{"id":2407,"date":"2025-03-24T12:06:13","date_gmt":"2025-03-24T15:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=2407"},"modified":"2025-03-24T15:03:23","modified_gmt":"2025-03-24T18:03:23","slug":"aprender-a-falar-com-isso1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/aprender-a-falar-com-isso1\/","title":{"rendered":"Aprender a falar com isso<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<em>Irene Kuperwajs<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Falar com o Trauma<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A partir do belo argumento apresentado por Fernanda Otoni, tomo uma primeira perspectiva: falar com a crian\u00e7a \u00e9 falar com o trauma.<\/p>\n<p>Em 1899, Freud escreve a Fliess: \u201c<em>\u00c0 pergunta: o \u2018que aconteceu nos prim\u00f3rdios da inf\u00e2ncia?\u2019 a resposta \u00e9: \u2018nada\u2019. Mas o embri\u00e3o de um impulso sexual estava l\u00e1\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. O \u201cnada\u201d estabelecido por Freud evoca o furo na exist\u00eancia proposto por Lacan junto com o germe do \u201cgozo que h\u00e1\u201d, que ser\u00e1 lido na an\u00e1lise como um \u201cacontecimento de corpo\u201d.<\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise orientada pelo real, trata-se de captar o fator infantil, causa do que somos e fundamento de nosso inconsciente. Falar com o trauma \u00e9 fazer falar o corpo pulsional e o inconsciente feito de <em>lal\u00edngua<\/em>. O <em>ser falante<\/em>, como a aranha, tece sua teia a partir dessa opacidade.<\/p>\n<p><em>Lal\u00edngua<\/em>, constitu\u00edda pelos ru\u00eddos que transmitem o desejo e o gozo do Outro, nos banha desde o nascimento e afeta o corpo. Lacan afirma que \u201ca produ\u00e7\u00e3o de um corpo novo de falante\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> \u00e9 efeito da transmiss\u00e3o de um mal-entendido<em>,<\/em> mas \u00e9 necess\u00e1rio um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo para que haja essa transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Tentamos captar essa palavra ou frase sem sentido dita pelo Outro, escutada na inf\u00e2ncia de modo contingente. Experimentado no corpo como um excesso inomin\u00e1vel e sem sentido, esse encontro com o real sem lei produz o que Lacan chama <em>troumatisme<\/em>, furo estrutural diante do qual cada um inventa o que pode para responder. Lacan nomear\u00e1 sua inven\u00e7\u00e3o mais singular produzida em an\u00e1lise de <em>sinthoma<\/em>.<\/p>\n<p>Esse excesso deixa suas marcas significantes assim como a fixa\u00e7\u00e3o a um gozo imposs\u00edvel de dizer que comanda a repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, \u00e9 oportuno distinguir no \u201cestatuto do trauma\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, o \u201cvivido como\u201d \u2013 do lado da hist\u00f3ria e do sentido, da diacronia \u2013, e o que aparece como o \u201c\u00e1pice do sentido\u201d, que resta enigm\u00e1tico e \u00e9 puro furo, do lado da sincronia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d implica que sempre haver\u00e1 trauma, porque a sexualidade faz furo no simb\u00f3lico e h\u00e1 apenas a linguagem para nos virarmos com <em>isso<\/em> que deixar\u00e1 marcas.<\/p>\n<p>Hil\u00e1rio Cid Vivas, colega da ELP, conta em um de seus testemunhos algo ocorrido aos seus 13 meses de idade, relato que ouviu de sua fam\u00edlia umas mil e uma vezes, em meio a risos, exceto vindos dele. O assunto retomado girava em torno de seu desmame que preocupava a todos. \u201cAlgu\u00e9m, ent\u00e3o, teve a brilhante ideia de colocar um macaquinho de pel\u00facia sob o suti\u00e3 de sua m\u00e3e. No momento em que o menino se preparava para tomar sua parte do valioso seio materno, surgiu para ele o macaco de pel\u00facia e tudo aconteceu como se, no lugar deste, houvesse uma mola, pois o menino disparou a toda velocidade na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao peito da m\u00e3e\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A partir de ent\u00e3o, o menino n\u00e3o pediu mais para mamar e jamais fez nenhuma refer\u00eancia a tal incidente. O trabalho anal\u00edtico lhe permite localizar o gozo implicado naquela cena que impacta o corpo e que ser\u00e1 o n\u00f3 da fic\u00e7\u00e3o do fantasma e do sintoma anal\u00edtico. Por um lado, ser o objeto do riso do pai, e por outro, desvelar, quase ao final da an\u00e1lise, o olhar do Outro que aparece justamente nesse momento do trauma. \u201cO olhar vazio do macaco de pel\u00facia que se desloca para o olhar vigilante da av\u00f3 que, certamente, estava atr\u00e1s da m\u00e3e. Entre o olhar vazio e o olhar fulminante, o olhar da m\u00e3e que cai junto ao objeto oral perdido de uma vez por todas\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 preciso falar com a crian\u00e7a para saber qual lugar ocupamos no desejo e no gozo de nossos pais. Freud chamou de \u201cneurose infantil\u201d o modo como o sujeito lidou, na inf\u00e2ncia, para tratar esse encontro traum\u00e1tico. A crian\u00e7a torna sua uma vers\u00e3o familiar de <em>lal\u00edngua<\/em> e responde a esse furo com as teorias sexuais infantis, o sintoma, o fantasma, os sonhos, as mentiras, as fic\u00e7\u00f5es que erigem uma vers\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, verdade mentirosa que ensina que \u201co real mente\u201d para fazer frente ao acontecimento de sua exist\u00eancia. A experi\u00eancia anal\u00edtica aponta para esse osso do real, mais al\u00e9m do significante, do <em>automat\u00f4n<\/em>, das fic\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o sem elas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Falar disso de que n\u00e3o se pode falar<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sabemos que o problema de Lacan \u00e9 articular dois elementos heterog\u00eaneos, o significante e o gozo. O objeto <em>a<\/em> que \u00e9 sua inven\u00e7\u00e3o segue a trilha do \u201cexcesso sexual\u201d freudiano e, tanto em sua fun\u00e7\u00e3o de causa quanto de resto designa <em>isso<\/em> que n\u00e3o \u00e9 significante. Escreve o particular do gozo de cada um na f\u00f3rmula do fantasma como objeto mais-de-gozar. Em 1969, Lacan o destaca como \u201c\u00eaxtimo\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito como efeito do significante e determina uma fun\u00e7\u00e3o de borda que, como exemplificado pela cl\u00ednica, pode \u201cfuncionar como lugar de captura do gozo\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> tanto em sua vertente imagin\u00e1ria quanto como em sua vertente real.<\/p>\n<p>Em seu curso \u201cCausa y consentimiento\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>, Miller desenvolve um paradoxo que ilustra o que nos interessa investigar no XII Enapol. Captamos a presen\u00e7a do objeto <em>a<\/em>, incomensur\u00e1vel no que diz respeito ao significante, a partir da impot\u00eancia para falar dele. Essa impot\u00eancia, em certa medida, revela o objeto a partir da palavra. Assinala que em uma an\u00e1lise avan\u00e7a-se em dire\u00e7\u00e3o a <em>isso<\/em> de que n\u00e3o se pode falar. Indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica preciosa, que toma o objeto <em>a<\/em> como b\u00fassola e aponta para circunscrever os modos como essa impot\u00eancia pode se apresentar no tratamento, advertidos do limite do simb\u00f3lico que encontramos na experi\u00eancia. Al\u00e9m disso, introduz a opera\u00e7\u00e3o do analista que extrai uma parte desse gozo e orienta a passagem da impot\u00eancia ao \u201cimposs\u00edvel\u201d, porque n\u00e3o h\u00e1 a palavra justa.<\/p>\n<p>A escritora argentina, Samanta Schweblin<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, conta em uma entrevista \u00e0 BBC que parou de falar aos doze anos, n\u00e3o porque tivesse um problema em suas cordas vocais e sim porque \u201ca enorme diferen\u00e7a entre o que ela queria dizer e o que as pessoas entendiam a ultrapassava\u201d. \u201cA linguagem me frustrava muito\u201d, relata \u00e0 BBC. Conclui afirmando que a literatura lhe deu a oportunidade de \u201cpoder manipular a linguagem com uma pin\u00e7a quase cient\u00edfica, ainda que leve dias, meses ou anos para dizer exatamente o que quero dizer\u201d. Demonstra assim, o insuport\u00e1vel que era para ela a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual e o arranjo que encontra na escrita para lidar com isso.<\/p>\n<p>Durante uma an\u00e1lise, esse gozo tende a condensar-se, contrair-se, densificar-se, at\u00e9 que n\u00e3o seja mais poss\u00edvel continuar a reduzi-lo. Sempre h\u00e1 um resto.<\/p>\n<p>Freud destacou que n\u00e3o se quer falar do fantasma fundamental, \u00e9 inconfess\u00e1vel, e se referiu \u00e0 \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d do fantasma, que Miller prop\u00f5e aqui como uma \u201cconstru\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>. Constatamos na experi\u00eancia, bem como atrav\u00e9s do que ensinam os testemunhos de passe, que quando se consegue isso, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o e uma nova ordena\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do caso. O analisando decide ir mais al\u00e9m, mas isso n\u00e3o \u00e9 uma aposta simples, as defesas se erguem como gigantes. Podemos reconhecer diversas manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas desse \u201ca mais\u201d que faz furo e dificulta o falar sobre <em>isso<\/em> no tratamento.<\/p>\n<p>Para alguns analisandos, a invas\u00e3o da ang\u00fastia \u00e9 insuport\u00e1vel e muito dif\u00edcil de regular. \u00c0s vezes, limita-se, durante a an\u00e1lise, quando uma conex\u00e3o \u00e9 captada entre uma causa significante e a irrup\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia. Em outras, a ang\u00fastia impede de dizer algo e conduz os analisandos \u00e0 passagem ao ato ou ao <em>acting out<\/em>. No fim, para alguns outros, h\u00e1 ang\u00fastia, justamente, ao perder a ang\u00fastia que os acompanhou durante a vida, o que evidencia as sutilezas de nossa cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m recebemos sujeitos reticentes que se desculpam por n\u00e3o falar, apresentando assim o objeto <em>a<\/em> transparente, mas \u00e0s vezes a retic\u00eancia se refere ao abismo do qual o sujeito se defende, \u00e9 um mutismo estendido a tudo. H\u00e1 mutismos seletivos, discretos, que o silenciar sintom\u00e1tico tampona e vela ou aqueles que falam de um acontecimento que assola o sujeito. Recordemos o mutismo \u201caterrorizado\u201d com o qual Lacan se refere \u00e0 cena do dedo cortado do Homem dos Lobos, \u00edndice desse real. Ou o sil\u00eancio do autista, esse N\u00e3o ao Outro amea\u00e7ador da linguagem apoiado na foraclus\u00e3o do furo que tenta calar o ru\u00eddo de <em>lal\u00edngua<\/em>. Por outro lado, h\u00e1 sujeitos verborr\u00e1gicos que t\u00eam um gozo em nunca parar de falar e, assim, tentam fazer o outro acreditar que \u201cdizem tudo\u201d.<\/p>\n<p>Ao dar mais algumas voltas, revela-se na experi\u00eancia que se trata do \u201cpr\u00f3prio sujeito em seu ser de \u201c\u2018isso\u201d (<em>\u00e7a<\/em>): n\u00e3o \u00e9s sen\u00e3o aquele com quem falas. N\u00e3o \u00e9s sen\u00e3o isso de que n\u00e3o podes falar\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>. Lacan o diz assim \u201cesse <em>a<\/em>, desde a an\u00e1lise, s\u00e3o voc\u00eas mesmos. Cada um de voc\u00eas, [&#8230;] na an\u00e1lise, todos podem v\u00ea-lo, partimos da crian\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. O primeiro estatuto da crian\u00e7a \u00e9 ser objeto causa de desejo de seus pais, salvo quando \u00e9 rejeitada. Por isso, dizemos que \u201conde quer que se instale o discurso anal\u00edtico, encontraremos a crian\u00e7a como seu agente\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. O \u201csujeito como resposta do real\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> enquanto descontinuidade, em seu ser de objeto, surge desse furo como defesa. O analista faz semblante de objeto <em>a<\/em> na transfer\u00eancia: encarna i<em>sso<\/em> que sou e faz falar esse gozo que s\u00f3 se questiona, se evoca ou se elabora a partir de um semblante. Orientamos a an\u00e1lise em dire\u00e7\u00e3o a isso de que n\u00e3o se pode falar e de que n\u00e3o se quer saber, advertidos de que sempre haver\u00e1 uma opacidade ileg\u00edvel.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Aprender a falar com isso<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Falar em an\u00e1lise \u00e9 uma experi\u00eancia diferente de qualquer outra. O dispositivo anal\u00edtico prop\u00f5e \u00e0 pessoa que se consulta \u201cfalar de tudo o que lhe ocorra\u201d para um estranho chamado \u201canalista\u201d, dirige-se a quem escuta. N\u00e3o se fala de qualquer jeito, se fala em <em>lal\u00edngua<\/em> pr\u00f3pria, aquela que \u201ccriamos [&#8230;] falando-a\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. Convocamos essa \u201cconex\u00e3o-palavra\u201d criada por Freud e suas resson\u00e2ncias, para passar do Eu-n\u00e3o-quero-saber-nada-sobre-isso para sustentar a pr\u00f3pria enuncia\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ar o \u201cbem dizer\u2019. Enuncia\u00e7\u00e3o enodada ao real de cada <em>parl\u00eatre<\/em>. Longe de uma inten\u00e7\u00e3o consciente do analisando de dizer algo, trata-se, muito mais, de que os sons emitidos se escrevam e se leiam de uma forma diferente do que quiseram os outros. Se o sujeito se ouve falar, h\u00e1 chances de surgir um dizer.<\/p>\n<p>\u00c9, de alguma maneira, aceder ao seu \u201c<em>falar para si mesmo,<\/em> ao autismo de seu discurso\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>. Aprender a falar leva tempo! Mas, aten\u00e7\u00e3o: o analista tamb\u00e9m precisa aprender a \u201cfalar a l\u00edngua do Outro\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>, que, inicialmente, \u00e9 estrangeira, para, por meio da interpreta\u00e7\u00e3o, apontar a causa do desejo e fazer vibrar o gozo que se mant\u00e9m fechado.<\/p>\n<p>Lacan nos ensina que \u201caprendemos a falar [&#8230;] isso deixa marcas, tem consequ\u00eancias. Ali\u00e1s, \u00e9 a essas consequ\u00eancias que chamamos de <em>sinthoma<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Entre o pai e o pior, o analista escolhe o pior, que \u00e9 o gozo, o objeto <em>a<\/em>. O analista faz semblante de objeto, cuidando para n\u00e3o encarn\u00e1-lo no real, e \u201cs\u00f3 opera sob a condi\u00e7\u00e3o de corresponder ele pr\u00f3prio \u00e0 estrutura do estranho [&#8230;] para desorganizar a defesa\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>. Nessa perspectiva, falar com a crian\u00e7a \u00e9 desfamiliariz\u00e1-la, j\u00e1 que n\u00e3o fazemos mais do que falar de nossa fam\u00edlia particular, raz\u00e3o pela qual algu\u00e9m sempre se analisa como filho. Falamos do lugar de inscri\u00e7\u00e3o da vida em uma hist\u00f3ria, de nossa exist\u00eancia subjetiva presa ao Outro que nos antecede. Falamos como filhos, filhos de um mal-entendido, filhos de um trauma que deixa na crian\u00e7a um resto escrito, uma marca indel\u00e9vel.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo XII Enapol ser\u00e1 a oportunidade de conversar sobre: Como fazemos os analisandos falar com <em>isso<\/em> na an\u00e1lise? Que consequ\u00eancias n\u00f3s psicanalistas de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana extra\u00edmos ao fazer falar a crian\u00e7a hoje?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Carla S\u00e1 Freire<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Renata Martinez<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Texto apresentado na atividade de Introdu\u00e7\u00e3o ao tema do XII ENAPOL: Falar com a crian\u00e7a , em 17\/03\/25<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretora Adjunta da Escuela de la Orientaci\u00f3n Lacaniana, membro da AMP e integrante do Comit\u00ea Diretor do XII ENAPOL.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Freud, S. Carta 101. (3 e 4 de janeiro de 1899) In:__. <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em>. v. I. Rio de Janeiro: Imago, 1987. p. 296.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J. \u201cO mal-entendido\u201d (1980). In__: <em>Nos confins do semin\u00e1rio<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2022. p.89.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Causa y consentimiento<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2019 p. 149. Li\u00e7\u00e3o de 10\/06\/1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cid, H. \u201cO Trauma e sua ficci\u00f3n\u201d <em>Curinga<\/em>, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 Se\u00e7\u00e3o Minas Gerais, Belo Horizonte, n.15-16, p.146 , 2001. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/mg\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Curinga-edicao_15e16.pdf\">https:\/\/ebp.org.br\/mg\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Curinga-edicao_15e16.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idem, p. 147.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J.\u00a0 <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 16: <em>De um Outro ao outro<\/em> (1968-1969). Texto estabelecido por Jaques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.p. 241. Li\u00e7\u00e3o de 26\/03\/1969.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. \u201cEl resto de un an\u00e1lisis\u201d. In: <em>Causa y consentimento<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2019. p. 214<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias\/2015\/10\/151026_hay_festival_entrevista_argentina_samanta_schweblin<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. \u201cEl resto de un an\u00e1lisis\u201d. In: <em>Causa y consentimento<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Causa y consentimiento<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2019 p.216.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J.\u00a0 <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 14: <em>A l\u00f3gica do fantasma<\/em> (1966-1967). Texto estabelecido por Jaques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2024.p. 348. Li\u00e7\u00e3o de 26\/04\/1967<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Otoni, F. Argumento XII Enapol. Dispon\u00edvel em: https:\/\/enapol.com\/xii\/epistemico\/argumento\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Respuestas de lo real.<\/em> Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2024. p. 56<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Perspectivas do semin\u00e1rio 23 de Lacan: O sinthoma <\/em>(2006) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2009. p. 88 Li\u00e7\u00e3o de 13\/12\/2006<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Perspectivas do semin\u00e1rio 23 de Lacan: O sinthoma <\/em>(2006) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2009. p. 166 Li\u00e7\u00e3o de 21\/03\/2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. <em>Sutilezas anal\u00edticas<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008-2009. p. 57<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. Miller, J.-A. <em>Perspectivas do semin\u00e1rio 23 de Lacan: O sinthoma <\/em>(2006) Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2009. p. 193 Li\u00e7\u00e3o de 10\/05\/2007<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J-A. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura do Semin\u00e1rio 10 da Angustia de Jacques Lacan. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. Revista brasileira internacional de psican\u00e1lise. <\/em>S\u00e3o Paulo: Eolia, n 43, maio de 2005, p.80 e 81. <em>Apud. <\/em>Laurent, E. \u201cA extra\u00e7\u00e3o do objeto a\u201d. Confer\u00eancia proferida em Belo Horizonte por ocasi\u00e3o do Terceiro Encontro Americano do Campo Freudiano em 04\/08\/2007. Publicada em Revista C\u00f3lof\u00f3n 28. Buenos Aires, abril 2008.<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column]<div class=\"vcex-spacing wpex-w-100 wpex-clear\" style=\"height:15px;\"><\/div><a href=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/03\/Aprender-a-falar-com-isso-Irene-Kuperwajs.pdf\" class=\"vcex-button theme-button inline\"><span class=\"vcex-button-inner theme-button-inner wpex-flex wpex-flex-wrap wpex-items-center wpex-justify-center\">DOWNLOAD PDF<span class=\"vcex-button-icon vcex-icon-wrap theme-button-icon-right\"><span class=\"wpex-icon\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\"><path d=\"M64 464l48 0 0 48-48 0c-35.3 0-64-28.7-64-64L0 64C0 28.7 28.7 0 64 0L229.5 0c17 0 33.3 6.7 45.3 18.7l90.5 90.5c12 12 18.7 28.3 18.7 45.3L384 304l-48 0 0-144-80 0c-17.7 0-32-14.3-32-32l0-80L64 48c-8.8 0-16 7.2-16 16l0 384c0 8.8 7.2 16 16 16zM176 352l32 0c30.9 0 56 25.1 56 56s-25.1 56-56 56l-16 0 0 32c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-48 0-80c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 80c13.3 0 24-10.7 24-24s-10.7-24-24-24l-16 0 0 48 16 0zm96-80l32 0c26.5 0 48 21.5 48 48l0 64c0 26.5-21.5 48-48 48l-32 0c-8.8 0-16-7.2-16-16l0-128c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 128c8.8 0 16-7.2 16-16l0-64c0-8.8-7.2-16-16-16l-16 0 0 96 16 0zm80-112c0-8.8 7.2-16 16-16l48 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 32 32 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 48c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-64 0-64z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a> [\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]Irene Kuperwajs[2] \u00a0 Falar com o Trauma A partir do belo argumento apresentado por Fernanda Otoni, tomo uma primeira perspectiva: falar com a crian\u00e7a \u00e9 falar com o trauma. Em 1899, Freud escreve a Fliess: \u201c\u00c0 pergunta: o \u2018que aconteceu nos prim\u00f3rdios da inf\u00e2ncia?\u2019 a resposta \u00e9: \u2018nada\u2019. 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