{"id":1683,"date":"2021-09-10T23:08:31","date_gmt":"2021-09-10T23:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1683"},"modified":"2021-09-10T23:08:31","modified_gmt":"2021-09-10T23:08:31","slug":"encontrar-a-curva-singular","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/encontrar-a-curva-singular\/","title":{"rendered":"Encontrar a curva singular"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celeste Vi\u00f1al<\/strong> (EOL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1672 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/26_Celeste-Vinal.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/26_Celeste-Vinal-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/26_Celeste-Vinal.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste par\u00e1grafo, Lacan p\u00f5e em quest\u00e3o o sentimento humano de fazer parte, de fazer parte de um mundo, de um mundo como forma\u00e7\u00e3o central em torno do qual giram elementos que o constituem. Poderemos nos perguntar, com ele, o que ser\u00e1 sentir-se parte de um mundo que, al\u00e9m do mais, \u00e9 a fam\u00edlia, e, com ele, respondermos com outra pergunta: que outra coisa pode ser sen\u00e3o uma fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse sentimento \u00e9 conseguido por for\u00e7a de se fazer consistir um Outro a quem se oferece ser falado por ele. O \u00abser\u00bb mesmo \u00e9 um efeito do significado, distante da exist\u00eancia. Portanto, esse centro poder\u00e1 ser o Sol, a Terra ou a fam\u00edlia, uma vez que o sentido resiste a qualquer outra coisa que n\u00e3o seja girar ao redor disso que considera dominante. A fam\u00edlia opera como a centralidade determinante, na ideia de destino do neur\u00f3tico. Outorga-lhe um ser de perten\u00e7a, mas o condena a falar dela, uma e outra vez, girando ao redor desse mundo. Com poss\u00edveis revolu\u00e7\u00f5es, mas sempre copernicanas, substitui\u00e7\u00f5es sem verdadeiras mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise \u00e9 o que permite variar a rotina do sentido. Permite sair dos efeitos do girar. Pode-se dar voltas a vida toda ao redor do familiar. A cl\u00ednica nos mostra a dificuldade para descentrar o relato do paciente de suas quest\u00f5es familiares, tanto quanto de fazer girar suas escolhas em torno dela. O centro se torna um buraco negro que atrai toda forma\u00e7\u00e3o circundante. \u00c9 necess\u00e1rio que travemos essa imanta\u00e7\u00e3o com a ferramenta do discurso anal\u00edtico, que op\u00f5e o \u00abcair\u00bb [2] ao girar. Lacan prop\u00f5e ir de Cop\u00e9rnico a Kepler, que, na queda \u00e9 demonstrado que no centro sim\u00e9trico n\u00e3o h\u00e1 nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oscar Massota, no pr\u00f3logo a \u00abLa Familia\u00bb, nos d\u00e1 uma pista imprescind\u00edvel em um dos seus par\u00e1grafos, para compreender a import\u00e2ncia cl\u00ednica de atender com total interesse os \u00abassuntos de fam\u00edlia\u00bb, diz ele:\u00a0<i>\u00abImposs\u00edvel resumir, al\u00e9m disso, a capacidade de convic\u00e7\u00e3o de um texto que, por um percurso rigoroso atrav\u00e9s de imagos e complexos, abre sobre a ideia psicanal\u00edtica de base: a iner\u00eancia do sujeito \u00e0 fam\u00edlia \u2013 aqu\u00e9m do relativismo das culturas -, que constitui sempre seu acesso \u00e0 profundidade do real\u00bb.\u00a0<\/i>[3]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iner\u00eancia do sujeito \u00e0 fam\u00edlia deve ser entendida como guia que nos conduzir\u00e1 atrav\u00e9s dos giros rotineiros das narra\u00e7\u00f5es repetidas, \u00e0 possibilidade de captar o real a\u00ed em jogo. Pode-se tomar uma grande variedade de caminhos diversos, mas, para continuar seguindo Lacan nesse cap\u00edtulo, poderemos dizer que \u00e9 no seio da fam\u00edlia ( ou em seu recha\u00e7o, que \u00e9 o mesmo) onde surgem, por exemplo, os antecedentes do amor para o sujeito. A rela\u00e7\u00e3o com o amor \u00abo que faz supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o\u00a0<i>sexual<\/i>\u00bb [4] ser\u00e1 um dos acessos privilegiados no dispositivo anal\u00edtico, para verificar suas aus\u00eancias ou excessos, suas dificuldades, imbr\u00f3glios, deten\u00e7\u00f5es, dist\u00e2ncias ou ang\u00fastias a respeito de um operador, que oferece evid\u00eancias de como se vincula com o gozo. Da\u00ed se poder\u00e1 aceder ao que do Um nos \u00e9 demonstrado como \u00ab<i>coisas que n\u00e3o t\u00eam entre si nenhuma rela\u00e7\u00e3o<\/i>\u00bb [5], mas que a fic\u00e7\u00e3o dos efeitos de sentido da linguagem nos permite fazer conjunto, fazer fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O percurso de uma an\u00e1lise tratar\u00e1 desta mudan\u00e7a de eixo com o qual se chega \u00e0 an\u00e1lise: \u00ab<i>Seguir o fio do discurso anal\u00edtico n\u00e3o tende para nada menos do que refraturar, encurvar, marcar com uma curvatura pr\u00f3pria e por uma curvatura que n\u00e3o poderia nem mesmo ser mantida como sendo como a das linhas de for\u00e7a, aquilo que produz como tal a falha, a descontinuidade. Nosso recurso \u00e9, na al\u00edngua, o que a fratura.\u00bb\u00a0<\/i>[6] O que quebra a circularidade da qual o sujeito \u00e9 ref\u00e9m, que afunda sua vida em uma perten\u00e7a que o submete ao cl\u00e3 do sentido, ao pequeno sistema familiar, que desconhece esse outro espa\u00e7o cujo estatuto deve ser estabelecido nas voltas ditas da an\u00e1lise, t\u00e3o distantes de uma circularidade repetitiva. Encontrar a curva singular a partir da experi\u00eancia das descontinuidades que o mais \u00edntimo nos reserva, se consentirmos em aventurar-nos nesse espa\u00e7o ex-interior.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J (1972 \u2013 73) Semin\u00e1rio 20, mais, ainda, Rio de Janeiro, JZE, 2008, p. 48.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ib\u00eddem<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Masotta, O, La Familia de J. Lacan, Buenos Aires, Editorial Argonauta, 5ta Edici\u00f3n<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lacan, J (1972 \u2013 73) Seminario 20, mais ainda, op. cit., p. 48.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ib\u00eddem<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ib\u00eddem<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celeste Vi\u00f1al (EOL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1672,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[292,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1683"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1687,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1683\/revisions\/1687"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1683"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1683"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}