{"id":994,"date":"2021-09-02T11:05:11","date_gmt":"2021-09-02T14:05:11","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/vii\/?p=994"},"modified":"2021-09-02T11:05:31","modified_gmt":"2021-09-02T14:05:31","slug":"marcus-andre-vieira-sujeito-objeto-e-corpo-quem-fala-ressonancias-o-corpo-falante-e-o-final-de-uma-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/vii\/pt\/marcus-andre-vieira-sujeito-objeto-e-corpo-quem-fala-ressonancias-o-corpo-falante-e-o-final-de-uma-analise\/","title":{"rendered":"Marcus Andr\u00e9 Vieira &#8211; Sujeito, objeto e corpo: quem fala? Resson\u00e2ncias: O corpo falante e o final de uma an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcus Andr\u00e9 Vieira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Impacto das imagens e o corpo falante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-992 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_marcus_andre-300x238-1.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_marcus_andre-300x238-1-200x159.png 200w, https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2021\/09\/imagem_texto_marcus_andre-300x238-1.png 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicio a partir do tema do pr\u00f3ximo Encontro Americano: \u201cO imp\u00e9rio das imagens\u201d. Podemos contrapor o \u201cimp\u00e9rio das imagens\u201d ao \u201ccorpo falante\u201d. A primeira express\u00e3o dirige-se ao que convencionamos chamar \u201ca cidade\u201d, propondo-lhe uma leitura: vivemos o imp\u00e9rio das imagens. A segunda, mais enigm\u00e1tica, dirige-se \u00e0 nossa comunidade, ela nos convida a avan\u00e7ar em nosso entendimento sobre o modo como o analista deve situar sua pr\u00e1tica no momento atual da civiliza\u00e7\u00e3o, centrando-a no inconsciente como corpo falante mais do que como mensagem cifrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de J.-A. Miller, que \u00e9 vetor para nossa comunidade, \u00e9 essa: o inconsciente, hoje, muitas vezes se apresenta mais como corpo falante do que como Outra cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos dias, como andam? O tema do ENAPOL nos ajuda. Ele indica, para come\u00e7ar, que nossa civiliza\u00e7\u00e3o fez sua escolha, colocando os poderes da fala submetidos ao imagin\u00e1rio. Assim entendo a ideia de um \u201cimp\u00e9rio\u201d hoje, radicalmente diferente do imp\u00e9rio do pai, muito mais uma presen\u00e7a maci\u00e7a das imagens com sua exig\u00eancia superegoica de subordina\u00e7\u00e3o. A refer\u00eancia aqui \u00e9 Imp\u00e9rio de Negri, e a Biopol\u00edtica de Deleuze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de Lacan, diria que nossos dias vivem no imagin\u00e1rio \u201ccomo se\u201d o simb\u00f3lico n\u00e3o existisse. \u00c9 o mundo das imagens tomadas como real e n\u00e3o como significantes. Este mundo, com suas certezas imediatas, impera sobre o tempo linear das narrativas com suas certezas conquistadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo, o modo como lidamos com os exames de imagem cerebral. Elas s\u00e3o tomadas por si, como se real fossem. Antes havia toda uma discuss\u00e3o diagn\u00f3stica entre pares para decidir o que significavam aquelas manchas. Era no contexto dessa narrativa cl\u00ednica que as imagens ganhavam a fun\u00e7\u00e3o de representar um real. As imagens podiam ser um \u00edcone do real, mas sempre em uma narrativa que vinha traduzi-las como \u00edndices de uma doen\u00e7a. Hoje, as imagens s\u00e3o tidas como o real em si, sem discuss\u00e3o, pois o diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 mais uma produ\u00e7\u00e3o discursiva, seus elementos de composi\u00e7\u00e3o tendem a ser processados pelos computadores. S\u00e3o eles que a princ\u00edpio realizam o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No extremo oposto, a psican\u00e1lise n\u00e3o para de demonstrar como uma imagem (em um sonho, por exemplo) pode ser tomada em um jogo de dizer, na estrutura do significante. Neste caso ela poder\u00e1 vir a dizer mais muito do que indica, por isto abre a dimens\u00e3o do enigma. A refer\u00eancia aqui \u00e9 a confer\u00eancia \u201cSIR\u201d de Lacan que em 1953 j\u00e1 definia \u201cs\u00f3 \u00e9 material para a an\u00e1lise aquele elemento que possa significar outra coisa que n\u00e3o ele mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para isto \u00e9 preciso que haja um espa\u00e7o para o enigma, \u00e9 preciso que haja um vazio no saber, um ponto cego na estrutura. Hoje, quando todos consideram que n\u00e3o h\u00e1 mais imposs\u00edveis para a ci\u00eancia, fica dif\u00edcil levar algu\u00e9m a abrir-se \u00e0 dimens\u00e3o do enigma e, sem enigma, como contar uma hist\u00f3ria? O Outro do discurso e da narrativa exige este ponto de furo. A fal\u00eancia das narrativas, por ocaso da falta, do desejo e do furo, seriam a fal\u00eancia da psican\u00e1lise?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O corpo falante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, o inconsciente nunca foi somente um discurso do sexual recalcado. Se mergulhamos em nossa hist\u00f3ria, como fazemos em uma an\u00e1lise, sempre topamos com algo que fala sem ser, por\u00e9m, narrativa, discurso articulado. Cenas, fragmentos de cenas de cheiros e imagens: o inconsciente nem sempre \u00e9 Outra cena (com estrutura encadeada an\u00e1loga \u00e0 da consci\u00eancia), \u00e9 mais uma alteridade disparatada n\u00e3o encadeada, mas assim mesmo linguageira, que Lacan chamou de lal\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que busca destacar a express\u00e3o \u201cO corpo falante\u201d, com um ganho, de peso: dar lugar a essa experi\u00eancia da l\u00edngua antes da l\u00edngua. Ela n\u00e3o \u00e9 coisa de um c\u00e9u das ideias, mas uma experi\u00eancia de corpo, ou melhor, de um corpo \u201cpr\u00e9-corpo\u201d, j\u00e1 que o corpo \u00e9 habitualmente o espa\u00e7o de uma unidade e estamos falando de algo essencialmente m\u00faltiplo. Assim, n\u00e3o se experimenta exatamente o corpo falante, j\u00e1 que uma experi\u00eancia sup\u00f5e uma subjetiva\u00e7\u00e3o, por um eu bem arrumado. Por isto, dizemos, com Lacan e Miller, que o corpo falante, como lugar de lal\u00edngua, n\u00e3o se experimenta, ele apenas se apresenta, ele \u00e9 vivido como um evento, um \u201cacontecimento de corpo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito de outro modo: uma an\u00e1lise envolve toda uma s\u00e9rie de experi\u00eancias corporais (da Madeleine de Proust ao mal-estar causado por uma lembran\u00e7a desagrad\u00e1vel) vividas por um eu, em seu corpo, como rea\u00e7\u00e3o ao material inconsciente. Mas ela envolve tamb\u00e9m eventos corporais que n\u00e3o s\u00e3o do ego e de seu corpo, mas de algo que o perturba por n\u00e3o ser bem a experi\u00eancia de um Outro discurso afetando o corpo e sim o falante do corpo que vibra e produz um acontecimento. \u00c9 o falante de lal\u00edngua que faz vibrar algo corporal que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 nenhum \u00f3rg\u00e3o do corpo, muito mais \u201centre os \u00f3rg\u00e3os\u201d para usar a express\u00e3o c\u00e9lebre de Freud para localizar seu inconsciente.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[106,100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/994"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=994"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":996,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/994\/revisions\/996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/vii\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}