{"id":925,"date":"2021-09-02T10:06:52","date_gmt":"2021-09-02T13:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=925"},"modified":"2021-09-02T10:07:24","modified_gmt":"2021-09-02T13:07:24","slug":"maria-silvia-g-f-hanna-algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/maria-silvia-g-f-hanna-algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens\/","title":{"rendered":"Maria Silvia G. F. Hanna &#8211; Algumas perguntas em torno do Imp\u00e9rio das Imagens"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Maria Silvia G. F. Hanna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-923 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/images.jpeg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/images-66x66.jpeg 66w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/images-150x150.jpeg 150w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/images-200x200.jpeg 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/images.jpeg 224w\" sizes=\"(max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/>O t\u00edtulo proposto para o pr\u00f3ximo ENAPOL VII \u00e9 uma oportunidade para atualizar o tema da imagem. Penso que \u00e9 interessante tomar como ponto de partida o sintagma \u201cO Imp\u00e9rio da Imagem\u201d, mas em uma dire\u00e7\u00e3o retroativa, permitindo visitar e examinar as elabora\u00e7\u00f5es freudianas, a releitura de J. Lacan, nos distintos momentos de sua obra e as \u00faltimas discuss\u00f5es colocadas em nosso campo de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana sobre o lugar da imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que significa \u201cO Imp\u00e9rio das Imagens\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos pelos registros das primeiras pictografias das cavernas rupestres que a imagem faz parte da vida do ser falante. Certamente foi a import\u00e2ncia da imagem e sua rela\u00e7\u00e3o com a luz que levou Arist\u00f3teles, no s\u00e9culo IV, a descobrir o princ\u00edpio da c\u00e2mera obscura, antecessora da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem se deleita vendo suas imagens, de outros e das paisagens pr\u00f3ximas e distantes. A ideia de fixar a imagem e conserv\u00e1-la levou Daguerre e Talbot a realizarem in\u00fameras pesquisas que inauguraram a possibilidade de fixar uma imagem captada pela c\u00e2mera obscura em uma superf\u00edcie.<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Muitos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos permitiram posteriormente a inven\u00e7\u00e3o do cinema, da televis\u00e3o, dos computadores e outros desdobramentos. Hoje estamos acompanhados por telas nos diferentes dispositivos, nas quais vemos imagens variadas, aquelas que nos deliciam e alegram e outras que nos fazem fechar os olhos pelo horror que provocam. Observamos nas ruas, nos \u00f4nibus, nas cidades, muitas pessoas andando como son\u00e2mbulos, arrastando os p\u00e9s, trope\u00e7ando nos objetos, olhando fixamente para uma pequena tela em sua m\u00e3o. Mortos-vivos? Corcundas do smartphone?<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0Escutei recentemente no r\u00e1dio algumas recomenda\u00e7\u00f5es aos viajantes: N\u00e3o esque\u00e7am de olhar as paisagens!! Tirem os olhos da tela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que falamos em imp\u00e9rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos dicion\u00e1rios, o imp\u00e9rio \u00e9 definido por uma influ\u00eancia irresist\u00edvel, um poder ascendente, o predom\u00ednio da autoridade, uma ordem e um comando. Ao longo da historia houve in\u00fameros imp\u00e9rios; de Roma, dos mares, o imp\u00e9rio franc\u00eas com Napole\u00e3o Bonaparte, o imp\u00e9rio da raz\u00e3o (S\u00e9culo das Luzes), entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel que estamos vivendo uma forte influ\u00eancia das imagens nos dias de hoje. Dependemos muito mais do que sabemos das m\u00e1quinas (computadores, celulares) que nos mant\u00eam imersos em uma enxurrada de imagens. \u00c9 s\u00f3 fazer a experi\u00eancia de ficar um dia longe delas! H\u00e1 uma torrente de imagens que se desfazem no instante seguinte e outras imagens que permanecem, deixando suas marcas, seja pela sua beleza, pelo horror, pela alegria, pelo humor. A imagem produz impacto e gozo em todos n\u00f3s. \u00c9 um fato!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que lugar \u00e9 poss\u00edvel para a psican\u00e1lise, para o psicanalista nos dias de hoje frente a esse imp\u00e9rio das imagens?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembramos aqui a express\u00e3o de James Joyce em Ulisses: a inelut\u00e1vel modalidade do vis\u00edvel<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0por permitir situar algo do vis\u00edvel que nos atravessa de forma inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psican\u00e1lise descobre que todo imp\u00e9rio inclui um\u00a0<em>N\u00e3o todo<\/em>, algo que n\u00e3o se fecha e que se verifica atrav\u00e9s daquilo que n\u00e3o anda, que angustia, que nos paralisa. \u00c9 justamente Isso que n\u00e3o anda, que desacomoda, essa coisa obscura que habita qualquer imp\u00e9rio, inclusive o da imagem, e \u00e9 o que pode abrir a entrada para o psicanalista. \u00c9 essa a porta da entrada da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer imagem, mesmo na mais perfeita, apresenta-se um ponto que pode ser traduzido por uma mancha, por um buraco, um furo que revela que a imagem tem poder mas at\u00e9 certo ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0partiu das imagens dos sonhos, das imagens das lembran\u00e7as infantis, das fantasias, mas n\u00e3o ficou hipnotizado por elas, prop\u00f4s uma abordagem diferente: distanciar-se das imagens para ouvir o relato do sujeito sobre elas, como ele fala ou ele destaca, que lugar ocupa e como isto comanda sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sonhos, as fantasias, o narcisismo, a imagem do corpo, a castra\u00e7\u00e3o, entre outros, denunciam a import\u00e2ncia e a for\u00e7a da imagens que fazem parte de um capital do sujeito n\u00e3o compartilh\u00e1vel. Os fragmentos do visto e do escutado possuem um impacto que se eterniza nos relatos de cada sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras palavras, a psican\u00e1lise oferece um novo tratamento das imagens: ouvi-las. Ao poder da imagem a psican\u00e1lise oferece o poder da palavra indicando que a\u00ed onde h\u00e1 uma imagem, de fato h\u00e1 um significante. Entre um e outro significante encontramos alojado algo irredut\u00edvel ao simb\u00f3lico que J. Lacan denominou objeto\u00a0<em>a,<\/em>\u00a0cuja elabora\u00e7\u00e3o permitiu repensar o campo esc\u00f3pico dando lugar \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre o vis\u00edvel e o olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, desde seus primeiros trabalhos, destacou a import\u00e2ncia e a forca da imagem (causalidade ps\u00edquica), a tradu\u00e7\u00e3o do narcisismo pelo est\u00e1dio do espelho, todo o trabalho de transmuta\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio em simb\u00f3lico e, mais tarde, sua articula\u00e7\u00e3o com real, o que promoveu uma reorienta\u00e7\u00e3o do tratamento anal\u00edtico. Esse real que tem sido objeto de v\u00e1rias elabora\u00e7\u00f5es nestes \u00faltimos anos na AMP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe ressaltar que a experi\u00eancia anal\u00edtica nos indica que o poder da palavra n\u00e3o elimina o poder do imagin\u00e1rio, um n\u00e3o substitui o outro, h\u00e1 algo que resiste, e \u00e9 com essa resist\u00eancia que caminhamos, partindo do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunto-me se o frenesi das imagens e o gozo concomitante na vida moderna provocariam uma dificuldade maior de abertura para o trabalho do inconsciente. Ser\u00e1 que hoje precisamos de mais tempo preliminar com os sujeitos que nos procuram para poder dar inicio a uma an\u00e1lise?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixo essa pergunta como um convite para desenvolver nos pr\u00f3ximos meses de reflex\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Hacking, J.\u00a0<em>Tudo sobre fotografia<\/em>, RJ. Sextante, 2012<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Jornal O Globo\u00a0<em>Tive um colapso por exaust\u00e3o<\/em>\u00a0por Melina Daboni, 29\/11\/2014.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Miller, J. A(1994-1995)\u00a0<em>Silet \u2013 Os paradoxos da puls\u00e3o<\/em>, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 2005, p. 251.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Freud, S.\u00a0<em>Obras completas,<\/em>\u00a0Madrid, Biblioteca Nueva Ed. 1976.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/algumas-perguntas-em-torno-do-imperio-das-imagens-maria-silvia-g-f-hanna\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Lacan, J.\u00a0<em>Escritos,<\/em>\u00a0Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 1998.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=925"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":927,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/925\/revisions\/927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}