{"id":836,"date":"2021-09-01T11:21:18","date_gmt":"2021-09-01T14:21:18","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=836"},"modified":"2021-09-01T11:21:25","modified_gmt":"2021-09-01T14:21:25","slug":"flash-no-08-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/flash-no-08-2\/","title":{"rendered":"FLASH n\u00ba 08"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-padding-top:10px;--awb-padding-bottom:10px;--awb-bg-color:#003f5a;--awb-bg-color-hover:#003f5a;--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"font-family: Raleway; letter-spacing: 4px; font-size: 20px; font-weight: 500; margin-bottom: 0px; text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">EDITORIAL<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p style=\"text-align: right;\"><strong>Romildo do R\u00eago Barros<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Virtualidades<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma conversa recente comigo, algu\u00e9m usou a express\u00e3o \u201cmundo virtual\u201d. \u00c9 uma express\u00e3o que se tornou comum, e j\u00e1 n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E no entanto, talvez pela natureza da conversa, a express\u00e3o, longe de me parecer banal, destacou-se das outras frases ditas, muitas das quais n\u00e3o guardei na lembran\u00e7a, e, como ocorre no cinema, congelou-se. Quando isso acontece, quando uma sequ\u00eancia se rompe, passa a ser necess\u00e1rio dizer algo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendi melhor o que tinha acontecido quando notei que a minha surpresa n\u00e3o era provocada pela constata\u00e7\u00e3o de que os objetos virtuais v\u00eam se espalhando pelo mundo, mas, quase pelo contr\u00e1rio, pela ideia de que o virtual possa, ele pr\u00f3prio, constituir um mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, que em lugar do imagin\u00e1rio que se molda na imagem do corpo humano, e por isso tende quase naturalmente \u00e0 configura\u00e7\u00e3o, um novo imagin\u00e1rio possa surgir. Um novo imagin\u00e1rio que inclua, al\u00e9m do corpo, os suplementos que est\u00e3o separados mas comp\u00f5em com ele uma nova unidade; um novo imagin\u00e1rio que permita, por exemplo, que o t\u00edtulo de um evento como o nosso possa abrigar dois significante que poderiam se opor:\u00a0<em>imp\u00e9rio<\/em>, no singular, e\u00a0<em>imagens<\/em>, no plural: um imp\u00e9rio concentra, unifica, enquanto as imagens aparecem como dispers\u00e3o. O que seria um imp\u00e9rio feito de imagens? Em qu\u00ea seria um imp\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1930, quando Freud se referiu aos instrumentos artificiais criados para ampliar os recursos do corpo, a virtualidade n\u00e3o perfazia um mundo. Nem se usava o termo, pelo menos com o sentido que passou a ter nos nossos tempos<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-08-virtualidades-romildo-do-rego-barros\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Se o telesc\u00f3pio permitia ver mais longe do que os olhos, n\u00e3o se podia dizer que ele passaria a ser o novo modelo da vis\u00e3o, assim como o telefone \u2013 para citar dois dos exemplos usados por Freud \u2013 n\u00e3o passou a ser a antecipa\u00e7\u00e3o do que seria a voz futura. O car\u00e1ter de instrumento parece ter sido preservado nesse tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u201cmundo virtual\u201d n\u00e3o parece querer dizer, portanto, que o surgimento e multiplica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas novas, mesmo in\u00e9ditas, venha sendo de tal forma frequente e intenso que o mundo passou a ser coextensivo a elas: onde h\u00e1 mundo, haver\u00e1 m\u00e1quinas. As m\u00e1quinas tenderiam a recobrir o mundo. Mas continuariam dois, m\u00e1quinas e mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s disso, o que vemos \u00e9 uma dissolu\u00e7\u00e3o mais ou menos r\u00e1pida da separa\u00e7\u00e3o entre os dois, mundo e m\u00e1quinas. Permanece o aspecto de extens\u00e3o das possibilidades do corpo salientado por Freud, mas sem que se saiba mais muito bem at\u00e9 onde vai o mundo \u2013 ou, mais particularmente, o corpo \u2013 e come\u00e7am as m\u00e1quinas. Ou seja, parece ter-se perdido de vista a localiza\u00e7\u00e3o da fronteira entre os dois, que parecia intranspon\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exemplo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas semanas atr\u00e1s, foi divulgada no facebook uma charge que mostra um corpo em variadas posi\u00e7\u00f5es calcadas no Kama Sutra. Ali\u00e1s, a charge tem o t\u00edtulo de \u201cKama Sutra do s\u00e9culo XXI\u201d. O qualificativo \u201cdo s\u00e9culo XXI\u201d se deve ao fato de que o parceiro do sujeito vagamente retratado \u00e9\u2026 um notebook. N\u00e3o que o sujeito esteja praticando alguma forma de sexo com o notebook. O que ocorre \u00e9 que o sujeito, digitando na sua m\u00e1quina, varia de posi\u00e7\u00e3o do corpo, imitando nisso as posi\u00e7\u00f5es do Kama Sutra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa \u00e9 dizer que se trata de uma cr\u00edtica a uma suposta mecaniza\u00e7\u00e3o do sexo, que teria assim perdido o seu car\u00e1ter humano. O notebook seria aqui um instrumento ao qual se deu uma tal import\u00e2ncia que ele terminou por se tornar um parceiro er\u00f3tico, muito al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o de um utilit\u00e1rio e em detrimento do outro sexo. De fato, essa promo\u00e7\u00e3o do instrumento pode ser vista nas ruas, onde desfilam os passantes concentrados nos seus smartphones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos assistir, aqui mesmo neste n\u00famero do\u00a0<em>Flash<\/em>, no v\u00eddeo realizado por Marcelo Veras, uma representa\u00e7\u00e3o do que seria um mundo onde cada um estaria fechado em si mesmo\u2026 com o seu smartphone (o \u201csi mesmo\u201d inclui o smartphone), e onde a \u00fanica ocasi\u00e3o de encontro com o outro, de pelo menos olh\u00e1-lo, viria de um esbarr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esse respeito, comenta Silvia Ons:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim, as imagens televisivas, o celular, o computador captam nosso olhar e se em alguns casos produzem adi\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque a\u00ed \u00e9 o sujeito que fica tomado ao modo do que Baudelaire dizia do \u00f3pio: \u2018sou fumado pelo cachimbo\u2019.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, mais adiante,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA tecnologia anula os espa\u00e7os que estavam confinados ao sil\u00eancio, longe ficou a multid\u00e3o silenciosa que hoje transcorre acompanhada pelos indefect\u00edveis celulares, falando ou enviando mensagens de textos sem subst\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A adi\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se refere a autora certamente n\u00e3o \u00e9 a busca de complementos visando sanar as insufici\u00eancias do corpo, mas algo semelhante \u00e0 absor\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias como se v\u00ea nas toxicomanias, na ruptura do casamento do sujeito com o faz-pipi, como dizia Lacan. H\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de uma nova unidade, formada pelo corpo e mais os seus suplementos. Far\u00e1 isto parte da marca dos nossos tempos que Lacan fixou com a express\u00e3o \u201co objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0no z\u00eanite\u201d\u2026?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O homem e suas imagens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira pergunta que se fez provavelmente Lacan sobre a constru\u00e7\u00e3o da imagem resultou no est\u00e1dio do espelho. Nele temos uma crian\u00e7a, um\u00a0<em>infans<\/em>, em frente a um espelho, amparado por alguma pessoa ou equipamento que d\u00ea conta, at\u00e9 onde \u00e9 necess\u00e1rio, das fun\u00e7\u00f5es de uma m\u00e3e. A crian\u00e7a reage com j\u00fabilo \u00e0 vista da reprodu\u00e7\u00e3o da sua imagem no espelho, antes mesmo que as duas dimens\u00f5es, crian\u00e7a e espelho, coincidam por for\u00e7a de uma nomea\u00e7\u00e3o: esse \u00e9 voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 desde ent\u00e3o uma rachadura incur\u00e1vel na crian\u00e7a: de um lado, a instabilidade da imagem, como aponta Jos\u00e9 Fernando Velazquez:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa dupla \u201chomem-imagem\u201d \u00e9 mais inst\u00e1vel e fr\u00e1gil do que se sup\u00f5e; nela h\u00e1 escans\u00f5es, suspens\u00f5es, traumatismos; encontro e desencontro; surgimento e desaparecimento; afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o; ilus\u00e3o e desilus\u00e3o; sonho e frustra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, do outro, a inevit\u00e1vel flutua\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es entre o sujeito e o Outro. Os dois lados atuam juntos e s\u00e3o interdependentes, sob o imp\u00e9rio do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que acontece nos nossos tempos, em que o objeto\u00a0<em>a<\/em>\u00a0subiu ao z\u00eanite, \u00e9 que essa divis\u00e3o muda de polos, e as imagens e objetos passam a representar a alteridade. Isto constitui uma formid\u00e1vel crise \u2013 talvez sem precedentes \u2013 no simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nos indica M\u00f3nica Febres Cordero,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o mais se trata do corpo da imagem nem do est\u00e1dio do espelho, trata-se agora de um corpo que se goza de si mesmo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imp\u00e9rio das imagens, com essa transforma\u00e7\u00e3o, aparece como uma sucess\u00e3o ininterrupta de imagens \u2013 ao inv\u00e9s de uma concentra\u00e7\u00e3o r\u00edgida como nos imp\u00e9rios da tradi\u00e7\u00e3o. Isso se pode assistir no document\u00e1rio \u201cA Janela da Alma\u201d, de Jo\u00e3o Jardim e Walter Carvalho. Em uma das cenas, a c\u00e2mera, que no caso representa a vis\u00e3o deficiente de algu\u00e9m de dentro de um carro, percorre as ruas de uma grande cidade, e o que aparece para n\u00f3s, espectadores, s\u00e3o as manchas luminosas das lanternas vermelhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As formas n\u00e3o s\u00e3o muito distintas, mas s\u00e3o imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revis\u00e3o: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-08-virtualidades-romildo-do-rego-barros\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0\u201cO Dicion\u00e1rio de Etimologia Online informa que o sentido de \u201cfisicamente n\u00e3o existente, mas simulado por software\u201d apareceu em 1959.\u201d (Wikipedia, verbete \u201cvirtual\u201d}<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-3 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"accordian fusion-accordian\" style=\"--awb-border-size:0px;--awb-icon-size:16px;--awb-content-font-size:15px;--awb-icon-alignment:left;--awb-hover-color:#f9f9f9;--awb-border-color:#cccccc;--awb-background-color:#ffffff;--awb-divider-color:rgba(224,222,222,0);--awb-divider-hover-color:rgba(224,222,222,0);--awb-icon-color:#ffffff;--awb-title-color:#0075a8;--awb-content-color:#222222;--awb-icon-box-color:#333333;--awb-toggle-hover-accent-color:#46b1fd;--awb-title-font-family:&quot;Raleway&quot;;--awb-title-font-weight:600;--awb-title-font-style:normal;--awb-title-line-height:1.5;--awb-content-font-family:&quot;Open Sans&quot;;--awb-content-font-style:normal;--awb-content-font-weight:400;\"><div class=\"panel-group fusion-toggle-icon-boxed\" id=\"accordion-836-1\"><div class=\"fusion-panel panel-default panel-71b714f2c9c621791 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_71b714f2c9c621791\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"71b714f2c9c621791\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-836-1\" data-target=\"#71b714f2c9c621791\" href=\"#71b714f2c9c621791\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">As imagens e o corpo \u2013 Silvia Ons<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"71b714f2c9c621791\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_71b714f2c9c621791\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Silvia Ons<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente, considerou-se que o sujeito dirige sua intencionalidade ao campo dos objetos, em um tipo de dire\u00e7\u00e3o que vai do interior at\u00e9 o exterior. O mundo permanece em seu lugar como um fora, e \u00e9 a consci\u00eancia que se orienta ao que habita no mundo. Assim Sartre recorda as palavras de Husserl: \u201ca consci\u00eancia \u00e9 consci\u00eancia de algo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Lacan<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0combate a concep\u00e7\u00e3o de que um sujeito tenha diante de si, um objeto ao qual, aponta, j\u00e1 que tal ideia oculta que \u00e9 o objeto mesmo que pode causar tal orienta\u00e7\u00e3o a\u00ed onde o sujeito se cr\u00ea dono da percep\u00e7\u00e3o. Assim, as imagens televisivas, o celular, o computador captam nosso olhar e se em alguns casos produzem adi\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque a\u00ed \u00e9 o sujeito que fica tomado ao modo do que Baudelaire dizia do \u00f3pio: \u201csou fumado pelo cachimbo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As c\u00e2maras e aparatos que povoam nosso mundo virtual e que est\u00e3o t\u00e3o incorporados ao cotidiano, careciam na \u00e9poca da leviandade, com a qual hoje s\u00e3o tomados. Basta considerar todo o tempo que levou, incorporar a lente em sua utilidade para corrigir os defeitos oculares<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Seguramente inventadas por algum vidraceiro que as construiu por acaso, foram recha\u00e7adas pelos \u00e2mbitos cultos, o nome \u201clentes\u201d significa legume, lentilha, \u00e9 vulgar, e se bastava para colocar fora dos c\u00edrculos elevados, a origem do objeto indicado. Elas nasceram em ambientes diferentes e foram recha\u00e7adas, julgadas indignas, n\u00e3o se falou mais delas por mais de tr\u00eas s\u00e9culos e ainda no come\u00e7o do s\u00e9culo XVII, a ignor\u00e2ncia dos cientistas era quase completa, bem como sua desconfian\u00e7a a respeito dos primeiros \u00f3culos constru\u00eddos por simples artes\u00e3os. Foi necess\u00e1rio o g\u00eanio de Galileu<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0para sacudir este preju\u00edzo, mas cabe encontrar nele mesmo, a estranheza a respeito de um cristal que \u00e9 considerado enganoso a respeito da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes preju\u00edzos pr\u00e9-cient\u00edficos captavam, a sua maneira, o car\u00e1ter estranho do aparato criado pelo homem. Pensemos no poder concedido inicialmente \u00e0 c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, como podendo arrebatar a alma. Um psicanalista chamado V\u00edctor Tausk<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, disc\u00edpulo de Freud, falou da import\u00e2ncia da \u201cm\u00e1quina de influ\u00eancia\u201d nas psicoses. \u00c9 que nestes quadros, os aparatos tecnol\u00f3gicos podem ser vividos como sendo capazes de alterar o corpo dos sujeitos. Assim, uma paciente paranoica sentia que a televis\u00e3o emitia imagens e vozes sarc\u00e1sticas dirigidas a ela. Outro paciente dizia que do r\u00e1dio, emanavam mensagens destinadas a sua pessoa e a internet irradiava luzes que o penetravam. Pode-se dizer que se trata de uma loucura e isto \u00e9 certo, mas cabe descobrir que essa loucura fala da influ\u00eancia, que sem chegar a este plano delirante, tem o mundo virtual sobre n\u00f3s e que \u00e9 despercebida. Freud utiliza a met\u00e1fora do cristal para explicar a diferen\u00e7a entre neurose e psicose, j\u00e1 que quando o cristal se rompe \u2013 a psicose \u2013 o faz seguindo suas articula\u00e7\u00f5es normais. Sua ideia \u00e9 que desde as desfigura\u00e7\u00f5es e exageros do patol\u00f3gico, pode-se coligir a simplicidade aparente do normal. Tausk adverte que na psicose, os aparatos que exercem influ\u00eancia est\u00e3o intimamente relacionados com o corpo do paciente e que a dimens\u00e3o exterior-interior se dissipa. Sem ir a estes extremos, cabe refletir sobre a maneira na qual nomeamos os corpos: quando se quer dar conta de um grande estado de excita\u00e7\u00e3o, se diz que algu\u00e9m est\u00e1 \u201cel\u00e9trico\u201d, aludindo, assim, a um corpo que j\u00e1 n\u00e3o se assemelha ao humano; tamb\u00e9m quando se alude a um m\u00e1ximo rendimento, se diz de algu\u00e9m que \u00e9 \u201cuma m\u00e1quina\u201d, um \u201cavi\u00e3o\u201d ou \u201cum motor\u201d. Ter pique \u00e9 ter \u201cpilhas\u201d e mexer-se \u00e9 a demanda dirigida \u00e0quele que \u201cfica parado\u201d, como se diz do computador. \u201cDiminuir a marcha\u201d \u00e9 um dito corrente de algu\u00e9m que est\u00e1 muito acelerado como um motor, \u201cdesacelera\u201d vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. \u201cRecarregue as baterias\u201d \u00e9 uma frase empregada como conselho de descanso e \u201cest\u00e1 na hora de ligar o motor\u201d, quando se descansa demais. Os alimentos de consumo e as vitaminas n\u00e3o acentuam tanto o bem estar, mas a pot\u00eancia em termos de energia. Detenhamo-nos nas mensagens publicit\u00e1rias, nas ofertas de consumo, no marketing de nossos dias para observar de que maneira tudo est\u00e1 orientado n\u00e3o tanto a viver melhor, mas a faz\u00ea-lo mais intensamente. Paul Virilio<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0nos mostra que isso equivale a tratar o vivente como motor, m\u00e1quina de acelerar constantemente. O poder tecnol\u00f3gico afeta a maneira de viver o corpo e a psicose, sob a forma delirante, assim como os preju\u00edzos pr\u00e9-cient\u00edficos falam dessa afeta\u00e7\u00e3o. Mas, sem ir a eles, situemos algumas das formas que incidem em nossas vidas, vidas sem segredos e sem sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia anula os espa\u00e7os que estavam confinados ao sil\u00eancio, longe ficou a multid\u00e3o silenciosa que hoje transcorre acompanhada pelos indefect\u00edveis celulares, falando ou enviando mensagens de textos sem subst\u00e2ncia. Heidegger destacou que o homem afundado na temporalidade moderna n\u00e3o pode se deter, est\u00e1 \u00e1vido por novidades, propenso \u00e0s tagarelices e a compreender tudo sem pr\u00e9via apropria\u00e7\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema vinculado ao \u201chackeamento\u201d de v\u00eddeos nos leva a uma pergunta que transcende este ato delituoso: por acaso, existem v\u00eddeos privados? O pr\u00f3prio olho da c\u00e2mera quebra a ilus\u00e3o de espa\u00e7os \u00edntimos, h\u00e1 algo que se d\u00e1 a ver, a reserva desaparece. Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook disse: \u201c\u00e9 preciso romper o la\u00e7o entre o secreto e o \u00edntimo porque esse la\u00e7o \u00e9 uma heran\u00e7a obsoleta do passado\u201d. De sua parte, Eric Schmidt, gerente geral do Google, arrematou: \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o em preservar sua vida privada j\u00e1 n\u00e3o era, de todo modo, uma realidade mais que para os criminosos\u201d. Julian Assange, criador do Wiklileaks, disse que tamb\u00e9m havia acabado o tempo dos segredos de Estado. Os Mestres da Net n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos na hora de profetizar o futuro de nossos tempos como o da era da transpar\u00eancia. Analisaremos alguns dos efeitos sobre os sujeitos e os la\u00e7os amorosos e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez, parece mais dif\u00edcil a conviv\u00eancia dos casais, cada vez eles duram menos, cada vez se desfaz mais r\u00e1pido a rela\u00e7\u00e3o amorosa. Sempre se soube que a excessiva aproxima\u00e7\u00e3o era inimiga do amor, mas talvez o novo seja a fugacidade com a que tal vizinhan\u00e7a afeta o v\u00ednculo, chegando ao extremo de romp\u00ea-lo prematuramente. Por acaso, n\u00e3o \u00e9 este valor outorgado ao \u201cnovo\u201d, o que leva a que os sujeitos n\u00e3o suportem a inevit\u00e1vel queda do enamoramento dado pela conviv\u00eancia? Miller nos diz que o culto pelo novo \u00e9 a nova forma do mal estar na cultura; claro que cada dia, algo novo se mant\u00e9m menos novo e menos tempo: os objetos s\u00e3o substitu\u00eddos pelos do \u00faltimo modelo. Tal devo\u00e7\u00e3o incide notavelmente nos la\u00e7os amorosos. Diante da menor decep\u00e7\u00e3o, o \u201cnovo\u201d ser\u00e1 visto como melhor, \u00e9 assim que esta \u00e9poca predisp\u00f5e, como nenhuma outra, \u00e0 infidelidade. Vamos nos deter nas mensagens publicit\u00e1rias, nas ofertas de consumo, no marketing de nossos dias, para observar de que maneira tudo est\u00e1 orientado n\u00e3o tanto a viver melhor, mas a faz\u00ea-lo mais intensamente. \u00c9 interessante observar como nos armam ciladas, as exig\u00eancias de felicidade, as imposi\u00e7\u00f5es desta. S\u00e3o esses imperativos que propiciam a busca de \u201cnovas aventuras\u201d, com a ilus\u00e3o de encontrar o gozo que falta. Ao mesmo tempo, podemos dizer que se esta \u00e9poca predisp\u00f5e, como nenhuma, \u00e0 infidelidade, \u00e9 talvez a \u00e9poca em que menos se tolera e a que mais se controla. O Facebook \u00e9 o celular quebram os espa\u00e7os antes secretos, provocando infinidade de separa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O voyeurismo est\u00e1 sempre presente em nossa \u00e9poca, Debord<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0j\u00e1 nos dizia que na sociedade do espet\u00e1culo, um novo valor aparece que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o do ser nem do ter, mas do aparecer. A import\u00e2ncia da imagem j\u00e1 havia sido pensada por Heidegger, quando na d\u00e9cada de 30, escreveu seu conhecido ensaio \u201cA \u00e9poca da imagem do mundo\u201d, onde afirma, depois de explicar como cada \u00e9poca se baseia em uma interpreta\u00e7\u00e3o diferente do ente, que o que caracteriza a modernidade \u00e9 o mundo como imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heidegger<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0dir\u00e1 que toda a metaf\u00edsica moderna se mant\u00e9m na interpreta\u00e7\u00e3o do ente iniciada por Descartes. Trata-se de uma metaf\u00edsica onde o homem se converte no centro de refer\u00eancia do ente como tal e isto \u00e9 poss\u00edvel porque o mundo tornou-se imagem. Imagem do mundo n\u00e3o significa c\u00f3pia, mas \u201cestar a par de algo\u201d, situar o ente diante de si para ver o que ocorre com ele e mant\u00ea-lo sempre diante de si nesta posi\u00e7\u00e3o. Imagem do mundo significa conceber o mundo como imagem. Considero que atualmente, a isto se agrega o mundo como \u201colho\u201d e que Lacan se antecipou sabiamente quando diferenciou a vis\u00e3o do olhar. Um olhar est\u00e1 presente mais al\u00e9m do que podemos ver, um olhar a quem se entregam os v\u00eddeos, as fotos, o que antes era privado, um olhar que exerce um controle sobre as exist\u00eancias e que chama os impulsos, convocando-os. Neste sentido, nesta \u00e9poca de suposta libertinagem, h\u00e1 muito pouco espa\u00e7o para a liberdade, pese a que se acredite no contr\u00e1rio, j\u00e1 que a liberdade do segredo desapareceu. H\u00e1 um momento na vida da crian\u00e7a que tem suma import\u00e2ncia e \u00e9 aquele em que ele pode mentir, j\u00e1 que nessa mentira, comprova que seus pais n\u00e3o o conhecem integralmente, que \u00e9 diferente, outro. No s\u00e9culo da transpar\u00eancia, perde-se esta dimens\u00e3o de opacidade necess\u00e1ria, margem para nossa liberdade. Assim, quando o mesmo casal filma um v\u00eddeo er\u00f3tico, as portas que preservavam sua intimidade se abriram, o olho da c\u00e2mera entrou no recinto privado para captar o segredo do gozo. Por acaso, n\u00e3o s\u00e3o as c\u00e2meras que povoam o mundo de novos dispositivos de controle? Esses dispositivos que Foucault<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0pensou como o pan\u00f3ptico nos c\u00e1rceres e a vigil\u00e2ncia a servi\u00e7o do poder, est\u00e3o agora presentes em torno da sexualidade que perdeu seu car\u00e1ter velado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma magn\u00edfica s\u00e9rie chamada\u00a0<em>Black Mirror<\/em>\u00a0mostra, em seu terceiro epis\u00f3dio, a influ\u00eancia de uma inven\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que muda a forma de vida dos cidad\u00e3os: um minicomputador implantado sob a pele por tr\u00e1s da orelha que grava absolutamente tudo o que acontece durante o dia, basta ativar um bot\u00e3o para aceder \u00e0s imagens. Podem-se projetar em qualquer tela, todos podem v\u00ea-lo ou seu portador pode revis\u00e1-lo sem a presen\u00e7a de outros. \u00c9 t\u00e3o comum quanto \u00e9 hoje, um celular, e se implanta atr\u00e1s da orelha desde o nascimento. Este aparato \u00e9 o centro da crise entre o casal Liam e Ffion. A partir de uma reuni\u00e3o de amigos, ele come\u00e7ar\u00e1 a analisar cada cena gravada entre sua mulher e um ex-namorado, cada gesto, cada inten\u00e7\u00e3o, cada insinua\u00e7\u00e3o oculta, mil vezes, at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o final. As imagens confirmam v\u00e1rias vezes que ela o engana com Jonas; s\u00e3o gestos que nada provariam com certeza, mas Liam n\u00e3o apagou as antigas filmagens er\u00f3ticas da rela\u00e7\u00e3o. Ffion chega a pensar que o filho \u00e9, na realidade, do ex-amante, caindo num tipo de loucura onde as palavras dela n\u00e3o o alcan\u00e7am, pois o que conta s\u00e3o as grava\u00e7\u00f5es. O aparato comanda a vida dos sujeitos; quando se aperta o bot\u00e3o, os olhos dos protagonistas se tornam brancos e vidrados, sem pestanejar, como se perdessem a dimens\u00e3o humana e adquirissem os de uma c\u00e2mara. Finalmente, Ffion, de maneira sangrenta frente ao espelho, se extrai o aparelho, cortando o rosto. A s\u00e9rie convida a varias reflex\u00f5es, o minicomputador \u00e9 chamado \u201cgr\u00e3o\u201d e n\u00e3o tem exterioridade a respeito do corpo para ser, ent\u00e3o, o mesmo corpo, t\u00e3o virtual quanto as imagens. E n\u00e3o \u00e9, por acaso, mediante o corte que se tenta uma consist\u00eancia?<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00aa Cristina Maia Fernandes<\/em><\/p>\n<p><em>Revis\u00e3o: Pablo Sauce<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Sartre, J. P.,( 1947) \u00ab\u00a0<em>Une id<\/em><em>\u00e9<\/em><em>e fondamentale de la ph<\/em><em>\u00e9<\/em><em>nom<\/em><em>\u00e9<\/em><em>nologie<\/em>\u00a0de Husserl : l\u2019intentionnalit\u00e9\u00a0\u00bb, en\u00a0<em>Situatios<\/em><strong>\u00a0I<\/strong>, Par\u00eds ,Gallimard.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0Lacan, J., (2006) \u201cLa angustia\u201d,\u00a0<em>El Seminario<\/em>, Libro 10, trad. Enric Berenger Bs. As., Paid\u00f3s.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0RONCHI, VASCO,( 1983)\u00a0<em>Storia della luce. Da Euclide a Einstein<\/em>, Laterza, Bari.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0Galileu foi o primeiro do mundo da cultura e da filosofia que chegou \u00e0 conclus\u00e3o que se devia crer no que via os \u00f3culos. Com esta premissa, dirige-os aos c\u00e9us, fazendo descobrimentos assombrosos, com a ci\u00eancia e inaugura o tempo de um olho exterior ao sujeito.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0TAUSK, V. (1977): \u201cDe la g\u00e9nesis del aparato de influencia durante la esquizofrenia\u201d, en \u201cObras Psicoanal\u00edticas\u201d, Bs. Asa., Ed. Morel.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0Virilio, P., (1996)\u00a0<em>El arte del motor,<\/em>\u00a0trad. Horacio Pons, Bs. As., Manantial.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0Debord, G.,\u00a0<em>La sociedad del espect<\/em><em>\u00e1<\/em><em>culo<\/em>, Bs. As., La marca. Biblioteca de la mirada, 1995.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0Heidegger, M., \u201cLa \u00e9poca de la imagen del mundo\u201d, Caminos de bosque, Bs. As. Alianza, 2005, pp.63-78.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/as-imagens-e-o-corpo-silvia-ons\/#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0Foucault, M., (2012)\u00a0<em>Vigilar y castigar,\u00a0<\/em>Bs.As<em>.,\u00a0<\/em>Siglo XXI y B. Nueva.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-98ba340de60cb1f70 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_98ba340de60cb1f70\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"98ba340de60cb1f70\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-836-1\" data-target=\"#98ba340de60cb1f70\" href=\"#98ba340de60cb1f70\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">A consist\u00eancia do imagin\u00e1rio \u2013 M\u00f3nica Febres Cordero<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"98ba340de60cb1f70\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_98ba340de60cb1f70\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>M\u00f3nica Febres Cordero<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, em \u201cJoyce o sintoma\u201d, confer\u00eancia realizada na Sorbonne em 1975, diz que o homem tem um corpo. Tem-se o corpo, n\u00e3o se \u00e9 um corpo. O termo\u00a0<em>falasser\u00a0<\/em>surge nesse momento para designar o que antes era o sujeito do inconsciente. \u00c9 uma travessia do sujeito do inconsciente, o sujeito da representa\u00e7\u00e3o, para o\u00a0<em>falasser<\/em>\u00a0ou corpo falante, cujo assentamento \u00e9 o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como indica Miller em \u201cO Ser e o Um\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, durante a maior parte de seu ensino o lugar do significante lacaniano era mut\u00e1vel, com efeitos dial\u00e9ticos e de significa\u00e7\u00e3o. Isso muda quando imp\u00f5e-se o significante Um, no n\u00edvel da exist\u00eancia. Seu correlato \u00e9 o gozo opaco ao sentido, \u00edndice do real. A subst\u00e2ncia gozante fica situada no corpo que se define como o que se goza. N\u00e3o mais se trata do corpo da imagem nem do est\u00e1dio do espelho, trata-se agora de um corpo que se goza de si mesmo. Quando o gozo era pensado como imagin\u00e1rio estava referido ao narcisismo e \u00e0 forma do corpo. O desejo e o reconhecimento do Outro tinham ali suas ra\u00edzes. Produz-se uma virada quando o gozo passa ao registro do real. Miller chama esse gozo de prim\u00e1rio, anterior \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica significante e corresponde ao autoerotismo freudiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como entender a consist\u00eancia do imagin\u00e1rio nessa nova perspectiva conceitual e quais conclus\u00f5es cl\u00ednicas podemos extrair?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9ric Laurent, no argumento para o ENAPOL VI, \u201cFalar com seu sintoma, falar com seu corpo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0diz que, para Lacan, o imagin\u00e1rio tinha uma consist\u00eancia equivalente \u00e0 do simb\u00f3lico e que h\u00e1 um corpo do imagin\u00e1rio, um corpo do simb\u00f3lico e um corpo do real. O imagin\u00e1rio \u00e9 o que permite que nos desembaracemos, diz Laurent. Sua import\u00e2ncia reside em que, ao permitir sair do embuste com a imagem, permite um saber fazer, um fazer poss\u00edvel com a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Saber fazer com a imagem, como saber fazer com o sintoma. Desenvolvimento similar ao que traz Miller no\u00a0<em>El ultim\u00edsimo<\/em>\u00a0<em>Lacan<\/em><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, onde prop\u00f5e que, ao estar o corpo intrometido no sinthome, saber manipul\u00e1-lo \u00e9 semelhante ao que o homem pode fazer com sua imagem, corrigi-la, coloc\u00e1-la na moda\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Miller, J.-A., Curso de la orientaci\u00f3n lacaniana, \u201cEl ser y el Uno\u201d, in\u00e9dito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Laurent, E., www.enapol.com<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-consistencia-do-imaginario-monica-febres-cordero\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Miller, J.-A.,\u00a0<em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>, Paid\u00f3s, Bs. Aires, 2012.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-a070c392490a690e8 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_a070c392490a690e8\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"a070c392490a690e8\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-836-1\" data-target=\"#a070c392490a690e8\" href=\"#a070c392490a690e8\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">A Fragilidade das Iamgens \u2013 Jos\u00e9 Fernando Vel\u00e1squez<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"a070c392490a690e8\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_a070c392490a690e8\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Jos\u00e9 Fernando Vel\u00e1squez<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o do homem com a representa\u00e7\u00e3o que percebe, com a que habita seu psiquismo e com a que cria mediante t\u00e9cnicas antigas e modernas, exige uma considera\u00e7\u00e3o t\u00e3o particular quanto a que tem com o significante e com o gozo pulsional. Assim como nas representa\u00e7\u00f5es, a posi\u00e7\u00e3o dos sujeitos pareceria depender tamb\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o de serem espectadores da imagem. As imagens t\u00eam pot\u00eancia real como estimula\u00e7\u00e3o corporal; tamb\u00e9m t\u00eam eco no outro; t\u00eam a capacidade de reter a mem\u00f3ria e de corresponder ou n\u00e3o \u00e0quilo que dizem representar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa dupla \u201chomem-imagem\u201d \u00e9 mais inst\u00e1vel e fr\u00e1gil do que se sup\u00f5e; nela h\u00e1 escans\u00f5es, suspens\u00f5es, traumatismos; encontro e desencontro; surgimento e desaparecimento; afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o; ilus\u00e3o e desilus\u00e3o; sonho e frustra\u00e7\u00e3o. A familiaridade com a pr\u00f3pria imagem como algo externo \u00e9 t\u00e3o singular como demonstrado pelo fen\u00f4meno chamado de \u201cdespersonaliza\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cSou eu esse outro?\u201d. O que lembramos e o que esquecemos acomoda uma imagem fict\u00edcia que vamos nos fazendo de nosso caminho pelo mundo. O pr\u00f3prio ser humano \u00e9 uma imagem transit\u00f3ria e que, de passagem, nos converte em \u201cfantasmas do presente\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-fragilidade-das-iamgens-jose-fernando-velasquez\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto das imagens de acontecimentos macabros da atualidade, atrav\u00e9s da imprensa escrita e do que circula pela TV e meios digitais, \u00e9 um efeito produzido por seus autores para faz\u00ea-las inesquec\u00edveis, que n\u00e3o se desvane\u00e7am, que despertem os sentidos \u2013 nos converte em voyeurs. Por\u00e9m, apesar de sua intensidade, tamb\u00e9m s\u00e3o ef\u00eameras: acontece que o fato passado \u00e9 coberto pelo horror do novo acontecimento e n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de conseguir a tramita\u00e7\u00e3o do que no fato anterior se perde. Banaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria que se transforma em fatalidade e absurdo. Nos conflitos locais de qualquer escala, as manchas de sangue se apagam derramando mais sangue, como se para apagar uma mancha de tinta us\u00e1ssemos mais tinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contempor\u00e2neo extremo, vivemos no imp\u00e9rio das imagens que se armazenam em nossa mem\u00f3ria coletiva, com c\u00f3digos espec\u00edficos aos meios cada vez mais abundantes que as moldam, modificam, repetem, iteram, lentificam, aceleram e invertem. A fragilidade vence toda a inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-las resistentes ao esquecimento e instal\u00e1-las no presente de maneira eterna. Em todas elas a fic\u00e7\u00e3o cola-se silenciosa e continuamente \u00e0 realidade, onde s\u00f3 o que progride de maneira paradoxal \u00e9 a not\u00e1vel confian\u00e7a que tem o homem do presente na imagem e no anonimato que ela oculta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra do artista Oscar Mu\u00f1oz (Col\u00f4mbia, 1951) foi enfocada na reflex\u00e3o filos\u00f3fica sobre os modos em que est\u00e3o imbricados imagem, tempo e mem\u00f3ria. Um desses pontos \u00e9 a inquietante cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o na qual a cada instante algo se define e algo se dissolve, e isto no n\u00edvel individual ou no discurso social. Mu\u00f1oz obriga o espectador a se implicar no desaparecimento da imagem dos mortos e tamb\u00e9m os faz respons\u00e1veis por sua mem\u00f3ria. Seguem duas de suas obras em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3Rpw7kSgh4U\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3Rpw7kSgh4U<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uks_l0tQw3U\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uks_l0tQw3U<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/a-fragilidade-das-iamgens-jose-fernando-velasquez\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a>\u00a0Noorthoom V. \u201cOscar Mu\u00f1oz: el lugar habitado\u201d. En: \u201cOscar Mu\u00f1oz, Entre contrarios\u201d. Seguros Bolivar. Colecci\u00f3n de Arte Contempor\u00e1neo, 2013, p. 19.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=836"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":838,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836\/revisions\/838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}