{"id":1733,"date":"2021-09-11T00:04:33","date_gmt":"2021-09-11T00:04:33","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?post_type=avada_portfolio&#038;p=1733"},"modified":"2021-09-11T00:04:33","modified_gmt":"2021-09-11T00:04:33","slug":"atacar-o-mais-intimo","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/portfolio-items\/atacar-o-mais-intimo\/","title":{"rendered":"Atacar o mais \u00edntimo"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\">Mirta Berkoff (EOL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">El problema del sujeto es que ese pa\u00eds extranjero es su pa\u00eds natal, lo m\u00e1s \u00edntimo de s\u00ed.<br \/>J.-A. Miller[1]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1721 alignleft\" src=\"http:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Mirta-Berkoff.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Mirta-Berkoff-66x66.jpg 66w, https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2021\/09\/28_Mirta-Berkoff.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Extimidade<\/strong><\/p>\n<p>Todo sujeito \u00e9 estranho ao seu ser mais \u00edntimo.<\/p>\n<p>Isso meu que faz ninho no Outro, esse punhado de gozo que me pertence, mas n\u00e3o est\u00e1 em mim, pode ser o mais familiar que possa encontrar no Outro, mas tamb\u00e9m o mais estranho.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 palavras para nome\u00e1-lo, \u00e9 um resto, que brilha para o desejo, mas a sua beleza vela o horror de um gozo inquietante, \u00ab\u00c9 algo que est\u00e1 em mim, mas que faz ninho no outro\u00bb. [2]<\/p>\n<p>\u00c9 a inclus\u00e3o do objeto a, o que resta da absor\u00e7\u00e3o da Coisa no Outro, um vac\u00faolo de tecido estranho, fonte do meu amor e do meu \u00f3dio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O complexo de intrus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em \u00abBate-se numa crian\u00e7a\u00bb[3] Freud destaca que este fantasma \u00e9 resposta ao desamparo subjetivo produzido pela apari\u00e7\u00e3o do rival. Quando nasce um irm\u00e3o, a crian\u00e7a se v\u00ea destronada, ca\u00edda do lugar que tinha e que a fazia acreditar ser algu\u00e9m da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o funciona como um intruso que joga a crian\u00e7a do topo da sua onipot\u00eancia. Ali o sujeito se capta em sua desapari\u00e7\u00e3o, fica sem recursos simb\u00f3licos,\u00a0<i>hilflosigkeit<\/i><i><img decoding=\"async\" id=\"Imagen 1\" src=\"http:\/\/www.asuntosdefamilia.com.ar\/pt\/ENAPOL%20TRAD%20M.%20BERKOFF%20_files\/image001.gif\" alt=\"https:\/\/ssl.gstatic.com\/ui\/v1\/icons\/mail\/images\/cleardot.gif\" width=\"1\" height=\"1\" \/><\/i>\u00a0freudiana.<\/p>\n<p>O sujeito neur\u00f3tico luta para n\u00e3o desaparecer, para n\u00e3o desvanecer, lan\u00e7ando m\u00e3o ao fantasma. Tanto Freud quanto Lacan afirmam que este fantasma aparece num momento em que a exist\u00eancia do sujeito se v\u00ea questionada.<\/p>\n<p>O sujeito perde o seu lugar, e se enfrenta ao vazio onde n\u00e3o tem nenhuma representa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel na l\u00edngua. N\u00e3o h\u00e1 no outro nenhum significante que possa responder pelo que \u00e9.<\/p>\n<p>Segundo Freud o fantasma se articula l\u00e1, a crian\u00e7a encontra como solu\u00e7\u00e3o ao problema do seu desaparecimento por causa do rival o fantasma de fustiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O aparecimento do irm\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o familiar tem o estatuto de uma intrus\u00e3o4 quando deixa de ser o simples semelhante no qual pode se refletir. Faz-se presente nele essa por\u00e7\u00e3o refrat\u00e1ria \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o que habita tanto nele quanto no sujeito e \u00e9 inassimil\u00e1vel.<\/p>\n<p>O semelhante como intruso \u00e9 altamente inquietante, \u00e9 o mais familiar, mas tamb\u00e9m o mais estranho. Freud o chamou\u00a0<i>unheimlich<\/i>\u00a0.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fraternidade e segrega\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Lacan no semin\u00e1rio 17 diz \u00abs\u00f3 conhe\u00e7o uma origem da fraternidade: a segrega\u00e7\u00e3o\u00bb.[2] \u00abA segrega\u00e7\u00e3o nunca acabou totalmente. Posso dizer-lhes que sempre encontrar\u00e1 a ocasi\u00e3o para enraizar mais e melhor. Nada pode funcionar sem isso enquanto o a\u2026 \u00e9 efeito da linguagem\u00bb.<\/p>\n<p>A segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 resposta do sujeito perante a intrus\u00e3o do diferente no semelhante. Exclui-se o que inquieta, o que n\u00e3o \u00e9 mais do que o pr\u00f3prio gozo alojado no Outro, o que resta da Coisa no Outro.<\/p>\n<p>Freud em \u00abPsicologia do escolar\u00bb[3] diz \u00abnossos colegas de escola s\u00e3o os sucessores de irm\u00e3os e irm\u00e3s\u00bb. A partir daqui \u00e9 f\u00e1cil ver que a rivalidade fraternal e seu complexo de intrus\u00e3o podem ser deslocados. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o unicamente a agressividade imagin\u00e1ria que se dirige ao semelhante e sim algo t\u00e3o complexo como a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se coloca em jogo o fantasma &#8216;batem numa crian\u00e7a&#8217; quando o colega \u00e9 um espelho inquietante, quando funciona como intruso fraterno cujo real n\u00e3o se reconhece?<\/p>\n<p>O colega aparece sendo portador desse gozo indiz\u00edvel que foi exclu\u00eddo. O colega \u00e9 segregado, pois seu gozo \u00e9 perturbador.<\/p>\n<p>Bate nele o segregado por estrutura. Ataco no meu colega meu ser mais \u00edntimo, meu\u00a0<i>Kakon<\/i>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><i>\u00abBullying\u00bb<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Na injuria do chamado \u00ab<i>bullying<\/i>\u00bb ataca-se o Outro em seu ser, sem saber que est\u00e1 se atacando de si mesmo o mais \u00edntimo. Humilha-o. Aponta-se no colega, que funciona como irm\u00e3o intruso ao indiz\u00edvel do pr\u00f3prio gozo, \u00abo que n\u00e3o se p\u00f4de integrar da pr\u00f3pria alteridade na imagem narcisista e unit\u00e1ria do eu\u00bb. [7]<\/p>\n<p>Essa rejei\u00e7\u00e3o ao gozo inassimil\u00e1vel no Outro \u00e9 o fundamento da segrega\u00e7\u00e3o. Como poderia o sujeito amar o seu colega, o Outro, como a si mesmo se n\u00e3o estamos no n\u00edvel do narcisismo, se o cora\u00e7\u00e3o de si mesmo \u00e9 o do seu gozo? Pois, \u00abbem\u00bb, diz Miller, \u00abisso n\u00e3o \u00e9 muito am\u00e1vel\u00bb.[9]<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, hoje, como vamos responder, n\u00f3s psicanalistas, \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o colocada \u00e0 ordem do dia, quando o resguardo do indiz\u00edvel do gozo falha e o sinistro retornam ao campo do sujeito?<\/p>\n<p>\u00abQualquer tentativa de domestica\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e3, pois \u00e9 s\u00f3 a tentativa de encontrar um significante que poderia adequadamente chamar o resto da coisa no Outro\u00bb.[10] Apostamos, entretanto, dar ao sujeito, atrav\u00e9s do discurso anal\u00edtico, a oportunidade de assumir que, a partir do golpe, percuss\u00e3o inicial no corpo, n\u00e3o h\u00e1 j\u00e1 no Outro nenhum significante que possa responder pelo que ele \u00e9.<\/p>\n<div class=\"NotasPie\">\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Ruth Cohen<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>Miller, J.-A. e outros,\u00a0<i>Desarraigados<\/i>. Buenos Aires: Paid\u00f3s. 2016.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Miller, J.-A.<i>\u00a0Extimidad<\/i>, Buenos Aires: Paid\u00f3s. 2010, p. 67.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Freud, S., (1919) Pegan a un ni\u00f1o. Contribuci\u00f3n al conocimiento de la g\u00e9nesis de las perversiones sexuales.\u00a0<i>Obras completas<\/i>, Tomo XVII. Buenos Aires: Amorrortu. 1997.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Lacan,J.\u00a0<i>La familia<\/i>, Buenos Aires: Argonauta. 1992.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Lacan J.\u00a0<i>El Seminario, libro 17, El reverso del Psicoan\u00e1lisis<\/i>. Buenos Aires: Paid\u00f3s.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Freud, S. (1914) Sobre la psicolog\u00eda del Colegial<i>. Obras completas.<\/i>\u00a0Tomo XIII. Buenos Aires: Amorrortu. 1997.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Bassols, M. A viol\u00eancia contra as mulheres. Extraido de Desescrits miquelbassols.blogspot.com.ar y Laurent. E, Racismo 2.0.\u00a0<i>Revista Consecuencias<\/i>\u00a012.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Miller, J.-A.\u00a0<i>El\u00a0<\/i>partenaire<i>-s\u00edntoma.\u00a0<\/i>Buenos Aires: Paid\u00f3s. 2008, p. 139.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Miller J.-A.\u00a0<i>Extimidad. Op. cit.<\/i>, p. 71.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mirta Berkoff (EOL)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1721,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[296,172],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1733"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1739,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/1733\/revisions\/1739"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=1733"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=1733"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=1733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}