{"id":882,"date":"2021-09-08T17:53:09","date_gmt":"2021-09-08T17:53:09","guid":{"rendered":"http:\/\/x-enapol.org\/viii\/?page_id=882"},"modified":"2021-09-08T18:02:49","modified_gmt":"2021-09-08T18:02:49","slug":"artes-e-saberes-conexos-a-psicanalise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/viii\/pt\/bibliografia-2\/artes-e-saberes-conexos-a-psicanalise\/","title":{"rendered":"Artes e saberes conexos \u00e0 psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1352px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: justify;\"><b>9.1. Obra de Nelson Rodrigues<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><b>A mulher sem pecado (1941)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>Vestido de noiva (1943)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: irm\u00e3os; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>\u00c1lbum de familia (1945)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; pai + fam\u00edlia, m\u00e3e + fam\u00edlia; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o<br \/>\nna fam\u00edlia<\/li>\n<li>Anjo negro (1946)<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li>Senhora dos afogados (1947)<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia; m\u00e3e + fam\u00edlia<\/li>\n<li>Dorot\u00e9ia (1949)<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li>Valsa N\u00b0 06 (1951)<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>A falecida (1953)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>Perdoa-me por me tra\u00edres (1957)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>Vi\u00fava, por\u00e9m honesta (1957)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>Os sete gatinhos (1958)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: pai + fam\u00edlia<\/li>\n<li><b>O beijo no asfalto (1961)<\/b><br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/li>\n<li>Toda nudez ser\u00e1 castigada (1957)<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<br \/>\nA vida como ela \u00e9\u2026<\/li>\n<li><b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia; pai + fam\u00edlia;<br \/>\nm\u00e3e + fam\u00edlia<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 A mulher sem pecado (1941)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (1993). A mulher sem pecado. En S. Magaldi (Comp.).\u00a0<i>Nelson Rodrigues \u2013 Teatro Completo<\/i>. (pp. 298 \u2013 344). Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nL\u00cdDIA [esposa de Oleg\u00e1rio \u2013 inser\u00e7\u00e3o nossa] &#8211; Bem, meu filho. Vou mudar de roupa.<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211;\u00a0<b>Acho gra\u00e7a dessa mania que voc\u00ea tem de me chamar \u00abmeu filho\u00bb<\/b>!<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>com um suspiro<\/i>) \u2013 H\u00e1 algum mal nisso?!<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Mal, mal, n\u00e3o h\u00e1. (<i>outro tom<\/i>) Mas eu n\u00e3o gosto. p. 305<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Voc\u00ea olha para mim com um olhar de m\u00e1rtir! Pois bem. Agora mesmo, neste minuto, voc\u00ea pode estar-se lembrando de um amigo, de um conhecido ou desconhecido. At\u00e9 de um transeunte. Pode estar desejando uma aventura na vida.\u00a0<b>A vida da mulher honesta \u00e9 t\u00e3o vazia<\/b>! E eu sei disso! Sei!<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>nervosa e revoltada<\/i>) &#8211; Voc\u00ea est\u00e1 louco, Oleg\u00e1rio, doido! Ent\u00e3o, at\u00e9 isso! OLEG\u00c1RIO (<i>repetindo<\/i>) &#8211; \u00abMinha vida n\u00e3o tem mist\u00e9rios\u00bb!\u00a0<b>Que \u00e9 ent\u00e3o o seu passado, sen\u00e3o um mist\u00e9rio?<\/b><br \/>\nL\u00cdDIA (<i>dolorosa<\/i>) &#8211; Mas que \u00e9 que tem meu passado, meu Deus?<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>sombrio<\/i>) \u2013 Eu sei l\u00e1 o que voc\u00ea andou fazendo antes de mim?<br \/>\nL\u00cdDIA &#8211; Antes n\u00e3o importa! S\u00f3 vale o que eu fiz depois de voc\u00ea!<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>veemente<\/i>) &#8211; Est\u00e1 enganada!<b>\u00a0Afinal de contas, eu me casei tamb\u00e9m com o passado de minha mulher.\u00a0<\/b>p. 307<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211;\u00a0<b>Quero dizer o seguinte: seus atos podem ser pur\u00edssimos. Mas seu pensamento nem sempre &#8211; seu pensamento, seu sonho. Quem \u00e9 que vai moralizar o pensamento? O sonho? Voc\u00ea, talvez!<\/b><br \/>\nL\u00cdDIA (<i>ir\u00f4nica<\/i>) &#8211; Bonito, bonito. Continue.<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Est\u00e1 bem, vou continuar. Quando um homem v\u00ea uma mulher no meio da rua, beija essa mulher em pensamento, p\u00f5e nua, viola. Isso tudo num segundo, numa fra\u00e7\u00e3o de segundo &#8211; sei l\u00e1! Mas seja como for &#8211; a imagina\u00e7\u00e3o do homem faz o diabo!<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>revoltada<\/i>) &#8211; Que \u00e9 que tem!&#8230;<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211;\u00a0<b>Se um homem \u00e9 assim &#8211; qualquer homem &#8211; por que ser\u00e1 diferente a mulher? Se eu posso vibrar com uma bela mulher, por que n\u00e3o vibrar\u00e1 voc\u00ea com um belo homem? Mesmo que esse homem seja um transeunte?\u00a0<\/b>P. 307-308<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>c\u00ednico<\/i>) \u2013\u00a0<b>Voc\u00ea quer saber de uma coisa? Eu acho que a fidelidade devia ser uma virtude facultativa.<\/b><br \/>\nL\u00cdDIA (<i>com desprezo<\/i>) &#8211; Desistiu de me chamar de V-8?<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>continuando, c\u00ednico<\/i>) &#8211;\u00a0<b>Voc\u00ea n\u00e3o acha que seria neg\u00f3cio para voc\u00ea e para todas as mulheres? Que a fidelidade fosse uma virtude facultativa? A mulher seria fiel ou n\u00e3o, segundo as suas disposi\u00e7\u00f5es de cada dia. (<i>sard\u00f4nico<\/i>) Voc\u00ea com o direito &#8211; de ser infiel.\u00a0<\/b>Que beleza! P. 314-315<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>excitada<\/i>) &#8211; Feliz, eu! (<i>afirmativa<\/i>) Nunca fui, meu filho! (<i>com ironia e noutro tom<\/i>)\u00a0<b>Como eu poderia ser feliz abandonada? Abandonada, sim, por um marido que chegava em casa \u00e0s 2, 3 horas da manh\u00e3!<\/b><br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>sem olhar para a mulher<\/i>) &#8211; Diga s\u00f3 uma coisa. Voc\u00ea n\u00e3o teve sempre \u00abtudo\u00bb de mim, tudo?<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>amarga<\/i>) &#8211; O que \u00e9 que voc\u00ea chama \u00abtudo\u00bb? (<i>noutro tom<\/i>) J\u00e1 sei. \u00abTudo\u00bb para voc\u00ea s\u00e3o m\u00f3veis, casa, autom\u00f3vel, uma vitrola de 25 contos, cinema, dinheiro!<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>sombrio<\/i>) &#8211; Muitas mulheres com muito menos seriam felic\u00edssimas!<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>amargurada, repetindo<\/i>) &#8211;\u00a0<b>\u00abTudo\u00bb! Voc\u00ea se esquece que eu tive \u00abtudo\u00bb &#8211; como voc\u00ea diz &#8211; tudo, menos marido. \u00c9 o que muitas n\u00e3o t\u00eam &#8211; muitas &#8211; marido!\u00a0<\/b>p. 317<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nL\u00cdDIA (<i>nervosa<\/i>) \u2013\u00a0<b>Quero saber de mim! Voc\u00ea n\u00e3o soube ser marido! Ainda hoje, eu quase n\u00e3o sei nada de amor. O que \u00e9 que eu sei de amor?\u00a0<\/b>p. 318<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLEG\u00c1RIO &#8211;<b>\u00a0Voc\u00ea era esposa, e n\u00e3o amante! E eu n\u00e3o podia, compreendeu? Para a esposa, existe um limite!<\/b><br \/>\nL\u00cdDIA &#8211; Ah, eu n\u00e3o compreendi, nunca, esse escr\u00fapulo, esse limite!\u00a0<b>Eu pensando que o casamento era outra coisa &#8211; t\u00e3o diferente \u2013 e quando acaba voc\u00ea foi sempre t\u00e3o escrupuloso!\u00a0<\/b>At\u00e9 me proibia de ler livros imorais. Tinha um cuidado comigo, meu Deus do c\u00e9u! (<i>agressiva<\/i>) Tinha alguma coisa, eu &#8211; uma mulher casada &#8211; ler certos livros? p. 318<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Mas eu quero te dizer, ainda, uma coisa. E vou dizer. (<i>num transporte<\/i>)\u00a0<b>Sabes que eu acharia bonito, lindo, num casamento? Sabes? Que o marido e a mulher, ambos, se conservassem castos &#8211; castos um para o outro &#8211; sempre, de dia e de noite. J\u00e1 imaginaste? Sob o mesmo teto, no mesmo leito, lado a lado, sem uma car\u00edcia? Conhecer o amor, mesmo do pr\u00f3prio marido, \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o. E aquela que tem a experi\u00eancia do amor devia ser arrastada pelos cabelos&#8230;\u00a0<\/b>p. 318<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Bem.\u00a0<b>Em primeiro lugar, eu queria saber por que os maridos irritam as esposas e vice-versa. Voc\u00ea falou num tom de evidente irrita\u00e7\u00e3o.<\/b><br \/>\np. 319<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; \u00c9 por minha causa que voc\u00ea vai \u00e0 massagista? Ao cabeleireiro? \u00c0 modista? \u00c9?<b>\u00a0Alguma mulher se enfeita para ser casta?<\/b>\u00a0E se n\u00e3o \u00e9 para mim, para quem \u00e9? (<i>berra<\/i>) Vamos, responda! P. 319<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>sard\u00f4nico<\/i>) &#8211; Indignidade! (<i>com sombria exaspera\u00e7\u00e3o<\/i>)\u00a0<b>Voc\u00ea est\u00e1 mais bonita do que nunca. Voc\u00ea n\u00e3o podia ser t\u00e3o bonita. Chega a ser&#8230; indecente. Agora \u00e9 que voc\u00ea \u00e9, de fato, mulher.\u00a0<\/b>p. 319<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAUR\u00cdCIO [irm\u00e3o adotivo de L\u00eddia] &#8211; Diz que h\u00e1 mulheres que n\u00e3o t\u00eam o direito de se conservarem fi\u00e9is.<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Ah, sim?&#8230;\u00a0<b>Quer dizer que existem essas mulheres? Mulheres que t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de trair, o dever da infidelidade? V\u00ea se n\u00e3o \u00e9 isso. Figuremos uma mulher que deixou de gostar do marido. O simples fato de n\u00e3o gostar implica um direito ou, mesmo, o dever \u2013 veja bem! &#8211; dever do adult\u00e9rio. Estou certo?\u00a0<\/b>P. 320<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; (&#8230;)\u00a0<b>Ningu\u00e9m \u00e9 fiel a ningu\u00e9m. Cada mulher esconde uma infidelidade passada, presente ou futura.\u00a0<\/b>P. 322<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>s\u00f4frego<\/i>) &#8211;\u00a0<b>Preciso que me conven\u00e7as. H\u00e1 essa mulher? Que n\u00e3o seja fria. A mulher fria \u00e9 mil vezes pior que as outras. Pois bem. A mulher incapaz de trair, seja em sonho, pensamento, atos ou palavras.<\/b>\u00a0Quem \u00e9 ela? P. 323<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>numa esp\u00e9cie de mon\u00f3logo<\/i>) &#8211; O banho de L\u00eddia \u00e9 agora demorado como nunca&#8230; No banheiro, eu sei, tenho certeza de que o pr\u00f3prio corpo a impressiona. O corpo nu, espantosamente nu.\u00a0<b>H\u00e1 de acariciar a pr\u00f3pria nudez, e talvez, quem sabe? Gostasse de ser amante de si mesma&#8230; (<i>ri, com sofrimento<\/i>) Por que a mulher bonita, linda, n\u00e3o pode ser uma namorada l\u00e9sbica de si mesma? Seria uma solu\u00e7\u00e3o&#8230;\u00a0<\/b>(<i>noutro tom<\/i>) (&#8230;) p. 324<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMULHER &#8211; Os dois [L\u00eddia e Maur\u00edcio \u2013 inser\u00e7\u00e3o nossa] brincaram juntos em crian\u00e7a!\u00a0<b>Acontecem coisas terr\u00edveis entre meninos e meninas. Voc\u00ea pode imaginar o qu\u00ea! As crian\u00e7as t\u00eam curiosidade, instintos incr\u00edveis!\u00a0<\/b>P. 330<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO: (&#8230;)\u00a0<b>Por mim, voc\u00ea nunca tiraria a roupa. Nua no banheiro &#8211; nunca.\u00a0<\/b>(<i>suplicante<\/i>)<b>\u00a0O fato de voc\u00ea mesma olhar o pr\u00f3prio corpo \u00e9 imoral. S\u00f3 as cegas deviam ficar nuas<\/b>. (<i>ri<\/i>) (&#8230;) p. 331<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Deu, deu. Mas eu queria um beijo &#8211; voc\u00ea sabe como. (<i>amargurado<\/i>) Mas beijar um homem como eu deve ser, quase, uma inf\u00e2mia. (<i>come\u00e7a a rir, abjetamente<\/i>) E, ainda por cima, eu sou marido, compreende?\u00a0<b>E o casamento \u00e9 assim: nos primeiros dez dias, marido e mulher s\u00e3o dois ca\u00e7\u00f5es esfomeados&#8230; E depois! (<i>come\u00e7a a rir, outra vez<\/i>) Depois, evapora-se a vol\u00fapia&#8230; S\u00e3o tranquilos como dois irm\u00e3os&#8230; De forma que o desejo da esposa pelo marido parece incestuoso&#8230; (<i>grave, num desafio<\/i>) Por que voc\u00ea n\u00e3o diz, de uma vez, o que sente?\u00a0<\/b>p. 337-338<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nL\u00cdDIA &#8211;\u00a0<b>Eu acho que voc\u00ea n\u00e3o quer \u00e9 que eu seja fiel!<\/b><br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Ah, n\u00e3o?<br \/>\nL\u00cdDIA &#8211;\u00a0<b>Pelo menos, est\u00e1 fazendo tudo para que eu seja &#8211; infiel. N\u00e3o est\u00e1? Quem meteu na minha cabe\u00e7a a ideia do pecado? \u00c9 a sua ideia fixa! (&#8230;)\u00a0<\/b>p. 338<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(\u2026)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Tenho coragem, sim! (<i>muda de tom e com tristeza mortal<\/i>) N\u00e3o acredito em voc\u00ea.\u00a0<b>Por que voc\u00ea ser\u00e1 sempre fiel? Fiel por seis meses, um ano, dois, pode ser. Mas sempre!\u00a0<\/b>(<i>aperta entre as m\u00e3os o rosto e interroga-a, quase boca com boca<\/i>)<b>\u00a0N\u00e3o \u00e9 um inferno esta fidelidade sem fim? (<i>baixa a voz<\/i>) A mulher de um paral\u00edtico tem todos os direitos, inclusive o direito, quase a obriga\u00e7\u00e3o de ser &#8211; infiel.\u00a0<\/b>P. 339<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO &#8211; Pela primeira vez voc\u00ea falou com impudor! (<i>r\u00e1pido, agarrando-a, olhando o rosto da mulher<\/i>)\u00a0<b>Como \u00e9 obsceno um rosto!\u00a0<\/b>(<i>um riso solu\u00e7ante)\u00a0<\/i><b>Por que permitem o rosto nu?\u00a0<\/b>P. 339<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nL\u00eddia \u2013 (&#8230;) Mas n\u00e3o passa um dia que eu n\u00e3o deseje a morte de teu filho! (<i>sonhando<\/i>) Oleg\u00e1rio morto&#8230; Sem sapatos e com meias pretas, morto&#8230; De smoking e morto! (<i>em desespero, como que justificando-se<\/i>)\u00a0<b>N\u00e3o sou eu a \u00fanica mulher que j\u00e1 desejou a morte do marido. (<i>ri, com sofrimento<\/i>) Tantas desejam, mesmo as que s\u00e3o felizes&#8230; (<i>baixa a voz, com espanto<\/i>) H\u00e1 momentos em que qualquer uma sonha com a morte do marido&#8230; (<i>baixo, outra vez<\/i>)\u00a0<\/b>Escuta aqui, sua cretina! (&#8230;) p. 341<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOLEG\u00c1RIO (<i>mel\u00edfluo<\/i>) &#8211; Nada. N\u00e3o fiz nada com sua m\u00e3e. N\u00e3o a chamei de lavadeira, nem disse que ela vendeu a filha.\u00a0<b>Ali\u00e1s, sou a favor das m\u00e3es mercen\u00e1rias que at\u00e9 tratam muito bem as filhas, engordam, p\u00f5em num col\u00e9gio\u00a0<i>etc.\u00a0<\/i>e tal. Um alto neg\u00f3cio, certas m\u00e3es!\u00a0<\/b>P. 342-343<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Vestido de noiva (1943)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (1993). Vestido de noiva. En S. Magaldi (Comp.).\u00a0<i>Nelson Rodrigues \u2013 Teatro Completo<\/i>. (pp. 345-394). Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: irm\u00e3os; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nCLESSI\u00a0<i>(sem Ihe dar aten\u00e7\u00e3o)<\/i>\u00a0&#8211; T\u00e3o branco &#8211; dezessete anos!\u00a0<b>As mulheres s\u00f3 deviam amar meninos de dezessete anos!\u00a0<\/b>P. 370<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nCLESSl\u00a0<i>(doce)\u00a0<\/i>\u2013 Irm\u00e3s e se odiando tanto!\u00a0<b>Engra\u00e7ado &#8211; eu acho bonito duas irm\u00e3s amando o mesmo homem!<\/b>\u00a0N\u00e3o sei &#8211; mas acho!&#8230; p. 378<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 \u00c1lbum de familia (1945)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2012).<i>\u00a0\u00c1lbum de fam\u00edlia: trag\u00e9dia em tr\u00eas atos.\u00a0<\/i>Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; pai + fam\u00edlia, m\u00e3e + fam\u00edlia; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nSPEAKER\u00a0<i>(extasiado)<\/i>\u00a0&#8211;\u00a0<b>T\u00e3o bonito pudor em mulher!\u00a0<\/b>P. 10<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nJONAS\u00a0<i>(gritando)<\/i>\u00a0&#8211; Mas ELES est\u00e3o enganados comigo.\u00a0<b>Eu sou o PAI! O pai sagrado, o pai \u00e9 o SENHOR! (fora de si) Agora eu vou ler a B\u00edblia, todos os dias, antes de jantar, principalmente os vers\u00edculos que falam da fam\u00edlia!<\/b>\u00a0P. 22<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nJONAS &#8211;\u00a0<b>Vou avisar a todo mundo que se um dia eu a parecer morto, j\u00e1 sabe: n\u00e3o foi acidente, n\u00e3o foi doen\u00e7a \u2013 FOI MEU FILHO QUE ME MATOU.<\/b>\u00a0(<i>sem transi\u00e7\u00e3o quase<\/i>)\u00a0<b>Mas voc\u00ea tem medo de mim. Medo e \u00f3dio. Por\u00e9m o medo \u00e9 maior.<\/b>\u00a0(<i>com perigosa do\u00e7ura<\/i>)\u00a0<b>N\u00e3o \u00e9, Edmundo, o medo n\u00e3o \u00e9 maior?\u00a0<\/b>P. 33<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nEDMUNDO &#8211;\u00a0<b>Porque fazem meninos tomar a ben\u00e7\u00e3o do pai?&#8230; Meninos s\u00f3 deviam tomar a ben\u00e7\u00e3o materna&#8230; A m\u00e3o da mulher \u00e9 outra coisa&#8230; Sua menos, n\u00e3o tem cabelo, nem veias t\u00e3o grossas.\u00a0<\/b>(COMO QUE INTEIRAMENTE DOMINADO, EDMUNDO CURVA-SE RAPIDAMENTE E BEIJA A M\u00c3O PATERNA).<br \/>\nEDMUNDO &#8211;\u00a0<b>Beijei a m\u00e3o de meu pai em cima de suor.<\/b>\u00a0P. 34<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nEDMUNDO &#8211;\u00a0<b>Seria tudo melhor se em cada fam\u00edlia algu\u00e9m matasse o pai!<\/b>\u00a0P. 36<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nTIA RUTE (<i>possessa<\/i>) &#8211;\u00a0<b>Quer dizer, toda mulher tem um homem que a deseja, nem que seja um crioulo, um crioulo suado, MENOS EU!\u00a0<\/b>P. 43<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nJONAS &#8211; N\u00e3o desejo voc\u00ea! (<i>mude de tom<\/i>)\u00a0<b>Nunca suportei as mulheres que n\u00e3o desejo&#8230; POR ISSO DETESTEI SEMPRE MINHA M\u00c3E E MINHAS IRM\u00c3S&#8230;\u00a0<\/b><i>(com sofrimento e a maior dignidade poss\u00edvel)<\/i>\u00a0<b>N\u00e3o sei, n\u00e3o compreendo que um homem possa tolerar a pr\u00f3pria m\u00e3e, a n\u00e3o ser que&#8230;\u00a0<\/b>(&#8230;) p. 45<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\n(JONAS LEVANTA-SE E APANHA NUM M\u00d3VEL UM PEQUENO CHICOTE, GROSSO E TRAN\u00c7ADO. BATE COM O CHICOTE NOS M\u00d3VEIS)<br \/>\nJONAS (<i>como um pai \u00e0 antiga<\/i>) &#8211;\u00a0<b>Quando um filho se revoltava contra meu pai, ele usava ISTO! Uma vez eu gritei com ele \u2013 ele, ent\u00e3o, me deu com esse neg\u00f3cio. Me pegou aqui \u2013 deixou na cara um vasto lanho, ROXO!\u00a0<\/b>P. 46<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGUILHERME (<i>sem ouvi-lo<\/i>) &#8211; Fazes bem em humilhar mam\u00e3e.\u00a0<b>Ela precisa EXPIAR, por que desejou o amor, casou-se. E a mulher que amou uma vez \u2013 marido ou n\u00e3o \u2013 n\u00e3o deveria sair nunca mais do quarto. Deveria ficar l\u00e1, como num t\u00famulo. Fosse ou n\u00e3o casada.<\/b>\u00a0Adeus! P. 49 (&#8230;)<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nGL\u00d3RIA &#8211;\u00a0<b>Eu nunca disse a ningu\u00e9m, sempre escondi, mas agora vou dizer: n\u00e3o gosto de mam\u00e3e. N\u00e3o est\u00e1 em mim \u2013 ela \u00e9 m\u00e1, sinto que ela \u00e9 capaz de matar uma pessoa. Sempre tive medo de ficar sozinha com ela! Medo que ela me matasse!<\/b>\u00a0P. 57<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGL\u00d3RIA\u00a0<i>(contorcendo-se de dor)<\/i>\u00a0&#8211;\u00a0<b>Quando eu era menina&#8230; pensava que mam\u00e3e podia morrer&#8230; Ou, ent\u00e3o, que papai podia fugir comigo&#8230;<\/b>\u00a0<i>(revira-se)<\/i>\u00a0QUE DOR AQUI!<i>\u00a0(Gl\u00f3ria morre)<\/i>\u00a0p. 60<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nEDMUNDO\u00a0<i>(mudando de tom, apaixonadamente)\u00a0<\/i>&#8211; M\u00e3e, \u00e0s vezes eu sinto como se o mundo estivesse vazio e ningu\u00e9m mais existisse, a n\u00e3o ser n\u00f3s, quer dizer, voc\u00ea, papai, eu e meus irm\u00e3os. Como se a nossa fam\u00edlia fosse a \u00fanica e primeira\u00a0<i>(numa esp\u00e9cie de histeria).\u00a0<\/i>Ent\u00e3o, o amor e o \u00f3dio teriam de nascer entre n\u00f3s.\u00a0<i>(Caindo em si)<\/i>\u00a0Mas n\u00e3o, n\u00e3o!<i>\u00a0(Mudando de tom)\u00a0<\/i>\u2013\u00a0<b>Eu acho que o homem n\u00e3o devia sair nunca do \u00fatero materno. Devia ficar l\u00e1, toda a vida, encolhidinho, de cabe\u00e7a para baixo, ou para cima, de n\u00e1dega, n\u00e3o sei.<\/b>\u00a0P. 70<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nEDMUNDO \u2013\u00a0<b>O c\u00e9u, n\u00e3o depois da morte; o c\u00e9u, antes do nascimento \u2013 foi teu \u00fatero&#8230;<\/b>\u00a0p. 70<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nJONAS &#8211; Mas nem isso \u2013 nem F\u00caMEA voc\u00ea era&#8230; ou foi&#8230; comigo. Nem voc\u00ea, nem nenhuma mulher que eu conheci.<i>\u00a0(para si mesmo, numa insatisfa\u00e7\u00e3o louca)<\/i>\u00a0Todas me deixam mais nervosos do que antes \u2013 doente, doente, querendo mais n\u00e3o sei o qu\u00ea.\u00a0<i>(numa afirma\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica)<\/i>\u00a0<b>Nem F\u00caMEAS as mulheres s\u00e3o!<\/b><br \/>\n(JONAS DIRIGE-SE AO EDMUNDO)<br \/>\nJONAS &#8211; O que mais me admira \u00e9 que ela sempre foi FRIA! Nunca teve uma rea\u00e7\u00e3o, nada. Parecia morta!<br \/>\nD. SENHORINHA\u00a0<i>(numa esp\u00e9cie de histeria, para o filho)<\/i>\u00a0&#8211; Est\u00e1 ouvindo \u2013 o que ele disse? Que eu era FRIA!<br \/>\n(EDMUNDO EST\u00c1 IMPASS\u00cdVEL)<br \/>\nD. SENHORINHA\u00a0<i>(triunfante)\u00a0<\/i>&#8211;\u00a0<b>Era essa a confid\u00eancia \u2013 a COISA \u00cdNTIMA que eu ia lhe contar, meu filho, fui sempre FRIA!<\/b>\u00a0P. 84<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. SENHORINHA &#8211; Edmundo me escrevia bilhetes, mas t\u00e3o bonitos! Esse aqui tem esse peda\u00e7o que diz assim \u2013 deixa eu ver, ah! \u2013\u00a0<b>essa parte&#8230; \u00abs\u00f3 voc\u00ea existe no mundo. Eu queria tanto voltar a ser o que j\u00e1 fui: um feto no teu \u00fatero\u00bb.\u00a0<\/b>P. 87<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nJONAS &#8211; Quando acabei de matar Teot\u00f4nio \u2013 olhei para voc\u00ea; e vi que voc\u00ea n\u00e3o era mais nada para mim, coisa nenhuma. At\u00e9 a nossa cama parecia outra, n\u00e3o a mesma \u2013 como se fosse uma cama estranha, desconhecida \u2013 INIMIGA! Foi dali que comecei a te odiar, por que n\u00e3o te desejava mais&#8230;\u00a0<i>(Depois de uma pausa, apaixonadamente)\u00a0<\/i>\u2013\u00a0<b>Mas eu devia ter adivinhado, desde que Gl\u00f3ria nasceu, que voc\u00ea n\u00e3o era meu amor!<\/b><br \/>\nD. SENHORINHA\u00a0<i>(com a mesma paix\u00e3o)\u00a0<\/i>&#8211;\u00a0<b>Pois eu ADIVINHEI o meu amor, quando nasceram Guilherme, Edmundo, Non\u00f4!<\/b>\u00a0P. 90<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nJONAS &#8211; Eu podia mandar buscar Gl\u00f3ria no col\u00e9gio, mas ia adiando, tinha medo.\u00a0<b>Quando se ama deve-se possuir e matar a mulher.<\/b><i>(com sofrimento)\u00a0<\/i>Guilherme tinha raz\u00e3o: a mulher n\u00e3o deve sair viva do quarto; nem a mulher \u2013 nem o homem. P. 90<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. SENHORINHA &#8211; Eu n\u00e3o quis esquecer; eu ao quis fugir; eu n\u00e3o tive medo, nem vergonha de nada.<i>\u00a0(possessa)<\/i>\u00a0<b>N\u00e3o botei meu filhos no mundo para dar a outra mulher!<\/b>\u00a0P. 91<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. SENHORINHA\u00a0<i>(insultante)\u00a0<\/i>&#8211;\u00a0<b>Se voc\u00ea soubesse o nojo que eu sempre tive de voc\u00ea, de todos os homens!<\/b><br \/>\n(MUDANDO DE TOM, NUMA ATITUDE DE ADORA\u00c7\u00c3O)<br \/>\nD. SENHORINHA\u00a0<i>(acariciando o pr\u00f3prio ventre)<\/i>\u00a0&#8211;\u00a0<b>S\u00f3 tenho amor para meus filhos!\u00a0<\/b>P. 92<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Anjo negro (1946)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (1993). Anjo negro \u2013 trag\u00e9dia em tr\u00eas atos. En S. Magaldi (Comp.).\u00a0<i>Nelson Rodrigues \u2013 Teatro Completo<\/i>. (pp. 571 &#8211; 624). Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nSenhora &#8211;\u00a0<b>Nunca a mulher devia deixar de ser virgem!<\/b><br \/>\nSenhora &#8211;\u00a0<b>Mesmo casando, mesmo tendo filho.<\/b>\u00a0Oh Deus, malditas as brancas que desprezam preto! P. 582<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nElias &#8211;\u00a0<i>(pleno sonho)\u00a0<\/i>\u2013 Voc\u00ea nunca se imaginou morta?\u00a0<i>(segura Virg\u00ednia pelos dois bra\u00e7os)<\/i>\u00a0<b>Eu mesmo \u2013 e n\u00e3o ele; ele n\u00e3o \u2013 eu seria capaz de matar voc\u00ea. Sem \u00f3dio, sem maldade \u2013 por amor; para que ningu\u00e9m acariciasse voc\u00ea e para que voc\u00ea n\u00e3o desejasse ningu\u00e9m \u2013 ficasse para sempre com a boca em repouso, os seios em repouso, os quadris quietos, inocentes&#8230;<\/b><br \/>\np. 591<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nVirg\u00ednia &#8211;\u00a0<b>\u00c9 t\u00e3o f\u00e1cil simular! Qualquer mulher finge<\/b>\u00a0<i>(absolutamente cruel)\u00a0<\/i>Vai, n\u00e3o te quero ver nunca mais. Se apareceres aqui, se voltares aqui \u2013 eu direi a ele, contarei tudo! P. 592<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nElias \u2013 Ama meu filho&#8230; como a mim mesmo!&#8230;<br \/>\nVirg\u00ednia \u2013<i>\u00a0(agarrando-se a Elias)\u00a0<\/i>&#8211; Como a ti mesmo! Tu podes morrer, n\u00e3o podes?\u00a0<i>(olha para o marido)<\/i>\u00a0\u00c9 t\u00e3o f\u00e1cil morrer!\u00a0<b>Mas guarda em ti estas palavras: sinto que amarei teu filho n\u00e3o com amor de m\u00e3e mas de mulher.<\/b>\u00a0<i>(muda de tom, olhando, apavorada, para o marido que permanece impass\u00edvel)\u00a0<\/i>N\u00e3o, Elias, n\u00e3o! Estou doida! Isso \u00e9 um del\u00edrio\u00a0<i>(sempre olhando para o marido, em voz baixa),\u00a0<\/i>um calmo del\u00edrio que me faz dizer loucuras&#8230; p. 605<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nVirg\u00ednia \u2013 Por que voc\u00ea n\u00e3o acudiu, Ismael?<br \/>\n<i>(Pausa.)<\/i><br \/>\nIsmael \u2013\u00a0<b>Porque \u00e9 uma estranha e desconhecida, como s\u00e3o todas as mulheres para mim.<\/b>\u00a0Menos uma. P. 607<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nVirg\u00ednia \u2013\u00a0<i>(num desafio)<\/i>\u00a0\u2013 E cego, por que n\u00e3o? Seria melhor cego, at\u00e9 melhor, Ismael.\u00a0<b>Se ele\u00a0<\/b>[o filho]\u00a0<b>n\u00e3o enxergasse, seria mais meu, eu o tomaria para mim, s\u00f3 para mim, n\u00e3o deixaria que ningu\u00e9m \u2013 nenhuma mulher \u2013 surgisse entre n\u00f3s.<\/b>\u00a0Eu e ele criar\u00edamos um mundo t\u00e3o pequeno, t\u00e3o fechado, t\u00e3o nosso, como uma sala&#8230; como uma sala, n\u00e3o! Como um quarto&#8230;\u00a0<i>(euf\u00f3rica)<\/i>\u00a0Nada mais que este espa\u00e7o, nada mais que este horizonte \u2013 o quarto. P. 609<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nIsmael\u00a0<i>(num grande riso, apontando para a mulher)\u00a0<\/i>\u2013\u00a0<b>Quando viste que era menina \u2013 teus olhos escureceram de \u00f3dio. Tu odiaste tua filha, Virg\u00ednia. Confessa!<\/b><br \/>\nVirg\u00ednia\u00a0<i>(com sofrimento)<\/i>\u00a0\u2013\u00a0<b>Naquele momento, sim.<\/b>\u00a0<i>(com vergonha do pr\u00f3prio sentimento)<\/i>\u00a0<b>Naquele momento eu odiei.\u00a0<\/b>P. 610<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Senhora dos afogados (1947)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (1993). Senhora dos afogados \u2013 trag\u00e9dia em tr\u00eas atos. En S. Magaldi (Comp.).\u00a0<i>Nelson Rodrigues \u2013 Teatro Completo<\/i>. (pp. 671-728). Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia; m\u00e3e + fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAV\u00d3 \u2013 Precisam, sim!&#8230;\u00a0<i>(para os vizinhos)\u00a0<\/i><b>Na nossa fam\u00edlia, as mulheres se envergonham do pr\u00f3prio parto, acham o parto uma coisa imoral \u2013 imoral\u00edssima&#8230;\u00a0<\/b>P. 674<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nAV\u00d3 &#8211; N\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 da fam\u00edlia, Moema.\u00a0<b>Nem noivo, nem marido, nem amante s\u00e3o da fam\u00edlia. Teu noivo \u00e9 um estranho, um desconhecido. E, depois, quando te casares, ele continuar\u00e1 sendo um estranho, um desconhecido.<\/b>\u00a0N\u00e3o \u00e9, nunca ser\u00e1 um Drummond&#8230; E ter\u00e1s filho de um estranho&#8230; Que sabes tu deste desconhecido? P 678<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. EDUARDA\u00a0<i>(Apontando para o rosto do vizinho)<\/i>\u00a0\u2013\u00a0<b>Mas este n\u00e3o \u00e9 o teu rosto &#8211; \u00e9 tua m\u00e1scara. P\u00f5e teu verdadeiro rosto.<\/b><br \/>\nVIZINHO \u2013 Com licen\u00e7a.<br \/>\n<b><i>(O vizinho p\u00f5e uma m\u00e1scara hedionda que, na verdade, \u00e9 a sua face aut\u00eantica)\u00a0<\/i><\/b>p. 679<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nPAULO &#8211;\u00a0<b>Jura&#8230; Na nossa fam\u00edlia todas as esposas s\u00e3o fi\u00e9is&#8230; A fidelidade j\u00e1 deixou de ser um dever \u2013 \u00e9 um h\u00e1bito. Te ser\u00e1 f\u00e1cil cumprir um h\u00e1bito de trezentos anos&#8230; Por que me olhas assim?\u00a0<\/b>P. 684<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\n<i>(Abre o pano e Misael vai entrando, em companhia de Moema.\u00a0<b>Toda a fam\u00edlia se re\u00fane num grupo est\u00e1tico. O \u00fanico sentado \u00e9 o pr\u00f3prio Misael, o chefe de fam\u00edlia, que acaba de chegar do banquete. H\u00e1, nele, qualquer coisa de prof\u00e9tico, nos olhos duros, na barba imensa e negra, nas faces fundas. Faz pensar tamb\u00e9m numa intensa sensualidade contida. A seu lado, \u00e0 direita, nobre e altiva, D. Eduarda; \u00e0 esquerda, fria e inescrut\u00e1vel, Moema. Ao lado da irm\u00e3, Paulo, com uma express\u00e3o de do\u00e7ura feminina. Aos p\u00e9s de Moema, a av\u00f3. Todos im\u00f3veis e convencionais, como se o grupo fosse uma pose de fotografia. Vem os vizinhos e atiram insultos contra a fam\u00edlia; t\u00eam esgares; gestos de ira, de maldi\u00e7\u00e3o. Os Drummond nada sentem nada v\u00eaem<\/b>)\u00a0<\/i>p. 684<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nMOEMA \u2013 Afoguei minhas irm\u00e3s, como de ferisse no meu pr\u00f3prio ser&#8230;\u00a0<b>Afoguei as filhas que preferias e acariciavas, enquanto eu sofria na minha solid\u00e3o&#8230;\u00a0<\/b>P. 707<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Dorot\u00e9ia (1949)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, Nelson.\u00a0<i>Dorot\u00e9ia \u2013 drama em tr\u00eas atos.<\/i>\u00a0Roteiro de Leitura e notas de Fl\u00e1vio Aguiar \u2013 Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n<i>\u00abCasa das tr\u00eas vi\u00favas \u2014 d. Fl\u00e1via, Carmelita e Maura. Todas de luto, num vestido longo e cast\u00edssimo, que esconde qualquer curva feminina. De rosto erguido, hier\u00e1ticas, conservam-se em obstinada vig\u00edlia, atrav\u00e9s dos anos.\u00a0<b>Cada uma das tr\u00eas jamais dormiu, para jamais sonhar. Sabem que, no sonho, rompem vol\u00fapias secretas e abomin\u00e1veis.(&#8230;)\u00bb\u00a0<\/b><\/i>P. 09<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. Fl\u00e1via \u2014 N\u00e3o me lembro, nem precisa&#8230;\u00a0<b>Sabemos de tudo que acontece com parente&#8230; Quando algu\u00e9m na fam\u00edlia morre ou d\u00e1 um mau passo, recebemos a not\u00edcia imediatamente&#8230; Na mesma hora, no mesmo instante&#8230; Ningu\u00e9m precisa dizer&#8230; \u00c9 como se uma voz fosse, de porta em porta, anunciando&#8230; e um dia n\u00f3s est\u00e1vamos na mesa&#8230;\u00a0<\/b>P. 11<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDOROTEIA \u2014 Desculpe \u2014 noite&#8230;\u00a0<b>Na noite do casamento, nossa bisav\u00f3 teve a n\u00e1usea&#8230;\u00a0<\/b><i>(desesperada)<\/i><b>\u00a0do amor, do homem!\u00a0<\/b>P. 12<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDOROTEIA &#8211; (<i>baixo<\/i>) \u2014\u00a0<b>Desde ent\u00e3o h\u00e1 uma fatalidade na fam\u00edlia: a n\u00e1usea de uma mulher passa para a outra mulher, assim como o som passa de um grito a outro grito&#8230; Todas n\u00f3s \u2014 eu tamb\u00e9m! \u2014 a recebemos na noite do casamento&#8230;\u00a0<\/b>P. 13<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. Fl\u00e1via &#8211; (<i>fren\u00e9tica<\/i>) \u2014\u00a0<b>A outra Doroteia se afogou de \u00f3dio, de dor&#8230; Ela n\u00e3o podia viver sabendo que por dentro do vestido estava seu corpo nu&#8230;\u00a0<\/b>P. 21<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nD. Fl\u00e1via \u2014\u00a0<b>\u00c9 tamb\u00e9m esta a nossa vergonha eterna!&#8230;<\/b>\u00a0<i>(baixo)<\/i>\u00a0<b>Saber que temos um corpo nu debaixo da roupa&#8230; Mas seco, felizmente, magro&#8230; E o corpo t\u00e3o seco e t\u00e3o magro que n\u00e3o sei como h\u00e1 nele sangue, como h\u00e1 nele vida&#8230;\u00a0<\/b><i>(gritando)<\/i>\u00a0<b>Que vens fazer nesta casa sem homens, nesta casa sem quartos, s\u00f3 de salas, nesta casa de vi\u00favas?<\/b>\u00a0<i>(exultante)<\/i>\u00a0<b>Procura por toda parte, procura debaixo das coisas, procura, anda, e n\u00e3o encontrar\u00e1s uma fronha com iniciais, um len\u00e7ol, um jarro!\u00a0<\/b>P. 21<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDorot\u00e9ia \u2013 Sei, claro&#8230;\u00a0<i>(veemente)<\/i>\u00a0<b>Eu mesma acho que a fam\u00edlia tem o direito de exigir!\u00a0<\/b><i>(mais positiva)<\/i>\u00a0<b>E de humilhar&#8230;<\/b>\u00a0<i>(humilde)\u00a0<\/i>N\u00e3o pensem que eu estou contra a minha humilha\u00e7\u00e3o&#8230; Nunca! At\u00e9 quero ser humilhada&#8230; Me desfeiteiem, se quiserem. (misteriosa) Estou desconfiada que a morte do meu filho j\u00e1 foi um aviso&#8230; P. 28 &#8211; 29<br \/>\nSEGUNDO ATO<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nCarmelita \u2014 Eu n\u00e3o desejaria nada mais&#8230; As botinas, s\u00f3&#8230; E bastariam&#8230; N\u00e3o haveria testemunha&#8230;\u00a0<i>(veemente)<\/i><b>\u00a0Tudo que n\u00e3o tem testemunha deixa de ser pecado&#8230;\u00a0<\/b>P. 49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nD. Fl\u00e1via\u00a0<i>(feroz)<\/i>\u00a0\u2014 Foi bom que tivesses nascido morta!&#8230;<i>\u00a0(lenta)\u00a0<\/i>Porque serias uma perdida&#8230;\u00a0<b>E n\u00e3o como n\u00f3s&#8230; N\u00e3o aceitaste em ti a n\u00e1usea&#8230; em vez de enjoo, a vol\u00fapia&#8230; a adora\u00e7\u00e3o&#8230; Jamais serias como eu, que jamais amei ningu\u00e9m, nem a mim mesma!\u00a0<\/b><i>(gritando)<\/i>\u00a0Por que continuas nesta casa, se \u00e9s morta? P. 63<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Valsa N\u00b0 06 (1951)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2012).<i>\u00a0Valsa n\u00b006: pe\u00e7a em dois atos.\u00a0<\/i>[notas e roteiro de leitura de Fl\u00e1vio Aguiar].Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nEu preferia morrer!<br \/>\n<i>(solene)<\/i><br \/>\nJamais homem casado ro\u00e7ou meu corpo com a f\u00edmbria de um desejo! P. 34-35<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMas S\u00f4nia anda triste.<br \/>\nChora sem motivo&#8230;<br \/>\nOu ri demais!<br \/>\n<i>(baixa a voz)<\/i><br \/>\nDeu para ter vergonha de tudo.<br \/>\nDe tudo, doutor!<br \/>\nUma coisa por demais!<br \/>\n<i>(pigarro)<\/i><br \/>\nA idade, minha senhora, a idade. A transi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIdade?<br \/>\n<i>(informativa)<\/i><br \/>\nS\u00f4nia tinha de 14 para 15 anos.<br \/>\nQuinze.<br \/>\nOu 15.<br \/>\nCome\u00e7ou a ter vergonha de tudo. Dos pr\u00f3prios p\u00e9s.<br \/>\nSeu cora\u00e7\u00e3o palpitava, se ela via os pr\u00f3prios p\u00e9s,<br \/>\n<i>(doce)<\/i><br \/>\nfrios e nus, sem meias e sem sapatos.<br \/>\n<i>(pudor)<\/i><br \/>\nP\u00e9s despidos, meu Deus! P. 36-37<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nV\u00edtima, n\u00e3o! O nome! Quero o nome!<br \/>\n<i>(chega \u00e0 boca de cena, apela para a plateia)<\/i><br \/>\nAlgu\u00e9m sabe o nome? Quem sabe diga, pelo amor de Deus! Eu n\u00e3o quero nada demais, apenas o nome!<br \/>\n<i>(chorando)<\/i><br \/>\nE o que \u00e9 um nome?<br \/>\n<i>(novo tom)<\/i><br \/>\nPois dizem que a v\u00edtima estava tocando uma m\u00fasica..<br \/>\n<i>(senta-se, feroz, ao piano)<\/i><br \/>\nEsta?<br \/>\n<i>(\u00abValsa n\u00b06\u00bb)<\/i><br \/>\n\u00c9, n\u00e3o, \u00e9?<br \/>\n<i>(mais cochicho)\u00a0<\/i>p. 41<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 A falecida (1953)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2006).\u00a0<i>A falecida: trag\u00e9dia carioca em tr\u00eas atos<\/i>. [roteiro de leitura e nota Fl\u00e1vio Aguiar]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nCUNHADO &#8211; Muito curioso!<br \/>\nTUNINHO &#8211; Mas como? &#8211; perguntei eu a minha mulher &#8211;\u00a0<b>voc\u00ea tem nojo de seu marido? Zulmira rasgou o jogo e disse assim mesmo: \u00abTuninho, se voc\u00ea me beijar na boca, eu vomito, Tuninho, vomito!\u00bb<\/b><br \/>\nSOGRA &#8211; Ora veja!<br \/>\nCUNHADO &#8211; (de \u00f3culos e livro debaixo do bra\u00e7o) &#8211; Caso de psican\u00e1lise!<br \/>\nOUTRO &#8211; De qu\u00ea?<br \/>\nCUNHADO &#8211; Psican\u00e1lise.<br \/>\nOUTRO (feroz e pol\u00eamico) &#8211; Freud era um vigarista! P. 24<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nM\u00c3E &#8211; Mas oh minha filha! oh!<br \/>\nPAI &#8211;\u00a0<b>O marido tem seus direitos!<\/b><br \/>\nM\u00c3E &#8211; Onde se viu negar amor ao marido?<br \/>\nPAI &#8211; Voc\u00ea se casou porque quis!<br \/>\n<i>(Zulmira desespera-se, em cima da cadeira.)<\/i><br \/>\nZULMIRA\u00a0<i>(clamando)\u00a0<\/i>&#8211; Tudo menos beijo! Beijo, n\u00e3o! (baixo e grave) Eu admito tudo em amor. Mas esse neg\u00f3cio de misturar saliva, com saliva, n\u00e3o! N\u00e3o topo! Nunca!<br \/>\n<i>(Zulmira baixa a cabe\u00e7a.)<\/i><br \/>\nZULMIRA &#8211;\u00a0<b>Nenhuma mulher devia pertencer a homem nenhum!<\/b><br \/>\nM\u00c3E &#8211; Nem ao marido?<br \/>\nZULMIRA\u00a0<i>(incisiva)\u00a0<\/i>&#8211; Nem ao marido!<br \/>\nM\u00c3E<i>\u00a0(pat\u00e9tica)<\/i>\u00a0&#8211; Minha filha, nem oito, nem oitenta! P. 25<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nZULMIRA<i>\u00a0(num crescendo)\u00a0<\/i>&#8211;\u00a0<b>Eu te nego amor! N\u00e3o tens amor na tua casa! E se eu pr\u00f3pria te mandasse buscar, esse amor que te falta, com outra mulher?&#8230;\u00a0<\/b>P. 27<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nTUNINHO\u00a0<i>(at\u00f4nito)<\/i>\u00a0&#8211;\u00a0<b>Quer dizer quer voc\u00ea, minha esposa, est\u00e1 me empurrando pra cima de outra mulher?!&#8230;<\/b><br \/>\nZULMIRA<i>\u00a0(caindo em si)<\/i>\u00a0&#8211; Eu?<br \/>\nTUNINHO &#8211; Pois \u00e9. P. 28<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\n1o. FUNCION\u00c1RIO \u2013\u00a0<b>Entra de sola, que mulher gosta \u00e9 disso!\u00a0<\/b>P. 49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nTIMBIRA \u2013 Mas ent\u00e3o explica por qu\u00ea? A troco de qu\u00ea, tudo isso?<br \/>\n1o. FUNCION\u00c1RIO \u2013\u00a0<b>Tu ainda n\u00e3o desconfiaste que as mulheres s\u00e3o completamente malucas?\u00a0<\/b>P. 49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOROMAR \u2013 Estou com uma pena danada do Tuninho&#8230;\u00a0<b>A mulher morre na v\u00e9spera do Vasco X Fluminense&#8230; O enterro \u00e9 amanh\u00e3&#8230; Quer dizer que ele n\u00e3o vai poder assistir ao jogo.. Isso \u00e9 o que eu chamo de peso tenebroso!&#8230;\u00a0<\/b>P. 56<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nPIMENTEL \u2013 Teu marido te fez alguma coisa?<br \/>\nZULMIRA (incisiva e rancorosa) \u2013 Fez.<br \/>\nPIMENTEL \u2013 Alguma maldade?<br \/>\nZULMIRA (veemente) \u2013 Pior que maldade. Uma coisa que eu n\u00e3o perd\u00f4o, nunca!<br \/>\nPIMENTEL \u2013 Diz.<br \/>\n(Ergue-se Zulmira. Vem at\u00e9 \u00e0 boca de cena.)<br \/>\nZULMIRA (dolorosa) \u2013 Come\u00e7ou na primeira noite&#8230; Ele se levantou, saiu do quarto&#8230; Para fazer, sabe o qu\u00ea?<br \/>\nPIMENTEL \u2013 N\u00e3o.<br \/>\nZULMIRA (num grito triunfal) \u2013 Lavar as m\u00e3os!<br \/>\nPIMENTEL \u2013 E da\u00ed?<br \/>\nZULMIRA \u2013\u00a0<b>Achas pouco? Lavava as m\u00e3os, como se estivesse nojo de mim! Durante todo a lua-de-mel, n\u00e3o fez outra coisa&#8230; Ent\u00e3o, eu senti que mais cedo ou mais tarde havia de tra\u00ed-lo! N\u00e3o pude mais suport\u00e1-lo&#8230; Aquele homem lavando as m\u00e3os&#8230; Ele virava-se para mim e me chamava de fria.\u00a0<\/b>P. 67-68 (&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Perdoa-me por me tra\u00edres (1957)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2012)<i>\u00a0Perdoa-me por me tra\u00edres: trag\u00e9dia de costumes em tr\u00eas atos.\u00a0<\/i>[roteiro de leitura e notas de Fl\u00e1vio Aguiar]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nGILBERTO \u2013 Gostou?<br \/>\nJUDITE\u00a0<i>(Num solu\u00e7o)<\/i>\u00a0\u2014 Como \u00e9 bom! Bom demais!<br \/>\n<b>GILBERTO<\/b>\u00a0<i>(Arrebatado)<\/i>\u00a0\u2014\u00a0<b>Minha hist\u00e9rica!<\/b><br \/>\nJUDITE\u00a0<i>(Com voluptuoso apelo)<\/i>\u00a0\u2014 N\u00e3o me chame disso!<br \/>\nGILBERTO\u00a0<i>(Com divertido espanto)<\/i>\u00a0\u2014 U\u00e9, voc\u00ea queria ser fria?<br \/>\nJUDITE \u2013 Isola.<br \/>\n<b>GILBERTO\u00a0<\/b><i>(Trincando os dentes)<\/i>\u00a0\u2014\u00a0<b>Gosto que sejas assim: meio hist\u00e9rica!\u00a0<\/b>JUDITE\u00a0<i>(Rindo)<\/i>\u00a0\u2014 Sou normal, ouviu, seu malcriado?<br \/>\nGILBERTO\u00a0<i>(Rindo)<\/i>\u00a0\u2014\u00a0<b>Normal mas custa!\u00a0<\/b>P. 38<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nTIO RAUL\u00a0<i>(Possesso)<\/i>\u00a0\u2014 Voc\u00ea resiste \u00e0 evid\u00eancia? Voc\u00ea recusa os fatos? Recusa as provas?<br \/>\nGILBERTO \u2013 Recuso! Eu n\u00e3o acredito em provas, eu n\u00e3o acredito em fatos e s\u00f3 acredito na criatura nua e s\u00f3.<br \/>\nTIO RAUL \u2013 Mas \u00e9 uma ad\u00faltera.<br \/>\nGILBERTO \u2013\u00a0<b>A ad\u00faltera \u00e9 mais pura porque est\u00e1 salva do desejo que apodrecia nela.\u00a0<\/b>P. 57<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGILBERTO Na casa de sa\u00fade eu pensava: n\u00f3s devemos amar a tudo e a todos. Devemos ser irm\u00e3os at\u00e9 dos m\u00f3veis, irm\u00e3os at\u00e9 de um simples arm\u00e1rio! Vim de l\u00e1 gostando mais de tudo! Quantas coisas deixamos de amar, quantas coisas esquecemos de amar.\u00a0<b>Mas chego aqui e vejo o qu\u00ea? Que ningu\u00e9m ama ningu\u00e9m, que ningu\u00e9m sabe amar ningu\u00e9m. Ent\u00e3o \u00e9 preciso trair sempre, na esperan\u00e7a do amor imposs\u00edvel.<\/b>\u00a0<i>(agarra o irm\u00e3o)\u00a0<\/i><b>Tudo \u00e9 falta de amor: um c\u00e2ncer no seio ou um simples eczema \u00e9 o amor n\u00e3o possu\u00eddo!\u00a0<\/b>P..57-58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGILBERTO<b>\u00a0\u00c9 que Judite n\u00e3o \u00e9 culpada de nada! E, se traiu, o culpado sou eu, culpado de ser tra\u00eddo! Eu o canalha!\u00a0<\/b>P. 58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGILBERTO<i>\u00a0(Num solu\u00e7o imenso) \u2013<\/i>\u00a0<b>Perdoa-me por me tra\u00edres!<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nGILBERTO \u2013\u00a0<b>Amar \u00e9 ser fiel a quem nos trai!\u00a0<\/b>p.59<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Vi\u00fava, por\u00e9m honesta (1957)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues. N. (2012).\u00a0<i>Vi\u00fava, por\u00e9m honesta: farsa irrespons\u00e1vel em tr\u00eas atos.\u00a0<\/i>[roteiro de leitura e notas de Fl\u00e1vio Aguiar]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI\u00a0<i>(para o psicanalista)\u00a0<\/i>\u2014 Doutor, n\u00f3s so\u00admos colegas, doutor!<br \/>\nDR. LUPIC\u00cdNIO \u2014 Como assim, Madame?<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2014 Oh, sim! N\u00f3s tratamos do sexo, eu, no meu casa [1] [<i>sic<\/i>], o doutor, no seu consult\u00f3rio! P. 14<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2013\u00a0<b>Mulher tamb\u00e9m deve ser orientada no adult\u00e9rio!\u00a0<\/b>P. 16<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nIVONETE \u2013 Vive bem com sua mulher? Vai dizer que vive bem. Mentira. Vive mal.\u00a0<b>N\u00e3o se\u00a0<\/b><b>pode viver com um marido que n\u00e3o mor\u00ad<\/b><b>reu. O senhor est\u00e1 vivo. J\u00e1 imaginou\u00a0<\/b><b>como o senhor deve ser chato em casa?\u00a0<\/b><b>No quarto, no banheiro? E se a sua senho\u00ad<\/b><b>ra, achando que o senhor \u00e9 realmente\u00a0<\/b><b>chato, resolve tra\u00ed-lo? P\u00f4r-lhe uns chifres?\u00a0<\/b>P. 24<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nIVONETE \u2013\u00a0<b>Portanto, s\u00f3 a vi\u00fava \u00e9 que deve ser fiel,\u00a0<\/b><b>s\u00f3. As outras, n\u00e3o. As outras n\u00e3o precisam.\u00a0<\/b>P. 24<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>SEGUNDO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nDR. LAMBRETA \u2013\u00a0<b>Madame, eu tenho uma teoria acerca\u00a0<\/b><b>da idade feminina. Na minha opini\u00e3o, a\u00a0<\/b><b>mulher s\u00f3 devia ter quinze anos, nem\u00a0<\/b><b>um minuto a mais, nem um minuto a\u00a0<\/b><b>menos&#8230;\u00a0<\/b>P. 33-34<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDR. LAMBRETA \u2013 Garganta, l\u00edngua, gengivas vermeIhinhas como rom\u00e3&#8230; Madame, essa menina tem raz\u00e3o em n\u00e3o querer abrir a boca&#8230;<b>\u00a0Uma boca aberta \u00e9 meio ginecol\u00f3<\/b><b>gica, madame&#8230; Afinal, o dentista acaba\u00a0<\/b><b>sendo ginecologista&#8230;\u00a0<\/b><i>(espantado)\u00a0<\/i>Mas vejam s\u00f3! P. 44<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2013\u00a0<b>Oh, mulher sempre escolhe mal o ma\u00ad<\/b><b>rido&#8230; Mulher s\u00f3 escolhe bem o aman\u00ad<\/b><b>te&#8230; Vamos ouvir o opinion do menina!<\/b>\u00a0p. 44<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2013\u00a0<b>Todas casam errado! F\u00e1cil encon\u00adtrar um marido \u2014 dif\u00edcil encontrar um homem!\u00a0<\/b>p. 49<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Madame Cricri \u00e9 uma imigrante polonesa, em raz\u00e3o disso, suas falas apresentam\u00a0<i>erros\u00a0<\/i>de concord\u00e2ncia, sobretudo, de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nOTORRINO \u2013\u00a0<b>Os senhores est\u00e3o vendo que, num ca<\/b><b>samento, o golpe \u00e9: quartos separados!\u00a0<\/b>P. 53<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nOTORRINO \u2013\u00a0<b>Perd\u00e3o, madame! Insisto. A intimi<\/b><b>dade do leito em comum sugere grossas\u00a0<\/b><b>bandalheiras!<\/b>\u00a0P. 53<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nPSICANALISTA \u2013\u00a0<b>E acha que o amor \u00e9 uma bandalheira?<\/b><br \/>\nOTORRINO \u2013\u00a0<b>Entre marido e mulher, sim. Entre ma<\/b><b>rido e mulher, deve haver respeito, sim,\u00a0<\/b><b>senhor. Ou bem o lar \u00e9 lar ou \u00e9 gafieira!\u00a0<\/b>P. 53<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nPSICANALISTA \u2013\u00a0<b>O<\/b><b>\u00a0papel da fam\u00edlia \u00e9 ser chata ou, en\u00ad<\/b><b>t\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 fam\u00edlia, \u00e9 mafu\u00e1!<\/b>\u00a0P. 58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDIABO DA FONSECA \u2013 Obrigado.\u00a0<i>(para Ivonete)\u00a0<\/i>A senhora j\u00e1 mediu bem as conseq\u00fc\u00eancias do seu ato?\u00a0<b>Note bem: trair \u00e9 mais importante que\u00a0<\/b><b>casar. Casar qualquer um casa, mas trair exige classe!<\/b>\u00a0Pensou bem? p. 58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDIABO DA FONSECA \u2013 Declaro-vos amantes, at\u00e9 segunda ordem. (Pardal\u00a0<i>ro\u00e7a os l\u00e1bios na testa de\u00a0<\/i><i>Ivonete)\u00a0<\/i><b>Meus filhos, na uni\u00e3o de um ho\u00ad<\/b><b>mem e de uma mulher, o que interessa\u00a0<\/b><b>n\u00e3o \u00e9 a cama, n\u00e3o \u00e9 o quarto, n\u00e3o \u00e9 a sala, e sim o banheiro. \u00abO banheiro\u00bb, disse eu e\u00a0<\/b><b>repito.<\/b><br \/>\nDR. J.B. \u2013 Mais discurso, oh!<br \/>\nDIABO DA FONSECA \u2013 Pergunto: qual \u00e9 o \u00fanico c\u00f4modo me\u00adtaf\u00edsico da casa? O banheiro! Sim, meus caros amantes: o banheiro tem um trono, no uso do qual o homem vira um \u00abRei Lear\u00bb.\u00a0<b>E digo mais: o banheiro \u00e9 t\u00e3o im\u00ad<\/b><b>portante que \u00e9 nele que morre o amor.\u00a0<\/b>p. 60<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nIVONETE\u00a0<i>(fala com voz e modos de menina mel\u00edflua)<\/i>\u00a0\u2013\u00a0<b>Olha, papai: a Luci me disse que ne\u00adnhuma mulher pode gostar do mesmo homem por mais de quarenta minutos.<\/b>\u00a0E, agora, sil\u00eancio, porque est\u00e1 na hora da novela e eu vou ouvir a novela.<br \/>\np. 63<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2013\u00a0<b>O viuvez \u00e9 um bilhete premiado!<\/b><br \/>\np. 63<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nIVONETE \u2013 Deixou de ser.\u00a0<b>Papai, a Luci me dis\u00ad<\/b><b>se, espia s\u00f3: o grande marido \u00e9 o que morreu. O \u00fanico que merece fidelidade.\u00a0<\/b>Papai, todos os amantes, que eu ia ter, que estavam programados, eu passo adiante. p. 64<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nMADAME CRI-CRI \u2013\u00a0<b>A mulher tem nostalgia do surra. Uns pancadinhas salvam o mulher do neurastenia conjugal.<\/b>p. 66<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nDIABO DA FONSECA \u2013 Que fam\u00edlia? A tua? A dele? E vou provar o seguinte, querem ver?\u00a0<b>Que \u00e9\u00a0<\/b><b>falsa a fam\u00edlia, falsa a psican\u00e1lise, falso o jornalismo, falso o patriotismo, falsos\u00a0<\/b><b>os pudores, tudo falso!<\/b>\u00a0<i>(p\u00f5e-se no meio do\u00a0<\/i><i>palco e berra)\u00a0<\/i>Olha o rapa! p. 68<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Os sete gatinhos (1958)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2012).\u00a0<i>Os setes gatinhos: divina com\u00e9dia em tr\u00eas atos e quatro quadros.\u00a0<\/i>[roteiro de leitura e notas de Fl\u00e1vio Aguiar]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: pai + fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n<b>HILDA \u2014 O homem goza chorando, chora morrendo!\u00a0<\/b>P. 66<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 O beijo no asfalto (1961)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2005)\u00a0<i>O beijo no asfalto: trag\u00e9dia carioca em tr\u00eas atos.<\/i>\u00a0[roteiro de leitura e notas de Fl\u00e1vio Aguiar]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAPR\u00cdGIO\u00a0<i>(na sua euforia)<\/i>\u00a0\u2014 Pensei que.\u00a0<i>(abrindo o riso)<\/i>\u00a0Mas quem sabe? Talvez voc\u00ea tenha.\u00a0<i>(muda de tom, com uma seriedade divertida)<\/i>\u00a0<b>Realmente, quando uma filha se casa, o pai \u00e9 um pouco tra\u00eddo. N\u00e3o deixa de ser tra\u00eddo. O sujeito cria a filha para que um miser\u00e1vel venha e.<\/b>\u00a0<i>(muda de tom, novamente, com uma ferocidade jocunda)<\/i>\u00a0<b>Em certo sentido, Selminha cometeu um adult\u00e9rio contra mim!\u00a0<\/b><i>(numa gargalhada selvagem e canalha, que ningu\u00e9m entende)<\/i>\u00a0Boa! boa!\u00a0<i>(termina a cena com as gargalhadas do pai e os solu\u00e7os da filha)\u00a0<\/i>P. 86<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nSELMINHA\u00a0<i>(sem ouvi-la e s\u00f3 escutando a pr\u00f3pria voz interior)<\/i>\u00a0\u2013\u00a0<b>Uma coisa que me d\u00e1 vontade de morrer. Como \u00e9 que um homem pode desejar outro homem.\u00a0<\/b><i>(veemente e voltando-se para a irm\u00e3)<\/i>\u00a0<b>D\u00e1lia, voc\u00ea entende? Entende eu? Sei que, agora, quando um homem olhar para o meu marido. Vou desconfiar de qualquer um, D\u00e1lia!<\/b><i>\u00a0(com uma brusca irrita\u00e7\u00e3o)\u00a0<\/i><b>Ali\u00e1s, Arandir tem certas coisas. Certas delicadezas! E outra que eu nunca disse a ningu\u00e9m. N\u00e3o disse por vergonha.\u00a0<\/b><i>(com mais veem\u00eancia)<\/i><b>\u00a0Mas voc\u00ea sabe que a primeira mulher que Arandir conheceu fui eu. Acho isso t\u00e3o! Casou-se t\u00e3o virgem como eu, D\u00e1lia!\u00a0<\/b>P. 94<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nARANDIR\u00a0<i>(numa alucina\u00e7\u00e3o)<\/i>\u00a0\u2014 D\u00e1lia, faz o seguinte. Olha, o seguinte: \u2014 diz a Selminha.\u00a0<i>(violento)<\/i>\u00a0<b>Diz que, em toda minha vida, a \u00fanica coisa que se salva \u00e9 o beijo no asfalto. Pela primeira vez. D\u00e1lia, escuta! Pela primeira vez, na vida! Por um momento, eu me senti bom!\u00a0<\/b><i>(furioso)\u00a0<\/i><b>Eu me senti quase, nem sei!<\/b>\u00a0Escuta, escuta! Quando eu te vi no banheiro, eu n\u00e3o fui bom, entende? Desejei voc\u00ea. Naquele momento, voc\u00ea devia ser a irm\u00e3 nua. E eu desejei. Sa\u00ed logo, mas desejei a cunhada. Na Pra\u00e7a da Bandeira, n\u00e3o. L\u00e1, eu fui bom. \u00c9 lindo! \u00c9 lindo, eles n\u00e3o entendem. Lindo beijar quem est\u00e1 morrendo!\u00a0<i>(grita)\u00a0<\/i>Eu n\u00e3o me arrependo! Eu n\u00e3o me arrependo! P. 98-99 (&#8230;)<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nARANDIR \u2014\u00a0<b>D\u00e1lia, eu mato tua irm\u00e3. Amo tanto que.<\/b><i>\u00a0(muda de tom)\u00a0<\/i><b>\u2014 Eu<\/b><br \/>\n<b>ia pedir. Pedir \u00e0 Selminha para morrer comigo.<\/b>\u00a0P. 99<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;)<br \/>\nARANDIR\u00a0<i>(at\u00f4nito e quase sem voz)<\/i>\u00a0\u2014 O senhor me odeia porque. Deseja a pr\u00f3pria filha. \u00c9 paix\u00e3o. Carne. Tem ci\u00fames de Selminha.<br \/>\nAPR\u00cdGIO\u00a0<i>(num berro)<\/i>\u00a0\u2014\u00a0<b>De voc\u00ea!<\/b>\u00a0<i>(estrangulando a voz)\u00a0<\/i><b>N\u00e3o de minha filha. Ci\u00fames de voc\u00ea. Tenho! Sempre. Desde o teu namoro, que eu n\u00e3o digo o teu nome. Jurei a mim mesmo que s\u00f3 diria teu nome a teu cad\u00e1ver. Quero que voc\u00ea morra sabendo. O meu \u00f3dio \u00e9 amor. Por que beijaste um homem na boca? Mas eu direi o teu nome. Direi teu nome a teu cad\u00e1ver.\u00a0<\/b><i>(Apr\u00edgio atira, a primeira vez. Arandir cai de joelhos. Na queda, puxa uma folha de jornal, que estava aberta na cama. Torcendo-se, abre o jornal, como uma esp\u00e9cie de escudo ou de bandeira. Apr\u00edgio atira, novamente, varando o papel impresso. Num espasmo de dor, Arandir rasga a folha. E tomba, enrolando-se no jornal. Assim morre)\u00a0<\/i>P. 104<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Toda nudez ser\u00e1 castigada (1957)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (1993). Toda nudez ser\u00e1 castigada \u2013 obsess\u00e3o em tr\u00eas atos. En S. Magaldi (Comp.).\u00a0<i>Nelson Rodrigues \u2013 Teatro Completo<\/i>. (pp. 1049 &#8211; 1107). Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PRIMEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nPATR\u00cdCIO \u2013\u00a0<i>(exaltando-se) \u2013\u00a0<\/i><b>Eu sou o c\u00ednico da fam\u00edlia. E os c\u00ednicos enxergam o \u00f3bvio. A salva\u00e7\u00e3o de Herculano \u00e9 mulher, sexo!<\/b>\u00a0<i>(triunfante)\u00a0<\/i>Para mim, n\u00e3o h\u00e1 \u00f3bvio mais ululante! P. 1055 (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>TERCEIRO ATO<\/b><br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nM\u00c9DICO \u2013\u00a0<b>\u00c9 o homem, sempre o homem, Herculano. N\u00e3o h\u00e1, nunca, houve o canalha integral, o pulha absoluto. O sujeito mais degradado tem a salva\u00e7\u00e3o em si, l\u00e1 dentro.\u00a0<\/b>P. 1101<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 A vida como ela \u00e9\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues, N. (2012).<i>\u00a0A vida como ela \u00e9&#8230;<\/i>\u00a0Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<br \/>\n<b>Palavras-chave<\/b>: fic\u00e7\u00f5es familiares; segredos familiares; trai\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia; pai + fam\u00edlia; m\u00e3e + fam\u00edlia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abBebeto \u00e9 da seguinte teoria: entre homem e mulher n\u00e3o h\u00e1 pervers\u00e3o. Vale tudo!\u00bb p. 45<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO pai morreu no fim dos tr\u00eas meses. Antes, por\u00e9m, acusou a mulher: &#8216;Voc\u00ea \u00e9 uma criminosa. Voc\u00ea est\u00e1 transformando meu filho num maricas. Escreve o que eu vou te dizer: meu filho vai ser um degenerado.&#8217; Ela ouviu tudo isso, sem protesto, por se tratar de um moribundo; mas tran\u00e7ou os dedos em figa. Quando voltou do cemit\u00e9rio, n\u00e3o p\u00f4de evitar um suspiro de al\u00edvio. Ia poder, enfim, educar o filho \u00e0 sua maneira. Alipinho estava na \u00e9poca, com 13 anos e era, realmente, uma flor.\u00bb P. 58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEla teimou dardejando um olhar para o Alipinho: &#8216;S\u00f3 a mulher precisa casar.&#8217; P. 59<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abHouve um momento em que, quase, quase, Osvaldina mandou o namorado passear. Mas a verdade \u00e9 que o amava com um desses amores de fado, uma dessas paix\u00f5es que escravizam a mulher.(&#8230;)\u00bb p. 69<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) O que havia, no mais \u00edntimo de si mesma, era uma ang\u00fastia intoler\u00e1vel, a vontade de fugir e, ao mesmo tempo, um ressentimento contra o marido que n\u00e3o se fizera amar. (&#8230;)\u00bb p.95<br \/>\n\u00ab(&#8230;) Acordava mais cedo do que o marido, para que ele n\u00e3o lhe visse a cara de sono; e se havia doen\u00e7a que a exasperasse eram os resfriados que d\u00e3o as corizas. Idealizara para si e para o marido uma vida conjugal muito doce e perfeita. Houve um momento, durante o noivado, em que sugeriu quartos separados para quando se casassem. Alegava que assim preservariam melhor a ilus\u00e3o amorosa.(&#8230;)\u00bb p. 97<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abUma vizinha fez o veneno: &#8216;Mas olha que n\u00e3o h\u00e1 homem fiel. O homem fiel nasceu morto.'\u00bb (&#8230;) P. 98<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abToda sua do\u00e7ura de menina se fundia em paix\u00e3o, \u00f3dio. Ent\u00e3o, subitamente serena, Regina compreendeu que certas esposas precisam trair para n\u00e3o apodrecer.\u00bb P. 101<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Ora, desde que se capacitara da pr\u00f3pria honestidade, um simples olhar bastava para a conspurcar. Ela pr\u00f3pria sustentava a teoria de que nada \u00e9 t\u00e3o imoral no homem quanto o olhar. (&#8230;)\u00bb p. 115<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Luci tremeu. Pela primeira vez, em sua vida, compreendia toda a pat\u00e9tica fragilidade do sexo feminino, todo o imenso desamparo da mulher.(&#8230;)\u00bb p. 116<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 Se isso \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 amor, s\u00f3 Deus sabe. Mas uma coisa te digo: casamento n\u00e3o tem nada a ver com amor. E nem se deve amar a pr\u00f3pria esposa. N\u00e3o \u00e9 neg\u00f3cio e s\u00f3 d\u00e1 dor de cabe\u00e7a. Compreendeste?<br \/>\nEssas ideias, que o desconcertavam pelo cinismo, faziam Armando sofrer. Chagas continuava: &#8216;A esposa \u00e9 a companheiro, a s\u00f3cia.&#8217; Em suma: s\u00f3 faltou dizer que a rua, e n\u00e3o o lar, era compat\u00edvel com o amor. (&#8230;)\u00bb p. 121<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Por outro lado, descobrira que h\u00e1 no \u00f3dio mais obstina\u00e7\u00e3o, mais exclusividade, mais fidelidade do que no amor. S\u00f3 se pode odiar uma pessoa.(&#8230;)\u00bb p. 159<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 O home fiel \u00e9 uma besta! Podia andar de quatro, trotar no meio da rua!\u00bb p. 167<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Em mat\u00e9ria de amor, qualquer homem \u00e9 um canalha!\u00bb p. 169<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abDetinha o olha, de alto a baixo:<br \/>\n&#8211; Se n\u00e3o me deres esse filho, eu vou te odiar at\u00e9 meu \u00faltimo dia de vida.\u00bb p. 188<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abMas ele, teimoso, deblaterava, ainda: &#8216;Eu dou muita import\u00e2ncia ao passado de uma mulher.&#8217; E sublinhava: &#8216;O passado \u00e9 tudo&#8217;. O outro riu: &#8216;Ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 num mato sem cachorro. Porque hoje, todas t\u00eam passado, todas!&#8217; (&#8230;)\u00bb p. 207<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Te digo mais: casamento \u00e9 uma coisa e o amor \u00e9 outra.\u00bb p. 216<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Fez mesmo uma frase: &#8216;A maior inimiga da mulher \u00e9 a pr\u00f3pria mulher.'\u00bb p. 245<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO menino era a adora\u00e7\u00e3o daquela fam\u00edlia de mulheres. Homens, ali, s\u00f3 mesmo o pai, um m\u00e9dico frustrado, e Bebeto, o filho \u00fanico, ent\u00e3o com cinco anos. Criado nas saias da m\u00e3e, das tias, da bab\u00e1 negra, submetido a um carinho extremo e hist\u00e9rico, o guri sa\u00edra um fen\u00f4meno. Apesar da idade, ainda usava chupeta e, na falta desta, metia os cinco dedos na boquinha glutona e os chupava, ferozmente. (&#8230;)\u00bb p. 259<br \/>\n\u00abPois \u00e9. Pediu que eu tivesse cuidado com a lua de mel, porque esse neg\u00f3cio de amor mexe muito com a gente e pode provocar uma crise.\u00bb p. 266<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abAchava que marido e mulher devem ter a mesma classe, a mesma cultura ou incultura.\u00bb p. 299<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abFoi uma vez e muitas outras. Desde a primeira tarde, foi de um abandono muito lindo. Despiu-se toda, ou por outra: deixou apenas o suti\u00e3. (&#8230;)\u00bb p. 300<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Dir-se-ia que a inf\u00e2mia de um \u00fanico homem implicava todos os demais. (&#8230;)\u00bb p. 314<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Quase ao amanhecer, quando j\u00e1 sumia a \u00faltima estrela da noite, Norma escreveu, a l\u00e1pis, na parede: &#8216;Os homens n\u00e3o gostam de mulher fiel.'(&#8230;)\u00bb p. 314<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abCertas mulheres s\u00e3o naturalmente predispostas \u00e0 solid\u00e3o\u00bb. p. 340<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abMar\u00edlia sentiu-se materialmente atravessada por esse olhar de homem.\u00bb p. 341<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 Em amor, a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 um equ\u00edvoco ou, pior, uma defici\u00eancia. S\u00f3 os insuficientes \u00e9 que escolhem muito, escolhem demais. Meu amigo, a natureza n\u00e3o manda o senhor preferir a Ava Gardner, a Lollobrigida. Para a natureza, qualquer mulher \u00e9 mulher. (&#8230;)\u00bb p. 390<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 Meu amigo, se todos os maridos fossem como o senhor, a loucura feminina seria m\u00ednima. O que p\u00f5e a mulher no hosp\u00edcio, quase sempre, \u00e9 a falta de amor. Batata!\u00bb p. 390<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abD. Branca, que era at\u00e9 bonita, enfeiou depressa, pois o pior inimigo da beleza s\u00e3o os cuidados de m\u00e3e.\u00bb p. 402<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 Sua mulher anda fazendo os piores pap\u00e9is. Ou voc\u00ea ignora? \u2013 E, j\u00e1, com os olhos turvos, uma vontade doida de chorar, interpelava-o: \u2013 Voc\u00ea \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 homem?<br \/>\nFoi s\u00f3brio:<br \/>\n\u2013 Sou pai.\u00bb p. 428<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Com 16 anos de casada, percebia que, num casal, pior que o \u00f3dio \u00e9 a falta de amor.\u00bb p. 431<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Boa, normal, af\u00e1vel com os demais, s\u00f3 era cruel com aquele homem que deixara de amar. (&#8230;)\u00bb p. 432<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb \u2013 Esse homem n\u00e3o fala, mam\u00e3e. N\u00e3o diz uma palavra! A senhora sabe o que \u00e9 passar horas, dias, ao lado de um marido que n\u00e3o abre a boca? Eu acabou maluca, mam\u00e3e.\u00bb p. 435<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) O marido n\u00e3o deve ser o \u00faltimo a saber, compreendeu? O marido n\u00e3o deve saber nunca!\u00bb p. 449<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"cinema\"><\/a><b>9.2. Cinema<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Familia \/ A fam\u00edlia como uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Declan, B. (Produtor) &amp; Ross, M. (Escritor\/Diretor). (2016).\u00a0<i>Capit\u00e3o fant\u00e1stico<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Universal.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 M\u00e3e, s\u00f3 h\u00e1 uma?<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Weil, E., Dupont, J.-B. (Produtores) &amp; Gallienne, G. (Diretor\/Escritor). (2014).\u00a0<i>Eu, mam\u00e3e e os meninos<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Europa Filmes.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Eixo \u2013 Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Kubrick, S. (Produtor) &amp; Kubrick, S., (Diretor) &amp; Schinitzler, A., Kubrick, S., Raphael, F. (Escritores). (1999).\u00a0<i>De olhos bem fechados<\/i>\u00a0[Filme]. Inglaterra, Estados Unidos: Warner Home V\u00eddeos.<\/li>\n<li>Gullane, C., Ivanov, D., Gullane, F., Pires, R. (Produtores) &amp; Bodanzky, L. (Diretora) &amp; Bolognesi, L., Dimenstein, G., Prieto, H. (Escritores). (2010).\u00a0<i>As melhores coisas do mundo<\/i>\u00a0[Fime]. Brasil: WARNER BROS.<\/li>\n<li>Dolan, X. (Produtor) &amp; Dolan, X. (Escritor\/Diretor). (2010).\u00a0<i>Eu matei minha m\u00e3e<\/i>\u00a0[Filme]. Canad\u00e1: Festival Filmes.<\/li>\n<li>Almod\u00f3var, A. (Produtor) &amp; Almod\u00f3var, P. (Escritor\/Diretor). (1999).\u00a0<i>Todo sobre mi madre<\/i>\u00a0[Filme]. Espanha\/Fran\u00e7a: Sony Pictures Classics.<\/li>\n<li>Almod\u00f3var, A. (Produtor) &amp; Almod\u00f3var, P. (Escritor\/Diretor). (2006).\u00a0<i>Volver<\/i>\u00a0[Filme]. Espanha: Sony Pictures Classics.<\/li>\n<li>Almod\u00f3var, A., Garc\u00eda, E. (Produtores) &amp; Munro, A., Almod\u00f3var, P. (Escritor\/Diretor). (2016).\u00a0<i>Julieta<\/i>\u00a0[Filme]. Espanha: Universal Pictures.<\/li>\n<li>Almod\u00f3var, A. (Produtor) &amp; Almod\u00f3var, P. (Escritor\/Diretor). (1991).\u00a0<i>De salto alto<\/i>\u00a0[Filme]. Espanha\/Fran\u00e7a: CiBy 2000.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 M\u00e3es sozinhas com filhos sem pais \/ Conflitos familiares \/ Segrega\u00e7\u00f5es familiares:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Gullane, F., Gullane, C., Ivanov, D., Muylaert, A., Arraes, G. (Produtores) &amp; Muylaert, A. (Diretora\/Escritora). (2015).\u00a0<i>Que horas ela volta?<\/i>\u00a0[Filme]. Brasil: PANDORA FILMES.<\/li>\n<li>Dolan, X. (Produtor) &amp; Dolan, X. (Diretor\/Escritor). (2014).\u00a0<i>Mommy<\/i>\u00a0[Filme]. Canad\u00e1: EUROPA FILMES.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Ser pai \/ Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Lasseter, J. (Produtor) &amp; Stanton, A., Unkrich, L. (Diretores) &amp; Stanton, A., Peterson, B., Stanton, A. (Escritores). (2003).\u00a0<i>Procurando Nemo<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Pixar Animation Studios, DISNEY\/BUENA VISTA.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Segrega\u00e7\u00f5es familiares \/ Que coisa \u00e9 um irma\u00f5:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Rudin, S. (Produtor) &amp; Sonnenfeld, B. (Diretor) &amp; Thompson, C. (Escritora). (1991).\u00a0<i>A fam\u00edlia Addams\u00a0<\/i>[Filme]. Estados Unidos: SONY PICTURES.<\/li>\n<li>Rossellini, R. (Produtor) &amp; Bergman, I. (Diretor\/Escritor). (1982).\u00a0<i>Fanny e Alexander<\/i>\u00a0[Filme]. Su\u00e9cia, Fran\u00e7a, Alemanha Ocidental: Gaumont, Personafilm, Cinematograph AB.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Conflitos familiares \/ Que coisa \u00e9 um irma\u00f5 \/ Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Clooney, G., Heslov, G. (Produtor) &amp; Wells, J. (Diretor) &amp; Letts, T. (Escritor). (2013).\u00a0<i>\u00c1lbum de Fam\u00edlia<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: IMAGEM FILMES.<\/li>\n<li>Rossellini, F., Bolognini, M. (Produtores) &amp; Pasolini, P. P. (Diretor\/Escritor). (1969\/2005).\u00a0<i>Teorema<\/i>\u00a0[Filme]. It\u00e1lia: Euro International Film.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 A fam\u00edlia, fic\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Rivera, J. (Produtor) &amp; Peterson, B., Docter, P. (Diretores\/Escritores). (2009).\u00a0<i>Up \u2013 altas aventuras<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Pixar, DISNEY\/BUENA VISTA.<\/li>\n<li>Fern\u00e1ndez, J., Wisznia, P. (Produtores) &amp; Agresti, A. (Escritor\/Diretor). (2002).<i>\u00a0Valintin<\/i>\u00a0[Filme]. Argentina, Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Holanda: Miramax.<\/li>\n<li>Berger, A., Yerxa, R. (Produtores) &amp; Dayton, J., Faris, V. (Diretores)&amp; Arndt, M. (Escritor). (2006).\u00a0<i>Miss Shunshine<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Fox.<\/li>\n<li>Pialat, S. (Produtora) &amp; Gravas, J. (Diretora\/Escritora). (2006).<i>\u00a0A culpa \u00e9 do Fidel!<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a, It\u00e1lia: Filmes da Esta\u00e7\u00e3o, Canal +.<\/li>\n<li>Socrsese, M., Depp, J. (Produtores) &amp; Logan, J. (Escritor) &amp; Sorsese, M. (Diretor). (2012).\u00a0<i>A inven\u00e7\u00e3o de Hugo Carbret<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Paramount Pictures.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Segrega\u00e7\u00f5es familiares:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Majidi, M., Sarab, M. (Produtores) &amp; Majidi, M. (Diretor\/Escritor). (2000).\u00a0<i>A cor do para\u00edso<\/i>\u00a0[Filme]. Ir\u00e3: EUROPA FILMES.<\/li>\n<li>Vesth, L., (Produtora) &amp; Trier, L. (Escritor\/Diretor). (2011).\u00a0<i>Melancolia<\/i>\u00a0[Filme]. Dinamarca: California Filmes.<\/li>\n<li>Winderlov, V. (Produtor) &amp; Trier, L. (Escritor\/Diretor). (2004).\u00a0<i>Dogville<\/i>\u00a0[Filme]. Dinamarca, Su\u00e9cia, Estados Unidos: IMOVISION.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Ang\u00fastia em fam\u00edlia \/ A inquietante familiaridade do semelhante:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Trapero, P., Ranvaud, D. (Produtores) &amp; Trapero, P. (Diretor). (2004).\u00a0<i>Fam\u00edlia rodante<\/i>\u00a0[Fime]. Argentina: Paradis Films, EUROPA FILMES.<\/li>\n<li>Delbosc, O., Missonnier, M. (Produtores) &amp; Pouzadoux, P. (Diretor\/Escritor). (2016).\u00a0<i>A \u00faltima li\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Esfera Cultural.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Consequ\u00eancias do \u00absaber no bolso\u00bb:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Saint-Jean, M. (Produtor) &amp; Moll, D., Marchand, G. (Diretor\/Produtor). (2016).\u00a0<i>M\u00e1s not\u00edcias para o Sr. Mars<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a, B\u00e9lgica: IMOVISION.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 As novas configura\u00e7\u00f5es familiares: do pai de fam\u00edlias \u00e0s parentalidades:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Darondeau, Y., Lioud, C., Priou, E., Rey, J.-M. (Produtores) &amp; Julien-Laferri\u00e8re, G. (Diretor) &amp; Moreau, C., Treiner, O. (Escritores). (2016)\u00a0<i>Mas que fam\u00edlia \u00e9 esta?<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: UGC Distribuition.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Transforma\u00e7\u00f5es da intimidade: o privado se torna p\u00fablico e o p\u00fablico \u00abfamiliar\u00bb:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Linklater, R., Sutherland, C. (Produtores) &amp; Linklater, R. (Diretor\/Escritor). (2014).\u00a0<i>Boyhood \u2013 da inf\u00e2ncia \u00e0 juventude<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: UNIVERSAL PICTURES.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Ser pai \/ Conflitos familiares: destino e responsabilidade nas fam\u00edlias:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Yasushi, O. (Produtor) &amp; Koreeda, H. (Diretor\/Escritor). (2013).\u00a0<i>Pais e filhos<\/i>\u00a0[Filme]. Jap\u00e3o: IMOVISION.<\/li>\n<li>Brest, M. (Produtor) &amp; Brest, M. (Diretor) &amp; Osborn, R., Reno, J., Wade, K., Goldman, B., Casella, A., Ferris, W., Anderson, M. (Escritores). (1998).\u00a0<i>Encontro marcado<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: UNIVERSAL PICTURES.<\/li>\n<li>Rousselet, F., Jehelmann, E. (Produtores) &amp; Lartigau, E., Bidegain, T. (Diretor\/Escritor). (2014).\u00a0<i>A fam\u00edlia B\u00e9lier<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a, B\u00e9lgica: PARIS FILMES.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Tradi\u00e7\u00f5es familiares \/ Viol\u00eancia e segrega\u00e7\u00e3o familiares \/ Conflitos familiares:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ruddy, A. S., (Produtor) &amp; Coppola, F., F. (Diretor) &amp; Coppola, F., F., Puzo, M., Towne, R. (Escritores). (1972).\u00a0<i>O poderoso chef\u00e3o<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: PARAMOUNT PICTURES.<\/li>\n<li>Cohn, A. (Produtor) &amp; A\u00efnous, K. (Escritor) &amp; Salles, W. (Diretor). (2002).\u00a0<i>Abril despeda\u00e7ado<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a, Brasil: VideoFilmes.<\/li>\n<li>Guilbert, J.-P. (Produtor) &amp; Patelli\u00e8re, D. de La (Escritor\/Diretor). (1958).\u00a0<i>Les grandes familles<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Cin\u00e9dis.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Ang\u00fastia em fam\u00edlia \/ Assuntos de fam\u00edlia no inconsciente \/ Conflitos familiares<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Caucheteux, P. (Produtor) &amp; Desplechin, A., Bourdieu, E. (Diretor\/Escritor). (2008).\u00a0<i>Um conto de natal<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: IMOVISION.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Inven\u00e7\u00f5es do desejo na fam\u00edlia:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Altmayer, E. (Produtor) &amp; Ozon, F. (Escritor\/Diretor). (2013).\u00a0<i>Dentro da casa<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Wild Bunch\/Calif\u00f3rnia Filmes.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Ang\u00fastia e morte na fam\u00edlia:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Moretti, N. (Produtor) &amp; Moretti, N. (Escritor\/Diretor). (2001).\u00a0<i>O quarto do filho<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a, It\u00e1lia: Wild Bunch.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 Trai\u00e7\u00f5es familiares (Eixo sugerido) \/ Segredos de fam\u00edlia:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Almod\u00f3var, P., Almod\u00f3var, A. (Produtores) &amp; Trapero, P. (Escritor\/Diretor). (2015).\u00a0<i>O cl\u00e3<\/i>\u00a0[Filme]. Argentina, Espanha: Fox Film do Brasil.<\/li>\n<li>Altmayer, E., Altmayer, N. (Produtores) &amp; Ozon, F. (Escritor\/Diretor). (2013).\u00a0<i>Jovem e Bela<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Europa\/Mares Filme.<\/li>\n<li>Sch\u00fcrmann, D., (Produtor) &amp; Sch\u00fcrmann, D. (Diretor) &amp; Sch\u00fcrmann, D., Bernstein, M., Atherino, V. (Escritores). (2016).\u00a0<i>Pequeno segredo<\/i>\u00a0[Filme]. Brasil: Diamond Films.<\/li>\n<li>Couvreur, B. (Produtor) &amp; Sciamma, C. (Diretota\/Escritora). (2011).\u00a0<i>Tomboy<\/i>\u00a0[Filme]. Fran\u00e7a: Film Distribuition, PANDORA FILMES.<\/li>\n<li>Aronson, L. (Produtora) &amp; Allen, W. (Escritor\/Diretor).(2013).\u00a0<i>Blue Jasmine<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Sony Pictores\/Imagem Filmes.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u2022 M\u00e3es sozinhas com filhos sem pai:<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Medavoy, M. (Produtor) &amp; Aronofsky, D. (Diretor) &amp; Heyman, M., McLaughlin, J. J. (Escritores). (2011).\u00a0<i>Cisne negro<\/i>\u00a0[Filme]. Estados Unidos: Fox Film do Brasil.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"a-familia\"><\/a><b>9.3. A fam\u00edlia na literatura<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Bernhard, T. (2000). Extin\u00e7\u00e3o, uma derrocada. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cardoso, L. (2009). Cr\u00f4nica da casa assassinada. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cunningham, M (1999). As horas. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dostoi\u00e9vski, F. M. (2012) Os Irm\u00e3os Karamasov, Tradu\u00e7\u00e3o Paulo Bezerra, Rio de Janeiro Ed 4.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Dostoi\u00e9vski, F. M. (2016) Crime e Castigo, Tradu\u00e7\u00e3o Paulo Bezerra, Rio de Janeiro, Ed 34<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Fux, J. (2016). Meshug\u00e1. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Hatoum, M (2006). Dois irm\u00e3os. S\u00e3o Paulo. Cia das Letras<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Jelinek, E. (2011). A pianista. S\u00e3o Paulo: Tordesilhas<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Kafka, F. (1997). Carta ao pai. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Lispector, C. (1960). La\u00e7os de Fam\u00edlia. Rio de Janeiro: Francisco Alves<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e, V. H. (2016) O filho de mil homens,-Rio de Janeiro, Globo<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Nassar, R. (1989). Lavoura arcaica. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O&#8217;Brien, E. (2009). A luz da noite. Rio de Janeiro: Record.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pinter, H. (2007). A volta ao lar. S\u00e3o Paulo: Peixoto Neto.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Queiroz, E. (2014). Os maias. Rio de Janeiro: Zahar.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Rosa, J. G. (2012). A terceira margem do rio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Roth, P. (2004). O complexo de Portnoy. S\u00e3o Paulo: Companhia de Bolso.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Roth, P. (2013). Pastoral americana. S\u00e3o Paulo: Companhia de Bolso.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Roth, P. (2014). A Marca humana. S\u00e3o Paulo: Companhia de Bolso.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Rezende, R.(2012) Caro\u00e7o. Rio de Janeiro: Azougue Editorial<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Silva, C. da (1985). Hist\u00f3rias h\u00edbridas de uma senhora de respeito. S\u00e3o Paulo: Brasiliense.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Tezza, C. (2007) O filho eterno &#8211; Rio de Janeiro, Record.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Tolstoi, L. (2011). Ana Karenina. S\u00e3o Paulo: COSAC NAIFY (Originalmente publicado em 1878).<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Wierzchowski L. (2006)A casa da sete mulheres, Rio de Janeiro, Record.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Williams, J. (2015) Stoner. Rio de Janeiro: Editora Radio Londres Ltda<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":58,"menu_order":8,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/882"}],"collection":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=882"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":902,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/882\/revisions\/902"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/58"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/enapol.com\/viii\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}