{"id":1271,"date":"2021-09-09T16:35:17","date_gmt":"2021-09-09T16:35:17","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1271"},"modified":"2021-09-09T16:35:17","modified_gmt":"2021-09-09T16:35:17","slug":"rumo-a-uma-pratica-menos-familiar","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/rumo-a-uma-pratica-menos-familiar\/","title":{"rendered":"Rumo a uma pr\u00e1tica menos familiar"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Marcela Almanza<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1269 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/02_Marcela-Almanza.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/02_Marcela-Almanza-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/02_Marcela-Almanza-150x150.jpg 150w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/02_Marcela-Almanza-200x200.jpg 200w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/02_Marcela-Almanza.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem que acompanha a proposta do pr\u00f3ximo ENAPOL,\u00a0<i>Assuntos de fam\u00edlia,\u00a0<\/i>apresenta, de entrada, uma esp\u00e9cie de\u00a0<i>collage<\/i>\u00a0muito sugestiva que, por ser simp\u00e1tica e irreverente, tradicional e moderna, fora de propor\u00e7\u00f5es, desopilante, a um s\u00f3 tempo mescla de algo conhecido e desconhecido, prop\u00f5e algo que n\u00e3o termina de se encaixar, mas que igualmente encontra seu lugar ali onde parece que tem de estar, conseguindo transmitir muito bem aquilo que faz parte da fam\u00edlia atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O efeito \u00abpe\u00e7as soltas\u00bb se imp\u00f5e, n\u00e3o se faz esperar e, por certo, nos conduz a um mais al\u00e9m da imagem, uma vez que interroga decididamente nossa pr\u00e1tica, nossa posi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, na hora de calibrar o modo de alojar, da boa maneira, estas transforma\u00e7\u00f5es familiares e a forma como estas se inscrevem singularmente para cada ser falante, ali onde outros discursos e outras pr\u00e1ticas tamb\u00e9m t\u00eam sua incid\u00eancia no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que J. Lacan se ocupou muito cedo com esses assuntos e, desde seu texto\u00a0<i>Os complexos familiares na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo<\/i>\u00a0(1938), nos instigou a pensar a fam\u00edlia humana como uma estrutura de rela\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, feita de complexidades, que sempre indicam um mais al\u00e9m do fato biol\u00f3gico, por ser uma institui\u00e7\u00e3o feita de la\u00e7os, de fun\u00e7\u00f5es precisas, como um dispositivo de transmiss\u00e3o e de inst\u00e2ncia reguladora que, sem dar lugar a d\u00favidas, deixa sua marca no vivente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos anos depois, em seu famoso texto\u00a0<i>Nota sobre a crian\u00e7a\u00a0<\/i>(1969), Lacan nos orienta sobre \u00aba fun\u00e7\u00e3o de res\u00edduo exercida (e, ao mesmo tempo, mantida) pela fam\u00edlia conjugal na evolu\u00e7\u00e3o das sociedades destaca a irredutibilidade de uma transmiss\u00e3o \u2013 que \u00e9 de outra ordem que n\u00e3o a da vida segundo as satisfa\u00e7\u00f5es das necessidades, mas \u00e9 de uma constitui\u00e7\u00e3o, implicando a rela\u00e7\u00e3o com um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo\u00bb[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ali que ele precisa a fun\u00e7\u00e3o \u00abdo pai, na medida em que seu nome \u00e9 o vetor de uma encarna\u00e7\u00e3o da Lei no desejo\u00bb e \u00abda m\u00e3e, na medida em que seus cuidados trazem a marca de um interesse particularizado, nem que seja por interm\u00e9dio de suas pr\u00f3prias faltas\u00bb[2], estando advertidos que, para ambas fun\u00e7\u00f5es, dever\u00e1 se instaurar, sempre, uma particularidade contra o ideal, j\u00e1 que sabemos dos efeitos devastadores que se produzem quando algo n\u00e3o opera dessa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a fam\u00edlia \u00e9 o lugar do Outro da l\u00edngua, do Outro da demanda, o lugar do Outro da lei, \u00aba fam\u00edlia \u00e9 um mito que d\u00e1 forma \u00e9pica ao que opera a partir da estrutura, e as hist\u00f3rias de fam\u00edlia sempre s\u00e3o o conto de como o gozo que o sujeito merecia lhe foi roubado, gozo ao qual ele tinha o direito\u00bb. \u00abNa fam\u00edlia, o gozo est\u00e1 proibido e se prop\u00f5e um gozo substitutivo, o gozar da castra\u00e7\u00e3o, ou seja, gozar do pr\u00f3prio roubo do gozo\u00bb[3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegado a este ponto, eu me pergunto, ent\u00e3o, pelo estatuto dessas fic\u00e7\u00f5es que se imp\u00f5em no n\u00edvel do que constitui fam\u00edlia para cada um, mesmo em nossa\u00a0<i>\u00e9poca collage,<\/i>\u00a0ao escutar estes sujeitos contempor\u00e2neos que portam sobre si a marca do desamparo, da desorienta\u00e7\u00e3o, da desinibi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m aqueles que levam adiante a f\u00e9rrea decis\u00e3o de n\u00e3o formar uma fam\u00edlia, ou ent\u00e3o de o fazerem custe o que custe, ali onde o recurso \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 lei e a outros artif\u00edcios lhes d\u00e3o um fluxo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica anal\u00edtica nos permite ent\u00e3o alojar essas\u00a0<i>coisas de fam\u00edlia no inconsciente,\u00a0<\/i>cada vez que algu\u00e9m chega ao nosso consult\u00f3rio com uma pergunta, com seu sofrimento a reboque, e nutre seu discurso com essas hist\u00f3rias nas quais cada um est\u00e1 inevitavelmente enredado enquanto\u00a0<i>parl\u00eatre\u2026<\/i>\u00a0Uma via que nos leva a perguntar-nos como fazer para reduzir essas hist\u00f3rias ao sintoma que as suporta, reduzindo o sentido ao gozo e revelando, na interpreta\u00e7\u00e3o, o que o sentido deve ao gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, frente \u00e0s inevit\u00e1veis\u00a0<i>hist\u00f3rias de fam\u00edlia<\/i>, sabemos que, hoje em dia, existem uma s\u00e9rie de propostas terap\u00eauticas que trabalham com a palavra, que atuam via sugest\u00e3o e que, gostosamente, se ocupam com a fam\u00edlia e com suas m\u00faltiplas problem\u00e1ticas, enredos e mal-estares, ali onde sempre haver\u00e1 algo mais para tratar, j\u00e1 que a fam\u00edlia foi, \u00e9 e continuar\u00e1 sendo uma fonte inesgot\u00e1vel de mal-entendidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora essas terapias n\u00e3o sejam de todo novas, j\u00e1 que t\u00eam suas ra\u00edzes em teorias existentes h\u00e1 muitos anos, talvez o novo esteja sobretudo no crescente uso e fun\u00e7\u00e3o que adquirem tais pr\u00e1ticas no atual mercado das terapias alternativas, pois o que se oferece para tratar os\u00a0<i>assuntos de fam\u00edlia<\/i>\u00a0encaixa muito bem nos ideais pr\u00f3prios a esta \u00e9poca: efetividade e rapidez s\u00e3o postas a servi\u00e7o da resolu\u00e7\u00e3o de problemas para abordar cren\u00e7as, pensamentos e emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o satisfat\u00f3rias e se repetem frequentemente como padr\u00f5es. As chamadas\u00a0<i>Constela\u00e7\u00f5es\u00a0<\/i>falam da abordagem de um inconsciente familiar, para tratar dos aspectos problem\u00e1ticos que produziram bloqueios. Trata-se de apreender rapidamente a din\u00e2mica que causa o sofrimento e, caso aconte\u00e7am as circunst\u00e2ncias apropriadas, corrigi-la no mesmo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma proposta de resolu\u00e7\u00e3o\u00a0<i>sem resto<\/i>, que parece captar muito bem o tipo de demandas atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que nossa pr\u00e1tica anal\u00edtica, orientada pelo ensino de Lacan, concebe outro modo de alojar essas demandas que enodam o sofrimento humano a algo a um s\u00f3 tempo\u00a0<i>familiar<\/i>\u00a0e estranho, ali onde a insatisfa\u00e7\u00e3o, a repeti\u00e7\u00e3o e o inconsciente s\u00e3o considerados por um outro vi\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apenas nos desmarcamos radicalmente desse tipo de pr\u00e1ticas sugestivas, mas tamb\u00e9m, como nos recorda J. A. Miller ,\u00bb\u2026fica claro que Lacan, em seu ultim\u00edssimo ensino, fartou-se da psican\u00e1lise baseado no Outro&#8230;, cansou-se um pouco dessas hist\u00f3rias de fam\u00edlia que as pessoas lhe contavam. Estava claramente determinado a escutar outra coisa que n\u00e3o o Outro, algo distinto do discurso do Outro. Estava, antes, mais enfocado no\u00a0<i>sinthome<\/i>\u00a0do Uno.\u00bb[4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma orienta\u00e7\u00e3o muito precisa que nos convida a nos pormos a trabalho rumo ao pr\u00f3ximo ENAPOL e que, por essa via, pressagia uma pr\u00e1tica menos\u00a0<i>familiar\u2026<\/i><\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Avellar Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., (2003),\u00a0<i>Nota sobre a crian\u00e7a, Outros escritos,\u00a0<\/i>Rio de Janeiro: JZE, p. 369.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><i>Ibid<\/i>, p. 369.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A., Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente,\u00a0<i>aSEPHallus Revista de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana volume II,\u00a0<\/i>numero 4.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.isepol.com\/asephallus\/numero_04\/asephallus04.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.isepol.com\/asephallus\/numero_04\/asephallus04.pdf<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">WMiller, J.-A., (2012),\u00a0<i>El\u00a0<\/i>ultim\u00edsimo<i>\u00a0Lacan<\/i>, Buenos Aires: Paid\u00f3s, p. 139.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcela Almanza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1269,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[244,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1271"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1272,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1271\/revisions\/1272"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1271"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1271"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}