{"id":989,"date":"2021-09-02T11:02:38","date_gmt":"2021-09-02T14:02:38","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=989"},"modified":"2021-09-02T11:02:38","modified_gmt":"2021-09-02T14:02:38","slug":"susana-dicker-o-drama-do-espelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/susana-dicker-o-drama-do-espelho\/","title":{"rendered":"Susana Dicker &#8211; O drama do espelho"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Susana Dicker<\/strong><\/p>\n<div class=\"post-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>O tema que nos convoca para o VII ENAPOL atualiza o paradoxo do espelho: sua condi\u00e7\u00e3o de suporte da identifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m objeto que causa ang\u00fastia. Isso se enra\u00edza nas duas faces do drama do espelho, que Lacan desenvolve em seu texto de 1949<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, e do qual nos oferecem testemunhos a cl\u00ednica da neurose, a das anorexias-bulimias, a das psicoses e, por que n\u00e3o, as experi\u00eancias com adolecentes.<\/p>\n<p>Momento crucial na medida em que torna poss\u00edvel o enovelamento das dimens\u00f5es Real, Simb\u00f3lica e Imagin\u00e1ria. Momento estruturante, onde o triunfo do\u00a0<em>infans<\/em>\u00a0\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma identifica\u00e7\u00e3o, reconhecer-se em uma imagem de si mesmo. Por\u00e9m, tamb\u00e9m paradoxal pois a imagem desse corpo que se reconhece no espelho n\u00e3o \u00e9 a mais pr\u00f3pria, vem do Outro, da imagem do outro que se reconhece antes da sua. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o libidinal, circula\u00e7\u00e3o de libido que \u00e9 perda de gozo \u2013 que at\u00e9 al\u00ed era gozo realizado, autoer\u00f3tico \u2013 mas tamb\u00e9m condi\u00e7\u00e3o para que a imagem se sustente e fa\u00e7a de um corpo fragmentado \u2013 real do corpo em fragmentos \u2013 uma unidade formal e imagin\u00e1ria. Este \u00e9 o paradoxo: \u201cA imagem em sua exterioridade \u00e9 constituinte em rela\u00e7\u00e3o ao ser do sujeito\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida em nossa pr\u00e1tica nos deparamos com acontecimentos de corpo que revelam um malogro, uma ruptura da rela\u00e7\u00e3o do ser falante com a imagem narcisista de si mesmo. S\u00e3o experi\u00eancias de extravio do pr\u00f3prio corpo certas anorexias, quando j\u00e1 n\u00e3o se reconhece como pr\u00f3prio. Trata-se de um defeito fundamental na constitui\u00e7\u00e3o narc\u00edsica dessa imagem, que se mostra insuficiente para manter unidos os registros Simb\u00f3lico e Real, e, portanto, insuficiente como suporte identificat\u00f3rio. \u201cUma devasta\u00e7\u00e3o da imagem [ravage dell\u2019imagine] que permite que o corpo se fa\u00e7a presente em seu puro estatuto de objeto\u00a0<em>a<\/em>\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Por isso, o pulsional retorna do exterior como imperfei\u00e7\u00e3o da imagem, revelando a dificuldade em simbolizar a dimens\u00e3o real corporal. A imagem do corpo magro permite que nos aproximemos de uma diferen\u00e7a entre a cl\u00ednica das neuroses e o que mostram os diversos quadros de anorexia. No primeiro caso, essa imagem pode jogar como significante do desejo do Outro, fazer do semblante o que vem no lugar da aus\u00eancia de falo para entrar na dial\u00e9tica desejo-gozo. E conhecemos o empenho em cultivar a figura magra em nossa \u00e9poca, atrav\u00e9s de tratamentos variados que incluem dietas, exerc\u00edcios, cirurgias. Por\u00e9m, esse corpo magro pode encarnar uma paix\u00e3o \u2013 algo que n\u00e3o nos \u00e9 estranho na anor\u00e9xica contempor\u00e2nea \u2013 e como tal ser testemunha do apego narcisista, da fascina\u00e7\u00e3o mort\u00edfera com a pr\u00f3pria imagem especular que, em sua magreza, encrna um ideal de beleza que se separa do corpo sexual e coloca no centro o objeto olhar, n\u00e3o para causar o desejo do Outro \u2013 t\u00e3o familiar \u00e0 hist\u00e9rica \u2013 mas para provocar a ang\u00fastia do Outro.<\/p>\n<p>Mais radicais ainda s\u00e3o os casos de anorexia psic\u00f3tica, onde \u201cn\u00e3o \u00e9 somente gozo do vazio, mas tamb\u00e9m uma forma de tratamento do vazio, do risco psic\u00f3tico de uma dissolu\u00e7\u00e3o da imagem do corpo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Al\u00ed onde se experimenta ruptura do v\u00ednculo imagin\u00e1rio entre corpo e sujeito, h\u00e1 uma particularidade na anorexia psic\u00f3tica na qual os ossos adquirem relevo na imagem narc\u00edsica, por\u00e9m insuficiente para formar o corpo, dar-lhe identidade. Em seu lugar, a vis\u00e3o do osso na magreza extrema apazigua o psic\u00f3tico pois o resgata da ang\u00fastia diante da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo. O corpo-osso, o corpo-esqueleto, transforma-se em objeto, d\u00e1 consit\u00eancia ao corpo, \u201cunariza o sujeito, pois o corpo anor\u00e9xico n\u00e3o se deixa fecundar pelo s\u00edmbolo. Essa \u00e9 sua esterelidade fundamental\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Nomeando-as como\u00a0<em>imagens rainha<\/em>, J.-A. Miller designou o corpo pr\u00f3prio, o corpo do Outro e o falo, como imagens que \u201csobrevivem no mundo das imagens em psican\u00e1lise\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Todas s\u00e3o o corpo e, portanto, \u201cs\u00e3o o lugar onde o imagin\u00e1rio se liga ao gozo\u201d<a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>\u2026 sempre que fa\u00e7amos delas um significante. E a\u00ed est\u00e1 o trope\u00e7o, inclusive o fracasso, em alguns dos exemplos mencionados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol: Maria do Carmo Dias Batista<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Lacan, J \u201cO est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do Eu\u201d. In:\u00a0<em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Recalcati, M. (2003):\u00a0<em>Cl\u00ednica del vac\u00edo. Anorexias, dependencias, psicosis,\u00a0<\/em>p. 80, S\u00edntesis, Espa\u00f1a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Recalcati, M- Op. Cit., p 54<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Recalcati, M: Op. Cit., p. 72.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Recalcati, M: Op. Cit., p. 64.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/oimperiodasimagens.com\/pt\/faq-items\/o-drama-do-espelho-susana-dicker\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0Miller, J.-A., \u201cA imagem rainha\u201d em\u00a0<em>Lacan Elucidado<\/em>, Rio de Janeiro, JZE, 1997, p. 581.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[6] Miller, J. A., Op. Cit., p .585.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=989"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":990,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/989\/revisions\/990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}