{"id":7126,"date":"2025-08-14T10:00:44","date_gmt":"2025-08-14T13:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?page_id=7126"},"modified":"2025-08-14T10:07:48","modified_gmt":"2025-08-14T13:07:48","slug":"literatura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/acolhimento\/literatura\/","title":{"rendered":"Literatura"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h3><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Humberto Werneck e a Literatura de Belo Horizonte: Mem\u00f3ria, Migra\u00e7\u00e3o e Modernismo<\/span> <\/strong><\/h3>\n<p>Humberto Werneck nasceu em Belo Horizonte, em 1945, e vive em S\u00e3o Paulo desde 1970. Come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria no jornalismo no lend\u00e1rio Suplemento Liter\u00e1rio do <em>Jornal<\/em> <em>Minas Gerais<\/em>, a convite de Murilo Rubi\u00e3o. Numa conversa marcada pela mem\u00f3ria afetiva e pela an\u00e1lise cr\u00edtica, Werneck nos conduz por uma viagem pela hist\u00f3ria liter\u00e1ria de Belo Horizonte, revelando os caminhos trilhados por escritores mineiros ao longo do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Segundo ele, Belo Horizonte, apesar de ter demorado a formar escritores nascidos e criados ali, sempre teve voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. J\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX, figuras como Alfredo Camarate escreviam cr\u00f4nicas sobre a constru\u00e7\u00e3o da cidade, numa esp\u00e9cie de jornalismo liter\u00e1rio pioneiro. Mas a capital mineira viveu, por muito tempo, uma ambiguidade: embora f\u00e9rtil na forma\u00e7\u00e3o de escritores, n\u00e3o oferecia o ambiente necess\u00e1rio para que eles florescessem. Por isso, a sa\u00edda para o Rio de Janeiro \u2014 e, mais tarde, para S\u00e3o Paulo \u2014 tornou-se quase inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1920, com a chegada de jovens talentosos como Carlos Drummond de Andrade, Em\u00edlio Moura, Pedro Nava e outros, consolidou-se o que Werneck chama de o \u201cgrupo modernista mineiro\u201d, com peso importante no cen\u00e1rio nacional. Muitos desses autores, no entanto, migraram cedo para o Rio, ent\u00e3o centro da vida cultural e pol\u00edtica do pa\u00eds. Essa \u201cdi\u00e1spora liter\u00e1ria\u201d era quase um destino: sem resposta local, os escritores buscavam reconhecimento em outros centros.<\/p>\n<p>Werneck destaca ainda o papel singular do Suplemento Liter\u00e1rio do Minas Gerais, que durante anos serviu como principal espa\u00e7o de publica\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria no Estado. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Murilo Rubi\u00e3o, seu criador (1966), o suplemento era democr\u00e1tico e generoso: publicava autores com vis\u00f5es e estilos distintos, desde que houvesse talento. Segundo Werneck, nunca mais encontrou, em nenhum outro lugar, um editor liter\u00e1rio com a generosidade e a discri\u00e7\u00e3o de Murilo.<\/p>\n<p>Belo Horizonte, para Werneck, \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de sombras \u2014 um \u201c\u00fatero pantanoso\u201d, como disse certa vez H\u00e9lio Pellegrino. Um ambiente abafado, moralmente fechado, onde a literatura, em muitos casos, existia como substituto da vida. A repress\u00e3o, a dificuldade de express\u00e3o livre e at\u00e9 o preconceito contribu\u00edam para essa atmosfera opressiva. Era um lugar de brotar escritores, mas n\u00e3o de faz\u00ea-los florescer.<\/p>\n<p>Esse quadro, no entanto, mudou com o tempo. A migra\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, antes voltada ao Rio, passou a ter S\u00e3o Paulo como destino, especialmente a partir dos anos 1960. Werneck mesmo foi parte dessa mudan\u00e7a, chegando \u00e0 capital paulista em 1970, onde construiu sua carreira como jornalista e escritor. Hoje, ele reconhece que Belo Horizonte oferece um ambiente muito mais receptivo \u00e0 cultura e \u00e0 literatura. Com editoras fortes, como a Aut\u00eantica, e projetos como os de Afonso Borges, a cidade passou a ser tamb\u00e9m um lugar de perman\u00eancia e n\u00e3o apenas de partida.<\/p>\n<p>Ao revisitar essas mem\u00f3rias e refletir sobre a trajet\u00f3ria da literatura mineira, Humberto Werneck nos oferece um retrato rico de uma cidade e de uma gera\u00e7\u00e3o \u2014 ou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es \u2014 que, entre o sil\u00eancio dos bares fechados e o burburinho das letras, construiu uma das tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias mais densas do Brasil.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;]<figure class=\"vcex-image vcex-module\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"567\" height=\"901\" src=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/08\/Humberto-Werneck.jpg\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/08\/Humberto-Werneck.jpg 567w, https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/08\/Humberto-Werneck-189x300.jpg 189w, https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/08\/Humberto-Werneck-500x795.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/div><\/figure>[\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Humberto Werneck e a Literatura de Belo Horizonte: Mem\u00f3ria, Migra\u00e7\u00e3o e Modernismo Humberto Werneck nasceu em Belo Horizonte, em 1945, e vive em S\u00e3o Paulo desde 1970. 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