{"id":1614,"date":"2021-09-10T21:34:37","date_gmt":"2021-09-10T21:34:37","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1614"},"modified":"2021-09-10T21:34:37","modified_gmt":"2021-09-10T21:34:37","slug":"mae-so-ha-uma-e-isso-basta","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/mae-so-ha-uma-e-isso-basta\/","title":{"rendered":"M\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma&#8230; e isso basta!"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Gabriela Camaly<\/strong> (EOL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1612 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/21_Gabriela-Camaly.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/21_Gabriela-Camaly-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/21_Gabriela-Camaly.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>M\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma?<\/i><br \/>\u00c9 interessante formular sob a forma de pergunta a frase que, no sentido comum e desde sempre, escutamos como uma verdade indiscut\u00edvel e universal: \u00abM\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma!\u00bb Contudo, as coisas mudaram. A ci\u00eancia se ocupou em multiplicar a m\u00e3e. Hoje, uma crian\u00e7a pode ser filha daquela que a levou em seu ventre, mas o \u00f3vulo pode ser de outra mulher, ou ent\u00e3o pode ser o filho de duas mulheres dispostas \u00e0 maternidade na rela\u00e7\u00e3o com outra mulher, ou tamb\u00e9m de dois homens um deles cumprindo a fun\u00e7\u00e3o materna, pode, inclusive, ser filho de um s\u00f3 que se torna, por vezes, a m\u00e3e ou o pai. Enfim, tudo isso faz parte do que nomeamos como novos modos da parentalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A maternidade desnaturalizada<\/i><br \/>Durante mil\u00eanios, a sociedade sonhou o la\u00e7o maternal como um la\u00e7o natural. A afirma\u00e7\u00e3o\u00a0<i>mater semper certa est<\/i>\u00a0d\u00e1 conta de tal sonho. O avan\u00e7o cient\u00edfico se encarregou de p\u00f4-la em quest\u00e3o devidamente e a psican\u00e1lise demonstrou que a maternidade \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, produto da rela\u00e7\u00e3o dos seres falantes com a linguagem. Assim, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter parido uma crian\u00e7a, inclusive, tampouco \u00e9 necess\u00e1rio pertencer ao g\u00eanero feminino para desempenhar a fun\u00e7\u00e3o materna para o outro. A cultura se encarregou de desnaturalizar a maternidade e isso \u00e9 poss\u00edvel porque a maternidade \u00e9 um fato de linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O gozo do sacrif\u00edcio materno<\/i><br \/>Uma distante lembran\u00e7a retorna \u00e0 minha mem\u00f3ria. Em certa ocasi\u00e3o, minha m\u00e3e exclamou: \u00abM\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma!\u00bb. Sua frase exigia devo\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o materna. Desolada e sem pensamento, explodiu minha resposta: \u00abUfa! Menos mal! O que seria de n\u00f3s se houvesse v\u00e1rias &#8230;\u00bb. Sua ofensa durou v\u00e1rios dias e tive o clar\u00e3o de haver situado algo avassalador do qual eu precisava me separar: o id\u00edlio com o gozo sacrificial do Outro materno, este que preserva a vida, mas tamb\u00e9m devora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde os tempos imemoriais, o ideal comum alardeia o amor materno. S\u00f3 esta, a que carregou seu filho em suas entranhas, \u00e9 capaz de dar o que n\u00e3o tem para salvaguardar o objeto precioso em seu desejo e em seu gozo. Ela \u00e9 capaz de um amor ilimitado, sem considera\u00e7\u00f5es nem reservas; ningu\u00e9m, como a m\u00e3e, se dispor\u00e1 aos sacrif\u00edcios ais quais ela se entrega. Fantasia compartilhada da exist\u00eancia de um Outro, garantia do ser, que eleva ao ideal a cren\u00e7a no Outro do amor. Como contrapartida, e no avesso do amor materno, aquele que est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de filho suporta sobre si os excessos da maternidade, inclusive \u2013 e n\u00e3o \u00e9 um exagero diz\u00ea-lo \u2013 o sem limite que a posi\u00e7\u00e3o materna pode alcan\u00e7ar, mais al\u00e9m de seu amor, em seu gozo. \u00c9 o ponto exato no qual o ilimitado do gozo feminino se conjuga com o gozo voraz da maternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>De mulheres e de m\u00e3es<\/i><br \/>Por essa raz\u00e3o, Miller pode afirmar que a maternidade \u00e9 uma patologia essencialmente feminina. Ela, por n\u00e3o poder transformar-se em mulher, se transforma em m\u00e3e[1]. A solu\u00e7\u00e3o feminina para o \u00abn\u00e3o ter\u00bb se resolve via maternidade, dando consist\u00eancia ao falo sob a forma de filho. Assim, ela passa para o lado do ter. Nesse sentido, embora a maternidade seja, por um lado, uma solu\u00e7\u00e3o diante do impasse da feminilidade, por outro, constitui uma das formas de recha\u00e7o ao feminino. Quanto mais identificada com a m\u00e3e, mais disposta a n\u00e3o renunciar a nada depois da maternidade, quanto mais entusiasmada em fazer o filho sentir que \u00abm\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma\u00bb, mais doente de maternidade ela se encontra, e, por vezes, mais distante de inventar uma solu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o feminina, ou seja, em rela\u00e7\u00e3o ao seu desejo e a seu gozo como mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m, ent\u00e3o, estabelecer algumas diferen\u00e7as. A saber: 1 \u2013 a fun\u00e7\u00e3o materna que det\u00e9m um interesse particularizado pela crian\u00e7a; 2 \u2013 a maternidade como patologia feminina, a qual pode ter seu lado obscuro e ilimitado; 3 \u2013 a posi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica como tipo cl\u00ednico e sua profunda\u00a0<i>verwerfung<\/i>\u00a0a respeito do feminino; 4 \u2013 o gozo suplementar feminino sempre em excesso e, finalmente: 5 \u2013 as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que cada mulher pode inventar diante do impasse que implica a impossibilidade de saber o que \u00e9 uma mulher e de dizer qual \u00e9 o gozo que a habita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, o pr\u00f3ximo ENAPOL ser\u00e1 uma ocasi\u00e3o privilegiada para retomar essas quest\u00f5es e produzir novas elabora\u00e7\u00f5es que concernem ao entrecruzamento entre a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise e a \u00e9poca que nos cabe viver como analisantes e como analistas. Que assim seja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mar\u00e7o, 2017<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Avellar Ribeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Miller, J.-A. (2006), Cl\u00ednica de la posici\u00f3n femenina (1992),\u00a0<i>Introducci\u00f3n a la cl\u00ednica lacaniana. Conferencias en Espa\u00f1a<\/i>, Barcelona: RBA.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriela Camaly (EOL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1612,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[282,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1614"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1615,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1614\/revisions\/1615"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1614"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1614"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}