{"id":935,"date":"2021-09-02T10:16:03","date_gmt":"2021-09-02T13:16:03","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=935"},"modified":"2021-09-02T10:16:03","modified_gmt":"2021-09-02T13:16:03","slug":"raquel-cors-ulloa-um-olhar-psicanalitico-pelo-imperio-das-imagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/raquel-cors-ulloa-um-olhar-psicanalitico-pelo-imperio-das-imagens\/","title":{"rendered":"Raquel Cors Ulloa &#8211; Um olhar psicanal\u00edtico pelo imp\u00e9rio das imagens"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Raquel Cors Ulloa<\/strong><\/p>\n<div class=\"post-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cO regime os exibe. Olhem como gozam\u201d<br \/>Lacan<br \/>3 de dezembro de 1969<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do VII ENAPOL assim como seu cartaz s\u00e3o inquietantes, perguntam para al\u00e9m da imagem e do que se v\u00ea, j\u00e1 que a contemporaneidade \u00e9 promovida excessivamente pela pluralidade de imagin\u00e1rios, um olhar pouco simples de se ler, pode se dizer \u2013 a partir psican\u00e1lise. Talvez um curto-circuito imagem\/gozo tenha orientado nossa cl\u00ednica conceitual; sobre a qual teremos que estudar, pesquisar e essencialmente praticar com muito cuidado, partindo do imp\u00e9rio das imagens e seus\u00a0<em>ultim\u00edssimos<\/em>\u00a0efeitos por interpretar \u2013 seja pela sua queda e\/ou firmeza. Um olhar que aponta, como o dedo de S\u00e3o Jo\u00e3o, o que Lacan pronunciou ao final de seu Informe do Congresso de Roma, nos dias 26 e 27 de setembro de 1958, quando diz que \u00e9 \u201cmelhor renunciar quem n\u00e3o possa unir seu horizonte com a subjetividade da \u00e9poca\u201d. [1]<\/p>\n<p>Ao dizer em voz alta: \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d- no plural, evoco o t\u00edtulo que Jacques- Alain Miller escolheu para o XI Congresso da AMP \u201cUm real para o s\u00e9culo XXI\u201d [2]- no singular. Assim, eu li\u00a0<em>apr\u00e8s coup,\u00a0<\/em>a insist\u00eancia imaginaria, desbordante, excessiva, da nossa \u00e9poca e o que ela nos ensina. Nosso s\u00e9culo come\u00e7a mostrando um gozo que n\u00e3o passa pelo simb\u00f3lico, nem pelo dizer; um gozo no qual predomina o que se v\u00ea e n\u00e3o o que se diz; um gozo que o olha todo- toda intimidade sem v\u00e9u algum.<\/p>\n<p>Sem nostalgia pelo s\u00e9culo que deixamos para tr\u00e1s, nossa orienta\u00e7\u00e3o assinala que\u00a0<em>a ordem simb\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 mais o que era<\/em>,[3] pois o fogo frio da psican\u00e1lise, que n\u00e3o \u00e9 o fogo da paix\u00e3o nem da ilus\u00e3o, nos orienta- sem nenhuma\u00a0<em>t\u00e9sis ne varietus\u00a0<\/em>que daria lugar a um alfabeto, ou\u00a0<em>compendium\u00a0<\/em>lacaniano \u2013 por uma clinica que esta se transformando, isso que mobiliza e renova. Trata-se de uma clinica na qual o-corpo-falante-sozinho-n\u00e3o-existiria, \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a de um Outro para alojar, gra\u00e7as \u00e0 escuta, as resson\u00e2ncias de\u00a0<em>lal\u00edngua<\/em>\u00a0em cada\u00a0<em>parletre<\/em>. Trata-se tamb\u00e9m de uma s\u00e9rie de respostas para uma mesma pergunta, que Eric Laurent prop\u00f4s durante o VI ENAPOL [4] como algo que vale a pena ler: O que h\u00e1 deu errado com o DSM V?\u00a0<em>What went wrong with the DSM<\/em>? Efetivamente, a experi\u00eancia anal\u00edtica exige hoje uma profunda revis\u00e3o das \u00faltimas elucida\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sem a primeira.<\/p>\n<p>Neste pr\u00f3ximo ENAPOL \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d, trata-se de saber ler a desordem imagin\u00e1ria da \u00e9poca e o reflexo da sua opacidade, que para al\u00e9m do sujeito revestido pelos semblantes e, apesar do imperativo de Santo Tom\u00e1s:\u00a0<em>noli tangere<\/em>\u00a0\u2013 n\u00e3o tocar a natureza -, n\u00e3o se conseguiu frear a bestialidade humana em certos atos, precipitando o imp\u00e9rio do olhar como absoluto. \u00c9 oportuno destacar que n\u00e3o h\u00e1 nada de natural na rela\u00e7\u00e3o do<em>\u00a0falasser\u00a0<\/em>com a imagem do seu gozo. Se o poder das imagens j\u00e1 n\u00e3o reside na sua efic\u00e1cia simb\u00f3lica, talvez um olhar psicanal\u00edtico aponte a saber fazer com a loucura do impudico\u00a0<em>imperium.<\/em><\/p>\n<p>Quando o imp\u00e9rio do vis\u00edvel exibe sem v\u00e9u o grande \u201cdescaramento\u201d do gozo, parece que as imagens funcionam como suporte e ilus\u00e3o para alguns corpos. Basta entrar na internet ou ligar a televis\u00e3o para \u201cver\u201d o adormecimento do ser falante que se traduz em peda\u00e7os de corpos, partes de imagens que pretendem se curar \u2013 de si mesmas e sem o Outro, como por exemplo mostram algumas figuras p\u00fablicas que gra\u00e7as ao seu protagonismo compartilham suas intimidades e estranhezas pelo Instagram, como no caso de Miley Cyrus ou de Kim Kardashian. Assim tamb\u00e9m a mulher Barbie e o homem Ken \u2013 Valeria Lukyanova e Justin Jedlica, que ao se encontrarem pessoalmente jogaram na cara um do outro suas imperfei\u00e7\u00f5es\u2026 Sem d\u00favida trata-se do Enigma \u2013 anagrama de Imagem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o dessa tem\u00e1tica e de suas grandes interroga\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as dos \u00faltimos tempos, pelo v\u00e9u de Maya, e n\u00e3o sem\u00a0<em>A imagem rainha,\u00a0<\/em><em>[5]<\/em>\u00a0esperamos poder conversar e recolocar nosso trabalho sobre\u00a0<em>O imp\u00e9rio das imagens\u00a0<\/em>e o que implique nossa leitura, seja contrariar o impudico ou construir em torno dele. Melhor ainda \u201c<em>ter vergonha de n\u00e3o morrer disso<\/em>\u00a0\u2013 como diz Lacan \u2013\u00a0<em>talvez desse um outro tom<\/em>\u201d. [6]<\/p>\n<p>Jacques Lacan foi enf\u00e1tico em Vincennes quando pronunciou que \u201c<em>\u00c9 preciso dizer, morrer de vergonha \u00e9 um efeito raramente obtido (\u2026.) S\u00f3 falo disso porque, voc\u00eas v\u00e3o ver, tem liga\u00e7\u00e3o com nosso tema de hoje \u2013 como se comportar com a cultura? As vezes basta uma coisinha pequena tra\u00e7ar um raio de luz.<\/em><\/p>\n<p><em>(\u2026) Voc\u00eas v\u00e3o me dizer \u2013 A vergonha, que vantagem? (\u2026) Se ainda n\u00e3o o sabem, tirem uma casquinha, como se diz<\/em>.[7] [8]<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>[1] J. Lacan,\u00a0<em>Fun\u00e7\u00e3o e campo da palavra e da linguagem em psican\u00e1lise<\/em>, Escritos. Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1998, p. 322.<\/p>\n<p>[2] J.-A. Miller, Scilicet: Um real para o s\u00e9culo XXI (Orgs.) Ondina Machado e Vera L\u00facia A. Ribeiro. Belo Horizonte: Scriptum, 2014, p. 21-32.<\/p>\n<p>[3] T\u00edtulo do VIII Congresso da AMP\u00a0<em>A ordem simb\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 mais o que era.\u00a0<\/em><em>Quais conseq\u00fc\u00eancias para a cura?<\/em><\/p>\n<p>[4] E. Laurent,\u00a0<em>La agitaci\u00f3n de las normas cl\u00ednicas y su consecuencia real<\/em>, in: \u201cHablar con el cuerpo. La crisis de las normas y la agitaci\u00f3n de lo real. VI ENAPOL\u201d, Grama, Buenos Aires, 2014, p. 45.<\/p>\n<p>[5] J.-A. Miller,\u00a0<em>A imagem rainha,\u00a0<\/em>Lacan Elucidado. Palestras no Brasil. Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1997, p. 575.<\/p>\n<p>[6]J. Lacan, O Semin\u00e1rio, Livro 17.\u00a0<em>O Avesso da Psican\u00e1lise<\/em>, Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1992, p. 175.<\/p>\n<p>[7] J. Lacan, O Semin\u00e1rio, Livro 17.\u00a0<em>O Avesso da Psican\u00e1lise<\/em>, Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1992, p. 172-174.<\/p>\n<p>[8]<strong>NT:<\/strong>\u00a0Optamos pela tradu\u00e7\u00e3o publicada em portugu\u00eas pela Jorge Zahar. Contudo vale ressaltar que tanto na tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol, quanto no original franc\u00eas, a express\u00e3o \u2013\u00a0<em>faites une tranche<\/em>, parece indicar\u00a0<em>fazer um pouco de an\u00e1lise<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os par\u00e1grafos s\u00e3o: em espanhol \u2013 \u201ces\u00a0<em>preciso decirlo, morir de verg\u00fcenza es un efecto que raramente se consigue (\u2026)\u00a0<\/em><em>Hablo de esto s\u00f3lo porque, tiene que ver con nuestro tema de hoy \u2013 \u00bfc\u00f3mo comportarse con la cultura? A veces basta con muy poca cosa para producir un rayo de luz. Me dir\u00e1n ustedes \u2013 La verg\u00fcenza \u00bfpara qu\u00e9? (\u2026)\u00a0<\/em><em>Si no lo saben t<\/em><em>odav\u00eda,\u00a0<strong>anal\u00edcense un poco<\/strong>.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E em franc\u00eas:\u00a0<em>\u201cVous allez me dire \u2013 La honte, quel avantage? Si c\u2019est \u00e7a, l\u2019envers de la psychanalyse, tr\u00e8s peu pour nous. Je vous r\u00e9ponds \u2013 Vous en avez \u00e0 revendre. Si vous ne le savez pas encore,\u00a0<strong>faites une tranche<\/strong>, comme on dit. Cet air \u00e9vent\u00e9 qui est le v\u00f4tre, vous le verrez buter \u00e0 chaque pas sur une honte de vivre gratin\u00e9e.\u201d\u00a0<\/em>In: Lacan, J. Le S\u00e9minaire \u2013 livre XVII \u2013\u00a0<em>L\u2019envers de la psychanalyse<\/em>. Paris: Seuil, 1991, p. 211.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Ishtar Rinc\u00f3n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revis\u00e3o: Paola Salinas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/es\/faq-items\/una-mirada-psicoanalitica-por-el-imperio-de-las-imagenes-raquel-cors-ulloa\/#_ftnref\">[5]<\/a>\u00a0J.-A. Miller,\u00a0<em>La imagen reina,\u00a0<\/em>Elucidaci\u00f3n de Lacan, Charlas Brasile\u00f1as, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1998, p. 577.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/es\/faq-items\/una-mirada-psicoanalitica-por-el-imperio-de-las-imagenes-raquel-cors-ulloa\/#_ftnref\">[6]<\/a>\u00a0Ib\u00edd. p. 198.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/es\/faq-items\/una-mirada-psicoanalitica-por-el-imperio-de-las-imagenes-raquel-cors-ulloa\/#_ftnref\">[7]<\/a>\u00a0J. Lacan, Seminario 17.\u00a0<em>El Reverso del Psicoan\u00e1lisis<\/em>, Paid\u00f3s, Buenos Aires, 1999, p. 195-198.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[106,100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/935"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":936,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/935\/revisions\/936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}