{"id":1732,"date":"2021-09-11T00:03:53","date_gmt":"2021-09-11T00:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1732"},"modified":"2021-09-11T00:03:53","modified_gmt":"2021-09-11T00:03:53","slug":"velhas-perguntas-novas-respostas1732","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/velhas-perguntas-novas-respostas1732\/","title":{"rendered":"Velhas perguntas, novas respostas"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Beatriz Udenio<\/strong> (EOL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1720 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Beatriz-Udenio.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Beatriz-Udenio-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Beatriz-Udenio.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma casualidade que, justamente no momento de dar forma a estas linhas, uma nova tentativa de suic\u00eddio de uma estudante platense de 15 anos tenha viralizado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Mas, como toda causalidade, nos convida a pensar sobre uma causalidade em jogo. Qual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O denominado suic\u00eddio adolescente \u00e9 um velho tema, fonte de interroga\u00e7\u00f5es, conjeturas, suposi\u00e7\u00f5es, proposi\u00e7\u00f5es, teorias cient\u00edficas, psicol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas, sociol\u00f3gicas, obras liter\u00e1rias \u2013 como \u00abO despertar da primavera: uma trag\u00e9dia infantil\u00bb, relato de Wedekind, de 1891, comentado por Lacan em um escrito hom\u00f4nimo, o que rubrica tamb\u00e9m o interesse da psican\u00e1lise pelo tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a envergadura que toma hoje em dia o assunto amea\u00e7a solapar suas interroga\u00e7\u00f5es, alimentando-se mais com a espetacularidade de um mundo organizado em torno da amplifica\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o e da transpar\u00eancia. Quero falar disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso mundo gira em torno da cifra. O suic\u00eddio n\u00e3o se constitui em exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porcentagens pormenorizadas segundo anos, lugares, idades, causas poss\u00edveis, ou outras vari\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o advento das redes sociais, tamb\u00e9m \u00e9 quest\u00e3o de n\u00fameros a chegada de informa\u00e7\u00e3o e a abertura foros de interc\u00e2mbio e opini\u00e3o, numa quantidade inimagin\u00e1vel, crescente, de conectados intercomunicados. E, por certo, a cifra resplandece na hora de medir o rating que cada meio de comunica\u00e7\u00e3o obt\u00e9m minuto a minuto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ningu\u00e9m escapa que as redes se conformaram na forma dileta de comunica\u00e7\u00e3o dos \u00abnativos digitais\u00bb. Modo de la\u00e7o privilegiado pelos mesmos, se constitui em um mundo onde se disputa para compartilhar, socializar e obter um lugar entre pares. Vicissitudes habituais dos adolescentes, sob novas vestimentas. O que acontece se na disputa sobrev\u00e9m o sentimento de ficar fora do lugar? As mesmas redes podem servir para compartilhar tentativas de sa\u00edda desse campo onividente. Desde esta perspectiva, um suic\u00eddio pode tomar a forma de recurso extremo para sair dessa omnivis\u00e3o. Foi Lacan quem disse que considerava o suic\u00eddio como o \u00fanico ato bem sucedido. Adeus ao outro que tanto atormenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, quem \u00e9 este outro, qual \u00e9 seu habitat? Tenho uma quest\u00e3o a desentranhar em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as redes frequentemente metem os p\u00e9s pelas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a psican\u00e1lise, o Outro, esse Outro n\u00e3o \u00e9 exterior, \u00e9 \u00edntimo, mas experimentado como estranho \u2013da\u00ed \u00ab\u00eaxtimo\u00bb. Assim, desconectar-se desse Outro \u00e9 mais uma desconex\u00e3o com algo \u00edntimo, que atormenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 produtos dados a ver de modo maci\u00e7o, tal como a s\u00e9rie\u00a0<i>13 reasons why<\/i>, onde se oferece uma leitura do suic\u00eddio de uma jovem adolescente, Hannah, a partir da proposta de p\u00f4r a descoberto que s\u00e3o os outros os culpados dessa decis\u00e3o e for\u00e7\u00e1-los a assumir isso. As 13 cassetes em que a jovem deixa a mensagem parece ser: \u00abVou dizer-lhes o que voc\u00eas n\u00e3o souberam saber e fazer para evitar isso\u00bb. O Outro \u00e9 culpado desde o minuto 1 at\u00e9 o final! Bem como o chamado grosseiro a identificar-se com algum dos personagens de uma fic\u00e7\u00e3o que se desenvolve em um contexto muito distante de ser o de muitos jovens de nossas latitudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diriam voc\u00eas que este \u00e9 o modo de desvelar o que rasga o suic\u00eddio de um adolescente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revela-se paradoxal. Segundo o convite a comprometer-se de modo cada vez mais \u00abtransparente\u00bb proposto pela sociedade, teria sido poss\u00edvel deter Hannah sabendo tudo dela, comunicando-o, e se Hannah tivesse compartilhado seu mal-estar com muitos com todos&#8230;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso o que chamamos responsabilidade de cada sujeito? N\u00e3o me parece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participa melhor do mundo que torna tudo um espet\u00e1culo e quebra a \u00abquarta parede\u00bb para que entres no jogo, por\u00e9m para adormecer-te mais. Brecht se reviraria com este uso da tela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o aumento dos suic\u00eddios, mas o estado do mundo contempor\u00e2neo. Certamente leva \u00e0 tristeza, \u00e0 depress\u00e3o, \u00e0 falta de aspira\u00e7\u00f5es. O desejo, aplastado, se torna covardia moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como respondem os jovens? Com os recursos que podem. Tratam de armar la\u00e7os, se perguntam, se enla\u00e7am de maneiras que os adultos frequentemente n\u00e3o entendem. Mas necessitam de interlocutores que desejem acolher o que eles perguntam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes isso acontece. E vale a pena. Como em uma an\u00e1lise. Ou, como descobre a s\u00e9rie\u00a0<i>My mad fat diary<\/i>. Mas n\u00e3o vou falar dela. Simplesmente, a recomendo.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Udenio (EOL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1720,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[296,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1732"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1738,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1732\/revisions\/1738"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1732"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1732"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}