos fazer da imagem um elemento do registro imagin\u00e1rio se fizermos dela um significante. Por outro, afirma que n\u00e3o h\u00e1 fantasia que n\u00e3o se ofere\u00e7a na ordem imagin\u00e1ria, onde a imagem \u00e9 uma modalidade inevit\u00e1vel da fantasia. A imagem fantas\u00edstica \u00e9 uma imagem im\u00f3vel, um elemento suspenso, fixado e err\u00e1tico, que subsiste a todo tratamento dado pela palavra. Nela se concentra os ditos do analisando e as dedu\u00e7\u00f5es do analista. A diferen\u00e7a entre a imagem rainha e o significante mestre seria que a imagem rainha n\u00e3o representa o sujeito mas, se coordena com seu gozo. \u00c9 a\u00ed que surge a antinomia entre o que \u00e9 pr\u00f3prio ao campo da realidade perceptiva, que sup\u00f5e o recalque do sujeito, e o que \u00e9 lembrado que, no exemplo de Freud, \u00e9 a extra\u00e7\u00e3o do objeto\u00a0<em>a<\/em>, que veio se inscrever no espet\u00e1culo como mais-de-gozar e como olhar. \u00c9 a distin\u00e7\u00e3o que Lacan reestabeleceu entre percep\u00e7\u00e3o e perceptum, uma nova teoria da imagem, por onde ele passa a interrogar o campo da percep\u00e7\u00e3o a partir do desejo e do gozo, enquanto Freud o aborda a partir do recalque, eludindo o mais-de-gozar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan introduzir\u00e1 o imagin\u00e1rio pelo sentido que \u00e9 abordado pelo que surge na jun\u00e7\u00e3o entre o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio, e reduzindo a fun\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o ao corpo, localizando-a no corpo. Sem papas na l\u00edngua, afirma que o pensamento consiste em palavras que introduzem no corpo algumas representa\u00e7\u00f5es imbecis. O corpo, ele o introduzir\u00e1 na economia do gozo pela imagem. A rela\u00e7\u00e3o do homem com seu corpo \u00e9 da ordem do imagin\u00e1rio, \u00e9 onde a imagem alcan\u00e7a seu valor no processo germinal, desenvolvido no est\u00e1dio do espelho, e no que passar\u00e1 a estabelecer a rela\u00e7\u00e3o com o Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa\u00a0<em>finesse<\/em>, introduz o mais al\u00e9m do est\u00e1dio do espelho, dizendo que \u201ch\u00e1 para cada um algo que se ama ainda mais do que sua imagem\u201d e que sabemos, se refere ao objeto\u00a0<em>a<\/em>. Encontramos aqui o desejo implicado na rela\u00e7\u00e3o com o objeto\u00a0<em>a\u00a0<\/em>atrav\u00e9s do fantasma, e onde o fantasma \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o mesma do desejo, em seu ciframento, em sua rela\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o, colocando o objeto no estatuto do real. Analisar o fantasma \u00e9 encontrar nele a estrutura que se revela, uma unidade-elemento que promove um ponto de basta no deslizamento do sentido, do deciframento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>A Terceira<\/em>, Lacan coloca o imagin\u00e1rio como o registro que operaria no sentido de fazer parar o deslizamento infinito do real que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, e do deslizamento do simb\u00f3lico que n\u00e3o cessa de se escrever. O imagin\u00e1rio seria o registro que se manifestaria no sentido de atar os outros dois, constituir o n\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os registros, na psican\u00e1lise, e somente nela, podem estruturar-se cada um pelos seus elementos correspondentes \u2013 imagem rainha, significante mestre e objeto\u00a0<em>a<\/em>, na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o constituir um novo imagin\u00e1rio instaurando sentido, e sim, uma orienta\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Lacan n\u00e3o para a\u00ed! Coloca que este n\u00f3, \u00e9 preciso s\u00ea-lo, oferec\u00ea-lo como causa de seu desejo ao analisante. Operar atrav\u00e9s da interpreta\u00e7\u00e3o que abole o sentido, visando a reduzir o gozo f\u00e1lico, e ao que do sintoma est\u00e1 fora da linguagem, suportar enquanto ato, na transfer\u00eancia. \u00c9 o que ele desenvolver\u00e1 em seu pr\u00f3ximo semin\u00e1rio, o XXIII, o sinthoma, colocando os tr\u00eas registros desgarrados entre si e agarrados por um quarto n\u00f3, o sinthoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00faltima frase, de Lacan, em\u00a0<em>A Terceira<\/em>: \u201cAs bugigangas, por exemplo, ser\u00e1 que realmente tomar\u00e3o a dianteira? Chegaremos a nos tornar n\u00f3s mesmos realmente animados pelas bugigangas? Isto me parece pouco prov\u00e1vel, devo dizer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*<em>Lacan Elucidado, palestras no Brasil<\/em>, Miller, Jacques-Alain, Jorge Zahar Editor, p. 575<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">**<em>A Terceira<\/em>, Lacan, Jacques, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba62, Edi\u00e7\u00f5es Eolia, p. 11<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=832"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":833,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832\/revisions\/833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}