{"id":2422,"date":"2025-03-24T14:53:43","date_gmt":"2025-03-24T17:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=2422"},"modified":"2025-03-24T14:50:47","modified_gmt":"2025-03-24T17:50:47","slug":"o-que-fala-a-psicanalise-da-crianca-generalizada1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/o-que-fala-a-psicanalise-da-crianca-generalizada1\/","title":{"rendered":"O que fala a psican\u00e1lise da crian\u00e7a generalizada<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ludmilla F\u00e9res Faria<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967, Lacan \u00e9 convidado por Maud Mannoni para fazer o fechamento da Jornada da Crian\u00e7a, organizada por ela em torno do tema das psicoses em crian\u00e7as. Em sua argumenta\u00e7\u00e3o, ele destaca a segrega\u00e7\u00e3o como o problema mais crucial da \u00e9poca: \u201cn\u00e3o somente em nosso pr\u00f3prio dom\u00ednio, o dos psiquiatras, mas at\u00e9 onde se estende o nosso universo, teremos que lidar, e sempre de maneira premente, com a segrega\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Lacan aponta para a segrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas como efeito pol\u00edtico e social do discurso, mas para o seu vi\u00e9s estrutural fundamental e seu princ\u00edpio mesmo, j\u00e1 que todo discurso produz segrega\u00e7\u00e3o. Sua tese assenta-se na afirmativa de que a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 efeito da universaliza\u00e7\u00e3o, ou seja, resulta da destrui\u00e7\u00e3o da antiga ordem social em favor do progresso da ci\u00eancia. Argumenta que os progressos da civiliza\u00e7\u00e3o ir\u00e3o se traduzir n\u00e3o apenas num certo mal-estar, como percebeu Freud, mas numa pr\u00e1tica segregat\u00f3ria cada vez mais extensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amo moderno, atrav\u00e9s da oferta vertiginosa de objetos tecnol\u00f3gicos, imp\u00f5e a todos uma l\u00f3gica discursiva que soterra a subjetividade e desvia os seres falantes de encontrar nomes singulares para localizar o real em jogo no seu sofrimento. Assim, o sujeito n\u00e3o responde mais por seu corpo, nem mesmo por seu gozo, e seus sintomas s\u00e3o reduzidos a transtornos a serem extirpados. \u00c9 ineg\u00e1vel que s\u00e3o as crian\u00e7as o objeto mais visado pela fabrica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 ainda que n\u00e3o os \u00fanicos \u2013, e os avan\u00e7os da tecnologia invadem a forma\u00e7\u00e3o e o tempo da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o t\u00edtulo \u201cO ENEM n\u00e3o vai te deixar rico\u201d,<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> a <em>Revista Piau\u00ed<\/em> de fevereiro de 2025 apresenta uma reportagem sobre influenciadores mirins que, transitando entre o linguajar corporativo e o tom de prega\u00e7\u00e3o neopentecostal, prometem aos seguidores o enriquecimento r\u00e1pido. O lema de todos \u00e9 sempre o mesmo: escola n\u00e3o d\u00e1 futuro. O mais proeminente do grupo, um jovem de 17 anos, afirma, nas suas redes sociais, que \u201cfatura alguns d\u00edgitos por m\u00eas\u201d. Outro, hoje com 13 anos, conta em um v\u00eddeo, compartilhado com seus 30 mil seguidores, que ganha 300 reais por dia \u201csem fazer nada\u201d. Diz que sua vida mudou quando trocou os jogos eletr\u00f4nicos por livros que ganhou do pai, tais como <em>Gera\u00e7\u00e3o de valor<\/em>\u00a0e\u00a0<em>O homem mais rico da Babil\u00f4nia<\/em>. O pai orgulha-se da carreira digital que o filho vem construindo desde que ele, seguindo os ensinamentos de influenciadores, come\u00e7ou a vender doces na escola. O neg\u00f3cio fez bastante sucesso e o dinheiro arrecadado era investido em fundos imobili\u00e1rios e em a\u00e7\u00f5es, mas o col\u00e9gio proibiu as vendas e o garoto, junto com o pai, passou a vender os doces na rua. A rotina trabalhadora do menino era filmada pelo progenitor e postada nas redes sociais, at\u00e9 que o filho foi suspenso pela Meta, empresa respons\u00e1vel pelo Instagram, por ter mentido sua idade \u2013 tinha menos de 13 anos \u00e0 \u00e9poca, que \u00e9 idade m\u00ednima para abrir uma conta na rede social. O pai, temendo um novo banimento, usou os pr\u00f3prios dados (nome, idade etc.) para recadastrar o filho na rede. Declara que as postagens geram respostas violentas dos usu\u00e1rios, que se sentem enganados pelo conte\u00fado, o que, para ele, n\u00e3o \u00e9 problema, pois o importante \u00e9 o filho \u201cviralizar\u201d, mesmo que seja por raz\u00f5es negativas: \u201cas cr\u00edticas geram tanto engajamento quanto os elogios\u201d, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XIX, Freud p\u00f4de dedicar \u00e0 escola a tarefa de oferecer apoio e amparo aos jovens e contribuir para despertar o desejo de saber, assim como dedicou aos professores o lugar de maior influ\u00eancia sobre eles, mais do que as ci\u00eancias que lhes eram ensinadas: \u201cN\u00f3s os cortej\u00e1vamos ou lhes vir\u00e1vamos as costas, imagin\u00e1vamos neles simpatias e antipatias que provavelmente n\u00e3o existiam, estud\u00e1vamos seus car\u00e1teres e sobre estes form\u00e1vamos ou deform\u00e1vamos os nossos\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> O que a reportagem da <em>Piau\u00ed<\/em> mostra \u00e9 que, na atualidade, o agalm\u00e1tico mudou de lugar, e o mestre tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, vemos que o sujeito moderno p\u00f4de, como seus antepassados, se fazer camale\u00e3o de sua \u00e9poca, embora os desafios pr\u00f3prios de cada uma possa diferir, especialmente sobre as modalidades de ajuste do gozo: antes, mais sobre o proibido, e hoje, mais sobre os objetos que a ci\u00eancia, em alian\u00e7a com o capital, prop\u00f5e \u2013 em contraste com a ren\u00fancia ao gozo acentuada por Freud, substitu\u00edda pela prescri\u00e7\u00e3o da promessa de uma satisfa\u00e7\u00e3o plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a passagem da proibi\u00e7\u00e3o para a prescri\u00e7\u00e3o modifica as formas assumidas pelas inibi\u00e7\u00f5es, pelos sintomas e pelas ang\u00fastias contempor\u00e2neos, que agora trazem a marca do excesso, mais que da falta. Os discursos atuais, carregando sua cota de injun\u00e7\u00e3o ao consumo, \u00e0 beleza e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, alimentam a gula do supereu e deixam o sujeito \u00e0s voltas com o imperativo de gozar. Por tr\u00e1s dessa aparente liberdade, vemos surgir uma nova \u201cordem de ferro\u201d, governada por palavras de ordem muitas vezes carregadas de \u00f3dio e que, com as redes, passam a ter uma topologia deslocalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os personagens da referida reportagem, em especial o pai, mostram a persist\u00eancia, em alguns sujeitos, de um n\u00e3o querer saber nada da castra\u00e7\u00e3o, que coaduna com a express\u00e3o \u201ccrian\u00e7a generalizada\u201d, utilizada por Lacan. Tal express\u00e3o, ele a recolhe da obra <em>Antimem\u00f3rias<\/em>, de Andr\u00e9 Malraux, na qual o autor retoma a confid\u00eancia escutada por um religioso, que lhe revela: \u201cAcabei acreditando, veja s\u00f3, neste decl\u00ednio de minha vida, que n\u00e3o existe gente grande\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Se n\u00e3o existe \u201cgente grande\u201d, somos todos crian\u00e7as! E, para Lacan, o que marca a posi\u00e7\u00e3o singular de um sujeito n\u00e3o \u00e9 nem a idade, nem a puberdade, mas a condi\u00e7\u00e3o \u00e9tica de responsabilizar-se pelo seu gozo. A crian\u00e7a recebe a transmiss\u00e3o do legado da mis\u00e9ria dos adultos e, caso a mis\u00e9ria dos adultos n\u00e3o se refira \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, essa transmiss\u00e3o \u00e9 dificultada e pode levar a crian\u00e7a a sucumbir como objeto-dejeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed o alerta sobre os impasses do nosso tempo, em refer\u00eancia ao mundo da crian\u00e7a generalizada, essa figura da crian\u00e7a da ci\u00eancia, da crian\u00e7a objeto de um saber sem sujeito, em que predominam as paix\u00f5es preventivas e educativas, sempre acompanhadas da promo\u00e7\u00e3o das grandes classifica\u00e7\u00f5es. Nela, h\u00e1 sempre um outro que sabe e que responde sobre como se deve viver, um outro que tem sempre as respostas e que n\u00e3o sabe guardar sil\u00eancio, e \u00e9 a injun\u00e7\u00e3o desse outro que tira a possibilidade de dar lugar ao saber singular da crian\u00e7a \u2013 a exemplo das Terapias Cognitivas e Comportamentais, as metodologias de <em>coaching<\/em>, as consultas ao <em>chatgpt<\/em>, tratamentos nos quais a solu\u00e7\u00e3o precede o problema, ou seja, a resposta precede a pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Lacan pode dizer que o analista \u201cfaz descaridade\u201d,<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> \u00e9 justamente porque ele se op\u00f5e \u201ca que seja o corpo da crian\u00e7a o que responda ao objeto <em>a<\/em>\u201d,<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> formula\u00e7\u00e3o que podemos fazer extensiva \u00e0 an\u00e1lise de qualquer\u00a0falasser. Nessa dire\u00e7\u00e3o, o psicanalista se situa para al\u00e9m do sistema de trocas, sua posi\u00e7\u00e3o deve ser suficientemente estranha para reenviar o sujeito \u00e0 quest\u00e3o sobre qual \u00e9 o seu desejo, fora do sistema de bens. Laurent nos adverte para o fato de que demanda um esfor\u00e7o sair desse sistema, tal como ele \u00e9 definido num dado momento da civiliza\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Trata-se de \u201cum jud\u00f4 com os discursos estabelecidos\u201d,<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> para o qual o analista precisa ser resolutamente contempor\u00e2neo, de forma a permitir que surja alguma coisa, como o desejo, enquanto o que escapa da captura dos discursos estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um analista pode se oferecer como mais um objeto dispon\u00edvel no mercado, o \u201cobjeto-psicanalista\u201d,<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> que, <em>a priori<\/em>, nada quer para o bem do outro, e est\u00e1 a\u00ed sem preconceitos quanto ao bom uso que se possa ser feito dele. \u00c9 preciso, para isso, que ele tenha cultivado sua docilidade para qualquer sujeito que chegue. E, nesse encontro, no qual a necessidade se desfaz e o falasser pode, contingencialmente, ser conduzido a uma brecha por onde o desejo possa entrar, uma inven\u00e7\u00e3o na qual as palavras tomam forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o discurso contempor\u00e2neo busca calar o ser falante, concentrando-se em adormec\u00ea-lo ou estigmatiz\u00e1-lo, o analista escuta outra voz do corpo \u2013 a voz do <em>infans<\/em>, tra\u00e7o do trauma, percurso do sintoma. Portanto, para que o real da psican\u00e1lise possa seguir fazendo sintoma, e n\u00e3o ser reabsorvido pelo real da ci\u00eancia e do capital, \u00e9 preciso dar lugar \u00e0 originalidade do choque de <em>lal\u00edngua<\/em> sobre o corpo, matriz do corpo falante, de onde surge o vivo que fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos, no final do <em>Antimem\u00f3rias<\/em> de Malraux, uma passagem que nos leva a questionar at\u00e9 que ponto n\u00e3o se responsabilizar pela vida e pela morte, ou seja, pelo modo de gozo de cada um, tem rela\u00e7\u00e3o com o\u00a0 infantil. Trata-se de um di\u00e1logo entre um p\u00e1roco que havia sido capel\u00e3o nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, uma mulher sobrevivente, o capit\u00e3o e o pr\u00f3prio Malraux. O que havia ensinado os campos de concentra\u00e7\u00e3o aos homens? \u00c9 a mulher quem responde:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">\u201cPara mim\u201d, diz Brigitte, \u201cisso se mistura tamb\u00e9m muito. Primeiro [\u2026], n\u00e3o pens\u00e1vamos que f\u00f4ssemos sobreviver. No Lut\u00e9cia [hotel onde eram acolhidos e minimamente humanizados os prisioneiros que voltam dos campos de concentra\u00e7\u00e3o], o m\u00e9dico que fez minhas radiografias me disse: \u2018De qualquer jeito, antes de dez anos voc\u00eas estar\u00e3o mortas\u2019. N\u00e3o se podia acus\u00e1-lo de mentir aos pacientes. [\u2026] Afinal, eu n\u00e3o estava t\u00e3o reintegrada assim, pois cada vez que sentia o aroma dos castanheiros e das cal\u00e7adas molhadas da avenida Henri Martin, pensava que ia acordar no campo e me dava tapas para ter certeza de que n\u00e3o estava sonhando. As pessoas que passavam ficavam com pena de mim. Isso de que voc\u00ea fala tomou uma forma esquisita: eu achava as pessoas infantis. [\u2026] eu achava que meus pais tinham virado crian\u00e7as. Por delicadeza, n\u00e3o me falavam no campo; meu pai falava pouco, nos primeiros dias, mas seu sil\u00eancio tamb\u00e9m me parecia infantil.\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o de estranheza de Brigitte, sua interroga\u00e7\u00e3o sobre o sil\u00eancio de todos, o fato de achar todos infantis, ou seja, sua vis\u00e3o sobre o que ali se passa corresponde a crian\u00e7a generalizada, proposta por Lacan?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan considerava que a dignidade da psican\u00e1lise, se \u00e9 que esta tem alguma, \u00e9 a de passar da posi\u00e7\u00e3o de ser objeto do gozo do Outro, do gozo da ci\u00eancia para saber \u201cfazer com.\u201d Ou seja, um sujeito respons\u00e1vel seria, para ele, aquele que chegou, atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise \u2013 ou por si mesmo, como Joyce \u2013, a poder se virar com o\u00a0sinthoma, o que lhe permite entrar no la\u00e7o social, n\u00e3o importando sua idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No XII ENAPOL esperamos que cada um possa apresentar, de que forma o discurso anal\u00edtico, seja nas institui\u00e7\u00f5es, seja nos consult\u00f3rios, p\u00f4de acolher isso que rateia na univocidade dos discursos dominantes: a solid\u00e3o dos hiper conectados, os dist\u00farbios alimentares na busca pelos corpos perfeitos, a crescente estetiza\u00e7\u00e3o e medicaliza\u00e7\u00e3o da vida, a acelera\u00e7\u00e3o e a procrastina\u00e7\u00e3o frente as m\u00faltiplas ofertas do mercado, a escalada do racismo e da viol\u00eancia, o empuxo ao suic\u00eddio, a deserotiza\u00e7\u00e3o nas parcerias amorosas e o recha\u00e7o \u00e0 diferen\u00e7a sexual. Quais formas encontraram para perturbar e perfurar os discursos homogeneizantes, visando a pol\u00edtica da psican\u00e1lise, nossa doutrina do inconsciente.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Texto apresentado na atividade de introdu\u00e7\u00e3o ao tema do XII ENAPOL: Falar com a crian\u00e7a, em 17\/03\/25<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretora da EBP-MG, membro da AMP e integrante do Comit\u00ea Diretor do XII ENAPOL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a. In: Outros escritos. Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 359-368. (Trabalho proferido em 1967). p. 363.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MARQUES, D. O ENEM n\u00e3o vai te deixar rico. <em>Revista Piau\u00ed<\/em>, fev. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/enem-influenciadores-coach-criancas\/. Acesso em: 01 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 FREUD, S. Algumas reflex\u00f5es sobre a psicologia escolar. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Completas de Sigmund Freud<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jayme Salom\u00e3o. Rio de Janeiro: Imago, Vol. XIII, 1996. (Trabalho original publicado em 1914). p. 286.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, 1967\/2003, p. 367.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No original, \u201c<em>il d\u00e9charite<\/em>\u201d, traduzido por \u201cfaz descaridade\u201d. Cf.: LACAN, J. Televis\u00e3o. In: <em>Outros Escritos. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 508-543. (Trabalho original publicado em 1973). p. 318.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, 1967\/2003, p. 366.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LAURENT, \u00c9. O inconsciente e o acontecimento de corpo. In: <em>Boletim Ecos<\/em>, n. 3, ago. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jornadaebpmg.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ECOS3%E2%80%93entrevista-com-Eric-LAURENT.pdf. Acesso em: 01 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Idem, ibidem<\/em>, p. 7. Este termo \u201cjud\u00f4\u201d foi inicialmente utilizado por Miller, por exemplo, em: MILLER, J.-A. <em>El Banquete de los analistas. <\/em>Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2000. p. 51.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. As contraindica\u00e7\u00f5es ao tratamento psicanal\u00edtico. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 25, p. 52-55, 1998.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MALRAUX, A. <em>Antimem\u00f3rias<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de M. Werneck de Castro. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o Europ\u00e9ia do Livro, 1968. p. 467.<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column]<div class=\"vcex-spacing wpex-w-100 wpex-clear\" style=\"height:15px;\"><\/div><a href=\"https:\/\/enapol.com\/xii\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2025\/03\/O-que-fala-a-psicanalise-da-crianca-generalizada-Ludmilla-Feres-Faria.pdf\" class=\"vcex-button theme-button inline\"><span class=\"vcex-button-inner theme-button-inner wpex-flex wpex-flex-wrap wpex-items-center wpex-justify-center\">DOWNLOAD PDF<span class=\"vcex-button-icon vcex-icon-wrap theme-button-icon-right\"><span class=\"wpex-icon\" aria-hidden=\"true\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\"><path d=\"M64 464l48 0 0 48-48 0c-35.3 0-64-28.7-64-64L0 64C0 28.7 28.7 0 64 0L229.5 0c17 0 33.3 6.7 45.3 18.7l90.5 90.5c12 12 18.7 28.3 18.7 45.3L384 304l-48 0 0-144-80 0c-17.7 0-32-14.3-32-32l0-80L64 48c-8.8 0-16 7.2-16 16l0 384c0 8.8 7.2 16 16 16zM176 352l32 0c30.9 0 56 25.1 56 56s-25.1 56-56 56l-16 0 0 32c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-48 0-80c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 80c13.3 0 24-10.7 24-24s-10.7-24-24-24l-16 0 0 48 16 0zm96-80l32 0c26.5 0 48 21.5 48 48l0 64c0 26.5-21.5 48-48 48l-32 0c-8.8 0-16-7.2-16-16l0-128c0-8.8 7.2-16 16-16zm32 128c8.8 0 16-7.2 16-16l0-64c0-8.8-7.2-16-16-16l-16 0 0 96 16 0zm80-112c0-8.8 7.2-16 16-16l48 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 32 32 0c8.8 0 16 7.2 16 16s-7.2 16-16 16l-32 0 0 48c0 8.8-7.2 16-16 16s-16-7.2-16-16l0-64 0-64z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a> [\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Ludmilla F\u00e9res Faria[2] &nbsp; Em 1967, Lacan \u00e9 convidado por Maud Mannoni para fazer o fechamento da Jornada da Crian\u00e7a, organizada por ela em torno do tema das psicoses em crian\u00e7as. 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