{"id":967,"date":"2021-09-02T10:44:16","date_gmt":"2021-09-02T13:44:16","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=967"},"modified":"2021-09-02T10:44:50","modified_gmt":"2021-09-02T13:44:50","slug":"nora-guerrero-de-medina-o-imperio-das-imagens-manifestacoes-sintomaticas-do-seculo-xxi-o-sexo-cibernetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/nora-guerrero-de-medina-o-imperio-das-imagens-manifestacoes-sintomaticas-do-seculo-xxi-o-sexo-cibernetico\/","title":{"rendered":"Nora Guerrero de Medina &#8211; O Imp\u00e9rio das Imagens: Manifesta\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas do s\u00e9culo XXI \u2013 O sexo cibern\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nora Guerrero de Medina<\/strong><br \/>\nNEL \u2013 Guayaquil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-965 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/banksy1-620x-300x199-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/banksy1-620x-300x199-1-200x133.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/banksy1-620x-300x199-1.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea est\u00e1? \u2013 suspira Rita \u2013 imagine que estou vestindo uma camiseta e nada mais e que pode fazer comigo o que quiser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita conta-me, dessa maneira, que atualmente inicia seus encontros sexuais sem romantismo e com muita realidade virtual, que fez do computador um companheiro an\u00f4nimo com quem satisfaz suas mais \u00edntimas fantasias sexuais \u201cquero que me ajude a p\u00f4r um limite ao sexo cibern\u00e9tico \u2013 demanda \u2013 n\u00e3o quero me converter em uma pessoa que s\u00f3 sente prazer com o computador. Me parece triste este prazer, pois \u00e9 a m\u00e1xima express\u00e3o da solid\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Internet, a rede inform\u00e1tica que conecta computadores de todo o mundo, se converteu tamb\u00e9m no ref\u00fagio e ponto de encontro para sujeitos, eminentemente solit\u00e1rios presos ao drama do amor e do sexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos s\u00e3o os servi\u00e7os que a Internet oferece a sua ampla clientela: homens e mulheres se encontram para concretizar suas fantasias sexuais, somente com um apertar de bot\u00e3o, ou um endere\u00e7o eletr\u00f4nico, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia, atrav\u00e9s de seus m\u00faltiplos objetos, oferece cada dia novas possibilidades de prazer ou de gozo para a eterna insatisfa\u00e7\u00e3o humana. Inclino-me a pensar que a Internet oferece agora uma assist\u00eancia t\u00e9cnica ao fantasma singular de cada sujeito, o que por sua vez gera novos sintomas, novas formas de sofrimento que caracterizam a subjetividade de nossa \u00e9poca. E como definir a subjetividade de nossa \u00e9poca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o muito precisa entre a experi\u00eancia anal\u00edtica e a aludida subjetividade da \u00e9poca. O que a cl\u00ednica atual nos mostra \u00e9 que a \u00e9poca est\u00e1 invadida de objetos para produzir gozo, o que parece confrontar o sujeito, de uma maneira at\u00e9 agora n\u00e3o conhecida, com a incompatibilidade de um gozo excessivo presente no sintoma e a condi\u00e7\u00e3o essencial desejante dos humanos. Quando falamos de sintomas, no momento atual, significa extrair um termo que aparece no \u00faltimo ensino de Lacan; que aborda o sintoma n\u00e3o mais em sua rela\u00e7\u00e3o ao simb\u00f3lico, como nos primeiros semin\u00e1rios, mas como o que vem enovelar os tr\u00eas registros: imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real, e a partir de sua homologa\u00e7\u00e3o no n\u00f3 borromeano, localiza o lugar do Nome-do-Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma geral podemos assinalar que o sintoma tem sempre a mesma estrutura, \u00e9 significante e gozo, \u00e9 inv\u00f3lucro significante na borda da subst\u00e2ncia gozante, sendo que a variabilidade da apresenta\u00e7\u00e3o do sintoma se refere \u00e0 diversidade dos inv\u00f3lucros formais estruturalmente vazios, exigindo a presen\u00e7a necess\u00e1ria do sintoma como supl\u00eancia de gozo, porque est\u00e1 no lugar do gozo que n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos \u00e0 cl\u00ednica, Rita e sua demanda de ajuda. Ela me procura quando faltam apenas duas semanas para viajar aos Estados Unidos para estudos universit\u00e1rios; diz estar muito assustada, com muito temor de fracassar, caso n\u00e3o resolva algumas dificuldades que se apresentam no que ela chama a \u201cbusca da sexualidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rapidamente, Rita entra no tema que lhe interessa e diz que aos 12 anos fez um ato de exibicionismo. Na frente de sua casa tinha uma constru\u00e7\u00e3o com muitos oper\u00e1rios. De sua janela podia v\u00ea-los e ser vista, de modo que decide tomar banho e, nua, se veste em frente a eles. \u201cN\u00e3o sei o que me mobilizou a fazer esse ato de mostrar-me nua na frente de estranhos. Todos eles, an\u00f4nimos, me olhavam com aten\u00e7\u00e3o e eu gostava disso\u201d. Sublinho sua frase: \u201cn\u00e3o sei por qu\u00ea\u201d. Ela sorri e diz: \u201cbom, se foi meu desejo, era para viver uma fantasia sexual como se v\u00ea nos filmes\u201d. \u201cEu tenho toda a sorte de fantasias sexuais \u2013 acrescenta Rita \u2013 a mais reiterativa \u00e9 a de ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com pessoas que n\u00e3o conhe\u00e7o, um homem qualquer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rita segue relatando cenas que desenham um padr\u00e3o em suas fantasias sexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena do exibicionismo, a presen\u00e7a insistente do objeto olhar, a sedu\u00e7\u00e3o de um sujeito adulto e ela pequena, constituem para Rita uma cena t\u00edpica que da\u00ed em diante funcionou mais como matriz fantasm\u00e1tica para suas pr\u00e1ticas sexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero fazer uma pontua\u00e7\u00e3o. No transcorrer das entrevistas chamou minha aten\u00e7\u00e3o que Rita contava suas experi\u00eancias sexuais, sejam infantis ou atuais, em vez de se mostrar esmagada, envergonhada pelas \u201cterr\u00edveis coisas que fez ou faz\u201d segundo suas palavras, pelo contr\u00e1rio, parecia experimentar uma singular satisfa\u00e7\u00e3o como se tivesse encontrado um gozo particular no relato de suas fa\u00e7anhas sexuais \u00e0 analista. O gozo estava no relato, gozo que j\u00e1 estava presente quando Rita me alerta \u201cfascina-me conversar sobre tudo o que fa\u00e7o e agora n\u00e3o posso contar estas experi\u00eancias a ningu\u00e9m, pois pensariam mal de mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, disse-lhe \u2013 e agora est\u00e1 contando a mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Silvia Emilia Esposito<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/967"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=967"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":969,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/967\/revisions\/969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}