{"id":1539,"date":"2021-09-10T20:11:33","date_gmt":"2021-09-10T20:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1539"},"modified":"2021-09-10T20:11:33","modified_gmt":"2021-09-10T20:11:33","slug":"outro-radicalmente-outro","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/outro-radicalmente-outro\/","title":{"rendered":"Outro, radicalmente Outro"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Ana Ricaurte<\/strong> (NEL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1537 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Ana-Ricaurte.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Ana-Ricaurte-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Ana-Ricaurte.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da ang\u00fastia, Jacques Lacan analisa uma dist\u00e2ncia radical com a qual o ser que nasce encontra a vida. \u00ab&#8230;o trauma do nascimento, que n\u00e3o \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, sen\u00e3o a aspira\u00e7\u00e3o em si de um meio profundamente Outro\u00bb[1]. Referindo-se a Freud, Lacan indica que, se a ang\u00fastia \u00e9 sinal de algo, \u00e9 da intrus\u00e3o radical de algo t\u00e3o Outro para o ser vivo humano que, quando chega ao mundo onde deve respirar, literalmente se afoga, sufoca. Partamos desta primeira incompatibilidade radical entre o ser vivo e o Outro para abordar o real na fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num primeiro momento, Lacan situa a ang\u00fastia na emerg\u00eancia no mundo daquele que ser\u00e1 o sujeito, manifestada no grito que tem car\u00e1ter de cess\u00e3o. O grito que lhe escapa cede algo, e nada o vincula a isto. Isto se d\u00e1 antes de toda demanda. Logo depois, aparece o car\u00e1ter complexo do desejo do Outro, ao qual se vincula a ang\u00fastia de n\u00e3o saber que objeto se \u00e9 para este desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto que sou somente pode entrar no mundo como resto, como o irredut\u00edvel relativo \u00e0quilo imposto pela marca simb\u00f3lica. E n\u00e3o \u00e9 somente que nada em comum me vincule ao que \u00e9 radicalmente Outro. Pelo contr\u00e1rio, com o Outro humano algo me vincula, sou seu semelhante. Por\u00e9m, \u00abdisso resulta que o resto\u00a0<b><i>a<\/i><\/b>\u00a0do n\u00e3o sei que objeto sou angustiante, \u00e9 profundamente desconhecido\u00bb. Trata-se, aqui, do que cai, do que se subtrai no que se aliena ao Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos dizer que h\u00e1 uma ruptura ao constituir-se nesse meio onde se deveria situar, de entrada, um real em rela\u00e7\u00e3o ao Outro que o recebe. Que fun\u00e7\u00e3o tem a fam\u00edlia nesta entrada primitiva no mundo, no encontro com este Outro que lhe \u00e9 t\u00e3o alheio e que o angustia? \u00c0 fam\u00edlia caberia a estrutura\u00e7\u00e3o de umas fun\u00e7\u00f5es delimitadas com as quais responder ao real no encontro com o Um e o Outro, como semblantes necess\u00e1rios ao processo de constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade, como prote\u00e7\u00e3o contra o real. Tanto os semblantes familiares como os direitos humanos \u00abn\u00e3o cessam de produzir sintomas pela incapacidade de suturar um real que os transborda\u00bb.[2]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, podemos considerar a fam\u00edlia como uma constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica na ordem da modalidade l\u00f3gica do necess\u00e1rio, uma vez que os elementos que a formam funcionam como sustenta\u00e7\u00e3o da vida, n\u00e3o somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades, sen\u00e3o em sua provis\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o e enquanto inscri\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cessa de repetir-se. Sem esquecer que esta repeti\u00e7\u00e3o demanda a sustenta\u00e7\u00e3o de alguns discursos que o social oferece a esta fun\u00e7\u00e3o, normatizam, desenham, orientam formas de vida e de conviv\u00eancia, tais como o discurso da religi\u00e3o e o discurso jur\u00eddico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan [3], em sua proposta para a forma\u00e7\u00e3o do analista, diz que as sociedades existentes se fundam sobre um real e s\u00e3o necess\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es para que algo funcione. Se, por um lado, constatamos a interven\u00e7\u00e3o dos discursos que apontam para o fechamento do buraco que ali prevalece n\u00e3o cessando de n\u00e3o se inscrever, por outro, temos o discurso t\u00e9cnico-cient\u00edfico, guiado pelos princ\u00edpios do capitalismo, que impulsionam \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e ao individualismo p\u00f3s-moderno, promovendo uma desordem do real, ao que, de alguma forma, a estrutura da fam\u00edlia resiste e se junta \u00e0s circunst\u00e2ncias da \u00e9poca com transforma\u00e7\u00f5es numerosas e diversas, nas quais as fun\u00e7\u00f5es do pai e da m\u00e3e devem permanecer inelimin\u00e1veis enquanto res\u00edduo que ofere\u00e7a tanto um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo, como uma articula\u00e7\u00e3o da lei do desejo que n\u00e3o seja um empuxe ao gozo mortal. [4]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J-A. Miller, na apresenta\u00e7\u00e3o do tema do IX Congresso da AMP, ressalta os efeitos dos discursos prevalentes da modernidade \u2013 ci\u00eancia e capitalismo, que, em um apoio m\u00fatuo, dominam e conseguem destruir a estrutura tradicional da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aqui recordar a forclus\u00e3o do amor do Pai, desenvolvida por Lacan em 19 de mar\u00e7o de 1974 e a figura feroz do\u00a0<i>Nomear para<\/i>\u00a0de uma m\u00e3e que basta por si s\u00f3 para designar seu projeto e exercer uma ordem de ferro, que toma como signo de uma degenera\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica e marca do retorno do Nome do Pai no Real, quando recha\u00e7ado. Uma ordem de ferro que enoda o social, que se encarrega de impulsionar projetos que descartam o sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 na experi\u00eancia anal\u00edtica que Um real ter\u00e1 lugar, mediante \u00e0 conting\u00eancia da sess\u00e3o na qual este real possa ser apontado no exerc\u00edcio de corte de sentido, que busca cernir a marca traum\u00e1tica inicial do significante sobre o corpo, em sua fun\u00e7\u00e3o de letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe ao psicanalista n\u00e3o deixar de ver este real e, na experi\u00eancia anal\u00edtica onde acolhemos este discurso do Outro imerso na palavra mesma do sujeito, introduzir a opera\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o que localiza o significante na fun\u00e7\u00e3o de letra, quer dizer, a opera\u00e7\u00e3o de ler o sintoma que apresenta Miller em sua confer\u00eancia de mesmo nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abAchamos que dizemos o que queremos, mas \u00e9 o que quiseram os outros, mais particularmente nossa fam\u00edlia, que nos fala. Escutem este\u00a0<i>n\u00f3s<\/i>\u00a0como um objeto direto. Somos falados[&#8230;]\u00bb.[5] E isto \u00e9 o que se verte na experi\u00eancia anal\u00edtica, os assuntos de fam\u00edlia, o do Outro, o inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miller[6] assinala o for\u00e7amento feito no ultim\u00edssimo ensino frente \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do Outro, na dire\u00e7\u00e3o da introdu\u00e7\u00e3o do Um em sua anterioridade ao Outro.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Bartyra Ribeiro de Castro<br \/>Revis\u00e3o: Rachel Amin<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Conversa\u00e7\u00e3o na NEL sobre um real, \u00abUm Real e a fam\u00edlia\u00bb, 9 de Fevereiro de 2014.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J., O Semin\u00e1rio,<i>\u00a0A Ang\u00fastia<\/i>\u00a0, livro 10, cap. XXIV, Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2007, p. 355.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, E., (2009), Psicoan\u00e1lisis con ni\u00f1os y adolescentes 2, Pol\u00edticas, pr\u00e1cticas y saberes sobre el ni\u00f1o.\u00a0<i>Siglo XXI: Una no-relaci\u00f3n generalizada e igualdad de t\u00e9rminos.\u00a0<\/i>Buenos Aires: Grama.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J.,\u00a0<i>Outros Escritos<\/i>, Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2003, p.248.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Laurent, Eric.Psicoan\u00e1lisis con ni\u00f1os y adolescentes 2, Pol\u00edticas, pr\u00e1cticas y saberes sobre el ni\u00f1o.\u00a0<i>Siglo XXI: Una no-relaci\u00f3n generalizada e igualdad de t\u00e9rminos.\u00a0<\/i>Grama ediciones, Buenos Aires, 2009.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, Jacques. O Semin\u00e1rio,<i>\u00a0O sinthoma<\/i>\u00a0, livro 23, Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2007, p. 158.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J-A. El ultim\u00edsimo Lacan.\u00a0<i>Inconsciente y sinthome<\/i>. Paid\u00f3s, Buenos Aires, 2012.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Ricaurte (NEL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1537,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[274,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1539"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1539"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1540,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1539\/revisions\/1540"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1537"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1539"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1539"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}