{"id":868,"date":"2021-09-08T17:49:58","date_gmt":"2021-09-08T17:49:58","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?page_id=868"},"modified":"2021-09-08T17:57:23","modified_gmt":"2021-09-08T17:57:23","slug":"sigmund-freud","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/bibliografia-2\/sigmund-freud\/","title":{"rendered":"Sigmund Freud"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Bissexualidade (Identidade de g\u00eanero)<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>(\u2026) Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que se seja erroneamente levado a supor que um s\u00edmbolo sexual seja bissexual caso se esque\u00e7a de que, em alguns sonhos, h\u00e1 uma invers\u00e3o geral do sexo, de modo que o que \u00e9 masculino \u00e9 representado\u00bb como feminino, e vice-versa. Tais sonhos podem, por exemplo, expressar o desejo de uma mulher de ser homem. (Freud, 1974, p.382-383)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) A Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. V, p. 373-431. (Obra original publicada 1900-1901)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Podemos asseverar, em rela\u00e7\u00e3o a muitos sonhos, se forem cuidadosamente interpretados, que s\u00e3o bissexuais, visto que, indubitavelmente, admitem um a \u00absuperintepreta\u00e7\u00e3o os impulsos homossexuais de quem sonha s\u00e3o realizados- impulsos, vale dizer s\u00e3o contr\u00e1rias as suas atividades sexuais normais. (FREUD, 1974,p.423)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) A Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. V, p. 373-454. (Obra original publicada 1900-1901)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A teoria das psiconeuroses afirma como fato indiscut\u00edvel a invari\u00e1vel que apenas impulsos sexuais impregnados de desejo oriundos da inf\u00e2ncia, que experimentaram repress\u00e3o (isto \u00e9, uma transforma\u00e7\u00e3o de seu afeto) durante o per\u00edodo de desenvolvimento infantil, s\u00e3o capazes de ser revividos durante per\u00edodo de desenvolvimento\u00a0<i>posteriores(\u00a0<\/i>seja como resultado da constitui\u00e7\u00e3o sexual do sujeito, que se deriva de uma bissexualidade inicial, seja como resultado de influ\u00eancias desfavor\u00e1veis que atuam sobre o curso da vida sexual). (FREUD, VOL. p. 645)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) A Interpreta\u00e7\u00e3o dos Sonhos In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. V, p.611-660 (Obra original publicada 1900-1901)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Apesar de todos os nossos esfor\u00e7os para que a terminologia e as considera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas n\u00e3o dominassem o trabalho psicanal\u00edtico, n\u00e3o pudemos evitar o seu emprego mesmo na descri\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos que estudamos. N\u00e3o podemos deixar de considerar o termo &#8216;instinto&#8217; como um conceito fronteiri\u00e7o entre as esferas da psicologia e da biologia. Falamos tamb\u00e9m de atributos e impulsos mentais &#8216;masculinos&#8217; e &#8216;femininos&#8217;, embora, estritamente falando, as diferen\u00e7as entre os sexos n\u00e3o possam pretender nenhuma caracter\u00edstica ps\u00edquica especial. Aquilo de que falamos na vida comum como &#8216;masculino&#8217; e &#8216;feminino&#8217; reduz-se, do ponto de vista da psicologia, \u00e0s qualidades de &#8216;atividade&#8217; e &#8216;passividade&#8217; \u2013 isto \u00e9, a qualidades determinadas n\u00e3o pelos pr\u00f3prios instintos, mas por seus objetivos. A associa\u00e7\u00e3o regular destes &#8216;ativos&#8217; e &#8216;passivos&#8217; na vida mental reflete a bissexualidade dos indiv\u00edduos, que est\u00e1 entre os postulados cl\u00ednicos da psican\u00e1lise. (Freud, 1974, p.217) (Freud, 2006, p. 185)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O interesse da psican\u00e1lise para as ci\u00eancias n\u00e3o-psicol\u00f3gicas. O interesse biol\u00f3gico da psican\u00e1lise. O interesse cient\u00edfico da psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(vol. XIII, pp. 199-226). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El inter\u00e9s del psicoan\u00e1lisis para las ciencias no psicol\u00f3gicas. El inter\u00e9s biol\u00f3gico. El inter\u00e9s por el psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(vol. XIII, pp. 165-192). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Assim, pode-se descrever as crian\u00e7as como &#8216;perversos polimorfos&#8217; e, se estes impulsos apenas mostram tra\u00e7os de atividade, isso ocorre, por um lado, porque eles t\u00eam intensidade menor quando comparados com os da vida posterior e, por outro lado, porque todas as manifesta\u00e7\u00f5es sexuais de uma crian\u00e7a s\u00e3o prontamente, energicamente suprimidas pela educa\u00e7\u00e3o. (Freud, 1974, pp. 250-1) (Freud, 2006, p. 191)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XIII Aspectos arcaicos e infantilismo dos sonhos. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 239-254). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 13a conferencia Rasgos arcaicos e infantilismo del sue\u00f1o. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 182-194). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) ap\u00f3s tudo o que eu lhes disse, os senhores achar\u00e3o bastante incompreens\u00edvel uma afirma\u00e7\u00e3o de que todos os sonhos devem ser interpretados bissexualmente, como conflu\u00eancia de duas correntes, descritas como masculina e feminina (Adler [1910]). [Cf. I. de S., Vol. V, p\u00e1gs. 423-4.] Podem constatar posteriormente que eles se constr\u00f3em como alguns dos sintomas hist\u00e9ricos. A raz\u00e3o por que mencionei todas essas descobertas de novas caracter\u00edsticas universais dos sonhos \u00e9 para que os senhores estejam prevenidos quanto \u00e0s mesmas ou, ao menos, para que n\u00e3o tenham d\u00favidas a respeito do que penso delas. (Freud, 1974, p. 283) (Freud, 2006, p. 217)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XV Incertezas e cr\u00edticas. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 273-285). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 15a conferencia &#8211; Incertezas y cr\u00edticas. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud (<\/i>Vol. XV,pp. 209-219). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Uma outra complica\u00e7\u00e3o surge quando o fator constitucional que denominamos de bissexualidade se acha, comparativamente, fortemente desenvolvido numa crian\u00e7a, porque ent\u00e3o, sob a amea\u00e7a \u00e0 masculinidade do menino, por meio da castra\u00e7\u00e3o, sua inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 fortalecida a divergir no sentido da feminilidade, a colocar-se no lugar da m\u00e3e e assumir o papel desta como objeto do amor do pai. Mas o temor \u00e0 castra\u00e7\u00e3o torna essa solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m imposs\u00edvel. O menino entende que tamb\u00e9m deve submeter-se \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, se deseja ser amado pelo pai como se fosse uma mulher. Dessa maneira, ambos os impulsos, o \u00f3dio pelo pai e o amor pelo pai, experimentam repress\u00e3o. H\u00e1 uma certa distin\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do fato de o \u00f3dio pelo pai ser abandonado por causa do temor a um perigo externo (castra\u00e7\u00e3o), ao passo que o amor pelo pai \u00e9 tratado como um perigo interno, embora, fundamentalmente, remonte ao mesmo perigo externo.<\/p>\n<p>O que torna inaceit\u00e1vel o \u00f3dio pelo pai \u00e9 o temor a este: a castra\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel, seja como puni\u00e7\u00e3o ou como pre\u00e7o do amor. Dos dois fatores que reprimem o \u00f3dio pelo pai, o primeiro, ou seja, o medo direto da puni\u00e7\u00e3o e da castra\u00e7\u00e3o, pode ser chamado de anormal; sua intensifica\u00e7\u00e3o patog\u00eanica s\u00f3 pode surgir como acr\u00e9scimo do segundo fator, o temor \u00e0 atitude feminina. Dessa maneira, uma forte disposi\u00e7\u00e3o bissexual inata se torna uma das precondi\u00e7\u00f5es ou refor\u00e7os da neurose. (Freud, 1996, p. 189-90)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Dostoievski e o parric\u00eddio. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>(Vol. 21, pp. 183-198). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1928)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Antes de tudo, n\u00e3o pode haver d\u00favida de que a bissexualidade, presente, conforme acreditamos, na disposi\u00e7\u00e3o inata dos seres humanos, vem para o primeiro plano muito mais claramente nas mulheres do que nos homens. Um homem, afinal de contas, possui apenas uma zona sexual principal, um s\u00f3 \u00f3rg\u00e3o sexual, ao passo que a mulher tem duas: a vagina, ou seja, o \u00f3rg\u00e3o genital propriamente dito, e o clit\u00f3ris, an\u00e1logo ao \u00f3rg\u00e3o masculino. (Freud, 1996, p. 236)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Sexualidade feminina. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>(Vol. 21, pp. 233-251). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1931)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando encontram um ser humano, a primeira distin\u00e7\u00e3o que fazem \u00e9 &#8216;homem ou mulher&#8217;? e os senhores est\u00e3o habituados a fazer essa distin\u00e7\u00e3o com certeza total. (&#8230;) Depois a ci\u00eancia diz-lhes algo que se op\u00f5e \u00e0s expectativas dos senhores e por certo haver\u00e1 de confundir seus sentimentos. Chama a aten\u00e7\u00e3o dos senhores para o fato de que partes do aparelho sexual masculino tamb\u00e9m aparecem no corpo da mulher, ainda que atrofiado, e vice-versa. Considera tais ocorr\u00eancias como indica\u00e7\u00f5es de\u00a0<i>bissexualidade<\/i>,como se um indiv\u00edduo n\u00e3o fosse homem ou mulher, mas sempre fosse ambos \u2013 simplesmente um pouco mais de um, do que de outro. (Freud, 1996, p. 114-115)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXIII: Feminilidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>\u00a0(Vol. 22, p. 113-134). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) o desenvolvimento da feminilidade permanece exposto a perturba\u00e7\u00f5es motivadas pelos fen\u00f4menos residuais do per\u00edodo masculino inicial. Muito frequentemente ocorrem regress\u00f5es \u00e0s fixa\u00e7\u00f5es das fases pr\u00e9-edipianas; no transcorrer da vida de algumas mulheres existe uma repetida altern\u00e2ncia entre per\u00edodos em que ora a masculinidade, ora a feminilidade, predominam. Determinada parte disso que n\u00f3s, homens, chamamos de &#8216;o enigma da mulher&#8217;, pode, talvez, derivar-se dessa express\u00e3o da bissexualidade da mulher. (Freud, 1996, p. 130)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXIII: Feminilidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>\u00a0(Vol. 22, p. 113-134). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Para distinguir entre masculino e feminino, na vida mental, usamos o que \u00e9, sem d\u00favida alguma, uma equa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, convencional e inadequada: chamamos de masculino tudo que \u00e9 forte e ativo, e de feminino tudo que \u00e9 fraco e passivo. Esse fato da bissexualidade psicol\u00f3gica dificulta tamb\u00e9m todas as nossas investiga\u00e7\u00f5es sobre o assunto e torna-as mais dif\u00edceis de descrever. (Freud, 1996, p. 201)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Esbo\u00e7o de psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>\u00a0(Vol. 23, p. 157-221). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1940)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Estranho Familiar<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Mas a rela\u00e7\u00e3o causal entre o trauma ps\u00edquico determinante e o fen\u00f4meno hist\u00e9rico, n\u00e3o \u00e9 de uma natureza que implique que o trauma meramente atua como\u00a0<i>agent provocateur<\/i>\u00a0na libera\u00e7\u00e3o do sintoma, que passa a levar uma exist\u00eancia independente.<\/p>\n<p>Devemos antes presumir que o trauma ps\u00edquico \u2013 ou, mais precisamente, a lembran\u00e7a do trauma \u2013 age como um corpo estranho que, muito depois de sua entrada, deve continuar a ser considerado como um agente que ainda est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o; encontramos a prova disso num fen\u00f4meno invulgar que, ao mesmo tempo, traz um importante interesse pr\u00e1tico para nossas descobertas.<\/p>\n<p>\u00c9 que verificamos, a princ\u00edpio com grande surpresa, que cada sintoma hist\u00e9rico individual desaparecia, de forma imediata e permanente (&#8230;). (FREUD, 1974, p.46-47).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Sobre o mecanismo ps\u00edquico dos fen\u00f4menos hist\u00e9ricos: Comunica\u00e7\u00e3o Preliminar J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>, Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. II, p. 43-59. (Obra original publicada 1893-1895)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Fam\u00edlia (pai, m\u00e3e)<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>A\u00a0<i>Lucerna<\/i>\u00a0relaciona-se com o pensamento do ver\u00e3o que Veronika passou com os patr\u00f5es\u00a0<i>nas vizinhan\u00e7as da cidade de Lucerna<\/i>, junto ao lago do mesmo nome. A\u00a0<i>Guarda Su\u00ed\u00e7a<\/i>, por sua vez, lembra que ela n\u00e3o s\u00f3 sabia fazer tirania para com as crian\u00e7as, como tamb\u00e9m para com os adultos da fam\u00edlia, assumindo [<i>sich gefallen<\/i>] o papel de &#8216;Garde-Dame [governanta, dama de companhia, literalmente &#8216;guarda de senhoras&#8217;]. (Freud, 1974, p. 51)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O esquecimento de nomes e sequ\u00eancias de palavras. Psicopatologia da vida cotidiana. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VI, pp. 13-332, (obra original publicada 1901).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando um membro de minha fam\u00edlia se queixa de ter mordido a l\u00edngua, imprensado um dedo etc., n\u00e3o recebe de mim a compaix\u00e3o esperada, mas sim a pergunta: \u00abPor que voc\u00ea fez isso? (Freud, 1974, p.221)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) Atos descuidados. Psicopatologia da vida cotidiana. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.) Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol, VI, p. 13-332, (obra original publicada 1901).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O professor da escola de uma cidade de veraneio, um jovem completamente pobre mas bonito, persistiu em cortejar a filha do propriet\u00e1rio de uma mans\u00e3o, que vinha da capital, at\u00e9 a jovem apaixonar-se intensamente por ele e mesmo persuadir a fam\u00edlia a conceder a aprova\u00e7\u00e3o para o casamento, apesar das diferen\u00e7as de posi\u00e7\u00e3o social e de ra\u00e7a. (Freud, 1974, p.270)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974<i>)\u00a0<\/i>Erros. Psicopatologia da vida cotidiana. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VI, p. 13-332, (obra original publicada 1901).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>As simpatias da pr\u00f3pria mo\u00e7a, que, como disse, tornou-se minha paciente aos dezoito anos, sempre penderam para o lado paterno da fam\u00edlia e, desde que ca\u00edra doente ela tomara como modelo a tia que acabei de mencionar. N\u00e3o podia haver d\u00favida, tamb\u00e9m, de que fora da fam\u00edlia do pai que ela derivara n\u00e3o s\u00f3 seus dotes naturais e sua precocidade intelectual como tamb\u00e9m a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a. N\u00e3o cheguei a conhecer sua m\u00e3e. Dos relatos que me foram feitos pela mo\u00e7a e seu pai fui levado a imagin\u00e1-la como uma mulher inculta e acima de tudo f\u00fatil, que tinha concentrado todo seu interesse nos assuntos dom\u00e9sticos, especialmente a partir da doen\u00e7a do marido e do alheamento que tinha de tal doen\u00e7a. Ela representava o quadro que poderia ser chamado \u00abpsicose dom\u00e9stica\u00bb. N\u00e3o compreendia os interesses mais ativos dos filhos e ocupava-se o dia todo em varrer a casa e limpar os m\u00f3veis (&#8230;). (Freud, 1974, p. 18)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, pp. 1-119, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Ela, de modo evidente, n\u00e3o estava satisfeita consigo mesma nem com a fam\u00edlia; sua atitude em rela\u00e7\u00e3o ao pai era inamistosa, e mantinha p\u00e9ssimas rela\u00e7\u00f5es com a m\u00e3e que estava determinada a faz\u00ea-la participar dos trabalhos de casa. (Freud, 1974, p.21)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972<i>)\u00a0<\/i>Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII p. 1-119 (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(Por tr\u00e1s desse seu desejo, \u00abQuero que Mariedl durma conosco\u00bb, evidentemente residia um outro desejo: \u00abEu quero que Mariedl\u00bb (com quem ele gostava tanto de estar) \u00abfa\u00e7a parte de nossa fam\u00edlia. \u00bb O pai e a m\u00e3e de Hans, todavia, tinham o h\u00e1bito de lev\u00e1-lo para a cama deles, embora apenas ocasionalmente; e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que estar ao lado deles haja despertado nele sentimentos er\u00f3ticos; assim \u00e9 que tamb\u00e9m seu desejo de dormir com Mariedl tinha um sentido er\u00f3tico. Deitar na cama com seu pai e sua m\u00e3e era, para Hans, uma fonte de sentimentos er\u00f3ticos, do mesmo modo que para qualquer outra crian\u00e7a. (Freud, 1974, p.27)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 13-158 (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O comportamento de Hans em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova chegada (&#8230;). Na sua febre, poucos dias mais tarde, deixou escapar qu\u00e3o pouco gostava do acr\u00e9scimo \u00e0 fam\u00edlia. A afei\u00e7\u00e3o por sua irm\u00e3 podia vir mais tarde, mas sua primeira atitude foi de hostilidade. Dessa \u00e9poca em diante o medo de que ainda pudesse chegar outro beb\u00ea encontrou lugar entre os seus pensamentos conscientes. (Freud, 1974, p.120-121)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 13-158, (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Casal<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>O marido \u00e9, quase sempre, por assim dizer, apenas um substituto, nunca o homem certo; \u00e9 outro homem \u2013 nos casos t\u00edpicos o pai \u2013 que primeiro tem direito ao amor da mulher, o marido quando muito ocupa o segundo lugar. Depende de qu\u00e3o intensa seja essa fixa\u00e7\u00e3o e de qu\u00e3o obstinadamente ela seja conservada, quer ou n\u00e3o o substituto seja rejeitado como insatisfat\u00f3rio. A frigidez inclui-se, assim, entre os determinantes gen\u00e9ticos das neuroses. Quanto mais poderoso o elemento ps\u00edquico na vida sexual de uma mulher, maior ser\u00e1 a capacidade de resist\u00eancia demonstrada por sua distribui\u00e7\u00e3o da libido \u00e0 revolta contra o primeiro ato sexual, e menos esmagador ser\u00e1 o efeito que sua posse corporal pode produzir. A frigidez pode, ent\u00e3o, se estabelecer como uma inibi\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica ou fornecer a base para o desenvolvimento de outras neuroses e, at\u00e9 mesmo, uma pequena diminui\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia no homem contribuir\u00e1 grandemente para influir nesse processo. (Freud, 1974, p. 188) (Freud, 2006, p. 199)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O tabu da virgindade (contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 psicologia do amor III). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 175-192). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1918).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El tab\u00fa de la virginidad (contribuiciones a la psicolog\u00eda del amor, III).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 185-204). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1918).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Complexo parental<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Sadger (1912) demonstrou, em uma an\u00e1lise penetrante, como Hebbel foi influenciado em sua escolha do material por seu pr\u00f3prio complexo paterno, e como chegou a tomar a defesa da mulher t\u00e3o freq\u00fcentemente, na luta entre os sexos, e a sentir seu caminho nos impulsos mais ocultos de sua mente. (&#8230;) N\u00e3o pretendo contestar a explica\u00e7\u00e3o que Sadger d\u00e1 ao fato de Judite, que segundo a narrativa da B\u00edblia \u00e9 uma vi\u00fava, ter de se transformar em uma vi\u00fava virgem. Ele se refere \u00e0 finalidade encontrada nas fantasias infantis de negar as rela\u00e7\u00f5es sexuais dos pais e de transformar a m\u00e3e em uma virgem ilesa. (Freud, 1974, p. 192) (Freud, 2006, p. 202-3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O tabu da virgindade (contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 psicologia do amor III). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 175-192). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1918).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El tab\u00fa de la virginidad (contribuiciones a la psicolog\u00eda del amor, III).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 185-204). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1918).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Entre o acervo de fantasias inconscientes de todos os neur\u00f3ticos, e provavelmente de todos os seres humanos, existe uma que raramente se acha ausente e que pode ser revelada pela an\u00e1lise: \u00e9 a fantasia de observar as rela\u00e7\u00f5es sexuais dos pais. Chamo tais fantasias \u2013 da observa\u00e7\u00e3o do ato sexual dos pais, da sedu\u00e7\u00e3o, da castra\u00e7\u00e3o e outras \u2013 de &#8216;fantasias primevas&#8217;; examinarei, em outro lugar, com detalhes, sua origem e sua rela\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia individual. (Freud, 1974, p. 303) (Freud, 2006, p. 268-9)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Um caso de paran\u00f3ia que contraria a teoria psicanal\u00edtica da doen\u00e7a. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 297-307). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1915).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un caso de paranoia que contradice la teor\u00eda psicoanal\u00edtica.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV,pp. 259-272). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1915).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Complexo de \u00c9dipo<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>A crian\u00e7a toma ambos os genitores, e particularmente um deles, como objeto de seus desejos er\u00f3ticos. Em geral o incitamento vem dos pr\u00f3prios pais, cuja ternura possui o mais n\u00edtido car\u00e1ter de atividade sexual, embora inibido em suas finalidades. O pai em regra tem prefer\u00eancia pela filha, a m\u00e3e pelo filho: a crian\u00e7a reage desejando o lugar do pai se \u00e9 menino, o da m\u00e3e se se trata da filha. Os sentimentos nascidos destas rela\u00e7\u00f5es entre pais e filhos e entre um irm\u00e3o e outros, n\u00e3o s\u00e3o somente de natureza positiva, de ternura, mas tamb\u00e9m negativos, de hostilidade. O complexo assim formado \u00e9 destinado a pronta repress\u00e3o, por\u00e9m continua a agir do inconsciente com intensidade e persist\u00eancia. Devemos declarar que suspeitamos represente ele, com seus derivados, o complexo nuclear de cada neurose, e nos predispusemos a encontr\u00e1-lo n\u00e3o menos ativo em outros campos da vida mental. O mito do rei \u00c9dipo que, tendo matado o pai, tomou a m\u00e3e por mulher, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o pouco modificada do desejo infantil, contra o qual se levantam mais tarde, como repulsa, as barreiras do incesto. (Freud, 1974, p. 43-4) (Freud, 2006, p. 43)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Cinco li\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise. Quarta li\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 38-45). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Cinco conferencias sobre psicoan\u00e1lisis. IV.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 36-44). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) os come\u00e7os da religi\u00e3o, da moral, da sociedade e da arte convergem para o complexo de \u00c9dipo. Isso entra em completo acordo com a descoberta psicanal\u00edtica de que o mesmo complexo constitui o n\u00facleo de todas as neuroses, pelo menos at\u00e9 onde vai nosso conhecimento atual. Parece-me ser uma descoberta muito supreendente que tamb\u00e9m os problemas da psicologia social se mostrem sol\u00faveis com base num \u00fanico ponto concreto: \u2013 a rela\u00e7\u00e3o do homem com o pai. (Freud, 1974, p. 185-6) (Freud, 2006, p. 158)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando \u00e9 ainda uma crian\u00e7a, um filho j\u00e1 come\u00e7a a desenvolver afei\u00e7\u00e3o particular por sua m\u00e3e, a quem considera como pertencente a ele; come\u00e7a a sentir o pai como rival que disputa sua \u00fanica posse. E da mesma forma uma menininha considera sua m\u00e3e como uma pessoa que interfere na sua rela\u00e7\u00e3o afetuosa com o pai e que ocupa uma posi\u00e7\u00e3o que ela mesma poderia muito bem ocupar. A observa\u00e7\u00e3o nos mostra a qu\u00e3o precoces anos essas atitudes remontam. A essas atitudes chamamos de &#8216;complexo de \u00c9dipo&#8217;, visto que a lenda de \u00c9dipo materializa, com apenas uma leve atenua\u00e7\u00e3o, os dois desejos extremos origin\u00e1rios na situa\u00e7\u00e3o do filho \u2013 matar o pai e tomar a m\u00e3e como esposa. N\u00e3o pretendo afirmar que o complexo de \u00c9dipo engloba toda a rela\u00e7\u00e3o dos filhos com os pais: esta pode ser muito mais complexa. O complexo de \u00c9dipo, ademais disso, pode estar desenvolvido em maior ou menor intensidade, pode at\u00e9 mesmo estar invertido; mas constitui fator constante e importante na vida mental de uma crian\u00e7a, e existe maior risco de, antes, subestimarmos, do que superestimarmos sua influ\u00eancia e a dos desenvolvimentos que nele se originam. (Freud, 1974, p. 248) (Freud, 2006, p. 189)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XIII Aspectos arcaicos e infantilismo dos sonhos. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 239-254). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 13a conferencia Rasgos arcaicos e infantilismo del sue\u00f1o. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 182-194). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A fam\u00edlia constituiu uma restaura\u00e7\u00e3o da antiga horda primeva e devolveu aos pais uma grande parte de seus antigos direitos. Mais uma vez apareceram pais, mas as conquistas sociais do cl\u00e3 fraterno n\u00e3o foram abandonadas; e a dist\u00e2ncia existente entre os novos pais de uma fam\u00edlia e o irrefreado pai primevo da horda era suficientemente grande para garantir a continuidade do anseio religioso, a persist\u00eancia de uma saudade n\u00e3o apaziguada do pai. (Freud, 1974, p. 178) (Freud, 2006, 151)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Heran\u00e7a familiar<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>A psicologia social em geral mostra muito pouco interesse pela maneira atrav\u00e9s da qual se estabelece a continuidade exigida pela vida mental de sucessivas gera\u00e7\u00f5es. Uma parte do problema parece ser respondida pela heran\u00e7a de disposi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que, no entanto, necessitam receber alguma esp\u00e9cie de \u00edmpeto na vida do indiv\u00edduo antes de poderem ser despertadas para o funcionamento real. Pode ser este o significado das palavras do poeta:<\/p>\n<p><i>Was du ererbt von deinen V\u00e4tern hast,<\/i><\/p>\n<p><i>Erwib es, um es zu besitzen<\/i>. (Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para faz\u00ea-lo teu). (Freud, 1974, p. 187-8) (Freud, 2006, p. 159)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Inf\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Parece que a inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 bem esse id\u00edlio bem-aventurado que retrospectivamente destorcemos; ao contr\u00e1rio, as crian\u00e7as durante toda a sua inf\u00e2ncia sentem-se fustigadas pelo desejo de crescer e de fazer o que fazem os grandes. Este desejo reflete-se em todas as brincadeiras. Sempre que as crian\u00e7as sentem, no curso de suas explora\u00e7\u00f5es sexuais, que, nesse terreno t\u00e3o misterioso e t\u00e3o importante para elas, existe alguma coisa maravilhosa permitida aos adultos, mas que elas est\u00e3o proibidas de conhecer e de fazer, sentem um desejo violento de ser capazes de faz\u00ea-lo e sonham-no sob a forma de voar, ou preparam este disfarce de seu desejo para ser usado mais tarde em seus sonhos de voar. (Freud, 1974, p. 115) (Freud, 2006, p. 117)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 53-124). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un recuerdo infantil de Leonardo da Vinci.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 53-128). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Se prestarmos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 atitude de pais afetuosos para com os filhos, temos de reconhecer que ela \u00e9 uma revivesc\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio narcisismo, que de h\u00e1 muito abandonaram. (&#8230;) Assim eles se acham sob a compuls\u00e3o de atribuir todas as perfei\u00e7\u00f5es ao filho \u2013 o que uma observa\u00e7\u00e3o s\u00f3bria n\u00e3o permitiria \u2013 e de ocultar e esquecer todas as defici\u00eancias dele. (Incidentalmente, a nega\u00e7\u00e3o da sexualidade nas crian\u00e7as est\u00e1 relacionada a isso.) Al\u00e9m disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da crian\u00e7a, o funcionamento de todas as aquisi\u00e7\u00f5es culturais que seu pr\u00f3prio narcisismo foi for\u00e7ado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindica\u00e7\u00f5es aos privil\u00e9gios de h\u00e1 muito por eles pr\u00f3prios abandonados. A crian\u00e7a ter\u00e1 mais divertimentos que seus pais; ela n\u00e3o ficar\u00e1 sujeita \u00e0s necessidades que eles reconheceram como supremas na vida. A doen\u00e7a, a morte, a ren\u00fancia ao prazer, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 sua vontade pr\u00f3pria n\u00e3o a atingir\u00e3o; as leis da natureza e da sociedade ser\u00e3o ab-rogadas em seu favor; ela ser\u00e1 mais uma vez realmente o centro e o \u00e2mago da cria\u00e7\u00e3o \u2013 &#8216;Sua Majestade o Beb\u00ea&#8217;, como outrora n\u00f3s mesmos nos imagin\u00e1vamos. A crian\u00e7a concretizar\u00e1 os sonhos dourados que os pais jamais realizaram \u2013 o menino se tornar\u00e1 um grande homem e um her\u00f3i em lugar do pai, e a menina se casar\u00e1 com um pr\u00edncipe como compensa\u00e7\u00e3o para sua m\u00e3e. No ponto mais sens\u00edvel do sistema narcisista, a imortalidade do ego, t\u00e3o oprimida pela realidade, a seguran\u00e7a \u00e9 alcan\u00e7ada por meio do ref\u00fagio na crian\u00e7a. O amor dos pais, t\u00e3o comovedor e no fundo t\u00e3o infantil, nada mais \u00e9 sen\u00e3o o narcisismo dos pais renascido, o qual, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior. (Freud, 1974, p. 107-8) (Freud, 2006, p. 87-8)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Sobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 85-119). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Introducci\u00f3n del narcisismo.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 65-98). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>No tocante \u00e0s crian\u00e7as, \u00e9 f\u00e1cil observar que muitas vezes s\u00e3o propositadamente &#8216;travessas&#8217; para provarem o castigo, e ficam quietas e contentes depois de terem sido punidas. Frequentemente, a investiga\u00e7\u00e3o anal\u00edtica posterior pode situar-nos na trilha do sentimento de culpa que as induziu a procurarem puni\u00e7\u00e3o. (Freud, 1974, p. 376) (Freud, 2006, 339)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Criminosos em consequ\u00eancia de um sentimento de culpa. Alguns tipos de car\u00e1ter encontrados no trabalho psicanal\u00edtico. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 375-377). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Los que delinquen por conciencia de culpa. Algunos tipos de car\u00e1cter dilucidados por el trabajo psicoanal\u00edtico.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 338-340). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O amor da m\u00e3e pela crian\u00e7a que ela mesma amamenta e cuida \u00e9 muito mais profundo que o que sente, mais tarde, pela crian\u00e7a em seu per\u00edodo de crescimento. Sua natureza \u00e9 a de uma rela\u00e7\u00e3o amorosa plenamente satisfat\u00f3ria, que n\u00e3o somente gratifica todos os desejos mentais mas tamb\u00e9m todas as necessidades f\u00edsicas; e se isto representa uma das formas poss\u00edveis da felicidade humana, em parte ser\u00e1 devido \u00e0 possibilidade que oferece de satisfazer, sem reprova\u00e7\u00e3o, desejos impulsivos h\u00e1 muito reprimidos e que podem ser considerados como perversos. (Freud, 1974, p. 105-6) (Freud, 2006, p. 109)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 53-124). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un recuerdo infantil de Leonardo da Vinci.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 53-128). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>M\u00e3e<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>O amor da crian\u00e7a por sua m\u00e3e n\u00e3o pode mais continuar a se desenvolver conscientemente \u2013 ele sucumbe \u00e0 repress\u00e3o. O menino reprime seu amor pela m\u00e3e; coloca-se em seu lugar, identifica-se com ela, e toma a si pr\u00f3prio como um modelo a que devem assemelhar-se os novos objetos de seu amor. Desse modo ele transformou-se num homossexual. O que de fato aconteceu foi um retorno ao autoerotismo, pois os meninos que ele agora ama \u00e0 medida que cresce, s\u00e3o, apenas, figuras substitutivas e lembran\u00e7as de si pr\u00f3prio durante sua inf\u00e2ncia \u2013 meninos que ele ama da maneira que sua m\u00e3e o amava quando era ele uma crian\u00e7a. Encontram seus objetos de amor segundo o modelo do narcisismo, pois Narciso, segundo a lenda grega, era um jovem que preferia sua pr\u00f3pria imagem a qualquer outra, e foi assim transformado na bela flor do mesmo nome. (Freud, 1974, p. 92) (Freud, 2006, p. 93)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 53-124). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un recuerdo infantil de Leonardo da Vinci.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 53-128). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A \u00e2nsia de salvar a pessoa amada parece conduzir a uma rela\u00e7\u00e3o, apenas, vaga e superficial, e plenamente explicada por motivos conscientes, com essas fantasias que acabaram por dominar o amor do homem na vida real. (&#8230;) Entretanto, o estudo das lembran\u00e7as encobridoras das pessoas, fantasias e sonhos noturnos, revela que deparamos, aqui, com uma `racionaliza\u00e7\u00e3o&#8217; especialmente oportuna de um motivo inconsciente, um processo que pode ser comparado \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria bem- sucedida de um sonho. No fato real, o `tema-salvamento&#8217; tem um significado e um hist\u00f3rico pr\u00f3prios, e \u00e9 um derivativo independente do complexo materno ou, mais exatamente, do complexo parental. Quando a crian\u00e7a ouve dizer que deve sua vida aos pais, ou que sua m\u00e3e lhe deu a vida, seus sentimentos de ternura aliam-se a impulsos que lutam pelo poder e pela independ\u00eancia, e geram o desejo de retribuir essa d\u00e1diva aos pais e de compens\u00e1-los com outra de igual valor. (&#8230;)<\/p>\n<p>\u00c9 devido a todas essas conex\u00f5es entre o tema-salvamento e o complexo parental que a \u00e2nsia de salvar a pessoa amada constitui uma caracter\u00edstica importante do tipo de amor que vimos estudando. (Freud, 1974, p. 155-7) (Freud, 2006, p. 165-7)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (Contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor I). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 147-157). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Sobre un tipo particular de elecci\u00f3n de objeto en el hombre (Contribuiciones a la psicologia del amor, I).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 155-168). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A corrente afetiva \u00e9 a mais antiga das duas. Contitui-se nos primeiros anos da inf\u00e2ncia; forma-se na base dos interesses do instinto de autopreserva\u00e7\u00e3o e se dirige aos membros da fam\u00edlia e aos que cuidam da crian\u00e7a. Desde o in\u00edcio, leva consigo contribui\u00e7\u00f5es dos instintos sexuais \u2013 componentes de interesse er\u00f3tico \u2013 que j\u00e1 se podem observar, de maneira mais ou menos clara, mesmo na inf\u00e2ncia, e que se descobrem de algum modo mais tarde nos neur\u00f3ticos atrav\u00e9s da psican\u00e1lise. Corresponde \u00e0 escolha de objeto, prim\u00e1ria, da crian\u00e7a. (Freud, 1974, p. 164) (Freud, 2006, p. 174)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Sobre a tend\u00eancia universal \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o na esfera do amor (contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor II). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 159-173). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1912).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Sobre la m\u00e1s generalizada degradaci\u00f3n de la vida amorosa (Contribuiciones a la psicologia del amor, II).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 169-184). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1912).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Os instintos sexuais est\u00e3o, de in\u00edcio, ligados \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos instintos do ego; somente depois \u00e9 que eles se tornam independentes destes, e mesmo ent\u00e3o encontramos uma indica\u00e7\u00e3o dessa vincula\u00e7\u00e3o original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma crian\u00e7a s\u00e3o as pessoas que se preocupam com sua alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados e prote\u00e7\u00e3o: isto \u00e9, no primeiro caso, sua m\u00e3e ou quem quer que a substitua. (Freud, 1974, p. 103-4) (Freud, 2006, p. 84)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Sobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 85-119). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Introducci\u00f3n del narcisismo.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 65-98). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando uma m\u00e3e obsta ou det\u00e9m a atividade sexual de uma filha, est\u00e1 realizando uma fun\u00e7\u00e3o normal cujos fundamentos s\u00e3o estabelecidos pelos eventos na inf\u00e2ncia, cujos motivos s\u00e3o perigosos e inconscientes, e que recebeu a san\u00e7\u00e3o da sociedade. Constitui tarefa da filha emancipar-se dessa influ\u00eancia e resolver por si mesma, num terreno amplo e racional, qual dever\u00e1 ser sua parcela de frui\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o do prazer sexual. Se, na tentativa de emancipar-se, vier a ser v\u00edtima de uma neurose, isso implica a presen\u00e7a de um complexo materno que, em geral, \u00e9 superpoderoso e por certo n\u00e3o dominado. O conflito entre esse complexo e a nova dire\u00e7\u00e3o tomada pela libido \u00e9 tratado sob a forma de uma ou outra neurose, segundo a disposi\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. A manifesta\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica ser\u00e1 sempre determinada, contudo, n\u00e3o por sua rela\u00e7\u00e3o atual com o que sua m\u00e3e \u00e9 hoje, mas pelas rela\u00e7\u00f5es infantis com sua imagem mais antiga da m\u00e3e. (Freud, 1974, p. 301-2) (Freud, 2006, p. 267)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Um caso de paranoia que contraria a teoria psicanal\u00edtica da doen\u00e7a. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV, pp. 297-307). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1915).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un caso de paranoia que contradice la teor\u00eda psicoanal\u00edtica.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIV,pp. 259-272). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1915).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A filha encontra em sua m\u00e3e a autoridade que restringe sua vontade e que est\u00e1 incumbida da tarefa de impor-lhe a ren\u00fancia \u00e0 liberdade sexual, ren\u00fancia que tamb\u00e9m a sociedade exige; em alguns casos, a filha encontra em sua m\u00e3e at\u00e9 mesmo uma competidora que luta por n\u00e3o ser suplantada. (Freud, 1974, p. 246) (Freud, 2006, 188)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XIII Aspectos arcaicos e infantilismo dos sonhos. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 239-254). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 13a conferencia Rasgos arcaicos e infantilismo del sue\u00f1o. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 182-194). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Pai<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Texto Completo<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) nos pacientes masculinos, a maioria das resist\u00eancias importantes ao tratamento parecem derivar-se do complexo paterno e expressar-se neles no medo ao pai, desobedi\u00eancia ao pai e desaven\u00e7a do pai. (Freud, 1974, p. 130) (Freud, 2006, p. 136)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). As perspectivas futuras da terap\u00eautica psicanal\u00edtica. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 125-136). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El tab\u00fa de la virginidad (contribuiciones a la psicolog\u00eda del amor, III).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 129-142). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A psican\u00e1lise tornou conhecida a \u00edntima conex\u00e3o existente entre o complexo do pai e a cren\u00e7a em Deus. Fez-nos ver que um Deus pessoal nada mais \u00e9, psicologicamente, do que uma exalta\u00e7\u00e3o do pai, e diariamente podemos observar jovens que abandonam suas cren\u00e7as religiosas logo que a autoridade paterna se desmorona. Verificamos, assim, que as ra\u00edzes da necessidade de religi\u00e3o se encontram no complexo parental. O Deus todo-poderoso e justo e a Natureza bondosa aparecem-nos como magnas sublima\u00e7\u00f5es do pai e da m\u00e3e, ou melhor, como reminisc\u00eancia e restaura\u00e7\u00f5es das id\u00e9ias infantis sobre os mesmos.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as neur\u00f3ticas, que a religi\u00e3o concede a seus crentes, \u00e9 facilmente explic\u00e1vel: ela afasta o complexo paternal, do qual depende o sentimento de culpa, quer no indiv\u00edduo quer na totalidade da ra\u00e7a humana, resolvendo-o para ele, enquanto o incr\u00e9dulo tem de resolver sozinho o seu problema. (Freud, 1974, p. 112-3) (Freud, 2006, p. 115)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Leonardo da Vinci e uma lembran\u00e7a de sua inf\u00e2ncia. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 53-124). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Un recuerdo infantil de Leonardo da Vinci.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI,pp. 53-128). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O modelo no qual os paran\u00f3icos baseiam seus del\u00edrios de persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a com o pai. A imagem que um filho faz do pai \u00e9 habitualmente investida de poderes excessivos desta esp\u00e9cie e descobre-se que a desconfian\u00e7a do pai est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 admira\u00e7\u00e3o por ele. Quando um paranoico transforma a figura de um de seus associados num \u00abperseguidor\u00bb, est\u00e1 elevando-o \u00e0 categoria de pai; est\u00e1 colocando-o numa posi\u00e7\u00e3o em que possa culp\u00e1-lo por todos os seus infort\u00fanios. Assim esta segunda analogia entre selvagens e neur\u00f3ticos nos d\u00e1 um vislumbre de que grande parte da atitude de um selvagem para com seu governante prov\u00e9m da atitude infantil de uma crian\u00e7a para com o pai. (Freud, 1974, p. 71) (Freud, 2006, p. 56)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Tabu e ambival\u00eancia emocional. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 38-96). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El tab\u00fa y la ambivalencia de las mociones de sentimiento. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 27-78). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A psican\u00e1lise revelou que o animal tot\u00eamico \u00e9, na realidade, um substituto do pai e isto entra em acordo com o fato contradit\u00f3rio de que, embora a morte do animal seja em regra proibida, sua matan\u00e7a, no entanto, \u00e9 uma ocasi\u00e3o festiva \u2013 com o fato de que ele \u00e9 morto e, entretanto, pranteado. A atitude emocional ambivalente, que at\u00e9 hoje caracteriza o complexo-pai em nossos filhos e com tanta freq\u00fc\u00eancia persiste na vida adulta, parece estender-se ao animal tot\u00eamico em sua capacidade de substituto do pai. (Freud, 1974, p. 169) (Freud, 2006, p. 143)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) a tumultuosa malta de irm\u00e3os estava cheia dos mesmos sentimentos contradit\u00f3rios que podemos perceber em a\u00e7\u00e3o nos complexos-pai ambivalentes de nossos filhos e de nossos pacientes neur\u00f3ticos. Odiavam o pai, que representava um obst\u00e1culo t\u00e3o formid\u00e1vel ao seu anseio de poder e aos desejos sexuais; mas amavam-no e admiravam-no tamb\u00e9m. (Freud, 1974, p. 171) (Freud, 2006, p. 145)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) descobrimos que a ambival\u00eancia impl\u00edcita no complexo-pai persiste geralmente no totemismo e nas religi\u00f5es. A religi\u00e3o tot\u00eamica n\u00e3o apenas compreendia express\u00f5es de remorso e tentativas de expia\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m servia como recorda\u00e7\u00e3o do triunfo sobre o pai. (Freud, 19974, p. 174) (Freud, 2006, p. 147)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O retorno do totemismo na inf\u00e2ncia. Totem e Tabu. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 125-191). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). El retorno del totemismo en la infancia. T\u00f3tem y tab\u00fa.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 103-164). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1913).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>De toda as imagens (imagos) de uma inf\u00e2ncia que, via de regra, n\u00e3o \u00e9 mais recordada, nenhuma \u00e9 mais importante para um jovem ou um homem que a do pai. A necessidade org\u00e2nica introduz na rela\u00e7\u00e3o de um homem com o pai uma ambival\u00eancia emocional que encontramos expressa de forma mais not\u00e1vel no mito grego do rei \u00c9dipo. Um rapazinho est\u00e1 fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e s\u00e1bia criatura do mundo. O pr\u00f3prio Deus, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 apenas uma exalta\u00e7\u00e3o dessa imagem do pai, tal como \u00e9 representado na mente durante a mais tenra inf\u00e2ncia. Cedo, por\u00e9m, surge o outro lado da rela\u00e7\u00e3o emocional. O pai \u00e9 identificado como o perturbador m\u00e1ximo da nossa vida instintiva; torna-se um modelo n\u00e3o apenas a ser imitado, mas tamb\u00e9m a ser eliminado para que possamos tomar o seu lugar. Da\u00ed em diante, os impulsos afetuosos e hostis para com ele persistem lado a lado, muitas vezes, at\u00e9 o fim da vida, sem que nenhum deles seja capaz de anular o outro. \u00c9 nessa exist\u00eancia concomitante de sentimentos contr\u00e1rios que reside o car\u00e1ter essencial daquilo que chamamos de ambival\u00eancia emocional. (Freud, 1974, p. 287) (Freud, 2006, p. 249)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Algumas reflex\u00f5es sobre a psicologia do escolar. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 281-288). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Sobre la psicolog\u00eda del colegial.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XIII, pp. 243-250). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1914).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Aos olhos do filho, o pai representa todas as restri\u00e7\u00f5es sociais relutantemente toleradas; o pai lhe impede o exerc\u00edcio da vontade, o prazer sexual incipiente e, nas fam\u00edlias em que existe propriedade comum, o desfrute desta. No caso de um herdeiro do trono, essa espera da morte do pai atinge as raias do tr\u00e1gico. (Freud, 1974, p. 246-7) (Freud, 2006, p. 188)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XIII Aspectos arcaicos e infantilismo dos sonhos. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 239-254). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 13a conferencia Rasgos arcaicos e infantilismo del sue\u00f1o. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 182-194). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Um poderoso v\u00ednculo er\u00f3tico com uma filha, que remonta aos prim\u00f3rdios da constitui\u00e7\u00e3o sexual da m\u00e3e, \u00e0s vezes encontra a forma de sobreviver numa transforma\u00e7\u00e3o dessa ordem. Com refer\u00eancia a isto, posso, talvez, recordar-lhes que a rela\u00e7\u00e3o entre sogra e genro tem sido considerada, desde as \u00e9pocas mais remotas da ra\u00e7a humana, como rela\u00e7\u00e3o particularmente embara\u00e7osa e que, entre tribos primitivas, deu origem a regulamenta\u00e7\u00f5es e &#8216;evita\u00e7\u00f5es&#8217; tabu muito poderosas (Freud, 1996<i>a<\/i>, p. 261).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>a<\/i>). Confer\u00eancia XVI: Psican\u00e1lise e Psiquiatria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>Vol. 16, pp. 251-264. Rio de Janeiro, RJ: Imago. (obra original publicada em 1917)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Complexo de \u00c9dipo<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>O que, ent\u00e3o, se pode reunir acerca de complexo de \u00c9dipo, a partir da observa\u00e7\u00e3o direta das crian\u00e7as, na \u00e9poca em que fazem sua escolha de um objeto, antes do per\u00edodo de lat\u00eancia? Pois bem, \u00e9 f\u00e1cil verificar que o homenzinho quer ter sua m\u00e3e toda para si mesmo, que sente a presen\u00e7a de seu pai como um estorvo, que fica ressentido quando o pai dispensa qualquer sinal de afei\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, e que mostra satisfa\u00e7\u00e3o quando o pai saiu de viagem ou est\u00e1 ausente. Ami\u00fade expressar\u00e1 seus sentimentos diretamente em palavras e prometer\u00e1 \u00e0 sua m\u00e3e casar com ela. Pensar-se-\u00e1 que isto assume propor\u00e7\u00f5es modestas, se comparando com os feitos de \u00c9dipo; na realidade, por\u00e9m, \u00e9, nada mais nada menos, basicamente a mesma coisa. A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente obscurecida pela circunst\u00e2ncia de, em outras ocasi\u00f5es, a pr\u00f3pria crian\u00e7a dar mostras de grande afei\u00e7\u00e3o pelo pai. Atitudes emocionais contr\u00e1rias &#8211; ou, seria melhor dizer, &#8216;ambivalentes&#8217; &#8211; que, em adultos, conduziriam a um conflito, permanecem, por\u00e9m, compat\u00edveis uma com a outra, por longo tempo, nas crian\u00e7as, como tamb\u00e9m, mais tarde, encontram um lugar permanente, lado a lado, no inconsciente. Do mesmo modo, haver-se-\u00e1 de objetar que a conduta do menino origina-se em motivos ego\u00edsticos e n\u00e3o oferece base para se postular um complexo er\u00f3tico: a m\u00e3e satisfaz todas as necessidades da crian\u00e7a, de modo que esta tem interesse em evitar que ela venha a dispensar cuidados a uma outra pessoa. Esse fato tamb\u00e9m \u00e9 procedente; mas, logo tornar-se-\u00e1 claro que, nessa situa\u00e7\u00e3o, como em outras semelhantes, o interesse ego\u00edstico simplesmente oferece um ponto de apoio ao qual a tend\u00eancia er\u00f3tica se vincula. O menino pode mostrar a mais indisfar\u00e7ada curiosidade sexual para com sua m\u00e3e, pode insistir em dormir ao seu lado, \u00e0 noite, pode impor sua presen\u00e7a, junto a ela quando ela est\u00e1 se vestindo, ou, mesmo fazer tentativas reais de seduzi-la, conforme sua m\u00e3e divertidamente perceber\u00e1 e relatar\u00e1 &#8211; tudo isso demonstra inequivocamente a natureza er\u00f3tica de sua liga\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e. E n\u00e3o se deve esquecer que a m\u00e3e dedica a mesma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua filhinha, sem produzir igual resultado, e que seu pai ami\u00fade compete com a m\u00e3e em proporcionar cuidados ao menino, e, no entanto, n\u00e3o lhe \u00e9 atribu\u00edda a mesma import\u00e2ncia que a ela. Em resumo, n\u00e3o existe cr\u00edtica que possa eliminar dessa situa\u00e7\u00e3o o fator da prefer\u00eancia sexual. Do ponto de vista do interesse ego\u00edstico, seria simplesmente uma tolice o homenzinho n\u00e3o preferir suportar o fato de ter duas pessoas a seu servi\u00e7o, a ter apenas uma delas.<\/p>\n<p>Como v\u00eaem, descrevi-lhes apenas a rela\u00e7\u00e3o de um menino para com seu pai e sua m\u00e3e. As coisas se passam de modo exatamente igual com as meninas, com as devidas modifica\u00e7\u00f5es: uma afetuosa liga\u00e7\u00e3o com o pai, uma necessidade de eliminar a m\u00e3e, por julg\u00e1-la sup\u00e9rflua, e de tomar-lhe o lugar, um coquetismo que j\u00e1 utiliza os m\u00e9todos da futura feminilidade &#8211; tudo isso oferece um quadro encantador, especialmente em meninas, o que nos faz esquecer as consequ\u00eancias possivelmente graves que se escondem nessa situa\u00e7\u00e3o infantil. N\u00e3o devemos deixar de acrescentar que os pr\u00f3prios pais frequentemente exercem uma influ\u00eancia decisiva no despertar da atitude edipiana da crian\u00e7a, ao cederem ao empuxo da atra\u00e7\u00e3o sexual, e que, onde houver diversas crian\u00e7as, o pai dar\u00e1 definidas provas de sua maior afei\u00e7\u00e3o por sua filhinha e a m\u00e3e, por seu filho. Mas a natureza espont\u00e2nea do complexo de \u00c9dipo nas crian\u00e7as n\u00e3o pode ser seriamente abalada at\u00e9 mesmo por esse fator.<\/p>\n<p>Quando outras crian\u00e7as aparecem em cena, o complexo de \u00c9dipo avoluma-se em um complexo de fam\u00edlia. Este, com novo apoio obtido a partir do sentimento ego\u00edstico de haver sido prejudicado, d\u00e1 fundamento a que os novos irm\u00e3os e irm\u00e3s sejam recebidos com avers\u00e3o, e faz com que, sem hesita\u00e7\u00f5es, sejam, em desejos, eliminados. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, via de regra, as crian\u00e7as s\u00e3o muito mais capazes de expressar verbalmente esses sentimentos de \u00f3dio, do que aqueles decorrentes do complexo parental. Se um desejo desse tipo se realiza, e se o irm\u00e3o que se acrescentou \u00e0 fam\u00edlia desaparece novamente, logo depois, devido \u00e0 sua morte, podemos descobrir, numa an\u00e1lise subsequente, qu\u00e3o importante foi para a crian\u00e7a essa experi\u00eancia referente \u00e0 morte, embora ela n\u00e3o tenha necessariamente permanecido fixada em sua mem\u00f3ria. Uma crian\u00e7a que tenha sido posta em segundo lugar pelo nascimento de um irm\u00e3o ou irm\u00e3, e que agora, pela primeira vez, \u00e9 quase isolada de sua m\u00e3e, n\u00e3o perdoa a esta, com facilidade, sua perda de lugar; sentimentos que, em um adulto, seriam descritos como de intenso ressentimento, surgem na crian\u00e7a e frequentemente constituem a base de permanente desaven\u00e7a. J\u00e1 mencionamos que as investiga\u00e7\u00f5es sexuais da crian\u00e7a, com todas as suas consequ\u00eancias, geralmente se originam dessa experi\u00eancia vital sua. \u00c0 medida que esses irm\u00e3os e irm\u00e3s crescem, a atitude do menino para com eles sofre transforma\u00e7\u00f5es muito significativas. Pode tomar sua irm\u00e3 como objeto de amor, \u00e0 maneira de substituta da m\u00e3e infiel. Onde h\u00e1 diversos irm\u00e3os, todos cortejando uma irm\u00e3 mais nova, surgem, j\u00e1 na \u00e9poca infantil, situa\u00e7\u00f5es de rivalidade hostil que s\u00e3o t\u00e3o importantes, na vida, mais tarde. Uma menina pode encontrar em seu irm\u00e3o, mais velho, um substituto para seu pai, que n\u00e3o mant\u00e9m mais um interesse afetuoso por ela como o fazia em anos anteriores. Ou pode tomar uma irm\u00e3 mais nova como substituta da crian\u00e7a que ela, em v\u00e3o, desejou ter de seu pai.<\/p>\n<p>Isto e muito mais de natureza semelhante ser-lhe-\u00e1 demonstrado pela observa\u00e7\u00e3o direta de crian\u00e7as e pelo exame de recorda\u00e7\u00f5es nitidamente retidas desde a inf\u00e2ncia, n\u00e3o influenciadas pela an\u00e1lise. Disto os senhores concluir\u00e3o, entre outras coisas, que a posi\u00e7\u00e3o que uma crian\u00e7a ocupa na sequ\u00eancia da fam\u00edlia \u00e9 fator de extrema import\u00e2ncia na determina\u00e7\u00e3o da forma de sua vida posterior, e deve merecer considera\u00e7\u00e3o em toda anamnese. Mas, o que \u00e9 mais importante, em vista dessas informa\u00e7\u00f5es, que podem ser obtidas t\u00e3o facilmente: os senhores n\u00e3o poder\u00e3o recordar sem um sorriso os pronunciamentos da ci\u00eancia ao explicar a proibi\u00e7\u00e3o do incesto. N\u00e3o tem fim o que j\u00e1 se inventou sobre o assunto. Tem sido dito que a tend\u00eancia sexual \u00e9 desviada de membros da mesma fam\u00edlia pertencentes ao sexo oposto, pelo fato de terem vivido juntos desde a inf\u00e2ncia; ou ainda, que um prop\u00f3sito biol\u00f3gico de evitar a consanguinidade \u00e9 representado psiquicamente por um inato horror ao incesto. Nisso tudo, deixa-se de atentar para o fato de que uma proibi\u00e7\u00e3o t\u00e3o perempt\u00f3ria n\u00e3o seria necess\u00e1ria nas leis e nos costumes, se houvesse barreiras naturais seguras contra a tenta\u00e7\u00e3o do incesto. A verdade \u00e9 justamente o oposto. A primeira escolha objetal de um ser humano \u00e9 regularmente incestuosa, dirigida, no caso do homem, \u00e0 sua m\u00e3e e \u00e0 sua irm\u00e3; e necessita das mais severas proibi\u00e7\u00f5es para impedir que essa tend\u00eancia infantil persistente se realize. Entre ra\u00e7as primitivas viventes ainda nos dias atuais, entre selvagens, as proibi\u00e7\u00f5es contra o incesto s\u00e3o ainda muito mais estritas do que entre n\u00f3s, e Theodor Reik, ainda recentemente, num brilhante trabalho [Reik, 1915-16] demonstrou que os ritos da puberdade dos selvagens, que representam um renascimento, t\u00eam o sentido de liberar o menino de seus la\u00e7os incestuosos com sua m\u00e3e e de reconcili\u00e1-lo com seu pai.<\/p>\n<p>A mitologia lhes ensinar\u00e1 que o incesto que se pensa ser t\u00e3o recha\u00e7ado pelos seres humanos, \u00e9 inequivocamente permitido aos deuses. E, na hist\u00f3ria antiga, podem constatar que o casamento incestuoso com a irm\u00e3 era um preceito santificado imposto \u00e0 pessoa do soberano (entre os fara\u00f3s eg\u00edpcios e os incas do Peru). O que estava em jogo, portanto, era um privil\u00e9gio proibido ao homem comum.<\/p>\n<p>Um dos crimes de \u00c9dipo foi o incesto com a m\u00e3e, o outro foi o parric\u00eddio. Pode-se observar, de passagem, que estes s\u00e3o tamb\u00e9m os dois grandes crimes proscritos pelo totemismo, a primeira institui\u00e7\u00e3o social-religiosa da humanidade.<\/p>\n<p>Retornemos, agora, da observa\u00e7\u00e3o direta das crian\u00e7as ao exame anal\u00edtico dos adultos que se tornaram neur\u00f3ticos. Que ajuda nos proporciona a an\u00e1lise para um melhor conhecimento do complexo de \u00c9dipo? Isto pode ser respondido numa palavra. A an\u00e1lise confirma tudo o que a lenda descreve. Mostra que cada um desses neur\u00f3ticos tamb\u00e9m tem sido um \u00c9dipo, ou, o que vem a dar no mesmo, como rea\u00e7\u00e3o ao complexo, tornou-se um Hamlet. A explica\u00e7\u00e3o anal\u00edtica do complexo de \u00c9dipo \u00e9, naturalmente, uma amplia\u00e7\u00e3o e uma vers\u00e3o mais crua do esbo\u00e7o infantil. O \u00f3dio ao pai, os desejos de morte contra ele, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais insinuados timidamente, a afei\u00e7\u00e3o pela m\u00e3e admite que seu objetivo \u00e9 possu\u00ed-la como mulher. Devemos realmente atribuir esses impulsos emocionais turbulentos e externos aos tenros anos da inf\u00e2ncia, ou ser\u00e1 que a an\u00e1lise nos engana com a mistura de algum fator novo? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil achar um desses fatores. Sempre que algu\u00e9m faz um relato de um acontecimento passado, ainda que seja um historiador, devemos ter em mente o que \u00e9 que ele intencionalmente faz recuar do presente, ou de alguma \u00e9poca intermedi\u00e1ria, para o passado, falsificando, com isso, o seu quadro referente ao fato. No caso de um neur\u00f3tico, at\u00e9 mesmo surge a quest\u00e3o de saber se esse recuar para o passado \u00e9 totalmente n\u00e3o-intencional; de ora em diante, teremos de descobrir as raz\u00f5es disso, e teremos de, no geral, considerar atentamente o fato do &#8216;fantasiar retrospectivo&#8217;. Facilmente podemos verificar tamb\u00e9m que o \u00f3dio ao pai \u00e9 refor\u00e7ado por diversos fatores que surgem de \u00e9pocas e circunst\u00e2ncias posteriores, e que os desejos sexuais dirigidos \u00e0 m\u00e3e assumem formas tais, que devem ter sido estranhos at\u00e9 mesmo para uma crian\u00e7a. Entretanto, seria um esfor\u00e7o v\u00e3o procurar explicar a totalidade do complexo de \u00c9dipo atrav\u00e9s do fantasiar retrospectivo e vincul\u00e1-la a \u00e9pocas posteriores. Seu n\u00facleo infantil e, no geral, seus aspectos acess\u00f3rios permanecem do modo como foram confirmados pela observa\u00e7\u00e3o direta de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O fato cl\u00ednico que se nos apresenta sob a forma do complexo de \u00c9dipo, tal como \u00e9 estabelecido pela an\u00e1lise, \u00e9 da mais alta significa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Constatamos que, na puberdade, quando os instintos sexuais, pela primeira vez, fazem suas exig\u00eancias com toda a sua for\u00e7a, os velhos objetos incestuosos familiares s\u00e3o retomados mais uma vez e novamente catexizados com a libido. A escolha objetal infantil era apenas uma escolha d\u00e9bil, mas j\u00e1 era um come\u00e7o que indicava a dire\u00e7\u00e3o para a escolha objetal na puberdade. Nesse ponto, desenrolam-se, assim, processos emocionais muito intensos que seguem a dire\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo ou reagem contra ele, processos que, entretanto, de vez que suas premissas se tornaram intoler\u00e1veis, devem, em larga escala, permanecer apartados da consci\u00eancia. Dessa \u00e9poca em diante, o indiv\u00edduo humano tem de se dedicar \u00e0 grande tarefa de desvincular-se de seus pais e, enquanto essa tarefa n\u00e3o for cumprida, ele n\u00e3o pode deixar de ser uma crian\u00e7a para se tornar membro da comunidade social. Para o filho, essa tarefa consiste em desligar seus desejos libidinais de sua m\u00e3e e empreg\u00e1-los na escolha de um objeto amoroso real externo e em reconciliar-se com o pai, se permaneceu em oposi\u00e7\u00e3o a este, ou em liberar-se da press\u00e3o deste, se, como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 sua rebeldia infantil, tornou-se subserviente a ele. Essas tarefas s\u00e3o propostas a todas as pessoas; e \u00e9 de causar esp\u00e9cie qu\u00e3o raramente as pessoas enfrentam tais tarefas de maneira ideal &#8211; isto \u00e9, de maneira tal que seja correta, tanto psicol\u00f3gica como socialmente. Os neur\u00f3ticos, por\u00e9m, n\u00e3o chegam absolutamente a nenhuma solu\u00e7\u00e3o: o filho permanece por toda a vida subjugado \u00e0 autoridade do pai e \u00e9 incapaz de transferir sua libido a um objeto sexual externo. Com o relacionamento modificado, o mesmo destino pode esperar a filha. Nesse sentido, o complexo de \u00c9dipo justificadamente pode ser considerado como o n\u00facleo das neuroses (Freud, 1996<i>c<\/i>, pp. 336-341).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>c<\/i>). Confer\u00eancia XXI: O Desenvolvimento da Libido e As Organiza\u00e7\u00f5es Sexuais. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 16, pp. 325-343). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A sedu\u00e7\u00e3o por uma crian\u00e7a de mais idade ou por algu\u00e9m da mesma idade \u00e9 ainda mais frequente do que por um adulto; e, no caso de meninas, que relatam um evento dessa ordem na sua inf\u00e2ncia, no qual o pai figura com muita regularidade como o sedutor, n\u00e3o pode haver d\u00favida alguma quanto \u00e0 natureza imagin\u00e1ria da acusa\u00e7\u00e3o, nem quanto ao motivo que levou a formul\u00e1-la.<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>d<\/i>). Confer\u00eancia XXIII: Os Caminhos da Forma\u00e7\u00e3o dos Sintomas. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 16, pp. 361-378). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A seguir, como algo especialmente instrutivo, podemos dar \u00eanfase \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que existe entre o ardil pelo qual um grupo artificial se mant\u00e9m unido, e a constitui\u00e7\u00e3o da horda primeva. Vimos que, com o ex\u00e9rcito e a Igreja, esse artif\u00edcio \u00e9 a ilus\u00e3o de que o l\u00edder ama todos os indiv\u00edduos de modo igual e justo. Mas isso constitui apenas uma remodela\u00e7\u00e3o ideal\u00edstica do estado de coisas na horda primeva, onde todos os filhos sabiam que eram igualmente perseguidos pelo pai primevo e o temiam igualmente. Essa mesma remoldagem sobre a qual todos os deveres sociais se erguem, j\u00e1 se acha pressuposta pela forma seguinte da sociedade humana, o cl\u00e3 tot\u00eamico. A for\u00e7a indestrut\u00edvel da fam\u00edlia como forma\u00e7\u00e3o natural de grupo reside no fato de que essa pressuposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do amor igual do pai pode ter uma aplica\u00e7\u00e3o real na fam\u00edlia (Freud, 1996<i>j<\/i>, pp. 135-136).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>j<\/i>). Psicologia de Grupo e a An\u00e1lise do Ego. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 81-156). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1921).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O desenvolvimento da libido nas crian\u00e7as familiarizou-nos com o primeiro, mas tamb\u00e9m o melhor, exemplo de instintos sexuais inibidos em seus objetivos. Todos os sentimentos que uma crian\u00e7a tem para com os pais e para com aqueles que cuidam dela transformam-se, por uma f\u00e1cil transi\u00e7\u00e3o, em desejos que d\u00e3o express\u00e3o aos impulsos sexuais da crian\u00e7a. Ela reivindica desses objetos de seu amor todos os sinais de afei\u00e7\u00e3o que conhece; quer beij\u00e1-los, toc\u00e1-los e olh\u00e1-los; tem curiosidade de ver seus \u00f3rg\u00e3os genitais e estar com eles quando realizam suas fun\u00e7\u00f5es excret\u00f3rias \u00edntimas; promete casar-se com a m\u00e3e ou com a bab\u00e1, n\u00e3o importa o que entenda por casamento; prop\u00f5e-se a si mesma ter um filho do pai etc. A observa\u00e7\u00e3o direta, bem como a subsequente investiga\u00e7\u00e3o anal\u00edtica dos res\u00edduos da inf\u00e2ncia, n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto \u00e0 completa fus\u00e3o de sentimentos ternos e ciumentos e de inten\u00e7\u00f5es sexuais, mostrando-nos de que maneira fundamental a crian\u00e7a faz da pessoa que ama o objeto de todas as suas tend\u00eancias sexuais, ainda n\u00e3o corretamente centradas(Freud, 1996<i>j<\/i>, p. 148).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>j<\/i>). Psicologia de Grupo e a An\u00e1lise do Ego. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 81-156). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1921)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O reconhecimento do fator org\u00e2nico no homossexualismo n\u00e3o nos isenta da obriga\u00e7\u00e3o de estudar os processos ps\u00edquicos vinculados \u00e0 sua origem. O processo t\u00edpico, j\u00e1 estabelecido em casos inumer\u00e1veis, \u00e9 de um jovem, alguns anos ap\u00f3s a puberdade, e que at\u00e9 ent\u00e3o fora intensamente fixado na m\u00e3e, mudar de atitude; identifica-se com ela e procura objetos amorosos em quem possa redescobrir-se e a quem possa ent\u00e3o amar como a m\u00e3e o amara. A marca caracter\u00edstica desse processo \u00e9 que, por v\u00e1rios anos, uma das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o seu amor consiste em o objeto masculino ter, em geral, a mesma idade que ele pr\u00f3prio tinha quando se deu a mudan\u00e7a. Vimos a conhecer diversos fatores que contribuem para esse resultado, provavelmente em graus diferentes. Primeiro h\u00e1 a fixa\u00e7\u00e3o na m\u00e3e, que fica dif\u00edcil de passar para outra mulher. A identifica\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e \u00e9 um resultado dessa liga\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo, em certo sentido, permite que o filho lhe permane\u00e7a fiel, a ela que foi seu primeiro objeto (Freud, 1996<i>l<\/i>, p. 245).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>l<\/i>). Alguns Mecanismos Neur\u00f3ticos no Ci\u00fame, na Paranoia e no Homossexualismo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 237-250). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1922).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O superego, contudo, n\u00e3o \u00e9 simplesmente um res\u00edduo das primitivas escolhas objetais do id; ele tamb\u00e9m representa uma forma\u00e7\u00e3o reativa en\u00e9rgica contra essas escolhas. A sua rela\u00e7\u00e3o com o ego n\u00e3o se exaure com o preceito: &#8216;Voc\u00ea deveria ser assim (como o seu pai) &#8216;. Ela tamb\u00e9m compreende a proibi\u00e7\u00e3o: &#8216;Voc\u00ea n\u00e3o pode ser assim (como o seu pai), isto \u00e9, voc\u00ea n\u00e3o pode fazer tudo o que ele faz; certas coisas s\u00e3o prerrogativas dele. &#8216; Esse aspecto duplo do ideal do ego deriva do fato de que o ideal do ego tem a miss\u00e3o de reprimir o complexo de \u00c9dipo; em verdade, \u00e9 a esse evento revolucion\u00e1rio que ele deve a sua exist\u00eancia. \u00c9 claro que a repress\u00e3o do complexo de \u00c9dipo n\u00e3o era tarefa f\u00e1cil. Os pais da crian\u00e7a, e especialmente o pai, eram percebidos como obst\u00e1culo a uma realiza\u00e7\u00e3o dos desejos edipianos, de maneira que o ego infantil fortificou-se para a execu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o erguendo esse mesmo obst\u00e1culo dentro de si pr\u00f3prio. Para realizar isso, tomou emprestado, por assim dizer, for\u00e7a ao pai, e este empr\u00e9stimo constituiu um ato extraordinariamente momentoso. O superego ret\u00e9m o car\u00e1ter do pai, enquanto que quanto mais poderoso o complexo de \u00c9dipo e mais rapidamente sucumbir \u00e0 repress\u00e3o (sob a influ\u00eancia da autoridade do ensino religioso, da educa\u00e7\u00e3o escolar e da leitura), mais severa ser\u00e1 posteriormente a domina\u00e7\u00e3o do superego sobre o ego, sob a forma de consci\u00eancia (conscience) ou, talvez, de um sentimento inconsciente de culpa (Freud, 1996<i>m<\/i>, p. 47).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>m<\/i>). O Ego e o Id. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 25-82). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1923).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>De fato, soa estranho que o Diabo seja escolhido como substituto para um amado pai. Por\u00e9m, s\u00f3 \u00e0 primeira vista, pois sabemos de muitas coisas que ir\u00e3o abrandar nossa surpresa. Para come\u00e7ar, sabemos que Deus \u00e9 um substituto paterno, ou, mais corretamente, que ele \u00e9 um pai exal\u00e7ado, ou, ainda, que constitui a c\u00f3pia de um pai tal como este \u00e9 visto e experimentado na inf\u00e2ncia &#8211; pelos indiv\u00edduos em sua pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, e pela humanidade em sua pr\u00e9-hist\u00f3ria, como pai da horda primitiva e primeva. Posteriormente na vida, o indiv\u00edduo v\u00ea seu pai como algo diferente e menor. Por\u00e9m, a imagem ideativa que pertence \u00e0 inf\u00e2ncia \u00e9 preservada e se funde com os tra\u00e7os da mem\u00f3ria herdados do pai primevo para formar a ideia que o indiv\u00edduo tem de Deus. Sabemos tamb\u00e9m, da vida secreta do indiv\u00edduo revelada pela an\u00e1lise, que sua rela\u00e7\u00e3o com o pai foi talvez ambivalente desde o in\u00edcio, ou, pelo menos, cedo veio a ser assim. Isso equivale a dizer que ela continha dois conjuntos de impulsos emocionais que se opunham mutuamente; continha n\u00e3o apenas impulsos de natureza afetuosa e submissa, mas tamb\u00e9m impulsos hostis e desafiadores. \u00c9 nossa opini\u00e3o que a mesma ambival\u00eancia dirige as rela\u00e7\u00f5es da humanidade com sua Divindade. O problema n\u00e3o solucionado entre o anseio pelo pai, por um lado, e, por outro, o medo dele e o seu desafio pelo filho, nos proporcionou uma explica\u00e7\u00e3o de importantes caracter\u00edsticas da religi\u00e3o e de decisivas vicissitudes nela (Freud, 1996<i>n<\/i>, p. 101).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>n<\/i>). Uma Neurose Demon\u00edaca do S\u00e9culo XVII. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 87-122). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1923).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Se pud\u00e9ssemos conhecer tanto sobre Christoph Haizmann quanto conhecemos sobre um paciente que faz an\u00e1lise conosco, seria assunto f\u00e1cil trazer \u00e0 tona essa ambival\u00eancia, faz\u00ea-lo recordar quando e face a quais provoca\u00e7\u00f5es ele encontrou motivos para temer e odiar o pai, e acima de tudo, descobrir quais foram os fatores acidentais que se acrescentaram aos motivos t\u00edpicos para o \u00f3dio ao pai, inerentes ao relacionamento natural de filho e pai (Freud, 1996<i>n<\/i>, p. 103).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>n<\/i>). Uma Neurose Demon\u00edaca do S\u00e9culo XVII. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 87-122). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1923).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o se deve supor, contudo, que a crian\u00e7a efetua r\u00e1pida e prontamente uma generaliza\u00e7\u00e3o de sua observa\u00e7\u00e3o de que algumas mulheres n\u00e3o t\u00eam p\u00eanis. De qualquer modo, ela \u00e9 impedida de faz\u00ea-lo porque sup\u00f5e ser a falta de um p\u00eanis resultado de ter sido castrada como puni\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, a crian\u00e7a acredita que s\u00e3o apenas pessoas desprez\u00edveis do sexo feminino que perderam seus \u00f3rg\u00e3os genitais &#8211; mulheres que, com toda probabilidade, foram culpadas de impulsos inadmiss\u00edveis semelhantes ao seu pr\u00f3prio. Mulheres a quem ela respeita, como sua m\u00e3e, ret\u00eam o p\u00eanis por longo tempo. Para ela, ser mulher ainda n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de n\u00e3o ter p\u00eanis. Mais tarde, quando a crian\u00e7a retoma os problemas da origem e nascimento dos beb\u00eas, e adivinha que apenas as mulheres podem dar-lhes nascimento, somente ent\u00e3o tamb\u00e9m a m\u00e3e perde seu p\u00eanis. E, juntamente, s\u00e3o constru\u00eddas teorias bastante complicadas para explicar a troca do p\u00eanis por um beb\u00ea. Em tudo isso, os \u00f3rg\u00e3os genitais femininos jamais parecem ser descobertos. Como sabemos, imagina-se que a beb\u00ea viva dentro do corpo da m\u00e3e (em seus intestinos) e nas\u00e7a atrav\u00e9s da sa\u00edda intestinal (Freud, 1996<i>o<\/i>, pp. 159-160).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>o<\/i>). A Organiza\u00e7\u00e3o Genital Infantil: Uma Interpola\u00e7\u00e3o na Teoria da Sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 157-164). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1923).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O complexo de \u00c9dipo mostra assim ser &#8211; como j\u00e1 foi conjecturado num sentido hist\u00f3rico &#8211; a fonte de nosso senso \u00e9tico individual, de nossa moralidade. O curso do desenvolvimento da inf\u00e2ncia conduz a um desligamento sempre crescente dos pais e a significa\u00e7\u00e3o pessoal desses para o superego retrocede para o segundo plano. \u00c0s imagos que deixam l\u00e1 atr\u00e1s est\u00e3o, pois, vinculadas as influ\u00eancias de professores e autoridades, modelos auto escolhidos e her\u00f3is publicamente reconhecidos, cujas figuras n\u00e3o mais precisam ser introjetadas por um ego que se tornou resistente. A \u00faltima figura na s\u00e9rie iniciada com os pais \u00e9 o poder sombrio do Destino, que apenas poucos dentre n\u00f3s s\u00e3o capazes de encarar como impessoal. Pouco h\u00e1 que dizer contra o escritor holand\u00eas Multatuli, quando substitui o \u039c\u03bf\u1fd6\u03c1\u03b1 [Destino] dos gregos pelo par divino \u039b\u00f3\u03b3o\u03c2 \u03ba\u03b1\u03b9 \u0391\u03bd\u03ac\u03b3\u03ba\u03b7 [Raz\u00e3o e Necessidade], mas todos os que transferem a orienta\u00e7\u00e3o do mundo para a Provid\u00eancia, Deus, ou Deus e a Natureza, despertam a suspeita de que ainda consideram esses poderes supremos e remotos como uma dupla parental, num sentido mitol\u00f3gico, e se acreditam vinculados a eles por la\u00e7os libidinais. Em O Ego e o Id fiz uma tentativa de derivar o temor realista que a humanidade tem da morte, tamb\u00e9m da mesma vis\u00e3o parental da sorte. Parece muito dif\u00edcil libertar-se dela(Freud, 1996<i>p<\/i>, pp. 185-186).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>p<\/i>). O Problema Econ\u00f4mico do Masoquismo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 177-202). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1924).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o devemos ser t\u00e3o m\u00edopes quanto a pessoa encarregada da crian\u00e7a, que a amea\u00e7a com a castra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o devemos desprezar o fato de que, nessa \u00e9poca, a masturba\u00e7\u00e3o de modo algum representa a totalidade de sua vida sexual. Como pode ser claramente demonstrado, ela est\u00e1 na atitude edipiana para com os pais; sua masturba\u00e7\u00e3o constitui apenas uma descarga genital da excita\u00e7\u00e3o sexual pertinente ao complexo, e, durante todos os seus anos posteriores, dever\u00e1 sua import\u00e2ncia a esse relacionamento. O complexo de \u00c9dipo ofereceu \u00e0 crian\u00e7a duas possibilidades de satisfa\u00e7\u00e3o, uma ativa e outra passiva. Ela poderia colocar-se no lugar de seu pai, \u00e0 maneira masculina, e ter rela\u00e7\u00f5es com a m\u00e3e, como tinha o pai, caso em que cedo teria sentido o \u00faltimo como um estorvo, ou poderia querer assumir o lugar da m\u00e3e e ser amada pelo pai, caso em que a m\u00e3e se tornaria sup\u00e9rflua. A crian\u00e7a pode ter tido apenas no\u00e7\u00f5es muito vagas quanto ao que constitui uma rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica satisfat\u00f3ria, mas certamente o p\u00eanis devia desempenhar uma parte nela, pois as sensa\u00e7\u00f5es em seu pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o eram prova disso. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tivera ocasi\u00e3o de duvidar que as mulheres possu\u00edssem p\u00eanis. Agora, por\u00e9m, sua aceita\u00e7\u00e3o da possibilidade de castra\u00e7\u00e3o, seu reconhecimento de que as mulheres eram castradas, punha fim \u00e0s duas maneiras poss\u00edveis de obter satisfa\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo, de vez que ambas acarretavam a perda de seu p\u00eanis &#8211; a masculina como uma puni\u00e7\u00e3o resultante e a feminina como precondi\u00e7\u00e3o. Se a satisfa\u00e7\u00e3o do amor no campo do complexo de \u00c9dipo deve custar \u00e0 crian\u00e7a o p\u00eanis, est\u00e1 fadado a surgir um conflito entre seu interesse narc\u00edsico nessa parte de seu corpo e a catexia libidinal de seus objetos parentais. Nesse conflito, triunfa normalmente a primeira dessas for\u00e7as: o ego da crian\u00e7a volta as costas ao complexo de \u00c9dipo.<\/p>\n<p>Descrevi noutra parte como esse afastamento se realiza. As catexias de objeto s\u00e3o abandonadas e substitu\u00eddas por identifica\u00e7\u00f5es. A autoridade do pai ou dos pais \u00e9 introjetada no ego e a\u00ed forma o n\u00facleo do superego, que assume a severidade do pai e perpetua a proibi\u00e7\u00e3o deste contra o incesto, defendendo assim o ego do retorno da catexia libidinal. As tend\u00eancias libidinais pertencentes ao complexo de \u00c9dipo s\u00e3o em parte dessexualizadas e sublimadas (coisa que provavelmente acontece com toda transforma\u00e7\u00e3o em uma identifica\u00e7\u00e3o) e em parte s\u00e3o inibidas em seu objetivo e transformadas em impulsos de afei\u00e7\u00e3o. Todo o processo, por um lado, preservou o \u00f3rg\u00e3o genital &#8211; afastou o perigo de sua perda &#8211; e, por outro, paralisou-o &#8211; removeu sua fun\u00e7\u00e3o. Esse processo introduz o per\u00edodo de lat\u00eancia, que agora interrompe o desenvolvimento sexual da crian\u00e7a (Freud, 1996<i>q<\/i>, pp. 195-196).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>q<\/i>). A Dissolu\u00e7\u00e3o do Complexo de \u00c9dipo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 193-202). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1924).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Estando assim exclu\u00eddo, na menina, o temor da castra\u00e7\u00e3o, cai tamb\u00e9m um motivo poderoso para o estabelecimento de um superego e para a interrup\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o genital infantil. Nela, muito mais que no menino, essas mudan\u00e7as parecem ser resultado da cria\u00e7\u00e3o e de intimida\u00e7\u00e3o oriunda do exterior, as quais a amea\u00e7am com uma perda de amor. O complexo de \u00c9dipo da menina \u00e9 muito mais simples que o do pequeno portador do p\u00eanis; em minha experi\u00eancia, raramente ele vai al\u00e9m de assumir o lugar da m\u00e3e e adotar uma atitude feminina para com o pai. A ren\u00fancia ao p\u00eanis n\u00e3o \u00e9 tolerada pela menina sem alguma tentativa de compensa\u00e7\u00e3o. Ela desliza &#8211; ao longo da linha de uma equa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, poder-se-ia dizer &#8211; do p\u00eanis para um beb\u00ea. Seu complexo de \u00c9dipo culmina em um desejo, mantido por muito tempo, de receber do pai um beb\u00ea como presente &#8211; dar-lhe um filho (Freud, 1996<i>q<\/i>, p. 198).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>q<\/i>). A Dissolu\u00e7\u00e3o do Complexo de \u00c9dipo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 193-202). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1924).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Nos meninos, a situa\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo \u00e9 o primeiro est\u00e1dio poss\u00edvel de ser identificado com certeza. \u00c9 f\u00e1cil de compreender, de vez que nesse est\u00e1dio a crian\u00e7a ret\u00e9m o mesmo objeto que previamente catexizou com sua libido &#8211; n\u00e3o ainda um objeto genital &#8211; durante o per\u00edodo precedente, enquanto estava sendo amamentada e cuidada. Tamb\u00e9m o fato de que, nessa situa\u00e7\u00e3o, encare o pai como um rival perturbador e goste de se ver livre dele e tomar-lhe o lugar, \u00e9 consequ\u00eancia direta do estado real de coisas. Demonstrei alhures como a atitude edipiana nos meninos pertence \u00e0 fase f\u00e1lica e como sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 ocasionada pelo temor da castra\u00e7\u00e3o &#8211; isto \u00e9, pelo interesse narc\u00edsico nos \u00f3rg\u00e3os genitais. O assunto fica mais dif\u00edcil de apreender pela circunst\u00e2ncia complicante de que mesmo em meninos o complexo de \u00c9dipo possui uma orienta\u00e7\u00e3o dupla, ativa e passiva, de acordo com sua constitui\u00e7\u00e3o bissexual; o menino tamb\u00e9m deseja tomar o lugar de sua m\u00e3e como objeto de amor de seu\u00a0<i>pai<\/i>\u00a0&#8211; fato que descrevemos como sendo a atitude feminina (Freud, 1996<i>r<\/i>, pp. 278-279).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>r<\/i>). Algumas Consequ\u00eancias Ps\u00edquicas da Distin\u00e7\u00e3o Anat\u00f4mica Entre os Sexos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 277-288). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1925).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>At\u00e9 aqui n\u00e3o se cogitou do complexo de \u00c9dipo, nem at\u00e9 esse ponto desempenhou ele qualquer papel. Agora, por\u00e9m, a libido da menina desliza para uma nova posi\u00e7\u00e3o ao longo da linha &#8211; n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de exprimi-lo &#8211; da equa\u00e7\u00e3o &#8216;p\u00eanis-crian\u00e7a&#8217;. Ela abandona seu desejo de um p\u00eanis e coloca em seu lugar o desejo de um filho; com esse fim em vista, toma o pai como objeto de amor. A m\u00e3e se torna o objeto de seu ci\u00fame. A menina transformou-se em uma pequena mulher. Se dou cr\u00e9dito a um \u00fanico exemplo anal\u00edtico, essa nova situa\u00e7\u00e3o pode gerar sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que se teria de considerar como um despertar prematuro do aparelho genital feminino. Malogrando-se mais tarde e tendo de ser abandonada, a liga\u00e7\u00e3o da menina a seu pai pode ceder lugar a uma identifica\u00e7\u00e3o com ele, e pode ser que assim a menina retorne a seu complexo de masculinidade e, talvez, permane\u00e7a fixada nele(Freud, 1996<i>r<\/i>, p. 284).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>r<\/i>). Algumas Consequ\u00eancias Ps\u00edquicas da Distin\u00e7\u00e3o Anat\u00f4mica Entre os Sexos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 277-288). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1925).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Pode-se supor que a forma\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias deveu-se ao fato de ter ocorrido um momento em que a necessidade de satisfa\u00e7\u00e3o genital n\u00e3o apareceu mais como um h\u00f3spede que surge repentinamente e do qual, ap\u00f3s a partida, n\u00e3o mais se ouve falar por longo tempo, mas que, pelo contr\u00e1rio, se alojou como inquilino permanente. Quando isso aconteceu, o macho adquiriu um motivo para conservar a f\u00eamea junto de si, ou, em termos mais gerais, seus objetos sexuais, ao passo que a f\u00eamea, n\u00e3o querendo separar-se de seus rebentos indefesos, viu-se obrigada, no interesse deles, a permanecer com o macho mais forte. (Freud, 1996, p. 105)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>\u00a0(Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O macho forte era senhor e pai de toda horda, e irrestrito em seu poder, que exercia com viol\u00eancia. Todas as f\u00eameas eram propriedade sua &#8211; esposas e filhas de sua pr\u00f3pria horda, e algumas, talvez, roubadas de outras hordas. A sorte dos filhos era dura: se despertavam o ci\u00fame do pai, eram mortos, castrados, ou expulsos. (&#8230;) O primeiro passo decisivo no sentido de uma modifica\u00e7\u00e3o nesse tipo de organiza\u00e7\u00e3o &#8216;social&#8217; parece ter sido que os irm\u00e3os expulsos, vivendo numa comunidade, uniram-se para derrotar o pai e, como era costume naqueles dias, devoraram-no cru. (Freud, 1996, p. 96).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Mois\u00e9s, o seu povo e a religi\u00e3o monote\u00edsta. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 23, pp. 67-150). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1938).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>As pessoas d\u00e3o o nome de &#8216;amor&#8217; ao relacionamento entre um homem e uma mulher cujas necessidades genitais os levaram a fundar uma fam\u00edlia; tamb\u00e9m d\u00e3o esse nome aos sentimentos positivos existentes entre pais e filhos, e entre os irm\u00e3os e as irm\u00e3s de uma fam\u00edlia, embora n\u00f3s sejamos obrigados a descrever isso como &#8216;amor Inibido em sua finalidade&#8217; ou &#8216;afei\u00e7\u00e3o&#8217; (&#8230;) O amor genital conduz \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novas fam\u00edlias, e o amor inibido em sua finalidade, a &#8216;amizades&#8217; que se tornam valiosas, de um ponto de vista cultural, por fugirem a algumas das limita\u00e7\u00f5es do amor genital, como, por exemplo, \u00e0 sua exclusividade. (Freud, 1996, p. 108)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quanto mais estreitamente os membros de uma fam\u00edlia se achem mutuamente ligados, com mais frequ\u00eancia tendem a se apartarem dos outros e mais dif\u00edcil lhes \u00e9 ingressar no c\u00edrculo mais amplo da cidade. (&#8230;) Separar-se da fam\u00edlia torna-se uma tarefa com que todo jovem se defronta, e a sociedade frequentemente o auxilia na solu\u00e7\u00e3o disso atrav\u00e9s dos ritos de puberdade e de inicia\u00e7\u00e3o. (Freud, 1996, pp. 108-109<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Vamos tornar claro para n\u00f3s mesmos qual a tarefa primeira da educa\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a deve aprender a controlar seus instintos. \u00c9 imposs\u00edvel conceder-lhe liberdade de por em pr\u00e1tica todos os seus impulsos sem restri\u00e7\u00e3o. Faz\u00ea-lo seria um experimento muito instrutivo para os psic\u00f3logos de crian\u00e7as; mas a vida seria imposs\u00edvel para os pais, e as pr\u00f3prias crian\u00e7as sofreriam grave preju\u00edzo, que se exteriorizaria, em parte, imediatamente, e, em parte, nos anos subsequentes. Na an\u00e1lise, por\u00e9m, temos verificado que precisamente essa supress\u00e3o dos instintos envolve o risco de doen\u00e7a neur\u00f3tica. \u00ab. (Freud, 1996, p. 147)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXIV: explica\u00e7\u00f5es, aplica\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, p. 135-154). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A influ\u00eancia dos pais governa a crian\u00e7a, concedendo-lhe provas de amor e amea\u00e7ando com castigos, os quais, para a crian\u00e7a, s\u00e3o sinais de perda do amor e se far\u00e3o temer por essa mesma causa. (&#8230;) Apenas posteriormente \u00e9 que se desenvolve a situa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria (&#8230;), quando a coer\u00e7\u00e3o externa \u00e9 internalizada, e o superego assume o lugar de inst\u00e2ncia parental e observa, dirige e amea\u00e7a o ego, da mesma forma que anteriormente os pais faziam com a crian\u00e7a. (Freud, 1996, pp. 67-68)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXI: a dissec\u00e7\u00e3o da personalidade ps\u00edquica. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, pp. 63-84). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>E n\u00e3o se deve esquecer que uma crian\u00e7a tem conceitos diferentes sobre seus pais, em diferentes per\u00edodos de sua vida. \u00c0 \u00e9poca em que o complexo de \u00c9dipo d\u00e1 lugar ao superego, eles s\u00e3o algo de muito extraordin\u00e1rio; depois, por\u00e9m, perdem muito desse atributo.\u00bb (Freud, 1996, p. 70).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXI: a dissec\u00e7\u00e3o da personalidade ps\u00edquica. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, p. 63-84). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>M\u00e3e<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Desta maneira, a m\u00e3e, que satisfaz a fome da crian\u00e7a, torna-se seu primeiro objeto amoroso e, certamente, tamb\u00e9m sua primeira prote\u00e7\u00e3o contra todos os perigos indefinidos que a amea\u00e7am no mundo externo \u2013 sua primeira prote\u00e7\u00e3o contra a ansiedade, podemos dizer.<\/p>\n<p>Nessa fun\u00e7\u00e3o [de prote\u00e7\u00e3o] a m\u00e3e \u00e9 logo substitu\u00edda pelo pai mais forte, que ret\u00e9m essa posi\u00e7\u00e3o pelo resto da inf\u00e2ncia. Mas a atitude da crian\u00e7a para com o pai \u00e9 matizada por uma ambival\u00eancia peculiar. O pr\u00f3prio pai constitui um perigo para a crian\u00e7a, talvez por causa do relacionamento anterior dela com a m\u00e3e. Assim ela o teme tanto quanto anseia por ele e o admira. (Freud, 1996, p. 32).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A m\u00e3e somente obt\u00e9m satisfa\u00e7\u00e3o sem limites na sua rela\u00e7\u00e3o com seu filho menino; este \u00e9, sem exce\u00e7\u00e3o, o mais perfeito, o mais livre de ambival\u00eancia de todos os relacionamentos humanos.2 Uma m\u00e3e pode transferir para o seu filho aquela ambi\u00e7\u00e3o que teve de suprimir em si mesma, e dele esperar a satisfa\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que nela restou do seu complexo de masculinidade. (Freud, 1996, p. 132).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXIII: Feminilidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, p. 113-134). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando passamos em revista toda a gama de motivos para se afastar da m\u00e3e que a an\u00e1lise traz \u00e0 luz \u2013 que ela falhou em fornecer \u00e0 menina o \u00fanico ou \u00f3rg\u00e3o genital correto, que n\u00e3o a amamentou o suficiente, que a compeliu a partilhar o amor da m\u00e3e com outros, que nunca atendeu \u00e0s expectativas de amor da menina, e, finalmente, que primeiro despertou a sua atividade sexual e depois a proibiu -, todos esses motivos, n\u00e3o obstante, parecem insuficientes para justificar a hostilidade final da menina. (Freud, 1996, p.242).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Sexualidade feminina. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 233-251). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1931)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Concluiremos, ent\u00e3o, que a intensa liga\u00e7\u00e3o da menina \u00e0 m\u00e3e \u00e9 fortemente ambivalente (&#8230;). (Freud, 1996, p. 243)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Sexualidade feminina. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, p. 233-251). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1931).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Pai<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>O mesmo pai (ou inst\u00e2ncia parental) que deu vida \u00e0 crian\u00e7a e a protegeu contra os perigos, ensinou-lhe tamb\u00e9m o que podia fazer e o que devia deixar de fazer, instruiu-a no sentido de adaptar-se a determinadas restri\u00e7\u00f5es em seus desejos instintuais e f\u00ea-la compreender o respeito que devia ter para com os pais e irm\u00e3os, se quisesse tornar-se um membro tolerado e benquisto do c\u00edrculo familiar e, posteriormente, de associa\u00e7\u00f5es mais amplas. A crian\u00e7a \u00e9 educada no sentido de conhecer os seus deveres sociais mediante um sistema de recompensas carinhosas e puni\u00e7\u00f5es; \u00e9-lhe ensinado que sua seguran\u00e7a na vida depende de que seus pais (e, depois, de que outras pessoas) a amem e de que eles possam acreditar que a crian\u00e7a os ama. (Freud, 1996, p. 160)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Confer\u00eancia XXXV: a quest\u00e3o de uma Weltanschauung. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 22, p. 155-177). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1933).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O parric\u00eddio de acordo com uma conceitua\u00e7\u00e3o bem conhecida, \u00e9 o crime principal e primevo da humanidade, assim como do indiv\u00edduo. (&#8230;) O relacionamento de um menino com o pai \u00e9, como dizemos, &#8216;ambivalente&#8217;. Al\u00e9m do \u00f3dio que procura livrar-se do pai como rival, uma certa medida de ternura por ele tamb\u00e9m est\u00e1 habitualmente presente. As duas atitudes mentais se combinam para produzir a identifica\u00e7\u00e3o com o pai; o menino deseja estar no lugar do pai porque o admira e quer ser como ele, e tamb\u00e9m por desejar coloc\u00e1-lo fora do caminho. Em determinado momento, a crian\u00e7a vem a compreender que a tentativa de afastar o pai como rival seria punida por ele com a castra\u00e7\u00e3o. Assim, pelo temor \u00e0 castra\u00e7\u00e3o \u2013 isto \u00e9, no interesse de preservar sua masculinidade \u2013 abandona seu desejo de possuir a m\u00e3e e livrar-se do pai. Na medida em que esse desejo permanece no inconsciente, constitui a base do sentimento de culpa. (Freud, 1996, pp.188-189)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Dostoievski e o parric\u00eddio. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 183-198). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1928).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o podemos afastar a suposi\u00e7\u00e3o de que o sentimento de culpa do homem se origina do complexo edipiano e foi adquirido quando da morte do pai pelos irm\u00e3os reunidos em bando. (Freud, 1996, p. 134).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Matar o pr\u00f3prio pai ou abster-se de mat\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9, realmente, a coisas decisiva. Em ambos os casos, todos est\u00e3o fadados a sentir culpa, porque o sentimento de culpa \u00e9 express\u00e3o tanto do conflito devido \u00e0 ambival\u00eancia, quanto da eterna luta entre Eros e o instinto de morte. (&#8230;) Enquanto a comunidade n\u00e3o assume outra forma que n\u00e3o seja a da fam\u00edlia, o conflito est\u00e1 fadado a se expressar no complexo edipiano, a estabelecer a consci\u00eancia e a criar o primeiro sentimento de culpa. (Freud, 1996, p. 135).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud (Vol. 21, pp. 73-148). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1930).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Irm\u00e3os<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nada raro ambas as crian\u00e7as adoecerem, mais tarde, v\u00edtimas de uma neurose de defesa -o irm\u00e3o com obsess\u00f5es e a irm\u00e3 com histeria. Isto naturalmente produz a apar\u00eancia de uma predisposi\u00e7\u00e3o neur\u00f3tica familiar. Ocasionalmente, contudo, essa pseudo-hereditariedade \u00e9 resolvida de modo surpreendente. Em um de meus casos, um irm\u00e3o, uma irm\u00e3 e um primo um pouco mais velho estavam todos doentes. A partir da an\u00e1lise que realizei com o irm\u00e3o, fiquei sabendo que ele sofria de autoacusa\u00e7\u00f5es por ser a causa da doen\u00e7a da irm\u00e3. Ele pr\u00f3prio fora seduzido pelo primo, e este \u00faltimo, como era (&#8230;) (FREUD, 1974, p.190)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) Novos coment\u00e1rios sobre as neuropsicoses de defesa. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol.III, p. 163-211. (Obra original publicada 1893-1899).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>No tempo em que \u00e9 dominada pelo complexo central ainda n\u00e3o reprimido, a crian\u00e7a dedica aos interesses sexuais not\u00e1vel parte da atividade intelectual. Come\u00e7a a indagar de onde v\u00eam as criancinhas, e com os dados a seu alcance adivinha das circunst\u00e2ncias reais mais do que os adultos podem suspeitar. Comumente o que lhe desperta a curiosidade \u00e9 a amea\u00e7a material do aparecimento de um novo irm\u00e3ozinho, no qual a princ\u00edpio s\u00f3 v\u00ea um competidor. Sob a influ\u00eancia dos impulsos parciais que nela agem, forma at\u00e9 numerosas `teorias sexuais infantis&#8217;. (Freud, 1974, p. 44) (Freud, 2006, p. 43).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Cinco li\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise. Quarta li\u00e7\u00e3o. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 38-45). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Cinco conferencias sobre psicoan\u00e1lisis. IV.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 36-44). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Uma crian\u00e7a pequena n\u00e3o ama necessariamente seus irm\u00e3os e irm\u00e3s; muitas vezes, obviamente n\u00e3o os ama. Sem d\u00favida ela os odeia como rivais seus, e \u00e9 fato sabido que esta atitude freq\u00fcentemente persiste por muitos anos, at\u00e9 ser atingida a maturidade ou mesmo at\u00e9 mais tarde, sem interrup\u00e7\u00e3o. Com efeito, muito ami\u00fade esta atitude \u00e9 substitu\u00edda, ou melhor, digamos, \u00e9 encoberta por outra, mais cordial. Mas, a que \u00e9 hostil em geral parece ser a que surge primeiro. (&#8230;) Contudo, falando honestamente, se algu\u00e9m encontrar, em sonho, um desejo de morte contra um seu irm\u00e3o ou irm\u00e3, raramente h\u00e1 que consider\u00e1-lo um enigma e, sem dificuldades, pode situar seu prot\u00f3tipo no in\u00edcio da inf\u00e2ncia e, vezes mais seguidas, tamb\u00e9m nos anos subsequentes do companheirismo fraterno. Provavelmente n\u00e3o h\u00e1 quarto de crian\u00e7as sem violentos conflitos entre seus ocupantes. Os motivos de tais desaven\u00e7as s\u00e3o a rivalidade pelo amor dos pais, pelas posses comuns, pelo espa\u00e7o vital. Os impulsos hostis s\u00e3o dirigidos contra membros da fam\u00edlia mais velhos e tamb\u00e9m mais novos. Foi Bernard Shaw, segundo penso, quem comentou: &#8216;Via de regra, s\u00f3 existe uma pessoa que uma menina inglesa odeia mais do que a sua m\u00e3e; \u00e9 a sua irm\u00e3 mais velha&#8217;. (Freud, 1974, p. 245-6) (Freud, 2006, p. 187).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Confer\u00eancia XIII Aspectos arcaicos e infantilismo dos sonhos. Sonhos. Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 239-254). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). 13a conferencia Rasgos arcaicos e infantilismo del sue\u00f1o. El sue\u00f1o. Conferencias de introducci\u00f3n al psicoan\u00e1lisis.\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XV, pp. 182-194). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1916).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Uma crian\u00e7a n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o as distin\u00e7\u00f5es sociais, que para ela t\u00eam ainda pouco significado; e nivela as pessoas de classe inferior com os pais, se essas pessoas a amam como aqueles o fazem. Como tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de rebaixar n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela substitui\u00e7\u00e3o de animais pelos pais do menino, pois as crian\u00e7as est\u00e3o longe de assumir uma vis\u00e3o depreciativa dos animais. Tios e tias s\u00e3o usados como substitutos dos pais sem qualquer considera\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o de rebaixamento, e isto foi, na verdade, realizado pelo nosso paciente, como o demonstraram muitas das suas recorda\u00e7\u00f5es (Freud, 1996<i>e<\/i>, p.105).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>e<\/i>). Hist\u00f3ria de uma Neurose Infantil. In. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 15-129). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1918)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando me procurou para o tratamento &#8211; de modo algum o motivo menos prov\u00e1vel da sua atitude era o fato de que a m\u00e3e, uma fan\u00e1tica religiosa, tinha horror de psican\u00e1lise &#8211; , os ci\u00fames do irm\u00e3o (que, de fato, se haviam manifestado, certa vez, num ataque homicida \u00e0 crian\u00e7a no ber\u00e7o) estavam h\u00e1 muito esquecidos. Agora tratava o irm\u00e3o com grande considera\u00e7\u00e3o; contudo, determinadas a\u00e7\u00f5es, curiosas e fortuitas, da sua parte (tais como s\u00fabitas e graves agress\u00f5es contra os animais favoritos, como o cachorro ou os p\u00e1ssaros que criava cuidadosamente) provavelmente deveriam ser compreendidas como ecos desses impulsos hostis contra o irm\u00e3o menor.<\/p>\n<p>O paciente relatou ent\u00e3o que, mais ou menos na \u00e9poca do ataque contra o beb\u00ea que tanto odiava, arremessara para a rua, pela janela da casa de campo, toda a lou\u00e7a que estava ao alcance da sua m\u00e3o &#8211; exatamente a mesma coisa que Goethe narra da sua inf\u00e2ncia em\u00a0<i>DichtungundWahrheit<\/i>! Posso adiantar que o paciente era estrangeiro e n\u00e3o estava familiarizado com a literatura alem\u00e3; jamais lera a autobiografia de Goethe (Freud, 1996<i>f<\/i>, pp. 161-162).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>f<\/i>). Uma Recorda\u00e7\u00e3o da Inf\u00e2ncia de\u00a0<i>DichtungUndWahrheit<\/i>. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 159-170). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Depois de ouvir essa afirma\u00e7\u00e3o, joguei para o alto todas as d\u00favidas. Quando, na an\u00e1lise, duas coisas s\u00e3o trazidas uma imediatamente ap\u00f3s a outra, como de um s\u00f3 f\u00f4lego, temos que interpretar essa proximidade como uma conex\u00e3o de pensamento. Era, portanto, como se o paciente houvesse dito: &#8216;<i>Porque<\/i>\u00a0descobri que ganhara um novo irm\u00e3o, pouco depois arremessei aquelas coisas \u00e0 rua. &#8216; O ato de lan\u00e7ar as escovas, sapatos etc., pela janela, deve ser reconhecido como uma rea\u00e7\u00e3o ao nascimento do irm\u00e3o (Freud, 1996<i>f<\/i>, p. 165).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>f<\/i>). Uma Recorda\u00e7\u00e3o da Inf\u00e2ncia de\u00a0<i>DichtungUndWahrheit<\/i>. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 159-170). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Uma jovem de dezenove anos contou-me espontaneamente que sua mais remota recorda\u00e7\u00e3o era a seguinte: \u00abVejo a mim mesma, terrivelmente travessa, sentada debaixo da mesa da sala de jantar, pronta para rastejar. Minha x\u00edcara de caf\u00e9 com leite est\u00e1 em cima da mesa &#8211; ainda posso ver muito bem o desenho da lou\u00e7a &#8211; e a vov\u00f3 entra na sala justamente no momento em que me preparo para arremessar a x\u00edcara pela janela.<\/p>\n<p>&#8216;\u00bb O fato \u00e9 que ningu\u00e9m estava se preocupando comigo e, entretanto, formara-se uma pel\u00edcula de nata sobre o caf\u00e9 com leite, o que sempre me causava repulsa, e ainda causa.<\/p>\n<p>&#8216;\u00bb Naquele dia nasceu o meu irm\u00e3o, que \u00e9 dois anos e meio mais novo que eu, de modo que ningu\u00e9m havia tido tempo para mim.<\/p>\n<p>&#8216;\u00bb Sempre me dizem que eu estava insuport\u00e1vel naquele dia: durante o jantar joguei ao ch\u00e3o o copo favorito do meu pai, sujei minha roupa diversas vezes e manifestei o pior dos humores, de manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0 noite. Na minha f\u00faria, fiz em peda\u00e7os a boneca com que brincava no banho. \u00bb &#8216;<\/p>\n<p>Esses dois casos mal necessitam de coment\u00e1rio. Estabelecem, sem qualquer outro esfor\u00e7o anal\u00edtico, que a amargura que as crian\u00e7as sentem quanto \u00e0 expectativa ou aparecimento real de um rival, encontra express\u00e3o no ato de arremessar objetos pela janela e em outras a\u00e7\u00f5es de impertin\u00eancia e destrutividade. No primeiro caso, os &#8216;objetos pesados&#8217; provavelmente simbolizavam a pr\u00f3pria m\u00e3e, contra quem a raiva da crian\u00e7a era dirigida, uma vez que o novo beb\u00ea ainda n\u00e3o havia surgido. O menino de tr\u00eas anos e meio sabia da gravidez da m\u00e3e, e n\u00e3o tinha d\u00favidas de que ela tinha o beb\u00ea no corpo. O &#8216;Little Hans&#8217; e seu particular temor de carros com muita carga podem aqui ser lembrados. No segundo caso, \u00e9 digna de nota a muito pouca idade da crian\u00e7a, dois anos e meio.<\/p>\n<p>Se voltarmos agora \u00e0 lembran\u00e7a da inf\u00e2ncia de Goethe e colocarmos, no lugar que ela ocupa em\u00a0<i>DichtungundWahrheit<\/i>, o que cremos haver obtido por meio da observa\u00e7\u00e3o de outras crian\u00e7as, emerge uma sequ\u00eancia de pensamento perfeitamente v\u00e1lida, que, de outra forma, n\u00e3o ter\u00edamos descoberto. Seria assim: &#8216;Eu era uma crian\u00e7a de sorte: o destino preservou a minha vida, embora tenha vindo ao mundo como morto. Al\u00e9m disso, o destino eliminou meu irm\u00e3o, de modo que n\u00e3o tive que compartilhar com ele o amor de minha m\u00e3e. &#8216; A sequ\u00eancia de pensamento [em\u00a0<i>DichtungundWahrheit<\/i>] prossegue ent\u00e3o para algu\u00e9m que morreu naqueles dias remotos &#8211; a av\u00f3, que vivia, como um esp\u00edrito tranquilo e amig\u00e1vel, em outra parte da casa.<\/p>\n<p>J\u00e1 observei, no entanto, em outro trabalho, que, se um homem foi o indiscut\u00edvel predileto de sua m\u00e3e, ele conserva durante toda a vida o sentimento triunfante, a confian\u00e7a no \u00eaxito, que n\u00e3o raro traz consigo o verdadeiro \u00eaxito. E Goethe poderia muito bem ter colocado, em sua autobiografia, um cabe\u00e7alho mais ou menos como este: &#8216;A minha for\u00e7a tem suas ra\u00edzes na rela\u00e7\u00e3o que tive com minha m\u00e3e. &#8216;(Freud, 1996<i>f<\/i>, pp. 166-167).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>f<\/i>). Uma Recorda\u00e7\u00e3o da Inf\u00e2ncia de\u00a0<i>DichtungUndWahrheit<\/i>. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 159-170). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O la\u00e7o da afei\u00e7\u00e3o, que via de regra liga a crian\u00e7a ao genitor do sexo oposto, sucumbe ao desapontamento, a uma v\u00e3 expectativa de satisfa\u00e7\u00e3o, ou ao ci\u00fame pelo nascimento de um novo beb\u00ea, prova inequ\u00edvoca da infidelidade do objetivo da afei\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Sua pr\u00f3pria tentativa de fazer um beb\u00ea, efetuada com tr\u00e1gica seriedade, fracassa vergonhosamente. A menor quantidade de afei\u00e7\u00e3o que recebe, as exig\u00eancias crescentes da educa\u00e7\u00e3o, palavras duras e um castigo ocasional mostram-lhe por fim toda a extens\u00e3o do desd\u00e9m que lhe concederam. Estes s\u00e3o alguns exemplos t\u00edpicos e constantemente recorrentes das maneiras pelas quais o amor caracter\u00edstico da idade infantil \u00e9 levado a um t\u00e9rmino (Freud, 1996<i>i<\/i>, pp. 31-32).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>i<\/i>). Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 17-78). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1920)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Naturalmente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a tarefa de tra\u00e7ar a ontog\u00eanese do instinto greg\u00e1rio. O medo mostrado pelas crian\u00e7as pequenas quando s\u00e3o deixadas sozinhas, e que Trotter alega constituir j\u00e1 uma manifesta\u00e7\u00e3o do instinto, no entanto sugere mais facilmente uma outra interpreta\u00e7\u00e3o. O medo relaciona-se \u00e0 m\u00e3e da crian\u00e7a e, posteriormente, a outras pessoas familiares, sendo a express\u00e3o de um desejo irrealizado, que a crian\u00e7a ainda n\u00e3o sabe tratar de outra maneira, exceto transformando-o em ansiedade. O medo da crian\u00e7a, quando est\u00e1 sozinha, tampouco \u00e9 apaziguado pela vis\u00e3o de qualquer fortuito &#8216;membro da grei&#8217;; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 criado pela aproxima\u00e7\u00e3o de um &#8216;estranho&#8217; desse tipo. Assim, durante longo tempo nada na natureza de um instinto greg\u00e1rio ou sentimento de grupo pode ser observado nas crian\u00e7as. Algo semelhante a ele primeiro se desenvolve, num quarto de crian\u00e7as com muitas crian\u00e7as, fora das rela\u00e7\u00f5es dos filhos com os pais, e assim sucede como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 inveja inicial com que a crian\u00e7a mais velha recebe a mais nova. O filho mais velho certamente gostaria de ciumentamente p\u00f4r de lado seu sucessor, mant\u00ea-lo afastado dos pais e despoj\u00e1-lo de todos os seus privil\u00e9gios; mas, \u00e0 vista de essa crian\u00e7a mais nova (como todas as que vir\u00e3o depois) ser amada pelos pais tanto quanto ele pr\u00f3prio, e em conseq\u00fc\u00eancia da impossibilidade de manter sua atitude hostil sem prejudicar-se a si pr\u00f3prio, aquele \u00e9 for\u00e7ado a identificar-se com as outras crian\u00e7as. Assim, no grupo de crian\u00e7as desenvolve-se um sentimento comunal ou de grupo, que \u00e9 ainda mais desenvolvido na escola. A primeira exig\u00eancia feita por essa forma\u00e7\u00e3o reativa \u00e9 de justi\u00e7a, de tratamento igual para todos. Todos sabemos do modo ruidoso e implac\u00e1vel como essa reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada na escola. Se n\u00f3s mesmos n\u00e3o podemos ser os favoritos, pelo menos ningu\u00e9m mais o ser\u00e1. Essa transforma\u00e7\u00e3o, ou seja, a substitui\u00e7\u00e3o do ci\u00fame por um sentimento grupal no quarto das crian\u00e7as e na sala de aula, poderia ser considerada improv\u00e1vel, se mais tarde o mesmo processo n\u00e3o pudesse ser de novo observado em outras circunst\u00e2ncias. Basta-nos pensar no grupo de mulheres e mo\u00e7as, todas elas apaixonadas de forma entusiasticamente sentimental, que se aglomeram em torno de um cantor ou pianista ap\u00f3s a sua apresenta\u00e7\u00e3o. Certamente seria f\u00e1cil para cada uma delas ter ci\u00fames das outras; por\u00e9m, diante de seu n\u00famero e da conseq\u00fcente impossibilidade de alcan\u00e7arem o objetivo de seu amor, renunciam a ele e, em vez de uma puxar os cabelos da outra, atuam como um grupo unido, prestam homenagem ao her\u00f3i da ocasi\u00e3o com suas a\u00e7\u00f5es comuns e provavelmente ficariam contentes em ficar com um peda\u00e7o das esvoa\u00e7antes madeixas dele. Originariamente rivais, conseguiram identificar-se umas com as outras por meio de um amor semelhante pelo mesmo objeto. Quando, como de h\u00e1bito, uma situa\u00e7\u00e3o instintual \u00e9 capaz de resultados diversos, n\u00e3o nos surpreender\u00e1 que o resultado real seja algum que traga consigo a possibilidade de uma certa quantidade de satisfa\u00e7\u00e3o, ao passo que um outro resultado, mais \u00f3bvio em si, seja desprezado, j\u00e1 que as circunst\u00e2ncias da vida impedem que ele conduza \u00e0quela satisfa\u00e7\u00e3o (Freud, 1996<i>j<\/i>, pp. 129-130).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>j<\/i>). Psicologia de Grupo e a An\u00e1lise do Ego. In. J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 81-156). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1921).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o dirigiu minha aten\u00e7\u00e3o para diversos casos em que, durante a primeira inf\u00e2ncia, impulsos de ci\u00fames, derivados do complexo materno e de grande intensidade, surgiram [num menino] contra os rivais, geralmente irm\u00e3os mais velhos. Esse ci\u00fame provocou uma atitude excessivamente hostil e agressiva para com esses irm\u00e3os, que poderia \u00e0s vezes atingir a intensidade de desejos reais de morte, incapazes ent\u00e3o de manter-se face ao desenvolvimento ulterior do sujeito. Sob as influ\u00eancias da cria\u00e7\u00e3o &#8211; e certamente sem deixar de ser influenciados tamb\u00e9m por sua pr\u00f3pria e continuada impot\u00eancia &#8211; esses impulsos renderam-se \u00e0 repress\u00e3o e experimentaram uma transforma\u00e7\u00e3o, de maneira que os rivais do per\u00edodo anterior se tornaram os primeiros objetos amorosos homossexuais. Tal resultado da liga\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e mostra-nos diversas rela\u00e7\u00f5es e interessantes com outros processos que nos s\u00e3o conhecidos. (Freud, 1996<i>l<\/i>, p. 246).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>l<\/i>). Alguns Mecanismos Neur\u00f3ticos no Ci\u00fame, na Paranoia e no Homossexualismo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 237-250). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1922)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>No decurso dessas pesquisas a crian\u00e7a chega \u00e0 descoberta de que o p\u00eanis n\u00e3o \u00e9 uma possess\u00e3o, comum a todas a criaturas que a ela se assemelham. Uma vis\u00e3o acidental dos \u00f3rg\u00e3os genitais de uma irm\u00e3zinha ou companheira de brinquedo proporciona a ocasi\u00e3o para essa descoberta. Em crian\u00e7as inusitadamente inteligentes, a observa\u00e7\u00e3o de meninas urinando ter\u00e1 despertado, mais cedo ainda, a suspeita de que existe aqui algo diferente, e ter\u00e3o efetuado tentativas de repetir suas observa\u00e7\u00f5es, de modo a conseguir esclarecimentos. Sabemos como as crian\u00e7as reagem \u00e0s suas primeiras impress\u00f5es da aus\u00eancia de um p\u00eanis. Rejeitam o fato e acreditam que elas realmente, ainda assim, v\u00eaem um p\u00eanis. Encobrem a contradi\u00e7\u00e3o entre a observa\u00e7\u00e3o e a preconcep\u00e7\u00e3o dizendo-se que o p\u00eanis ainda \u00e9 pequeno e ficar\u00e1 maior dentro em pouco, e depois lentamente chegam \u00e0 conclus\u00e3o emocionalmente significativa de que, afinal de contas, o p\u00eanis pelo menos estivera l\u00e1, antes, e fora retirado depois. A falta de um p\u00eanis \u00e9 vista como resultado da castra\u00e7\u00e3o e, agora, a crian\u00e7a se defronta com a tarefa de chegar a um acordo com a castra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3pria. Os desenvolvimentos ulteriores s\u00e3o geralmente conhecidos demais para que se torne necess\u00e1rio recapitul\u00e1-los aqui. Parece-me, por\u00e9m, que\u00a0<i>o significado do complexo de castra\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser corretamente apreciado se sua origem na fase da primazia f\u00e1lica for tamb\u00e9m levada em considera\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0(Freud, 1996<i>o<\/i>, pp. 159-160).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>o<\/i>). A Organiza\u00e7\u00e3o Genital Infantil: Uma Interpola\u00e7\u00e3o na Teoria da Sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 157-164). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1923)<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Deve-se supor que, ap\u00f3s o parric\u00eddio, um tempo consider\u00e1vel se passou, durante o qual os irm\u00e3os disputaram uns com os outros a heran\u00e7a do pai, que cada um deles queria para si sozinho. Uma compreens\u00e3o dos perigos e da inutilidade dessas lutas, uma rememora\u00e7\u00e3o do ato de libera\u00e7\u00e3o que haviam realizado juntos, e os v\u00ednculos emocionais m\u00fatuos que haviam surgido durante o per\u00edodo de sua expuls\u00e3o, conduziram por fim a um acordo entre eles, a uma esp\u00e9cie de contrato social. A primeira forma de organiza\u00e7\u00e3o social ocorreu com uma ren\u00fancia ao instinto1, um reconhecimento das obriga\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, a introdu\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es definidas, pronunciadas inviol\u00e1veis (sagradas), o que equivale a dizer, os prim\u00f3rdios da moralidade e da justi\u00e7a. (Freud, 1996, p. 96).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996). Mois\u00e9s, seu povo e a religi\u00e3o monote\u00edsta. Parte I, nota preambular II. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das\u00a0<i>Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 23, pp. 67-150). Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicada em 1938).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Novela Familiar<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>H\u00e1 n\u00e3o muito tempos sonhei que tinha sentimentos super carinhosos com Mathilde, s\u00f3 que ela se chamava Hella(&#8230;) Hella \u00e9 o nome de uma sobrinha americana cujo retrato nos foi enviado&#8230;. Mathilde e poderia se chamar Ella, porque ultimamente lamentou muito as derrotas dos gregos(&#8230;)meu sonho mostra, naturalmente, a realiza\u00e7\u00e3o do meu desejo de encontrar um pai que seja causador da neurose e deste modo, por fim \u00e0s minhas d\u00favidas acerca deste assunto que ainda persistem. (FREUD, 1974, p.343)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) Extratos de documentos dirigidos a Fliess. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. I, p. 243-394. (Obra original publicada1886-99).<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Puberdade (Adolesc\u00eancia)<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>A tend\u00eancia \u00e0 defesa, por\u00e9m, torna-se prejudicial, se ela \u00e9 dirigida contra ideias tamb\u00e9m capazes de, sob forma de lembran\u00e7as, liberar um desprazer novo- como \u00e9 o caso das ideias sexuais. Nisto, realmente, \u00e9 que se concretiza uma possibilidade de uma lembran\u00e7a ter, posteriormente, uma capacidade de libera\u00e7\u00e3o maior que a produzida pela experi\u00eancia correspondente. Somente uma coisa \u00e9 necess\u00e1ria para isto: que a puberdade se interponha entre a experi\u00eancia e a sua repeti\u00e7\u00e3o na lembran\u00e7a-evento que tanto aumenta o efeito da revivesc\u00eancia. FREUD, 1974, p.301.<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) Extratos de documentos dirigidos a Fliess<b>.\u00a0<\/b>In\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. I, p. 243-394 (Obra original publicada 1886).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Esse irm\u00e3o da paciente, tendo come\u00e7ado sua vida com boa constitui\u00e7\u00e3o, na puberdade defronta-se com as dificuldades sexuais pr\u00f3prias da idade; seguem-se anos de sobrecarga de trabalho, como estudante; prepara-se para os exames; e sofre um ataque de gonorreia, seguido de um s\u00fabito in\u00edcio de dispepsia, acompanhada de uma constipa\u00e7\u00e3o rebelde e inexplic\u00e1vel. Depois de alguns meses a constipa\u00e7\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda por sensa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o intercraniana, depress\u00e3o e incapacidade para o trabalho. Da\u00ed em diante o paciente torna-se cada vez mais ensimesmado, seu car\u00e1ter vai sofrendo limita\u00e7\u00f5es progressivas, at\u00e9 ele se tornar um tormento para a fam\u00edlia. (FREUD, 1974 p.172)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Um caso de cura pelo hipnotismo<i>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. I. p. 168-185. (Obra original publicada 1886-99).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Verificamos com tanta frequ\u00eancia, adolescentes que, anteriormente tinham sido sadios, embora excit\u00e1veis, adoecerem de histeria na puberdade, que devemos perguntar a n\u00f3s mesmos se aquele processo n\u00e3o pode criar disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 histeria onde ela n\u00e3o se encontrava de maneira inata (\u2026) O amadurecimento sexual gira em torno do sistema nervoso, aumentando a excitabilidade reduzindo as resist\u00eancias por toda a parte. Aprendemos isso pela observa\u00e7\u00e3o de adolescentes que n\u00e3o s\u00e3o hist\u00e9ricos e temos justificativa para crer que o amadurecimento sexual tamb\u00e9m estabelece a disposi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica, desde que consiste precisamente nesta caracter\u00edstica do sistema nervoso (&#8230;) (FREUD, p.301)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974)\u00a0<b><\/b>Considera\u00e7\u00f5es Te\u00f3ricas. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. II, p. 237-308. (Obra original publicada 1893-1895).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>\u00c9 verdade que estas experi\u00eancias, descobertas com tanta dificuldade e extra\u00eddas de todo o material mn\u00eamico, tem em comum as duas caracter\u00edsticas de serem sexuais e ocorrerem na puberdade; mas em todos os outros aspectos elas diferem muit\u00edssimo, tanto em esp\u00e9cie como em import\u00e2ncia. Em alguns casos, sem d\u00favida, referimo-nos a experi\u00eancias que devem ser consideradas traumas graves -uma tentativa de defloramento que, talvez de um s\u00f3 golpe, revele a uma menina imatura toda a brutalidade do desejo sexual, ou o testemunho involunt\u00e1rio de atos entre seus pais, que a um s\u00f3 e mesmo tempo mostre insuspeitada fealdade e fira do mesmo modo a sensibilidade moral infantil, e assim por diante. (FREUD, 1974.p.227).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Novos coment\u00e1rios sobre as neuropsicoses de defesa In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol.III, p. 163-211. (Obra original publicada 1893-1899).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Em sete dos treze casos o intercurso se crian\u00e7as de ambos os lados- rela\u00e7\u00f5es sexuais entre uma garotinha e seu irm\u00e3o, um pouco mais velho, que fora por sua vez v\u00edtima da sedu\u00e7\u00e3o anterior. Essas rela\u00e7\u00f5es algumas vezes perduraram durante anos, at\u00e9 que os pequenos culpados atingissem a puberdade&#8230;<\/p>\n<p>Em uns poucos casos houve uma combina\u00e7\u00e3o de um assalto com rela\u00e7\u00f5es entre crian\u00e7as, ou a repeti\u00e7\u00e3o de um abuso brutal. FREUD, 1974, p. 175<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (194) Hereditariedade e Etiologia das Neuroses. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol.III, pp. 163-211. (Obra original publicada 1893-1899).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) e a interpreta\u00e7\u00e3o do sonho nos levou de volta, imediatamente, \u00e0 \u00e9poca de seu desenvolvimento f\u00edsico na puberdade, quando ela come\u00e7ara a ficar insatisfeita com seu corpo. Dificilmente podemos duvidar de que tenha reconduzido a tempos ainda mais remotos, se levarmos em conta o termo \u00bb repulsivo \u00bb e o \u00bb barulho horroroso \u00ab, e se nos lembrarmos de quantas vezes \u2013 tanto nos\u00a0<i>doubles entendres<\/i>\u00a0como nos sonhos \u2013 os hemisf\u00e9rios menores do corpo da mulher s\u00e3o usados, quer como contrastes. (FREUD, 1974, p.197)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) Material Recente e Indiferente Nos Sonhos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol.III, p. .175-233. (Obra original publicada 1893-1899).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>H\u00e1 realmente bem pouca dificuldade de inferir (\u2026):(1) que o rapaz se havia masturbado quando era mais mo\u00e7o, que provavelmente o havia negado e que fora amea\u00e7ado com severos castigos por mau h\u00e1bito(cf sua admiss\u00e3o : Je ne farais plus e sua negativa: Albert n&#8217;a jamais fait \u00e7a); (2) que com o desenrolar da puberdade, a tenta\u00e7\u00e3o a masturbar-se havia revivido com as c\u00f3cegas em seus \u00f3rg\u00e3o genitais, mas (3) que uma luta pela repress\u00e3o havia interrompido nele a qual havia suprimido sua libido e transformado em ansiedade e que estava tomado o lugar dos castigos com que fora anteriormente amea\u00e7ado.(FREUD, 1974.p.624)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) O Despertar Causado Por Sonhos- A Fun\u00e7\u00e3o Dos Sonhos-Sonhos de Ang\u00fastia. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>. Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/i><b>.\u00a0<\/b>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. V, p. 611-660. (Obra original publicada 1900-1901).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>De um lado, afirma que as crian\u00e7as s\u00e3o \u00abcapazes de todas as fun\u00e7\u00f5es sexuais ps\u00edquicas e de muitas das som\u00e1ticas\u00bb e que \u00e9 err\u00f4neo supor que sua vida sexual s\u00f3 come\u00e7a apenas na puberdade. Mas, de outro lado, declara que &#8216;a organiza\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana buscam evitar qualquer atividade sexual consider\u00e1vel na inf\u00e2ncia, que as for\u00e7as propulsoras sexuais dos seres humanos deveriam ser armazenadas e liberadas s\u00f3 na puberdade&#8217;, e que isso explica por que as experi\u00eancias sexuais na inf\u00e2ncia t\u00eam de ser patog\u00eanicas. (FREUD, 1972.p.126-127)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. . In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<b>.\u00a0<\/b><i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;). Ela [puls\u00e3o sexual] estaria ausente na inf\u00e2ncia, far-se-ia sentir na \u00e9poca em conex\u00e3o com o processo de matura\u00e7\u00e3o da puberdade, seria exteriorizada nas manifesta\u00e7\u00f5es de atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel que um sexo exerce sobre o outro, e seu objetivo seria a uni\u00e3o sexual, ou pelo menos os atos que levassem nessa dire\u00e7\u00e3o. Mas (&#8230;) constata-se que est\u00e3o repletos de erros, imprecis\u00f5es e conclus\u00f5es apressadas. (FREUD, 1972.p.135)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A maioria dos psiconeur\u00f3ticos s\u00f3 adoecem ap\u00f3s a puberdade como resultado das exig\u00eancias a eles feitas pela vida sexual normal. (&#8230;). Ou ent\u00e3o a doen\u00e7a se instaura mais tardiamente, quando a libido fica privada de satisfa\u00e7\u00e3o pelas vias normais. (FREUD, 1972.p.173)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade.\u00a0<b>.\u00a0<\/b>In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora. vol VII, p. 123-250,(obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Uma caracter\u00edstica da ideia popular sobre o instinto sexual \u00e9 que ele est\u00e1 ausente na inf\u00e2ncia e s\u00f3 desperta no per\u00edodo da vida descrito como puberdade. Isto, contudo, n\u00e3o \u00e9 puramente um erro simples, mas um erro que tem tido graves consequ\u00eancias, pois \u00e9 o principal culpado de nossa ignor\u00e2ncia de hoje sobre as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da vida sexual. (FREUD, 1972.p.177)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>De tempos em tempos, uma manifesta\u00e7\u00e3o fragment\u00e1ria de sexualidade que escapou \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o pode libertar-se; ou alguma atividade sexual pode persistir por toda a dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de lat\u00eancia at\u00e9 que o instinto sexual surja com maior intensidade na puberdade. (FREUD, 1972.p.183).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. . In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<b>.\u00a0<\/b><i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A masturba\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia parece desaparecer ap\u00f3s um curto tempo; mas pode persistir interruptamente at\u00e9 a puberdade (&#8230;). Mas todos os seus detalhes deixam as impress\u00f5es mais profundas (inconscientes) na mem\u00f3ria do paciente, determinam o desenvolvimento de seu car\u00e1ter no caso de que ele se mantenha sadio, e a sintomatologia de sua neurose, no caso de que ele adoe\u00e7a ap\u00f3s a puberdade. (FREUD, 1972.p.194).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)<i>. Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editor, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) devemos tamb\u00e9m supor que a escolha de um objeto, tal como a que mostramos ser caracter\u00edstica da fase puberal do desenvolvimento, j\u00e1 foi frequentemente ou habitualmente feita durante os anos da inf\u00e2ncia (&#8230;). A \u00fanica diferen\u00e7a est\u00e1 no fato de que na inf\u00e2ncia a combina\u00e7\u00e3o dos instintos parciais e sua subordina\u00e7\u00e3o sob o primado dos genitais s\u00f3 foram efetuados muito incompletamente ou n\u00e3o o foram de forma alguma. Assim, o estabelecimento desse primado a servi\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00faltima fase atrav\u00e9s da qual passa a organiza\u00e7\u00e3o da sexualidade (FREUD, 1972.p.205).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Com a chegada da puberdade operam-se mudan\u00e7as que levam a vida sexual infantil a sua configura\u00e7\u00e3o normal definitiva. At\u00e9 esse momento, a puls\u00e3o sexual era predominantemente auto-er\u00f3tica; agora, encontra o objeto sexual. (&#8230;) por\u00e9m, surge um novo alvo sexual para cuja consecu\u00e7\u00e3o todas as puls\u00f5es parciais se conjugam, enquanto as zonas er\u00f3genas subordinam-se ao primado da zona genital. (FREUD, 1972.p.213).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O mais definido dos processos da puberdade foi escolhido como aquele que constitui sua ess\u00eancia: o crescimento manifesto dos \u00f3rg\u00e3os genitais externos (&#8230;). Entrementes, o desenvolvimento dos \u00f3rg\u00e3os genitais internos avan\u00e7ou bastante para que eles possam descarregar produtos sexuais ou, conforme o caso, provocar a forma\u00e7\u00e3o de um novo organismo vivo. (FREUD, 1972.p.214).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) segunda metade da inf\u00e2ncia (dos oito anos at\u00e9 a puberdade). Durante esses anos, as zonas genitais (&#8230;) convertem-se na sede de sensa\u00e7\u00f5es de excita\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es preparat\u00f3rias sempre que se sente algum prazer pela satisfa\u00e7\u00e3o de outras zonas er\u00f3genas, embora esse efeito continue desprovido de finalidade, ou seja, n\u00e3o contribua em nada para o prosseguimento do processo sexual. (FREUD, 1972.p.218).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o na puberdade se estabelece a distin\u00e7\u00e3o n\u00edtida entre os caracteres masculinos e femininos (&#8230;). A atividade auto-er\u00f3tica das zonas er\u00f3genas \u00e9, contudo, a mesma em ambos os sexos, e devido a esta uniformidade, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de distin\u00e7\u00e3o entre os dois sexos como a que ocorre ap\u00f3s a puberdade. (FREUD, 1972.p.225).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud S. (1972). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Quando se quer compreender a transforma\u00e7\u00e3o da menina em mulher, \u00e9 preciso acompanhar as vicissitudes posteriores dessa excitabilidade do clit\u00f3ris (&#8230;). A puberdade (&#8230;) \u00e9 marcada nas mo\u00e7as por uma onda nova de\u00a0<i>repress\u00e3o<\/i>\u00a0em que \u00e9 afetada precisamente a sexualidade clitoridiana (&#8230;) Quando finalmente o ato sexual \u00e9 permitido e o pr\u00f3prio clit\u00f3ris fica excitado, ele ainda ret\u00e9m essa fun\u00e7\u00e3o, ou seja, a tarefa de transmitir a excita\u00e7\u00e3o \u00e0s partes sexuais femininas adjacentes (&#8230;). (FREUD, 1972.p.227).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972<i>).\u00a0<\/i>Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) a afei\u00e7\u00e3o dos pais pelo filho pode despertar prematuramente seu instinto sexual (&#8230;) a tal ponto que a excita\u00e7\u00e3o mental rompe caminho de maneira inequ\u00edvoca at\u00e9 o aparelho genital. (&#8230;) se forem bastante felizes em evitar isto, a sua afei\u00e7\u00e3o pode ent\u00e3o cumprir a tarefa de orientar o filho em sua escolha de um objeto sexual quando ele atingir a maturidade. (FREUD, 1972.p.231-232)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) uma das mais significativas e, tamb\u00e9m uma das mais dolorosas realiza\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas do per\u00edodo puberal: o desligamento da autoridade dos pais, (&#8230;) um certo n\u00famero \u00e9 retido; portanto, h\u00e1 alguns que nunca suplantam a autoridade dos pais e retiram sua afei\u00e7\u00e3o deles incompletamente ou n\u00e3o a retiram, de forma alguma. S\u00e3o na maioria mo\u00e7as que, para deleite se deus pais, persistiram em seu amor infantil (&#8230;) estas mo\u00e7as que, (&#8230;) tornam-se esposas frias e permanecem sexualmente anest\u00e9sicas. (FREUD, 1972.p.234)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972<i>)\u00a0<\/i>Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) examinar as altera\u00e7\u00f5es provocadas pela chegada da puberdade. Selecionamos duas delas como sendo as decisivas: a subordina\u00e7\u00e3o de todas as outras fontes de excita\u00e7\u00e3o sexual \u00e0 primazia das zonas genitais e o processo de escolha de um objeto. (&#8230;) A primeira \u00e9 realizada pelo mecanismo de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-prazer: o que eram antes atos sexuais aut\u00f4nomos, seguidos de prazer e excita\u00e7\u00e3o, tornam-se atos preparat\u00f3rios para o objetivo sexual (a descarga dos produtos sexuais) (&#8230;) verificamos que, para se transformar em mulher, \u00e9 necess\u00e1rio mais um est\u00e1gio de repress\u00e3o, que elimina uma parte da masculinidade infantil e prepara a mulher para a altera\u00e7\u00e3o de sua zona genital principal. No tocante \u00e0 escolha de objeto, verificamos que ela recebe sua dire\u00e7\u00e3o das sugest\u00f5es da inf\u00e2ncia (revividas na puberdade) da inclina\u00e7\u00e3o sexual da crian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o aos pais e a outros que dela cuidam, mas que \u00e9 desviada deles para outras pessoas que a eles se assemelhem, devido \u00e0 barreira contra o incesto (&#8230;). (FREUD, 1972.p.241-242).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro<\/i>: Imago Editora, vol VII, p. 123-250, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Durante o per\u00edodo de vida que vai do final do quinto ano \u00e0s primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da puberdade (por volta dos onze anos) e que pode ser chamado de per\u00edodo de &#8216;lat\u00eancia sexual&#8217;, criam-se na mente forma\u00e7\u00f5es reativas, ou contra for\u00e7as, como a vergonha, a repugn\u00e2ncia e a moralidade. Na verdade, surgem \u00e0s expensas das excita\u00e7\u00f5es provenientes das zonas er\u00f3genas e erguem-se como diques para opor-se \u00e0s atividades posteriores dos instintos sexuais. (FREUD, 1972.p.177)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) Car\u00e1ter e erotismo anal. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.\u00a0<\/i>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol IX, p. 173-181, (obra original publicada 1908).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A anatomia reconheceu no clit\u00f3ris (&#8230;) um \u00f3rg\u00e3o hom\u00f3logo ao p\u00eanis, (&#8230;) torna-se a sede de excita\u00e7\u00f5es que fazem com que ele seja tocado, e a sua excitabilidade confere \u00e0 atividade sexual da menina um car\u00e1ter masculino, sendo necess\u00e1ria uma vaga de repress\u00e3o nos anos da puberdade para que desapare\u00e7a essa sexualidade masculina e surja a mulher. Como a fun\u00e7\u00e3o sexual de muitas mulheres apresenta-se reduzida, seja por seu obstinado apego a essa excitabilidade do clit\u00f3ris, de modo a permanecerem anestesiadas durante o coito, seja por uma repress\u00e3o t\u00e3o excessiva que seu funcionamento \u00e9 em parte substitu\u00eddo por forma\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias hist\u00e9ricas \u2013 tudo isso parece mostrar que existe uma dose de verdade na teoria sexual infantil de que as mulheres possuem, como os homens, um p\u00eanis. (FREUD, 1972.p.220-221)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976). Sobre as teorias sexuais das crian\u00e7as. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 123-250, (obra original publicada 1908).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Durante o per\u00edodo de vida que vai do final do quinto ano \u00e0s primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da puberdade (por volta dos onze anos) e que pode ser chamado de per\u00edodo de &#8216;lat\u00eancia sexual&#8217;, criam-se na mente forma\u00e7\u00f5es reativas, ou contra for\u00e7as, como a vergonha, a repugn\u00e2ncia e a moralidade. Na verdade, surgem \u00e0s expensas das excita\u00e7\u00f5es provenientes das zonas er\u00f3genas e erguem-se como diques para opor-se \u00e0s atividades posteriores dos instintos sexuais. (FREUD, 1972.p.177)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) Car\u00e1ter e erotismo anal. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.\u00a0<\/i>Rio de Janeiro: Imago Editora, vol IX, p. 173-181, (obra original publicada 1908).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: no exato per\u00edodo em que a jovem experimentava a revivesc\u00eancia de seu complexo de \u00c9dipo infantil, na puberdade, sofreu seu grande desapontamento. Tornou-se profundamente c\u00f4nscia do desejo de possuir um filho, um filho homem; seu desejo de ter o filho de seu\u00a0<i>pai<\/i>\u00a0e uma imagem\u00a0<i>dele<\/i>, na consci\u00eancia ela n\u00e3o podia conhecer. Que sucedeu depois? N\u00e3o foi\u00a0<i>ela<\/i>\u00a0quem teve o filho, mas sua rival inconscientemente odiada, a m\u00e3e. Furiosamente ressentida e amargurada, afastou-se completamente do pai e dos homens. Passado esse primeiro grande rev\u00e9s, abjurou de sua feminidade e procurou outro objetivo para sua libido (Freud, 1996<i>k<\/i>, p. 169).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>k<\/i>). A Psicog\u00eanese de um Caso de Homossexualismo numa Mulher. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 159-186). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1920)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Segredos de Fam\u00edlia<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>Quando as primeiras dificuldades do tratamento tinham sido superadas, Dora contou-me um epis\u00f3dio anterior com o Herr. K., mais bem talhado ainda para operar como um trauma sexual. Ela tinha ent\u00e3o quatorze anos. Herr K. combinara com ela e com sua mulher encontrarem-se uma tarde em seu local de trabalho (&#8230;) para assistirem a um festival religioso. Ele, contudo, persuadiu a esposa a ficar em casa, e mandou seus empregados embora, encontrando-se assim sozinho quando a mo\u00e7a chegou. Aproximando-se a hora da prociss\u00e3o, pediu ele \u00e0 mo\u00e7a que esperasse por ele na porta que dava para a escada que levava ao andar superior, enquanto ele abaixava as portas corredi\u00e7as externas. Em seguida voltou e, ao inv\u00e9s de sair pela porta aberta, agarrou subitamente a mo\u00e7a e beijou-as nos l\u00e1bios. (&#8230;) Dora teve naquele momento uma violenta sensa\u00e7\u00e3o de repugn\u00e2ncia, livrou-se do homem e passou por ele correndo para a escada, da\u00ed alcan\u00e7ando a porta da rua. Ela, todavia, continuou a encontrar-se com Herr K.. nenhum deles , contudo, jamais mencionou a pequena cena; e segundo seu relato Dora a manteve em segredo at\u00e9 a confiss\u00e3o durante o tratamento. (FREUD, 1972.p.25-26).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 25-26, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Dora tivera um grande n\u00famero de acessos de tosse acompanhados de perda de voz. Ser\u00e1 que a presen\u00e7a ou aus\u00eancia do homem que ela amava tivera influencia sobre o aparecimento e desaparecimento dos sintomas de sua doen\u00e7a? (&#8230;). Sua doen\u00e7a era, portanto uma demonstra\u00e7\u00e3o de seu amor por K. assim como, para a esposa dele, era uma demonstra\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>rep\u00fadio<\/i>.(&#8230;) Mais tarde, sem d\u00favida, tornou-se necess\u00e1rio obscurecer a coincid\u00eancia entre seus acessos de doen\u00e7a e a aus\u00eancia do homem que ela secretamente amava, para que sua regularidade n\u00e3o tra\u00edsse seu segredo. A dura\u00e7\u00e3o dos acessos permaneceria, ent\u00e3o, como um tra\u00e7o de seu significado original. (FREUD, 1972.p.37)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972). Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 1-119, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Ela tamb\u00e9m costumava repisar com not\u00e1vel frequ\u00eancia e peculiar \u00eanfase a hist\u00f3ria de uma outra desaven\u00e7a que pareceu inexplic\u00e1vel at\u00e9 mesmo para ela. Sempre se dera particularmente bem com a mais jovem de suas primas (&#8230;) e partilhara toda esp\u00e9cie de segredo com ela. (FREUD, 1972.p.58).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 1-119, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>\u00c0 minha entrada na sala, onde me aguardava, ela escondeu apressadamente uma carta que estivera lendo. Indaguei com naturalidade quem a enviara, mas a princ\u00edpio recusou-se a responder. (&#8230;) Tratava-se de uma carta de sua av\u00f3, na qual pedia a Dora que lhe escrevesse mais ami\u00fade. Acredito que Dora quisesse apenas brincar de \u00abfazer segredo\u00bb comigo e insinuar que estava a ponto de permitir que segredo lhe fosse arrancado pelo m\u00e9dico. (&#8230;).<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es ao pai por hav\u00ea-la tornado doente e a auto reprova\u00e7\u00e3o que as ocultava, a leucorr\u00e9ia, o brincar com a bolsinha, o urinar na cama ap\u00f3s seis anos, o segredo que ela n\u00e3o permitia ser-lhe arrancado pelos m\u00e9dicos (&#8230;). (FREUD, 1972.p.75)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 1-119, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Vi-me obrigado a falar em transfer\u00eancia, pois somente atrav\u00e9s deste fator posso elucidar as peculiaridades da an\u00e1lise de Dora. (&#8230;) A princ\u00edpio era evidente que eu substitu\u00eda seu pai em sua imagina\u00e7\u00e3o, (&#8230;). Ela me comparava constantemente a ele, de modo consciente, e estava sempre tentando ansiosamente assegurar-se de minha sinceridade para com ela, j\u00e1 que seu pai \u00absempre guardava segredos e fazia rodeios. (FREUD, 1972.p.115)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1972) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. VII, p. 1-119, (obra original publicada 1905).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;) encontrei na correspond\u00eancia familiar do grande pensador e filantropo Multatuli. Algumas linhas que constituem uma resposta mais do que adequada:<\/p>\n<p>&#8216;A meu ver, certas coisas s\u00e3o, em geral, exageradamente encobertas. \u00c9 justo conservar pura a imagina\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 a ignor\u00e2ncia que ir\u00e1 preservar essa pureza. Ao contr\u00e1rio, acho que a oculta\u00e7\u00e3o conduz o menino ou menina a suspeitar mais do que nunca da verdade. (&#8230;) O conv\u00edvio com outras crian\u00e7as, as leituras que induzem \u00e0 reflex\u00e3o e o mist\u00e9rio com que os pais cercam fatos que terminam por vir \u00e0 tona, tudo isso na verdade intensifica o desejo de conhecimento. Esse desejo, satisfeito apenas parcialmente e em segredo, excita seu sentimento e corrompe sua imagina\u00e7\u00e3o, de forma que a crian\u00e7a j\u00e1 peca enquanto os pais ainda acreditam que ela desconhece o pecado. (FREUD, 1972.p.138)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). O esclarecimento sexual das crian\u00e7as (carta aberta ao Dr. M. F\u00fcrst). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. IX, p. 135-144, obra original publicada (1907).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o me parece haver uma \u00fanica raz\u00e3o de peso para negar \u00e0s crian\u00e7as o esclarecimento que sua sede de saber exige. Certamente se a inten\u00e7\u00e3o dos educadores \u00e9 sufocar a capacidade da crian\u00e7a de pensamento independente, em favor de uma pretensa &#8216;bondade&#8217; que tanto valorizam, n\u00e3o poderiam escolher melhor caminho do que ludibri\u00e1-la em quest\u00f5es sexuais e intimid\u00e1-la pela religi\u00e3o. As naturezas mais fortes, \u00e9 verdade, resistir\u00e3o a tais influ\u00eancias e se tornar\u00e3o rebeldes contra a autoridade dos pais e, mais tarde, contra qualquer outra autoridade. Se as d\u00favidas que as crian\u00e7as levam aos mais velhos n\u00e3o s\u00e3o satisfeitas, elas continuam a atorment\u00e1-las em segredo, levando-as a procurar solu\u00e7\u00f5es nas quais a verdade adivinhada mescla-se da forma mais extravagante a grotescas falsidades, e a trocar entre si informa\u00e7\u00f5es furtivas em que o sexo \u00e9 apresentado como uma coisa horr\u00edvel e nauseante, em consequ\u00eancia do sentimento de culpa dos jovens curiosos. (FREUD, 1972.p.126-127).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) O esclarecimento sexual das crian\u00e7as (carta aberta ao Dr. M. F\u00fcrst). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.) .<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. IX, p. 135-144, (obra original publicada 1907).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o leva-nos, ent\u00e3o, de volta a uma \u00e9poca na vida do menino em que ele adquire conhecimento mais ou menos completo das rela\u00e7\u00f5es sexuais entre os adultos, aproximadamente em torno dos anos da pr\u00e9-puberdade. Partes brutais de informa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o indiscriminadamente destinadas a suscitar desprezo e rebeldia, agora, lhe comunicam o segredo da vida sexual e destroem a autoridade dos adultos, que parece incompat\u00edvel com a revela\u00e7\u00e3o de suas atividades sexuais. O aspecto dessas descobertas, que afetam mais profundamente a crian\u00e7a rec\u00e9m-instru\u00edda, \u00e9 a maneira em que s\u00e3o aplicadas a seus pr\u00f3prios pais. Essa aplica\u00e7\u00e3o \u00e9, muitas vezes, francamente rejeitada por ela, mais ou menos nestas palavras: `Seus pais e outras pessoas podem fazer coisas como esta entre si, mas meus pais, possivelmente, n\u00e3o podem faz\u00ea-las.&#8217; (Freud, 1974, p. 154) (Freud, 2006, p. 164)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974). Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (contribui\u00e7\u00f5les \u00e0 psicologia do amor I). In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 147-157). Rio de Janeiro: Imago Editora. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<li>Freud, S. (2006). Sobre un tipo particular de elecci\u00f3n de objeto en el hombre (Contribuiciones a la psicologia del amor, I).\u00a0<i>Obras completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. XI, pp. 155-168). Buenos Aires: Amorrortu editores. (Obra original publicada 1910).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O interesse sexual das crian\u00e7as come\u00e7a, certamente, quando elas se voltam para o problema de saberem de onde \u00e9 que v\u00eam os beb\u00eas &#8211; o mesmo problema subjacente \u00e0 pergunta feita pela esfinge de Tebas &#8211; e na maior parte dos casos este problema surge por causa dos temores ego\u00edstas da chegada de um novo beb\u00ea. A resposta, que j\u00e1 est\u00e1 pronta e diz que os beb\u00eas s\u00e3o trazidos pela cegonha, esbarra na descren\u00e7a at\u00e9 mesmo de crian\u00e7as pequenas, numa freq\u00fc\u00eancia muito maior do que percebemos. O sentimento de que a verdade est\u00e1 sendo falseada pelos adultos contribui em muito para fazer com que as crian\u00e7as se sintam s\u00f3s e desenvolvam sua independ\u00eancia. Uma crian\u00e7a n\u00e3o tem, contudo, condi\u00e7\u00f5es de solucionar este problema por seus pr\u00f3prios meios. Sua constitui\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o desenvolvida estabelece limites precisos \u00e0 sua capacidade de percep\u00e7\u00e3o. Come\u00e7a por supor que os beb\u00eas v\u00eam de pessoas que ingerem algo de especial no alimento, e n\u00e3o sabe que apenas as mulheres podem ter beb\u00eas. Depois percebe esta limita\u00e7\u00e3o e deixa de considerar o comer como sendo a origem dos beb\u00eas &#8211; embora tal teoria persista em contos de fadas. Com o aumento de sua idade, a crian\u00e7a logo percebe que seu pai deve ter algum papel nessa hist\u00f3ria de ter beb\u00eas, mas n\u00e3o consegue adivinhar qual. Se ocorre a crian\u00e7a presenciar um ato sexual, encara-o como tentativa de subjuga\u00e7\u00e3o, como luta, e isto constitui a compreens\u00e3o deformada, em termos s\u00e1dicos, do coito. Entretanto, no in\u00edcio, n\u00e3o correlaciona este ato com o surgimento de um beb\u00ea. Assim, tamb\u00e9m, se a crian\u00e7a encontra vest\u00edgios de sangue na cama da m\u00e3e, ou nas roupas \u00edntimas desta, toma isto como sinal de que ela foi ferida por seu pai. Ainda mais tarde, na inf\u00e2ncia, a crian\u00e7a sem d\u00favida suspeita que o \u00f3rg\u00e3o sexual do homem tem uma parte essencial na produ\u00e7\u00e3o de beb\u00eas, mas a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o que consegue atribuir a esse \u00f3rg\u00e3o do corpo \u00e9 a mic\u00e7\u00e3o (Freud, 1996<i>b<\/i>, p. 323).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>b<\/i>). Confer\u00eancia XX: A Vida Sexual dos Seres Humanos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 16, pp. 309-324). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Acredito que essas\u00a0<i>fantasias primitivas<\/i>, como prefiro denomin\u00e1-las, e, sem d\u00favida, tamb\u00e9m algumas outras, constituem um acervo filogen\u00e9tico. Nelas, o indiv\u00edduo se contacta, al\u00e9m de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, com a experi\u00eancia primeva naqueles pontos nos quais sua pr\u00f3pria experi\u00eancia foi demasiado rudimentar. Parece-me bem poss\u00edvel que todas as coisas que nos s\u00e3o relatadas hoje em dia, na an\u00e1lise, como fantasia &#8211; sedu\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, surgimento da excita\u00e7\u00e3o sexual por observar o coito dos pais, amea\u00e7a de castra\u00e7\u00e3o (ou, ent\u00e3o, a pr\u00f3pria castra\u00e7\u00e3o) &#8211; foram, em determinada \u00e9poca, ocorr\u00eancias reais dos tempos primitivos da fam\u00edlia humana, e que as crian\u00e7as, em suas fantasias, simplesmente preenchem os claros da verdade individual com a verdade pr\u00e9-hist\u00f3rica (Freud, 1996<i>d<\/i>, p. 373).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>d<\/i>). Confer\u00eancia XXIII: Os Caminhos da Forma\u00e7\u00e3o dos Sintomas. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)..\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 16, pp. 361-378). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1917).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>N\u00e3o sei com que frequ\u00eancia os pais e educadores, defrontando-se com mau comportamento inexplic\u00e1vel por parte de uma crian\u00e7a, possam n\u00e3o ter ocasi\u00e3o de conservar na lembran\u00e7a esse t\u00edpico estado de coisas. Uma crian\u00e7a que se comporta de forma ind\u00f3cil est\u00e1 fazendo uma confiss\u00e3o e tentando provocar um castigo. Espera por uma surra como um meio de simultaneamente pacificar seu sentimento de culpa e de satisfazer sua tend\u00eancia sexual masoquista (Freud, 1996<i>e<\/i>, p.39).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>e<\/i>). Hist\u00f3ria de uma Neurose Infantil. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.)..<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 15-129). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1918).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Essas cenas de observa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sexuais entre os pais, de ser seduzido na inf\u00e2ncia e de ser amea\u00e7ado com a castra\u00e7\u00e3o s\u00e3o inquestionavelmente, um dote herdado, uma heran\u00e7a filogen\u00e9tica, mas podem tamb\u00e9m facilmente ser adquiridas pela experi\u00eancia pessoal. Com meu paciente, a sedu\u00e7\u00e3o pela irm\u00e3 mais velha foi uma realidade indiscut\u00edvel; por que n\u00e3o deveria tamb\u00e9m ser verdadeira a sua observa\u00e7\u00e3o da c\u00f3pula dos pais? (Freud, 1996<i>e<\/i>, p.104).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>e<\/i>). Hist\u00f3ria de uma Neurose Infantil. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 15-129). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1918)<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Viol\u00eancia familiar (trai\u00e7\u00e3o)<\/b><\/p>\n<blockquote>\n<p>O segundo grupo consiste em casos muito mais numerosos, nos quais algum adulto que toma conta da crian\u00e7a- uma bab\u00e1, uma governanta, um tutor, ou infelizmente, com frequ\u00eancia grande demais, um parente pr\u00f3ximo -inicia a crian\u00e7a no intercurso sexual e mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o amorosa com ela- uma rela\u00e7\u00e3o amorosa que tem, al\u00e9m deu lado mental desenvolvido- que frequentemente dura anos. (FREUD, 1974.p.235).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1974) A Etiologia da Histeria. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira Das Obras Completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol.III, p. 215-249 (Obra original publicada 1893-1899).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>A terceira das teorias sexuais t\u00edpicas surge nas crian\u00e7as quando, por qualquer circunst\u00e2ncia dom\u00e9stica, elas testemunham acidentalmente uma rela\u00e7\u00e3o sexual entre os pais. (&#8230;) a crian\u00e7a chega sempre \u00e0 mesma conclus\u00e3o, adotando o que se poderia chamar de uma\u00a0<em>concep\u00e7\u00e3o s\u00e1dica do coito<\/em>. Ela o encara como um ato imposto violentamente pelo participante mais forte ao mais fraco. (&#8230;). N\u00e3o consegui certificar-me se a crian\u00e7a v\u00ea, neste comportamento que testemunhou entre seus pais, o elo que lhe faltava para solucionar o problema dos beb\u00eas. \u00c9 bem prov\u00e1vel que n\u00e3o percebam essa conex\u00e3o pela simples raz\u00e3o de que interpretam o ato de amor como sendo um ato de viol\u00eancia. (FREUD, 1976.p.223).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976). Sobre as teorias sexuais das crian\u00e7as. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. IX, p. 213- 228, (obra original publicada 1908).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>(&#8230;). Em muitos casamentos a esposa de fato resiste ao abra\u00e7o do marido, que n\u00e3o lhe causa prazer, mas sim o risco de uma nova gravidez. E assim a crian\u00e7a que julgam adormecida (ou que se finge adormecida) pode ficar com a impress\u00e3o de que sua m\u00e3e se defendia de um ato de viol\u00eancia. Outras vezes o casamento oferece \u00e0 observadora crian\u00e7a o espet\u00e1culo de brigas cont\u00ednuas, expressas em palavras duras e gestos inamistosos. (&#8230;)<\/p>\n<p>Em acr\u00e9scimo, se a crian\u00e7a descobre manchas de sangue na cama da m\u00e3e ou em suas roupas \u00edntimas, considera-se como uma confirma\u00e7\u00e3o de suas concep\u00e7\u00f5es. Para ela s\u00e3o provas de que o pai tornou a agredir a m\u00e3e \u00e0 noite (&#8230;). Grande parte do &#8216;horror ao sangue&#8217; dos neur\u00f3ticos s\u00f3 \u00e9 explic\u00e1vel atrav\u00e9s dessa conex\u00e3o. (FREUD, 1976.p.224)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976). Sobre as teorias sexuais das crian\u00e7as. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. IX, p. 213- 228, (obra original publicada 1908).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Mas Hans n\u00e3o era, de modo algum, um mau car\u00e1ter; n\u00e3o era nem dessas crian\u00e7as que, na sua idade, ainda d\u00e3o livre curso para a propens\u00e3o \u00e0 crueldade e \u00e0 viol\u00eancia, o que \u00e9 um constituinte da natureza humana. Ao contr\u00e1rio, ele tinha uma disposi\u00e7\u00e3o incomumente humana e afetuosa; seu pai relatou que a transforma\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias agressivas em sentimentos de piedade ocorreram muito cedo nele. (FREUD, 1976.p.119)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 13-158, (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Seu pai, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 sabia de onde vinham as crian\u00e7as, mas de fato as fez \u2013 coisa que Hans s\u00f3 podia adivinhar obscuramente. O pipi tem que ter algo a ver com isso, pois o seu pr\u00f3prio ficou excitado toda vez que ele pensou nessas coisas \u2013 e tem que ser um pipi grande tamb\u00e9m, maior que o de Hans. Se ele atendia a essas sensa\u00e7\u00f5es premonit\u00f3rias, s\u00f3 podia supor que era uma quest\u00e3o de algum ato de viol\u00eancia executado em sua m\u00e3e, de quebrar alguma coisa, de fazer uma abertura em alguma coisa, de for\u00e7ar um caminho num espa\u00e7o fechado \u2013 tais eram os impulsos que ele sentiu agitando-se dentro dele. (FREUD, 1976.p.140)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 13-158, (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Segundo todas as informa\u00e7\u00f5es dadas, o pai de nosso paciente era um homem de excelentes qualidades. (&#8230;). O fato de que ele pudesse ser uma pessoa impetuosa e violenta certamente n\u00e3o estava em desacordo com outras qualidades suas; (&#8230;) ocasionalmente, castigava severamente os filhos, quando estes eram novos e travessos. Quando ficaram crescidos, por\u00e9m, (&#8230;) n\u00e3o procurar enaltecer-se com uma sacrossanta autoridade, (&#8230;) (FREUD, 1976.p.203)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) Notas sobre um caso de neurose obsessiva. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).<i>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 203, (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O menino ou vai ser um grande homem, ou um grande criminoso! &#8216; O paciente acreditava que a cena causara uma impress\u00e3o permanente tanto em si pr\u00f3prio como em seu pai. Ele disse que seu pai jamais bateu nele de novo; e tamb\u00e9m atribuiu a essa experi\u00eancia parte da mudan\u00e7a que ocorreu em seu pr\u00f3prio car\u00e1ter. A partir daquela \u00e9poca, tornou-se um covarde [ver em [1]], por medo da viol\u00eancia de sua pr\u00f3pria raiva. (FREUD, 1976.p.208)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) Notas sobre um caso de neurose obsessiva. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).<i>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud<\/i>. Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 159-317, (obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Contudo, as suas rela\u00e7\u00f5es com seu pai eram dominadas por uma id\u00eantica divis\u00e3o de sentimento, conforme vimos a partir da tradu\u00e7\u00e3o de seus pensamentos obsessivos; e seu pai tamb\u00e9m deve ter dado motivo para hostilidade em sua inf\u00e2ncia, como de fato fomos capazes de constatar com uma certeza quase completa. Sua atitude perante a dama \u2013 uma combina\u00e7\u00e3o de ternura e hostilidade \u2013 em sua maior parte era da al\u00e7ada de seu conhecimento consciente; no m\u00e1ximo ele se equivocou quanto ao grau e \u00e0 viol\u00eancia de seus sentimentos negativos. (FREUD, 1976.p.238)<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1976) Notas sobre um caso de neurose obsessiva. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud.<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Imago Editora, vol. X, p. 159-317, (Obra original publicada 1909).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Os incidentes de observa\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sexuais entre os pais em idade muito precoce (quer sejam verdadeiras lembran\u00e7as, ou fantasias) n\u00e3o s\u00e3o, de fato, nenhuma raridade em an\u00e1lises de neur\u00f3ticos. Possivelmente n\u00e3o s\u00e3o menos frequentes entre aqueles que n\u00e3o s\u00e3o neur\u00f3ticos. Possivelmente fazem parte do dep\u00f3sito regular &#8211; consciente ou inconsciente &#8211; de suas lembran\u00e7as. Mas sempre que consegui desentranhar, por meio da an\u00e1lise, uma cena dessa natureza, ela mostrou a mesma peculiaridade, que nos surpreendeu, tamb\u00e9m, com o paciente em quest\u00e3o: relacionava-se com um\u00a0<i>coitus a tergo<\/i>, o qual, por si, oferece ao espectador a possibilidade de examinar os genitais. Certamente n\u00e3o h\u00e1 mais necessidade de duvidar que estamos lidando apenas com uma fantasia, que nasceu talvez da observa\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sexuais de animais. E mais ainda: sugeri que minha descri\u00e7\u00e3o da &#8216;cena prim\u00e1ria&#8217; ficou incompleta, porque reservei para um momento posterior o relato do modo pelo qual o menino interrompeu a rela\u00e7\u00e3o entre os pais. Devo acrescentar agora que essa forma de interrup\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre a mesma, em todos os casos (Freud, 1996<i>e<\/i>, p.69).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>e<\/i>). Hist\u00f3ria de uma Neurose Infantil. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.). .<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 15-129). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1918).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Teria sido imposs\u00edvel dar uma vis\u00e3o clara das fantasias infantis de espancamento, se n\u00e3o me houvesse limitado, exceto em uma ou duas rela\u00e7\u00f5es, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o feminina. Recapitularei rapidamente as minhas conclus\u00f5es. A fantasia de espancamento da menina passa por tr\u00eas fases, das quais a primeira e a terceira s\u00e3o lembradas conscientemente, ao passo que a do meio permanece inconsciente. As duas fases conscientes parecem ser s\u00e1dicas, enquanto a segunda, a inconsciente, \u00e9 indubitavelmente de natureza masoquista; seu conte\u00fado consiste em ser a crian\u00e7a espancada pelo pai, e faz-se acompanhar de uma carga libidinal e de um sentimento de culpa. Na primeira e na terceira fantasia, a crian\u00e7a em que est\u00e3o batendo \u00e9 sempre algu\u00e9m que n\u00e3o seja aquela que a imagina; na fase intermedi\u00e1ria, \u00e9 sempre a pr\u00f3pria crian\u00e7a; na terceira fase, s\u00e3o quase sempre meninos que est\u00e3o sendo espancados. A pessoa que bate \u00e9, a partir da primeira, o pai, substitu\u00eddo depois por algu\u00e9m escolhido na categoria paternal. A fantasia inconsciente da fase m\u00e9dia tinha primariamente um significado genital e evoluiu, por meio da repress\u00e3o e da regress\u00e3o, de um desejo incestuoso de ser amada pelo pai. Um outro fato, ainda que pare\u00e7a n\u00e3o ter liga\u00e7\u00e3o mais estreita com o resto, \u00e9 que entre a segunda e a terceira fase as meninas mudam de sexo, pois nas fantasias da \u00faltima fase transformam-se em meninos (Freud, 1996<i>g<\/i>, pp. 210-211).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>g<\/i>). &#8216;Uma Crian\u00e7a \u00e9 Espancada&#8217; uma Contribui\u00e7\u00e3o ao Estudo da Origem das Pervers\u00f5es Sexuais. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 195-220). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1919).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Na fantasia masculina &#8211; como a chamarei sumariamente e, espero, sem qualquer risco de ser mal interpretado &#8211; o ser espancado tamb\u00e9m significa ser amado (num sentido genital), embora rebaixado a um n\u00edvel inferior, por causa da regress\u00e3o. De maneira que a forma original da fantasia masculina inconsciente n\u00e3o era a que demos provisoriamente at\u00e9 aqui, &#8216;Estou sendo espancado pelo meu pai&#8217;, mas, antes, &#8216;<i>Sou amado pelo meu pai<\/i>&#8216;. A fantasia foi transformada, por processos que nos s\u00e3o familiares, em fantasia consciente: &#8216;<i>Estou sendo espancado pela minha m\u00e3e<\/i>&#8216;. A fantasia de espancamento do menino \u00e9, portanto, passiva desde o come\u00e7o e deriva de uma atitude feminina em rela\u00e7\u00e3o ao pai. Corresponde ao complexo de \u00c9dipo tal como a fantasia feminina (a da menina); apenas a rela\u00e7\u00e3o paralela que esper\u00e1vamos encontrar entre as duas, deve ser abandonada em favor de um car\u00e1ter comum de outra natureza.\u00a0<i>Em ambos os casos, a fantasia de espancamento tem sua origem numa liga\u00e7\u00e3o incestuosa com o pai<\/i>(Freud, 1996<i>g<\/i>, p. 213).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>g<\/i>). &#8216;Uma Crian\u00e7a \u00e9 Espancada&#8217; uma Contribui\u00e7\u00e3o ao Estudo da Origem das Pervers\u00f5es Sexuais. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 195-220). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1919).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Em 1913, Otto Rank e Hanns Sachs, num trabalho extremamente interessante, juntaram os resultados conseguidos at\u00e9 ent\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise \u00e0s ci\u00eancias mentais. Os ramos mais facilmente acess\u00edveis dessas ci\u00eancias parecem ser a mitologia e a hist\u00f3ria da literatura e da religi\u00e3o. N\u00e3o se encontrou ainda a f\u00f3rmula final que nos permita dar um lugar apropriado aos mitos nessa rela\u00e7\u00e3o. Otto Rank, num grande volume sobre o complexo do incesto (1912), apresentou evid\u00eancia do surpreendente fato de que a escolha do tema, particularmente nas obras dram\u00e1ticas, \u00e9 determinada principalmente pelo \u00e2mbito do que a psican\u00e1lise denominou de &#8216;complexo de \u00c9dipo&#8217;. Elaborando esse tema, com a maior variedade de modifica\u00e7\u00f5es, distor\u00e7\u00f5es e disfarces, o dramaturgo procura ocupar-se das suas pr\u00f3prias e mais pessoais rela\u00e7\u00f5es com esse tema emocional. \u00c9 ao tentar dominar o complexo de \u00c9dipo &#8211; ou seja, a atitude emocional da pessoa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua fam\u00edlia ou, em sentido mais restrito, em rela\u00e7\u00e3o ao pai e \u00e0 m\u00e3e &#8211; que o indiv\u00edduo neur\u00f3tico chega ao pesar, sendo por esse motivo que aquele complexo forma habitualmente o n\u00facleo da neurose. N\u00e3o se deve a sua import\u00e2ncia a qualquer conjun\u00e7\u00e3o inintelig\u00edvel; a \u00eanfase colocada na rela\u00e7\u00e3o dos filhos com os pais \u00e9 express\u00e3o de fatos biol\u00f3gicos, de que os jovens da ra\u00e7a humana atravessam um longo per\u00edodo de depend\u00eancia e s\u00f3 lentamente alcan\u00e7am a maturidade, bem como de que a sua capacidade de amar submete-se a um intrincado curso de desenvolvimento. Por conseguinte, a supera\u00e7\u00e3o do complexo de \u00c9dipo coincide com o modo mais eficiente de dominar a heran\u00e7a arcaica e animal da humanidade. \u00c9 verdade que essa heran\u00e7a compreende todas as for\u00e7as que s\u00e3o exigidas no subsequente desenvolvimento cultural do indiv\u00edduo, mas primeiro devem elas ser selecionadas e moldadas. Esse legado arcaico n\u00e3o se ajusta \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o em prop\u00f3sitos da vida social civilizada na forma em que \u00e9 herdado pelo indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Para encontrar o ponto de partida para a concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica da vida religiosa, devemos ir um pouco al\u00e9m. O que \u00e9 hoje a heran\u00e7a do indiv\u00edduo, foi no passado uma nova aquisi\u00e7\u00e3o, e passou, de uma para a outra, por uma longa s\u00e9rie de gera\u00e7\u00f5es. Assim, tamb\u00e9m o complexo de \u00c9dipo pode haver tido est\u00e1dios de desenvolvimento, e o estudo da pr\u00e9-hist\u00f3ria pode habilitar-nos a rastre\u00e1-los. A investiga\u00e7\u00e3o sugere que a vida da fam\u00edlia humana assumia, naqueles tempos remotos, uma forma muito diferente da que conhecemos hoje. E essa ideia \u00e9 apoiada por descobertas fundamentadas em observa\u00e7\u00f5es de ra\u00e7as primitivas contempor\u00e2neas. Se o material pr\u00e9-hist\u00f3rico e etnol\u00f3gico sobre esse assunto \u00e9 trabalhado psicanaliticamente, chegamos a um resultado inesperadamente preciso, a saber, o de que Deus Pai j\u00e1 uma vez caminhou sobre a terra em forma corporal e exerceu a sua soberania como chefe tribal da horda humana primeva, at\u00e9 que os seus filhos se uniram para mat\u00e1-lo. Ademais, surge da\u00ed que esse crime de libera\u00e7\u00e3o e as rea\u00e7\u00f5es a ele tiveram como resultado o aparecimento dos primeiros la\u00e7os sociais, das restri\u00e7\u00f5es morais b\u00e1sicas e da mais antiga forma de religi\u00e3o, o totemismo. As religi\u00f5es posteriores, por\u00e9m, t\u00eam tamb\u00e9m o mesmo conte\u00fado, e, por um lado, preocupam-se em suprimir os vest\u00edgios daquele crime ou em expi\u00e1-lo, apresentando outras solu\u00e7\u00f5es para a luta entre pai e filhos, ao passo que, por outro lado, n\u00e3o podem evitar repetir uma vez mais a elimina\u00e7\u00e3o do pai. Consequentemente, um eco desse evento monstruoso, que obscureceu todo o curso do desenvolvimento humano, encontra-se tamb\u00e9m nos mitos (Freud, 1996<i>h<\/i>, pp. 281-282).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>h<\/i>). Pref\u00e1cio a\u00a0<i>Ritual: Estudos Psicanal\u00edticos<\/i>\u00a0de Reik. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 17, pp. 277-282). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1919).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>As provas da psican\u00e1lise demonstram que quase toda rela\u00e7\u00e3o emocional \u00edntima entre duas pessoas que perdura por certo tempo &#8211; casamento, amizade, as rela\u00e7\u00f5es entre pais e filhos &#8211; cont\u00e9m um sedimento de sentimentos de avers\u00e3o e hostilidade, o qual s\u00f3 escapa \u00e0 percep\u00e7\u00e3o em consequ\u00eancia da repress\u00e3o. Isso se acha menos disfar\u00e7ado nas alterca\u00e7\u00f5es comuns entre s\u00f3cios comerciais ou nos resmungos de um subordinado em rela\u00e7\u00e3o a seu superior. A mesma coisa acontece quando os homens se re\u00fanem em unidades maiores. Cada vez que duas fam\u00edlias se vinculam por matrim\u00f4nio, cada uma delas se julga superior ou de melhor nascimento do que a outra (Freud, 1996<i>j<\/i>, p. 112).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>j<\/i>). Psicologia de Grupo e a An\u00e1lise do Ego. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 81-156). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1921).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O ci\u00fame da segunda camada, o ci\u00fame projetado, deriva-se, tanto nos homens quanto nas mulheres, de sua pr\u00f3pria infidelidade concreta na vida real ou de impulsos no sentido dela que sucumbiram \u00e0 repress\u00e3o. \u00c9 fato da experi\u00eancia cotidiana que a fidelidade, especialmente aquele seu grau exigido pelo matrim\u00f4nio, s\u00f3 se mant\u00e9m em face de tenta\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas. Qualquer pessoa que negue essas tenta\u00e7\u00f5es em si pr\u00f3pria sentir\u00e1, n\u00e3o obstante, sua press\u00e3o t\u00e3o fortemente que ficar\u00e1 contente em utilizar um mecanismo inconsciente para mitigar sua situa\u00e7\u00e3o. Pode obter esse al\u00edvio &#8211; e, na verdade, a absolvi\u00e7\u00e3o de sua consci\u00eancia &#8211; se projetar seus pr\u00f3prios impulsos \u00e0 infidelidade no companheiro a quem deve fidelidade. Esse forte motivo pode ent\u00e3o fazer uso do material perceptivo que revela os impulsos inconscientes do mesmo tipo no companheiro e o sujeito pode justificar-se com a reflex\u00e3o de o outro provavelmente n\u00e3o ser bem melhor que ele pr\u00f3prio (Freud, 1996<i>l<\/i>, p. 238).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Freud, S. (1996<i>l<\/i>). Alguns Mecanismos Neur\u00f3ticos no Ci\u00fame, na Paran\u00f3ia e no Homossexualismo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 18, pp. 237-250). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1922).<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>O masoquismo er\u00f3geno acompanha a libido por todas as suas fases de desenvolvimento e delas deriva seus revestimentos ps\u00edquicos cambiantes. O medo de ser devorado pelo animal tot\u00eamico (o pai) origina-se da organiza\u00e7\u00e3o oral primitiva; o desejo de ser espancado pelo pai prov\u00e9m da fase anal-s\u00e1dica que a segue; a castra\u00e7\u00e3o, embora seja posteriormente rejeitada, ingressa no conte\u00fado das fantasias masoquistas como um precipitado do est\u00e1dio ou organiza\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, e da organiza\u00e7\u00e3o genital final surgem, naturalmente, as situa\u00e7\u00f5es de ser copulado e de dar nascimento, que s\u00e3o caracter\u00edsticas da feminilidade (Freud, 1996<i>p<\/i>, p. 182).<\/p>\n<\/blockquote>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Freud, S. (1996<i>p<\/i>). O Problema Econ\u00f4mico do Masoquismo. In J. Strachey (Ed. e Trans.) &amp; J. Salom\u00e3o (Ed. e Trad.).\u00a0<i>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud\u00a0<\/i>(Vol. 19, pp. 177-202). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Obra original publicada em 1924)<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":58,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/868"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=868"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":895,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/868\/revisions\/895"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/58"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}