{"id":2413,"date":"2025-03-24T14:54:33","date_gmt":"2025-03-24T17:54:33","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=2413"},"modified":"2025-03-24T22:09:14","modified_gmt":"2025-03-25T01:09:14","slug":"falar-com-a-crianca-sob-transferencia1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/falar-com-a-crianca-sob-transferencia1\/","title":{"rendered":"Falar com a crian\u00e7a sob transfer\u00eancia<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ana Vigan\u00f3<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das m\u00faltiplas arestas que o argumento e os eixos do ENAPOL nos prop\u00f5em, tomarei nesta ocasi\u00e3o aquelas que d\u00e3o mais \u00eanfase ao eixo 3: Falar com a crian\u00e7a sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um texto que j\u00e1 tem alguns anos, Miller nos apresenta uma sigla um pouco enigm\u00e1tica \u2013 ao menos ele quer conserv\u00e1-la desse modo, como intraduz\u00edvel ao espanhol de forma literal \u2013, ele diz assim: \u201cdou estas tr\u00eas letras como colof\u00e3o a ser colocado embaixo de todo ensaio de cl\u00ednica psicanal\u00edtica, por resumir o que a distingue, sendo Cl\u00ednica-Sob-Transfer\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. C.S.T.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, tais letras indicam que a cl\u00ednica psicanal\u00edtica \u201cpropriamente falando, n\u00e3o pode ser sen\u00e3o o saber da transfer\u00eancia, quer dizer, o saber suposto [&#8230;] tornado transmiss\u00edvel, por outras vias e com outros efeitos que n\u00e3o os da experi\u00eancia da qual ele se forma\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. No come\u00e7o da psican\u00e1lise, nos diz Lacan, \u201cest\u00e1 a transfer\u00eancia [&#8230;]. Ela est\u00e1 ali no come\u00e7o. Mas o que \u00e9?\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Em todo caso, esta perspectiva localiza uma distin\u00e7\u00e3o entre a demanda de an\u00e1lise e a transfer\u00eancia em si. No in\u00edcio a demanda de an\u00e1lise n\u00e3o est\u00e1 situada, mas uma certa transfer\u00eancia. A entrada em an\u00e1lise sup\u00f5e certa como\u00e7\u00e3o da rotina do cotidiano do sujeito, o que implica que, em todos os casos em que h\u00e1 entrada, h\u00e1 um encontro com o real. Miller nomeia este momento como o \u201cgolpe desferido na seguran\u00e7a que o sujeito encontra no fantasma, que constitui a matriz de toda a significa\u00e7\u00e3o \u00e0 qual ele tem acesso normal\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Este encontro com o real e o consequente sem sentido, possui como efeito o apelo ao saber suposto. Miller nos provoca um pouco com os conceitos de uso habitual, ao dizer que, ent\u00e3o, as mal nomeadas entrevistas preliminares s\u00e3o, na verdade, secund\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia j\u00e1 presente na convoca\u00e7\u00e3o de um saber suposto a respeito do sem sentido no qual o sujeito trope\u00e7ou. O efeito de Sujeito Suposto Saber \u00e9 oferecido com maior intensidade pelo analista no encontro efetivo, desde que este possa operar uma formaliza\u00e7\u00e3o do sintoma inicial, o que exige fazer surgir o significante da transfer\u00eancia. O Sujeito Suposto Saber \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o que Lacan prop\u00f5e, in\u00e9dita em Freud, e que indica o sentido no qual \u201co psicanalista e seu discurso fazem parte do inconsciente mesmo<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> [&#8230;] \u00e9 o princ\u00edpio constitutivo da transfer\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00ednica Sob Transfer\u00eancia implica uma escolha sem atalhos, nem desvios, nem desculpas para o praticante advertido do furo que esse encontro com o real comporta e o excedente de gozo que, ali alojado, tamb\u00e9m confrontou o sujeito, ainda que o furo tenha sido rapidamente tamponado por este chamado ao suposto saber sobre ele. \u00c9 por isso que ser o <em>partenaire <\/em>de uma experi\u00eancia anal\u00edtica que possa bordejar este furo e cernir o gozo ali circunscrito, desconhecido, e muitas vezes recusado ou vivido com muito sofrimento, requer optar por uma pr\u00e1tica que se submeta ao rigor do interc\u00e2mbio com outros, e escolher uma orienta\u00e7\u00e3o. Seguir Lacan, n\u00e3o sem Freud, na Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, isto \u00e9, com as elucida\u00e7\u00f5es de Jacques-Alain Miller, \u00e9 em si um ato de transfer\u00eancia. Cada uma de nossas Jornadas, Congressos e Encontros, como este que nos convoca, \u00e9 a ocasi\u00e3o de afinar a transfer\u00eancia com a forma\u00e7\u00e3o que as Escolas dispensam e com um modo absolutamente provocador, subversivo e fecundo para pensar os tratamentos que dirigimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar com a crian\u00e7a implica em falar com o analisante e sua l\u00edngua viva, feita de marcas, retalhos, res\u00edduos, restos, precipitados de momentos subjetivos fulgurantes, que situam o que chamamos trauma. \u00c9 falar com uma l\u00edngua profundamente traumatizada \u2013 <em>troumatizada<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> \u2013, pelos encontros com o significante e seus efeitos de gozo. L\u00edngua que surge ali mesmo onde o encontro com o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual fez uma marca indel\u00e9vel deixando tanto o tra\u00e7o do que ali n\u00e3o teve possibilidade de um dizer com significa\u00e7\u00f5es adequadas como, tamb\u00e9m, precipitando um resto, dizeres aproximados, que oscilaram entre o <em>isso \u00e9<\/em> e o <em>isso n\u00e3o quer dizer nada<\/em> pr\u00f3prio do <em>fora do sentido.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDizer que o primordial \u00e9 o significante est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a observa\u00e7\u00e3o de Freud, de que h\u00e1 coisas que foram escutadas antes de que seu sentido fosse captado\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Sob a express\u00e3o signific\u00e2ncia, ou tamb\u00e9m mais de significante, Miller localiza o efeito po\u00e9tico que o significante pode ter, quando funciona como uma letra separada de seu valor de significa\u00e7\u00e3o. Para exemplificar isso, ele traz uma famosa lembran\u00e7a infantil do escritor Michel Leiris:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">Sendo ele uma crian\u00e7a pequena que ainda n\u00e3o sabia ler e escrever, brincava com seus soldadinhos. Um soldadinho cai. Deveria ter quebrado ao cair, mas n\u00e3o quebra, e Michel Leiris diz: \u2018qu\u00e3o grande foi minha alegria, eu a expressei dizendo: <em>Lizmente!<\/em>\u2019. Deveria ter dito <em>felizmente<\/em>, mas o pequeno Michel, quando as coisas davam certo, acreditava que se dizia <em>lizmente<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o demorou para que o Outro encarnado que o acompanhava corrigisse sua dic\u00e7\u00e3o e desse a f\u00f3rmula adequada da linguagem: se diz <em>felizmente<\/em>. Ent\u00e3o \u201cLeiris se descreve como desconcertado, pois para ele <em>lizmente <\/em>era muito mais expressivo que <em>felizmente<\/em>. <em>Lizmente <\/em>\u00e9, verdadeiramente, uma jacula\u00e7\u00e3o pura. Descobre que com seu <em>lizmente<\/em> seu j\u00fabilo se expressava por inteiro\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>. Mas, neste momento preciso de ilumina\u00e7\u00e3o produz-se, tamb\u00e9m, o que ele chama um desprendimento do v\u00e9u, uma irrup\u00e7\u00e3o da verdade. Descobre que h\u00e1 um sentido real da palavra e um sentido da l\u00edngua; que entre eles \u00e9 necess\u00e1rio optar por dizer felizmente, como todo mundo e que a coisa, que antes era verdadeiramente sua, est\u00e1 socializada. Leiris conclui esta vinheta dizendo: \u201cFoi aqui que eu senti no que a linguagem articulada, teia de aranha de minhas rela\u00e7\u00f5es com os outros, me supera empurrando por todos os lados suas antenas misteriosas\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. Miller destaca outro fragmento, nele Leiris investiga o que s\u00e3o as palavras quando s\u00e3o aprendidas apenas pela audi\u00e7\u00e3o, ou seja, explora o enigm\u00e1tico campo do impacto da linguagem do outro pela via \u00fanica do ouvido, tal como o evoca Lacan quando fala do estado do sujeito antes de se <em>alfabestiar<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup><strong>[15]<\/strong><\/sup><\/a> \u2013 <\/em>antes de aprender a ler e escrever. Leiris descreve ali uma grande quantidade de monstros orais que n\u00e3o respondem a ordem l\u00e9xica e que podem transformar uma frase banal na \u201csenten\u00e7a mais obscura que jamais escapou dos l\u00e1bios do or\u00e1culo\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. Or\u00e1culo sem adivinho, esclarece Miller, estas senten\u00e7as que surgem da banalidade do ouvido sem regras de linguagem, \u00e9 o povoado de objetos fant\u00e1sticos que marcam o que Lacan nomeia, escrito tudo junto, lal\u00edngua, a integralidade dos equ\u00edvocos que a hist\u00f3ria deixou persistir. Monstros que n\u00e3o possuem outro ser, do que o mal-entendido da audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lal\u00edngua serve para coisas muito diferentes do que para a comunica\u00e7\u00e3o, nos diz Lacan, enfatizando que quando ela est\u00e1 tomada pela comunica\u00e7\u00e3o se torna outra coisa \u2013 n\u00e3o mais a express\u00e3o de j\u00fabilo em Leiris \u2013, e h\u00e1 algo que se perde ali. Esse algo perdido entra em jogo na transfer\u00eancia e amarra o sujeito a esse Outro que \u00e9 o analista. \u00c9 pela no\u00e7\u00e3o de Sujeito Suposto Saber que o analista pode se incluir, via regra fundamental, dando a garantia ao paciente de que ele \u201cn\u00e3o fala em pura perda. [O Sujeito Suposto Saber] &#8230; garante a psican\u00e1lise\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>. E ainda assim, sabemos que pouco tempo depois de instaurada esta fun\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio Lacan prop\u00f5e que \u00e9 na estrutura de seu equ\u00edvoco que o psicanalista \u201ctem que encontrar a certeza de seu ato e a hi\u00e2ncia que constitui sua lei\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual seria a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica que corresponderia, se temos a lal\u00edngua \u2013 com a perda entre o que se fala e sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo \u2013, e n\u00e3o a linguagem comunicacional como referente? \u00c9 poss\u00edvel reconduzir o falar a seus modos jubilat\u00f3rios, jaculat\u00f3rios, vivificantes do gozo? Quais efeitos teria para o sujeito analisante? Estas s\u00e3o algumas das perguntas cruciais para o analista praticante que, sob transfer\u00eancia, aposte em falar essa lal\u00edngua com a crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO desconhecimento do ato anal\u00edtico conduz a nega\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>, desconhecimento que n\u00e3o est\u00e1 permitido a um praticante da psican\u00e1lise. E o que seria o ato anal\u00edtico? Miller o define \u2013 neste curso \u2013, como fazer-se causa do desejo, isto \u00e9, jogar como quem est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de objeto <em>a<\/em>. Servir-me-ei de um testemunho de passe de Alejandro Reinoso que ilumina o que estamos tratando, no contexto particular de uma experi\u00eancia anal\u00edtica. Tomarei apenas uma breve articula\u00e7\u00e3o de sua fecunda transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">O menino chega em casa depois da escola gritando a todos e a ningu\u00e9m: estou com fome! estou com fome! O av\u00f4 materno, sentado em sua poltrona, o olha fixamente nos olhos e lhe diz com um tom muito s\u00e9rio: <em>Voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 a fome. <\/em>O menino ficou com o corpo petrificado e com um efeito de vergonha em sua pr\u00f3pria voz. [\u2026] O objeto voz ficou marcado e silenciado. [\u2026] N\u00e3o se pode sair falando qualquer coisa que vem \u00e0 cabe\u00e7a<em>.<\/em><a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a><a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><em><sup><strong>[21]<\/strong><\/sup><\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitas consequ\u00eancias subjetivas derivadas desta cena que, evidentemente, se situa como central \u2013 <em>lembran\u00e7a-marca<\/em> como Reinoso nomeia\u2013, em sua an\u00e1lise. Mas, podemos situar muito bem algo da ordem do j\u00fabilo do \u201cestou com fome\u201d, acelerando inclusive o corpo que corria, com a puls\u00e3o entre os p\u00e9s e a viva voz, encontrando um modo de nome\u00e1-lo. Esse j\u00fabilo foi cortado na raiz, desgarrado por um dizer da linguagem encarnado em um Outro significativo que situaria o saber sobre o que se diz em outro lugar. Que esse Outro esteja encarnado n\u00e3o \u00e9 um detalhe: h\u00e1 gesto, h\u00e1 olhar, h\u00e1 o tom da voz\u2026 E no sujeito, petrifica\u00e7\u00e3o, vergonha pelo gozo sentido, rec\u00e1lculo da situa\u00e7\u00e3o, sintomas. Verifica-se ali o pr\u00f3prio sujeito como resposta do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gostaria de situar neste contexto uma das voltas que marca a posi\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o de seu analista, sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">S\u00e9rio no trabalho, angustiado pelas tem\u00e1ticas mortificantes, topava com frequ\u00eancia com um sorriso do analista que me inquietava. Um sorriso sem sentido. \u2018\u2019Do que ele sorri?\u2019, eu dizia internamente. N\u00e3o entendia, n\u00e3o havia motivo para rir. Levo um sonho estranho: estava em um restaurante chin\u00eas e saboreava um arroz que estava muito saboroso, o comia com muito gosto. Era um arroz a la cantonesa (<em>Il risso all cantonese<\/em><a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>). O analista, antes de que eu conclu\u00edsse o relato do sonho recorta o equ\u00edvoco <em>Il risso al Lacan- tones,<\/em> o riso a la Lacan<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>. Neste momento ca\u00ed na risada, uma risada aberta que envolveu todo o corpo; o analista tamb\u00e9m ria. Mas o que \u00e9 isso? E o que tem a ver esse riso a la Lacan? Nenhum sentido. Escritura po\u00e9tica da interpreta\u00e7\u00e3o que tocou as tripas.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Efeito po\u00e9tico que, assinalei h\u00e1 alguns minutos, pode produzir uma letra separada de sua significa\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 uma letra qualquer! Essa letra acaba por tocar as tripas e sacudir o corpo, porque se localiza, ao mesmo tempo, de maneira calculada e contingente, nas pr\u00f3prias coordenadas do traumatismo\/troumatisme. E, produz efeitos: ligeireza e soltura no corpo, e uma \u201cporta in\u00e9dita em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00f4mico, dissolvendo parte da vivencia s\u00e9ria da exist\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob transfer\u00eancia tamb\u00e9m implica, ent\u00e3o, que na experi\u00eancia anal\u00edtica s\u00e3o necess\u00e1rios a presen\u00e7a e o ato do analista encarnando sua opera\u00e7\u00e3o. Mas sabemos que ele o far\u00e1 de diferentes formas poss\u00edveis, como convier, a cada vez, ao <em>partenaire <\/em>transferencial. S\u00e3o estas m\u00faltiplas formas que convidamos voc\u00eas a explorarem e a tomarem como centrais nas constru\u00e7\u00f5es dos casos que se apresentarem neste eixo, para que nos deixemos ensinar por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Eduardo Vallejos da Rocha<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Paola Salinas<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Texto apresentado na atividade Introdu\u00e7\u00e3o ao tema do XII ENAPOL: Falar com a crian\u00e7a, em 17\/03\/2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Analista Membro da Escola NEL e da AMP. Presidenta da NEL e integrante do Comit\u00ea Diretor do XII ENAPOL<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. (1994). C.S.T. In: IRMA, Cl\u00ednica lacaniana: Casos cl\u00ednicos do campo lacaniano (1994). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p. 9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N. T.: Em espanhol a sigla CST \u2013 n\u00e3o corresponde a \u201cCl\u00ednica Bajo Transferencia\u201d, diferentemente do que ocorre na tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ibidem. p. 9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J. Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro sobre o psicanalista da Escola (1967). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 252.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. (1994). C.S.T. In: IRMA, Cl\u00ednica lacaniana: Casos cl\u00ednicos do campo lacaniano (1994). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. p. 10.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A., Seminarios en Caracas y Bogot\u00e1, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2015, p. 175. Tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ibidem, p. 191. Tradu\u00e7\u00e3o nossa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neologismo que incorpora <em>trou<\/em>, furo em franc\u00eas, aludindo ao furo do traumatismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A., <em>Causa y consentimiento<\/em>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2019, p. 148. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A., La fuga del sentido, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2012, p. 128-129. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ibidem. p. 129. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ibidem. p. 129. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J., O Semin\u00e1rio, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise (1964). Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1988. p. 264. Posf\u00e1cio de 01\/01\/73.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A. La fuga del sentido, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2012, p. 130. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A., Seminarios en Caracas y Bogot\u00e1, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2015, p. 192. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lacan, J. O engano do sujeito suposto saber (1967). In <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 339.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Miller, J.-A., <em>Respuestas de lo real<\/em>, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2024, p. 197. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reinoso, A., \u201cOu\u00efr\u201d, <em>Bit\u00e1cora Lacaniana #8<\/em>, Buenos Aires, Grama, 2019, p. 39. (Trad. Livre).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em espanhol a express\u00e3o \u00e9 \u201ca tontas y a locas\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em italiano, no original. Lembremos que a an\u00e1lise de Reinoso foi na l\u00edngua italiana, com o atravessamento de v\u00e1rias l\u00ednguas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em espanhol: La risa a la Lacan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reinoso, A., \u201cOu\u00efr\u201d, op. cit., p. 43. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ibidem. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column]<div class=\"vcex-spacing wpex-w-100 wpex-clear\" style=\"height:15px;\"><\/div><a href=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/03\/Falar-com-a-crianca-sob-transferencia-Ana-Vigano.pdf\" class=\"vcex-button theme-button inline\"><span class=\"vcex-button-inner theme-button-inner wpex-flex wpex-flex-wrap wpex-items-center wpex-justify-center\">DOWNLOAD PDF<span class=\"vcex-button-icon vcex-icon-wrap theme-button-icon-right\"><span class=\"wpex-icon\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\"><path d=\"M64 464l48 0 0 48-48 0c-35.3 0-64-28.7-64-64L0 64C0 28.7 28.7 0 64 0L229.5 0c17 0 33.3 6.7 45.3 18.7l90.5 90.5c12 12 18.7 28.3 18.7 45.3L384 304l-48 0 0-144-80 0c-17.7 0-32-14.3-32-32l0-80L64 48c-8.8 0-16 7.2-16 16l0 384c0 8.8 7.2 16 16 16zM176 352l32 0c30.9 0 56 25.1 56 56s-25.1 56-56 56l-16 0 0 32c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-48 0-80c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 80c13.3 0 24-10.7 24-24s-10.7-24-24-24l-16 0 0 48 16 0zm96-80l32 0c26.5 0 48 21.5 48 48l0 64c0 26.5-21.5 48-48 48l-32 0c-8.8 0-16-7.2-16-16l0-128c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 128c8.8 0 16-7.2 16-16l0-64c0-8.8-7.2-16-16-16l-16 0 0 96 16 0zm80-112c0-8.8 7.2-16 16-16l48 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 32 32 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 48c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-64 0-64z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a> [\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Ana Vigan\u00f3[2] &nbsp; Das m\u00faltiplas arestas que o argumento e os eixos do ENAPOL nos prop\u00f5em, tomarei nesta ocasi\u00e3o aquelas que d\u00e3o mais \u00eanfase ao eixo 3: Falar com a crian\u00e7a sob transfer\u00eancia. 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