{"id":1544,"date":"2021-09-10T20:14:57","date_gmt":"2021-09-10T20:14:57","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1544"},"modified":"2021-09-10T20:14:57","modified_gmt":"2021-09-10T20:14:57","slug":"violencia-e-segregacoes-familiares","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/violencia-e-segregacoes-familiares\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia e segrega\u00e7\u00f5es familiares"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Entrevista a <strong>Osvaldo Delgado<\/strong> (EOL)<br \/><i>Por Karina Castro<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1542 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Osvaldo-Delgado.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Osvaldo-Delgado-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/17_Osvaldo-Delgado.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Uma frase do\u00a0<\/i>Argumento\u00a0<i>diz assim: \u00abAs classes sociais j\u00e1 n\u00e3o servem como conceito reunificador que d\u00ea conta dos acontecimentos; com os fen\u00f4menos da globaliza\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias atuais atravessam os diversos cen\u00e1rios da p\u00f3s-modernidade\u00bb.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>1- Pensando em um dos eixos do VIII Enapol, \u00abViol\u00eancia e segrega\u00e7\u00f5es familiares\u00bb, quais as rela\u00e7\u00f5es, segundo voc\u00ea, que podem ser encontradas entre essa frase e este eixo?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>2- Qual seria a posi\u00e7\u00e3o que conv\u00e9m a um analista com seus enredos na pr\u00e1tica?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Osvaldo Delgado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso pensar os \u00abAssuntos de fam\u00edlia\u00bb desde o desencadeamento do discurso capitalista, tal como n\u00f3s o trabalhamos na Escola, e seus efeitos na contemporaneidade. \u00c9 preciso tamb\u00e9m poder situar algo muito interessante formulado por Lacan em seu \u00abSemin\u00e1rio<i>:\u00a0<\/i>os n\u00e3o-tolos erram\u00bb, no que diz respeito \u00e0 foraclu\u00e3o do Nome-do-Pai na cultura, seu retorno no real e o desejo da m\u00e3e sem ser barrado, como gozo que toma a aptid\u00e3o de poder nomear. \u00c9 o que vemos no caso do campo cient\u00edfico, sobretudo no das cirurgias m\u00e9dicas, que se d\u00e3o o lugar de poder nomear a suposta identidade de g\u00eanero. Lacan diz que este retorno no real, a partir dessa foraclus\u00e3o, ir\u00e1 produzir todo tipo de cat\u00e1strofes. \u00c9 importante levar isso em conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, n\u00e3o estou dizendo que as novas configura\u00e7\u00f5es familiares sejam todas cat\u00e1strofes, n\u00e3o, de modo algum. Mas, efetivamente, encontramos novas configura\u00e7\u00f5es familiares de diversas \u00edndoles: fam\u00edlias juntadas, monoparentais, homoparentais, etc, etc, etc. A quest\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 que isso tem problem\u00e1ticas pr\u00f3prias, de acordo com as classes sociais existentes, uma vez que essas novas configura\u00e7\u00f5es familiares, embora ocorram em todas as classes sociais, t\u00eam modos de express\u00e3o diferentes em cada classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 que as classes sociais tenham desaparecido. Muito pelo contr\u00e1rio, o discurso capitalista contempor\u00e2neo, nos \u00faltimos anos, produziu um incremento no confronto de classes como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via. E, efetivamente, as realidades s\u00e3o muito diferentes seja nas fam\u00edlias ricas, nas fam\u00edlias de classe m\u00e9dia, nas fam\u00edlias pobres, no que concerne \u00e0s problem\u00e1ticas trabalhistas, econ\u00f4micas. N\u00e3o podemos fazer um \u00abcombo\u00bb , como se tudo fosse o mesmo, sob nenhum ponto de vista. \u00c9 como quando falamos das travestis: uma coisa \u00e9 a travesti de classe m\u00e9dia, profissional; outra coisa \u00e9 uma travesti na cidade, cujo destino \u00e9 a prostitui\u00e7\u00e3o e uma morte muito precoce. N\u00e3o \u00e9 o mesmo, h\u00e1 configura\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do um por um, h\u00e1 configura\u00e7\u00f5es sociais que marcam realidades de vida totalmente distintas, realidades com rela\u00e7\u00e3o a mortes precoces por infec\u00e7\u00f5es, assassinatos, viol\u00eancia policial, etc., por exemplo. A prop\u00f3sito da problem\u00e1tica para os psicanalistas, h\u00e1 uma quest\u00e3o muito importante a respeito das novas configura\u00e7\u00f5es familiares, a saber: o desejo do analistas n\u00e3o \u00e9 sem um fundamento neur\u00f3tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o um ponto muito, muito especial: n\u00f3s, psicanalistas atuais, nos constitu\u00edmos como sujeitos em um mundo radicalmente diferente do atual, n\u00e3o apenas pela quest\u00e3o da tecnologia, como tamb\u00e9m porque as diversas configura\u00e7\u00f5es familiares n\u00e3o existiam ou eram exce\u00e7\u00f5es, muito raras exce\u00e7\u00f5es. Sem deixar de mencionar que nossa forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Isto efetivamente \u00e9 uma problem\u00e1tica da subjetividade dos analistas, os enredos da subjetividade dos analistas a respeito da escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, como analistas, n\u00e3o ter\u00edamos raz\u00e3o de ter nenhum inconveniente nem de nos complicarmos, porque trabalhamos n\u00e3o apenas no um por um, mas tamb\u00e9m escutando o analisante na produ\u00e7\u00e3o de seu inconsciente. Por exemplo: se uma travesti vem nos consultar, na realidade n\u00e3o sabemos absolutamente nada daquela diante da qual estamos at\u00e9 que ela comece a produzir suas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. N\u00f3s nos orientamos em rela\u00e7\u00e3o a isso e n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a tal ou qual categoria de si \u00e9 travesti, se sua fam\u00edlia \u00e9 homoparental, monoparental. O que fazemos \u00e9 escutar, do mesmo modo que quando chega algu\u00e9m que nos diz: \u00absou um pai de fam\u00edlia e sou heterossexual\u00bb. N\u00e3o sabemos nada dele at\u00e9 que comece a ter sonhos, lapsos, atos falhos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, n\u00e3o temos inconvenientes. Ao escutar a singularidade e nos orientarmos por ela n\u00e3o temos por que ter inconvenientes a respeito de tudo o que possa se apresentar como novidade nos novos la\u00e7os familiares. Todavia, devemos estar advertidos sobre este ponto que assinalo: assim como existe o fundamento neur\u00f3tico do desejo do analista, n\u00f3s nos constitu\u00edmos como sujeitos em um mundo totalmente outro e esta \u00e9 uma marca muito forte. Muitas vezes, escuto psicanalistas falando nas reuni\u00f5es de amigos, ou nos encontros em bares, e me parecem ditos muito preconceituosos, quest\u00e3o que nos leva a perguntar o que se faz com o preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente n\u00e3o se espera que um psicanalista seja uma pessoa sem as mesmas mis\u00e9rias humanas que os outros humanos, mas, em seu ato, ele deve levar isto muito em conta: n\u00e3o s\u00f3 o fundamento neur\u00f3tico e o que tem a ver com o trauma da neurose infantil, mas tamb\u00e9m que a neurose se constituiu numa \u00e9poca do mundo que n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a atual, deu-se em outro paradigma cultural, outro paradigma familiar. Isso, sim, \u00e9 muito importante para a forma\u00e7\u00e3o dos analistas e devemos estar muito advertidos sobre esse ponto. Isso \u00e9 fundamental para n\u00f3s, caso contr\u00e1rio a psican\u00e1lise se tornar\u00e1 obsoleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um certo apoio falso do sexo biol\u00f3gico com o sexo ps\u00edquico e as normativas sociais \u2013 digo isso um tanto grosseiramente, mas \u00e9 para ser entendido. Tudo isso aparece agora como mais complicado. No entanto, para a psican\u00e1lise, \u00e9 menos complicado porque para n\u00f3s a fun\u00e7\u00e3o paterna sempre foi uma fun\u00e7\u00e3o. Por isso falo de um apoio falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso implica a problem\u00e1tica do que dissemos h\u00e1 pouco sobre os preconceitos, como nos conformamos como sujeito, etc., mas h\u00e1 tamb\u00e9m um ganho (<i>ganancia<\/i>),e o ganho tem a ver com o fato de que fica mais claro que as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se apoiam nem em uma quest\u00e3o cultural, nem em um sexo biol\u00f3gico ou qualquer coisa assim, s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es absolutamente simb\u00f3licas. Nesse sentido, trata-se de um ganho.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Avellar Ribeiro<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Osvaldo Delgado (EOL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1542,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[274,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1544"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1544"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1545,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1544\/revisions\/1545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1544"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1544"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}