{"id":1730,"date":"2021-09-11T00:03:02","date_gmt":"2021-09-11T00:03:02","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1730"},"modified":"2021-09-11T00:03:02","modified_gmt":"2021-09-11T00:03:02","slug":"pequeno-comentario-sobre-13-reasons-why","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/pequeno-comentario-sobre-13-reasons-why\/","title":{"rendered":"Pequeno coment\u00e1rio sobre 13 Reasons why"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><b>Cristina Vidigal<\/b>\u00a0(EBP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1718 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Cristina-Vidigal.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Cristina-Vidigal-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Cristina-Vidigal.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o de porque um livro, uma pe\u00e7a, uma cena comove ou repercute em pessoas do mundo todo foram extensamente examinadas por Lacan em suas li\u00e7\u00f5es sobre Hamlet no Semin\u00e1rio VI, \u00abO desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o\u00bb. O fato do livro\u00a0<i>13 raz\u00f5es&#8230;<\/i>[1] e da s\u00e9rie de televis\u00e3o por ele gerada ter comovido in\u00fameros jovens pelo mundo nos leva a perguntar que estrutura isso toca a ponto de convocar as pessoas a falarem disso e mesmo temerem a quest\u00e3o central que ele aborda. Apesar da falta de qualidades liter\u00e1rias, podemos considerar inicialmente que o livro toca numa quest\u00e3o que ainda \u00e9 considerada um tabu: o suic\u00eddio de um adolescente. Sabemos que na falta da possibilidade de sublima\u00e7\u00e3o da morte podemos nos dar conta de que \u00e9 poss\u00edvel idealiza-la ou desloca-la, por exemplo, na forma que se tornou cada vez mais habitual, isto \u00e9, atrav\u00e9s da segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se demanda a um psicanalista sobre a quest\u00e3o da morte ele imediatamente se remete a Freud e a quest\u00e3o da puls\u00e3o de morte por sua rela\u00e7\u00e3o ao real. Freud tentava dar conta de um fato perfeitamente constat\u00e1vel e enigm\u00e1tico: al\u00e9m de uma tend\u00eancia ao inerte, ele encontrara nos sujeitos uma tend\u00eancia inconsciente de reconstituir antigas situa\u00e7\u00f5es esquecidas ou n\u00e3o reconhecidas onde trata-se de repetir especialmente os erros, as falhas. Essa repeti\u00e7\u00e3o difere da reminisc\u00eancia, da busca do objeto perdido, do arrependimento ou da nostalgia. Freud insistiu sobre o sil\u00eancio no qual a puls\u00e3o de morte opera e buscava articular de uma maneira l\u00f3gica a oposi\u00e7\u00e3o morte e vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo da ordem da repeti\u00e7\u00e3o tinge com breves cores a personagem principal na medida em que o autor apresenta em breves par\u00e1grafos sua esperan\u00e7a de que na nova escola o que acontecia na escola anterior n\u00e3o se repita. Ela se coloca assim como diante de uma nova chance, de uma nova vida. Entretanto, o relato marca exatamente que algo de uma repeti\u00e7\u00e3o se instala mas ao longo do livro n\u00e3o \u00e9 feita nenhuma referencia a uma cena anterior ou \u00e0 escola anterior onde algo do sujeito pudesse ser localizado. O sujeito n\u00e3o se interroga sobre sua posi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, n\u00e3o encontra quem possa fazer um manejo m\u00ednimo de retifica\u00e7\u00e3o subjetiva que o retirasse de sua posi\u00e7\u00e3o. Para irmos rapidamente \u00e0 quest\u00e3o colocada pela personagem central, n\u00e3o nos escapa inicialmente a opera\u00e7\u00e3o com a qual ela deixa a vida: ela se sacrifica para gerar uma culpabiliza\u00e7\u00e3o dos que a cercam como uma tentativa de barrar o gozo que ela localiza neles, que ela pensa que eles encarnam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que as quest\u00f5es sobre o sexo e a morte s\u00e3o o apoio de todas as cren\u00e7as. A cena de conclus\u00e3o do livro, quando um dos protagonistas imerso em culpa, vence sua timidez e caminha para conversar com uma jovem que apresenta os mesmos sinais da jovem que se suicidara: triste e solit\u00e1ria, pode nos dar um pequeno indicio. Isso parece revelar a cren\u00e7a de que os jovens se suicidariam porque n\u00e3o haveria por parte da sociedade uma preven\u00e7\u00e3o, um cuidado, uma oferta de conversa, uma mitiga\u00e7\u00e3o do bulling e da viol\u00eancia entre os jovens. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o rasa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan, nas suas \u00abSete li\u00e7\u00f5es sobre Hamlet\u00bb, articula o ato imposs\u00edvel de realizar e nos mostra o sujeito diante da estrutura do desejo, onde \u00e9 preciso que ele encontre o desejo, demonstrando que a posi\u00e7\u00e3o de sujeito do desejo precisa ser constru\u00edda. Na personagem central dessa s\u00e9rie essa falta de constru\u00e7\u00e3o se evidencia. Ela espera uma palavra e uma posi\u00e7\u00e3o do outro que a colocariam no bom uso desse campo, como se isso acontecesse pela condu\u00e7\u00e3o do outro e n\u00e3o por um posicionamento e uma constru\u00e7\u00e3o do sujeito. A posi\u00e7\u00e3o da protagonista \u00e9 de uma entrega passiva e nunca de uma interroga\u00e7\u00e3o. Sua via preferencial \u00e9 de aguardar algo do outro, algo que lhe daria um lugar, uma posi\u00e7\u00e3o. O que ela encontra? A decep\u00e7\u00e3o. Assim ela pode at\u00e9 pensar que tem um problema mas vai apontar sempre o outro em sua covardia, em seu abuso, em sua inconsequ\u00eancia isto \u00e9, vai apontar que o outro goza. A posi\u00e7\u00e3o final de desist\u00eancia da protagonista aponta para o encontro com o gozo do outro sem o recobrimento que o campo do desejo poderia tratar. Ela se decepciona, desiste, escolhe morrer: no livro, com p\u00edlulas que segundo ela pesquisara, era a maneira menos dolorosa de morrer. Na s\u00e9rie de televis\u00e3o, ela surge cortando as art\u00e9rias profundas de seus bra\u00e7os, certamente para um efeito dram\u00e1tico mais chocante do que com a l\u00f3gica passiva do personagem. Podemos pensar que a protagonista desiste por n\u00e3o ter uma elabora\u00e7\u00e3o sobre o campo do desejo que daria um contorno ao seu encontro com gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a s\u00e9rie 13 Raz\u00f5es parece promover \u00e9 a ideia juvenil, bem descrita por Freud nos sonhos com a pr\u00f3pria morte, de que o sujeito poderia seguir vivendo no sofrimento daqueles a quem ele imagina que far\u00e1 falta. A morte entraria ali numa uma economia de gozo que articula falta, remorso e culpabilidade. Como nos sujeitos dos sonhos, a personagem se engana de que vai viver no remorso do outro, de que ensinar\u00e1 ao outro algo. Podemos pensar aqui tamb\u00e9m no caso da jovem homossexual que buscava com sua posi\u00e7\u00e3o ensinar algo ao pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das marcas da modernidade do livro \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que nenhum ritual foi realizado ap\u00f3s a morte da protagonista o que d\u00e1 uma certa concretude \u00e0 falta dos rituais e \u00e0 falta de um lugar para a palavra, para o luto e para elabora\u00e7\u00f5es subjetivas. Isso retorna ent\u00e3o na voz acusat\u00f3ria que a protagonista endere\u00e7a aos colegas. Isso nos faz retomar as dificuldades de elabora\u00e7\u00e3o no campo do gozo e do desejo, portanto da falta e do tratamento do sintoma, como uma dos tra\u00e7os mais pungentes da contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos finalmente perguntar pela diferen\u00e7a que encontramos nas tentativas de passagem ao ato que conhecemos em nossa clinica e nos casos onde se trataria de uma escolha da ordem de uma decidida vontade de morrer. Sobre isso, onde se tornar um mestre de sua vida e de sua morte \u00e9 um articulador, encontramos o texto excelente de Pierre Naveau \u00abO sintoma na encruzilhada: um caso extremo de recusa\u00bb[2] cuja leitura eu recomendo a todos os analistas que se interessam pelo problema do suicido em jovens. Aqui a diferen\u00e7a e do que se trata na escolha pela morte, est\u00e1 extremamente bem trabalhada por Naveau. O que ele nos ensina atrav\u00e9s do caso de um jovem de 15 anos que se decidiu inapelavelmente pelo suic\u00eddio, ganha uma densidade e um tratamento que s\u00f3 a psican\u00e1lise pode dar.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p style=\"text-align: justify;\">NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Asher, J., Treze ras\u00f5es, ed. Atica, 2009.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Naveau, Pierre,\u00a0<i>\u00abO sintoma na encruzilhada: um caso extremo de recusa\u00bb.<\/i>\u00a0In Almanaque n.16. Revista eletr\u00f4nica do IPSMMG<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristina Vidigal (EBP)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1718,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[296,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1730"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1730"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1736,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1730\/revisions\/1736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1730"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1730"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}