{"id":4706,"date":"2025-05-06T17:01:53","date_gmt":"2025-05-06T20:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/enapol.com\/xii\/?p=4706"},"modified":"2025-05-06T17:01:53","modified_gmt":"2025-05-06T20:01:53","slug":"ha-e-nao-ha-gente-grande-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/enapol.com\/xii\/ha-e-nao-ha-gente-grande-1\/","title":{"rendered":"H\u00e1 e n\u00e3o h\u00e1 gente grande&#8230;<sup>[1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">Luisa Arag\u00f3n<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p>A cada dois anos, o ENAPOL nos convida ao trabalho com um t\u00edtulo provocador que interpreta a vig\u00eancia da psican\u00e1lise frente aos discursos atuais que regem a civiliza\u00e7\u00e3o, produzindo efeitos na subjetividade e no la\u00e7o social. O argumento do XII ENAPOL e um dos seus eixos retomam a <em>Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a <\/em>para ressaltar a precis\u00e3o com a qual Lacan se antecipou e interrogou as consequ\u00eancias que extrair\u00edamos do termo \u201ccrian\u00e7a generalizada\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Numa \u00e9poca <em>planet\u00e1ria<\/em> caracterizada pelo aumento vertiginoso e pelo impacto do discurso capitalista, ligado ao progresso da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica e distanciado da tradi\u00e7\u00e3o, Lacan nos dirige uma pergunta como uma interpreta\u00e7\u00e3o: perante a segrega\u00e7\u00e3o, como vamos responder n\u00f3s, psicanalistas?<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo ao final desse mesmo texto, Lacan introduz a frase enigm\u00e1tica \u201cn\u00e3o existe gente grande\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, que n\u00e3o \u00e9 redut\u00edvel \u00e0 distin\u00e7\u00e3o evolutiva. O <em>N\u00e3o h\u00e1<\/em> reflete as coordenadas de uma era que elimina as diferen\u00e7as, na qual se imp\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica entre a crian\u00e7a e o adulto, o que coloca grandes desafios para a nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise, a crian\u00e7a \u00e9 um adulto em forma\u00e7\u00e3o. <em>N\u00e3o h\u00e1<\/em> que confundir os adultos com as pessoas grandes, como as chama Laurent. Uma an\u00e1lise nos ensina que a vida adulta n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada, que em um sujeito sempre haver\u00e1 algo <em>adulterado,<\/em> mais al\u00e9m da idade.<\/p>\n<p>Se seguirmos a via do <em>H\u00e1<\/em>, na perspectiva da cl\u00ednica do fim da an\u00e1lise, \u201ccomprometer-se em uma experi\u00eancia anal\u00edtica, independentemente da idade do analisante, \u00e9 assumir a responsabilidade da leitura\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> das marcas da linguagem e das palavras com as quais o sujeito foi falado, cuja sonoridade ressoou e atingiu seu corpo como um tambor. Cito Silvia Salman: \u201cSaber ler esse fator infantil \u00e9 assunto de gente grande.\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Para que o dispositivo anal\u00edtico se instale, h\u00e1 que se consentir com o fato de que, ao falarmos, algo do gozo se perde. Se algo nos permite separar a crian\u00e7a do adulto, \u00e9 a responsabilidade com que cada um assumiu a rela\u00e7\u00e3o com sua modalidade singular de gozo e com a castra\u00e7\u00e3o, com isso que sempre faltar\u00e1 e que \u00e9 correlativo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Ir al\u00e9m da inf\u00e2ncia, tal como a entendemos a partir da psican\u00e1lise, sup\u00f5e um for\u00e7amento ao n\u00e3o querer saber nada disso, para que possa advir uma nova rela\u00e7\u00e3o com a marca traum\u00e1tica, que possibilite novas formas de arranjos com o real e, portanto, com o amor, com o desejo e com o gozo.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica implicaria assumir uma posi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de gente grande? O desejo do analista visa produzir a diferen\u00e7a absoluta. O desejo do analista, como assinala Silvia Salman, \u201cque em seu fundamento \u00e9 gente grande, est\u00e1 ali para animar em cada analisante essa nova leitura, que ele mesmo p\u00f4de fazer daquilo que o habitava, no germe de sua posi\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>O XII ENAPOL ser\u00e1 a ocasi\u00e3o para seguirmos nos perguntando se, como efeito de <em>falar com a crian\u00e7a, <\/em>algu\u00e9m se torna verdadeiramente gente grande.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Tradu\u00e7\u00e3o: Bibiana Poggi<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Revis\u00e3o: Ol\u00edvia Viana<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Texto apresentado na Preparat\u00f3ria da NEL em 12\/04\/25.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Membro da NEL\/AMP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J., Alocu\u00e7\u00e3o sobre as psicoses da crian\u00e7a (1967). In: ____. <em>Outros Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003, p. 367.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Ib\u00edd<\/em>., p. 361.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Ibid,<\/em> p. 367.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Salman, S., El factor infantil y las personas mayores, en Textos sobre los ejes XI Jornadas de la NEL, Lo insoportable de la infancia, 2020. In\u00e9dito.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Idem.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>Idem.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Laurent, E., Las personas grandes y el ni\u00f1o. In: <em>Psicoan\u00e1lisis con ni\u00f1os<\/em>. Centro Peque\u00f1o Hans, Asociado al Instituto del Campo Freudiano. Buenos Aires: Atuel, 1998, p. 21.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luisa Arag\u00f3n[2] A cada dois anos, o ENAPOL nos convida ao trabalho com um t\u00edtulo provocador que interpreta a vig\u00eancia da psican\u00e1lise frente aos discursos atuais que regem a civiliza\u00e7\u00e3o, produzindo efeitos na subjetividade e no la\u00e7o social. 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