{"id":1106,"date":"2021-09-08T23:40:26","date_gmt":"2021-09-08T23:40:26","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1106"},"modified":"2021-09-09T16:21:15","modified_gmt":"2021-09-09T16:21:15","slug":"entrevista-a-monica-torres-basta-com-o-pai","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/entrevista-a-monica-torres-basta-com-o-pai\/","title":{"rendered":"Entrevista a M\u00f3nica Torres: \u00abBasta com o pai\u00bb"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: right;\">Por <strong>Silvia Berm\u00fadez<\/strong> e <strong>Ludmila Malichevsky<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1097 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/01_Monica-Torres.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/01_Monica-Torres-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/01_Monica-Torres-150x150.jpg 150w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/01_Monica-Torres-200x200.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/01_Monica-Torres.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00abBasta com o pai\u00bb. \u00c9 preciso colocar a quest\u00e3o dessa frase de Miller no contexto em que foi pronunciada. Quando Miller estabelece o Semin\u00e1rio 6 de Lacan, \u00abO desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o\u00bb, faz uma leitura diferente ( e claro, apr\u00e8s coup de todo o ensino de Lacan posterior a tal semin\u00e1rio) para mostrar como naquele semin\u00e1rio j\u00e1 estava, de alguma forma, a primeira l\u00f3gica da fantasia, sobre tudo nos \u00faltimos cap\u00edtulos. Ent\u00e3o enuncia de forma categ\u00f3rica, que \u00e9 um pouco seu estilo, dizendo: \u00abBasta com o pai\u00bb, quase com ponto de exclama\u00e7\u00e3o. E nos prop\u00f5e ler a autora francesa Christine Angot, como um livrinho desses para o fim de semana, como Lacan recomendava ler Koj\u00e8ve, por exemplo. Eu que iria dar uma confer\u00eancia no Chile, levei o livrinho no avi\u00e3o pois era t\u00e3o pequenininho que pensei: leio isto no voo. Que ideia! \u00c9 um romance dur\u00edssimo, relato de uma rela\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica, \u00e0 maneira dos romances do Marques de Sade, mas se sabe, embora n\u00e3o seja dito, porque o tempo todo se diz \u00abela\u00bb e \u00abele\u00bb, que se trata de um pai e uma filha. N\u00e3o importa muito como a gente sabe, mas sabe. \u00c9 o talento da escritora. E o romance chama-se \u00abUma semana de f\u00e9rias\u00bb, uma semana de f\u00e9rias \u00e9 o recontagem pornogr\u00e1fica e minuciosa de todos os encontros sexuais e al\u00e9m de sexuais, pornogr\u00e1ficos (assim descritos) entre ela e seu pai. E o romance acaba quando ela tem um sonho, o pai se enfurecia, pois al\u00e9m do mais, era violento e a amea\u00e7ava em deixa-la sem sair para comer e sem poder continuar visitando os museus e restaurantes na semana de f\u00e9rias. Finalmente ele a deixa na esta\u00e7\u00e3o apenas com a sua mochila; ela fica sozinha com a sua mochila. Poder\u00edamos pensar que essa mochila \u00e9 um pouco como seu objeto\u00a0<i>a<\/i>, sem o pai. H\u00e1 a\u00ed um \u00abBasta do pai\u00bb, porque um pai \u00e9 levado ao extremo do insuport\u00e1vel, inclusive do insuport\u00e1vel de ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ler esse romance no avi\u00e3o, cheguei no hotel e tive ins\u00f4nia pois teria que proferir a confer\u00eancia \u00abVers\u00f5es do pai\u00bb, ent\u00e3o fui ler os cap\u00edtulos finais do semin\u00e1rio \u00abO desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o\u00bb, e o que Miller diz na contracapa do livro. H\u00e1 ainda uma entrevista que Miller deu na \u00e9poca para o Le point. Em 2013 se publica o semin\u00e1rio em franc\u00eas e em 2014 em castelhano, onde fala disso e fala da reformula\u00e7\u00e3o do \u00c9dipo que h\u00e1 nos \u00faltimos cap\u00edtulos do semin\u00e1rio 6. E ali diz com o qu\u00ea que Lacan rompe nesses cap\u00edtulos finais, nos quais toma por exemplo a personagem de Lolita de Nabokov. Com tudo isso eu digo&#8230;bom, a \u00abLolita\u00bb de Nabokov \u00e9 em 1959 o que \u00abUma semana de f\u00e9rias\u00bb \u00e9 em 2013. Ou seja, tamb\u00e9m foi muito revolucion\u00e1rio, mas claro, estava metaforizado porque n\u00e3o se tratava do pai, mas do padrasto. E partir disso essas garotas passaram a se chamar de Lolitas de um modo universal. Mas o que \u00e9 que interessa a Miller destacar do que Lacan diz? Que na realidade rompe com o \u00c9dipo pensado como qualquer normatiza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e situa a pervers\u00e3o, ainda antes de ser situado o termo p\u00e8re-vers\u00e3o, como uma das formas de rebeldia em rela\u00e7\u00e3o a essa normatiza\u00e7\u00e3o. Ou seja, \u00e9 a mostra\u00e7\u00e3o nessa primeira l\u00f3gica da fantasia, que na realidade a fantasia \u00e9 rebeldia, \u00e9 ruptura com o conformismo. \u00c9 o contr\u00e1rio de como havia sido pensado o \u00c9dipo, por Freud por exemplo. Porque Freud o pensara como uma norma, como uma suposta normalidade. N\u00e3o existe tal normalidade, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 contra isso que a p\u00e8re-vers\u00e3o se pronuncia opondo-se realmente a essa normatiza\u00e7\u00e3o. Parece-me que no nosso tempo, para que algo tenha uma tonalidade de rebeldia, \u00e9 preciso extremar as coisas at\u00e9 o ponto de dizer: \u00abBasta do pai\u00bb. Porque at\u00e9 esse momento pod\u00edamos dizer que \u00e9 preciso ir al\u00e9m do pai a condi\u00e7\u00e3o dele se servir. N\u00e3o \u00e9 que isso n\u00e3o tenha mais validade, mas penso que Miller leva a quest\u00e3o ao extremo para nos levar a pensar as coisas a partir de outro \u00e2ngulo. Desde um \u00e2ngulo diferente a qualquer normatiza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e para isso era necess\u00e1ria Christine Angot; n\u00e3o bastava para o nosso tempo com a \u00abLolita\u00bb de Nobokov.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Blanca Musachi<br \/>Revis\u00e3o: Paola Salinas<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Silvia Berm\u00fadez e Ludmila Malichevsky<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1097,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[176,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1106"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1255,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1106\/revisions\/1255"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1106"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1106"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}