{"id":848,"date":"2021-09-01T14:56:39","date_gmt":"2021-09-01T17:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=848"},"modified":"2021-09-01T14:56:39","modified_gmt":"2021-09-01T17:56:39","slug":"flash-no-10-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/flash-no-10-2\/","title":{"rendered":"FLASH n\u00ba 10"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-padding-top:10px;--awb-padding-bottom:10px;--awb-bg-color:#003f5a;--awb-bg-color-hover:#003f5a;--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"font-family: Raleway; letter-spacing: 4px; font-size: 20px; font-weight: 500; margin-bottom: 0px; text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">EDITORIAL<\/span><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p style=\"text-align: right;\"><strong>Ariel Bogochvol<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-845 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Editorial.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Editorial-177x142.jpg 177w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Editorial-200x160.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/Foto-Editorial.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto tc o texto e o vejo soletrado na tela do computador, a tv anuncia a descoberta de um planeta g\u00eameo da terra, o Kepler-452 b, situado a 1400 anos-luz e que orbita uma estrela pouco maior que o sol. Leio no google do iphone que esse sistema estelar tem seis milh\u00f5es de anos, 1,5 mil milh\u00f5es de anos mais do que o sistema solar e parece reunir as condi\u00e7\u00f5es para a exist\u00eancia de vida. As imagens transmitidas pelo telesc\u00f3pio espacial Kepler, lan\u00e7ado h\u00e1 20 anos, s\u00e3o bel\u00edssimas: um planeta estranhamente familiar, em rota\u00e7\u00e3o, orbitando um astro que, em fun\u00e7\u00e3o da distancia, \u00e9 menos brilhante que o sol e, ao fundo, o escuro estrelado do universo. A reportagem evoca outro feito da NASA anunciado h\u00e1 uma semana: o v\u00eddeo do sobrevoo de Plut\u00e3o simulado a partir das fotos de alta resolu\u00e7\u00e3o tiradas pela sonda New Horizons que viajou durante 9 anos por quase 5 bilh\u00f5es de km para se aproximar do planeta-an\u00e3o. Nova manchete da tv: EI divulga v\u00eddeo da decapita\u00e7\u00e3o de oficial s\u00edrio por uma crian\u00e7a no Iraque. Assisto a barb\u00e1rie no youtube, onde se encontram todos os v\u00eddeos das decapita\u00e7\u00f5es realizadas pelo grupo. Uma v\u00eddeo-colet\u00e2nea do horror! Os ref\u00e9ns vestidos de uniforme laranja ajoelhados lado a lado com seus respectivos carrascos cobertos de preto, as armas em punho, ao fundo o deserto. Espet\u00e1culo com cenografia, vestu\u00e1rio, m\u00fasica, coreografado e encenado diante da c\u00e2mera com golpes precisos, ritmados e letais. Outra manchete: atirador solit\u00e1rio ataca instala\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito e marinha dos EUA, mata quatro soldados e morre em Chattanooga, Tennessee. A c\u00e2mera mostra o corpo coberto e a movimenta\u00e7\u00e3o do aparato policial contrastando com a tranquilidade de um lugar perdido no sudeste americano. Pausa para os comerciais! Em 10 minutos, no pequeno espa\u00e7o de uma escrivaninha, com apenas tr\u00eas aparelhos \u2013 tv, computador e iphone \u2013 tenho acesso \u00e0s imagens do mundo e do cosmos e sou bombardeado por elas. Continuo a tc o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma enxurrada de imagens sucessivas, simult\u00e2neas, fragmentadas, belas, horrorosas, desproporcionais, intrusivas, di\u00e1fanas, bizarras, pornogr\u00e1ficas, art\u00edsticas, realistas, surrealistas, er\u00f3ticas, enigm\u00e1ticas, grotescas, banais, que impactam, fascinam, traumatizam, capturam, anestesiam, despertam, afetando as subjetividades e os corpos. S\u00e3o produzidas e reproduzidas por variados aparelhos \u2013 tv, cinema, v\u00eddeo, c\u00e2mera, celular, computador, telesc\u00f3pio, microsc\u00f3pio, tom\u00f3grafo, resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, eco-doppler, sat\u00e9lites \u2013 criados pela ci\u00eancia e tecnologia e se projetam sobre todos os campos, do mais \u00eaxtimo ao mais \u00edntimo. \u201cImp\u00e9rio das Imagens\u201d (AMP), \u201cSociedade do Espet\u00e1culo\u201d (G. Debord), \u201cImp\u00e9rio do Ef\u00eamero\u201d (G. Lipovetsky) tudo se transforma em imagem num mundo \u201conde n\u00e3o existem, n\u00e3o se produzem e n\u00e3o se consomem mais do que imagens\u201d (R. Barthes).<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo\u00a0<em>imp\u00e9rio<\/em>\u00a0deriva do latim\u00a0<em>imperium\u00a0<\/em>que significa poder, autoridade. Representa primariamente um territ\u00f3rio geogr\u00e1fico mais ou menos extenso contendo um conjunto de na\u00e7\u00f5es \u00e9tnica ou culturalmente diversas governadas por um soberano ou imperador. Diferente dos antigos imp\u00e9rios, o Imp\u00e9rio p\u00f3s-moderno n\u00e3o estabelece um centro de poder territorial, n\u00e3o se apoia em limites ou barreira fixas e \u00e9 um aparato de domina\u00e7\u00e3o descentralizado e desterritorializado que progressivamente incorpora todo o dom\u00ednio global em suas fronteiras abertas e em expans\u00e3o. O Imp\u00e9rio gerencia identidades h\u00edbridas, hierarquias flex\u00edveis e trocas diversas, por meio de suas redes de comando em ajuste permanente e n\u00e3o exerce seu poder atrav\u00e9s da espada dos monarcas ou do terror pr\u00f3prio dos conquistadores, mas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, pela internaliza\u00e7\u00e3o dos mecanismos de controle e pelo biopoder, uma forma de regular a vida social a partir de seu interior, acompanhando-o, interpretando-o, absorvendo-o.<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>\u00a0O Imp\u00e9rio \u00e9 a express\u00e3o jur\u00eddica da economia globalizada, uma nova forma de lei supra-nacional que reflete a complexa interdepend\u00eancia do com\u00e9rcio e dos fluxos do capital transnacionais. Sua legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s do apelo a uma rede dispersa de poder e n\u00e3o pode ser decretada por uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o ou por um punhado de na\u00e7\u00f5es imperialistas. (Negri e Hardt).<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>\u00a0Se h\u00e1 consenso acerca do car\u00e1ter in\u00e9dito desse imperialismo, h\u00e1 dissenso em rela\u00e7\u00e3o aos seus efeitos nas sociedades e subjetividades contempor\u00e2neas.<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>\u00a0Os novos tempos s\u00e3o saudados com louvor, horror, esperan\u00e7a, desconfian\u00e7a. Anuncia-se o para\u00edso e o apocalipse now.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhos apresentados em\u00a0<strong>flash 10\u00a0<\/strong>atravessam diversos planos do Imp\u00e9rio das Imagens. Na abertura, um trailer do filme\u00a0<em>A Loucura entre N\u00f3s\u00a0<\/em>de Fernanda Vareille, baseado no livro hom\u00f4nimo de Marcelo Veras, que traz a experi\u00eancia de sete anos de um analista lacaniano na dire\u00e7\u00e3o do hospital psiqui\u00e1trico Juliano Moreira em Salvador. Como transformar um livro sobre uma experi\u00eancia cl\u00ednica, institucional e pol\u00edtica em filme? Como passar das palavras \u00e0s imagens e \u00e0s cenas? A c\u00e2mera passeia pelos corredores do hospital; em off o diretor faz sua narrativa. O\u00a0<em>status quo ante<\/em>\u00a0\u00e9 de uma institui\u00e7\u00e3o asilar, \u201ca casa dos\u00a0<em>objetos a\u00a0<\/em>de Lacan\u201d: a voz e os gritos, o olhar multiverso dos pacientes e pan\u00f3ptico da institui\u00e7\u00e3o, fezes, urina, peda\u00e7os de corpos, corpos rodopiando, se desnudando, sem discurso ou er\u00f3tica a enla\u00e7\u00e1-los. O filme acompanha a transforma\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o na voz dos sujeitos que vivem ali. Encadeiam-se depoimentos de pacientes e fragmentos do cotidiano na institui\u00e7\u00e3o. \u201cQuero trabalhar e ter dignidade\u201d, \u201cprefiro a morte do que n\u00e3o ter dignidade\u201d, a \u201cdignidade \u00e9 mais importante do que a fama\u2026fama\u2026fama\u2026\u201d diz uma paciente cuja boca se enche da saliva seca dos neurol\u00e9pticos. Outra paciente, com uma m\u00e1scara cobrindo o rosto, bem produzida, fala com orgulho \u201csou o subproduto da sociedade, o lixo da civiliza\u00e7\u00e3o\u2026sou louca\u2026soy louca\u2026\u201d. Um grupo se junta e uma paciente anuncia \u201ctodos somos loucos\u201d\u2026 O trailer anuncia um filme que parece ser um elogio da loucura, da loucura singular de cada um, e que documenta os efeitos da orienta\u00e7\u00e3o lacaniana numa institui\u00e7\u00e3o e nos sujeitos que a habitam. Pela pot\u00eancia das imagens e da voz, uma reflex\u00e3o sobre a cl\u00ednica, a pol\u00edtica, sobre o pr\u00f3prio cinema e que introduz \u201ca loucura entre n\u00f3s\u201d no \u00e2mago do Imp\u00e9rio das Imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Imagens deslumbrantes, eclipse das palavras \u2013 Roland Barthes e o un\u00e1rio da imagem\u00a0<\/em>de Fabian Fajnwaks parte do problema da rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e o real: \u201cde que modo a imagem vem velar o real?\u201d \u201cO real, o imposs\u00edvel de ser simbolizado, pode ou n\u00e3o se representar?\u201d Perguntas sobre as modalidades de velamento do real e, de forma aparentemente paradoxal, sobre a representabilidade do irrepresent\u00e1vel (um oximoro) e sobre os ind\u00edcios do irrepresent\u00e1vel na representa\u00e7\u00e3o. Retoma um debate entre G. Wajcman e C. Lanzmann, diretor do filme\u00a0<em>Shoah\u00a0<\/em>(1985) e G. Didi-Hubermann, um especialista em imagens e pintura, sobre a exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Mem\u00f3rias dos Campos. Imagens dos campos de concentra\u00e7\u00e3o e de exterm\u00ednio<\/em>. \u00c9 poss\u00edvel representar o horror absoluto? O shoah? Ou o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki? Surpreendentemente, em\u00a0<em>Hiroshima mon amour,\u00a0<\/em>filme de A. Resnais, a personagem feminina dizia: \u00abn\u00e3o vi nada em Hiroshima\u00bb. \u00c9 poss\u00edvel, diante do horror, n\u00e3o ver nada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As imagens podem velar, desvelar e revelar o real. O muro das imagens serve tanto para ver como para n\u00e3o ver. Responde, por um lado, ao ideal da\u00a0<em>full vision<\/em>, sem zonas de opacidade; por outro tampona o que \u00e9 para ser visto. Fabian pergunta: \u201cSe as imagens mentem, como l\u00ea-las, como atravessar o muro das imagens para ver emergir um peda\u00e7o do real\u201d? Encontra uma resposta em R. Barthes que distingue o\u00a0<em>studium \u2013\u00a0<\/em>aquilo que a fotografia d\u00e1 a ver, ensina, instrui \u2013 do\u00a0<em>punctum-\u00a0<\/em>elemento que o fot\u00f3grafo n\u00e3o busca, mas que vem procur\u00e1-lo e o atravessa como uma seta em seu interesse, em seu olhar. O\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0pontua a imagem, a descompleta, indica uma borda, um litoral, um ponto de fuga. Isola, assim, o \u201cparticular absoluto\u201d, \u201ca soberana conting\u00eancia\u201d, a \u201c<em>tych\u00e9\u201d<\/em>, \u201co real em sua express\u00e3o infatig\u00e1vel\u201d o que se op\u00f5e \u00e0 \u201cfotografia un\u00e1ria\u201d e \u00e0s \u201cimagens unianas\u201d, hegem\u00f4nicas no muro das imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Imp\u00e9rio das imagens e fluidez das identifica\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0de Julio Cesar Lemes de Castro aborda a rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e a identifica\u00e7\u00e3o (prim\u00e1ria e secund\u00e1ria). Partindo da distin\u00e7\u00e3o entre o eu ideal i(a) \u2013 matriz de identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria cujo exemplar inaugural \u00e9 a imagem do corpo no espelho \u2013 e o ideal do eu I(A) \u2013 matriz da identifica\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, resultado da introje\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica desdobrada no supereu que acrescenta a san\u00e7\u00e3o garantidora do cumprimento da norma \u2013 Julio Cesar analisa os efeitos das mudan\u00e7as de regime do poder sobre o processo de identifica\u00e7\u00e3o. Na modernidade, o poder \u00e9 exercido nas institui\u00e7\u00f5es disciplinares como a f\u00e1brica, a escola, o quartel, o hospital (M. Foucault) e cada uma dessas institui\u00e7\u00f5es valoriza um certo tipo de ideal do eu, acoplado a um supereu repressivo que zela pela ades\u00e3o aos padr\u00f5es normativos. Na p\u00f3s-modernidade, a sociedade disciplinar d\u00e1 lugar \u00e0 sociedade de controle (G. Deleuze) e h\u00e1 um decl\u00ednio do supereu repressivo que se acompanha da escalada do imagin\u00e1rio e do desgaste das refer\u00eancias simb\u00f3licas. A injun\u00e7\u00e3o supereg\u00f3ica do gozo se torna dominante viabilizada pela prolifera\u00e7\u00e3o das imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que, na sociedade de controle, o ideal do eu est\u00e1 acoplado a um supereu que ordena o gozo enquanto o efeito normatizador do supereu repressivo se eclipsa, h\u00e1 uma multiplica\u00e7\u00e3o dos modelos de identifica\u00e7\u00e3o. \u00c0 maior latitude do ideal do eu corresponde a plasticidade do eu ideal, que n\u00e3o precisa mais se adequar a moldes preestabelecidos, mas pode modular-se de acordo com as circunst\u00e2ncias. Amplia-se a margem social de manobra do investimento narc\u00edsico, pois cabe a cada um promover seu capital humano, segundo a f\u00f3rmula do empreendedorismo de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>El selfie: narcisismo o autoerotismo\u00a0<\/em>de Angela Fischer analisa a rela\u00e7\u00e3o entre a imagem, o narcisismo e o autoerotismo a partir da\u00a0<em>selfie,<\/em>\u00a0o auto-retrato, que se tornou um fen\u00f4meno social com a difus\u00e3o das c\u00e2meras digitais, dos celulares e do compartilhamento das fotos em redes sociais. Toma como ponto de partida um curta metragem protagonizado por Kirsten Dunst e realizado por Matthew Frost, \u201cAspirational\u201d postado no youtube: duas jovens passeando de carro v\u00eaem a atriz na rua, param, aproximam-se, fazem seus respectivos selfies, compartilham as fotos, se afastam da atriz. Ela pergunta se querem fazer alguma pergunta; elas agradecem e se retiram olhando suas pr\u00f3prias selfies diante do olhar perplexo de Kirsten. O fundamental era o gozo de olharem-se a si mesmas juntas com a atriz e serem olhadas assim nas redes. Nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a atriz al\u00e9m do uso de sua imagem. Pela pot\u00eancia das imagens, o curta mostra o decaimento do v\u00ednculo com o outro e o Outro. O selfie \u00e9 uma mostra\u00e7\u00e3o de como as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, os gadgets, podem incidir no gozo de forma massiva. A pr\u00e1tica de capturar a pr\u00f3pria imagem atrav\u00e9s da c\u00e2mera, por si mesma, est\u00e1 relacionada com o autoerotismo: a boca que beija a si mesma\u2026 o olho que olha a si mesmo\u2026 olhando. Angela pergunta: \u201cquais os efeitos subjetivos dessa incessante captura de imagens vazias que produzem curto circuitos em rela\u00e7\u00e3o aos outros e ao Outro e deixam o sujeito em uma experi\u00eancia de gozo solit\u00e1rio? \u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma nota sobre a identifica\u00e7\u00e3o narcisista\u00a0<\/em>de Claudia Vel\u00e1squez tamb\u00e9m aborda a rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e o narcisismo. Inspira-se na condessa de Castiglione, nobre italiana que viveu na Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XIX, uma bela mulher, amante de Napole\u00e3o III, que posou centenas de vezes para um reputado fot\u00f3grafo da \u00e9poca representando personagens diversas. Ia ao est\u00fadio com frequ\u00eancia para contemplar sua pr\u00f3pria imagem. Depois de sua morte, um poeta comprou mais de 400 de suas fotografias. Se existisse c\u00e2mera digital no s\u00e9culo XIX, a condessa de Castiglione seria precursora do selfie. Ela ilustra a identifica\u00e7\u00e3o narcisista: n\u00e3o precisa de ningu\u00e9m para olh\u00e1-la; olha-se a si mesma, goza de si mesma, \u201cfoto-grafando-se\u201d. A partir desse exemplo, Cl\u00e1udia retoma o circuito do olhar na perspectiva de Lacan e sua analogia com a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, o instrumento com o qual se \u00e9 \u201cfoto-grafado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>El secreto de imagen de\u00a0<\/em>Clara M. Holguin aborda a rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e aquilo que ela n\u00e3o revela. Parte da hip\u00f3tese de que, mais al\u00e9m da sua multiplicidade e variedade, o poder das imagens se baseia no segredo que escondem e conservam. Antes de responder \u00e0 quest\u00e3o \u201co que a imagem esconde?\u201d Clara tenta esclarecer o que a imagem promove. No campo animal, uma imagem do \u201coutro exemplar da esp\u00e9cie\u201d tem influencia sobre o organismo. Na esp\u00e9cie humana, produz \u201cefeitos de vida\u201d como no exemplo do beb\u00ea que, sob o dom\u00ednio da imagem do outro, manifesta um gozo no corpo, vis\u00edvel em seus movimentos desordenados. Trata-se da imagem antes da captura por parte da imagem do corpo pr\u00f3prio na experi\u00eancia do espelho. Essa imagem fundamental do corpo vela o que n\u00e3o existe (a castra\u00e7\u00e3o) e faz existir o que n\u00e3o se pode ver (objeto a). Como imagem, mant\u00e9m o corpo junto fazendo o inv\u00f3lucro de pele que o protege da fragmenta\u00e7\u00e3o e cobre o organismo em sua material real. D\u00e1 consist\u00eancia ao corpo, permitindo que se exer\u00e7a uma \u201cnova a\u00e7\u00e3o ps\u00edquica\u201d, o amor a si mesmo. O privilegio da imagem \u00e9 unificar as pe\u00e7as soltas e tapar una falta essencial. Seu segredo \u00e9 o buraco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o alguns flashes do\u00a0<strong>flash 10.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>Citado em\u00a0<em>Imagens deslumbrantes, eclipse das palavras \u2013 Roland Barthes e o un\u00e1rio da imagem\u00a0<\/em>de Fabian Fajnwaks<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>Midiaindependente.org<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>idem<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/editorial-flash-10-ariel-bogochvol\/#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>Sergio Laia \u2013\u2013 O que \u00e9 imp\u00e9rio? O que s\u00e3o imagens? textos<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-3 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-2 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-title title fusion-title-1 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-four\"><h4 class=\"fusion-title-heading title-heading-left fusion-responsive-typography-calculated\" style=\"margin:0;--fontSize:24;line-height:1.5;\">V\u00eddeoflash 7 &#8211; La Locura Entre Nosotros<\/h4><\/div><div class=\"fusion-video fusion-youtube\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"YouTube video player 1\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0A3kB1jSFF0?wmode=transparent&autoplay=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen\"><\/iframe><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-separator fusion-full-width-sep\" style=\"align-self: center;margin-left: auto;margin-right: auto;margin-top:10px;margin-bottom:10px;width:100%;\"><\/div><div class=\"accordian fusion-accordian\" style=\"--awb-border-size:0px;--awb-icon-size:16px;--awb-content-font-size:15px;--awb-icon-alignment:left;--awb-hover-color:#f9f9f9;--awb-border-color:#cccccc;--awb-background-color:#ffffff;--awb-divider-color:rgba(224,222,222,0);--awb-divider-hover-color:rgba(224,222,222,0);--awb-icon-color:#ffffff;--awb-title-color:#0075a8;--awb-content-color:#222222;--awb-icon-box-color:#333333;--awb-toggle-hover-accent-color:#46b1fd;--awb-title-font-family:&quot;Raleway&quot;;--awb-title-font-weight:600;--awb-title-font-style:normal;--awb-title-line-height:1.5;--awb-content-font-family:&quot;Open Sans&quot;;--awb-content-font-style:normal;--awb-content-font-weight:400;\"><div class=\"panel-group fusion-toggle-icon-boxed\" id=\"accordion-848-1\"><div class=\"fusion-panel panel-default panel-ddc78cab213b7b577 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_ddc78cab213b7b577\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ddc78cab213b7b577\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-848-1\" data-target=\"#ddc78cab213b7b577\" href=\"#ddc78cab213b7b577\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">Imagens deslumbrantes, eclipse das palavras \u2013 Roland Barthes e o un\u00e1rio da imagem \u2013 Fabian Fajnwaks<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"ddc78cab213b7b577\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_ddc78cab213b7b577\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O que pode dizer a psican\u00e1lise, \u00e0 luz de sua experi\u00eancia, a respeito da profus\u00e3o das imagens no mundo contempor\u00e2neo? Acredito que se ela tem algo a dizer \u00e9 a partir da rela\u00e7\u00e3o da imagem, e n\u00e3o do imagin\u00e1rio, que j\u00e1 \u00e9 outra coisa, com o real: de que modo a imagem vem velar o real, e se o real, o imposs\u00edvel de ser simbolizado, pode ou n\u00e3o se representar, pode ou n\u00e3o se dar a ver. A quest\u00e3o se colocou alguns anos atr\u00e1s, em Paris, em fun\u00e7\u00e3o de um debate entre nosso amigo G\u00e9rard Wajcman e Claude Lanzmann, diretor do filme\u00a0<em>Shoah<\/em>\u00a0(1985) e da revista\u00a0<em>Les Temps Modernes<\/em>, por um lado, e Georges Didi-Hubermann, um especialista, como G\u00e9rard, das imagens e da pintura, a prop\u00f3sito de uma exposi\u00e7\u00e3o denominada\u00a0<em>Mem\u00f3rias dos Campos. Imagens dos campos de concentra\u00e7\u00e3o e de exterm\u00ednio<\/em>. Hubermann defendia a ideia de que se podia e devia mostrar estas imagens, e escreveu um livro denominado\u00a0<em>Imagens apesar de tudo<\/em><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-roland-barthes-e-o-unario-da-imagem-fabian-fajnwaks\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Lanzman e G\u00e9rard sustentavam que, ainda que se mostrassem aquelas fotografias, a Shoah continuaria sendo irrepresent\u00e1vel. Lembremos que no filme de Lanzman n\u00e3o h\u00e1 deliberadamente nenhuma imagem dos arquivos que mostrem o horror em que implicaram os campos de exterm\u00ednio. H\u00e1 imagens apenas relatos, alguns muito duros, como o do\u00a0<em>Sonderkommando<\/em>\u00a0checo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, n\u00e3o \u00e9 por acaso que \u00e9 a partir deste trauma maior do s\u00e9culo XX que surgiu a quest\u00e3o de ser poss\u00edvel representar o horror absoluto, do qual o significante Shoah tornou-se o nome. Mas, n\u00e3o pretendo dar \u00e0 minha interven\u00e7\u00e3o um ar de \u201cpathos\u201d que a mera pronuncia da palavra Shoah produz em uma interven\u00e7\u00e3o. H\u00e1 poucas imagens de Hiroshima e Nagasaki, e as que se conhecem n\u00e3o mostram o horror do que sabemos ter significado este bombardeio. Para se sair do horror, estrearam um filme dirigido por Beno\u00eet Jacquot, conhecido diretor de cinema e amigo do Campo Freudiano, j\u00e1 que foi ele quem filmou Lacan em\u00a0<em>Televis\u00e3o<\/em>. Sobre Sade um artigo de Philippe Sollers no\u00a0<em>Le Monde<\/em>\u00a0dizia que \u201cSade \u00e9 irrepresent\u00e1vel\u201d. Temos a\u00ed outra vers\u00e3o do estruturalmente imposs\u00edvel que implica representar o real pelas imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que o \u00abmuro das imagens\u00bb do qual fala G\u00e9rard Wajcman em seu livro O<em>\u00a0Olho Absoluto<\/em>, refer\u00eancia fundamental para este Congresso, representa bem o imp\u00e9rio das imagens. Muro das imagens que funciona segundo a estrutura de um semblante (imagin\u00e1rio) articulado, que, lembremos, Lacan fazia corresponder ao discurso da ci\u00eancia, em seu semin\u00e1rio\u00a0<em>De um discurso que n\u00e3o seria do semblante<\/em>. \u00abSemblante articulado que o real vem furar\u00bb dizia Lacan, e a mesma rela\u00e7\u00e3o estabelece G\u00e9rard entre o muro das imagens em que se tem constitu\u00eddo, hoje, o \u00abmuro das telas\u00bb grandes, pequenas, diminutas, planas, port\u00e1teis, vol\u00e1teis, estratosf\u00e9ricas, e o real que estas mesmas telas n\u00e3o conseguem cobrir e que retorna de tempos em tempos no social com as chamadas \u00abcrises\u00bb: crises financeiras, pol\u00edticas e nosogr\u00e1ficas dos manuais de psiquiatria, como o DSM-5, os quais revelam sua inconsist\u00eancia quando h\u00e1 mais patologias repertoriadas nas exce\u00e7\u00f5es das classes do que nas pr\u00f3prias classes, com os ataques terroristas. \u00abCrise\u00bb, lembremos, significa etimologicamente \u00abrompimento\u00bb. Neste caso, rompimento da tela, do v\u00e9u da tela que cobria o real. \u00abUma mesma l\u00f3gica une, nos diz Wajcman, os scanner que tentam ver no c\u00e9rebro os signos de diferentes patologias, as aut\u00f3psias psicol\u00f3gicas, e o controle por v\u00eddeo\u00bb: \u00e9 querer tudo ver, tudo controlar pelo olhar,\u00a0<em>full vision<\/em>\u00a0sem zonas de opacidade que fujam do olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00e9rard relata em seu livro, de maneira divertida, como um chefe da Scotland Yard acabou admitindo que o controle por v\u00eddeo em Londres, cidade com maior n\u00famero de c\u00e2meras de controle dos espa\u00e7os p\u00fablicos no mundo, \u00e9 um fracasso pela simples raz\u00e3o de n\u00e3o terem pessoal suficiente para que se pudesse observar a partir desta enorme multiplicidade de c\u00e2meras. Precisaram criar, ent\u00e3o, um programa de inform\u00e1tica para se detectar movimentos \u201csuspeitos\u201d que informasse ao observador que talvez estivesse acontecendo algo perigoso em determinada rua de Londres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estatuto de semblante da imagem se verifica no fato de que, quando algu\u00e9m navega pelo Google-El Prado, como menciona G\u00e9rard em seu livro, ao se aproximar para admirar o tra\u00e7ado do pincel de Vel\u00e1zquez em\u00a0<em>As Meninas<\/em>, ap\u00f3s o decorrer de certo tempo a imagem se torna inacess\u00edvel, j\u00e1 que o observador se deparar\u00e1 com uma imagem \u201cpixelizada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo: quando convidaram nosso amigo G\u00e9rard para um debate no Louvre sobre o que se ocultava no quadro\u00a0<em>Santa Ana, a Virgem e o Menino<\/em>, de Leonardo da Vinci, cujos segredos foram desvelados tamb\u00e9m com a contribui\u00e7\u00e3o de Freud, o mist\u00e9rio em quest\u00e3o era o que os especialistas do Louvre haviam encontrado nas pinceladas da c\u00e9lebre pintura a partir de raios-X. H\u00e1, neste gesto, uma esp\u00e9cie de passagem ao ato a respeito do saber que se pode obter de um quadro a partir da an\u00e1lise de sua imagem, tal qual os melhores cr\u00edticos de arte nos ensinam, e aquilo que os raios-X podem nos revelar, ou melhor, podem n\u00e3o revelar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuerer ver tudo\u201d funciona em detrimento da intimidade e da palavra, no caso do scanner e do uso das neuroci\u00eancias nesta pr\u00e1tica t\u00e3o particular que se denomina \u201caut\u00f3psia psicol\u00f3gica\u201d, em que a palavra da qual se trata \u00e9 a do entorno do paciente que se suicidou para estabelecer,\u00a0<em>apr\u00e8s-coup<\/em>, por que este se suicidou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises v\u00eam, deste modo, para nos despertar do sonho das imagens que nos enceguecem: \u00abH\u00e1 telas para n\u00e3o ver\u00bb, dir-se-ia, parafraseando o evangelho, j\u00e1 que as infinitas auditorias \u00e0s quais se submetem os bancos, as avalia\u00e7\u00f5es dos especialistas em economia, os servi\u00e7os de intelig\u00eancia, todos atravessados por esta modalidade esc\u00f3pica que sup\u00f5e a observa\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o permanentes de resultados e a an\u00e1lise quantitativa da informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguiram prever em nada os atentados terroristas recentes na Fran\u00e7a e em todo o mundo, assim como as \u00faltimas crises financeiras, a queda das Torres G\u00eameas no 11 de Setembro. Os psiquiatras especialistas da Lufthansa n\u00e3o conseguiram ver a falta da exist\u00eancia de uma psiquiatria que permitisse se detectar, nos radares da psicopatologia, as ideias delirantes de um jovem piloto que queria \u201cfazer-se um nome\u201d dando \u201ca falar de si durante algum tempo\u201d, o que se apresentou como uma \u201cdepress\u00e3o\u201d de um preocupado Andreas Lubitz, j\u00e1 que os m\u00e9dicos tinham lhe anunciado um deslocamento de c\u00f3rnea que lhe impediria, em pouco tempo, de continuar a pilotar, e teria, portanto, de voltar humilhado a servir refrigerantes como comiss\u00e1rio de bordo nas cabines dos avi\u00f5es. Hoje, as pessoas n\u00e3o olham: Christine Angot escrevia, algumas semanas atr\u00e1s, no<em>\u00a0Lib\u00e9ration<\/em>, dizendo que acreditava realmente que Dominique Strauss Kahn n\u00e3o sabia que eram prostitutas as mulheres que seus amigos lhe traziam para as orgias que se organizavam em sua honra no norte da Fran\u00e7a. Sabem que DSK esta sendo processado por esta raz\u00e3o, por colabora\u00e7\u00e3o em um delito de proxenetismo, porque \u201cquem hoje v\u00ea alguma coisa, se perguntava Angot, quem ouve algo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abN\u00e3o viu nada em Hiroshima\u00bb, Marguerite Duras fazia sua personagem feminina dizer em\u00a0<em>Hiroshima mon amour<\/em>. Em um livro de di\u00e1logos entre Marguerite Duras e Jean-Luc Godard, ela diz: \u00abO que me interessa \u00e9 a impregna\u00e7\u00e3o da imagem pelo texto. \u00c9 onde me sinto mais confort\u00e1vel. Tinha de falar do discurso degradado que representa a palavra do cinema falado. Digo \u00e0s vezes que o primeiro filme falado foi\u00a0<em>Hiroshima mon amour,<\/em>\u00a0j\u00e1 que Alain Resnais me disse: \u00abN\u00e3o fa\u00e7a nenhuma diferen\u00e7a, eu lhe suplico. \u00c9 por isso que tenho me dirigido ao senhor, entre o que o senhor escreve e o que lhe pe\u00e7o. Acho que era o \u00fanico que podia aceitar isto, e pedi-lo. Come\u00e7ar um filme sobre a maior cat\u00e1strofe do mundo por: \u201cN\u00e3o viu nada em Hiroshima\u201d. Enquanto o mundo inteiro est\u00e1 cheio de fotografias\u2026\u00bb. Ao que Godard lhe responde: \u00abMas acho que hoje uma palavra de homem \u00e9 diferente de uma palavra de mulher. E que n\u00e3o \u00e9 por acaso que seja uma mulher quem diga: \u2018N\u00e3o viu nada em Hiroshima\u2026\u2019\u00bb<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-roland-barthes-e-o-unario-da-imagem-fabian-fajnwaks\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Mais tarde, neste mesmo di\u00e1logo, Duras dir\u00e1 a respeito da palavra vazia da civiliza\u00e7\u00e3o atual: \u00ab(\u2026) as telas est\u00e3o cheias e contaminadas desta palavra degradada, de um discurso degradado, completamente antin\u00f4mico da palavra verdadeira. Uma palavra antin\u00f4mica \u00e0 palavra mesma\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo XX n\u00e3o viu nada, diz Wajcman, e o s\u00e9culo XXI ver\u00e1 talvez menos ainda, alienado, como se encontra, no \u201cmuro das imagens\u201d. \u00abN\u00e3o viu nada no c\u00e9rebro\u00bb \u00e9 o que teremos de dizer \u00e0s neuroci\u00eancias, que buscam apoiar-se agora em uma nova classifica\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica promovida pelo National Mental Health Institute, exclusivamente baseada nas imagens cerebrais e na neurogen\u00e9tica. \u00abN\u00e3o viu nada nos atentados terroristas\u00bb se voc\u00ea n\u00e3o consegue pensar em como o Ocidente contribuiu para o desenvolvimento desta loucura do Um, n\u00e3o somente no Oriente M\u00e9dio, mas tamb\u00e9m nas periferias de Paris e das principais cidades europeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se as imagens mentem, como a verdade da palavra em rela\u00e7\u00e3o ao real, como l\u00ea-las, como atravessar o muro das imagens para ver emergir um \u201cpeda\u00e7o do real\u201d? Encontro um come\u00e7o de resposta em Barthes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Barthes e a imagem<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu escrito sobre a fotografia,\u00a0<em>A C\u00e2mara Clara,<\/em>\u00a0um dos mais belos textos de Roland Barthes, ele assinala o quanto uma fotografia isola o particular absoluto, a \u201csoberana conting\u00eancia\u201d, indicando o \u201ctal qual\u201d (\u00abtal foto\u00bb e n\u00e3o \u00abuma foto\u00bb), a ocasi\u00e3o, o encontro, a\u00a0<em>tych\u00e9<\/em>, segundo Barthes, desviando um pouco o uso que lhe d\u00e1 Lacan, \u201co real em sua express\u00e3o infatig\u00e1vel\u201d. Barthes nos permite distinguir o\u00a0<em>studium\u00a0<\/em>do\u00a0<em>punctum\u00a0<\/em>em uma fotografia, distin\u00e7\u00e3o que se tornou cl\u00e1ssica<em>: o<\/em>\u00a0<em>studium<\/em>\u00a0designa o interesse particular por algo, a aplica\u00e7\u00e3o a uma coisa, aquilo que a fotografia nos d\u00e1 a ver, nos ensina, aquilo sobre o que ela nos instrui. \u00c9 o caso da fotografia jornal\u00edstica ou pol\u00edtica, de forma mais clara, e da dimens\u00e3o de testemunho ainda em algumas fotografias art\u00edsticas, em retratos. O segundo elemento vem escandir o\u00a0<em>studium<\/em>\u00a0e disse-nos Barthes, \u201cn\u00e3o sou eu quem vai busc\u00e1-lo na leitura que posso fazer da fotografia, investindo no campo que se me d\u00e1 a ver no\u00a0<em>studium<\/em>\u201d. \u00c9 este elemento que Barthes denomina de\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0e que vem me procurar, como uma seta, e me atravessa em meu interesse, em meu olhar. Em latim,\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0designa um instrumento pontiagudo, pontuante, e Barthes n\u00e3o desdenha aqui a refer\u00eancia ao ponto, \u00e0 pontua\u00e7\u00e3o na imagem. A mancha na imagem, seu buraco, seu ponto de fuga, seu corte, seu \u00abgolpe de dados\u00bb, lembrando a imagem mallarmeana. Este\u00a0<em>punctum<\/em>, este detalhe, \u201cpontua a imagem\u201d, nos assinala, \u00abnos olha\u00bb, dir\u00edamos com Lacan, lembrando a famosa lata de sardinhas que o observava desde o oceano. Se o\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 o \u00edndice de um real, \u00e9 porque se encontra integrado \u00e0 imagem e a descompleta, estabelecendo uma tens\u00e3o, um movimento rumo ao pr\u00f3prio interior da imagem, e nos indica, no entanto, uma borda da imagem, um \u201clitoral\u201d, o \u201cponto de fuga\u201d, como diz Barthes, que indica, em alguns casos, o que a imagem vem a representar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um retrato de uma fam\u00edlia negra vestida na ocasi\u00e3o com suas melhores roupas de domingo, e tirado pelo fot\u00f3grafo Van der Zee, s\u00e3o as flanges dos sapatos da irm\u00e3 do personagem principal que ret\u00eam a aten\u00e7\u00e3o de Barthes. Em outra fotografia, tirada por William Klein no bairro italiano de Nova York, \u00e9 a denti\u00e7\u00e3o ruim de uma das crian\u00e7as que interessa ao autor. Em um belo retrato tirado por Maplethorpe, \u00e9 o bra\u00e7o estendido de um rapaz com a m\u00e3o em bom grau de abertura e densidade de abandono que pontua o bom momento da fotografia, seu\u00a0<em>kairos<\/em>, como diziam os antigos gregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barthes indicava tamb\u00e9m o que denominava a \u00abimagem ou espa\u00e7o un\u00e1rio\u00bb, apoiando-se na gram\u00e1tica generativa. A fotografia \u00e9 un\u00e1ria ao reproduzir a realidade sem desdobr\u00e1-la, sem faz\u00ea-la vacilar, sem \u00abquebr\u00e1-la\u00bb: nenhuma tens\u00e3o, nenhum duelo, nenhum inc\u00f4modo para o olhar. Trata-se da fotografia banal, a que somente procura reproduzir um fato, como na fotografia jornal\u00edstica. Neste caso, n\u00e3o h\u00e1\u00a0<em>punctum<\/em>, e, sim, impacto, efeito produzido, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 choque com o olhar. A fotografia pornogr\u00e1fica \u00e9 uma imagem un\u00e1ria em sua representa\u00e7\u00e3o massiva do sexo, e Barthes a op\u00f5e \u00e0 fotografia er\u00f3tica, que esbo\u00e7a sem mostrar. Barthes n\u00e3o enuncia assim, por\u00e9m, poder\u00edamos distinguir a imagem pornogr\u00e1fica do gozo, da imagem er\u00f3tica do desejo: n\u00e3o h\u00e1\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0na imagem pornogr\u00e1fica, mas, sim, na er\u00f3tica, o que o leva a distinguir o desejo pesado (o gozo) da pornografia do desejo leviano do erotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que a imagem que impera hoje, a imagem do muro das imagens com as quais nos alimentam as telas, \u00e9 uma imagem de gozo, uma imagem \u201cpesada\u201d, uma imagem\u00a0<em>Uniana<\/em>.\u00a0<em>Uniano<\/em>\u00a0aqui deve ser tomado no sentido do un\u00e1rio de Lacan, de Um\u00a0<em>Uno<\/em>\u00a0iterativo que n\u00e3o permite dial\u00e9tica alguma. Uno (\u201cUnien\u201d) que Lacan equivocava com \u201cennui\u201d (t\u00e9dio). Isso leva Barthes, no final deste texto, \u00e0 conclus\u00e3o que segue ainda vigente: \u201cVivemos hoje de acordo com um imagin\u00e1rio generalizado: tudo se transforma em imagem. N\u00e3o existem, n\u00e3o se produzem e n\u00e3o se consumem mais do que imagens. Exemplo extremo: entrem em uma loja porn\u00f4 em Nova York (hoje basta com clicar na internet). N\u00e3o encontrar\u00e3o ali o v\u00edcio, sen\u00e3o suas representa\u00e7\u00f5es viventes; dir-se-ia que o individuo an\u00f4nimo (em nenhum caso, um ator) que ali se faz acorrentar e flagelar n\u00e3o concebe seu prazer somente se este prazer reproduz a imagem estereot\u00edpica do sadomasoquismo. O gozo passa pela imagem: esta \u00e9 a grande muta\u00e7\u00e3o. Esta invers\u00e3o prop\u00f5e for\u00e7osamente uma quest\u00e3o \u00e9tica: n\u00e3o \u00e9 que a imagem seja imoral, irreligiosa ou diab\u00f3lica, mas que, generalizada, ela irrealiza completamente o mundo humano dos conflitos e de seus desejos, com o pretexto de ilustr\u00e1-los. As sociedades consomem, hoje, imagens e, n\u00e3o como em outros tempos, cren\u00e7as. Por esta raz\u00e3o, s\u00e3o hoje mais liberais, menos fan\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m mais falsas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sociedades j\u00e1 mudaram desde os anos de 1980 e podemos ver a recupera\u00e7\u00e3o das imagens reproduzidas pela Al-Jazeera sobre atentados terroristas a servi\u00e7o do fanatismo islamista, como assinalava Eric Laurent. Ou seja, a imagem n\u00e3o se op\u00f5e sempre, n\u00e3o mais hoje, em todo caso, ao fanatismo, ainda que tenhamos visto recentemente os limites aos quais tem levado a interdi\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o pela imagem no Isl\u00e3, que continua vigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autorizo-me, para concluir, a usar a refer\u00eancia que Barthes faz da \u00e9tica no final de seu texto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o da imagem, para perguntar se seria poss\u00edvel uma \u00e9tica do observador que levasse em considera\u00e7\u00e3o o encobrimento do real pela imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Pablo Sauce<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revis\u00e3o do portugu\u00eas: Adriano Messias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-roland-barthes-e-o-unario-da-imagem-fabian-fajnwaks\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0DIDI-HUBERMANN, G.\u00a0<strong>Images malgr\u00e9 tout<\/strong><em>.<\/em>\u00a0Paris: Ed. du Minuit, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/imagens-deslumbrantes-eclipse-das-palavras-roland-barthes-e-o-unario-da-imagem-fabian-fajnwaks\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0DURAS, Marguerite; GODARD, Jean-Luc Godard.\u00a0<strong>Dialogues<\/strong><em>.<\/em>\u00a0Paris: Post-\u00e9ditions\/ Centre Georges Pompidou, 2014.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-8ee2f278d134781eb fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_8ee2f278d134781eb\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"8ee2f278d134781eb\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-848-1\" data-target=\"#8ee2f278d134781eb\" href=\"#8ee2f278d134781eb\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">Imp\u00e9rio das imagens e fluidez das identifica\u00e7\u00f5es \u2013 Julio Cesar Lemes de Castro<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"8ee2f278d134781eb\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_8ee2f278d134781eb\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de Freud, Lacan estabelece uma distin\u00e7\u00e3o entre o eu ideal \u2013 i(a) \u2013 e o ideal do eu \u2013 I(A). O primeiro, cujo exemplar inaugural \u00e9 a imagem do corpo no espelho, consiste na matriz de identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. O segundo, que aparece embrionariamente como a inst\u00e2ncia que referenda para a crian\u00e7a sua imagem especular como objeto do desejo do Outro, consiste na matriz de identifica\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. O eu ideal, efeito da proje\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, corresponde \u00e0 imagem idealizada de si. J\u00e1 o ideal do eu, resultado da introje\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, \u00e9 o modelo que serve de par\u00e2metro a essa idealiza\u00e7\u00e3o, desdobrando-se no supereu, que lhe acrescenta o poder de san\u00e7\u00e3o garantidor do cumprimento da norma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O regime de poder caracter\u00edstico da modernidade \u00e9 exercido, conforme a an\u00e1lise de Foucault (1975), no interior das diferentes institui\u00e7\u00f5es disciplinares \u2013 a f\u00e1brica, a escola, o quartel, o hospital, a pris\u00e3o. Podemos dizer que cada uma dessas institui\u00e7\u00f5es valoriza um certo tipo de ideal do eu, acoplado a um supereu repressivo que zela pela ades\u00e3o aos padr\u00f5es normativos. A relativa homogeneidade desses modelos de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 perfeitamente compat\u00edvel com o individualismo moderno, pois cada um, tomado individualmente, procura adequar seu eu ideal a esses modelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arcabou\u00e7o simb\u00f3lico da sociedade disciplinar \u00e9 complementado assim pela ascens\u00e3o do imagin\u00e1rio moderno, situada a grosso modo entre o s\u00e9culo XV \u2013 \u201cz\u00eanite imagin\u00e1rio do homem moderno\u201d (Lacan, 1949\/1966, p. 97) \u2013 e o s\u00e9culo XVII \u2013 \u201caurora da era hist\u00f3rica do eu\u201d (Lacan, 1953\/1966, p. 283). Na passagem do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX, o imagin\u00e1rio moderno ganha um novo impulso, em fun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do consumo de massa e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Aqui, a constru\u00e7\u00e3o do eu ideal continua tendo como par\u00e2metro um repert\u00f3rio limitado de tipos de ideal do eu. Mas esse ideal do eu est\u00e1 acoplado a um supereu que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma inst\u00e2ncia repressiva das institui\u00e7\u00f5es disciplinares, ainda que se entrelace com esta e seja em alguma medida por ela limitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente, a prolifera\u00e7\u00e3o das imagens tem um efeito cumulativo, levando ao desgaste gradativo das refer\u00eancias simb\u00f3licas. Esse processo chega a um ponto de virada, no qual se reconhece claramente a preval\u00eancia das imagens, por volta dos anos 60, quando Debord (1967\/1987) prop\u00f5e sua caracteriza\u00e7\u00e3o da sociedade do espet\u00e1culo. A infla\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio em detrimento das refer\u00eancias simb\u00f3licas articula-se \u00e0 injun\u00e7\u00e3o supereg\u00f3ica do gozo, que, como detecta Lacan (1972-1973\/1975, p. 10), se torna dominante na sociedade contempor\u00e2nea: \u201cO supereu \u00e9 o imperativo do gozo: Goza!\u201d A valoriza\u00e7\u00e3o das imagens viabiliza a injun\u00e7\u00e3o de gozar porque, atrav\u00e9s delas, se tem a impress\u00e3o de que essa injun\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo cumprida \u2013 ou seja, o imagin\u00e1rio constitui o canal de transgress\u00e3o socialmente toler\u00e1vel que permite o exerc\u00edcio constante do imperativo do gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o decl\u00ednio do supereu repressivo que acompanha a escalada do imagin\u00e1rio, a sociedade disciplinar examinada por Foucault d\u00e1 lugar \u00e0 sociedade de controle vislumbrada por Deleuze (1990\/2003). Assim, o \u201cimp\u00e9rio\u201d, o edif\u00edcio de poder contempor\u00e2neo descrito por Hardt e Negri (2000), que ilustra o funcionamento da sociedade de controle e \u00e9 citado por Miller (2002\/2011) em \u201cIntui\u00e7\u00f5es milanesas\u201d, poderia ser entendido como \u201cimp\u00e9rio das imagens\u201d \u2013 o paradigma do espet\u00e1culo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do paradigma de controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que na sociedade de controle o ideal do eu est\u00e1 acoplado a um supereu que ordena o gozo, enquanto o efeito normatizador do supereu repressivo se eclipsa, nela se torna poss\u00edvel a multiplica\u00e7\u00e3o dos modelos simb\u00f3licos de identifica\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista econ\u00f4mico, essa transi\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 passagem do regime de acumula\u00e7\u00e3o fordista, caracterizado pela produ\u00e7\u00e3o e pelo consumo em massa, ao p\u00f3s-fordista, caracterizado pela produ\u00e7\u00e3o e pelo consumo flex\u00edveis, que requerem uma identidade mais fluida. Tamb\u00e9m o funcionamento da psicologia de massas se modifica: em lugar do l\u00edder que d\u00e1 coes\u00e3o \u00e0 massa em Freud (1921\/1967), temos a fragmenta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e de investimentos libidinais presente nas mobiliza\u00e7\u00f5es em rede contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 maior latitude do ideal do eu corresponde a plasticidade do eu ideal, que n\u00e3o precisa mais se adequar a moldes preestabelecidos, mas pode modular-se de acordo com as circunst\u00e2ncias. Amplia-se a margem social de manobra do investimento narc\u00edsico, pois cabe a cada um promover seu capital humano, segundo a f\u00f3rmula do empreendedorismo de si que distingue o sujeito neoliberal, para Foucault (1978-1979\/2004), e que abrange os mecanismos de apresenta\u00e7\u00e3o de si na vida cotidiana descritos por Goffman (1956\/1959).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso pode ser constatado especialmente em certas esferas. Longe de subordinar-se a necessidades materiais, o consumo aparece cada vez mais como espa\u00e7o privilegiado da constru\u00e7\u00e3o de identidade, sobretudo na medida em que fornece ferramentas para o cultivo da imagem de si. Na Internet, a promo\u00e7\u00e3o da imagem pessoal evolui dos foruns e chats para as p\u00e1ginas pessoais e da\u00ed para os blogs, at\u00e9 chegar \u00e0s redes sociais como o Facebook, instrumento por excel\u00eancia para essa finalidade. Nesses contextos, a imagem que cada um procura projetar de si funciona como a imagem especular: trata-se de algo perfeito, completo, do qual se omite a falta. Circunscrevendo de forma bastante male\u00e1vel as identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, o Outro aparece como refer\u00eancia onipresente, mas \u00e0 semelhan\u00e7a do \u201cpai que diz sim\u201d, n\u00e3o do \u201cpai que diz n\u00e3o\u201d; n\u00e3o por acaso, o Facebook disponibiliza um link para \u201ccurtir\u201d, mas n\u00e3o h\u00e1 um recurso para manifestar reprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEBORD, Guy (1967).\u00a0<strong>La soci\u00e9t\u00e9 du spectacle<\/strong>. Paris: G\u00e9rard Lebovici, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DELEUZE, Gilles (1990). Post-scriptum sur les soci\u00e9t\u00e9s de contr\u00f4le. In:\u00a0<strong>Pourparlers<\/strong>: 1972-1990. Paris: Minuit, 2003. p. 240-247.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, Michel.\u00a0<strong>Surveiller et punir<\/strong>: naissance de la prison. Paris: Gallimard, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FOUCAULT, Michel (1978-1979).\u00a0<strong>Naissance de la biopolitique<\/strong>: cours au Coll\u00e8ge de France, 1978-1979. Paris: Gallimard\/Seuil, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FREUD, Sigmund (1921). Massenpsychologie und Ich-Analyse. In:\u00a0<strong>Gesammelte Werke, dreizehnter Band<\/strong>: Jenseits des Lustprinzips \/ Massenpsychologie und Ich-Analyse \/ Das Ich und das Es. 5. Aufl. Frankfurt am Main: S. Fischer, 1967. p. 71-161.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOFFMAN, Erving (1956).\u00a0<strong>The presentation of self in everyday life<\/strong>. rev. ed. New York: Anchor Books, 1959.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HARDT, Michael; NEGRI, Antonio.\u00a0<strong>Empire<\/strong>. Cambridge (MA) and London: Harvard University Press, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, Jacques (1949). Le stade du miroir comme formateur de la fonction du Je. In:\u00a0<strong>\u00c9crits<\/strong>. Paris: Seuil, 1966. p. 93-100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, Jacques (1953). Fonction et champ de la parole et du langage en psychanalyse. In:\u00a0<strong>\u00c9crits<\/strong>. Paris: Seuil, 1966. p. 237-322.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LACAN, Jacques (1972-1973).\u00a0<strong>Le s\u00e9minaire, livre XX<\/strong>: encore. Paris: Seuil, 1975.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MILLER, Jacques-Alain (2002). Intui\u00e7\u00f5es milanesas. Tradu\u00e7\u00e3o de In\u00eas Autran Dourado Barbosa.\u00a0<strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>\u00a0online nova s\u00e9rie, n\u00b0 5, julho de 2011.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-ba6410348a658ed1e fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_ba6410348a658ed1e\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ba6410348a658ed1e\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-848-1\" data-target=\"#ba6410348a658ed1e\" href=\"#ba6410348a658ed1e\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">O selfie: narcisismo e autoerotismo \u2013 Angela Fischer<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"ba6410348a658ed1e\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_ba6410348a658ed1e\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomarei como ponto de partida um curta metragem protagonizado por Kirsten Dunst e realizado por Matthew Frost intitulado em ingl\u00eas\u00a0<em>Aspirational<\/em>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwDbOmPQNx0&#038;sns=em\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rwDbOmPQNx0&#038;sns=em<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este curta mostra muito bem a pot\u00eancia das imagens, a pot\u00eancia das imagens em dem\u00e9rito do v\u00ednculo com o outro, e com o Outro. S\u00e3o duas jovens que v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a Kirsten na rua, est\u00e3o de carro e ao v\u00ea-la param, asseguram-se de que se trata da mencionada atriz e ambas tiram seus respectivos\u00a0<em>selfies<\/em>, \u201ccompartilhando\u201d imediatamente suas imagens em alguma plataforma virtual. Kirsten j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais desej\u00e1vel para as jovens, saindo de cena lhes diz se querem fazer alguma pergunta, ao que respondem com um \u201cobrigada\u201d como o da secret\u00e1ria eletr\u00f4nica. Retiram-se olhando suas imagens cada uma em seu pr\u00f3prio celular diante do rosto surpreso de Kristen. O importante era ter a imagem dessa popular atriz, ela mesma n\u00e3o interessa mais. O gozo \u00e9 olharem-se a si mesmas e, com a atriz que tiraram o\u00a0<em>selfie\u00a0<\/em>n\u00e3o se estabelece nenhum v\u00ednculo, dava no mesmo se tirassem sua imagem de um cartaz de publicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>selfie\u00a0<\/em>\u00e9 uma autofotografia, tirada com algum dispositivo digital, por\u00e9m n\u00e3o se trata de uma nova maneira de fotografar, n\u00e3o \u00e9 simplesmente o uso de um novo aparelho fruto do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, n\u00e3o se est\u00e1 passando da c\u00e2mera tradicional para a digital. Trata-se de uma pr\u00e1tica onde o gozo est\u00e1 em capturar a pr\u00f3pria imagem, por si mesmo, cujo efeito \u00e9 mais relacionado ao autoerotismo, como dizia Freud\u00a0<em>a boca que beija a si mesma.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escamoteia-se a rela\u00e7\u00e3o ao Outro, debilita-se o discurso e o la\u00e7o social, e podemos nos perguntar sobre os efeitos subjetivos dessa incessante captura de imagens vazias: n\u00e3o \u00e9 a experi\u00eancia que produz um quadro, uma fotografia. O\u00a0<em>selfie<\/em>\u00a0produz curtos-circuitos em rela\u00e7\u00e3o ao encontro com o Outro e os outros e deixa o sujeito em uma experi6encia de gozo solit\u00e1rio. Como diz Miller: \u201cS\u00f3 podemos fazer da imagem um elemento do registro imagin\u00e1rio, definitivamente, se fizermos dela um significante\u2026 as imagens se significantizam, podem se transformar em significante e podem ser tomadas como significantes.\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-selfie-narcisismo-e-autoerotismo-angela-fischer\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos\u00a0<em>selfies<\/em>\u00a0assistimos a uma compuls\u00e3o de tirar ou de capturar, com qualquer dispositivo que se tenha em m\u00e3os, tudo o que o sujeito faz, da mais simples rotina de sua vida, at\u00e9 outros tipos de acontecimentos; muitos desses\u00a0<em>selfies<\/em>\u00a0servir\u00e3o para rapidamente serem colocados nas diferentes plataformas virtuais, face, twittar, etc. A imediatez da imagem sem outro destino que alguma plataforma virtual, nem sequer o \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es. Como diz G. Wajcman: \u201cA fantasia de ver tudo e de conservar tudo acompanha-se, paradoxalmente, de uma soberana indiferen\u00e7a ao assassinato da imagem\u2026 a imagem perdeu qualquer car\u00e1ter sagrado, al\u00e9m do que nem sequer \u00e9 um objeto. O virtual \u00e9 ar e nada mais.\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-selfie-narcisismo-e-autoerotismo-angela-fischer\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o existe Outro, a imagem fica isolada de significa\u00e7\u00e3o, e a pergunta que formulamos \u00e9 quais efeitos tem esse isolamento para a subjetividade dos sujeitos. A imagem est\u00e1 no lugar do significante? \u00c9 uma pergunta. A imagem somente produziria um gozo no Corpo. Quais consequ\u00eancias para o la\u00e7o social? Que lugar para o encontro? Perguntas apropriadas para o \u00e2mbito de nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A acumula\u00e7\u00e3o de imagens cumpriria um tamponamento sobre o que n\u00e3o \u00e9 captado, nem pela imagem, nem pela palavra, do real,<em>\u00a0disso que n\u00e3o queremos saber.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-selfie-narcisismo-e-autoerotismo-angela-fischer\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Miller, J.-A.\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>. Rio de Janeiro, JZE, 1997, p. 576.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-selfie-narcisismo-e-autoerotismo-angela-fischer\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Wajcman, G.\u00a0<em>El Ojo absoluto<\/em>. Buenos Aires, Manancial, 2010, p. 256.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-b2f139a4d3f7c0e4e fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_b2f139a4d3f7c0e4e\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"b2f139a4d3f7c0e4e\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-848-1\" data-target=\"#b2f139a4d3f7c0e4e\" href=\"#b2f139a4d3f7c0e4e\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">Uma nota sobre a identifica\u00e7\u00e3o narcisista \u2013 Claudia Vel\u00e1squez<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"b2f139a4d3f7c0e4e\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_b2f139a4d3f7c0e4e\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A condessa de Castiglione, nobre italiana que viveu na Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XIX, ilustra o que \u00e9 uma identifica\u00e7\u00e3o narcisista. Assim como prop\u00f5e Miller: \u201cA condessa de Castiglione n\u00e3o necessita de ningu\u00e9m. Como indica o lema \u2018o solteiro faz seu chocolate ele mesmo\u2019, a condessa de Castiglione faz seu olhar ela mesma, n\u00e3o necessita de ningu\u00e9m para fazer seu olhar\u201d.[1] Al\u00e9m disso, a condessa pode se permitir dizer que goza de si mesma fotografando-se.[2] A partir dessas cita\u00e7\u00f5es, se poderia ent\u00e3o afirmar que a identifica\u00e7\u00e3o narcisista funda-se no olhar sobre si mesmo \u2013 sem o olhar do Outro \u2013 e que disso obt\u00e9m-se um gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condessa, bela mulher, amante de Napole\u00e3o III, posou centenas de vezes para um c\u00e9lebre fot\u00f3grafo da \u00e9poca. Ia com frequ\u00eancia ao seu est\u00fadio para se encontrar com sua pr\u00f3pria imagem. Suas fotografias caracterizam-se por, em todas elas, representar personagens diversos, no enquadre de uma cena. Assim que morreu um poeta franc\u00eas comprou mais de 400 de suas fotografias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para definir o olhar Lacan recorre, em um dado momento de seu ensino, \u00e0 fotografia. E coloca o olhar como \u201co instrumento atrav\u00e9s do qual sou foto-grafado\u201d.[3] O olhar, em primeiro lugar, seria como o aparelho fotogr\u00e1fico que olha e, ao faz\u00ea-lo, convida a ser olhado. Em segundo lugar, o olhar, como o aparelho fotogr\u00e1fico, seria o instrumento por meio do qual \u201cse encarna a luz\u201d.[4] Ent\u00e3o, ao ser olhado, o sujeito \u00e9 foto-grafado, nele se imprime o efeito luminoso desse objeto olhar. Assim, de um lado est\u00e1 aquilo que olha e do outro aquilo em que se converte o que \u00e9 olhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estabelecer o olhar como aquilo que foto-grafa o sujeito, mostra que, para Lacan, ele est\u00e1 primeiro fora, isto \u00e9, pertence ao campo do Outro. Portanto, antes de olhar, \u201csou olhado\u201d. Esse olhar, que vem de fora, \u00e9 pensado como uma ranhura, (tal como o aparelho fotogr\u00e1fico), como uma janela, atrav\u00e9s da qual se v\u00ea.[5] Assim, \u201cO olhar n\u00e3o \u00e9 ver, n\u00e3o \u00e9 olhar, mover os olhos, o olhar est\u00e1 em primeiro lugar no Outro\u201d.[6]\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ranhura que \u00e9 o olhar no campo do Outro, em sua forma mais elementar, \u00e9, segundo Lacan, uma mancha.[7] Da\u00ed que o olhar se refira a isso que fascina e n\u00e3o ao fascinado.[8]\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se referir ao est\u00e1dio do espelho, deciframento do narcisismo freudiano, Lacan coloca que \u00e9 esse instante de parada no movimento da crian\u00e7a diante do espelho, de atitude bloqueada, de suspens\u00e3o do gesto, que produz o efeito fascinador, fascinum[9] da imagem. E est\u00e1 em estreita rela\u00e7\u00e3o com a morte. \u201cO fascinum \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o antivida, antimovimento, desse ponto terminal e \u00e9 precisamente uma das dimens\u00f5es em que se exerce diretamente o poder do olhar\u201d.[10]\n<p style=\"text-align: justify;\">Narcisismo \u00e9 o nome que a experi\u00eancia anal\u00edtica deu a uma ordem particularmente satisfat\u00f3ria para o sujeito, cuja estrutura essencial \u00e9 dada pela imagem especular. O sujeito se apoia na satisfa\u00e7\u00e3o que dela emana, para produzir um desconhecimento de algo que lhe \u00e9 intr\u00ednseco: a fun\u00e7\u00e3o do olhar. O elidido, o evitado no narcisismo \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do olhar.[11] A satisfa\u00e7\u00e3o que se alcan\u00e7a em ver-se a si mesmo n\u00e3o inclui o olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse olhar evitado no narcisismo \u00e9 aquele que est\u00e1 fora e que nos faz ser, primeiro, sujeitos olhados. Portanto, o elidido no narcisismo \u00e9 que \u201cisso olha\u201d. Assim, a condessa de Castiglione exemplifica a identifica\u00e7\u00e3o narcisista ao olhar-se a si mesma, elidindo inclusive, o olhar do aparelho fotogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] J.-A. Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, p.420<br \/>[2] J.-A. Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, p.431<br \/>[3] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113<br \/>[4] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113<br \/>[5] Miller, \u201cLas c\u00e1rceles del goce\u201d en Im\u00e1genes y miradas, EOL, Buenos Aires, 1994, p. 27<br \/>[6] Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2004, p.424<br \/>[7] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 113<br \/>[8] Miller, Los usos del lapso, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2004, p 424<br \/>[9] fascinum, personifica\u00e7\u00e3o do falo divino. Na etimologia aparece tanto a fascina\u00e7\u00e3o, encantamento, como\u00a0 o rem\u00e9dio contra este \u00faltimo.\u00a0 http:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Fascinus<br \/>[10] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 124<br \/>[11] Jacques Lacan, Seminario XI: Los cuatro conceptos fundamentales del psicoan\u00e1lisis, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1989, p. 82<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-panel panel-default panel-2054148b6821f8878 fusion-toggle-no-divider\"><div class=\"panel-heading\"><h4 class=\"panel-title toggle\" id=\"toggle_2054148b6821f8878\"><a aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"2054148b6821f8878\" role=\"button\" data-toggle=\"collapse\" data-parent=\"#accordion-848-1\" data-target=\"#2054148b6821f8878\" href=\"#2054148b6821f8878\"><span class=\"fusion-toggle-icon-wrapper\" aria-hidden=\"true\"><i class=\"fa-fusion-box active-icon awb-icon-minus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><i class=\"fa-fusion-box inactive-icon awb-icon-plus\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/span><span class=\"fusion-toggle-heading\">O segredo da imagem \u2013 Clara M. Holguin<\/span><\/a><\/h4><\/div><div id=\"2054148b6821f8878\" class=\"panel-collapse collapse \" aria-labelledby=\"toggle_2054148b6821f8878\"><div class=\"panel-body toggle-content fusion-clearfix\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Desvelar um segredo, neste caso o da imagem, sup\u00f5e que esta mantenha algo em reserva, algo que n\u00e3o se disse, que est\u00e1 oculto. Sup\u00f5e tamb\u00e9m que, al\u00e9m da multiplicidade e variedade das imagens, seu imp\u00e9rio, quer dizer, seu poder, baseia-se no segredo, em poder mant\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, ao lado da pergunta sobre o que esconde uma imagem, interrogamos seu funcionamento e estrutura, para dar ao imagin\u00e1rio lacaniano todo seu valor, quando destaca a verdade da percep\u00e7\u00e3o, ou talvez, teria de se dizer, o real do campo visual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso o que assinala Lacan a partir do estudo da Etologia. Se no campo animal evidencia-se que uma imagem de \u201coutro exemplar da esp\u00e9cie\u201d tem influ\u00eancia em um organismo, na esp\u00e9cie humana podemos dizer que o campo visual produz efeitos de vida. Basta recordar o exemplo dado por Miller na observa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a de Granada, que, sob o dom\u00ednio da imagem do outro manifesta um gozo no corpo. A crian\u00e7a est\u00e1 entregue ao gozo em sua totalidade, como evidenciam seus movimentos. \u00c9 um corpo que goza de si mesmo. Podemos equiparar isso ao autoerotismo freudiano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da imagem entendida desde a perspectiva de um imagin\u00e1rio pr\u00e9-simb\u00f3lico, quer dizer, de seus efeitos antes da captura desse gozo pela imagem do corpo pr\u00f3prio, destacada por Lacan na experi\u00eancia do espelho, onde se produz uma transforma\u00e7\u00e3o assimil\u00e1vel ao \u201cnovo ato ps\u00edquico\u201d, tal como diz Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo, considerado ent\u00e3o uma forma (Imago-gestalt) e posteriormente pensado a partir da fantasia em sua vers\u00e3o imagin\u00e1ria, d\u00e1 conta de uma imagem que al\u00e9m de velar o que n\u00e3o h\u00e1 (castra\u00e7\u00e3o), faz existir o que n\u00e3o se pode ver (objeto\u00a0<em>a<\/em>) e, no momento em que introduz um gozo imagin\u00e1rio e f\u00e1lico respectivamente, faz limite a esse outro gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o da imagem \u00e9 preencher, tampar esse buraco essencial. Como diz Lacan \u00e9 a forma o que mant\u00e9m o corpo junto, fazendo com que se \u201cveja mal\u201d porque n\u00e3o vemos o organismo, seu material real, s\u00f3 vemos a bolsa de pele, como imagem que protege da fragmenta\u00e7\u00e3o e d\u00e1 consist\u00eancia ao corpo, permitindo ador\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O privil\u00e9gio da imagem \u00e9 supor que pode tampar a falta essencial, unificar as pe\u00e7as soltas. Seu segredo \u00e9 o buraco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o do segredo mostra a imagem em sua dupla dimens\u00e3o: como imagem-fantasia funciona como v\u00e9u e tela do buraco, nos distancia da pr\u00e9-matura\u00e7\u00e3o e imaturidade do sujeito, isto \u00e9, de sua fragmenta\u00e7\u00e3o. A falta que chamamos castra\u00e7\u00e3o fica velada dando ao corpo um enquadre. Como imagem \u201creal\u201d, se \u00e9 permitido enunci\u00e1-la assim, presentifica aquilo que se satisfaz em seu pr\u00f3prio movimento, um corpo que goza de si mesmo e evidencia o buraco, n\u00e3o enfatizando mais o que est\u00e1 escondido, mas \u201co que se v\u00ea no campo visual\u201d. Deixemos a pergunta: trata-se, ent\u00e3o, de uma imagem que faz acontecimento de corpo ou o acontecimento de corpo, contingente, d\u00e1 acesso a essa dimens\u00e3o da imagem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Supor o buraco, que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o da \u201cn\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, como o pr\u00f3prio segredo da imagem, permite pensar o corpo do ser falante mais al\u00e9m de sua falta e mortifica\u00e7\u00e3o, para aludir a um corpo vivo, um corpo que goza. \u201cH\u00e1 Um\u2026 completa o \u201cN\u00e3o h\u00e1\u201d da rela\u00e7\u00e3o sexual. Como diz Lacan no Semin\u00e1rio \u2026ou pior,\u00a0<em>\u00e9 o Um-sozinho em seu gozo<\/em>. A n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual corresponde ao primado do autoerotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob este quadro, poder\u00edamos afirmar que hoje as imagens do corpo colocam em evid\u00eancia que se transp\u00f4s a barreira da imagem amada para mostrar seu segredo. J\u00e1 n\u00e3o se trata do corpo adorado, sen\u00e3o do corpo aberto. N\u00e3o h\u00e1 barreira entre interior-exterior, mas continuidade. Encontramos o resultado fragmentado do corpo e o adeus \u00e0 unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se na experi\u00eancia cotidiana nossos olhos revelam essa verdade, a experi\u00eancia anal\u00edtica oferece a possibilidade de que cada parl\u00eatre encontre seu segredo e invente, a partir da\u00ed, como se fazer um corpo. Um corpo que tenha uma consist\u00eancia singular, n\u00e3o mais da imagem ou da fantasia, mas sinthom\u00e1tica, isto \u00e9, saber fazer da maneira como se faz com o corpo, quer dizer, ter uma id\u00e9ia de \u201csi mesmo\u201d, o que talvez possamos aproximar do que Lacan chamou \u201cfazer-se um ego\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Lacan, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio \u2013 livro 19<\/em>\u00a0<em>\u2026ou pior<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Miller, J-A.\u00a0<em>La imagen del cuerpo en el psicoan\u00e1lisis\u00a0<\/em>(1995). En Introducci\u00f3n a la Cl\u00ednica Lacaniana. Conferencias en Espa\u00f1a. ELP. 2006<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Brousse, M. H.\u00a0<em>Corps sacralis\u00e9, corps ouverts: de l\u2019existence, mise en question, de la peau<\/em>. In\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Holguin, C. M.\u00a0<em>Una cosm\u00e9tica sin barrera, m\u00e1s all\u00e1 de la piel \u2013\u00a0<\/em>Trabajo presentado en ENAPOL, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":849,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848\/revisions\/849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}