{"id":1965,"date":"2025-03-16T09:52:54","date_gmt":"2025-03-16T12:52:54","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=1965"},"modified":"2025-03-24T12:31:51","modified_gmt":"2025-03-24T15:31:51","slug":"editorial-boletin-tambor-fora-de-serie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/editorial-boletin-tambor-fora-de-serie\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Tambor \u201dFora de S\u00e9rie\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u201cUma batida de teu dedo no tambor descarrega todos os sons<br \/>\ne d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 nova harmonia.<br \/>\nUm passo teu \u00e9 o recrutamento de novos homens e a ordem<br \/>\npara se porem em marcha.<br \/>\nA cabe\u00e7a vira-se: o novo amor! Tua cabe\u00e7a se volta, \u2014 o novo amor!<br \/>\n\u2018Muda nossas sinas, alveja os flagelos, a come\u00e7ar pelo tempo\u2019,<br \/>\ncantam-te essas crian\u00e7as. \u2018Erige n\u00e3o importa onde a subst\u00e2ncia<br \/>\nde nossas fortunas e de nossos desejos\u2019, pedem-te.<br \/>\nSempre tendo chegado, tu te ir\u00e1s por toda parte\u201d <a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> .<br \/>\n(<em>A uma Raz\u00e3o<\/em> &#8211; Arthur Rimbaud)<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tambor<\/em> &#8211; nome que escolhemos para o Boletim epist\u00eamico do <em>XII ENAPOL:<\/em> <em>Falar com a crian\u00e7a<\/em>. Instrumento de percuss\u00e3o composto por uma caixa de resson\u00e2ncia coberta por uma membrana esticada, na maior parte das vezes de couro, que vibra quando golpeado. Ele pode ser tocado com as m\u00e3os, baquetas ou outros acess\u00f3rios, produzindo sons que variam em intensidade e timbre. Por estar presente em todo o mundo, desde festas a rituais, nos remete aos la\u00e7os que conectam uma comunidade, mas tamb\u00e9m ao que, mesmo em diferentes culturas, reverbera e marca o ritmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Lacan<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>, em \u201cA uma Raz\u00e3o\u201d, encontramos no golpear do tambor dos versos de Rimbaud, a f\u00f3rmula do ato anal\u00edtico que \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, a marca de um come\u00e7o, o que faz surgir o <em>novo<\/em>. Uma <em>batida<\/em> que revira as <em>raz\u00f5es<\/em>, nos introduz em um outro discurso e em um novo amor. Faz falar o inconsciente, o <em>parl\u00eatre.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer falar o inconsciente \u00e9 o que move o desejo do analista. Se Freud nos ensinou que a caracter\u00edstica principal do inconsciente \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com o <em>infantil<\/em><a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><em>,<\/em> Fernanda Otoni Brisset demonstra que, para Lacan, \u201cn\u00e3o se faz outra coisa em uma an\u00e1lise do que fazer falar a crian\u00e7a\u201d, uma vez que \u201cfalar com a crian\u00e7a \u00e9 falar da coisa louca, do gozo como tal, do real que na experi\u00eancia da fala s\u00f3 surge enquanto virtualidade, mat\u00e9ria do \u2018todo mundo \u00e9 louco\u2019, pois a <em>lal\u00edngua<\/em> do <em>parl\u00eatre <\/em>\u00e9 a crian\u00e7a que vive no corpo falante\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Dessa forma, se \u00e9 na inf\u00e2ncia que estamos mais expostos \u00e0s marcas criadas pelos equ\u00edvocos de <em>lal\u00edngua<\/em>, em uma an\u00e1lise, essas marcas podem encontrar novos destinos, arranjos, timbres e resson\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que ressoe o tema desse <em>XII ENAPOL,<\/em> nosso <em>Tambor<\/em> pretende preparar o terreno para esse evento que acontecer\u00e1 em Belo Horizonte nos dias 5, 6 e 7 de setembro deste ano. Em cada edi\u00e7\u00e3o publicaremos dois textos breves, alternando colegas das 3 Escolas do Campo Freudiano nas Am\u00e9ricas \u2013 EBP, EOL e NEL. Esses textos estar\u00e3o referidos diretamente a um dos 4 eixos tem\u00e1ticos: <em>Eixo 1<\/em> \u2013 \u201cFalar de \u2018isso de que n\u00e3o se pode falar\u201d; <em>Eixo 2<\/em>&#8211; \u201cFalar \u2026 testemunhar da melhor maneira poss\u00edvel sobre a verdade mentirosa\u201d; <em>Eixo 3- <\/em>\u201cFalar com a crian\u00e7a sob transfer\u00eancia\u201d; e <em>Eixo 4 <\/em>\u201cO que fala a psican\u00e1lise da crian\u00e7a generalizada\u201d. Tamb\u00e9m teremos <em>Bibliografia<\/em>, rubrica que veicular\u00e1 algumas cita\u00e7\u00f5es e v\u00eddeos que dar\u00e3o pinceladas, notas vibrantes que nos orientar\u00e3o na vertente epist\u00eamica do Encontro; e <em>Conex\u00f5es<\/em>: um fio em dire\u00e7\u00e3o a outras \u00e1reas da cultura que ampliar\u00e3o a interlocu\u00e7\u00e3o com o nosso tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Tambor <\/em>\u201cFora de S\u00e9rie\u201d e o <em>Tambor<\/em> 1 ser\u00e3o Boletins de abertura e exce\u00e7\u00f5es a essa estrutura. Para esta edi\u00e7\u00e3o, \u201cFora de S\u00e9rie\u201d, temos o privil\u00e9gio de contar com um trecho de uma aula do Curso de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, <em>Causa e consentimento,<\/em> generosamente autorizado por Jacques-Alain Miller. Neste trecho, acompanhamos como Miller aborda o estatuto do trauma em psican\u00e1lise o que introduz uma discuss\u00e3o que orientar\u00e1 nossas elabora\u00e7\u00f5es rumo ao <em>XII ENAPOL.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, desejamos que cada texto, v\u00eddeo, som ou imagem funcione como um convite ao trabalho em torno do tema. E que possamos aprender com o que do real se repete, assim como com o que pode surgir de in\u00e9dito quando <em>falamos com a crian\u00e7a<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa leitura!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda Costa (EBP)<br \/>\nLisa Erbin (EOL)<br \/>\nMaggie J\u00e1uregui (NEL)<br \/>\nNiraldo de Oliveira Santos (EBP)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Rimbaud, A. <em>A uma Raz\u00e3o<\/em>. In: Um tempo no inferno &amp; Ilumina\u00e7\u00f5es; tradu\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o J\u00falio Carta\u00f1on Guimar\u00e3es. I. ed. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2021, p. 99.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>Lacan comenta esse poema ao menos duas vezes em seus Semin\u00e1rios. No Semin\u00e1rio 15 \u201c<em>O ato psicanal\u00edtico<\/em>\u201d (Li\u00e7\u00e3o de 10 de janeiro de 1968) e no Semin\u00e1rio 20, \u201c<em>Mais, ainda<\/em>\u201d (li\u00e7\u00e3o de 19 de dezembro de 1972- p. 26).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Freud, S. <em>Observa\u00e7\u00f5es sobre um caso de neurose obsessiva (caso Homem dos Ratos)<\/em> (1909). In: Hist\u00f3rias cl\u00ednicas\/Sigmund Freud. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2021, p. 358.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Otoni Brisset, F. <em>Falar com a crian\u00e7a &#8211; Argumento<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/argumento\/\">https:\/\/enapol.com\/xii\/\/epistemico\/argumento\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma batida de teu dedo no tambor descarrega todos os sons e d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 nova harmonia. Um passo teu \u00e9 o recrutamento de novos homens e a ordem para se porem em marcha. A cabe\u00e7a vira-se: o novo amor! 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